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História Os Guardiões de Tupã - Capítulo 51


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Capítulo 51 - Irmãos


Serra da Ibiapaba, Ceará

Anhangá agora estava preso, selado atrás das grades. Xandoré ainda estava com ele. Sentaram de costas um para o outro.

— Quem diria que terminaria assim. — comentou o deus do submundo.

— Tupã sabia o que estava fazendo quando selecionou os humanos. — respondeu o outro

— Acho que nunca vou te entender, irmão. — suspirou Anhangá — Você se transformava em falcão e vinha me contar informações sobre eles. Por que mudou de lado? Não vá me dizer que se apegou ao Boto...

— Não me entenda errado. — respondeu Xandoré — Aquele moleque tagarela é muito irritante, embora tenha mostrado grande potencial metamórfico.

— Então o que houve? Desde a criação do mundo nós lutamos juntos. Tupã fez um lugar maravilhoso para os bons e um tenebroso para os maus, neste vagavam as almas sem vida e espíritos dos guerreiros sem glórias ou fugidos das tribos. Quando perdi a batalha, ele me jogou nesse lugar, onde me tornei deus do submundo. Você, Ticê, Jurupari, Caramuru, o deus dragão, Abaçaí, espírito da floresta, e Guandiro, deus da noite, também foram presos lá, se tornou um reino de pavor, ódio, dor e vingança.

— Eu me lembro, irmão.

— Em outra ocasião, quando fui preso novamente, você me visitava todos os dias em sua forma de falcão pra Tupã não saber.

— Ele confiou em mim apesar disso. — respondeu Xandoré — me deu a missão de matar Pirarucu, entregou seu raio em minhas mãos e eu falhei. Eu passei muito tempo com ódio desse guerreiro, afinal, como um mero humano poderia ter se salvado contra um deus? Isso era inadmissível.

— Eu o trouxe de volta para que tivesse sua vingança, irmão, dar o fim que ele merecia por suas mãos.

— E dei. Roberto não deu o golpe final, eu tive que fazê-lo. No fim, mesmo sendo deus do ódio, não consegui influenciá-lo para o seu lado.

— Acha que ele é imune aos seus poderes?

— Ele provoca uma sensação boa nos outros humanos. O rapaz do Mapinguari tinha menos medo de si quando falavam, o sereio ficava mais sereno.

— Achei que ao mandá-lo para Fernando de Noronha com a garota faria com que ficasse mais amargo. Saber que o Pirarucu era culpado pela morte de sua mãe o deixou terrivelmente abalado. Talvez, se tivesse lutado junto a Alamoa como foi ordenado, pudesse ter sido diferente.

— Eu não tenho tanta certeza. — disse Xandoré — Ele fez a garota ter dúvidas sobre o que fazer com o próprio pai. Ele tem algo a mais que nem os deuses podem explicar.

— Por que não se uniu a mim? Qual seu objetivo quando veio para cá? Não diga que a confiança do rapaz amoleceu seu coração.

Xandoré riu:

— Confiança? Pelo contrário. Desde que disse que nós éramos irmãos, não houve um só dia que confiasse em mim.

— Então o que aconteceu? — Anhangá estava mais confuso

— Eu comecei a me questionar o que estava fazendo. O que me traz aqui agora? É o fato de sermos irmãos? Isso por si só é o bastante para apoiar seu lado? Nós não somos como os humanos, esses laços que criam entre si... E eu sou o deus do ódio.

— Então decidiu me trair pra provar que ele estava errado?

— Os humanos despertaram minha curiosidade. Eu precisava observar se era mesmo possível que meros mortais podiam superar os deuses ou se Pirarucu foi uma exceção. Eu acompanhei o garoto ficar mais forte, mais determinado. Quando perdeu o colar, os outros o animaram. Acabei torcendo pela vitória deles sobre seu plano.

— E mesmo assim, me salvou.

— Não suportaria ver você se afogar. Não achei que eles fossem tão longe.

— Me salvou por sermos irmãos?

— Eu não sei. — Xandoré suspirou — Talvez as baboseiras sobre família que ele me dizia estivessem certas. Independente de qual lado estou, ainda somos irmãos.

— E o que vai fazer agora?

— Observar. Sei que depois vai se libertar e fazer outra guerra, é um ciclo que se repete desde o início dos tempos. Você e Tupã vão continuar nesse embate enquanto o mundo existir.

— E você não vai tomar partido. — riu Anhangá — Talvez eu nunca te entenda.

Ficaram mais um tempo conversando até Xandoré resolver ir embora. Era chegada a hora dos humanos irem pra casa.


Notas Finais


Escrevi o que consegui achar a respeito de Anhangá e Xandoré


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