História Os números do Amor - Capítulo 5


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Notas do Autor


Sorry, sorry por não ter postado ontem. Na verdade o capítulo ia sair na segunda, mas me prendi lendo um livro que só parei quando terminei de ler e ontem passei o dia fora de casa e quando cheguei nem olhei pro notebook, sorry. Mas cá estou com um capítulo mais cotidiano...
boa leitura o/
ps: obrigada pelos comentários e favoritos ♥

Capítulo 5 - Plano de aula


~ 5 ~

Destruir. Derrotar. Despistar.

Natsu examinou a silhueta vestida de negro de seu parceiro de treino em busca de fraquezas que pudesse explorar. Aquele instante, no calor do enfrentamento, era o único em que liberava os instintos mais básicos e egoístas que passava os dias combatendo. E era bom pra caralho.

Por mais que se esforçasse para negar, no fundo, era igual a seu pai. Tinha herdado sua maldade. Ele avançou e partiu para um golpe na cabeça. Quando a espada de seu parceiro de treino subiu para bloquear o golpe, Natsu buscou um impulso extra para arquear a arma para baixo. A ponta da espada acertou a lateral do corpo do oponente. Contato claro. Fim do confronto.

Eles se cumprimentaram com uma reverência e largaram as espadas no chão azul acolchoado antes de se ajoelhar. Natsu detestava aquela parte do treino, não porque significa que tinha chegado ao fim, mas porque era hora de tirar a armadura e voltar à vida normal. Naquilo residia a beleza do equipamento. Era capaz de transformar uma pessoa em alguém completamente diferente. De camiseta ele era uma coisa. Com uma armadura preta e o rosto escondido atrás de uma grade de metal ameaçadora, outra. Em seu conjunto, os apetrechos pesavam uns quinze quilos, mas ele sempre se sentia mais leve quando os usava. Ao remover as camadas de proteção, o ar frio tocou sua pele e a realidade retornou com tudo. Pensamentos pesados se empilhavam como tijolos, transportando-o ao seu estado habitual, de alguém que carrega um fardo. Responsabilidades e obrigações. Contas. Famílias. Um emprego diurno. Outro noturno.

Depois que a aula foi oficialmente encerrada, Natsu guardou seu equipamento na prateleira da parede dos fundos. O vestiário era dos mais apertados, com um monte de caras aglomerados, então ele foi se trocar no corredor. Não mostraria nada que metade das mulheres da Califórnia já não tivesse visto.

Duas estudantes deram risadinhas e entraram correndo no vestiário feminino. Ele revirou os olhos enquanto vestia a calça jeans por cima da cueca. Natsu Dragneel: prestando serviços a metade das mulheres da Califórnia e agora a mais duas garotas.

- Isso deve nos render meia dúzia de alunas novas na semana que vem - disse Gray, seu primo e parceiro de treino.

- Vou deixar para você a tarefa de ensinar os movimentos de ataque para elas - Natsu falou enquanto pegava uma camiseta amarrotada do avesso na mochila e a desvirava.

- Elas vão se decepcionar.

- Sei… - Ele vestiu a camiseta, tentando em vão ignorar o reflexo contrastante dos dois no espelho da parede.

Um monte de garotas preferia Gray. Com seus cabelos curtos negros e tatuagens cobrindo os braços e o pescoço, parecia um traficante asiático, um yakuza, só faltava raspar a cabeça.

Olhando para ele, ninguém adivinharia que trabalhava no restaurante da família para pagar a faculdade de administração. Natsu, por outro lado, era a imagem do bom moço.

O que não era nenhum problema — afinal, pagava suas contas —, mas com o tempo a reação das pessoas tinha se tornado maçante. Bom, a não ser pela reação de certa economista. A atração que Lucy sentia por ele era óbvia, mas ela não o olhava como um pedaço de carne com uma etiqueta de preço. Lucy o encarava como se não existisse mais ninguém. Era impossível esquecer a maneira como o beijara depois que ele conquistara sua confiança, a maneira como se derretera toda e…

Quando Natsu se deu conta do rumo que seus pensamentos tomavam, forçou-se a cair na real. Ela era uma cliente, e tinha lá seus problemas. Não era certo pensar em trabalho naqueles termos.

- Se aparecerem alunas novas, pode deixar que me encarrego de ensinar tudinho. Não ligo - ofereceu Lyon, irmão mais novo de Gray. Ele ainda estava de uniforme, praticando ataques em projeção diante do espelho num ritmo acelerado e constante, como uma máquina.

Gray revirou os olhos. - Ele nunca liga. Nem quando se jogam em cima dele. Você precisava ver a última. Chamou o cara para jantar e ele respondeu: ‘Não, obrigado, já comi’. ‘Uma sobremesa então?’ ‘Não como açúcar depois da aula.’ ‘Um café?’ ‘Me tira o sono, preciso trabalhar amanhã cedo.’”

Natsu não conseguiu segurar o riso. Lyon lembrava um pouco Lucy. Gray jogou suas armas com força numa caixa e falou: - Bom treino. Está tendo um dia ruim?

Natsu deu de ombros. - Nada fora do comum. - Ele deveria se sentir grato. E se sentia. Tudo ficaria bem se deixasse de querer de volta tudo o que havia ficado para trás. Não se arrependia de ter perdido sua antiga vida; faria aquilo de novo, caso fosse necessário, mas o desejo não ia embora. Na verdade, estava piorando. Porque ele era um maldito egoísta. Como o pai.

- Como está sua mãe? – perguntou Gray.

Ele passou a mão pelos cabelos. - Bem, acho. Disse que está gostando dos remédios novos.

- Que bom, cara. - Gray apertou seu ombro. - Você deveria comemorar. Vamos na sexta. Tem um lugar novo em San Francisco chamado 212 Fahrenheit.

Parecia uma boa ideia, e uma onda de empolgação o percorreu. Fazia um tempão que não saía sem uma cliente.

A lembrança o fez soltar o ar com força. - Não posso. Tenho um compromisso.

- O quê? - Os olhos de Gray acusavam sua curiosidade. - Ou melhor, com quem? Você nunca está livre nas sextas. Por acaso tem uma namorada secreta que está com medo de apresentar?

Ele riu por dentro da ideia de levar uma cliente para conhecer sua família. Jamais aconteceria. - Não. E você?

Gray deu risada. - Você conhece minha mãe. Espantaria qualquer garota.

Com um sorriso, Natsu apanhou a mochila e se encaminhou para a porta da frente da academia, passando por Lyon, que continuava praticando seus movimentos, sem diminuir o ritmo. - Veja pelo lado bom. Se alguma garota conhecer sua mãe e não fugir, você vai saber que encontrou alguém para a vida inteira.

Gray, que vinha atrás dele, respondeu: - Não, isso só vai significar que tenho duas mulheres osso duro de roer na minha vida, em vez de uma.

Eles se despediram de Lyon com um aceno. Como de costume, ele estava concentrado demais para responder.

No estacionamento, Gray montou em sua Ducati preta, vestiu a jaqueta de motoqueiro e segurou o capacete antes de dar uma boa encarada em Natsu.

- Não ligo se seu lance for homem, tá? Tipo, eu não teria problema nenhum com isso. Só para você saber. Não precisa esconder nada de mim.

Natsu tossiu e ajeitou a alça da mochila no ombro. Uma onda de calor desconfortável subia por seu pescoço e se instalava nas orelhas. - Valeu.

Era o que acontecia com quem guardava segredos. As pessoas tiravam suas próprias conclusões. Não tinha nenhuma dúvida de que sua família aceitaria aquilo mais facilmente do que a verdade. Ninguém sabia sobre seu trabalho de acompanhante, nem sobre as contas que precisavam ser pagas. E Natsu pretendia manter as coisas daquele jeito.

Ele respirou fundo. O ar cheirava a fumaça de escapamento e asfalto. Natsu se sentia ao mesmo tempo tocado pela demonstração de tolerância de Gray e simplesmente cansado. - Obrigado, mas não é o caso. Só ando… saindo com… um monte de gente. Mas ninguém que eu possa levar para casa. - De jeito nenhum. - Ninguém especial.

Ele quis retirar o que disse no mesmo instante. Não achava certo incluir Lucy naquela categoria.

- Então me faz o favor de falar isso pra sua mãe e suas irmãs. Elas vivem fofocando a respeito com a minha mãe e a minha irmã, que me enchem de perguntas. Sendo bem sincero, é meio vergonhoso dizer que não sei onde é que você está. - Gray chutou uma pedrinha no chão com uma expressão pensativa.

Natsu imaginou que estava relembrando os tempos em que sabiam tudo um do outro. As mães deles eram muito unidas — moravam a duas quadras de distância e tiveram filhos no mesmo ano. Como resultado, Natsu e Gray eram como irmãos. Ou costumavam ser.

Natsu esfregou a nuca. - Sei que tenho sido um primo de merda. Desculpa por isso.

- Você teve que encarar uma porrada de coisas. - Gray abriu um sorriso compreensivo. - Primeiro com o babaca do seu pai e todos os processos, depois a saúde da sua mãe. Mas agora está tudo melhorando, não? A gente precisa voltar a se aproximar. As noites de sexta são boas para mim porque não preciso trabalhar nem ir pra aula no sábado. Essa sua ‘ninguém especial’ pode fazer companhia à minha. Se estiver a fim, é só falar. - Gray ligou a moto, colocou o capacete e saiu.

Depois que seu primo virou a esquina, Natsu abriu a porta do carro e jogou a mochila no assento do passageiro. As coisas estavam, sim, melhorando, mas ele não poderia sair com Gray tão cedo, pelo menos não enquanto transava com uma mulher diferente a cada sexta. Bom, não seria o caso nas próximas três semanas. Elas seriam dedicadas às aulas de sexo de Lucy. Ele jamais pensou em fazer o papel oposto na fantasia do aluno e da professora, mas era obrigado a admitir que aquilo o excitava mais do que esperava.

Sabia que estava brincando com fogo, mas mal podia esperar pela chegada da sexta-feira.

~...~

Quando a sexta-feira chegou, Lucy estava em pânico. Não conseguia parar de batucar os dedos na mesa do restaurante enquanto esperava Natsu. Havia providenciado o encontro pelo aplicativo da agência, com a mesma praticidade com que compraria uma passagem de avião, mas sem o programa de fidelidade. Ela recebera o e-mail de confirmação, sua única garantia de que o encontro ainda estava de pé. Era impossível não temer que Natsu tivesse mudado de ideia.

Lucy gostaria de ter o número do celular dele, mas Natsu não devia passa-lo às clientes. Era pessoal demais. Principalmente considerando que uma delas tinha ficado obcecada por ele. Aquela era uma das maiores fraquezas de Lucy, e uma das características definidoras de sua condição. Não sabia se interessar um pouco pelo que quer que fosse. Ou era indiferente ou… obcecada. E suas manias não eram passageiras.

Elas a consumiam, se tornavam parte dela. Lucy as nutria, as incorporava à sua vida. Como fazia com o trabalho.

Ela precisava tomar cuidado na aproximação com Natsu. Tudo nele a agradava. Não só o visual, mas a paciência e a gentileza também. Ele era bonzinho.

Era uma mania esperando para começar.

Sua esperança era conseguir manter a cabeça fria pelas semanas que viriam. Talvez fosse melhor mesmo que tivessem apenas três sessões. Quando terminassem, Lucy poderia se concentrar em alguém que pudesse ser seu de fato. Como Sting Eucliffe.

Ela notou Natsu assim que entrou no restaurante do hotel. Estava usando um terno preto de caimento impecável sobre uma camisa social branca sem gravata. O colarinho aberto chamava a atenção para o pomo de adão e a base do pescoço. Ele esquadrinhou o salão com o olhar e o pousou sobre ela.

Lucy olhava o cardápio sem ver nada. Ele não parecia ter pressa de ir em sua direção. Mantenha a cabeça fria.

- Oi. - Natsu se sentou diante dela e apoiou as mãos entrelaçadas sobre a mesa.

Lucy respirou bem fundo, e sentiu seu cheiro. Suas entranhas se reviraram. Com uma sensação de derrota, ela levantou os olhos na direção dele, contou até três e virou a cabeça para o outro lado.

- Olá.

- Já está nervosa? – Natsu perguntou com um singelo sorriso.

Ela deu uma risadinha. - Estou nervosa desde sábado.

- Por falar nisso… Quem era no telefone quando eu estava indo embora?

Ela comprimiu os lábios para esconder um sorriso. - Minha mãe. O nome dela é Layla. E pensa que estamos juntos, aliás.

Ele levou a mão à boca sorridente. - Entendi. E isso é um problema?

- Na verdade, acho que é até bom. Agora que ela pensa que tenho namorado, deve parar de tentar me arrumar encontros às cegas.

- Ah, mãe e encontros às cegas… Sei bem como isso funciona.

- Isso quer dizer que você não tem namorada? - Assim que a pergunta saiu de sua boca, ela fez uma careta. - Desculpa. Esquece que eu falei isso.

Ela não tinha o direito de interrogá-lo sobre questões pessoais, mas uma curiosidade terrível fervilhava dentro de si. Queria saber tudo sobre ele. Se Natsu tivesse namorada, fosse quem fosse, ela ia odiá-la.

- Não, eu não tenho namorada - ele disse, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

“Graças a Deus.”

- Com que tipo de garota sua mãe tenta juntar você?

Ele revirou os olhos. - Médicas, o que mais? E enfermeiras. Acho que minha mãe já tentou me juntar com metade do segundo andar da Fundação Médica de Palo Alto.

Lucy ficou impressionada. - Quanta determinação.

- Isso porque você não conhece a minha mãe.

Ela abriu um sorriso forçado e se concentrou no cardápio. Aquilo significava que ele queria que ela conhecesse? Não, ela estava sendo maluca. Mães costumavam agir como feras encurraladas em relação aos filhos, em especial alguém como Natsu.

E Lucy não era médica.

Fim de papo. Ela não estava namorando Natsu. A opinião da mãe dele não importava. Lucy jamais ia conhecê-la. Era preciso voltar ao assunto em questão. - Vamos conversar sobre minhas aulas - disse, seca.

- Boa ideia. - Natsu se recostou na cadeira, parecendo à vontade.

Lucy tentou imitar o jeito tranquilo dele enquanto colocava três folhas de papel sobre a mesa. - Como nosso tempo é curto, tomei a liberdade de criar planos de aula. Não é uma programação rígida. Na verdade, se quiser sugerir alguma mudança, agradeço. Não faço ideia se o que escrevi faz sentido, mas gostaria de manter a coisa bem estruturada. Não lido bem com surpresas.

A expressão de Natsu era impossível de decifrar. - Planos de aula.

- Exatamente. - Ela afastou o saleiro, o pimenteiro e a vela. Depois de posicionar os papéis no centro da mesa, alisou as dobras com a ponta dos dedos e apontou para a primeira tabela, intitulada AULA 1. - Coloquei quadradinhos em cada item, para ir marcando à medida que avançarmos.

Ele abriu a boca para falar, então respirou fundo e bateu com um dedo nos lábios. - Só um minuto.

AULA 1

o Teoria e demonstração da masturbação

o Prática de masturbação

o Avaliação de desempenho

o Teoria e demonstração sobre posição-padrão

o Prática da posição-padrão

o Avaliação de desempenho

Natsu leu e releu o asséptico plano de aula. Sua surpresa se transformou em divertimento, que por sua vez se dissipou num sentimento de frustração que provocou tensão nas suas costas e no seu pescoço. Ele dobrou os dedos e fez força para segurar a vontade de amassar aquela papelada. Irritado, era assim que ele estava. Só não fazia ideia do motivo.

Com palavras como “teoria” e “demonstração” envolvidas, ele deveria estar curtindo a ideia. Era como interpretar o papel do professor na fantasia da sala de aula, com a diferença de não haver nenhuma fantasia envolvida.

- Quem vai preencher os quadradinhos? Eu ou você? – ele perguntou tentando controlar suas emoções.

- Posso fazer isso se você não quiser - ela ofereceu com um sorriso solícito.

Uma imagem de Lucy interrompendo o sexo para pôr os óculos e fazer anotações passou pela cabeça de Natsu. Como se ele fosse um robô num experimento científico sobre sexo.

- Percebi que não tem nenhum beijo na programação - ele comentou.

- Pensei que já tivéssemos resolvido essa parte.

Ele franziu a testa. - Como assim?

- Você falou que eu já tinha aprendido, então é melhor não perder tempo com isso. Beijar você me impede de pensar direito, e quero fazer as coisas como se deve. Além disso, parece ser algo que namorados fazem, o que não é nosso caso. Quero que as coisas entre nós se mantenham num nível claro e profissional. – Ela deu um golinho na água gelada e ajeitou os óculos, deixando umedecidos os lábios rosados — lábios que ele não iria poder beijar.

Os beijos dela não seriam mais para ele. Seu papel era deixar que ela o masturbasse e transar com ela, mas aqueles lábios macios estavam reservados para outra pessoa. A ideia provocou um impulso quase violento, que Natsu precisou lutar para suprimir.

- Você levou Uma linda mulher a sério demais. Os beijos não significam muita coisa, e é melhor nem pensar muito mesmo quando se está na cama. Confia em mim - ele falou.

Ela comprimiu os lábios em teimosia. - É importantíssimo que eu consiga pensar. Gostaria de não te beijar mais, se não se incomodar.

A irritação de Natsu só cresceu. Ele teve que fazer força para relaxar as mãos, antes que um vaso sanguíneo acabasse estourando. Como ele tinha se enfiado naquilo? Ah, sim, temera que outros acompanhantes tirassem vantagem dela. Quanta burrice. Como se sua vida não fosse complicada demais sem que se preocupasse com as clientes. Era exatamente aquele o motivo pelo qual não saía duas vezes com a mesma mulher.

Ele teria desistido de bom grado — era uma ideia tentadora —, mas havia dado sua palavra. Manter-se fiel a ela era sua maneira de se manter em equilíbrio com o universo. Seu pai havia quebrado promessas suficientes para os dois.

- Certo - Natsu se forçou a dizer. - Nada de beijos.

- O resto está bom? - ela quis saber.

Ele se obrigou a examinar os papéis, que eram bem parecidos, mas passando de masturbação a sexo oral e diferentes posições na cama.

Apesar de tudo, achou aquilo divertido, e comentou: - Estou surpreso por você usar expressões como ‘de quatro’ e ‘cavalgada’.

Ela ficou toda vermelha e ajeitou os óculos. - Sou inexperiente, não tonta.

- Falta uma coisa importante nos seus planos. - Ele estendeu a mão, e Lucy colocou a caneta em sua palma com um gesto cauteloso.

Ela inclinou a cabeça para o lado enquanto o via escrever PRELIMINARES no alto de todas as páginas em letras garrafais. Para complementar, desenhou um quadradinho na frente, apertando a ponta da caneta com força.

- Mas por quê? Que eu saiba, os homens não precisam disso.

- Mas você, sim - ele disse apenas.

Ela franziu o nariz e sacudiu a cabeça negativamente. - Não precisa se preocupar comigo.

Natsu estreitou os olhos. - Não é uma preocupação. A maioria dos homens gostam de preliminares. Eu gosto. Deixar uma mulher excitada é bem gostoso.

Além disso, ele não transaria com ela sem estar pronta. De jeito nenhum.

Engolindo em seco, ela olhou para o cardápio. - Está me dizendo que não tenho chance nenhuma de melhorar.

- Quê? Não. - A mente dele se esforçou em vão para entender por que ela diria uma coisa daquelas.

- Você viu como eu reagi. E foi só um botão.

- E depois você passou a noite inteira comigo. Estava quase pelada, e até se aconchegou em mim.

- Prontos para pedir? - interrompeu a garçonete. A julgar pelo brilho de divertimento em seus olhos, tinha ouvido a última parte da conversa.

Lucy analisou as opções para o jantar, enfiando as unhas no tecido da encadernação do cardápio.

- Vamos querer o prato do dia - Natsu anunciou.

- Ótima escolha. Vou deixar vocês à vontade. - A garçonete deu uma piscadinha, recolheu os cardápios e se afastou.

- Qual é o prato do dia? - Lucy quis saber.

- Não faço ideia. Vamos torcer para não ser nada com gosto de lã.

Ela fez uma careta incomodada e se inclinou para a frente de forma hesitante, encarando-o nos olhos por uma fração de segundo. - O que você quis dizer com ‘se aconchegou’?

Natsu sorriu. - Que no fundo você gosta de dormir abraçando alguém.

- Ah. - Ela ficou tão horrorizada que Natsu não teve como conter o riso.

- Confesso que gostei. - Aquilo era verdade, mas não era nem um pouco sua cara. Era obrigado a ficar abraçadinho com as clientes porque elas gostavam. Mas, em geral, ficava contando os segundos para a hora do banho. Ficar com Lucy tinha sido diferente. Eles não haviam transado, então não precisavam tomar banho, e a maneira como ela se entregara ao sono ao lado dele o fizera sentir coisas sobre as quais não queria nem pensar. Principalmente depois que Lucy deixou claro que ela considerava aquilo detestável. Sua irritação cresceu ainda mais.

- Mas e quanto às aulas? Como vamos progredir com limitações tão grandes? Como vamos contornar meus problemas?

- Não vamos ‘contornar’ seus problemas. Vamos superar.

Ela cruzou os braços e começou a tamborilar os dedos no cotovelo em um ritmo estranho. - Como?

- Vamos… destravar você. - Isso o fez parecer um babaca arrogante, mas ele não tinha uma avaliação cinco estrelas só por sorte. Quando perdeu a virgindade, já com dezoito anos, descobriu que era dono de um talento natural para a coisa. E o profissionalismo havia elevado suas habilidades a um novo patamar.

- Não acho que isso seja possível. - Ela contorceu a boca como se estivesse diante de um vendedor de carros usados.

- Você pensou que fosse gostar dos beijos? - E Lucy tinha gostado uma vez que pegara o jeito da coisa. Havia esperança para ela. Garotas que não gostavam de sexo não ficavam de pernas bambas. Ele só precisava entendê-la melhor.

Lucy bateu o dedo em um dos quadradinhos das preliminares. - O que acontece se você tentar de tudo e eu não gostar? Nosso tempo é escasso.

- Não acho que vai ser o caso. - Mas, se fosse, eles lidariam com aquilo no tempo certo.

Depois de um longo silêncio, ela falou: - Vamos tentar do seu jeito, então.


Notas Finais


O capítulo de hoje foi bem leve não é? Em compensação o próximo está uma delicia haha
Espero que tenham gostado. Próximo capítulo sai sexta-feira.
Comentem ♥
bjs


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