História Os Lados de Kylo Ren - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Star Wars
Personagens Kylo Ren, Leia Organa, Luke Skywalker, Personagens Originais, Poe Dameron, Rey
Tags Amor, Assassino, Darkside, Kylo Ren, Leia, Lightside, Star Wars
Visualizações 13
Palavras 2.312
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Capítulo 2


Fanfic / Fanfiction Os Lados de Kylo Ren - Capítulo 3 - Capítulo 2

Ninguém me levou de volta à cela. Pelo contrário, dois troopers me acompanharam de volta ao quarto que eu havia acordado e Ben/Kylo me tirou. Nada foi dito.

Aparentemente aquele era o meu quarto agora.

Kylo não voltou no dia seguinte. Nem no próximo. Nem na outra semana. Nem nas outras semanas.

No dia seguinte ao meu turbulento encontro com Kylo, stormtroopers me levaram a uma sala, com o recado de que eu deveria trabalhar para ter alimento. Mal eles sabiam que eu trabalharia até de graça, qualquer coisa para acabar com meu ócio infeliz naquele quarto. Me deixaram no que parecia ser uma sala para feridos da Primeira Ordem. Eu tinha que executar as funções medicinais em humanos, assim como outros indivíduos de outras espécies, que cuidavam de suas respectivas espécies. Eles não gostavam de falar muito durante o trabalho, mas era inevitável no refeitório, lugar onde aconteciam as refeições durante os intervalos que tínhamos no dia.

No meu quarto dia, eu ouvi a fofoca do momento. A Primeira Ordem havia sofrido um ataque da Resistência, com muitas baixas, por isso as nossas salas de trabalho estavam cheias. Cortes, queimaduras e amputações, eram as principais coisas pelas quais eu passava no meu ofício.

Ouvi inclusive falarem (secretamente) de Kylo Ren. Falaram que ele era louco e agressivo, totalmente mimado (coisas que eu já sabia), e que ele nunca chegaria aos pés do Lorde Sith Darth Vader, que eu não sabia quem era. Então me explicaram brevemente  vida de Darth Vader, antes de ser Sith era aprendiz Jedi e atendia por Anakin Skywalker, e Kylo era seu neto tentando continuar o seu legado. Eles não me explicaram muito, já que o nosso intervalo era muito curto e devíamos comer em vez de conversar. Todos levamos bronca quando os troopers nos viram conversar, por isso nosso tempo de intervalo foi reduzido a metade e ficou estritamente proibida a conversa, sob risco de voltar para a prisão (coisa que ninguém queria). Logo, depois desse fato, ocorrido no meu oitavo dia na função, ninguém mais falou, e eu não soube mais detalhes de Kylo e seu avô.

Quase um mês desde o meu primeiro encontro, Kylo apareceu novamente. Dessa vez ele não parecia arrogante, só cansado. A sua perna estava curada e o corte no seu rosto estava quase totalmente cicatrizado. Ele entrou na sala onde eu trabalhava e fez um gesto com a mão para me chamar. Deixei o que eu estava fazendo e o alcancei na porta.

- Me acompanhe. – Falou. Eu fui pois soou como um pedido não uma ordem, como ele sempre falava.

- Você não apareceu para me torturar. – Falei ironicamente enquanto andávamos pelo corredor.

- Eu estive estudando. – Respondeu. – Busquei todas as informações possíveis, em todos os lugares. Arquivos Sith, Livros Jedi, do Império Galáctico, e todos os registros que pude encontrar. Não há nada sobre imunidade à força. É... – Ele buscou uma palavra. Parou bem no lugar e me encarou nos olhos. – Intrigante.

O ódio que eu havia sentido dele há um mês, agora não parecia nada, apenas a lembrança de um sentimento passageiro. E eu podia barganhar, a minha liberdade, a minha chance de criar memórias e de recomeçar a minha vida. Se eu pudesse fazer algo por isso, eu faria.

- Olhe só, isso parece importante para você. – Suspirei. Cruzei os braços sem olhar nos olhos dele. – Eu vou ajudar você. Vamos fazer esses testes e estudos. Agora, se isso for apenas um defeito de DNA, e não for nada, você me deixa partir. Caso contrário, faremos o que você achar melhor. – Propus, fechando os olhos. Eu esperava que não fosse nada. Eu estava arriscando tudo, caso houvesse realmente um grande mistério por trás disso, eu estaria ferrada.

Encarei os olhos dele e percebi naquele tom castanho, um misto de surpresa e incredulidade.

- Por quê? – Indagou.

- Tenho certeza que esse meu problema não é nada demais. Além disso, eu quero ser livre. Se esse é o preço a pagar, então o farei. – Falei, erguendo o queixo.

Ele pareceu ponderar a minha proposta, mas ele não tinha muita escolha, já que ele aceitava minha sugestão e eu iria de boa vontade ou não aceitava e eu relutaria o máximo possível. Por isso fiquei impaciente com aquela demora.

- Certo. – Respondeu com um breve aceno de cabeça. Olhei brevemente para seus olhos e percebi aquele tom castanho esverdeado envolto em incredulidade.

Ficamos alguns segundos em silêncio. Era inacreditável estar na presença dele. Como se uma aura escura e pavorosa nos envolvesse, deixando o ar mais denso, sufocando-me. Eu não era capaz de olhar para os olhos dele pois eu não sabia o que poderia encontrar lá. Era estranho, como se o meu instinto de autopreservação me ordenasse para ficar longe, mas por alguma outra razão eu ainda estava lá.

- Eu preciso voltar ao trabalho. – Murmurei sem entender a necessidade de explicar. Virei de costas e, sem esperar uma resposta, voltei pelo caminho por onde vim.

No dia seguinte, Kylo apareceu durante a tarde e me tirou do meu trabalho para irmos à sala de testes. Em silêncio, o acompanhei até o local onde ele me ameaçou e quase me matou, um mês antes. Não deixei me abalar pela lembrança da sua ameaça que realmente me assustou, o importante era não demonstrar.

Kylo sempre usava vestes pretas, normalmente longas e pesadas, e luvas. Mas a roupa de hoje era um pouco diferente da de ontem ou a de um mês atrás. Parece mais leve que as outras, apesar de cobrir totalmente seu corpo e ainda ser preta. Seus cabelos ainda estavam desgrenhados mas pareciam um pouco mais arrumados para trás.

Não conversamos nada além do que era necessário, sobre os testes, equipamentos e resultados.

Primeiro ele me colocou um fone infrassônico que calculava o alcance da minha mente e comparava com a capacidade de penetração da Força. Infelizmente (ou felizmente) os cálculos não deram em nada.

O segundo equipamento foi um scanner corporal, que era uma máquina onde eu entrei, e ela media o nível de qualquer coisa que esteja humanamente anormal no meu corpo.

O terceiro, foi um equipamento que realmente me assustou. Era um tubo de vidro cheio de água, onde eu teria que entrar e ficar lá para trabalhar a minha memória. Kylo me deixou em uma sala para vestir a roupa adequada para mergulhar, mesmo que eu estivesse incerta sobre fazer aquilo, assustada, eu vesti a roupa. Ainda fiz uma trança para evitar que o meu cabelo ficasse disperso pela água.

Quando voltei à sala de testes, Kylo mexia nas máquinas e a água já estava quase cheia.

- Eu não sei nadar. – Soltei tão inesperadamente que ele me encarou sem compreender nos primeiros segundos. Depois ele se recompôs e me encarou desleixado.

- Você não precisa nadar. Vai ficar em pé, respirando através da máscara. A água vai ajudar você a se concentrar nas suas memórias, como se o seu corpo não existisse, ok? – Ele explicou rapidamente. Apenas assenti e peguei a máscara da sua mão.
Subi a plataforma e aguardei enquanto ela descia lentamente, submergindo meu corpo de acordo com o comando de Kylo no aparelho. Ele parou quando a água estava na altura da minha barriga.

- Coloque a máscara. A porta vai se fechar acima de você para ficar em completo silêncio, então se quiser sair, mantenha a calma. A máscara só disponibiliza certa quantidade de oxigênio por segundo, caso fique nervosa, pode desestabilizar e você vai sentir falta de ar. Então, acima de tudo, mantenha a calma! – Ordenou e eu assenti.

Coloquei a máscara e controlei a respiração enquanto meu corpo ficava totalmente submerso.

Após alguns minutos para me adaptar e confiar na máscara de oxigênio, eu fechei os olhos.

Concentre-se no passado. Concentre-se na sua vida. Tentei me concentrar em qualquer coisa antes do homem de feições paternais. Pensei em uma família, idealizei um lar e parentes. Mas lembranças não vieram. E me forcei ao máximo.

Infelizmente perdi a concentração quando senti a temperatura da água baixando drasticamente. Olhei para Kylo Ren que era apenas um borrão do outro lado do vidro e água que nos separavam.

Pedi a mim mesma que ficasse calma. Talvez fosse parte do procedimento. Respirei devagar.

A água ficou insuportavelmente gelada. Bati no vidro e fiz um gesto para que ele aumentasse a temperatura. Não sei se ele compreendeu, pois permaneceu imóvel. Bati no vidro com mais força. A água começava a doer, deixando as pontas dos meus dedos dormentes. Bati com as duas mãos no vidro e gritei para que ele me tirasse dali. Gritei tanto que a minha garganta ardia e minha mão estava começando a doer do esforço que eu fiz, batendo no vidro. A água continuava gelando, e a minha pele passava do estado de dormência para o de ardor. Eu já não conseguia respirar pois a minha calma havia se esvanecido, e a máscara não dava o suporte necessário.

Vi o vulto de Kylo se aproximar e uma rachadura se fez no vidro. Fechei os olhos pois era impossível mantê-los abertos naquela situação. Meus ossos doíam como se agulhas estivessem os perfurando. Então senti o vidro da cápsula onde eu estava ceder. Meu corpo foi levado junto com a água, e de repente eu era segurada por Kylo Ren.

- Frio... – Falei com o queixo e o corpo tremendo. Pedaços do vidro estavam espalhados pelo chão junto com a água.

Kylo me deixou no chão enquanto corria para o canto da sala. Voltou com cobertas e toalhas. Colocou os tecidos em volta de mim. Melhorou um pouco, mas eu ainda sentia ao meus ossos doerem. Me encolhi desesperadamente e agarrei os panos que me cobriam.

Então, inesperadamente, Kylo me carregou. Ele me colocou em seus braços e seu calor humano veio a calhar. O abracei e ele esfregou as mãos no tecido que me envolvia para o atrito gerar calor. Então ele me colocou sentada ao lado de uma máquina muito quente. Fechei os olhos e deixei o calor me aquecer por longos segundos, até eu me sentir viva novamente. Até eu ter certeza que o meu coração bombeava sangue para cada parte do meu corpo e meus ossos estavam inteiros e sólidos.

Depois de quase uma hora em silêncio, abri os olhos e vi Kylo sentado à minha frente, a poucos metros de distância. Ele estava sério, e me encarava. Tinha os cotovelos apoiados nos joelhos e o queixo apoiado nas mãos unidas.

- Se você quer me matar, faça isso de uma vez. – Eu disse calmamente, sem forças para gritar. Meu queixo ainda tremia sutilmente.

- Eu não fiz aquilo. – Ele respondeu inexpressivo.

- Então como a água ficou absurdamente fria? – Eu elevei a voz.

- Eu pretendo descobrir. – Ele respondeu, agora com a expressão irritada.

- Quem além de você faria isso? – Eu Indaguei. Ele arrumou os cabelos. – Você já tentou me matar duas vezes e me ameaçou muitas mais.

- Eu já disse que não fui eu! – Ele Gritou, com o rosto avermelhando. – Eu já disse que quando sou eu, não tenho problemas em admitir. Então se fosse para te matar, eu já o teria feito! – Gritou, e se pôs de pé.

Fiquei sem palavras pois ele tinha razão. Kylo estava certo e eu estava sendo uma cretina. Ele caminhou em direção a porta e antes que ele saísse, eu disse:

- Obrigado. – Eu não tinha certeza se ele ouviu, mas o fato de ter ficado parado alguns segundos, com a porta aberta, me confirmou.

Então a porta se fechou e eu fiquei sozinha, sentindo uma vontade enorme de chorar. Mas eu não chorei, eu havia prometido a mim mesma não derrubar nenhuma lágrima em vão, apesar de que quase morrer de hipotermia, é um motivo bastante válido.

O dia que sucedeu o acontecimento gelado foi incomum. Eu trabalhei na área de atendimento, como havia feito nos últimos dias, apesar de notar que o número de feridos diminuiu consideravelmente. Kylo Ren não apareceu para mais pesquisas, o que me deu um longo tempo ocioso no meu quarto.

E dentro daquele quarto, que era uma lata de metal, não tinha absolutamente nada para fazer, além de dormir e pensar.

Pensar virou uma tortura nas minhas longas tardes tediosas.

Será que Kylo Ren tinha razão em haver algo errado comigo? Eu era imune à Força e isso é quase inexistente em toda a galáxia, a não ser que eu seja relacionada a um... Não. Claro que não. O meu passado vazio atormentava minha cabeça desde o momento em que eu acordava, e era o meu último pensamento antes de dormir. E nesse meio período eu ainda tinha tempo de pensar em Kylo Ren, e em seus olhos esverdeados que eu tive a impressão de mostrar um pouco de preocupação quando eu quase morri congelada. Eu tinha quase certeza que ele se preocupou genuinamente comigo. Mas a parte racional de mim, dizia que ele só se preocupou pois se eu morresse, ele não teria como extrair a imunidade de mim. No entanto, alguma parte de mim criou uma fagulha de esperança sobre ele me olhar genuinamente. E, excepcionalmente, foi com isso que fui dormir naquela noite.

Durante a madrugada, acordei sentindo calor. Muito calor. Me descobri do lençol. Assim que abri os olhos, tomei um susto, não de medo, mas pela surpresa de ver Kylo parado ao lado da minha cama. Seus olhos pareciam reluzir na penumbra do quarto. Não tive reação nenhuma. Não me movi, nem gritei. Apenas o encarei para perceber que ele não tinha nenhum tipo de olhar assassino, apenas me analisava com curiosidade. Ele se curvou sobre mim e eu fechei os olhos, sentindo o calor que emanava dele.

Assim que abri os olhos novamente, Kylo Ren havia sumido e eu era apenas a imbecil que sonhava com ele.



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