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História Os Imparáveis - Capítulo 7


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Notas do Autor


minhas aulas começaram, ent vou demorar um pouco pra lançar os capítulos.
boa leitura, espero que gostee

Capítulo 7 - Sinto cheiro da minha morte


Logo que entrei no caminho para o rio me deparei com um laguinho e foi até então a melhor coisa que poderia ter acontecido. Fazia uns 10 minutos que eu andava na lama, e minhas pernas podiam se rachar a qualquer momento. Eu precisava passar água no meu rosto e nos meus braços para poder me sentir viva de novo. Sim, recém começou o teste, mas tente pular 10 metros, cair na água, nadar com uma mochila, correr, escalar e caminhar no barro tudo em sequência, boa sorte tentado ficar de pé. 

Minha roupa era exaramente a mesma do meu segundo dia no clube, mas caso alguém olhasse pra mim, provavelmente acharia que eu sou uma zombi mendiga vestida com uns trapos. Meu all star laranja virou marrom, minha calça jeans preta que ja era rasgada tinha ganhado mais um furo, minha regata e a camisa de baixo pareciam uns panos de tirar pó, e meu coque tinha desamarrado no mínimo umas 3 vezes. Eu deveria ter reconsiderado o fato de usar minhas roupas favoritas nessa arena de vidro, mas agora era a última coisa que eu tinha com o que me preocupar. 

Tomei uma água, recuperei as forças, e antes de seguir meu caminho peguei a folha com os números secretos e dissolvi na água. Eu sei que não é uma competição e eu poderia ter simplismente largado pra quem quiser achar também, mas parecia um segredo que devia ser conquistado por alguém, e se esse alguém fui eu, então apenas eu deveria saber.

Voltei a andar e a lama mais uma vez começou a me consumir. Nesse ritimo eu nunca chegaria lá, e se chegasse ia ser morta a ponto de desistir, por isso checando o mapa que eu fiz da região o melhor caminho era indo mais pela direita da mata, mas como eu estava muito pra esquerda, ia perder tempo demais me deslocando pro outro lado. Optei por ir pelo meio mesmo, só tinham alguns penhascos, então eu podia desviar ou pular por cima. Mudei a rota e comecei a andar na diagonal. Pouco tempo depois meus pés caminhavam por uma grama rala, e finalmente a lama tinha sumido, o problema é que agora eu estava com fome. Droga, porque eu tinha que ser tão esfomeada?? Sorte que tinham árvores frutíferas por perto, só precisava encontrar algo não venenoso.

Até eu encontrar umas maçãs não demorou tanto, mas nesse meio tempo mais três novas eliminações aconteceram. Se eu estava certa, ja foram 4, mas como eu não presto atenção em todas as vezes que o telão aparece, devem somar mais eliminações. Enquanto eu comia ocorreu mais uma, dessa vez de um dos amigos do Scott porque ele agrediu outro participante. Claro, gang do Scott é sempre problema, e como parece que eu sou um imã de problemas, Francesco, mais um babaquinha, apareceu entre as árvores.

- Oi Maria, uma pena que não podemos mesmo agredir os coleguinhas né.

- Você é italiano né? Devia saber que é uma vergonha pra sua nação.

- E você por acaso é um grande orgulho pra sua? O Chile nem deve saber quem é você filinha da Laura. - Isso doeu na minha alma.

- O que você quer Francesco?

- Te dizer que estou atrás do rio também, vou chegar antes que você e quando descobrir esse segredo, ele ficará comigo pra sempre. E antes de eu sair correndo e deixar você se lamentando, aquele seu "amigo" Andrew não é nenhum exemplo de italiano também. Além de ser nascido na América e ter um nome estadunidense, ele é uma decepção. Pergunte pra ele porque os pais dele morreram e você vai entender.

Então ele simplismente largou a bomba e saiu correndo. Não sei porque isso me atingiu tanto, foi como se alguém tivesse pisado no meu coração quando ele falou sobre Andrew. Eu queria ficar ali, parada, pensando sobre isso e comendo mais uma maçã, mas se ele ameaçava roubar o segredo de mim, ele estava errado em pensar que conseguiria.

Eu sempre fui a mais rápida da turma, e cansada do jeito que eu estava talvez não tivesse o mesmo rendimento, mas era suficiente. Alcancei Francesco sem muito esforço, e como um raio deixei-o para trás. Mesmo assim, ele não se rendeu e reapareceu do meu lado pouco tempo depois. Então o primeiro precipício apareceu, mas ele era só uma fenda no chão não tão grande, e eu pulei por cima sem problemas. Infelizmente meu rival também. O público fora da bolha começou a perceber a nossa corrida mortal e todas as atenções se voltaram para nós. A cada ultrapassagem gritos e vaias, quando pulamos mais um precipício se escutou um "UUUHHH" coletivo. Eu podia sentir meu coração batendo e a adrenalina pela minha corrente sanguínea. Foi então que a corrida acabou, e confie em mim, não foi divertido mesmo sabendo que eu ganhei. Basicamente, Francesco caiu em uma das fendas no chão por falta de atenção, e tinha deslocado o braço na queda. Não foi muito legal ver ele tentar botar de volta no lugar, e ele sentia dor em tudo.

- APITA! PEDE PRA SAIR!

- EU NÃO... VOU DESISTIR... AI.

- TA MALUCO? VOCÊ DESLOCOU O BRAÇO CARA!!!!!

- EU AINDA VOU CONSEGUIR O SEGREDO.

Esse foi o fim da discussão, pois eu não conseguia continuar a ver ele tentar se levantar. A desqualificação dele veio uns minutos depois, quando ele finalmente percebeu que aquele braço não ia voltar pro lugar sem assistência médica. Francesco era um monstro, mas não dava pra não sentir pena. Então eu lembrei do Andrew. O que será que ele fez? Enquanto andava e divagava pensando nisso, percebi dois olhos me encarando. Quando olhei para o público meu olhar cruzou diretamente com quem me encarava: Andrew. Ele virou evitando o contato visual, mas a sensação de ser observada continuava a mesma. Um barulho veio de um arbusto e eu saquei minhas pistolas. Num salto, um urso pardo enorme veio contra mim e eu rolei pro lado desviando das suas garras.

- Que merda um urso pardo está fazendo aqui?

Parece que ele entendia a língua humana e respondeu com um: "RAAUUURRR". Quem sabe ele me respondeu algo como: "HIBERNDO QUE NÃO!" mas não acredito que ursos possam ser irônicos, ao menos esse não estava pra brincadeira. 

Revidei seu ataque com alguns tiros, o que apenas aumentou sua raiva, e dessa vez eu não tive a mesma rapidez para desviar. Eu não olhei pro meu ombro direito, mas pela quantidade de sangue que escorria acho que não estava tão bonito. Uma das minhas pistolas escorregou da minha não, e agora me restava uma só contra um super ursão. Me concentrei e botei toda minha confiança nos proximos tiros. Dois deles foram nos olhos do urso, e o ultimo direto na fuça! Enquanto ele estava nocauteado eu corri em direção à minha outra arma e comecei a atirar com as duas até que o urso parou de se mecher e as balas terminaram. Escutei uma comemoração por parte da plateia, e então me virei para fazer uma reverência à eles. Mais uma vez meu olhar se cruzou com o do Andrew, mas dessa vez ele não virou, e depois de uns segundos eu recuei. Me voltando para o meu braço ensanguentado, rasguei minha camisa de baixo, peguei o kit que tinha na minha mochila e comecei a limpar os cortes com soro fisiológico. Quando terminei de limpar a região, enfaixei. A dor era insuportável, mas eu ainda conseguia mecher o braço, o único problema era escostar no machucado. Do ombro pra baixo ainda estava com sangue, pois eu não podia gastar nem soro e nem água lavando-o, por isso a melhor decisão foi me deixar parecendo algum participante de The Walking Dead. Recarreguei as pistolas, guardei tudo na mochila e segui na trilha para o rio.

Passaram acho que quase meia hora até eu encontar o bendito rio. No caminho minha água tinha acabado, uma abelha me picou, eu torci o pé, achei mais maçãs (glória, elas estavam acabando), matei uma cobra que provavelmente teria me atacado se eu não fosse tão rápida e ainda por cima perdi minha borrachinha, o que significa que eu não podia prender meu cabelo. Ao menos eu tinha chegado inteira no rio, mas vou te contar, senti tantas vezes o cheiro da morte que devia ser meu perfume. 

Larguei minha mochila na beira do rio e tirei meus tênis junto com as meias. Sempre amei ficar embaixo da água, meu tempo normal era de mais de um minuto nadando nas profundesas das piscinas, porém o fato de eu ter enfrentado um urso e aberto meu ombro quase que inteiro não ajudou muito. A água era geladinha, muito boa de verdade, e logo que entrei em contato com ela senti minhas forças voltando, mas quando tentei mergulhar eu senti um ardor no meu ombro capaz de botar meu corpo todo em chamas. Não, eu não cheguei tão longe pra desistir, ja devia ter escutado aquele telão umas 15 vezes, e eu nao ia ser uma delas. Pensei pela primeira vez na Tefy, como ela estava? Até agora eu não vi nenhum telão sobre ela ter saído do teste. E Matias? Isso era nosso sonho, eu sempre quis e ele sempre apoiou. Emma me acharia uma decepção para o clube e Andrew... bem eu não queria passar vergonha na frente dele, ESPECIALMENTE dele, pelo fato de que... bom ele iria me encher o saco a semana toda. Me surpreendi por não pensar na minha mãe, em deixar ela orgulhosa um dia e etc. Eu só queria agradar meus amigos e a mim, a minha verdadeira família eram eles. Essa era a hora, dolor y dolor como diria no Chile. Com um grito forte, eu tentei mergulhar e falhei. Depois tentei de novo e falhei. Na terceira vez, eu desci com muita força e finalmente estava de baixo da água. O ardor tinha diminuido e me acostumei rápido com ele. O rio não era muito fundo, mas muito extenso, e entre nados na superfície da água e no fundo dela, eu ia pelo lado direito do rio. Não sabia exatamente o que eu procurava, até que eu achei gravado na parede do rio um símbolo, não qualquer um, era o símbolo de pi.

- FINALMENTE!

Eu falei, mas embaixo da água deve ter saído só um ruído cheio de bolhas. Subi pegar um pouco de ar e novamente submergi. Graças à quantidade exagerada de livros de aventura que eu lia, a primeira coisa que eu pensei em fazer foi apertar o símbolo, assim ao lado dele surgiu cinco quadradinhos com o numero zero dentro, como num cofre. Tudo fez sentido! Os números da folha são pra colocar aqui, nesses cinco espaços. Cada quadrado tinha uma seta em cima e uma embaixo. Ao clicar na seta de cima o número um aparecia, e se clicar na inferior voltava ao zero. Só precisei fazer os cinco espaços corresponderem à 31415, e então a parede se abriu diante dos meus olhos para um túnel. Eu entrei e a entrada se fechou, me deixando num lugar frio, escuro e agora úmido. Ao menos eu respirava.

Uma tocha acendeu, e assim se sucedeu até que todo o corredor fosse repleto de tochas acesas. Eu já não sentia mais frio, e sim um calor envolvente. Seguia caminhando pelo corredor iluminado, até que ele acabou em uma parede gigante. Um mapa cobria ela por completo, e pode ter certeza que esse mapa era muito melhor que o meu. Nele tinham informações, tipo em cima do rio que eu entrei estava escrito: "rio do segredo" e na cachoeira que eu consegui o pergaminho dizia: "cascata dos estudantes". Comecei a anotar tudo, até uns nomes sem sentidos, tipo em um penhasco gigantesco que ficava perto da montanha que eu escalei para conseguir meu primeiro mapa estava escrito "Grand penhasco". Que coisa ridícula, era tipo o Grand Canyon! Enfim minhas atenções se voltaram para um X vermelho em uma floresta do lado direito do mapa. Não parecia muito longe, eu só precisava nadar até minha mochila, recuperar, e seguir pela margem do rio até ficar de frente pra mata, e aí era só seguir reto toda vida e acharia o X. Provavelmente esse era o segredo tão importante, e é claro que eu anotei tudo. 

Quando eu saí, percebi que já devia ser mais que três horas da tarde, porque o público tinha em massa sumido. Mais algumas poucas pessoas estavam ali, e nossa devia ter um grande motivo para ficarem literalmente seis horas só assistindo isso. Olhando pro pessoal, percebi que Andrew estava entre eles, mas dessa vez não fiquei encarando nem nada. Seria eu o motivo pelo qual ele estava ali? Não, não podia ser, ele só foi legal comigo uma vez, e não fazia diferença mesmo, eu precisava encontrar aquele X. Peguei minha mochila, e fui indo em direção à floresta.

Pouco tempo depois eu ja estava dentro dela, e tecnicamente bem perto de onde eu deveria estar. Segui mais pra frente e escutei um barulho de apito, como se fosse bem na minha frente onde em teoria estaria o X. No telão, o narrador apareceu com sua bela voz falando: 

- UMA A MENOOS! Lily acaba desistindo do teste depois de levar uma surra numa briga com um robô! Até agora ela foi quem mais chegou longe, mas caiu logo no fimzinho! Uma pena Lily, tomara que volte a lutar assim no ano que vem!

Eu consegui ver uma equipe de médicos se movimentando dentro da floresta e recolhendo a pobre Lily do chão. Quando eles partiram com ela, eu voltei a seguir em frente. Para minha certeza (sim eu ja desconfiava disso antes), na minha cara estava parado um homem de uns dois metros vestido como um caminhoneiro, mas a pele dele era diferente, uma espécie de metal reluzente.

- Ah, mais uma garota veio barganhar comigo! - Disse o robô - Tem ofertas?

- Sim senhor, mas já vou lhe avisando que não são ofertas de paz...


Notas Finais


no próximo capítulo o teste acaba eu prometokk
obrigada por ler até aqui :)


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