1. Spirit Fanfics >
  2. Os Guardiões - Kion e Rani >
  3. Tenth: Voltando no tempo

História Os Guardiões - Kion e Rani - Capítulo 10


Escrita por:


Notas do Autor


Antes de começar, quero deixar claro que estou disposta a receber críticas construtivas sobre minha fic. Não se acanhem, se vocês acharem algum erro, ou se não entenderem alguma parte, me falem! Isso faz com que eu melhore ainda mais a minha história ^^

Enfim... Três capítulos na mesma semana ;-;;;;;
Me superei hehe

Uma excelente leitura pra vocês U.u

Capítulo 10 - Tenth: Voltando no tempo


Rani p.o.v

— Você não precisa contar se não quiser. — Kion tinha um semblante surpreso. Acredito que ele não esperava que eu abordasse esse assunto, pelo menos não assim, tão de repente.

Lhe direcionei um sorriso compreensivo.

— Uma hora ou outra você vai ter que saber, até porque faz parte da história da Árvore da Vida. — Expliquei voltando meu olhar para frente.

Kion assentiu com a cabeça, enquanto continuavamos andando pelo reino.

— Mas... Você tem certeza? Talvez não seja um bom momento. — O leão disse receoso.

É fofo a forma como ele se preocupa comigo, mas eu preciso contar essa história, até porque isso pode nos aproximar. Apenas insisti, afirmando com a cabeça e respirei fundo.

— Meus pais nunca chegaram a ser reis da Árvore da Vida, eles se casaram e tiveram Baliyo e eu, muito cedo. Minha avó, bom, ela ainda era a rainha desde então. E se eu me lembro bem, Nirmala não estava aqui nessa época, ela chegou na Árvore da Vida só depois daquela tragédia.

Tragédia? — Kion questionou juntando as sobrancelhas.

Olhando para cima, pisquei algumas vezes para evitar que meus olhos lacrimejassem.

— Sim... — Suspirei. — Você vai entender, só ouça a história.

Continuamos andando mais um pouco e eu enfim resolvi continuar contando.

— Bom, o principal inimigo da Árvore na época, eram eles: Os Lívidos do Sul.

— Lívidos do Sul? — Kion indagou confuso. Ele não conhece os Lívidos do Sul? Sério?

— Ta brincando?! Não os conhece? — Questionei, pasma. O leão negou com a cabeça.

— Bem, vou tentar explicar... — Eu disse antes de continuar. — Resumidamente, os Lívidos do Sul eram um grupo de leões brancos, que lutam pela sobrevivência da sua espécie.

— Não me parecem um problema. — O leão comentou.

Olhei em volta, apressei um pouco o passo para nos afastarmos de um lugar mais movimentado de animais, que acabamos nos metendo sem perceber.

— A primeira vista, não mesmo... — Enunciei de forma arrogante assim que não havia mais ninguém por perto, enquanto eu tinha uma sobrancelha levemente arqueada.

Respirei fundo.

— Pra falar a verdade, nunca entendi direito qual foi o motivo principal da briga entre os Lívidos e a Árvore. Porém, até onde sei, eles queriam espaço para ficar na Árvore da Vida, e claro, foram aceitos. 

Parei para olhar o Kion, percebi que ele ouvia atentamente tudo o que eu dizia. Sem saber o porquê, sorri. Logo em seguida voltei a prestar atenção no caminho e continuei com a história.

— Bom, o problema parece ter vindo depois: Eles tratavam nós leões, ditos por eles mesmos "normais", com certa indiferença. Fora que não respeitavam o ciclo da vida. Então, consequentemente eles foram banidos da Árvore da Vida, só que os mesmos prometeram vingança. 

Fiquei quieta por um tempo, não é fácil falar sobre isso. Senti minha respiração e meu coração acelerarem ao me lembrar dos próximos acontecimentos.

— Ei... — Kion chamou minha atenção. — Vem, você não precisa contar. Pelo menos não agora.

Me segurei para não chorar. Eu quero contar, só duas pessoas na Árvore da Vida sabem dessa história, e se houver outro animal que sabe, o mesmo não se atreve a relembrar o momento.

— Dentro da Árvore, que eu sei, apenas Surak e eu sabemos dessa história, mas ele desapareceu, Nirmala não estava aqui na época e Baliyo não se lembra. Eu quero contar. — Justifiquei minha insistência. 

Kion suspirou, mas assentiu entendendo meu lado.

Juntos avistamos um lago próximo do lugar onde estávamos. Fomos até lá e nos sentamos às margens do mesmo. Fiquei mais um tempo quieta antes de continuar a contar.

— Eu não me lembro de muita coisa antes dos meus quatro meses de idade, só sei que todos éramos muito felizes e tínhamos uma vida normal...

Sorri me lembrando de alguns fragmentos de memória que tive. Me lembro do meu pai me levar em suas costas para o lago da reflexão, das tardes que eu brincava com minha mãe... Lembrei também do dia em que meu irmão nasceu, minha mãe estava tão feliz... O sonho dela ter dois filhos, um macho e uma fêmea...

Olhei para o lado, Kion me fitava de forma afeituosa, ele não disse nada, vaguei por um momento. Melhor que eu continue:

— A Rainha Janna já pretendia, nessa época, se aposentar em breve e assim, entregar o reino para a minha mãe.

Meu sorriso apagou. Vou chegar na parte da qual menos gosto de contar. 

— Enfim, tudo aconteceu naquele dia... Era só mais uma manhã comum aqui no reino. Eu tinha aproximadamente uns cinco meses, e meu irmão tinha apenas um. Nós dois estávamos brincando dentro da árvore principal.

— Você e seu irmão sempre foram muito próximos, não é? — Kion questionou. Sua pergunta fez com que eu me lembrasse de vários momentos que eu e meu irmão passamos juntos. Esbocei um simples sorriso sem perceber.

Assenti com a cabeça.

— Então, tudo estava indo muito bem, até alguém adentrar a árvore, avisando minha avó que um grupo de animais estavam vindo em nossa direção.

Kion arqueou uma sobrancelha. Acho que entendi o que ele quis dizer. Dei uma risada sem emoção.

— É... Isso é parte de todo aquele receio com vocês. — Tratei de explicar.

Kion se aproximou para ficar mais perto de mim, enquanto sorria, de um jeito amável.

— Então os Guardiões da época, seguidos da minha avó, minha mãe e meu pai, foram ir ver o que era. E... como eu sou muito curiosa... eu fui atrás, escondida.

Balancei minha cabeça de forma lenta e negativa, me lembrando da cena enquanto dava uma simples risada. Kion riu também, por mais que a história não seja muito feliz, é engraçado se lembrar de alguns detalhes.

— Chegando na passagem... — Tive de forçar a memória por um momento para me lembrar desse detalhe. — Ah sim... 

— Chegando na passagem, eu me escondi atrás de uma pequena rocha, pra observar o que estava acontecendo. E aí... eram eles. Os Lívidos do Sul estavam de volta.

Tive de parar para prestar atenção na minha respiração, que estava acelerada novamente.

— Pelo o que eu me lembro, os Lívidos do Sul estavam ameaçando invadir a Árvore — eles estavam em grande número, nos deixando na desvantagem. — E eu não entendia direito o que estava acontecendo, eu era muito nova... E então...

Senti meus olhos marejarem.

— Eu vi minha mãe sendo atacada na minha frente... 

Nessa hora, eu já sentia as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Eu já tinha conseguido superar e aceitar tudo isso, mas, lembrar do momento assim, reviver essa história de novo... É doloroso.

— Você quer fazer uma pausa? — O leão do meu lado perguntou, atencioso. Eu assenti.

Ele me ajudou a levantar e começamos a andar sem rumo pelo reino novamente... Isso fez com que eu me recompusesse.

Encarei Kion por um tempo e ele entendeu que eu iria continuar contando.

— Bem, eu travei na mesma hora, e foi aí que meu pai reparou que eu estava escondida ali o tempo todo. Lembro que ele perguntou o que eu estava fazendo ali. Só nesse momento olhei em volta e vi que a situação havia saído fora do controle, os Lívidos invadiram a Árvore e estavam fazendo a maior algazarra. Eu ouvi minha mãe me mandando correr. Mal sabia que aquelas seriam as últimas palavras que a ouviria dizer, ainda viva.

— Sinto muito... — Kion enunciou, baixinho. Eu assenti e sorri suavemente para ele.

— Essa é a parte que eu me lembro de mais detalhes, mesmo que tenha se passado muito tempo, eu me lembro dessa cena como se tivesse acontecido ontem. — Disse me preparando para continuar, um pouco receosa.

Rani: "Flashback On":

Eu chorava desesperadamente, percorrendo os olhos por todos os lados possíveis, procurando pela minha avó ou alguém conhecido. Eu não encontrava, só via leões brancos atacando os animais da Árvore ou os Guardiões da Noite. Sem sucesso, fiz o que meu pai e minha mãe haviam pedido e comecei a correr.

Ainda dentro do reino — tentando fugir de toda aquela bagunça — enquanto corria, senti que tinha alguém me perseguindo...

Meu coração deu um pulo. E ao olhar para trás, vi que um par de olhos assustadoramente azuis me fuzilavam. Engoli em seco. Tentei focar minha visão para frente e continuei correndo.

Na minha cabeça, se passava a freneticamente a última frase que minha mãe havia dito: "Corre Rani! CORRE!" Eu simplesmente já sentia um gosto salgado na boca de tanto chorar.

Por um pequeno descuido meu, desacelerei, e senti uma garra afiada perfurar minha pata dianteira, me puxando pra trás, e com isso, me jogando no chão.

Soltei um grito histérico de dor. Mas eu estava tão assustada, que a dor só durou por um momento.

Deitada de costas para o chão, jovem leoa branca que antes, me perseguia, agora me prendia contra a terra. Meu peito subia e descia freneticamente por conta da minha respiração e batimentos acelerados. Eu nem me importava mais com as lágrimas que insistiam correr sobre meu rosto.

— Esse é o seu fim, princesa... — A leoa  enunciou com uma entonação maléfica, erguendo a pata para o alto.

Fechei os olhos com força. Tudo que passava na minha cabeça agora era a minha família... Só queria que tudo aquilo fosse um pesadelo.

Então escutei um barulho, e percebi que a leoa saiu de cima de mim de uma forma um pouco brusca. Abri os olhos e os arregalei em seguida.

Minha avó tinha aparecido com o Baliyo na boca, e pelas marcas de garras no rosto da jovem leoa — agora desacordada. — A rainha Janna havia dado uma patada nela.

Minha avó me encarou em seguida.

— Você está bem? — Ela questionou e eu assenti. — Vamos rápido, temos de sair daqui.

Ainda tremendo da cabeça aos pés, me levantei com a ajuda da minha avó Janna. Em seguida, ela, meu irmão e eu, corremos para fora do reino.

Esse foi o momento que percebi o quanto minha pata estava doendo, mas não reclamei, mesmo mancando, me manti firme e corri.

Nós corremos até chegar ao outro lado do lago que tem de frente para a passagem, que estava descongelado.

Rani: "Flashback Off". 

— Então essa leoa é quem fez a cicatriz em você? — Ouvi Kion perguntar. Eu estava olhando fixamente minha cicatriz.

— Sim... A leoa, na época, tinha aproximadamente a nossa idade hoje. — Contei indiferente.

Fechei os olhos e respirei fundo.

— Bem, aí, no caminho, eu comecei a me perguntar onde estavam os meus pais, porque eles não estavam vindo com a gente. Eu perguntei isso para minha avó durante o caminho umas três vezes, mas... ela não me respondeu. A rainha Janna só me contou quando chegamos ao outro lado do lago... Os dois haviam...

Minha garganta apertava. Eu já estava chorando de novo. Kion fez com que parássemos de andar e me abraçou. Ficamos um tempo assim enquanto eu umedecia seu ombro com minhas lágrimas. Tentei me acalmar aos poucos. Eu sinto tanta falta dos dois... 

Por fim me recompus, precisava terminar de contar a história, mas não saí do abraço do Leão.

— No fim do dia, voltamos para a Árvore da Vida quando era noite, e nessa hora eu me lembro que estava chovendo. Tudo estava destruído, bom... Tudo menos a Árvore Principal, os reis do passado a protegeram e ela continuou intacta.

Nessa hora eu já estava sorrindo de novo. A parte sufocante da história já acabou. Me sinto bem... melhor!

— Eu nunca soube como a Árvore conseguiu expulsar os Lívidos, tudo que sei é que grande parte dos componentes deles morreram, tanto quanto animais da Árvore e membros dos Guardiões da Noite... que aliás, dos da época só sobrara o Surak vivo.

Por fim, consegui sorrir novamente. Me separei do abraço do Kion e voltamos a andar.

— Depois disso tudo, reerguemos o reino, alguns animais vieram para a Árvore e tudo foi voltando ao normal. Eu me tornei líder dos Guardiões, e depois de mais um tempo — e nem me lembro como — Nirmala chegou à Árvore da Vida, se juntando a nós... Baliyo, assim que atingiu idade, minha avó permitiu que ele também participasse.

Desviei meu olhar para o chão.

— Nunca mais ouvimos falar dos Lívidos... A rainha Janna, ela ficou até bem com tudo isso, mas foi ficando mais fraca conforme foi envelhecendo — e por esse motivo ela me entregou a liderança dos Guardiões — e também me concedendo algumas tarefas de rainha, para que eu as fizesse em seu lugar... Ela perdeu o movimento das pernas um mês antes de morrer, aproximadamente. 

Respirei fundo... Eu consegui mesmo contar? Eu nem acredito... Porque eu tô sorrindo?

— Bom... Depois disso você já sabe... — Terminei de contar, por fim.

Kion me abraçou, acho que ele não sabia o que dizer.

— Não precisa dizer nada, você ter me ouvido é o bastante. — Comentei enquanto o abraçava mais forte.

Pela primeira vez na vida, me sinto livre, ou liberta do passado, por mais que eu tenha superado tudo o que aconteceu, contar tudo o que aconteceu e o que sinto em voz alta, me fez bem.

— Obrigado por confiar em mim para contar isso, sei que não deve ser fácil. — O leão falou antes que eu saísse do abraço.

Sorri para ele.

— Enfim, vamos lá ver o pessoal do interrogatório? Quem sabe eles já conseguiram alguma coisa... — Sugeri.

O ruivo concordou e em seguida fomos ao encontro do pessoal. Estou pronta para encarar esse desafio e ir atrás do Surak.


Notas Finais


Não sei o que vocês vão achar...
Espero que vocês tenham gostado ^^

Até o próximo cap ♥
(Vejo vocês nos comentários)


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...