História Os filhos do tigre - Capítulo 5


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Categorias A Maldição do Tigre
Personagens Alagan Dhiren Rajaram (Tigre Branco "Ren"), Durga, Kelsey Hayes, Nilima, Personagens Originais
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Palavras 2.393
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Magia, Misticismo, Romance e Novela, Saga
Avisos: Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Bola fora - Sohan


A campainha tocou e meu coração disparou. Eu a veria novamente, depois de tanto tempo. 

 

Eu tinha me mudado para a Califórnia, para estudar em Stanford, e sabia que Kamala também viria para esta universidade. Meu tio Ren me ligou, dizendo que compraria uma casa para Kamala. Ele perguntou se eu queria que ele providenciasse outra para mim, mas eu lhe disse que mamãe já tinha comprado. Mais tarde, eu soube que a corretora de mamãe encontrara uma casa semelhante à minha e que Kamala seria minha vizinha. Eu queria muito vê-la. Eu era apaixonado por ela há anos, mas nós estávamos afastados havia muito tempo. 

 

Quando éramos adolescentes, eu fui completamente apaixonado por Kamala. Mas eu era muito jovem e não sabia me comportar. Kamala não percebeu que o que eu sentia por ela era amor. Sem querer eu a tratei com frieza e quase com desprezo. Depois disso, nós deixamos de ser amigos.

 

Eu terminei o ensino médio no Japão. Meus pais me visitavam sempre que iam àquele país. Tio Ren também. Eu vi tia Kelsey e Anik algumas vezes, mas nunca mais me encontrei com Kamala. Nas poucas vezes em que ela viajava com os país ou que eu ia aos Estados unidos, Kamala sempre estava ocupada e nós não nos encontrávamos. Eu às vezes desconfiava que ela fugia de mim. 

 

Anik sabia dos meus sentimentos por sua irmã. Eu contei a ele quando eu tinha 13 anos e ele nunca comentou à respeito disso com ninguém. Eu lhe perguntava sobre os sentimentos de Kamala a meu respeito. Anik nunca mentia para mim. 

 

— Eu acho que, quando vocês se reencontraram após os primeiros anos em que você ficou no Japão, minha irmã estava apaixonada por você. Mas Kamala não é do tipo que sofre por amor. Quando você não correspondeu da maneira que ela esperava, minha irmã ocupou-se de outras coisas e te esqueceu.

 

Agora que nós éramos adultos e estaríamos sozinhos, sem nossas famílias, distantes de casa, eu acreditava que poderia reconquistar, se não o amor, pelo menos a amizade que nós tínhamos e que me era tão cara. 

 

Corri para abrir a porta. Dei de cara com tia Kelsey sorrindo para mim. Eu a adorava. Nós tínhamos uma ligação forte. Eu a amava tanto quanto à minha mãe, e ela também me tinha como a um filho. Ela me agarrou em um abraço apertado e beijou minha bochecha.

 

— Olha só o meu menino, como está lindo! Adivinha o que eu trouxe para você? — Me empurrando uma lata fechada.

 

— Hummm... Biscoitos de chocolate e manteiga de amendoím?

 

— Isso mesmo! Fiz para Kamala, mas consegui roubar alguns para você!

 

— Tia Kelsey, eu te amo!

 

Eu dei um beijo na bochecha de tia Kelsey e pedi que ela entrasse. Tio Ren me deu um beijo na bochecha, todo sorridente e entrou. Anik deu um sorriso torto e foi o último a entrar. Eu fechei a porta e perguntei decepcionado.

 

— Kamala não veio?

 

— Não querido. Ela está cansada. Mas tenho certeza de que vocês vão se encontrar logo. Ela mora aqui pertinho.

 

Anik deu um sorriso descarado e comentou.

 

— Claro! Com certeza não faltará oportunidade.

 

No dia seguinte, acordei mais cedo, tomei banho e me vesti para ir à faculdade. Preparei um café e comi os biscoitos de tia Kelsey. Então entrei no carro e dirigi calmamente até o campus. Fui um dos primeiros a chegar ao auditório para a primeira aula. Olhei ao redor, na esperança de ver Kamala. Ela ainda não tinha chegado. Procurei a fileira perto da porta, para que eu pudesse vê-la entrando e me sentei na segunda cadeira.

 

A sala começou a encher, e nada de Kamala aparecer. O professor chegou e começou a aula, mas Kamala ainda não tinha chegado. Comecei a ficar preocupado.

 

Havia se passado uns 10 minutos desde que a aula começara, sem que eu conseguisse me concentrar. Então eu a vi entrar correndo na sala. O professor estava de costas, então Kamala, ofegante, sentou-se rapidamente na cadeira ao meu lado, pegou caderno e caneta e começou a anotar, sem nem olhar para o lado. Ela estava tensa e parecia nem respirar. Sequer havia notado que eu estava a seu lado. Ela estava absolutamente linda!

 

Eu me lembrava do quanto Kamala era bonita, com sua pele cor de caramelo, seus olhos azuis cobalto e os cabelos longos e negros. Eu já tinha visto fotografias recentes dela, e sabia que ela havia se tornado uma mulher bonita. Mas eu não fazia ideia do quanto. 

 

Kamala usava uma camiseta preta de uma banda de rock, uma calça jeans clara, rasgada nos joelhos e um tênis vermelho. Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo alto, que caia por suas costas. Ela prestava atenção na aula, apertando os olhos e colocando a caneta contra os lábios, fazendo-me olhar para eles. Seus lábios eram vermelhos, mesmo sem batom. Um desejo quase incontrolável de tocá-los com os meus tomou conta de mim. Então o professor encerrou a aula. 

 

Pela primeira vez, Kamala relaxou e recostou-se na cadeira, suspirando como se estivesse exausta. Meu coração disparava. Criei coragem e falei com ela, meio sem graça.

 

— Oi Kamala. Há quanto tempo. 

 

Ela virou-se lentamente. Seus olhos brilharam quando ela olhou para mim, séria. 

 

— Sohan, desculpe, — ela deu um sorriso sem graça — eu não vi que era você aí do meu lado. Como vai?

 

— Ah, eu percebi. Você estava muito concentrada — Eu dei uma risadinha, meio sem jeito — Estou muito bem. Eu esperava te ver ontem, quando Anik e seus pais foram me visitar.

 

Ela respondeu rápido:

— Ham. Sim. É... Eu estava cansada e ainda precisava arrumar minhas coisas. Desculpe, mas eu esperava ter outras oportunidades de te encontrar...

 

"Ela esperava ter outras oportunidades de me encontrar... Sozinha?"

 

Tive esperança de que aquilo significasse que ela queria o mesmo que eu. Mas Kamala voltou a falar rapidamente, tirando minha esperança:

 

— É que estamos na mesma faculdade e, até onde eu soube, somos vizinhos.

 

Meu sorriso logo se desfez.

 

— Claro — Levantei-me sem graça, com medo dela ter percebido minha confusão.— Com licença Kamala, já vou indo. A gente se vê. Tchau.

 

— Tchau. 

 

"Droga, eu sou um idiota. Achei que depois de todos esses anos, eu conseguiria conversar com Kamala como um homem. Mas não, aqui estou eu, correndo como um garoto envergonhado, fugindo da menina que gosta". 

 

Eu realmente não conseguia entender o que acontecia comigo. Em todos aqueles anos, eu nunca tive problemas para falar com uma garota. Eu tive amigas, colegas, namoradas, nenhuma delas me afetava da maneira como Kamala fazia. Ela era linda e eu me sentia atraído por ela, mas ela tinha sido minha melhor amiga por anos, a infância toda. Não era possível que eu não soubesse lidar com ela agora. Eu precisava mudar isso. 

 

Durante toda aquela semana, Kamala e eu ficamos afastados. Ela era inteligente e simpática, logo fez amigos. Nós fazíamos todas as aulas juntos, mas nem por isso voltamos a nos falar. Ela estava sempre cercada de pessoas e eu ficava sem graça de me aproximar. 

 

Notei que eu não era o único homem atraído por Kamala. Muitos calouros e até veteranos entortavam o pescoço para olhar para ela. Eu cheguei a ouvir alguns fazendo planos de ficar com ela em uma festa no final de semana. Fiquei enciumado. Resolvi ir também.

Cheguei ao lugar onde a festa acontecia. A porta estava aberta e eu entrei. Logo à minha frente, eu vi as amigas de Kamala e a reconheci, de costas para mim. Eu fiquei parado ali um tempo, olhando ao redor, meio deslocado, pensando em como chegar até Kamala, até que uma veterana veio falar comigo. Ela era uma mulher linda, loira, de olhos castanhos, cabelos longos e ondulados. A mulher usava um vestido sexy e maquiagem discreta. Ela balançou os quadris e caminhou até mim, sorrindo. Eu não consegui evitar de olhar para ela.

 

— Olá, sou Andrea. — Ela estendeu a mão para mim.

 

— Muito prazer Andrea. Meu nome é Sohan.

 

Ela sorriu para mim.

 

— Eu sei quem você é. Sou amiga de Kamala.

 

Andrea apontou para o grupo e meus olhos encontraram os de Kamala, que me fitava curiosa. Eu sorri para ela, que acenou para mim e virou-se de volta para seu grupo. Andrea continuou falando comigo e eu me virei educado, para falar com ela. 

 

— Kamala me disse que você é indiano. O que está achando da América?

 

— Na verdade, eu já vim muitas vezes ao país. Minha família tem negócios e amigos aqui. Os Estados Unidos não são novidade para mim.

 

— Nossa Sohan, me desculpe. Acho que eu soei um tanto racista agora, não soei?

 

Andrea ficou sem graça e eu ri.

 

— Não se preocupe com isso. As pessoas costumam fazer esse tipo de pergunta aos indianos. Eu não me importo. 

 

— Que bom, porque eu não gostaria nem um pouco de ofender um gatinho lindo como você. 

 

Andrea aproximou seu corpo do meu, discretamente. Neste instante, eu virei a cabeça na direção de Kamala e vi que ela me encarava. Meus olhos mergulharam nos dela por alguns segundos e eu sorri. Ela virou-se rapidamente e voltou a conversar com as amigas. Então, Andrea se jogou em meus braços e me beijou. 

 

Não foi ruim. Ao contrário, Andrea beijava muito bem. Embora este não tenha sido o meu propósito ao ir àquela festa, o desfecho não me desagradou em nada. 

 

Andrea me puxou para um canto mais reservado e nós ficamos ali um tempo, nos beijando. Então, ela parou de me beijar e disse que buscaria uma bebida, depois me levaria a um lugar mais discreto. Ela saiu rebolando enquanto eu observava seu corpo escultural mover-se sensualmente. Então pensei em Kamala e resolvi voltar ao salão para ver se ela estava bem. Quando entrei na sala,  eu a vi tentando se desvencilhar de um homem, que a agarrava e tentava puxá-la para outro lugar. 

 

— Vem comigo que eu vou te mostrar como eu lido com gatinhas selvagens. 

 

Em um segundo, eu estava sobre o homem, socando-lhe a cara. Ele caiu desmaiado e eu me virei preocupado para Kamala, que parecia assustada. 

 

— Eu estou bem. Só preciso sair daqui. 

 

Kamala saiu da casa correndo. Eu não tinha percebido a presença de Andrea, até que ela me puxou para si:

 

— Uau gatinho, você o derrubou feio! Ninguém nunca derrubou Mark antes. Ele vai querer se vingar. 

 

Mark acordou, levantou-se e saiu em direção a um dos quartos. 

 

— Acho que ele está tão bêbado que nem vai se lembrar. 

 

— Talvez. Então, vamos?

 

Olhei para a porta, pensando que Kamala estava sozinha lá fora, precisando de mim.

 

— Desculpe Andrea, eu preciso ir agora. Depois a gente se fala — Beijei sua bochecha — Tchau.

 

Corri em direção ao estacionamento e vi Kamala, ofegante, com o corpo curvado para a frente. Aproximei-me com cuidado e toquei seu ombro. Ela virou-se assustada, pronta para me golpear. 

 

— Kamala, como você está? Fiquei preocupado.

 

Ela me encarou por alguns segundos, em silêncio, então perguntou:

 

— O que houve com Mark?

 

— Ele se levantou e subiu para o quarto. Acho que estava muito bêbado, nem deve se lembrar que eu o acertei.

 

Eu olhei para Kamala com ternura. Ela estava assustada e eu quis tocá-la. Eu quis abraçá-la e protegê-la, senti-la perto de mim e nunca mais sair de perto dela. Ergui a mão e toquei uma mecha de seu cabelo solto, prendendo-a atrás de sua orelha. Senti fagulhas percorrerem minha mão quando encostei na pele macia de Kamala. 

 

"Tão linda..."

 

— Venha iadala. Eu levo você para casa. — e segurei sua mão. 

 

Ela puxou a mão e afastou-se de mim.

 

— Não precisa. Eu estou bem. Não se preocupe.

 

— Mas eu me preocupo sim. Aquele homem pode vir atrás de você. Ele pode tentar algo contra você e eu não posso deixar que isso aconteça. Você é... como uma irmã para mim!

 

Eu queria dizer que ela era a pessoa mais importante do mundo para mim, que ela era a garota que eu amava, que eu queria pegá-la em meus braços e nunca mais deixar outro homem tocá-la. Mas eu disse que ela era minha irmã. Percebi uma chama se mover em seus olhos azuis, e seu rosto assustado se fechar, com raiva. 

 

— Por favor, Sohan! Há anos nós não somos nem amigos! Eu não preciso de sua ajuda. Sei muito bem como me defender, caso você não se lembre. Tão bem ou melhor do que você. Volta lá para a sua namoradinha e me esquece. 

 

Kamala saiu apressada, entrou em seu carro e foi embora. Eu voltei para a minha casa, pensando em como mudar a situação entre nós dois. 

 

No dia seguinte, liguei para Anik, contei-lhe o que tinha acontecido e pedi conselhos para me aproximar de sua irmã.

 

— Sohan, esquece isso cara. Você só dá bola fora! Sua velha amizade com minha irmã já era. Você a ama, não vai conseguir ser um amigo imparcial. Se for pra vocês reaproximarem-se, tem que ser naturalmente. Se não for assim, então não era para ser. 

 

— Poxa Anik, que péssimo amigo você é! Não era isso que você tinha que me dizer...

 

— Errado! Não era isso o que você queria ouvir. Olha Sohan, eu amo você cara, e amo minha irmã. Eu adoraria que vocês ficassem juntos. Mas não vai acontecer! Pelo menos não agora. Liga para seus pais. Eles vão para a Grécia em alguns dias e ficaram praticamente incomunicáveis. 

 

— Nossa, tinha me esquecido. Você vai para a Índia com seus pais?

 

— Vou sim, para obter créditos extras. Vou desligar agora. Boa sorte irmão!

 

— Até mais, meu amigo.

 

Como Anik previu, Kamala e eu não nos reaproximamos. Ela parecia ter ficado com raiva de mim, e eu não sabia o porquê. 

 

Andrea, a garota da festa, ficou atrás de mim por um tempo. Eu não queria nada sério com ela no início, mas ela era uma menina bacana, interessante e linda. Era mais bonita naturalmente do que produzida, como naquela festa. Nós acabamos namorando por um tempo. 

 

Kamala também arranjou um namorado, um professor da faculdade. Eu soube por Anik que os dois estavam apaixonados. 

 

Kamala e eu nunca mais fomos amigos, mas nos tratávamos com civilidade. Era estranho perceber que todos os nossos familiares interagiam muito bem uns com os outros, exceto Kamala e eu. Éramos como dois estranhos. 

Mas logo teríamos que voltar a conviver, pois trabalharíamos juntos.

 



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