História Os Lados de Kylo Ren - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Star Wars
Personagens Kylo Ren, Leia Organa, Luke Skywalker, Personagens Originais, Poe Dameron, Rey
Tags Amor, Assassino, Darkside, Kylo Ren, Leia, Lightside, Star Wars
Visualizações 153
Palavras 4.192
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Capítulo 1


Fanfic / Fanfiction Os Lados de Kylo Ren - Capítulo 2 - Capítulo 1

Sentei no chão, sentindo um arrepio devido a parede gelada. Fechei os olhos e me forcei a lembrar de algo pelo que parecia ser a milionésima vez desde que acordei.

A minha mente era um vazio frustrante.

As únicas lembranças que eu tinha eram do meu nome, o rosto de um homem que eu sonho constantemente e sua voz me prometendo que tudo ficaria bem, então ele virava de costas e eu o via partir. Além desses conhecimentos médicos e mecânicos. A minha amnésia era uma prova de que nada tinha ficado bem.

Aquele lugar era uma prisão.
Os stormtroopers me encontraram e trouxeram para cá. Acordei sem saber de nada além do meu nome. Sem família, planeta de origem, sem nada. Fizeram vários testes em mim, perguntaram as mesmas coisas várias vezes. Quando as perguntas não geraram resultados, partiram para a tortura, primeiro psicológica e depois física. Até se darem por satisfeitos e decidirem que eu era irrelevante. Porém, ao invés de me deixarem ir, me colocaram nessa jaula. E isso já faz mais tempo do que posso lembrar. Com refeições básicas duas vezes ao dia.

E um tédio mortal. Tudo o que eu podia fazer era forçar a minha mente a lembrar quem sou e como fui parar desacordada no meio do nada com uma concussão e duas costelas quebradas, além de escoriações por todo o corpo e uma cicatriz grotesca no antebraço.

Ouvi o arrastar da pequena janela de contato da minha cela. Ergui os olhos, atordoada. Há muito tempo eu não via pessoas ou ouvia vozes.

- Ei, garota! – A visibilidade que eu tinha era do capacete de um stormtrooper. Sua voz robótica me assustava.

A última vez que vi um stormtrooper, fui torturada, física e psicologicamente. Então o temor que eu sentia não era totalmente infundado. Me encolhi no canto da cela.

- Eu já disse tudo, não lembro de nada! – Gritei.

Ele ficou parado e depois fechou a janelinha, indo embora. Pelo menos, era o que eu achava, mas a porta se abriu bruscamente e o stormtrooper irrompeu para dentro.

- Levante. – Ordenou com um objeto que eu bem conhecia em mãos. A algema eletrônica.

- Por favor, não me machuq...

- Levante! – Gritou e eu senti meu corpo se retrair.

Fiz o que ele mandou, em silêncio. Ele prendeu meus braços para trás e me encaminhou para o corredor. Outro stormtrooper tomou a responsabilidade de me escoltar.

- Eu já disse que não sei de nada. Por que vão me machucar? – Indaguei, sem tentar lutar contra ele. Eu já tentei antes e não deu certo, apenas ganhei novas escoriações no corpo.

Esse stormtrooper parecia mais amigável, ou melhor, menos rude que o outro. Ele não me empurrava pelo ombro, como o outro. Apenas seguia ao meu lado, com a arma empunhada.

- A senhorita não será machucada, apenas...

A fala do stormtrooper foi interrompida quando ambos visualizamos uma figura imponente à nossa frente. Um homem, usando terno preto e quepe da mesma cor, contrastando com o ruivo de seus cabelos. Um ruivo de tom bem claro, quase loiro. Seus olhos eram de um azul intenso, frios como uma espessa camada de gelo, cruel. Aquele homem não me passava nenhuma tranquilidade, pelo contrário, seu olhar esnobe me deixava inquieta. E eu nunca havia lhe conhecido.

- General Hux. – o Stormtrooper bateu continência.

- Pode voltar aos seus deveres. Deixe que cuido da senhorita Maya. – Falou o general Hux, aparentemente a par da minha miserável existência.

O Stormtrooper se retirou e eu fiquei parada, encarando o homem. Eu queria abraçar meu próprio corpo, como tentativa psicológica de me sentir segura, mas a algema me impedia. O homem fez um gesto para que eu o seguisse. O fiz, com um suspiro. Mesmo que meu instinto de auto preservação não confiasse naquele homem, eu não tinha escolha. Caminhamos por alguns corredores, em silêncio. Até o General parar e se virar para mim.

- Está registrado em seus arquivos que você é uma prisioneira, não identificada, sem memória. – Ele falou, não sei se esperava uma confirmação, mas assenti com a cabeça. – Porém, de acordo com os testes, você possui conhecimentos médicos. Por isso, vai cuidar de alguém. – Falou. Não foi um pedido e sim uma ordem, mesmo assim ele parecia relutante em dizer aquilo. Como se fosse obrigado.

Mas por que eu? Com que finalidade eles iriam atrás de uma prisioneira para fazer atendimentos médicos? Eles deviam ter esse tipo de funcionário, não? Desconfiada, concordei com a cabeça.

- Eu só sei tratar aqueles da minha espécie. – Murmurei.

- Eu sei. – Ele disse, colocando a digital em uma tela para abrir a porta. – Não tente lutar, fugir ou machucá-lo, isto é, se zela por essa sua vidinha indigente.

Dito isso, o homem me libertou das algemas e eu massageei os pulsos, em um gesto quase involuntário. Não sabia se as algemas eram apertadas propositalmente, ou se eles não sabiam que aquilo poderia machucar à longo prazo. O homem me olhou com impaciência e me empurrou para atravessar a porta de metal, que imediatamente se fechou após eu passar por ela, me causando um susto terrível.

Olhei a sala enorme e observei cada detalhe dela. Era toda prateada, com mesas e objetos médicos, além de armários cheios de coisas que eu não sabia o que eram por estar fechado. Caminhei mais para frente, lentamente, para meus sapatos não fazerem barulho no chão. Do lado oposto da sala havia uma figura, deitada, usando roupas pretas e pesadas. Precisei me aproximar bastante para enxergar. Era um homem, deitado em uma maca. Tinha longos cabelos negros e brilhantes. A pele branca contrastava com a cor das suas vestes. Seu rosto tinha traços finos e elegantes, com altivez mesmo desacordado. Seu nariz era fino e longo, lábios espessos e sem cor. No rosto, um corte o marcava do final da testa, passando pelo nariz e acabava na bochecha direita. Não era aparentemente profundo, pois o sangue já estava seco. Notei o sangue escorrendo da sua perna, sujando a maca e começando a pingar no chão.

Apressada, peguei o carrinho auxiliar e abri os armários em busca do que eu precisava. Primeiro, efetuei um corte na sua roupa, para poder expor o ferimento. Era uma espécie de corte e queimadura.

Um insight me atingiu como uma pancada, dei um passo para trás, sem equilíbrio. Uma lembrança. Eu estava de joelhos no chão, meu antebraço sangrava e eu chorava de dor. No chão, bem próximo de onde eu estava, um sabre de luz azul estava no chão. Era vívida, eu podia sentir o sangue escorrer na mão que eu segurava o ferimento. A dor era imensurável.

Quando voltei à realidade, me segurei em um dos armários e recuperei o equilíbrio, respirando fundo. Olhei para o meu antebraço e vi a cicatriz clara que marcava a minha pele. Finalmente havia descoberto sua origem, e ainda assim era pouquíssimo clara. Eu havia me ferido com um sabre. Mas quem faria isso? Quando? Por quê? Onde?

O sangue do homem que escorria no chão me trouxe de volta ao agora. Eu precisava ajudá-lo e não deixar que ele morresse por hemorragia. Sem crise existencial.

Me aproximei e coloquei os dedos indicador e médio no pescoço dele, para sentir sua pulsação. Depois de uma breve contagem, percebi que seus batimentos estavam lentos demais e a palidez na sua pele não era natural, e sim devido à perda de sangue. Ele precisaria de uma transfusão. Amarrei um silicone na sua perna, para reduzir o fluxo sanguíneo próximo ao ferimento. Puxei o carrinho e coloquei algumas coisas sobre ele. Agulha e linha cirúrgicas, líquido de higienização, gaze, e curativo adesivo. O ferimento tinha quatro dedos de comprimento, relativamente pequeno, mas talvez sua profundidade tivesse atingido alguma veia. Rapidamente, limpei a região com o álcool e me assustei quando ele se remexeu quando o líquido tocou a sua ferida. Mas ele não acordou. Então comecei a costurar o ferimento. Levou dez pontos. Depois, cobri o ferimento com um curativo adesivo.

Não havia nenhum lugar com estoque de bolsas de sangue. Então eu precisei fazer a transfusão. Quando acordei com amnésia, não sabia meu tipo sanguíneo mas eles fizeram todo o tipo de teste físico comigo. Inclusive tipagem. E por isso sabia que eu era doadora humana exemplar. Usei um tubo de dupla parte, que o meu sangue iria direto para o dele. Veia na veia.

Puxei uma cadeira e sentei perto dele, naquele fluxo, em três minutos eu já teria dado o suficiente do meu sangue para que ele sobrevivesse. A metade do tempo havia passado quando percebi uma alteração na respiração dele. Seu rosto se contorceu com dor. E como alguém que sofre constantemente do mesmo mal, eu sabia que ele estava tendo um pesadelo. Fiquei em dúvida se o acordava, mas conforme eu pensava, mais seu pesadelo piorava. E como ninguém me acordava na minha cela, eu sempre acordava aos gritos. Por alguma razão, eu não queria deixar que ele também passasse por isso. Então levantei, sem desconectar o fio e segurei seus ombros e o chacoalhei. Vi seus olhos abrirem e tive pouco tempo para reconhecer a cor deles, e arquejei de surpresa quando ele levantou, agarrou meus ombros, me virou e apertou seu braço em volta do meu pescoço, tudo isso em uma fração de segundos. Durante a movimentação brusca, ele acabou puxando o tubo por onde meu sangue passava e gritei quando a agulha que estava em mim, rasgou a minha pele. Tentei me mover e lutar contra ele, mas cada vez que eu me mexia seu aperto ficava mais intenso, e eu parei quando quase não conseguia respirar. Ele era alto, mais alto que eu, talvez por isso, o aperto tenha sido certeiro. O sangue escorria pelo meu braço mas a parte do tubo que estava presa nele, não se soltou.

- Quem é você? – Perguntou pausadamente. Não sabia se a pausa era por que ele tinha dificuldade em respirar ou se ele queria ser assustador. De toda forma a sua voz grave me deixou em estado de alerta e pânico.

Eu não consegui responder, pois seu aperto era cada vez mais forte. Comecei a ter dificuldades em respirar e a minha cabeça estava a pulsar, parecendo que iria explodir. Ergui as mãos como rendição, mas ele não me libertou.

Naquele instante, senti que era o fim. Eu ia morrer, e o pior de tudo, eu não saberia a minha origem, se tinha uma família que se preocupava, se eu tinha alguma importância na vida de alguém. Eu era nada. Ninguém.

De repente, ele soltou-me. Caí de joelhos no chão, puxando com todas as forças o ar para dentro. As minhas forças estavam voltando ao meu corpo. Respirar, concentre-se em respirar. Virei para ver o rosto dele e a crueldade estampada ali me fez rastejar para longe o máximo que pude, até minhas costas baterem no armário.

- Eu fiz uma pergunta! – Gritou e eu estremeci.

- Eu... Eu só estava... Cuidando do seu... Machucado. – Falei, ainda ofegante.

- Não foi o que eu perguntei! Quem é você?! – Gritou novamente, seu movimento brusco na minha direção fez seu cabelo desgrenhar e o tornar ainda mais assustador.

- Maya! – Respondi imediatamente.

- E o que mais? – A sua voz reduziu umas oitavas. Mas isso não o fez menos assustador.

- É tudo o que sei, eu juro! Pergunte ao General Hux. – Argumentei quando o vi seu olhar fulminante sobre mim. – Por favor não m...

Não pude terminar a frase pois uma dor excruciante atingiu minha cabeça. Parecia que estacas de ferro eram empurradas contra o meu cérebro. A dor era maior que qualquer coisa que eu já havia sentido antes. Segurei minha cabeça, sentindo as lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas e sangue saindo das minhas narinas. Quando olhei para o homem, seu olhar furioso me dizia que ele era o responsável por me causar dor.

- Pare, Ben! – Foi a minha última súplica.

A última imagem que meus olhos viram, foi a expressão estupefata no rosto dele. Fechei os olhos e me entreguei à dor que eu achei que levaria a minha vida.

Eu acordei, mas ao perceber que não estava na minha cela, não abri os olhos. A lembrança do que houve antes de eu apagar veio como uma enchente e o meu instinto de sobrevivência começou a gritar dentro de mim. Tentei abrir os olhos, mas eu não tinha forças para tal.

- Eu tentei acessar a mente dela por meio da Força e eu não consegui! – Era ele, sua voz grave estava distante mas ainda assim, eu o ouvia com clareza. Parecia exasperado e irritado.

- Eu já lhe disse, Kylo Ren, ela é apenas uma indigente. Tem amnésia. – Aquela voz com um tom natural de deboche só podia ser o General Hux.

- Eu tentei invadir a mente dela! Eu precisei usar muito da Força e mesmo assim não consegui ler a mente dela! Era como se fosse bloqueado! – Ele havia parado de gritar, mas eu quase tinha certeza que ele falava entre dentes. Um alto barulho de metais batendo reverberou no ambiente em que estávamos. – E o pior, ela me chamou por aquele nome! Como ela saberia? Você contou a ela?

Passos no chão. Silêncio.

- Mas é claro que não! Não seja imbecil. – A voz do General Hux invadiu o ambiente, realmente irritado. – Você pode ter deixado essa informação vazar quando tentou tão avidamente acessar a mente dela! Você vasculhou tudo não é? Não há nada na memória dessa infeliz. Volte para seja lá quais são os seus afazeres. Já dei um sonífero a ela, e mande a de volta à prisão. Ou mate-a de uma vez! Você está ocupando meu tempo. – General Hux concluiu furioso e eu ouvi passos. Senti meu corpo aos poucos perdendo a lucidez.

- Não... – Foi a voz sussurrada do outro. – E se ela for...

Perdi a consciência.

Quando acordei, olhei em volta e percebi que não estava na minha cela. Eu estava em uma cama macia e quente, vestindo um vestido longo de dormir. Parecia um quarto, que não era meu.

Levantei assustada, olhando para aquele cômodo que era amplo, limpo. Os móveis tinham a mesma cor de metal prateado, mas alguns detalhes eram brancos.

Andei pelo quarto, olhando tudo. Tentando entender como fui parar ali e por quê. Passei a mão pelos objetos que estavam em cima de um armário. Ouvi o barulho da porta abrindo e saltei para trás assustada. Agarrei o primeiro objeto que senti sob meus dedos e posicionei acima do ombro, em posição de ataque.

Era ele. Ele era alto, bem mais que eu. Esguio, apesar dos ombros largos denunciarem seus músculos escondidos sob camadas de um tecido preto. Seu nariz era longo e imponente, seus lábios eram cheios e rosados. À distância que estávamos, eu não era capaz de ver seus olhos. A ferida no rosto tinha melhorado consideravelmente. Talvez deixasse uma cicatriz.

- Quem é você? Por quê eu estou aqui? – Indaguei. Ele deu dois passos para frente. – Fique longe de mim! – Gritei.

Ele parou e ergueu ambas as mãos, como sinal de rendição.

- Está certo. – Sua voz grave ressoou e mesmo assim não me sentia segura.

- O que você quer comigo? – Indaguei arqueando uma sobrancelha.

- Conversar.

- Quem é você?

- Me chamo Kylo Ren. – Falou. Lembrava da conversa que ouvi semi consciente, e Hux o chamou daquele jeito.

- O que eu estou fazendo aqui? – A minha voz felizmente não falhou, entregando meu medo. – Por quê não me deixam ir?

- Você foi encontrada em um lugar suspeito.

- Mas eu já disse tudo o que sei! Você mesmo fez questão de vasculhar até o meu cérebro! – Apontei para a minha própria cabeça.

- Oh, isso... – Falou com desdém. – Não foi nada.

- Você quase me matou!

- Isso foi porque você estava invadindo o espaço de um homem vulnerável. – Respondeu como se aquilo fosse razão suficiente.

- Você quase me matou duas vezes em questão de minutos. Aquilo não é ser vulnerável. – Falei. Ele deu ombros.

- Quero saber de onde você veio. – Falou, assustadoramente sério.

- É serio? – Falei ironicamente. – Quando descobrir algo me avisa, por que eu também quero saber.

- Você não tem nenhum zelo pela sua vida, garota? – Gritou, eu saltei com o susto.

Não demonstrar medo, não demonstrar medo. Ergui o queixo, para desafiá-lo.

- Eu não tenho nada a perder. Não tenho família, não tenho lembranças, não tenho vida. – Falei, olhando bem nos olhos dele. Ele se aproximou mais alguns passos, e eu vi uma faísca de surpresa nos seus olhos castanhos quase verdes.

- Você vai soltar esse objeto, e me seguir. – Falou, olhando bem nos meus olhos.

- Não. Se quiser me convencer, não vai ser com uma ordem. – Protestei, balançando a cabeça.

- Mas que...? – Agora sim ele parecia genuinamente surpreso, quase como se não acreditasse nas minhas palavras. Avançou contra mim e sua mão enluvada agarrou meu antebraço. – Se eu não posso usar A Força, eu uso a força primitiva.

Ele me puxou consigo, me arrastando para fora do quarto através de corredores até uma outra sala. No caminho, fiquei me debatendo e gritando para que ele me soltasse. Ele só me soltou quando chegamos à sala de testes, que era o que parecia, devido a disposição de mesas, macas, equipamentos e cadeiras espalhados pelo cômodo. Ele me empurrou com força e trancou a porta enquanto eu me desequilibrava e me segurava na mesa.

- Eu não me importo com a sua vida inútil, ok? – Gritou, passando a mão no cabelo.

- Então que merda você quer comigo? – Exclamei de volta, sentindo uma vontade absurda de bater nele.

- De alguma forma, você é imune à força. E se eu conseguir extrair isso de você, talvez eu possa criar um escudo para mim.

- Eu não quero. – Falei, cruzando os braços.

- Eu não perguntei se você quer. Você é uma prisioneira indigente. Não tem escolha. – Falou, totalmente presunçoso.

Eu gostaria de poder fazê-lo sentir fisicamente o efeito do meu olhar fulminante, mas infelizmente eu não era poderosa como ele. Mordi o lábio inferior para conter a raiva estremecedora que eu estava daquele babaca.

- Eu ainda não confio em você. – Ele falou em tom quase pensativo.

- E eu ainda não vou com a sua cara. – Falei, ironicamente, imitando seu tom. Ele me fuzilou com o olhar.

- Posso apostar que está aqui infiltrada pela resistência. – Murmurou.

- Eu nem sei que merda são essas pessoas de quem tanto falam. – Bufei, irritada com aquele assunto repetitivo. Durante as torturas, quando os troopers me interrogavam, eles falavam constantemente sobre esses rebeldes.

- A Resistência é um grupo de perturbadores da paz que querem acabar com a democracia. – Kylo Ren falou como se fosse uma resposta pronta que ele já tinha dado milhares de vezes.

- Deixe-me adivinhar... – Coloquei a mão no queixo. – Você é o escolhido para restaurar a paz. – Falei lentamente, fazendo um gesto com a mão como se essas palavras estivessem escritas na ar. Tinha certa ironia na minha voz.

- Por quê está falando desse jeito? – Ele indagou, muito, muito desconfiado. Sua mão estava na cintura.

- Está escrito na sua testa, toda essa arrogância e prepotência deve ter alguma razão. – Falei, cerrando os olhos. O observei fechar os punhos como se tentasse conter a raiva.

Permanecemos vários minutos em silêncio. Apenas olhando para os olhos do outro, esperando um movimento, uma palavra. E ele foi responsável por romper aquele momento.

- Você me chamou de um nome antes de desmaiar, lembra? – Indagou.

Eu realmente não lembrava, mas fechei os olhos e forcei a mim mesma a lembrar. Lembrava muito mais da dor massacrante do meu cérebro do que das minhas súplicas para que ele parasse. Foi como uma voz na minha cabeça, um estalo. Ben.

- Eu te chamei de Ben. – Sussurrei, abrindo os olhos e percebi seus olhos me analisando. – Eu não entendo porque. Foi como um flash na minha cabeça. Seu nome é Kylo Ren, então...

- Ben é o meu antigo nome. – Falou de uma vez. – E você sabe disso, por isso eu só vou perguntar uma vez. Como descobriu isso?

- Eu já disse, na hora da dor, isso veio na minha cabeça. – Falei.

- Nunca, jamais me chame de Ben. – Ordenou.

- Ok, Ben. – Sussurrei tendo noção do sorriso petulante no meu rosto.

Ele deu passos rápidos e ficou muito perto. Com a mão direita ele segurou meu rosto com força, seus dedos apertando a minha mandíbula. E aquilo doeu muito. Mas eu não reclamei, eu não me debati, e não chorei. Havia prometido a mim mesma que não demonstraria medo. Por isso, tudo o que fiz foi erguer o queixo para poder sustentar seu olhar, sem vacilar.

- É melhor não tentar me desobedecer, garota. Se eu descobrir algo sobre você estar com os rebeldes, eu te mato. E não vai ser rápido e indolor. – Sussurrou, apertando ainda mais meu rosto.

Ele me fez deitar em uma maca e prendeu meus braços e pernas com braçadeiras de couro. Na minha cabeça ele colocou uma espécie de coroa, mas era apenas uma tira metálica, com pequenos pinos que entrava em contato com a minha cabeça.

- Por quê eu sinto que isso não vai ser bom? – Falei, totalmente privada de movimento.

- Abra a boca. – Ordenou.

- Não, o que você va... – Tentei argumentar mas ele aproveitou para empurrar um pedaço de silicone entre os meus dentes.

- Vou enviar impulsos elétricos para o seu cérebro e tentar desativar o dispositivo de bloqueio que eu acho que tem aí. Vamos torcer para o dispositivo não ser explosivo, se não você pode perder a cabeça. – Explicou se afastando de mim.

Ele ia me eletrocutar?! E a minha cabeça poderia explodir?! Tentei gritar mas a borracha não me permitiu emitir nada além de murmúrios. Tentei me debater e soltar as ferramentas que me prendiam. O vi alcançar a alavanca e mantive contato visual, percebi quase um divertimento no seu olhar. Então ele ligou.

Fechei os olhos, sentindo a corrente passar pelo meu corpo, estremecendo cada célula do meu corpo. Era horrível, doído e pareceu que eu fiquei ali por muito tempo. Tempo demais para sobreviver.

Então o choque parou. Mas o meu corpo permaneceu dormente. Meu coração estava tão acelerado que reverberava no meu ouvido, na minha garganta.

- Veja pelo lado bom, seu cérebro não explodiu. – Falou, sorrindo enquanto soltava meus braços e pernas.

Quando tentei levantar, percebi que as palmas das minhas mãos estavam sangrando. Durante o choque, eu cerrei os punhos com tanta força que as minhas unhas se cravaram na minha pele.

- Agora eu vou tentar usar A Força para ler a sua mente. – Falou.

- Fique longe de mim! – Gritei, o empurrando pelo peito. Gemi de dor quando as feridas na palma da minha mão roçaram na roupa dele.

Bufei, e virei as costas para sair. Quando apertei o botão para abri-la, ela abriu um palmo e parou.

- Me deixa em paz! E abre essa porta! – Gritei, virando a cabeça para olhar Ben/Kylo por cima do ombro.

Ele começou a caminhar na minha direção e eu rodopiei nos calcanhares para ficar de frente para ele. Ben me alcançou e segurou meu pescoço com a mão, e empurrou até a minha cabeça encostar na porta.

- Eu vou descobrir os seus segredos. – Sussurrou tão perto que eu tinha certeza que ele ouvia meu coração bater acelerado. – E vou fazer qualquer coisa para extrair essa sua imunidade à força. Entendeu? – Falou ameaçadoramente. Não respondi. – Entendeu?

- Sim. – Murmurei pois era a única forma que o seu aperto me permitia falar.

Eu sentia tanta fúria nas minhas veias que eu gostaria de esmurrar aquele rosto. Segurei o pulso dele e puxei sua mão. Ele me soltou, não pelo meu esforço, que foi totalmente em vão, mas sim quando quis. Ele fez um gesto com a mão, os dedos indicador e médio erguidos e a porta se abriu, fazendo com que eu, até então apoiada nela, cambaleasse para trás.

Bufei, sustentei seu olhar por alguns segundos e me virei para sair.

- Amanhã, tentaremos algo novo, você não vai escapar de mim. – Falou atrás de mim. Me virei e o encarei, não acreditando naquelas palavras.

- Por quê você está tão insistente em me machucar?! Eu salvei a sua vida, coisa que essa maldita Força não fez. Fechei sua ferida, e te dei o meu sangue! E essa é a gratidão que demonstra? – Gritei, sentindo a minha garganta arder. Eu não gostava de jogar coisas na cara das pessoas, mas o prazer que senti ao ver o choque no rosto dele, por apenas dois segundos, não podia ser descrito.

Suspirei, satisfeita por ter gritado e dei as costas a ele, partindo para algum lugar longe de Ben, ou Kylo, ou que quer ele fosse.

Aquela era a primeira vez, desde que me lembro, que sentia algo tão cru como aquilo sob a minha pele, que ardia, queimava.

O mais puro e simples ódio.



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