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História Os mortos caminham - Capítulo 4


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Capítulo 4 - O Dia De Amanha


Fanfic / Fanfiction Os mortos caminham - Capítulo 4 - O Dia De Amanha

Alguns anos no futuro - Prisão 

Meus olhos seguiam o garoto baixinho de cabelos quase louros e porte físico definido. A garota rosada ao lado dele fechou o portão principal antes de ajeitar as estacas que seguravam os errantes moribundos, o cheiro daquilo deve ser um horror. Suspirei pesadamente enquanto jogava o pano amarelo nos ombros. Lucas sempre esteve ocupado, é do conselho, eu já esperava por isso quando ele veio me contar...Ele e Ângelo estão sempre por ai ajudando Jayson a liderar, mesmo quando anunciaram a aposentadoria eles continuaram ajudando fazendo parte do conselho 

— Lyan, Jayson ta chamando. - Uma voz extremamente fina chegou aos meus ouvidos. 

Virei o rosto apenas um pouco, o suficiente para conseguir fitar a garota morena ao lado de uma baixinha extremamente ruiva. Certo, Jay querendo falar comigo ? Tem merda ai. Temos dois conselhos por aqui, sendo um deles específico para guerras, lutas contra outro grupos em geral...Basicamente, um grupo de pessoas especialistas em combate, cada um especializado em uma área, sendo corpo-a-corpo, armas em geral, armadilhas, estratégias de combate e por ai vai. 

Suspirei pesadamente: 

— Ele só me chama quando precisa reunir a guerrilha, Lucas acabou de sair com Clary, aquele arrombado faz parte dos dois conselhos, não podemos iniciar uma reunião sem ele. - Sim, estou com preguiça de ir, então qualquer desculpa ao meu alcance eu usarei. — Apesar de que mesmo ele sendo importante, duvido que ele participe, a namorada está grávida, o moleque não vai se envolver em lutas.  - A última parte falei apenas para mim mesmo. 

Lizzie, melhor amiga de Laryssa, olhou para mim com aquele semblante sério de sempre. Lizzie e seu irmão foram os primeiros a integrar o grupo do Jayson, os quatro passaram por muita coisa perigosa para conseguirem formar a família que são hoje....Inclusive, eu fui um dos que tentaram derrubar eles, por sorte acabei perdendo a guerra e Jay me colocou no grupo deles. Devo muito a esses caras. 

— Boa tentativa Lyan, mas vamos te levar nem que seja arrastado. - As mãos pequenas na cintura fez eu me lembrar de uma certa pessoa. Meus lábios repuxaram-se em um sorriso meio bobo, mas logo o desfiz quando as duas me pegaram pelo braço e entrelaçaram as mãos nas minhas. — É, pelo jeito vão me arrastar. - Falei com a voz baixa enquanto revirava os olhos 

Laryssa riu e Lizzie apenas deu um leve soquinho em meu ombro com a mão livre. Sou bem próximo dessas duas. As vejo como minhas irmãzinhas mais novas, daria minha vida por elas sem pensar duas vezes, algo relativamente possível nesse mundo de merda...Apenas deixei elas me levaram para a salinha do nosso líder. Atravessamos por algumas celas vazias, os corredores ensaguentados me deixavam meio desconfortável, mas logo afastava os pensamentos, afinal, essa prisão é nossa casa agora, e sinceramente, é o melhor que conseguimos em anos. 

Jayson ficava na torre de vigia do norte, a primeira no caso. Lá ele conseguia ter uma visão ampla tanto da prisão, quanto de fora da mesma. É um bom lugar para o líder ficar, meio óbvio, mas um bom lugar. Subimos as escadas e assim que chegamos, Jay apareceu na portinhola de entrada da cabine 

—  Certo....Lizzie, Lyan, Lary....Lucas saiu com Clary. Cade o Ângelo ? Eu não pedi para buscarem ele ? - Os olhos castanhos de Jay correram pela gente e só foram parar quando bateram em um certo azulado ofegante. 

— Desculpe a demora, eu estava com Júlia, ela estava com ânsia, precisei dar uma olhada. - O rapaz entrou na sala falando sobre a grávida da prisão, abri um sorriso de canto. 

A gente acabou virando uma grande família, juntamos os grupos e começamos a viver juntos...Foi uma boa escolha. Jay assentiu para Ângie e sentou na sua poltrona colocando as armas antes em sua cintura, na mesa. Apenas observei calado esperando o pronunciamento. Lary foi para o lado do namorado e Lizzie permaneceu segurando minhas mãos, parecia meio nervosa já que quase nunca reunimos a guerrilha. O azulado parecia igual. A sala ficou uns 5 segundos quieta

— Bom, esta faltando Lucas, mas tudo bem. Temos a maioria dos chefes de esquadrão. Reuni vocês porque Felipe achou um posto avançado a alguns metros daqui, infelizmente ele não conseguiu definir com exatidão a distância e nem quantos tem lá dentro....Fel estava sozinho, seria arriscado demais caso ele se aproximasse muito. - As mãos grandes de Jay pousaram sob um mapa em cima da mesa logo ao lado de sua glock. 

— Posto avançado ? Significa que quem quer que sejam, possuem uma base principal. Provavelmente possuem muitas pessoas para conseguirem montar um posto avançado, nem mesmo nós temos o suficiente para termos algo assim. - A ruivinha, vulgo primeira dama, pronunciou-se com uma voz preocupada. 

Senti Lizzie apertando minhas mãos, ela deve estar impaciente. Cocei a cabeça com a mão livre indicando inquietação, então Jay olhou para mim como se desse permissão para eu falar. 

— Bom, ainda não fomos atacados. Estamos aqui a alguns meses, nada de suspeito apareceu por perto fora os mortos, não acho que sejam uma ameaça, se fossem já estariam em nossas portas, ou pelo menos mandado alguns homens para investigar. A prisão é enorme, chama atenção pra caralho, ainda mais com esses nojentos aglomerando-se nas cercas, só pelo fato de não terem pegado a prisão como base principal já descarta o interesse deles na gente. 

— Acho que não Lyan. - Todos olhamos para o azulado encostado na porta de braços cruzados. Os óculos do rapaz escorregavam pelo nariz, os dedos finos logo tratavam de voltar o objeto ao devido lugar. — Talvez já saibam de nós, mas como a gente, não possuem informação suficiente para fazerem algo. Vir investigar é algo irracional, visto as torres enormes tanto do lado norte, quanto do sul. Jay fica aqui de vigia quase 24 horas por dia, seria fácil dele ver algo incomum na mata. - Ângie abriu os olhos e aproximou-se da mesa. — Seguindo o mapa, a base deles fica mais ou menos aqui. - Ele apontou para um fio azul, provavelmente indicava um córrego, servia como divisor para o outro lado da floresta. 

Jayson afundou no estofado da poltrona com a mão no queixo. — Estamos separados pelo córrego. Quase nunca atravessamos, apenas para caçar ou buscar ervas medicinais...É uma surpresa Fel ter atravessado mesmo eu tendo mandado ele apenas coletar algumas ervas. - Os olhos cansados de Jay mostrava sua preocupação. Depois de tudo que passamos, todos estamos cansados e só queremos um pouco de paz. Lary encaixou-se entre as penas do moreno na poltrona e pegou uma caneta na gavetinha. Vantagens de ser pequena, cabe em todo lugar. 

— Estamos seguros, além do córrego nos separar, eles não devem saber da nossa presença. Como Ângelo disse, da pra ver tudo pelas torres de vigia, se não vimos nada ate agora, é porque não estão interessados na prisão. Reunimos vocês apenas para deixarmos avisados, tenham cuidado quando saírem por ai. Evitem atravessar o córrego ou andar perto dele. Se esses caras forem espertos, vão manter vigias na '' fronteira ''. Vamos ter cuidado extra, reduzir as expedições por suprimento e controlar os errantes nas cercas com mais rapidez. - 

Lizzie depois de muito tempo quieta, decidiu falar. 

— Podemos transferir as expedições para o esquadrão do Lyan, limitar as buscas para eles. São furtivos, rápidos, sabem como se camuflar na mata. Pelo menos  são os mais velozes daqui, coisas que meu esquadrão faz em dias o do Lyan faz em horas, ate minutos. Posso colocar meus garotos nas torres, deixar as 4 torres de vigia ocupadas, teríamos visão na frente e atrás. - Lizzie me surpreendeu, eu poderia esperar algo assim de Ângelo, que é praticamente uma mini Laryssa com pinto no meio das pernas ao invés de....Bom, vocês sabem. 

Liz sempre foi uma moreninha arredia, prefere mil vezes um bom tiroteio ao invés de pensar em estratégias, exatamente por isso Jay colocou ela no comando dos atiradores do grupo. Desenvolvemos essa coisa de esquadrões com base na nossa experiência de vida nesse inferno, quando era eu o inimigo, esse grupo era uma bagunça, ate mesmo Laryssa ia pra porrada e isso acabou dando ruim porque eu conseguia facilmente descobrir a fraqueza de cada um....Infelizmente, ou felizmente, eles conseguiram acabar comigo, no caso Jayson, esse arrombado sempre foi um monstro. 

— Consegue dar conta ? - Jay indagou meio duvidoso enquanto olhava para mim por cima dos ombros da ruivinha sentada na frente dele. 

Levei a mão livre para trás da cabeça e cocei a nuca meio preguiçosamente. Sempre fui preguiçoso, apesar da velocidade. Devo medir em torno de 1,75....Meio alto para liderar o grupo de infiltração e furtividade. Quando era criança, vivia roubando para sobreviver, então tenho experiência nessas coisas de correr e se esconder, acabei com vários policias da minha cidade por conta disso. Meu peso deve variar entre 45 e 50KG, então sou bem leve, ajuda na hora de movimentar. Meus cabelos loiros feito o sol arrepiam-se formando um moicano meio desajeitado, alguns fios caiam para o lado, mas o topete mal feito mantinha-se no lugar. Minha pele clara feito a neve e meus olhos verdes são herança da minha mãe, meio complicado na hora de se esconder na mata, graças a deus consigo sempre dar um jeito na hora do vamos ver, pelo menos nunca decepciono.

— Acho que sim. - Falei meio cansado 

Nosso líder estreitou os olhos meio nervoso. 

— Não posso depender de achismos Lyan, preciso do seu esquadrão nisso. São os sentinelas, se passarem por vocês na linha de frente seremos pego desprevenidos. 

Lizzie me deu vários tapas no braço antes de pedir desculpas por mim 

— Conhecem ele, é preguiçoso, mas faz o serviço. 

Ângelo riu da cena junto de Lary, ambos rindo discretamente de mim apanhando. Eu falo, esses dois parecem mãe e filho, Lucas é a cópia de Jayson também....O mundo é algo engraçado, o grupo desses moleques parece muito com a gente quando jovens. 

— Certo, certo. Beleza chefia, pode contar comigo - Falei enquanto batia uma continência meio sem jeito. 

Jay assentiu satisfeito antes de envolver Laryssa para poder pegar a caneta das mãos finas dela. 

— Esquadrão da Lizzie, atiradores: Vocês nas 4 torres vigiando, tanto faz os turnos, apenas quero olhos na frente e atrás da prisão ate sabermos mais sobre esse posto avançado. Esquadrão do Lyan, sentinelas: Quero uma linha de defesa dentro da mata protegendo os portões, qualquer movimento suspeito ataquem, e separem-se em dois grupos, vamos precisar de vocês nas expedições. Esquadrão do Ângelo, armadilhas. Espalhem todo tipo de armadilhas pela floresta, inclusive perto do córrego, deem preferência para os sentinelas, armem em lugares que os ajudem caso precisem entrar em combate. - As ordens vinham como se fosse uma avalanche, quando chegaram as minhas eu logo assenti. 

Certo, encaixar meus sentinelas em lugares chaves dentro da mata. Preciso cobrir a prisão inteira, vai ser meio complicado já que vou precisar dividir meu esquadrão em dois para poder manda-los nas expedições....Eu dou um jeito, sempre dei. Lizzie também assentiu com aqueles olhos delicados determinados, essa garota vai dar apoio caso precisemos. Pelo jeito os três esquadrões vão precisar trabalhar juntos nessa, vai ser moleza. 

— Precisamos da Sabrina nessa, com você cuidando de dois esquadrões vamos ficar desfocados. Precisamos da sua atenção inteira no grupo dos médicos, sabe quando a roxa volta ? Já esta muito tempo fora. - Dava para perceber a preocupação de ambos com a roxinha só pela voz dele e o olhar da ruiva. 

Sabrina Turner saiu em missão a vários meses atrás. Jayson a mandou atrás de Daniel a 4 meses atrás, ainda não recebemos notícias nenhuma. Sah sabe se cuidar, sabemos disso, mas é sempre bom ter notícias pelo menos alguma vez a cada 2 meses, ao menos assim poderíamos trabalhar mais sossegados. 

— Eu confio nela Jayson, logo menos ela volta. Enquanto isso eu consigo dar conta de 2 esquadrões, pode relaxar. - O sorriso mais doce desse apocalipse fez-se presente mais uma vez. Jayson Stuart é o cara mais sortudo dessa vida, tomar no cu. 

— Nesse caso, preciso de maletas médicas em cada torre, algumas espalhadas pela mata para poder auxiliar os sentinelas e de vistoria medica para os lutadores, mesmo eles não precisando já que estão de fora da operação. É sempre bom estar de olho nesses idiotas, ainda mais com Lucas os comandando, são um bando de retardados que só querem saber de brigas. Enfim, as ordens são essas. Dispensados. 

                                                                                    ___________________

 

Atualmente - 4 anos atrás - Arredores de King County 

Finquei a faca na cabeça do desgraçado com toda minha força. O som asqueroso da cabeça desfalecendo me deixou extremamente enjoado....Quanto tempo nessa merda ? Meses ? Semanas ? Perdi a noção do tempo completamente, apenas sigo em frente sem saber para onde. Quando se sobrevive sozinho as chances de enlouquecer são enormes, ficar sozinho nesse inferno é pior do que ser transformado nessas aberrações. O sangue avermelhado espirrou quando retirei a faca do crânio podre, o corpo do andarilho caiu feito merda no chão. A mandíbula carcomida quebrou-se assim que o corpo entrou em contato com o asfalto quente

Fiquei dentro da floresta por semanas, só consegui sobreviver porque haviam frutas por perto. As folhas das árvores grandes serviam de filtro para a água da chuva, consegui coletar bastante, tirando as pequenas cavernas que eu usei de abrigo....Por sorte as fogueiras ficavam pequenas, quase não chamavam atenção, deu para me manter aquecido ao menos. Limpei a lamina da faca com a manga da camisa rasgada. Meu estado esta bem parecido com o dessas criaturas, ainda mais agora que o sangue desse último espirrou em mim. Minha pele quase escura deixa em evidência os arranhões dos galhos pontudos por toda parte.

Meu nome é Edson, não acho necessário falar meu sobrenome, afinal, não somos ninguém nesse mundo caótico. Agora sou apenas um sobrevivente de merda andando por ai sozinho, a única coisa que me mantém vivo é a promessa que fiz para minha mãe antes de deixa-la para morrer meses atrás - ou semanas, tanto faz essa porra, estou na merda mesmo. Meus óculos azuis marinho escorregaram para a ponta do nariz meio arrebitado, logo tratei de ajusta-lo em meus olhos negros como a noite, herança do meu pai também falecido. Minha pele quase negra veio da minha mãe, pelo menos algo dela ficou comigo além das lembranças. Bom, contar do passado agora não fara diferença alguma, vamos apenas seguir em frente com isso. 

Tenho 17 anos, cresci nas ruas, então consigo me virar bem nos punhos, mas minha paixão mesmo são as armas. Minha família é basicamente militar, então sempre tive muito contato com armas de fogo variadas....Eu iria entrar pra Policia quando completasse 18 ano que vem, mas ai essa merda inteira aconteceu. Graças a isso consegui sobreviver ate aqui. 

Atravessei a rua vazia enquanto olhava para os lados. Nada. Literalmente nada. Senti minha barriga roncar e suspirei. Deveria ter pego algumas frutas pelo menos....Senti o vento gelado atingir-me com força, preciso achar alguma blusa urgente. A luz da lua iluminava meu caminho, mesmo não sendo lá essas coisas eu conseguia enxergar as coisas na minha frente. Quando fui virar a esquina senti cheiro de fumaça, e pelo jeito é de fogueira....Girei minha adaga entre os dedos antes de arma-la na frente do rosto. Preciso estar preparado caso seja surpreendido. Comecei a seguir o cheiro lentamente, cada passo uma pausa leve para poder prestar atenção no caminho 

Tem alguém na cidade, isso é certeza. Vou lutar ou fugir ? Eis a questão. 

 

CONTINUA..... 

 

 

 

 



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