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História Os Lordes e as Órfãs (reescrevendo) - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Quem sabe (Suika)


Karin e Naruto tinham uma forte relação desde criança. A ruiva estava acostumada com a presença do primo e do lorde Uchiha desde que os seus pais mudaram-se para as terras do lorde Uzumaki Minato. 

A ruiva não gostou deixar sua antiga casa e amigas. Começar do zero. Seus pais estavam sempre ocupados com bailes e jantares de negócios. Se não fosse a bondade da tia Kushima, Karin continuaria tendo aulas no jardim de sua nova casa, sozinha. 

A ruiva passou a dividir seu tempo entre as aulas de etiqueta, e os passeios com seu primo e Sasuke. Quando ganhou alguma influência na cidade, seus pais passaram a lhe levar nos bailes. E sua mãe apresentou-lhe as filhas de suas amigas. Mulheres igualmente poderosas na sociedade. Tudo não passava de uma troca de benefícios. Elas lhe davam o que ela queria, e em troca Kaila dava o que elas queriam.  

Sara Yakabane era a segunda filha do oficial do exército da cidade. E Shion Tagumi era a primogénita do chefe das forças policiais. E Karin era a filha do juíz da cidade, prima de Uzumaki Naruto, e primeira afilhada do lorde Minato e da lady Kushima. 

Nesse momento, as três damas da sociedade encontravam-se no quarto da Uzumaki na mansão de Naruto. Sara observava as pessoas que circulavam livremente pelo jardim. Especificamente, uma certa azulada de olhos perolados. 

A órfã deslizava o papel colorido sob a mesa de vidro até a direção de Sai, o mordomo do lorde. Os olhos críticos do mordomo analisaram a ideia da azulada. Num movimento simples e delicado voltou a deslizar o pedaço de papel até às mãos de Hinata com um sorriso no rosto. Sara sabia o que aquele sorriso significava, "a proposta foi aceita, e será imediatamente executada." 

— Eu ouvi rumores, mas pensei que não passavam de simples rumores infundados. — olhou mais uma vez na mulher sentada numa das mesas de vidro ao lado de Sai — Mas agora vejo que é realmente alarmante. Sai a trata como sua senhora. 

Mordeu o lábio inferior frustrada. Não era só o seu orgulho que tinha sido ferido, seus sentimentos também. 

— Ele gosta dela? — indagou esperançosa para a ruiva. Esperando ouvir um não.

— Não sei. — respondeu. — Também não me interessei em saber. 

— E ela...gosta dele? — pelas peças de roupa que trajava, e os sapatos que usava podia ser outra coisa — Ou do seu dinheiro e estatuto? 

— Também não sei dizer. Minha mãe me proibiu de se aproximar delas. Não sei dizer suas reais intenções. 

— Como não Karin. Estamos falando da segurança e futuro do teu primo, e da tua família. — elevou um pouco o tom de voz, e tinha que admitir que foi desagradável. Tinha que controlar os nervos. 

Karin deu de ombros e voltou a leitura de sua revista. Naruto era um homem adulto, e por mais que não mostrasse, ele também era maduro — tudo graças ao treinamento que recebeu dos seus tutores e da família Hyuuga. Se ele quisesse ser enganado por uma vigarista, seria por sua livre e espontânea vontade — pelo menos ele tem dinheiro para isso. Todavia, ela pessoalmente, não aprovava uma relação de trocas de favores, "dinheiro e estatuto, em troca de sexo". Não seria diferente de uma amante, embora que essa não recebe um boa estatuto. 

— O que a tua mãe pensa em fazer sobre o assunto? — a morena recebeu a revista das mãos da amiga, cobrando por atenção. 

— A minha mãe não acredita muito nesses rumores. Ela acha que é apenas um mal passageiro. E que em breve será eliminado. 

— Compreendo. — a resposta acalmou seu coração — Ela não acredita que seja duradouro. Lorde Uzumaki não a ama realmente. 

— Como eu disse Sara, eu não sei. 

E se dependesse de Karin, preferia continuar na ignorância. Seu primo podia ser bastante assustador quando provocado. 

Por exemplo, sua mãe manipulou, subornou e com as mais frágeis ameaçou para que dessem um tratamento frio e cruel para as órfãs. 

No primeiro dia que pisou na mansão, os servos a trataram de modo respeitoso, com saudações cordiais e sorrisos amigáveis. No dia seguinte, e durante a ausência do lorde, todos evitavam a azulada. Não escutavam suas ordens, o que prolongou o trabalho. 

Sai não era burro — embora ele desse a entender que sim. O mordomo entendeu o esquema e artimanha de sua mãe. Ele tinha mais autoridade do que Kaila, e podia pôr todos no seu lugar. Foi escolhido para servir os interesses do lorde — e o lorde queria o bem-estar da órfã e suas irmãs. 

O moreno deixou que o jogo dos servos continuasse até a chegada do amo. Naruto manteve o sorriso impecável na frente de Hinata, mas quando a perolada partiu, repreensões e punições não faltaram. 

Hoje, todos sorriam e cooperavam com Hinata. Contudo, todos já estavam a par dos planos do lorde. Todos serão substituídos sem exceção para outros deveres. 

— Talvez devas me apresentar a elas Karin — sugeriu Sara — conversaria com ela, e descobriria seu plano. 

— Eu não sou a pessoa indicada para o papel. — lembrou do primeiro contato que teve, e dos olhares que recebeu das duas loiras — Aliás eu acho que não vais conseguir enganar duas delas. 

A castanha saiu do quarto com o pretexto de que precisava de ar. Karin olhou para Shion que olhava para um canto indiferente. Ela também estava entediada. 

— Ouvi por alto que o lorde Uchiha está na cidade. — a loira pigarreou para chamar a atenção da ruiva, mas Karin estava atenta. — É verdade? 

— Sim. Mas não fique muito alegre. Ele não veio para ficar. Sasuke esteve aqui ontem, visitar o meu primo. 

— E a tua mãe? 

— Ficou radiante. Acho que ela estava cansada de não fazer nada quanto ao seu plano. 

— E você? Também estavas entediada? 

— Não. — relaxou os músculos na cama macia, olhando para o teto — Sasuke é um pouco imaturo as vezes. 

— Como assim? 

— Ele pensa em abrir um bordel na cidade. — revirou os olhos vermelhos. — Sasuke ainda não está preparado para um relacionamento sério. 

— Já esperava que dissesses isso. Para você Sasuke nunca está pronto para um relacionamento sério. — era sempre a mesma coisa, quando tocava no assunto Uchiha. E não seria ela a aprofundar — Mudando de assunto. Não devemos ir ver como está a Sara? Ela saiu daqui zangada. 

— Daqui a pouco. — falou entediada. Afinal, qual é o problema dela? Sara no princípio sempre se gabou das opções de sua mãe. — A segunda opção da mãe dela, não é um lorde das terras do Sul? 

— Sim. — e a sua mãe tinha como segunda opção o primogénito dos Sabaku. Mas não era isso que incomodava Sara. — Sei que é difícil de acreditar, mas ela gosta mesmo do teu primo. Então, vê-lo interessado noutra, ou rejeitando seus sentimentos é doloroso. Um dia vais entender.  

Karin sabia que o laço que unia sua mãe com as de suas amigas, não passava de um simples trato. O verdadeiro motivo por detrás era "aproximar e casar suas filhas com os homens mais poderosos de toda cidade, ou seja, os lordes." Kaila sempre lhe disse que seu destino estava traçado ao lado do Uchiha. Cresceram juntos, é o melhor amigo do seu primo, e ela era uma das poucas mulheres que ele respeitava.

Mas será que seu destino estava ligado ao do Uchiha? A vida é perita em supreender as pessoas. 

— Quem sabe? Talvez passe por isso.

Levantou da cama atrás da amiga, mas Sara já tinha partido. 

[•••]

Há anos que não dormia numa cama macia como aquela, aliás Suigetsu podia dizer que nunca dormiu numa cama como aquela. Dormiu despreocupado, mas sabia que não podia baixar a guarda, ou relaxar demais. Se fosse apanhado na cama do duque, e com a duquesa Hatake, seria um homem duplamente morto. 

O rapaz retirou alguns fios ruivos do rosto esbelto da duquesa. 

— Fique quieto! — a voz firme e autoritária da nobre roubaram uma risada do Hozuki. Mei Terumi Hatake adquiriu com o tempo, o jeito mandão do marido. — Eu disse que não precisas de te preocupar. Meu marido está fora da cidade, levantando o vestido de uma vadia qualquer. 

— A sério? — levantou uma sobrancelha e sorriu malicioso — Com uma rainha logo aqui. Deixe-o e fique com quem te venera. 

— Até que podia considerar essa hipótese. — assim teria o dobro do prazer ao ver a cara de desgosto de Kakashi. Não só levaria a fama de corno, mas também seria deixado pelo amante. Uma sensação maravilhosa, mas… — Tenho de descartar. Ele é o cara que nos sustenta. 

Prendeu o cabelo num rabo de cavalo. Vestiu seu robe e levantou da cama. O quarto estava uma confusão. 

"Que saudades de vê-lo assim." Pensou. Seu marido também parecia insaciável a sua pessoa quando o conheceu. Rasgava todos os corpetes com a promessa de que compraria um novo. Mas depois, o canalha tinha que se revelar. Agora tudo não passava de lembranças. 

Olhou para o rapaz de cabelo grisalho, assim como o seu marido. Eles tinham um trato ontem. Agora, dizia para deixar um duque. 

— Pensei que fosse algo sem compromisso, nem sentimentos envolvidos. 

— Um cara não pode mais se apaixonar? 

Galanteador como sempre. Suigetsu derretia o coração de muitas mulheres, dizendo o que elas querem ouvir. O grisalho tinha como alvo, nobres viúvas, ou nobres que estavam num relacionamento de fachada — maridos ausentes, mulherengos — essas eram as mais fáceis de conquistar. Mulheres a procura de alguém que as compreenda, que diga que são sempre a melhor, e o melhor ainda, mulheres aventureiras como Mei, que desejam dar o troco no parceiro. 

Suigetsu levantou da cama, e procurou por suas roupas espalhadas. Não tinha nenhum pudor a frente da duquesa. A ousadia do Hozuki se igualava a sua beleza e sedução. 

— Podes comer aqui. Como eu disse meu marido não está na cidade. E é aborrecido comer sozinha.

— Talvez noutra altura. Se eu ficar mais tempo, seus servos podem lhe prejudicar. — acrescentou sarcástico — Não quero que tenhas problemas com quem nos sustenta.  

— Dúvido. — seu marido esconderia sua traição por questão de orgulho ferido. — Eu dispensei a maioria dos empregados. As únicas que podem circular pela mansão, são as minhas aias, e elas são fiéis a mim. 

— Parece ótimo. Espero a sua próxima carta. 

— O seu mensageiro é alguém confiável? 

— Como eu disse. — depois de vestido. Andou até a ruiva e depositou um beijo nos seus lábios — Não farei nada que a prejudique. Mas a minha proposta de fuga ainda está de pé. 

— Ah! A propósito. Quero que deixes de prestar teus serviços a baronesa. — simples, direta e autoritária como o marido. Mei envolveu seus braços no pescoço do homem a sua frente.

Não era a primeira vez que observava o comportamento egocêntrico das nobres quanto a sua pessoa. 

— Estás com ciúmes? 

— Um pouquinho. Fere o meu orgulho. Eu posso dar jóias, tesouros mais razoáveis e agradáveis do que ela. O marido é o quê um barão? Tem uma ou duas fazendas. Meu marido tem muito mais poder e riquezas. Está na hora de pensares em grande. Eu posso te oferecer um emprego aqui.

— E dar uma brecha para o teu marido me açoitar até a morte?

É um risco que não queria correr. Seu irmão contou-lhe uma história de alguém na mesma situação que eles. A nobre ofereceu um trabalho, para ficar mais próximo dela. O problema é que o indivíduo assinou um contrato com o dono das terras. Manguetsu diz que o cara sofreu durante semanas. "Meu maior medo, é a tua imprudência Suigetsu." 

Seu irmão podia ficar descansado que ele não queria arriscar, e sofrer da fúria dos maridos de suas clientes. Se ele aceitasse a proposta da Mei, seu grupo não o ajudaria no futuro. Ele preferia trabalhar e depois dá o fora. 

— Meu pai deixou uma herança. Uma casa numa outra cidade. Posso colocar-te como responsável das minhas terras. Cuidar das plantações e outras coisas. 

— Pensarei no assunto.

— Pense bem.

Suigetsu saiu pelas traseiras da propriedade, e adentrou nos bosques da cidade. Teria de andar muito até a sua residência, mas era o melhor. 

Suigetsu tinha 10 anos e Manguetsu 15 quando perderam seus pais, vítimas de uma peste que assolou a região. Sempre foram pobres. Seus pais trabalhavam na fazenda de um nobre que cortou qualquer vínculo com eles. 

Não tinham casa, comida, nem roupas. Parecia tudo perdido, até que encontraram uma mulher bondosa. Laila era a amante de um falecido oficial do exército. A mulher abrigou vários órfãos na sua casa durante anos. Com eles não foi diferente. Suigetsu considerava aquela mulher como uma segunda mãe. Deu-lhes roupas, comidas e um sítio para viver. 

Infelizmente, Laila faleceu e deixou sua propriedade para Kisame, o primeiro órfão que acolheu, em vez de suas filhas, que queriam vender a casa. Agora, cada um arranjava uma forma de se virar. Alguns eram acompanhantes de luxo, outros bandidos. E quem não possuía idade suficiente — 20 anos — era sustentado por outros. Suigetsu sempre tirava uma parcela do seu dinheiro para dar para Haku. Zabuza assumiu a tutela do rapaz, mas ele também contribuía como pode. 

— Suigetsu! 

Não estava nem no meio do caminho, quando avistou Manguetsu correndo na sua direção. Seu irmão sempre foi super protetor com ele. O que era chato, porque ele já era adulto, para ter seu irmão a sua trás. 

— Onde estavas? — ignorou os resmungos, e deu um abraço nele. — Fiquei preocupado. Não voltaste para casa. 

Verdade. Eles estavam juntos na festa do nobre. 

— A duquesa convidou-me para passar a noite com ela. 

— Estás maluco. — exausperou-se — E se alguém descobriu? Se o duque descobre, vai te perseguir até a morte. Achas que eu quero ver meu irmãozinho morto, ou preso sendo torturado?

— Calma! Eu entrei pelas traseiras, e ela dispensou os servos. 

— Mesmo assim, tome cuidado, por favor. Vamos para casa, Kisame quer falar conosco. 

Durante o caminho, Suigetsu pensou na proposta de Mei. Um emprego fixo e quase decente, longe da vida que levava. Talvez se pedisse para a nobre, poderia levar seu irmão, e viveria descansado. 

— O que estás a pensar? — indagou Manguetsu. 

— No que a duquesa propôs. Ela disse que me daria um emprego na propriedade da família dela. Uma herança do pai.

— Suigetsu…

— Antes de criticar, pense bem irmão. Se aceitar, poderemos sair dessa vida. Ter um novo lugar para viver. E quem sabe, podes pensar em formar uma família. Começaremos um negócio nosso. 

— E você? — Suigetsu ainda não compreendia, o que Manguetsu queria realmente proteger e cuidar. Ele teria que abdicar de muitas coisas. — E a Tayuya? Aceitar essa oferta significa que passas a ser o amante da duquesa. Tayuya aceitará? E a duquesa, será que ela, não te quer só para ela? 

Tocou no calcanhar de Aquiles do grisalho. Ninguém estava imune do amor. A menção do nome da ruiva trouxe um sentimento de mágoa no Hozuki. 

— Não importa… — mordeu o lábio inferior com força — Ela tem nojo de mim. Nunca mais quer ver minha cara. 

— Ela descobriu? — perguntou surpreso. 

— Estou acostumado que me deixem quando descobrem sobre — queria dizer emprego, mas retificou — a forma que escolhi para sobreviver nesse mundo. 

— Eu disse que não precisavas entrar nessa vida. Eu daria um jeito de sustentar nós dois. 

— Vamos deixar para lá. Quanto menos esperarmos, vamos conseguir juntar dinheiro suficiente para dar um fora daqui. E começar do zero. 

— E como pensas arranjar um emprego decente na sociedade? 

— Vamos para outra cidade. Abriremos um negócio nosso. 

— É um sonho bonito irmãozinho. Talvez encontres a tal. 

— Talvez. — deu de ombro. Não queria pensar nisso tão cedo. — Quem sabe? 


Notas Finais


Se a Kaila vai chorar com o final Sasuhina, imagina quando descobrir sobre a nova escolha da filha.


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