História Os filhos de Arethusa - Capítulo 7


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Categorias Percy Jackson & os Olimpianos
Tags Eric
Visualizações 5
Palavras 4.837
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Exijo que os leitores não comentem, não favoritem e não deem notas, para atualizar ou continuar a história.

Capítulo 7 - Aquele capítulo lá


Enquanto isso Nova estava... Um pouco perdido. Queria tomar um banho, mas se lembrara de que não tinha um quarto ou roupas. Não se importaria de vestir o que usava novamente mesmo molhado, mas precisava encontrar alguém que a indicasse a localização de alguma coisa, então estava zanzando por aí.

No caminho de saída deu de cara com ambos. Uma inconveniente surpresa para Annie, talvez, que estava tentando envenenar o rapaz. Toda vez que começava a envenená-lo, ele trocava o assunto. E agora ela apareceu.

Talvez... uma chance?

-- Nova! Achamos você! E sua máscara! -- E colocou a máscara de Oni com um sorrisinho por trás dela. Lembrou que não adiantava seduzir com um sorriso quando tem uma máscara japonesa na cara. Com vergonha de seus pensamentos, continuou mascarado. Sabia que estava vermelho por debaixo da máscara.

Abriu o sorriso de sempre para Shaka e girou os olhos para Annie. A menina não fizera nada ainda, era apenas sua reação natural a ela.

-- Um oni, huh? 

Aprendera um pouco com todas aquelas bobagens que Shaka lia.

-- Deixa eu te mostrar o que consigo fazer agora.

Arrancou Lightbringer do pescoço e mostrou a luva, primeiro sem nada e depois carregada. Annie arqueou as sobrancelhas.

-- Como você está fazendo isso? 

-- Acho que a luva concentra e direciona a minha energia.

Shakuras deu um pulo ao ver a luva. Deixou a máscara descer lentamente, com os olhos arregalados para a manopla. Simplesmente ignorou o que as duas falavam. Ignorou até onde estavam, o que estavam se preparando para fazer, quem ele era. Tudo. Sua melhor amiga tinha virado uma protagonista de anime.

-- O-o que isso faz?!

Abriu um sorriso feliz pelo interesse do rapaz.

-- O que eu quiser.

Respondeu transformando a bola de energia em um raio,um arco e, por fim, uma lança.

Shakuras quase deu um pulo de alegria ao ver aquela coisa se transformando em outras. Ele estava com tanto brilho nos olhos quanto os raios e armas de energia de Nova.

-- Que INCRÍVEL! E você pode se recarregar também com ela? Tipo um "Super-Choque"?

-- Talvez, se ela for capaz de guardar energia. Isso ainda não testei, mas é uma boa ideia!

Exclamou sorrindo.

Ele ainda estava sorrindo muito quando se recuperou de seu torpor. Para ele, todo esse lance de semideus era incrível. Mesmo sendo doloroso, ele conseguia cobrir se vangloriando de suas aventuras e poderes. Sentia-se um super-herói. Ver sua amiga parecer um super-heroína também... era maravilhoso para ele.

Quando se recuperou, pegou a máscara e deu para ela.

-- Essa é sua.

- Anthea me fez isso?

Perguntou surpresa.

-- É linda! E olhe! Somos orientais agora!

Exclamou rindo e colocando a máscara, fingindo puxar os próprios olhos para cerrá-los.

-- Uhum, parece até que foram feitos um para o outro.

Shakuras ficou vermelho por debaixo da máscara, rindo para si. Não podia externar que queria, com todo o seu coração, concordar. Mesmo assim, brincou:

-- Annie, é meio estranho quando diz isso.

-- É a verdade... Não acha, Nova? 

Pergunta dando de ombros com um sorrisinho inocente.

Devolve o colar ao pescoço e envolve Shaka.

-- Óbvio! Shaka, eu e Mordred sempre ficaremos juntos!

Se jogassem uma bigorna na cabeça de Shaka teria doído um pouco menos. O rapaz cerrou os dentes de forma que ela não visse. Todo aquele nervosismo, o medo de ela finalmente estar interpretando as coisas do jeito que ele queria... para ser uma friendzone. Claro que Nova não era obrigada a nada. Ele não podia se chatear com ela...

Mas algo arranhava sua alma por dentro. Tinha a vontade de fazer um comentário ácido. Sufocado pela surpresa desagradável, deixou escapar.

-- Mesmo com ele escondendo tudo de nós? Mordred não é um de nós. Não mais.

Annie quase gargalhou internamente. 

"Bom menino, Shaka!" -- Pensou Annie.

O sorriso de Nova morreu e a garota suspirou.

-- Também estou brava com ele, mas não podemos pensar assim. Tenho certeza de que ele só queria cuidar da gente. Nos proteger... Sabe como Mordred é.

Vendo funcionar, não hesitou em dar continuidade. O difícil era começar, sempre. Continuar não causava problema algum.

-- E por isso temos de nos provar independentes. Devolver pra ele entender que somos capazes também.

-- É por isso que lutaremos por ele, bobinho! -- Replicou sorrindo.

-- Então... O melhor amigo de vocês arruma outros amigos, começa a namorar em segredo, monta um grupo de gladiadores e nada diz. Vocês só descobriram porque o seguiram e acabou sendo conveniente a presença de ambos aqui, então Mordred irá usá-los. -- Deu de ombros, negando com a cabeça, incrédula. -- E o que fazem é... Lutar por ele? Geez... Dizem que EU sou insistente e não me toco, mas vocês dois parecem filhotinhos perdidos sem o líder da matilha. 

Nova fuzilou a loira com o olhar.

-- Você não conhece o significado da palavra amizade. Mordred age de maneiras pouco usuais, mas tem boas intenções. Não precisamos compreendê-lo sempre, apenas confiar. 

-- Aham... E ele pode pisá-los à vontade porque sempre acreditarão que Mordred está "fazendo o melhor", Uh, provavelmente até está: o melhor para ele, não para vocês. -- Balança a cabeça, negativamente. -- Não digo que precisem excluí-lo do clubinho, mas talvez dessem começar a pensar em si mesmos como um duo e não um trio, porque Mordred certamente não pensa mais assim. A empousa é a nova "Nova" e o grupo vale por Shaka. Aprendam o lugar de vocês e cuidem um do outro. Seja lá qual história dividiram... -- Annie estalou os dedos -- ... Mordred is over it. 

Annie cinicamente afastou-se, deixando para trás um aceno e um beijo.

Ainda que cada vírgula tivesse feito seu coração sangrar, Nova apenas sorri para Shaka.

-- Não a escute, ela está brava por causa da situação com Lyah. Mordred é nosso amigo. Devemos apoiá-lo.

-- Claro. 

Foi a resposta de Shaka, encerrando a conversa. Quanto mais ele ouvia de Annie, mais ele tinha certeza do que Mordred estava fazendo. Mordred se distanciar, no entanto, não causava tanto dano em sua mente. O que realmente causava dano era Nova ficar como uma cadela, lambendo o coturno dele mesmo quando Mordred estava fazendo todas aquelas coisas. Sua mente estava em conflito entre aquilo que queria e aquilo que devia. Escolheu ficar neutro e soturno, porque estava confuso demais.

-- Falta uma hora e não está pronta. Do que precisa?

-- Antes precisava de um banho, agora preciso do banho e de você.

Apoia as mãos nos ombros do rapaz.

-- Quando nos conheceu, Mordred e eu já estávamos juntos, Shaka. Talvez você e a cobra da Annie tenham razão, mas me recuso a desistir tão facilmente dele, quando Mordred nunca desistiu de mim. Ele podia ter me abandonado e fugido muitas vezes, mas ele ficou e salvou a minha vida. Nossa vida. Não acha que ele fez por merecer um pouco dessa confiança cega?

 

Shakuras tinha em seu rosto a definição visual de arrependimento e descrença. Seus olhos pareciam não querer oferecer para ela aquela segunda chance ao Mordred, mas era tão lógico e aceitável... e ela o pedia com tanto carinho. Pedia diretamente para ele, com aquele olhar que ele não conseguia resistir.

Suspirou mudo, assentindo relutantemente. Ela envolveu o rapaz em um abraço apertado.

-- Obrigada... E quer saber? Se estivermos errados teremos feito a nossa parte e ainda teremos um ao outro. 

Apertou Shakuras um pouco mais e o soltou.

"Por favor, Mordie, não me decepcione."

-- Acha que consegue me ajudar com um banho?

Shakuras aceitou o abraço ainda mudo e emburrado, sem querer responder ao que dizia sobre Mordred. Ficou assim por um bom tempo, até ela falar no banho. Shakuras imediatamente corou.

-- Te ajudar no banho? Como? D-do que precisa?

-- Água... Talvez sabão, toalhas, roupas secas...

Enumerou achando graça em ver Shaka todo sem jeito por mencionar um banho.

-- Ah-oh. Claro. Eu tenho um quarto já. Você foi treinar direto, então Ant não te deu um ainda. Pode tomar banho no meu. 

Sugeriu inocentemente, já que ao pensar besteiras foi colocado como uma criança.

-- Viu? Sempre te disse que você era mais legal do que o Homem-Aranha!

Replicou com uma piscadela.

Shakuras levou os dedos dele até os lábios de Nova, fazendo o som de quem pede silêncio.

-- Para fazer trocadilhos não nasceu você. 

E deu as costas, guiando-a para o seu quarto.

Nova fingiu indignar-se e protestou sobre ser engraçado sim. Fez outras péssimas piadinhas, porque era realmente ruim nisso. Tinha o riso fácil, mas não era lá muito boa sendo engraçada, só nas raras ocasiões em que pagava mico sem querer ou em momentos como aquele, em que fazia trocadilhos tão ruins que a pessoa eventualmente ria. 

Uma vez no quarto de Shaka, a garota ficou feliz em tirar o suor do corpo apesar de saber que logo estaria duplamente suada e suja. Saiu do banheiro enrolada em uma toalha. Os cabelos passavam da cintura e pingavam molhados no chão.

Shakuras ficou deitado na cama que era quase vazia. Estava morrendo de sono, afinal o fuso deles era diferente do que experimentavam agora. Quando estava perto de dormir, Nova se aproximou. Ele teve de evitar olhar para a coxa dela o tempo inteiro, e quando estava vencendo, ela sentou em sua cama. Ele pulou instantaneamente.

-- Se importa de rodar por aí e ver se alguém tem algo que eu possa vestir?

Perguntou sentando na cama.

-- Não demore, temos pouco tempo.

-- Cl-c-clar-- Pod- fique a v-vont-- não sei, vou dormir. 

E se jogou na cama, virando-se para o lado oposto ao dela.

Girou os olhos e deu uma travesseirada em Shakuras. Lembrou-se da conversa que tivera mais cedo com Ascylah. Se seus amigos a vissem como uma garota, não dormiriam quando aparecia de toalha. Não que estivesse daquele jeito para procurar Shaka, mas...Esperava algo além de "não sei, vou dormir". Bem, não importava.

-- Vá procurar uma roupa para mim, não dormir!

Shakuras começou a coçar a cabeça, jogado na cama onde estava. Ficou ali por um tempinho antes de se sentar na cama. Sua mente era "talvez não deva se vestir", mas externar aquilo pareceu pouco receptivo da parte de Nova. Não conseguiu pensar em nada que externasse aquele pensamento e não fosse ofensivo, da perspectiva dele.

-- ... Não trouxe roupas, lembra? Peguei emprestado de Anthea uma. 

E tirou do baú um vestido.

-- Um bom cinto e uma boa bota... e vai servir pra batalha.

Nova não era lá muito chegada em roupas que mostravam demais o corpo. Era meio tímida para estas coisas. Andava de jeans e jaqueta

Por isso fez careta para o vestido, mas levou-o para o banheiro vendo-se sem opção. Saiu pouco depois com as bochechas coradas. O vestido era justo o bastante para marcar tudo o que sempre havia escondido, como o tamanho dos seios. Nem pequenos e nem grandes demais, ideais. Como esperado com tanto exercício físico, não tinha barriga, o que caía bem para uma roupa como aquela. O que era visível de suas pernas releva-as como torneadas pelos anos de correria. 

-- Vamos logo, não temos tempo para descansar!

Shakuras pensou muitas coisas. Todas elas escorreram pelo canto sussurrado de sua boca:

-- ... Que pena...

- Está assim tão cansado?

Perguntou com um suspiro sentando-se ao lado do rapaz. Não seria bom ter um Shaka cansado na arena. Temia que isso o deixasse desatento

Brigou sem nem saber porque estava brigando. Na verdade só estava sem jeito.

-- Não é pra descansar que quero tempo. 

Aquelas palavras não eram dele. Eram distantes, como se ele estivesse em transe. Talvez estivesse, com sua mente sendo dominada pelo sentimento.

Nova franziu o cenho estranhando a atitude de Shaka. Colocou uma mão na testa do rapaz para medir a temperatura.

-- Você está bem?

Ele estalou a língua e colocou a mão dele por sobre a dela, voltando a si. Se levantou com um sorriso desajeitado, pegando a máscara.

-- É o Oni!

Abriu um sorriso confuso.

-- Não se empolgue tanto em seu personagem antes de chegarmos ao nosso destino, se não serei obrigada a virar loba e te morder.

Brincou levantando.

-- Isso é um incentivo? -- Perguntou. Parte de si sentia que estava fazendo algo errado, a outra queria ter dito algo mais lascivo. Ambas guiaram ele para abrir a porta ainda com a máscara no rosto, ficando na porta para ela passar, num ato de cavalheirismo.

-- Para o quê?

Ela chegou a passar por ele, mas ele não resistiu. O vestido dela balançava perto dele, as curvas sinuosas a ventar no mar de sua mente... era demais. Assim que ela passou, respirou fundo e prendeu a respiração, acidentalmente com o perfume dela. Agarrou-a pela cintura.

-- Se eu continuar como Oni, promete me morder, Amaterasu?

Sentiu o rosto esquentar e viu-se sem resposta por alguns segundos. Repentinamente consciente da presença de Shakuras como alguém do sexo oposto e não o amigo café-com-leite que gostava de apertar e paparicar.

-- Talvez...

Ele apertou a máscara contra o rosto, rosnou e lentamente ofereceu o pescoço para Nova, deixando-o disponível para seus dentes.

Ao invés de uma mordida, Shaka ganhou um chupão no pescoço.

-- Agora tem a marca de Amaterasu. É um oni do bem.

-- O que...?

Ambos se viraram simultaneamente na direção de Mordred, que andava pelos corredores. Shakuras, nervoso demais para se mover, ainda segurava Nova pela cintura. Ela, muito nervosa pra se mover, continuava sem se desvencilhar dele. Levou um segundo para abaixar os braços e apontar para Shakuras.

-- Ele precisava de purificação.

Mordred semi-boquiaberto olhou com o canto do olho para eles. Annie estava atrás de seu ombro, sorrindo com um olhar tão sereno e frio quanto o dele. Empurrou-o gentilmente, dedilhando seus ombros enquanto ele recuperava os passos que tinha parado no corredor.

-- Deixe os pombinhos a sós, Mordred.

Nova caminhou na direção contrária à Mordred. Contra a própria vontade, Shakuras deixou ela escapar, seguindo-a.

Atravessaram uma porção de corredores, descobrindo que aquele lugar deveria ser algum tipo de masmorra/castelo ancestral, porque era simplesmente gigantesco. O som do mar nunca os abandonava, e as vezes conseguiam ouvir animais e o vento atravessando as folhas, mesmo sem vê-los.

Alcançaram, depois de um bom tempo perdidos, a sala de reunião. O ciclope ainda estava lá, brincando com os próprios dedos e sorrindo abobalhadamente.

-- ... Luthor? 

O ciclope riu mais um pouco, vendado.

-- ... perdidinhos...! 

Mesmo debaixo da máscara era possível ver a cara de WTF que Shaka fez.

Nova devolveu o olhar WTF pro rapaz também. De fato, o ciclope a deixara perdidinha.

-- Sabe onde os outros foram?

Desconfiava que o único olho do ciclope fosse cego, mas talvez ele se guiasse de outras maneiras

O ciclope ergueu as mãos para os dois. Pedia para que dessem as mãos para ele.

Shaka foi o primeiro, e soltou um grito. Nova se assustou, mas quando ele começou a sorrir, tocou a mão dele também.

Era como ser um sistema de vigilância. Além dos próprios olhos, Nova via a si mesma pelos olhos do ciclope e de Shakuras. Via-se por um canto da sala, e via-se do corredor. Via o corredor inteiro, e cheia de centenas de perspectivas, enxergou tudo até o navio do lado de fora. Nem soube exatamente como, mas foi guiada pelos seus pés até o lugar de forma instintiva. Chegando lá, saiu do transe.

Durante o transe, teve noção de quão grande o lugar era. Ela era uma formiga no maior formigueiro de todos os tempos. Do lado de fora, percebeu que esteve sempre dentro de uma cidade colossal e ancestral.

O time inteiro estava do lado de fora, máscaras em mãos e armaduras. O ciclope, de alguma forma, já estava lá no navio, sentado, olhando para o horizonte com aquele olhar abobado. Mordred estava já com sua armadura, coturno, calças, joelheiras. Seu uniforme tinha um capuz, mas estava com a máscara em baixo do braço. Não tinha necessidade desse.

Lyah vestia aquelas roupas que usavam no treinamento, college. Era uma empousa. Se regeneravam conforme comiam. Ferimentos era a última preocupação.

-- Aqui, otakus. -- E chutou um baú na direção deles. Shakuras parou o baú com o pé. Quando o baú se abriu, uma armadura apareceu. -- Você vem para a linha de frente comigo. 

Lyah deu um beijo no rosto de Mordred e ergueu a sobrancelha para Nova. Ela já sabia de onde Mordred teve a ideia de dar um voto de confiança para Shakuras. Ele estalou a lingua e começou a andar.

-- Todos a bordo! Temos pouco tempo a perder! -- Então subiu no navio.

Quando Shaka gritou, foi por pouco que a garota não usou Lightbringer, desconfiada, tocou na mão do ciclope e foi sua vez de gritar surpresa e então sorrir em sua primeira e verdadeira tour pelo local. Desejou que tivessem tempo para andar por ali de verdade, talvez na volta.

Uma vez no barco, ergueu as sobrancelhas surpresa e então satisfeita por ver Mordred confiar em Shaka. Bagunçou os cabelos do rapaz.

-- Me deixe orgulhosa. 

Deu levemente de ombros para Lyah e foi se acomodar perto da amurada para ver o mar. Annie estava um pouco mais distante retocando a maquiagem em um espelhinho. 

Todos subiram no navio, um a um, e se arrumaram para a viagem. Nova já estava cogitando puxar a vela ela mesma, porque não via ninguém fazer nada como tripulação, mas o olhar de Mordred a proibia enquanto olhava seus aliados se acomodarem.

De dentro de seu âmago, com uma mão segurando a máscara e com a outra segurando a pistola e braços abertos, Mordred começou a cantar.

Nova, Annie e Shakuras nunca tinham visto Mordred cantar. Era primitivo, furioso, poderoso. Era um melódico urro. Sua voz era uma besta que ele debilmente controlava, mantendo-a aparada e dentro da forma que ele desejava.

Conforme ele bradava, o navio começava a se mexer. Almas apareciam aqui e ali, baixando as velas, pegando no timão. Terminado o canto, ele começou a tossir. Lyah o segurou antes que ele sucumbisse. Em instantes, estava em pé de novo, mas suas olheiras pareciam piores e seus olhos mais profundos que de costume. Colocou a máscara antes que alguém pudesse intervir, sentando-se numa cadeira. Lyah arranhou sua máscara com as unhas metálicas e se retirou, deixando o rapaz respirar, largado.

Depois dali, se aproximou de Annie.

-- O que você tem a ver com aquela marca no pescoço de Shaka? 

Perguntou sem reservas, sem introduções. Não faria introduções quando comesse o vão descerebrado do crânio dela.

Mordred conseguiu fazer Annie erguer o olhar concentrado de sua maquiagem para vê-lo cantar. Nova também o fez parecendo surpresa. A garota também fez menção de se aproximar para acudir o rapaz, mas como Lyah se adiantou para realizar mais algum ritual do qual ela não fazia parte limitou-se a se preocupar aonde estava e voltar a observar o mar com preocupação estampada em seu semblante e depois algo mais.

Ergueu o olhar para Lyah e riu.

-- Por que se importa, ciúmes? Ou só quer ter certeza de que fui eu e não outra pessoa? Seria tão bom se fosse outra pessoa, não é?

Lyah queria rir daquela carinha insossa de Annie, mas tinha de guardar isso até o fim da conversa. Colocou a mão na cintura que tinha a perna de bronze, dedilhando com suas unhas e soltando um som metálico. Estava completamente séria.

-- ... não me interessa com quem quer se envolver. Não tem o direito de plantar intriga entre os nossos. Nunca se esqueça de que é uma visitante. Visitas e peixes fedem depois do terceiro dia.

-- Por isso está preocupada que Shaka? Acha que federemos? -- Ri -- Preocupe-se com o seu homem, deixe o restante em paz.

Pisca e volta a se maquiar.

Riu como se Annie tivesse dito algo ridículo.

-- Não estava falando dele. Shaka já é de casa. 

E deu as costas para Annie. Qualquer coisa para se livrar daquele cheirinho de colônia barata. Aproximou-se de Nova, dessa vez. Shaka estava conversando com o capitão fantasma. Parecia animado com aquelas porcarias sobre rotas e tudo o mais.

-- Bem vindos ao cruzeiro Titanic. Sentem-se confortáveis? 

Shaka já estava sem máscara, quando saiu de perto do capitão. Sorriu com ânimo redobrado ao ver a empousa e seus olhos puxados. Parecia um cachorrinho abanando o rabo sempre que fazia amigos novos. E quando os amigos velhos visitavam ele. E quando estava perto de amigos.

Quando não parecia mesmo?

-- Aceito um chocolate! 

Lyah perdeu o sorriso lentamente e levou o olhar até Nova. Olhava para os lábios de Nova e para Shakuras, um após o outro, repetidamente, até um sorriso crescer em seus lábios.

-- Titanic? Por isso o navio me parecia familiar...

Replicou e então sorriu para Shaka. Estavam indo em direção a uma aventura mortal e ele queria chocolate.

-- Duvido que alguém tenha chocolate por aqui, Shakuras.

Em seguida ergueu uma sobrancelha para a empousa. O que ela estava olhando?

O sorriso dela ficou cínico, com seus olhos semicerrados por sobre o óculos.

-- Temos sim. A cantina fica depois daquela porta, mas se quiserem comer algo diferente, depois da porta da cantina tem os quartos. 

E tocou duas vezes no próprio pescoço, onde ficou marcado o chupão da lobinha. Com essa pitada de veneno "do bem", se retirou, indo para a direção onde apontou ser a cantina.

Sentiu o rosto esquentar e girou os olhos. Estava justamente pensando que deveria e que, talvez, Annie estivesse certa. Ou melhor, quase certa. 

Talvez Mordred desejasse-lhes o bem, mas talvez também estivessem em outra com seus amigos e namorada, nesse caso, caso houvesse interpretado os sinais de maneira certa, talvez tivesse uma chance com Shaka. Seria estranho namorar qualquer um dos dois se ainda fossem um trio, mas se o trio não existia mais...

Tudo bem que não sabia se via Shakuras assim, mas o rapaz era seguro, fofo e leal. Poderia aprender. Talvez nem precisasse, talvez já tivesse sentimentos por ele e sequer se desse conta disso. Anthea era a deusa do amor humano e fizera-lhes máscaras que combinavam, aquilo era um sinal, certo?

Ou talvez só estivesse chateada e quisesse um pilar para se sustentar se fosse o caso, não era justo usar Shaka daquela maneira.

-- Já sabe aonde encontrar seu chocolate.

Voltou a se apoiar na amurada e a focar no horizonte com o olhar perdido.

Shakuras pegou ela pelo cinto, arrastando-a de costas até a cantina. Chamou a atenção de todo mundo, mas ele simplesmente ignorou ela, continuando a gentilmente puxar. Mordred acompanhou-os com um olhar, mas debaixo da máscara era difícil dizer o que pensava.

-- Você nunca me ensinou a fazer chocolate-quente. Já tá na hora de me ensinar. 

Foi seu argumento, parando na frente da cantina.

-- Shaka!

Exclamou ao ser arrastada e então desistiu de reclamar e limitou-se a rir, ao menos nisso o rapaz era campeão.

-- Chocolate quente? Ah sim... Este é um segredo milenar. Venha. Vou mostrar. 

Disse emulando um ar de mistério e shakuras quase caiu no mistério dela, mas ai lembrou quais eram os ingredientes que levavam aquela receita. Simples e sem mistério algum. Olhou-a de soslaio, em resposta à brincadeira.

Instantes depois estavam ambos rindo. O tempo perto daquela fornalha era mínimo, mas era o suficiente para levá-los ao incômodo. Riram um da cara do outro no fim. Fizeram o chocolate-quente virar um musse, para aplacar o calor. Sentados, conversavam. Olhavam a tripulação enquanto comiam o musse. Brutus e Lyah pareciam estar conversando, com Lyah a penteá-lo. Mordred repassava algo com Luth. Shakuras, silencioso, olhava para Mordred fixamente.

-- Está com medo? -- Nova perguntou.

-- Não! Que bobagem. Só... me sinto estranho. Sem o Mordred. 

Exclamou no início da frase, e no fim dela... estava quase mudo.

-- ... precisamos dar uma última chance para o Mordred se provar parte do time.

Nova olhou para o amigo "perdido" também, mas seu olhar estava sendo atraído para Shakuras. Sentia ele quase emanar aqueles sentimentos.

-- Queria que ele viesse falar conosco pelo menos uma vez. Nós o seguimos, viemos até aqui, estamos aqui por ele e Mordred não se presta a tirar cinco minutos para perguntar como estamos.

Shaka deu uma risadinha com o canto dos lábios, cutucando o musse com a colher.

-- ... Ele nunca fez isso antes. Acho que as coisas não mudaram. Só estão mais claras.

Nova arqueou as sobrancelhas, confusa.

-- Como assim "mais claras"?

-- Agora sabemos quem ele é. 

E se levantou, pegando o potinho de mousse e levando consigo.

-- Shaka...

Chamou, a voz morrendo no caminho.

Não queria acreditar que Mordred era aquela pessoa. Sabia como ele era, o rapaz gostava de complicar seus relacionamentos porque sim, o problema é que aquilo ia além de Mordred sendo Mordred. Não havia grande objetivo final em que ele pensava no grupo, nada... Era apenas um projeto do qual haviam sido excluídos.

E agora até mesmo Shaka fora magoado...

Estreitou os olhos, levantou e foi diretamente até Mordred.

-- Tire a máscara.

Mordred estava conversando com um tripulante. Um esqueleto com um olho de vidro e o outro espaço vazio. O esqueleto tritou os dentes antes de sair. Mordred se virou para Nova, parecendo rendido com a ordem.

-- ... Chegaremos em vinte minutos. Não acho uma boa ideia tirarmos nossas máscaras. 

Lyah e Brutus se renderam ao silêncio. Nova sentiu os olhos deles por sobre as costas da semideusa.

-- Tire. -- Insistiu.

Ele estalou a língua.

Mordred apertou um botão e a máscara se abriu. Ele ficou com a máscara do lado do rosto, escondendo do destino.

-- O que quer, Nova?

Não respondeu, apenas esbofeteou o rapaz. Brutus se levantou furioso graças ao tapa, mas Mordred negou com a cabeça e ele ficou com a confusão, sem esbofetear Nova, como achou que deveria. Lyah, por outro lado, por mais confusa que parecesse, ficou calma.

-- Você está me machucando e está machucando, isso só é possível porque nós nos importamos com você. Pare de nos tratar feito lixo, você não é grandes coisas porque tem meia dúzia de fãs te seguindo por aí. Eu te amo e Shaka pelo o que são e o que você é, é muito mais do que o pedaço de merda que está se mostrando para impressionar seus novos amigos.

Torna a colocar a máscara

-- Pode voltar a se esconder agora.

Girou nos calcanhares e se afastou. Lyah se levantou depois de algum tempo, indo falar com Mordred. Mordred parecia pouco disposto a conversar, mas ela insistiu.

-- Você acabou de ser estapeado, algo há. -- Ridicularizou ela. Ele não tinha colocado a máscara ainda, então ela beijou perto do nariz dele e fechou sua máscara. -- E esconda essa cara de idiota. -- E arranhou a máscara com as unhas de novo, fazendo ele piscar de lá de dentro. Passou por Annie fingindo que ela não existia e foi direto para Nova, interceptando-a antes de entrar no quarto.

-- Você bateu no meu namorado. -- Pediu explicações calmamente, com essa frase.

-- E ainda sim, ele manda um minion ao invés de vir falar comigo cara a cara. Inacreditável... -- Lyah ergue uma sobrancelha e Nova fecha os olhos e cerra os punhos sentindo a estática começar a se formar ao seu redor. -- Lyah este não é um bom momento. Não alimente esta Nova. Conversaremos mais tarde.

-- Ele não "mandou" ninguém, eu vim aqui por minha vontade. E ele não manda em mim, mas por favor, não me deixe te impedir.-- E abriu a porta de um quarto para ela. -- Fique a vontade para descansar seus ânimos até estar se controlando.

Se Nova tivesse batido os pés um pouco mais forte, teria trazido um raio a derrubar o navio. Como não o fez, só foi para sua cama. Shakuras, confuso, não teve resposta nem de Nova, nem de Lyah.

Lyah fixou o olhar na porta quase sem respirar, como se esperasse que fosse arrombada por raios a qualquer momento.

Annie estava se acabando de rir. Internamente.

"Estou tão feliz por não ter ficado no acampamento!"

Aproximou-se e sentou em silêncio ao lado de Mordred.

-- Eu não sabia que Nova era capaz de ficar tão irritada...

Comentou educadamente.

Mordred não respondeu Annie. Continuou olhando para o seu destino com seu olhar intocado pelas palavras dela. Não se alterou, estressou, irritou... nada do tipo. Só ordenou:

-- Coloque sua máscara. Fique longe de mim.

-- Se eu fizer isso, você falhará Mordred. 

Respondeu simplesmente, enquanto colocava a máscara. Ele olhou para ela por cima do ombro, mas não havia ameaça em seu olhar. Esperava que ela estivesse certa. Precisava da utilidade dela, se ela tivesse alguma pra dar.

-- Saberemos.

Disse, se dirigindo ao timão.


Notas Finais


Amo a Annie. É isso.


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