História Os Oito Pesos da Lua - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aventura, Deserto, Dezenove, Ficção, Lua, Pesos, Romance, Venna, Yanka
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Palavras 2.657
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Insinuação de sexo, Nudez, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Essa história é o projeto de um livro que eu queria publicar sobre esse universo que eu inventei, não sei se futuramente vou ter vontade de publicar esse livro, mas não quero jogar o esforço que coloquei nessa história fora, então estou publicando aqui no spirit.

A história a seguir é de minha autoria, assim como os personagens e o universo onde ela se passa. Plágio é crime e eu espero que repetir isso sirva de alguma coisa.

Enfim, espero que gostem.

P.S.: Tem música nas notas finais, se alguém gosta de ouvir lendo.

Capítulo 1 - Venna e o Unicórnio Negro.


Em um dia chuvoso, entre as poças de lama formadas na estrada, um cavalo negro como a noite chegou em um pequeno vilarejo ao sul de Kandrite. Sua aparência era incomum comparado aos outros de sua espécie, começando pela cor avermelhada de seus olhos e terminando no chifre curvo e afiado que saía de sua testa, como uma verdadeira espada de marfim. Não era atoa que ao ver o animal, as mães que haviam deixado seus filhos brincando na chuva, correram e os trouxeram de volta para dentro. Todos sabem o quão sanguinários e indomáveis são os unicórnios. No entanto, a sua dona, que carregava consigo duas falcatas na cintura e tinha o corpo coberto por um manto branco, sujo de sangue e lama, segurava suas rédeas sem indícios de medo ou cuidado, como se fora somente um cavalo como qualquer outro, e querendo ou não, isso só apavorava mais os aldeões.

Não era preciso encarar com atenção para saber que o sangue em suas roupas não era dela, dado ao fato de que ele havia sido espirrado na tecido e não o manchado de dentro para fora. Além disso, a mulher não aparentava estar ferida, e diferindo com o estado de suas roupas e a respiração pesada do animal, ela não parecia estar cansada da longa viagem. Os olhares de todos demonstravam os mesmos sentimentos, sendo o primeiro deles o medo e o segundo o desprezo. Qualquer Kandritian saberia que ela era uma estrangeira, estava claro pela cor de seu cavalo e pelas manchas em seu manto, mas, ainda assim, eles estavam com medo demais para expulsá–la, com medo demais para se colocar em seu caminho.

Inclusive o ferreiro que estava do lado de fora de sua casa, segurando o martelo de ferraria de forma ameaçadora tinha medo, ou aqueles que deveriam ser os guardas, mas não passavam de um bando de garotos com espadas sem fio e capacetes folgados, tremiam tanto que podia-se ouvir os pedaços de armadura sacudindo em suas cabeças.

A mulher seguiu o seu caminho, atravessando lentamente o vilarejo, em direção aos estábulos, onde pretendia deixar o seu cavalo, e entre todos os olhares assustados em direção a ela, houve um único olhar diferente. Um olhar vindo de trás da janela frontal da única taverna da vila, vindo de uma garota com cabelos brancos e olhos claros que a encarava com o rosto grudado no vidro.

A mulher com o unicórnio sorriu timidamente para ela no momento em que seus olhos se encontraram e viu um sorriso brotar no rosto da pequena. Após aquilo ela apenas se aproximou dos estábulos e lá amarrou o seu cavalo, se dirigindo em seguida ao estabelecimento onde a garotinha se encontrava, e quando estava prestes a entrar, uma mão pousou em seu ombro, fazendo-a se virar e encarar o homem que o tinha feito. Os que residiam na taverna, incluindo a pequena garota albina, encaravam a situação assustados, com medo do que a mulher estranha faria com o chefe do vilarejo, mas para a surpresa de todos, ele a abraçou e a guiou para a sua casa, a maior dentre todas as outras casas daquele lugar.

– Como pôde? – Indagou um homem velho, indignado; todos os aldeões se desesperaram ao ver o seu desconforto. – O senhor Makir deve ter enlouquecido para dar abrigo a alguém com um cavalo amaldiçoado!

– Não questione nosso líder! Ele deve ter motivos para isso! Quem sabe ela não era uma escolhida como Yanka? – Uma mulher alta, com uma espada na cintura o interrompeu. Seu sotaque Argenian era evidente na forma com a qual falava, mas era algo inevitável para aqueles com a língua bifurcada como os de sua espécie.

– E o que uma guerreira como você saberia sobre as regras de Luna? Nargini, sua cobra nojenta! – O velho, que ocupava a posição de curandeiro e sacerdote da vila, a respondeu com um tom de desprezo, e a tensão que todos haviam criado se desfez um pouco ao perceberem que aqueles dois estavam começando a brigar novamente. – Ser ou não um escolhido, não te poupa das regras! Aquele cavalo está profanando nossos estábulos! E isso inclui aquela sua égua maltrapilha!

– Não se atreva a falar de Endy com essa sua boca enrugada! Sten, seu velho ranhento! – Nargini, A chefe da guarda do vilarejo pousou sua mão sobre o cabo da espada, mesmo que não fosse sacá-la de verdade. Não poderia mesmo que quisesse, era proibido levantar a mão contra qualquer sacerdote. Ainda assim, ela lhe mostrou as presas venenosas de sua boca e sua língua negra e bifurcada de forma ameaçadora.

– Qual o problema com o cavalo dela? Ele era tão bonito! – A pequena albina que havia espiado tudo da janela interrompeu a discussão dos dois. Ambos se entreolharam assustados e encararam Yanka por um grande período de tempo.

– Que tipo de sacerdote é você?! – Nargini gritou com o velho, indignada. – Deixou nossa criança sagrada corromper seus olhos com a visão daquele monstro!

– E-eu… Não… – Os olhares de reprovação de todos caíram sobre Sten e isso fez a Argenian sorrir, mesmo que por um curto período de tempo, até ele inverter a situação. – Nada disso teria acontecido se a senhorita chefe da guarda tivesse enfrentado a forasteira antes dela chegar aqui!

– Isso… – A chefe da guarda agora era a culpada, e teve que pensar bastante antes de passar a culpa para outra pessoa. – Eu teria! Todos aqui sabem de minha coragem! Mas todos aqui também sabem, que não há como resistir à bebida do nosso querido Ancrow! Não é por isso que todos estão aqui?

E ninguém ali presente ousou descordar daquilo, afinal quem no mundo teria coragem para falar que a bebida de Ancrow não era irresistível dentro de sua própria taverna? Ainda mais com um monstro como um unicórnio negro do lado de fora da porta. E ao receber um elogio tão grande de alguém tão respeitado no vilarejo, Ancrow não resistiu em dar mais um copo de Lagrulalune por conta da casa para todos que ali se encontravam. Yanka, que por ser a única criança havia recebido um copo de leite de cabra, revirou os olhos impaciente, afinal, todos já haviam se esquecido do cavalo e da forasteira e agora estavam bebendo e conversando sobre assuntos mundanos, enquanto que ela não conseguia tirá-los da cabeça.

Sem aguentar mais esperar, Yanka levantou-se de sua mesa e caminhou em meio aquela multidão de bêbados, chegando até a porta sem dificuldades e a abrindo. Sem hesitar ela saltou os degraus da pequena escada, caindo em cima de uma poça d’água sem medo algum de sujar o seu vestido, afinal, ela já tinha aprendido que se o limpasse sem que ninguém visse, não levaria nenhuma bronca. O resultado disso foi catastrófico, já que a pequenina acabou por escorregar e cair de cara na lama, se sujando bem mais do que o esperado; mas não é como se isso fosse acabar com sua curiosidade, ela ignorou esse fato insignificante e foi agitada em direção aos estábulos para ver o lindo cavalo de pelo negro que ali jazia.

–Olá? – A pequena murmurou encarando o imenso animal, que parecia se dar muito bem com Endy, a égua cinzenta de Nargini. O unicórnio apenas bufou em resposta, mas Yanka era insistente quando se tratava de falar com animais. – Olá? – Repetiu, se colocando repentinamente em frente ao unicórnio, mas nem ela poderia imaginar o que um animal como aquele poderia fazer quando assustado daquela forma.

O relinchar do animal foi ouvido de dentro da taverna e ele ferozmente se ergueu em suas duas patas traseiras, ficando com o dobro do tamanho, enquanto que a pequena Yanka nem teve tempo de se assustar quando ele avançou com seu chifre afiado, visando atravessar o coração da garota. A essa altura os aldeões estavam saindo da taverna e arregalando os olhos ao presenciar o que estava prestes a acontecer, Nargini sacou sua espada, mas estava longe demais para fazer algo a tempo. Todos estavam.

– Parado! – O grito de uma voz um tanto peculiar ecoou pela floresta e o cavalo recuou no mesmo instante.

Yanka tombou para trás, caindo sentada e Nargini correu para socorrê-la, tirando a jovem o mais rápido possível da frente daquele animal. A sua dona que havia gritado da janela da casa principal, apenas suspirou mediante a situação, sem se importar com o fato de que se tivesse gritado um segundo mais tarde, a pequena estaria pendurada no chifre afiado do seu sanguinário companheiro. A indiferença dela incomodou a todos, principalmente ao velho Sten que nunca foi de ter papas na língua e obviamente não mudaria essa sua característica tão marcante da noite para o dia.

– COMO OUSA TRAZER ESTE MONSTRO PROFANO PARA O NOSSO VILAREJO? SUA BRUXA! – Gritou o sacerdote, mas foi interrompido pela voz grave da mulher estrangeira.

– Continue gritando comigo e Barky arrancará sua cabeça. – Foi o que ela disse e só então o velho encarou o unicórnio puxava as suas amarras tentando se soltar. – Parado! – Gritou ela novamente e o animal se acalmou, mesmo que o seu olhar de agressividade em relação ao velho tenha continuado lá.

Yanka encarava admirada a situação, sem estar ciente de que quase havia sido morta, ela apenas achava incrível que aquela estrangeira emanasse tanta liberdade. Mesmo que não pudesse ver o rosto da mulher sob o capuz branco, ela sabia que era alguém formidável, alguém que diferente dela, podia se aventurar pelo mundo e viver histórias de contos antigos, alguém que não estava presa ao seu vilarejo e que podia tomar suas próprias decisões e caminhos. Aquela mulher era exatamente quem Yanka sonhava em ser, mas com seu destino premeditado, ela não teria nem metade dessa liberdade. A garota estava tão triste imersa em seus pensamentos que nem notou a aproximação súbita da mulher a qual estava admirando segundos atrás, mas ela não era a única, Nargini que a segurava também não notou quando a estrangeira se aproximou.

– Você está bem? – Devido à distância mínima entre as duas, Yanka pôde ver o rosto dela uma vez mais, agora com mais detalhes do que quando o viu da janela da taverna. A primeira coisa que reparou foi uma cicatriz, atravessando o olho esquerdo dela, o qual já havia esbranquecido após a perda da visão.

– Sim… – Ela murmurou, hipnotizada pelo rosto da mulher… não, seria mais correto chamá-la de garota, porque apesar de ser alta, seu rosto não demonstrava o mínimo sinal de envelhecimento, nem sequer era longo como o rosto de um adulto.

– Venna, é o meu nome. Qual o seu, garotinha? – Disse ela, estendendo a mão.

– Eu sou Yanka. – A pequena estava prestes a segurar sua mão, quando Nargini despertou de sua indignação e surpresa e afastou a criança dela.

– Não toque nela! – A reptiliana com espada gritou, assustada.

– O que houve Nargini? – O velho Sten perguntou, preocupado.

– É a cor amaldiçoada! Está por todo o corpo dela! – Nargini disse, segurando Yanka com um braço e com o outro apontando sua espada para o pescoço da garota que se intitulou Venna.

– Ei, acalmem-se. – Disse Makir, o líder do vilarejo ao sair de sua casa. – Essa cor de pele é comum em Margal, ela é filha de um amigo meu.

– Como você ousa abrir nossas portas para alguém amaldiçoado dessa forma? – Disse o velho Sten. – Não pensou na nossa segurança? O que será de nós se formos corrompidos pela escuridão?

– Escuridão? – Venna interrompeu a todos, tirando a capa branca que cobria seu corpo. E revelando sua pele escura, sem medo ou vergonha. Os olhos de Yanka brilharam. – Eu venho de Margal, a terra do sol. – Ela se aproximava enquanto falava e os adornos e joias em seus pulsos e tornozelos produziam sons metálicos a cada passo dado.

– E… e daí? – Sten fingiu ter coragem de enfrentá-la, mas a farsa não durou muito, já que ele acabou se chocando contra a parede de uma casa na tentativa de evitar a aproximação dela.

– E daí que… – Ela não completou a fala, não antes de fincar uma de suas espadas no estabelecimento atrás do velho. – É fácil imaginar que na terra do sol é uma ofensa gravíssima relacionar alguém a escuridão. Quem o faz, das duas uma, ou está pronto para um duelo, ou vai acabar morto sem nem saber o porquê.

– Err… – Sten suava como nunca suou e um sorriso brotou nos lábios da jovem.

– Bom, como você é amigo de Makir… Eu não o desafiarei para uma luta até a morte. – Disse, para acalmá-lo. – Ao invés disso, eu lhe darei duas outras opções: Se ajoelhar na minha frente e pedir perdão ou…

– Como ousa? Eu sou o sacerdote desse vilarejo! Você não tem o direito de me humilhar dessa forma! Principalmente por um comentário desses! – Sten se fingia de forte, mas era evidente que ele estava morrendo de medo, Venna desfrutava da situação, afinal ela não era religiosa, então para ela pouco importava ser relacionada à escuridão ou não.

– Olha, seu sacerdote, eu estou lhe fazendo uma ótima oferta! O senhor não parece ter a mínima chance de ganhar de mim em um duelo até a morte! – Ela o analisou demonstrando uma expressão decepcionada no final. Yanka riu divertida, ela era a única além de Makir que entendia o fato de aquilo ser uma brincadeira de Venna com o pobre velho. – Mas, se ainda assim não quer ser humilhado, eu te sugiro a segunda opção: Pegue essa espada, se conseguir me atingir mesmo que em um fio de cabelo, eu o perdoarei e até mesmo deixarei esse vilarejo.

– … – Sten encarou a espada presa ao lado de sua cabeça e gaguejou quando tentou falar alguma coisa. – S-sacerdotes lunares não derramam s-sangue exceto quando é e-extremamente necessário… N-não seria melhor enfrentar Nargini?

– Eu o farei. – Disse Nargini, e Yanka arregalou os olhos dado ao fato de que era raro a chefe da guarda concordar com algo que saia da boca de Sten.

– Tudo bem. Mas então se você perder, os dois se ajoelharão. – Cantarolou a garota de forma brincalhona.

– Eu nunca perco. – A cobra disse confiante, mas em contraste com a expressão de Venna, a réptil não parecia nada propensa a brincadeiras.

– Esperem… – Makir tentou acalmar a cobra.

– Me desculpe Makir... – Nargini foi séria com ele. – Mas um líder que não protege seu povo, não é um líder.

– Ela é apenas uma criança… – O chefe do vilarejo insistiu, mas ela só parou quando outro alguém se intrometeu.

– Nargini! – Yanka se pôs na frente dela, fazendo a Argenian recuar um passo. – Não machuque ela… a Venna não é alguém ruim...

– Não pronuncie o nome dela Yanka. Amaldiçoará sua língua. – Disse a lagarto encarando o sacerdote que lhe dava razão.

– Vou pronunciar sim! – Yanka inflou as bochechas e cruzou os braços em reprovação, Nargini já vestia as peças de sua armadura de ferro que foram trazidas diretamente de sua casa pelos “guardas” que a obedeciam, por fim, três deles foram necessários para trazer sua enorme e massiva espada de ferro, a qual foi segurada com apenas uma mão pela serpente.

– Ei garotinha. – Venna se aproximou e por mais que a albina não gostasse de ser chamada assim; afinal, ela já tinha nove anos; apenas se virou para ela ansiosa. – Não se preocupe, tá bom? Eu não vou me machucar.

– Venna, Nargini é uma guerreira excelente, mesmo o seu pai teria problemas para enfrentá-la... – Makir tentou alertá-la, mas a garota parecia empolgada com a situação.

– Eu não sou meu pai. – Disse ela, tirando as duas falcatas do cinto e as girando pelo pomo curvo. Uma, duas, três vezes, apenas para aquecer. – Eu adoro conhecer pessoas novas, e se lutando eu tenho a chance de as conhecer melhor, então será um prazer. Além disso, eu não pretendo ficar aqui por muito tempo de qualquer forma, não vou perder nada se ela ganhar.

– Se considera um braço ou uma perna tão insignificantes assim, vá em frente. – Disse o líder de forma sarcástica, mas Venna o ignorou.


Notas Finais


Primeiro capítulo publicado.

Música: https://www.youtube.com/watch?v=7K-5mwUkdgI


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