História Os Herdeiros - Capítulo 17


Escrita por: e Nara20050

Postado
Categorias Naruto
Tags Game Of Thorones, Got, Naruto, Romance, Sasusaku, Targaryens
Visualizações 183
Palavras 11.043
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Fantasia, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, perdão a demora!
Eu sumi, mas peço que tenham compreensão, minha rotina está corrida e eu estou sem tempo para respirar, mil desculpas!
Eu sempre esclareço sobre meus sumiço, além de dar alguns spoilers no instagram da fic, deixarei o link nas notas finais.
Então, sem mais delongas... Boa leitura!

● Capítulo Revisado.

Capítulo 17 - Ignis


Fanfic / Fanfiction Os Herdeiros - Capítulo 17 - Ignis

Os Herdeiros

Autora: Alaska_rSd

Revisora de Português: Nara20050

.

Você usa tanto uma máscara que acaba esquecendo de quem você é

.

Sakura Haruno

Vingança.

Um sentimento que amarga seus lábios e que nubla sua visão, deixando meu corpo em um estado que parecia seguir um instinto próprio enquanto eu somente observava, sendo guiada somente pelas minhas ânsias e vontades. – Como um animal que não tem capacidade de negar seus próprios instintos, sendo obrigado a seguir eles enquanto batalha prossegue.

Era isso que eu era naquele momento; Um animal.

O caos ao meu redor só se intensifica. – As chamas crepitando cada vez mais alto e as malditas feras, um povo que nem ao menos era digno de receber um nome, cercavam o rei.

O rei deles.

Um rei que teve a audácia de acreditar que poderia ir contra meu reinado e ferir meu irmão. Um rei que acreditava que poderia me matar e matar aquele que carrega o mesmo sangue que eu. Um rei que dizia, escondido entre as sombras como a ratazana que era, que Occidens iria perecer por ser comandada por uma rainha.

Dizia que uma buceta jamais deve se sentar em um trono, somente em um pau.

Era isso que eu era para aquele rato, uma simples buceta.

Infernum ruge, tão rouco e alto que até o chão aos meus pés treme. O fogo parece se tornar mais ardente perante seu chamado e se intensifica com mais velocidade, fazendo com que as bestas corressem para a escuridão da mata. Mas muitos permanecem fiéis ao seu rei e se matem ao redor de si, protegendo ele de qualquer coisa que seja.

Protegendo ele de mim.

Olho para meu irmão e meu peito arde, como se uma adaga envenenada acabasse de ser enfiada ali. – Os olhos verdes estavam opacos, os cabelos ruivos estavam sem brilho e sua pele adquiria uma coloração adoentada. O tronco estava sujo e os rastros de carmim se contrastavam na pele branca.

Itachi tentava estancar o sangue que descia aos montes do local que ele havia apunhalado Gaara – Com a mesma espada que a minha, mas que tinha dizeres diferentes forjados em seu meio. – e as mãos grandes estavam ensopadas de sangue.

Rubro e que descia com velocidade, levando consigo a vida de meu irmão.

Os olhos negros de Itachi mostravam o puro desespero e gritos acompanhados de orações saiam de seus lábios, clamando aos deuses que não retirassem a vida de Gaara e que permitissem que ele vivesse. – Ele, em completo estado de desespero, gritou que eles deveriam levar a si e não Gaara. Que não era justo alguém tão bom partir e ele, um rei que abandonou a própria coroa e própria família, um bastardo e um Uchiha ter a vida prolongada.

O medo fazia com que nos tornássemos irracionais.

Eu havia sentido o momento em que Gaara estava em perigo, senti como se algo ruim estivesse entrado em meu corpo e uma sensação de mau agouro subiu minha espinha. Eu entrei em desespero e Infernum sentiu que sua mãe precisava de si.

Mas eu havia chegado tarde demais.

Gaara pareia um fantasma do raquítico garoto que corria pelas vielas do Vitae. Tão branco e pequeno que parecia que poderia quebrar se você o tocasse com muita força; Uma figura completamente frágil.

As chamas refletiam em sua face e as feições serenas; Ele parecia estar entrando em um sono profundo, os olhos se fechavam aos poucos e a própria mão se soltava da de Itachi.

E o moreno quando percebeu pareceu entrar em um estado novo de desespero.

Parecia segurar o ferimento com mais força, como se isso fosse a única coisa que estivesse prendendo Gaara a esse mundo e que, no momento em que ele soltasse meu irmão iria partir.

E eu estava ali, em meio às chamas, observando ele.

Segundos que pareceram horas.

Minha espada está quente em minhas mãos e eu caminho até o cerco de feras que protegiam Kisame. Caminho por entre as chamas e o cheiro de sangue, morte e carne queimada atiçam meu lado sanguinário, servindo como combustível para minha ira.

A primeira besta se solta do círculo e corre até mim. Os grandes dentes estão sujos de sangue a esguia língua passa por eles, como se estivessem louco para provar de minha carne.

Minha espada desce com precisão em seu pescoço, fazendo com que cabeça rolasse para longe do corpo que logo foi engolido pelas chamas. Passo a mão em meu rosto e retiro o sangue que estava ali. – Quente, como se eu sentisse a vida daquele animal em mim.

– SAKURA! GAARA ESTÁ MORRENDO!

Paro.

Não me viro, mas sei que Itachi deve estar envolto no completo desespero enquanto tenta estancar o sangue de meu irmão. A voz rouca do moreno está embargada pelo sofrimento e pelo medo, tendo um choro preso na própria garganta por saber que, no momento em que a primeira lágrima caísse ele não conseguiria segurar as outras.

Eu entendia essa sensação muito bem.

Volto a andar.

– POR FAVOR!

Fecho os olhos.

A vida de meu irmão ou a vingança?

Ele jamais permitiria que eu saísse dessa batalha sem ter minha espada cravada no peito de Kisame, mas eu conseguiria carregar a culpa por isso? Sua vida se esvaia a cada segundo enquanto seu sangue se perdia em rios em seu peito, mas eu estava caminhando para matar aquele que havia feito isso contigo.

O que ele faria?

Engulo em seco.

Eu não carregaria essa culpa. Não perderia aquele que eu mais amava.

Mas eu teria minha vingança. Não agora. Mas eu faria questão de queimar todos, um por um.

Nós éramos dragões.

Coloco a espada na bainha e corro até eles. – Kakashi havia sumido, mas eu sabia que ele deveria estar fazendo algo que eu agradeceria depois.

Eu havia escolhido meu sangue, mas Kisame parecia querer uma luta; Ele gritou e no mesmo momento um mar de feras surgiu, não temendo e priorizando pela vida do próprio rei e sim focados somente em alcançar a mim e aos meus.

– VOCÊ NÃO IRÁ FUGIR, CADELA!

Infernum bate as grandes asas e rugi, o longo e pesado rabo destrói com facilidade os restos queimados das arvores em chamas enquanto o fogo – que parecia lava – escorria de sua boca e era direcionado nos monstros que seguiam Kisame.

Gritos de agonia preenchem a mata.

– Gaara, meu irmão! – Escorrego ao seu lado, pouco me importando com a ardência em meus joelhos e com os retos mortais ao meu redor. Só conseguia me importar com ele naquele momento e em como a vida parecia abandonar seu corpo a cada segundo.

Ele estava morrendo.

– S-Sakura, m-minha... Irmã.. – Ele fala com dificuldade, sangue escorria de seus lábios e seus belos olhos estavam ilegíveis, nublados por sentimentos que eu já havia visto uma vez.

O medo da morte.

– Shii... Não se esforce, irei levar você para casa. – Passo minha mão em seu rosto e retiro o sangue que descia pela lateral de seus lábios. Parecia que eu tinha todo o tempo do mundo, que não havia um exercito de animais ao meu redor e nem que Gaara estava por um fio entre a vida e a morte.

Eu só queria ficar ali, fazendo um carinho em meu irmão enquanto observava os únicos olhos que eram parecidos com os meus.

– S-Sakura, me perdoe...

– Meu irmão, não há nada que precise de meu perdão. Você jamais falhou comigo, sempre cuidou de mim com todas as suas forças desde que sai do ventre de nossa mãe. Sempre foi você, meu irmão. O único que estava ao meu lado... – Passo minha mão em seus cabelos, retirando os fios úmidos de suor de sua testa. Meus dedos desenham linhas imaginarias em seu rosto enquanto uma sensação cresce dentro de mim. – Você tem os olhos mais lindos que eu já vi, a melhor voz sem dúvidas. E o dono de todos os meus segredos, eu não seria nada sem ti.

Linhas finíssimas descem pelo meu corpo, tendo como origem um pequeno ponto em minha testa. Parecia uma cobra que havia se enroscado em meu corpo e que descia vagarosamente, desde meu pescoço até a ponta de meus dedos.

As finas linhas faziam desenhos em minha pele, mas quando passaram de meus dedos e chegaram até a pele de Gaara uma fraqueza imediata invadiu meu corpo, como se minha força estivesse sendo sugada de mim.

Um preço que eu não me importaria de pagar por meu irmão.

As linhas desceram pela face de Gaara com lentidão, como se não tivesse pressa alguma em fazer o caminho até o peito ensangüentado. Por onde as linhas passavam a pele dele tomava outros tons, abandonando a palidez mórbida e tendo o tom bronzeado voltando pouco a pouco.

Como se a vida estivesse voltando para si.

E quando as linhas alcançaram o profundo ferimento e entraram em Gaara tive que me apoiar na árvore que Gaara se encostava. Minha visão vacilou e minha cabeça pesou, uma sensação horrível e que retirava todas as minhas forças.

Eu não poderia parar.

Mas estava tão ausente que nem ao menos consegui olhar envolta – um ato irresponsável em uma batalha – e não havia percebido que Itachi lutava contra os monstros que tentavam chegar até nós.

Mas Itachi era só um.

Somente um homem contra... 50? 60? 100? Feras que funcionavam perante a sede de sangue.

Itachi não conseguiu segurar todas elas.

Me solto de Gaara e pego minha espada, mas já era tarde demais para impedir que elas nos alcançassem ou que nós fugíssemos.

Gaara ainda estava muito fraco. Eu senti como se todas as forças de meu corpo tivessem sido sugadas e que não conseguia nem erguer uma espada.

Um guerreiro que não consegue brandir a própria espada é inútil.

Me ponho em frente de Gaara, minhas pernas tremiam e minha espada estava vacilante em frente ao meu corpo

Eu poderia ser inútil naquele momento, mas jamais morreria sem lutar. Jamais permitiria que meu irmão morresse pela espada do inimigo enquanto eu estivesse viva, iria lutar com o restante das minhas forças para poder salvar uma das únicas coisas que importavam para mim naquele mundo. Uma das únicas coisas que me mantinham viva.

– Morram, pragas nojentas!

Desço minha espada em um braço que tentava me alcançar e logo em seguida separo a cabeça horrenda do corpo alto. Outra fera chega perto de mim e eu enfio minha espada no peito esverdeado e com a pele semelhante à de um crocodilo.

Mais e mais chegavam.

Acerto outra fera, mas não consigo dar conta das outras que se aproximam. – Sou golpeada pelas costas e uma ardência insuportável cresce na minha cintura quando caio no chão alguns metros longe de Gaara.

– Filho da Puta! – Gemo, antes de ser chutada e a dor em minha cintura piorar.

– Usssssurpadora! – O animal fala, como uma cobra e que a língua ficava sempre para fora da própria boca. Os dentes afiados brilharam enquanto ele se aproximava.

Tento pegar minha espada, mas sou impedida quando ele pisa em minha mão. Grito, mas isso pouco importa para ele.

A besta ergue seus braços e suas longas garras reluzem, junto com seus perigosos dentes. Ele desce com velocidade e eu esperto o ataque. – Ele não era burro, sabia que teria que ser rápido ou Infernum o mataria sem relutar.

Bestas malditas.

Não fecho os olhos, mas sangue faz com que eu não enxergue mais nada. Limpo rapidamente o líquido carmim de meus olhos e olho para  a cena a minha frente.

Não consigo ficar menos surpresa.

Com os cabelos negros como piche estando molhados de suor e sangue, os olhos em carmim brilhando raivosos e com a espada abaixada ao lado do corpo decapitado Uchiha Sasuke ofegava. As feições sendo iluminadas pelas chamas e os olhos amaldiçoados ficando ainda mais evitado perante a luz incandescente das chamas de lava. – Ele parecia uma fera, mas eu não sentia nada enquanto o observava.

Até ele olhar para mim.

Os olhos de sangue eram diferentes dos de Kakashi ou os de Itachi, eram muito diferentes; Como se fossem ainda mais profundos e que carregavam mais coisas que os outros. Naqueles olhos de sangue havia algo além da maldição, havia uma coisa mais sombria e que se assemelhava ao próprio mal. Como se uma besta estivesse presa dentro de si.

Enfim eu senti algo.

E eu não sabia o que era.

– Sakura?! Vamos! – Ele estava com a mão erguida para eu pegar, mas eu não havia visto aquilo porque estava distraída demais observando aqueles olhos.

Como eu não os havia notado antes?

E como eu poderia ser egoísta ao ponto de me perder naqueles olhos enquanto meu irmão estava ali, precisando de mim e tendo um exército querendo nos matar? Matar os meus?

Como?

– Sakura!

– Itachi precisa de você! – Falo de uma vez. Era uma obrigação eu dizer aquilo.

– Seu irmão também! Vamos logo ou todos aqui irão morrer!

Olho para sua mão suja de sangue e terra, os olhos carmim ainda estavam e o perigo eminente exalava aos montes dos orbes rubros, mas eu seguirei sua mão.

E mesmo que aquele fosse um ato tão simples e insignificante eu não pude evitar sentir que aquilo não acabaria ali, como se aqueles olhos e aquele toque tivessem ligado algo muito mais que aparentavam.

O rei não era normal, ele carregava algo que nenhum dos homens que eu já havia visto e conhecido carregavam; Ele carregava algo que eu só havia visto em um homem em meus sonhos.

Ele carregava a essência de Uchiha Madara e os olhos dele mostravam tudo àquilo que o algoz de minha família era; Sasuke era ruim.

E mesmo assim eu permiti seu toque.

.

Sasuke Uchiha

Aquilo era um caos.

O puro caos.

Fogo, sangue e mais fogo; Feras chiando desesperadas enquanto Infernum derramava suas chamas.  – O odor de carne queimada só se intensificava conforme as bestas tinham suas peles atingidas pelas chamas que mais pareciam lava, com tons de vermelho e sangue. Chiados de dor e gritos de agonia preenchiam o ambiente entre os rugidos de Infernum e o som das chamas vívidas que queimavam cada vez mais a floresta.

O dragão se erguia por entre as chamas como um Deus; A pele negra como a noite e o carmim faziam com que ele reinasse por entre o caos e com seus orbes raivosos passando por todas as suas vítimas. – Ele parecia se deleitar com o sofrimento daqueles seres.

Eu temi ele.

Desvio dos animais que corriam desesperados enquanto seus corpos queimavam e descia minha espada naqueles que ousavam se aproximar; Shikamaru estava ao meu lado direito e Neji ao meu lado esquerdo, os orbes de lua passavam por todo o cenário e eu sabia muito bem o que ele estava procurando.

Ou melhor; Quem.

Procuro um cabeleira loira ou castanha, mas nada consegue aparecer em meio aquele caos de fumaça e fogo. Quem deveria estar ali? Tenten, Naruto e Sakura? Ou Gaara, Kakashi e Itachi?

Se os meus estivessem mortos? O que falaria para Neji?

Aperto minha espada em minhas mãos e ando por entre aquele caos, entrando mais e mais no meio daquele mar de corpos e fumaça; Eu pedia aos Deuses que eles estivessem vivos e bem, que Tenten e Naruto estivessem longe daquele caos e que estivessem nos procurando.

Mas eu não conseguia nem acreditar em minhas próprias preces.

Do que adianta pedir se você não tem fé? Se você não tem fé em si mesmo?

– SASUKE! ALI! – Shikamaru grita por cima dos gritos de dor das feras. Olho para a direção que ele aponta.

Esperava encontrar Tenten ou Naruto, até mesmo Itachi e Kakashi, mas não esperava encontrar Sakura no chão prestes a ser atacada por um daqueles bichos.

Ela lutava até o ultimo segundo.

Olho envolta; Itachi lutava com várias feras ao mesmo tempo e mais ao longe, tendo o corpo envolto em sangue e machucados. – Ao ponto de eu só conseguí-lo ver por conta das madeixas prateadas, mesmo estando quase de uma cor diferente e os olhos carmim. – Kakashi parecia um morto vivo, nem erguer mais os próprios braços acima da cabeça para poder de se defender ele conseguia.

– EU IREI AJUDAR A RAINHA! NEJI, KAKASHI! SHIKAMARU, ITACHI! VAMOS!

Não dou tempo para eles contestarem.

Corro por entre aqueles corpos e aqueles animais. Aquele lugar estava quente, absurdamente quente e eu sentia o suor descer por minha pele e meu rosto. – Minha pele ardia enquanto as chamas passavam por minha pele rapidamente e minha espada estava ensopada de sangue, mas eu não iria parar.

Aproximo-me cada vez mais de Sakura e vejo enfim o porquê dela lutar tanto.

Gaara estava ferido e deitado ao lado de uma árvore, um ferimento em seu peito estava aberto e o Haruno nem ao menos conseguia se mexer. Ele parecia um fantasma, ou alguém que estava prestes a morrer.

Ele não era de longe o homem que eu havia visto quando pisei nessas terras, estava prestes a morrer e isso estava mais claro que as águas cristalinas de Vitae.

Sakura estava envolta em uma camada de sangue e o cansaço era evidente em suas ações. – O modo que ela levantava a espada e os ombros caídos, ela parecia estar usando todas as suas forças para se manter de pé. Ferimentos espalhados pelo seu corpo e seus braços desnudos, a fina camisa estava tão suja quanto o chão e, calça que normalmente marcava suas pernas estava rasgada.

Ela estava praticamente irreconhecível, jamais pensariam que ela era a rainha daquelas terras. – Rainhas não sujavam suas mãos, iguais aos reis. Elas eram as primeiras a fugir enquanto o exército se perdia tentando defender a coroa delas, vidas eram  desperdiçadas e ceifadas pelas as espadas por que não eram  tão valiosas quanto daqueles que tinham títulos em frente aos nomes.

Mas isso não valia para ela.

Mesmo estando ali, suja e irreconhecível, Sakura mantinha sua essência de superioridade e de força, algo que intimida e ao mesmo tempo faz com que você entenda que é ela que manda. E seus olhos estavam brilhosos, ferozes de uma maneira que eu ainda não havia visto e que me surpreendia de todas as maneiras possíveis; Olhos fortes e penetrantes, que mostravam todo o perigo que aquela mulher poderia causar e a ameaça sincera de uma vingança.

Sakura mostrava tudo que havia em seu sangue e que ela fazia completo jus ao sangue de fogo que corria em suas veias.

Me aproximo, poucos metros faltam para que eu chegue até si e um mar de corpos está aos meus pés enquanto as inúmeras bestas chiam. – O fogo corria por cima de minha cabeça, galhos  queimados e até árvores inteiras cediam a força e a monstruosidade das rajadas flamejantes que saiam da enorme boca de Infernum. Um caos que só crescia a cada segundo e que parecia não ter fim.

Até Sakura ceder.

O joelho dela cedeu e um golpe violento acertou seu ventre, jogando o corpo feminino para trás.

Sakura não poderia morrer.

Sem ela eu morreria. – Sem ela não haveria exércitos, não haveria uma mínima esperança para meu curto reinado e nem a esperança da vida de milhares e milhares de pessoas que moravam nas terras quentes de Vitae.

Pulo no momento em que o animal ruge e parte para cima dela; Os dentes pingando saliva e a língua asquerosa passando por todo o interior da boca escura e que estava completamente aberta.

Minha espada desce no pescoço fino  escamoso, a cabeça se desprende do corpo no exato momento em que a lâmina prateada desce e o crânio rola para longe enquanto o corpo robusto sofre uma série de espasmos.

Vou até ela.

Os cabelos róseos estão ensopados de sangue e seus olhos estão fundos, linhas finas rodeiam seu corpo e uma pequena marca está em sua testa. – Coisas que eu tinha certeza que ela não carregava na pele quando nos conhecemos e quando eu vi ela pela última vez.

Parecia que suas forças haviam sido sujadas.

– Saku-

– Gaara... Temos que ir, ele está morrendo...

– Temos que esperar os outros, vamos, vou te colocar próximo a Infernum e depois irei ajudar.

– Sasuke! – Ela segurou minha mão, suas mãos pequenas rodeando as minhas e a pele grossa e cheia de calos esfregando em minha pele suja. Os olhos verdes estavam cheios de sentimentos, mergulhados entre o mar verde e os seus próprios campos medo, insegurança, receio, raiva e tantos outros sentimentos estavam presos ali. – Gaara está morrendo, temos que ir agora, por favor!

Me calo.

Ergo minha própria cabeça e procuro entre aquele caos; Por mais que as chamas incandescentes do dragão não cessassem e a cada segundo feras e feras morressem queimadas, mas eles não paravam de chegar. – Era questão de lógica, aqueles animais não acabavam e estávamos cercados por um terreno úmido, as chamas do dragão não era o suficiente ali.

Procuro pelos olhos prateados de Neji ou as madeixas negras de Shikamaru, mas encontro os longos cabelos de Itachi.

Os olhos vermelhos estavam duros e as sobrancelhas franzidas só deixavam suas feições mais duras. Sua face estava molhada e o suor pingava de seu rosto a cada golpe, reluzindo a luz das chamas que o rodeavam.

Ele lutava com todas as suas forças, mas ele não lutava por si mesmo.

Olho para o ruivo que estava desmaiado e completamente pálido, enquanto Sakura me olhava em pleno desespero.

Olho novamente para Itachi.

Ele lutava com todas as suas forças por alguém que estava prestes a morrer; Estava se dedicando ao máximo, se jogando em frente ao perigo por aquele que ele amava.

Aquele.

Uma coisa que jamais seria aceita em Vitae, mas ali era visto como o ato mais normal que poderia existir.

Ele se punha em frente a morte e a enfrentava cara a cara por aquele que ele amava; Um homem. Um Ignis. Um rei.

Itachi sempre se jogava em frente ao perigo por aqueles que amava. – Me defendia das palavras duras de nosso pai e das obrigações horrendas que a maturidade iria trazer, sempre se colocando em frente a tudo e a todos só para poder arrancar um sorriso de meu rosto a o privilégio de eu poder aproveitar minha escassa infância das melhores maneiras possíveis.

Anos e anos haviam se passado, mas ele continuava exatamente a mesma pessoa que era quando havia partido.

Ali era meu irmão.

Se arriscando.

E Sakura praticamente implorava por ajuda, querendo que eu salvasse seu próprio irmão. Cega pelo amor e tendo o desespero e o medo da perda fazendo que a barreira de orgulho e soberba sumisse de entre nós.

Uma barreira que eu ainda carregava com o meu próprio irmão; Aquele que me restava, aquele que era dono de toda a minha admiração e que eu havia sofrido um profundo luto por conta da sua possível morte.

Eu sofri tanto, valia à pena sofrer isso verdadeiramente agora?

– Irei levar vocês até Infernum e depois irei buscar Itachi, consegue fazer com que ele parta só quando eu ter todos reunidos e prontos para fugir?

– Sim.

– Então vamos! – Me levantei e trouxe-a comigo.

Colocamos Gaara em nossos ombros e um gemido baixo de dor escapou de seus lábios. Ele estava péssimo e eu conseguia sentir a vida esvaindo de si.

– Meu irmão, agüente mais um pouco! Minha força é sua força, agüente que eu irei agüentar por nós! – Sakura falava com dificuldade a cada movimento.

Andávamos pela sombra, minha pele ardendo perante a aproximação das chamas e as bolhas já se formavam em seus braços. – Por mais que os irmãos não parecessem ser afetadas pelo calor da chamas ferozes e vívidas que consumiam tudo por onde passavam.

O dragão pareceu sentir que a mãe precisava de si e se aproximou, suas grandes asas batendo mesmo sem alçar vôo e atiçando ainda mais as chamas.

Um demônio que estava em seu próprio mundo; Entre as chamas.

– Consigo levá-lo a partir daqui, vá em busca do seu! – Sakura falou alto, o suor reluzindo em sua face e em seu corpo. Ela estava séria.

Eu só havia visto uma mínima rachadura em sua casca, mas ela já havia se fechado para sempre.

– Irei dar um sinal quando estivermos prontos para fugir! Faça alguma distração ou...

– Sasuke, vá! – Os olhos verdes brilhavam penetrantes.

Sorri, mas de modo automático, como uma reação natural do meu próprio corpo.

– Obrigada... E não se preocupe, Tenten e Naruto estão a salvo e estão nós ajudando. – Ela sorriu minimamente.

Um sorriso tão pequeno, mas que pareceu iluminar tudo naquele momento e a esperança que eu precisava renasceu.

– Obrigado, Sakura.

– Agora vá! – Ela falou alto enquanto arrastava seu irmão para a fera que os observava com seus grandes olhos de sangue e que já abaixava o próprio pescoço para a mãe poder montar em si.

Me viro e corro por entre as chamas.

Ela lutava com todas as forças pelo próprio irmão e eu estava ali, indo em buscar de salvar o meu e esperando que eu não tenha aberto meus olhos tarde demais.

Que eu não chegasse tarde demais.

.

Tenten Mitsashi

Corro.

Os galhos e as folhas batem em meu corpo e em minha face, o ar está cinza e a fumaça sufocante se espalhava cada vez mais e mais pelo pântano e o calor horrendo cresce cada vez mais que nos aproximamos do foco de todo aquele caos.

Minha razão fazia com eu temesse o que estava ao meu aguardo, mas meu instinto de guerreira e meus ideais de família e companheirismo se sobressaiam sobre todo o medo que poderia haver em mim.

Eu morreria pelos meus e sei que eles também morreriam por mim.

Minha respiração está pesada. Naruto corre ao meu lado com a espada fina e longa reluzindo. – Um golpe certeiro com aquela lâmina seria mortal para qualquer um. Os olhos azuis não mostravam mais os infinitos céus de verão, sem qualquer resquício de nuvens ou coisas que pudessem estragar um belo dia ensolarado. Parecia que os olhos azuis haviam escurecido, mostrando um mar revolto e que era impossível de enxergar e imaginar o que estava escondido embaixo da superfície escura e de ondas mortais.

Ele carrega em sua mente os mesmos temores que eu.

Por mais que a minha sempre voltasse para uma pessoa especifica.

Os gritos desesperados de Neji ainda ecoavam em minha mente e a culpa crescia em meu peito, corroendo meu coração e minha alma, deixando um trágico vazio e a sensação de arrependimento.

Como eu pude abandoná-lo daquela maneira? Como pude virar as costas para seus chamados, mesmo depois de ter ouvido todo o desespero e o peso em sua voz? Como eu pude ser tão egoísta?!

Eu corri; Vorei as costas para seus chamados e fugi para salvar a mim mesma.

Não passava de uma besta egoísta.

O medo  era uma sombra em minhas ações e eu me cegava colocando a adrenalina em frente aos meus olhos, usando como desculpa toda a tragédia para poder ignorar a grande e temível pergunta que crescia a cada minuto que se passava: E se Neji estivesse morto?

Um bolo amargo de forma automaticamente em minha garganta no exato momento em que penso nisso, trazendo consigo minhas mãos trêmulas e uma vontade latente de chorar. – Por mais que não pudesse me permitir ser fraca sabia que no momento em que eu parasse no momento em que enfim pudesse respirar fundo e que pudesse não ter que me preocupar mais com a minha vida – naquele momento – eu cederia.

Eu não agüentaria mais, os pesos em meus ombros se tornariam insuportáveis e eu só comprovaria a certeza que todos tinham: Eu era uma mulher, não uma guerreira. Eu era fraca.

E isso me destruía. Me quebrava a cada momento, a cada respirar que eu dava e cada batida de meu coração.

Mas nada disso me impediria de agüentar até o ultimo momento.

Isso até eu ver aquilo;

Um campo completamente queimado, tão grande que nem ao menos eu conseguia ver o fim. Um mar de árvores queimadas e o ar estando por completo cinza; corpos e mais corpos, sangue e mais sangue e restos e mais restos. Uma destruição total e que só se alastrava cada vez mais.

O som dos gritos e chiados, junto com os rugidos e as chamas eram o coro daquela batalha.

– Pelos Deuses... – A voz de Naruto estava perdida enquanto a figura masculina para ao meu lado, os intensos olhos azuis refletindo aquele caos em seus orbes compenetrados.

Estávamos à cima daquele caos, conseguíamos ver todo aquele massacre de cima e eu só conseguia pensar uma coisa;

Se eles estivessem vivos – se ele estivesse vivo – como agüentaram tanto tempo?

Essa seria a maior prova para si de que os Deuses existiam.

– Temos que achar Sakura. – Falo enquanto passo meus olhos por toda aquela batalha, procurando as peculiares madeixas róseas.

O que poderia ter acontecido? Eu não conseguia ter um pensamento positivo enquanto passava meus olhos por toda aquela destruição, a fera alada queimava tudo e todos enquanto batia suas imensas asas sem sair do chão, atiçando ainda mais as chamas rubras. – Um vermelho tão vivo e que parecia sangue, não era nem de longe o fogo que todos nós usávamos para nos aquecer ou muito menos o que conhecíamos desde crianças;

Aquilo exalava magia, exalava em tudo os poderes dos Deuses ou de qualquer ser que tenha criado aquelas criaturas que pareciam carregar toda a ira pela humanidade em seus olhos. – Seres enviados para nos destruírem, os filhos ingratos que não seguiam is seus criadores e que deveriam queimar por ter cometido tal imprudência moral.

Feras mortais. Era isso que os dragões eram.

– Achei! Ali! – Naruto apontou para uma direção praticamente escondida por entre a fumaça e as árvores queimadas.

Carregando o próprio irmão e com o corpo coberto de sangue Sakura caminhava com dificuldade por entre aquele campo. – Os olhos verdes tomavam destaque em meio ao seu rosto que estava sujo de lama, sangue e suor. Eles pareciam ainda mais ferozes e brilhantes, mostrando parcialmente o que se passava naquela cabeça.

 E ao seu lado, caminhado com a mesma dificuldade e estando em um estado igual – ou pior – Sasuke ajudava a rainha a carregar o irmão moribundo.

Isso era tudo que eu precisava ver.

Mas antes que eu corresse em direção de Sasuke e o ajudasse meus olhos vão para outro ponto, com se um instinto me chamasse para ali. – Uma coisa automática e que eu não pude controlar, mas quando percebi meus olhos já estavam focados na figura masculina de olhos perolados; Neji estava tão ruim quanto Sasuke e Sakura, carregando inúmeros ferimentos pela sua pele exposta e tendo por completo sangue em seu corpo.

Seus cabelos estavam molhados de suor e sangue e sua camisa branca estava imunda, repleta de rasgos e empapadas manchas de sangue – que eu tive certeza que pertenciam a si. Ele estava acabado, tão destruído e que usava suas ultimas forças para se defender das mortíferas feras que não cessavam o ataque. – E por mais que estivesse cansado e prestes a desmaiar ele se mantinha em pé, com os olhos de lua se mantendo da mesma maneira que eu sempre vi;

Centrados. Fortes. Confiantes.

E por mais que eu quisesse correr até Sasuke e ajudá-lo eu não me permitiria, não viraria as costas novamente para Neji – não mais. Nunca mais.

– Neji está ali, ajude Sasuke e eu irei ajudá-lo!

Os olhos azuis de Naruto me miraram, pouquíssimos segundos que pareceram horas. Ele me lia por completo, com suas profundas gemas azuis e seus acenos revoltos que não me permitiam ver abaixo da superfície escura e fechada.

– Corra! – Foi tudo o que ele falou enquanto se virava para a direção que Infernum estava, se sobressaindo a metros do chão e tendo seu corpo esguio se locomovendo pelo campo de batalha enquanto seus olhos se mantinham fixos em um ponto.

Em Sakura.

– BOA SORTE! – Grito enquanto corro para a direção que Neji estava.

No final era só isso que precisávamos; Sorte.

.

Me esgueirava por entre os corpos e as árvores destruídas.

O solo abaixo de mim estava quente, resultado das chamas que cresciam a cada momento. – Eu tossia, me enfiando mais ainda entre elas e tendo como resultado poças de suor em minha roupa e escorrendo por meu rosto. Estava quente, absurdamente quente.

Sentia como se pudesse desmaiar a qualquer momento.

As feras estavam aos poucos sumindo também, correndo desesperadas das chamas e buscando ar limpo para poderem respirar. – A maldita fuligem além de transformar tudo em uma grande penumbra, fazendo com que o dia virasse noite e que meu corpo de visão fosse limitado a somente a alguns palmos a minha frente também corroia minha garganta e meu peito. Respirar ali estava difícil e a cada arfar meu uma lufada de fumaça entrava em mim.

Uma série de tosse se iniciava.

Coloquei meu braço em frente aos meus olhos, a espada estava quente em minha mão após passar em contato com as chamas e queimava poço a pouco minha palma. O ferro que até então era polido e brilhoso se tornou preto e queimado, mostrando onde as chamas haviam lambido o metal e marcado a lamina.

Eu poderia não respirar, poderia não enxergar e não me defender como uma boa guerreira, mas não iria parar.

Que os Deuses olhassem pelos meus; Que ajudassem Sakura e seu irmão, que permitissem que Naruto e Sasuke pudessem ajudar Shikamaru e os outros. Que eu pudesse salvar Neji, mesmo que isso custasse minha vida.

Ele estaria naquela situação se eu não tivesse virado minhas costas para o seu chamado?

Eu poderia carregar a culpa pela sua morte, caso ela chegasse?

Não. Eu era uma covarde e, além disso, era Neji que sempre esteve ao meu lado, me consolando e me arrancando risadas pelas madrugadas frias no castelo Uchiha. Ele sempre esteve lá, mostrando para mim – somente para mim – que havia muito além do que os olhos de todos enxergavam que havia um homem com pensamentos nobres e um coração bom demais para o mundo podre que era a realeza de Vitae.

Ele era meu verdadeiro amigo, alguém que eu jamais conseguiria viver sem.

Mas eu era sortuda e os Deuses não me virariam as costas, eu teria minhas palavras ditas a si e ele poderia escutá-las. Ele veria que eu sempre o escutei, veria como ele =e importante para mim.

Eu jamais iria virar as costas para si.

Ele veria que por mais que não parecesse eu sempre estive ao seu lado e que jamais me permitiria ser tão egoísta novamente.

Não mais.

Amigos não abandonavam amigos; e eu e ele éramos muito mais que isso. Ele veria tudo, todas as coisas que eu jamais me permiti dizer por... Por quê? Por eu ser uma pessoa fútil que só estava interessada em conseguir o olhar orgulhoso do rei? Que só desejava desposar com o príncipe? – Uma mente tão infantil que realmente acreditava em tal hipótese, por mais que ela fosse completamente iludida?

Mas eu amadureci e ele veria e se orgulharia.

Oh sim, ele sentiria muito orgulho.

Itachi Uchiha

Gaara.

Gaara.

Gaara.

Isso era tudo que se passava em minha mente.

O sangue escorrendo pelo seu peito, os olhos verdes perdendo a vida e sua pele bronzeada se tornando pálida.

Ele partia, deixava nosso mundo por culpa da minha maldita distração.

Eu jamais suportaria viver sem ele; como iria acordar sem ter seu corpo em meu leito? Sem seu cheiro estar impregnado em minha pele e minhas costas marcadas por suas mãos? Como poderia respirar sabendo que jamais ouviria sua gargalhada, que seus olhos jamais olhariam o céu estrelado por um tempo infinito e sua voz rouca só seria um sopro de uma lembrança em minha conturbada.

Eu  não conseguiria. Gaara me ensinou a sorri novamente, tirando de minha mente e de minhas costas o peso por ser um desertor. Um traidor que merecia a forca, um homem fadado ao ódio por somente amar homens. – Eu me odiava me olhava como uma aberração que merecia a morte.

Mas ele me olhou diferente. Ele não me julgou, por mais que eu carregasse o sobrenome da família que tinha o sangue dos seus em suas mãos e nem por eu ser um traidor, um renegado. Gaara conseguiu me ver de maneira que jamais ninguém havia visto, de ângulos que até eu desconhecia e que eu jamais poderia imaginar que existiam; ele me mostrou o que eu sou hoje, me fez enxergar da maneira que os olhos verdes me enxergavam e me fez perceber que eu não merecia o ódio que eu falava que merecia.

Para ele eu era uma pessoa normal e que merecia ser amado como qualquer outro, ele me fez  amar das maneiras mais intensas que eu já vi... Como eu conseguiria viver sem si?

Eu me recusava.

Eu me mataria, após matar todos.

Cuspo sangue no momento em que meu joelho cede e meu corpo encontra o chão. Eu não consigo respirar.

Tusso, o sangue escorrendo pelos meus lábios e meu corpo inteiro recebendo toda a dor de uma vez. – O cansaço pesou e minha visão escureceu, uma fardo que  eu carregava desde eu fugi das malditas terras ricas de minha origem. Eu ficaria cego com o tempo e eu só adiantava o processo toda vez que usava o Sharingan ao ponto dos meus olhos sagrarem.

Cercado por fumaça, com meu peito pesando mais que quilos e quilos de prata e com a  visão limitada. Eu era um alvo tão ridiculamente fácil que os Deuses deveriam estar olhando por mim para eu ainda estar vivo.

Isso me revoltava.

Os olhos deles deveriam estar em Gaara, não em mim. Quem precisava da benção era ele, não eu.  Quem deveria viver era ele, o rei dessas terras e o homem que eu amo! Eu não merecia nada, ele merecia tudo! Eu não viveria sem ele e odiaria os Deuses e suas malditas crenças!

– Vocês são patéticos... – Tusso mais uma vez, o gosto amargo do sangue só crescia em minha boca.

Eu sentia minha morte chegando... Eu clamava por ela...

E o que é mais insano do que a mente de um homem que está prestes a morrer? Que deseja a morte?

Nada.

– Tiram daqueles... Q-que precisam... E dão aos p-podres! – Engatinho até uma arvore, a casca completamente queimada e seca suja minhas mãos, mas eu não me importo. Me apoio nela, o calor de seu casco queimando parcialmente a pele de minhas costas.

Eu não liguei, estava me punindo pelo sofrimento de Gaara.

– Por quê? Por que os inocentes pagam pelos pecadores? Por q-que eu sou um pecador? Por amar?! – Olho para os céus, por mais que minha visão estivesse escurecendo aos lados e que a fumaça tomasse tudo, principalmente o céu, eu mantive meu olhar.

– POR QUE SÃO TÃO PODRES? MALDITOS DEUSES! EU OS ODEIO! – Grito alto, do que me importava se alguém ouvisse? Se algo ouvisse com toda certeza seriam aquelas feras e elas viriam retirar minha maldita vida.

Eu clamava por isso.

– ELE MERECE VIVER! EU NÃO! ME MATEM, ME LEVEM NO LUGAR DELE!

Eu olhava para o céu, nem conseguir chorar conseguia, mas o sangue descia pelos meus olhos como grossas lagrimas rubras. – Eu chorava sangue em teoria. Chorava sangue enquanto implorava minha morte aos Deuses, que eles mantivessem a vida de Gaara intacta.

Mas eles não me escutavam.

– POR QUÊ?! ELE... E-LE MERECE TUDO! ELE S-SOFRE DESCE O NASCIMENTO! ISSO É UM MODO DE ME CASTIGAR? UM MODO DE ME TORTURAR POR TUDO QUE EU JÁ FIZ?! SIM, EU AMO ELE! EU AMO UM HOMEM E ME ORGULHO DISSO! QUE VOCÊS TODOS SE FODAM, MALDITOS SERES MALIGNOS! QUE SE EXPLODAM, QUE MORRAM COM SEUS PROPRIOS EGOS! EU. OS. ODEIO!

Arfava. Arquejava. Minhas mãos tremiam de ódio e eu tossia cada vez mais, não conseguia respirar e meus olhos ardiam como nunca antes.

Eu só queria morrer.

– Eu... Eu o amo... – Fungo, meus olhos enfim trocavam as lágrimas de sangue pelas verdadeiras lágrimas salgadas. Eu estava em desespero e não sabia o que fazer. Não tinha forças para correr, para lutar, para tentar ver uma última vez a face viva de meu amado. – Por favor... Que ele viva, por favor!

As lágrimas descem, lentas e dolorosas. Pesavam mais que minha consciência e minha culpa, pesavam mais que meu coração e tudo que eu carregava nele. Pareciam cicatrizes que marcavam minha pele, enquanto eu mantinha meus olhos para cima. – Grossas rachaduras em minha face suja e imunda, quase mais podre que minha alma.

Os inocentes pagavam pelos pecadores, todos sabiam disso.

Gaara sempre foi e sempre será o inocente, um ser fadado à dor desde o nascimento e sendo obrigado a sofrer de tantas formas que eu jamais saberia realmente a dor que ele carregava.

O mundo não o merecia, muito menos eu.

Um homem patético que gritava ao céu enquanto esperava a própria morte.

O que eu era? Um covarde.

– Que ele me perdoe por ser fraco, mas levem minha vida! Matem-me, retirem minha alma no lugar da dele! Por favor! POR FAVOR! EU OS IMPLORO! – Grito enquanto as lagrimas descem, eu era fraco. – Que ele me perdoe, ele me veja como um fraco... Mas que ele viva! Que tudo que eu fiz, toda dor que eu trouxe a esse mundo suma junto comigo..que meu irmão, meu irmãozinho... Me perdoe, que um dia ele saiba a verdade... Eu o amo! Eu amo meu irmão, por favor... Que ele entenda isso... Por favor! Sasuke merece a verdade... Eu não mereço seu perdão, eu sou um renegado imundo! Uma aberração! – Choro, as palavras rasgavam minha alma e torturavam meu coração. O luto já se apossava de mim – Por favor... Que ele saiba que eu o amei. Sasuke jamais deixara... J-jamais deixara de ser meu irmãozinho... M-meu p-pequeno... Irmão.

Eu fechei meus olhos, esperando que enfim aquela trágica e triste agonia  e ansiedade enfim terminasse.

Eu desistia. Abria minha mão de tudo e de todos naquelas terras, não fazia sentido viver mais. Não mais.

– Você ainda não tem meu perdão.

Abro os olhos. Eu só poderia estar delirando, não? Ou estava de fato insano ao ponto de imaginar a voz de Sasuke?

Meus olhos demoraram para achar a figura, inicialmente ele só era um borrão em meio a fumaça cinza e as chamas, mas conforme a figura alta se aproximava ela tomava novas formas, se tornando mais nítida e visível para mim.

Até eu poder enfim reconhecer o corpo alto e magro, mesmo estando completamente sujo de sangue e terra, tendo sua face coberta por uma grossa camada de algo que deveria ser a mistura dos dois.

Os olhos negros estavam fixos em mim, analisando minha figura patética enquanto uma espada prateada suja de sangue reluzia em sua mão. O olhar negro era pesado, de uma maneira que nem mesmo Fugaku carregava. – Mesmo sem estar com o Sharingan ativado Sasuke carregava um olhar único, um olhar que eu não conseguia imaginar o que se passava por trás dos ônix.

Ele caminhava devagar, se tornando cada vez mais nítido para mim. Ele também suava e respirava com dificuldade, mas parecia muito melhor que eu.

Engoli em seco. Talvez pela vergonha? Talvez pela ansiedade ou pela adrenalina que fazia meu coração acelerar a cada minuto.

Talvez pelo medo; Sasuke carregava magoa o suficiente para me matar? Um ódio que acendeu em seu peito após ouvir minhas lamúrias. – Um discurso de desabafo de um homem que se encontrava perdido.

Fragmentos de lembranças aparecem em minha mente, mostrando palavras e frases de Sasuke, do seu constante olhar mortal e da maneira que ele me abominava. Quando ele tentou me matar ao me ver na arena. – O olhar que ele me direcionou jamais seria esquecido por mim, seria assombrado pelas gemas negras até meus últimos segundos de vida.

Seria esse p castigo dos Deuses para um bastardo que se deita com homens? Ser morto pelo próprio irmão?

A ironia do destino, eu clamava por minha morte e agora temia que ela viesse das mãos de meu irmão.

Sasuke não era igual a mim e muito menos igual Fugaku ou Mikoto. Sasuke era algo que nós jamais havíamos visto uma coisa... Uma pessoa que assombrava a mente dos Uchihas e daqueles que sabiam do segredo obscuro que nos cercava. Ele era imprevisível, agindo pelo impulso de seus sentimentos e tendo uma trágica tendência a se deixar levar pelos sentimentos ruins e os desejos que traziam consigo tragédia, caos e sangue.

– Você não deve jamais clamar  pela morte, isso é vergonhoso. – Ele me olhou de cima, só para depois erguer sua própria cabeça e olhar envolta, como se procurasse algo.

Ele não queria testemunhas para seu ato?

Queria ser visto como o rei bonzinho das terras de água quente?

– Sasuke... – Me esforço para falar sem gaguejar, mas não tentaria me erguer. Seria mais humilhante ainda.

– Eu nunca entendi seus motivos, nunca me falaram... Foi mais fácil aceitar o luto, aceitar que você morreu como um herói. Eu levei dias... Meses, anos, para superar sua morte Uchiha Itachi. Com o tempo eu cansei de ver você como um herói, não fazia sentido, por que herói fugiria? Você deixou de ser isso e se tornou um traidor, mas um traidor morto.

Ele parou a minha frente e se agachou, alguns poucos palmos de seu rosto do meu. Eu conseguia ver meu reflexo nos penetrantes olhos negros e na maneira que ele olhava fixamente para mim.

– Mas eu nunca entendi... Nossa mãe chorava por você, mas nosso pai seguiu a própria vida. Te substituiu colocando-me em seu lugar, então com o tempo você se tornou um fantasma que só os mais loucos ousavam dizer o nome... Por mais que nas sombras da cidade, entre as vielas que cheiram a mijo e merda, seu nome seja citado freqüentemente. Um verdadeiro rei, um homem que carregava bondade em seus olhos e traria paz para as dores de Argentum.

Ele falava calmamente, como se o mundo não estivesse prestes a ruir ao nosso redor.

– E quando eu chego nessas terras eu vejo você bem e amando! Você percebe como isso é surreal? Por isso você sempre falava que aceitava todo o meu ódio? Por isso sempre se calava? – Ele parou e me olhou fixamente, procurando algo. O que? Eu não faço idéia. – Eu desejava ter sido eu, Itachi. Meu ódio em parte é por conta da inveja que eu senti, por conta de toda a liberdade que você tinha, enquanto eu virei... O que eu virei? Eu nem ao menos sei o que sou, percebi que só era um maldito fantoche após dias e dias nessas terras.

Ele parou, respirando fundo e fechando os olhos em meio ao processo. Um arrepio subiu minha espinha até minha nuca.

– Você não tem meu perdão, mas eu posso lhe dar outra chance. Uma chance para você ser sincero pela primeira vez desde que pisei em essas terras... Você tem uma chance para me mostrar seu lado e seus motivos, vai ser uma escolha minha julgar se você merece meu perdão ou não.

Eu deveria estar louco.

Eu só podia estar louco.

–  Sasuke... Eu... – O que eu poderia dizer? Isso foi tão imprevisível que eu jamais esperaria, eu nem sabia como reagir. Estava tão acostumado com as represálias e o ódio destinado a mim que eu não sabia como reagir após aquelas palavras. Era realmente Sasuke ali? Seria mais fácil acreditar que aquilo não passava de uma ilusão da mente de um moribundo.

– Agradeça a Sakura, ver o desespero dela me causou certa empatia. Agora vamos, você não pode morrer antes de me contar a verdade, não é? Veja isso como uma corda para se agarrar.

Ele me ergue e eu gemo de dor, meu corpo inteiro estava em um estado que não tinha nem definição. Parecia que milhares e milhares de espadas haviam sido fincados em mim, apunhalando cada parte de meu corpo.

Pelos Deuses, como aquilo doía!

Mas a dor foi o que iluminou meus olhos, um ponto de consciência em meio a minha mente. Escutei alguém chamar Sasuke, mas isso parecia distante... Eu só conseguia focar em uma coisa, antes que todo o cansaço que eu estava segurando me alcançasse.

Eu só queria saber uma coisa.

– Naruto, aqui! Eu o achei! Venha, ele está quase desmaiando. – Sasuke gritava em uma direção, mas eu não tinha forças para virar e olhar.

O que restava de mim estava sendo guardado, eu precisava saber daquilo.

– S-Sasuke... – Minha voz sai tão baixa e rouca que até eu tenho dificuldade de ouví-la, mas os olhos negros se viram para mim imediatamente.

Meu reflexo está perturbador; eu parecia um morto.

– G... Aa.. Gaara..

– Ele está vivo, por enquanto. Sakura está com ele.

E enfim eu cedi.

E tudo sumiu.

Terceira Pessoa

Um mundo de fogo.

As chamas tinham vida própria, seres insaciáveis e que desejavam destruir mais e mais. Queimavam tudo e todos, tão ferozmente que nem ao menos dava tempo para as pobres vidas se defenderem. – Quando notavam já estavam tendo suas peles engolidas pelo fogo e os gritos de agonia já preenchiam todo aquele campo.

Violentas e mortais, tendo suas cores semelhantes ao sangue e aos rubros olhos de Infernum. – O dragão estava confuso, não esbanjando toda sua gloria em seus movimentos e em suas chamas. Sua mente era compartilhada com a de sua mãe, o que a rainha sentia ele também sentia.

E a rainha estava um caos.

Por entre a fumaça cinza e que matava poupo a pouco – rápido demais para os moribundos que tentavam sobreviver – todos os seres vivos naquele campo sangrento e agora queimado.

Respirar estava se tornando cada vez mais impossível.

– Neji! NEJI!

Caminhando com dificuldade em meio aquele mar de chamas, a voz de Tenten se sobressaia sobre os sons destrutivos que ecoavam por ali. – Gritava, se afundando cada vez mais no próprio desespero enquanto buscava pelo lorde Hyuuga. A cada segundo que se passava e com sua visão ficando cada vez mais limitada o medo crescia mais dentro de si, sua espada já estava incerta em sua mão por conta dos tremores que o nervosismo causava dentro de si.

O suor escorria de sua testa e pequenas queimaduras já se formavam em seus braços. – A ardência crescia e piorava conforme novas chamas se aproximavam demais de si; se tornava impossível calar os próprios gemidos de dor e as feições que mostravam claramente o que ela estava sentindo.

Mas isso não a impediria de prosseguir.

Entrava cada vez mais para o centro daquele campo, onde a batalha havia se iniciado.

Passando seus olhos pro onde passava e temendo encontrar o corpo masculino entre os restos que estavam no chão pedia aos deuses que ele estivesse bem.

Promessas e mais promessas saiam como lamúrias de seus lábios; Dizia que jamais empunharia uma espada ou daria todas as suas riquezas para os pobres, palavras que poderiam parecer insignificantes, mas eram elas que mantinham a mente feminina sã.

Uma âncora para ela não se afogar no medo.

– NEJI! ONDE ESTÁ? NEJI! – Gritava, gastando o pouco de fôlego que ainda a restava. Uma tosse seca veio em seguida, fazendo com que ela tivesse que se apoiar em uma árvore e respirar fundo.

Isso só piorou a situação.

– N-NEJI!

– TENTEN, AQUI!

Os olhos castanhos se iluminaram enquanto ela erguia a própria cabeça, procurando a direção correta na qual havia vindo o chamado. – Uma esperança havia renascido em seu peito e ela não conseguia conter a si mesma.

– NEJI?!

– TENTEN... AQUI!

– CONTINUE GRITANDO! – Ela correu, pouco se importando com as chamas, com os machucados e com os corpos abaixo de si.

Ela só corria.

Os chamados continuaram e se tornavam mais e mais altos conforme se aproximava. Os cabelos castanhos voavam com o vento, presos em um longo rabo de cavalo e as pernas se esforçavam ao maximo para se manterem firmes.

Ela conseguiria, ela sentia!

Quando o viu – primeiramente uma sombra destorcida, mas que foi tomando forma conforme se aproximava – seu coração acelerou de uma maneira que ela não havia sentido ainda; um sorriso cresceu em seus lábios, tão sincero e belo que as estrelas sentiriam inveja do brilho que emanava daquele simples gesto.

Enfim o homem se tornou completamente visível; as roupas não passavam de trapos e seus cabelos estavam sujos, assim como seu corpo e sua face. Os olhos perolados estavam apagados, mas se tornaram as verdadeiras luas brilhosas pela qual ele carregava uma grande fama quando enfim viram a morena.

Ele sorriu.

E os olhos de carvalho se inundaram.

Um abraço sôfrego foi dado no momento que ela pulou em si, como uma criança que sentia falta do próprio lar. Ela se encaixou com perfeição entre os braços masculinos e se aconchegou com perfeição entre o peito sujo de sangue – ela não se importava se ele estava imundo e envolto em camadas e mais camadas de sangue, muito menos se fedia a morte e a suor, ela só se importava com ele.

Com ele estar ali.

Ouvir o coração dele batendo tão frenético como o dela foi o suficiente para que ela enfim se acalmasse, controlando a própria respiração e, sem perceber, deixando que as finas lagrimas descessem silenciosas por sua face – lágrimas que ela estava segurando desde que havia o deixado, mas que agora podiam ser libertadas sem qualquer vergonha.

Ela se sentiu em paz em meio aquele abraço, mesmo que estivesse cercada pela destruição.

– Neji, me perdoe... – Ela ergueu sua cabeça e olhou para os olhos perolados.

Eles pareciam ainda mais vivos, um contraste com toda a sujeira que havia no rosto masculino e os inúmeros ferimentos espalhados por ele.

Ela deveria estar tão pior que ele, mas ela não conseguia sentir vergonha.

Na verdade a única coisa que ela conseguia sentir era alivio.

Ele ergueu a própria mão e tocou com suavidade a face suja de Tenten. – A mesma que haviam brandido a espada que estava jogada aos seus pés e que havia ceifado a vida de varias feras. Uma mão que estava suja de sangue por completo e que foi o instrumento para a morte de vários, não só naquele reino.

– Você fez o que foi necessário.

– Eu jamais deveria ter o deixado partir, você estava me chamando e eu...

Tenten falava e falava, uma mania que carregava desde muito nova. – Quando estava nervosa a morena falava sem parar, se enrolando nas próprias palavras e ficando completamente vermelha depois que isso acontecia.

Um sentimento nostálgico nasceu no peito do perolado e um sorriso, pequeno e resguardado, surgiu.

Ele nem ao menos estava ouvindo o que ela dizia, estava mais focado nos olhos castanhos e na boca que tinha alguns machucados. – Ela deveria ter mordido os próprios lábios após tanta ansiedade, outra mania que ela carregava desde muito nova.

– Tenten, está tudo bem.

E ela se calou.

Neji se viu nervoso após suas palavras, por mais que ele carregasse o costumeiro semblante sereno de sempre.

Ele havia experimentado a sensação da perda, o medo de ser verdade. Havia provado o amargo gosto do luto e da raiva que ele trazia consigo a raiva de tudo e de todos. Seu coração havia quebrado e o arrependimento por jamais ter sido sincero, realmente sincero, em relação a ela o estava o corroendo.

Ele não queria sentir aquilo novamente.

Nunca mais.

Precisavam sair dali ou seriam engolidos pelas chamas e morreriam naquele lugar degradante... Mas se ele saísse dali ele teria coragem novamente?

Neji poderia ser leal, um ótimo guerreiro e conhecedor de varias artes na luta, mas quando o assunto eram sentimentos ele não passava de um covarde.

Igual a todos os homens.

Em anos ele viu pela primeira vez uma chance com a garota que carregava seu coração desde muito nova, pela primeira vez não havia a sombra do Uchiha os cercando e muito menos uma Tenten cega por uma paixão infantil. Pela primeira vez ele viu que tinha uma chance;

Então ele viu essa chance escapar por seus dedos, levando consigo uma parte de si e todas as mínimas esperanças que haviam surgido.

Nenhum homem agüentaria isso.

O amor pode ser muito bom, mas ele cega os homens e os deixa irracionais. O amor que há tanto tempo estava escondido, se contentando em ter somente a amizade de Tenten e sendo o confidente que estava sempre ao seu lado não aceitou essa perda.

Quando ele tem uma chance de tentar, uma misera chance... Ela vai embora.

Neji nunca havia ficado tão revoltado e desesperado, sua mente parecia um furacão e ele não fazia a mínima idéia do que estava acontecendo consigo, ele só conseguia sentir raiva.

Raiva dele.

Raiva do mundo.

Raiva de Sasuke.

E ele se permitiu ser corajoso pela primeira vez.

– Me perdoe por isso...

– No que-

A Mitsashi não teve tempo para assimilar o que estava acontecendo, antes que percebesse o que o Hyuuga iria fazer já tinha seus lábios tomados pelos do homem alto e de feições nobres; Os lábios masculinos não se mexeram no primeiro contato, esperando que a mulher logo o afastasse. – Ele tinha pela certeza que seria rejeitado, mas poderia enfim retirar esse peso de seus ombros.

Um sutil toque com os lábios que marcaria sua vida para sempre.

Mas Tenten não o rejeitou e sim deu continuidade com o beijo, arrancando de Neji um olhar surpreso e um ofegar. – Seria um sonho?

O beijo foi breve, tão inesperado e que não durou mais que alguns segundos, mas que foi o suficiente para iluminarem os sentimentos sofridos do homem de longas madeixas e peculiares olhos.

E em um ato insano de coragem ele se permitiu dizer. – Aproveitando o momento que ele tinha certeza que seria uma alucinação;

– Eu te amo, desde que eu a vi pela primeira vez, com seu penteado estranho e o vestido sujo de lama. Você me encantou e eu zelo por ti desde que pude escutar pela primeira vez sua risada e estar ao seu lado quando assumiu seu amor pela luta. Eu nunca me declarei, mas sempre a amei. Tive medo de jamais poder competir com o Uchiha, mas sempre estive ao seu lado, ouvindo sobre seus sentimentos e seus anseios... Me perdoe por estragar nossa amizade, mas eu nunca a vi como somente uma amiga e muito menos como uma irmã. Se quiser me afastar você tem todo o direito, mas eu não irei me permitir esconder o que sinto e continuar essa farsa que é minha vida. Eu a amo, Tenten. Isso é a única  que eu carrego..não espero que seja correspondido, mas estarei sempre ao seu lado, zelando por ti e acompanhando seu crescimento.

Ele estava ofegante ao terminar, como se dizer tais palavras tenham custado um esforço inimaginável. – O que deveria ser de fato verdade, já que havia passado anos escondendo tais sentimentos e nunca havia falado em voz alta; somente quando estava sozinho e dizia tais palavras, imaginando o dia em que poderia dizer elas a Tenten.

E esse dia havia chegado.

Olhou para baixo, com vergonha da sua declaração. – Um homem orgulhoso como ele e tendo um porte tão nobre... Era estranho o ver tão tímido, mas quem poderia culpá-lo?

– Neji... Uma amiga me explicou sobre o amor e eu não estou pronta para amar. Passei anos e mais anos me iludindo com olhares e meias palavras, eu não tinha um pingo de amor..nem por ele, nem por mim. Amor não é uma coisa tão rasa e eu só percebi isso recentemente, preciso aprender a me amar antes que possa enfim amar alguém... E você merece um amor completo, uma pessoa que se jogue de cabeça em ti e ame tudo que existe ai dentro. – A mão magra se alojou no peito masculino, bem acima de onde deveria estar o coração. Os olhos castanhos focaram nos perolados, olhando para alem da superfície peculiarmente bela e que poucos tinham conhecimento da profundidade.

– Eu não sou essa pessoa, não agora.

E Neji perdeu o chão assim que ela terminou seu discurso, acabando com tudo que estava dentro de si.

Destruindo muito além do que eles poderiam imaginar.

A mulher segurou a mão dele e o puxou, levando-os para longe dali e deixando para trás os sentimentos rejeitados do homem – talvez Neji estivesse delirando, mas quando olhou uma ultima vez para trás pode ver faces risonhas nas chamas, faces que riam de si e dos seus sentimentos.

Em seguida as chamas cresceram absurdamente e engoliram o lugar que estavam e tudo que havia ali – se os dois tivessem ficado mais alguns segundos ali também teriam sido engolidos pelas chamas.

Neji viu como se seus sentimentos estivessem sido consumidos pelas chamas; queimados até virarem nada menos que cinzas.

.

Kakashi Hatake

Eu não conseguia respirar.

Caminhava como um moribundo, minhas pernas estavam pesadas e eu não conseguia levantar meus braços. – Tudo doía. Tudo pesava.

Não havia chamas, mas a fumaça havia chegado ali. Estava andando desde que matará a ultima fera, fugindo das chamas e desejando um lugar para descansar.

Eu estava andando há quanto tempo? Era difícil falar já que eu estava dopado pelo cansaço.

E por mais que o cansaço estivesse invadindo meu corpo e a única coisa que ele ansiava era por descanso, minha mente trabalhava nervosa; Eu só conseguia pensar em Sakura.

Eu havia visto a dor em seus olhos quando viram o próprio irmão. Ela se rachou, temendo pela vida do único que entendia o que ela havia passado. – Ela perdeu a postura, se desestabilizou e permitiu que o medo entrasse em frente à razão.

E eu não estava ao seu lado para ajudá-la.

Eu poderia estar com inúmeros ferimentos, sangrando e queimado. Poderia estar exausto e prestes a desmaiar, mas nada se compararia com a dor que eu senti quando vi seus olhos e não pude fazer nada.

Que tipo de guerreiro eu era?

Me encostei em uma árvore e cedi, deixando meu corpo escorregar pelo tronco e minha cabeça se apoiar na madeira. Quanto tempo demoraria para as chamas chegarem ali?

Olho para cima e vejo Infernum tomar os céus, voando para longe daquele caos que ele havia formado e provavelmente levando consigo sua mãe e o corpo do irmão. Pelo menos ela estava fugindo dali.

Fecho meus olhos e respiro profundamente, mas uma série de tossidas fortes se desencadeia e com ela uma dor absurda em meu peito; O fogo era uma praga, ele sempre matava tudo envolta, até mesmo sua fumaça era tóxica.

Eu só precisava dormir... Era só isso que eu queria.

Ouço um barulho.

Abro meus olhos – o que tinha o sharingan estava cansado, eu estava praticamente cego de um olho – e olho para a direção do barulho, mas eu não me levanto.

Surgindo pouco a pouco de entre  as árvores e a fumaça cinza, trazendo consigo chiados baixos e colunas curvadas como animais, uma por uma foram surgindo.

As feras que nem ao menos carregavam um nome.

Aos poucos três apareceram, mas não me atacaram...

O que estava acontecendo?

Logo eu entendi.

Surgindo com toda sua pose asquerosa e com uma falsa coroa brilhando em sua cabeça, Kisame apareceu como um rei por entre a fumaça e as árvores. Um sorriso grotesco estava estampado em sua face e os dentes pontudos apareciam, um figura tão estranha quanto horrenda.

Um traidor.

– Kakashi... Enfim estamos cara a cara... – A voz seca era alta, mas só me proporcionou mais nojo. – Já matei o irmão, só falta o amante.

Eu ri.

Talvez estivesse louco já que sabia que minha morte era eminente, mas eu ri. Os olhos de Kisame se fixaram em mim e eu pude ver o orgulho brilhando por trás dos olhos estranhos. – Ele estava ficando nervoso, isso só foi mais combustível para minha risada.

Quando enfim parei olhei para ele.

– Mate-me, pouco importa. Só será mais um motivo para sua sentença, no final você sabe que ela vai te matar de qualquer jeito.

As mãos deles se fecharam em um punho, mas ele sorriu falsamente.

– Sabe, podemos fazer um acordo. Você é o maior bandido dessas terras, conhece todas as sombras desse mundo e é tão podre quanto a mim, por que não se ajoelhar para seu novo rei? Posso lhe dar um reino após sentar no trono, darei muito mais que a vadia dos dragões pode lhe oferecer, eu não sou tão justo como ela... Irei favorecer quem eu desejo. Irei favorecer você!

Balancei a cabeça, um resquício de sorriso ainda estava em meus lábios.

– Que tipo de reino poderia me dar? – Falo enquanto me ergo, minha espada havia ficado no chão.

– Qualquer um! Mais que um! Pense em todas as possibilidades! Todas as mulheres! As riquezas... Você não seria visto como um mero guerreiro!

– Isso é muito tentador, sempre quis aquele castelo... Estava esperando os irmãos morrerem.

– Viu? Temos o mesmo sangue!

Caminhei até ele, as feras estavam calmas e observavam tudo com seus profundos olhos negros. Os olhos de KIsame reluziam, sedento para que eu me ajoelhasse perante si.

O que eu era? Um mero bandido, o da pior espécie.

– Então... Eu me ajoelho, majestade... – Falo após para na sua frente e começar a me ajoelhar.

– Você não irá se arrepender!

– Sei que não... Mas você sim.

– O qu-

Peguei a adaga que estava em minha cintura e pulei em si, atingindo seu ombro com profundidade.

A raiva foi imediata.

Eu havia errado seu pescoço.

As malditas feras me jogaram para longe no momento em que Kisame gritou, minhas costas bateram com força na árvore e eu gritei de dor.

Maldito!

– VOCÊ VAI SE ARREPENDER DISSO, NÃO PASSA DE UM TOLO!

– Antes um tolo leal do que um esperto traidor! Eu jamais irei trair Sakura! JAMAIS! – Sangue escorria de meus lábios e a dor só se tornava pior a cada segundo.

Mas eu não iria me ajoelhar.

Jamais.

Me levanto com dificuldade, mordo meus lábios para não gritar.

– Eu sou o guerreiro que ajoelhou para ela e seu irmão! Ela e dona de meu coração e além disso! Ela é minha RAINHA! – Grito enquanto olho nos olhos negros de Kisame.

Ele balançou minimante a cabeça e logo as três feras corriam até mim.

Então morra por ela.

E tudo que eu senti foi um choque.

Primeiro o chão.

Depois sangue.

Eu gritava.

Minha cabeça arde.

Meu pescoço.

Meu peito.

Então...

Tudo escureceu.


Notas Finais




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