História Os Opostos se Atraem - Capítulo 67


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Categorias One Direction
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Zayn Malik
Tags Liam, One Direction
Visualizações 96
Palavras 14.784
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Álcool
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Quarta- Feira
Dia de mais um capitulo.
Bjos

Capítulo 67 - Revelações


POV Liam

 

– Como? – Balançou a cabeça, aturdido. – Eu não acredito! – Irritou-se. – Não acredito! Como ela pôde me trair?!

– Calma aí! – Me aproximei. – Quem disse que ela te traiu? Caleb me garantiu que não aconteceu nada entre eles. Cara, eu não acredito que Lola seja capaz de algo assim. Só porque o Caleb está interessado nela, não significa que sua garota esteja retribuindo.

Minhas palavras não surtiram o efeito que eu esperava. Zayn continuou alterado, andando de um lado para outro. Não queria ter bombardeado meu amigo daquela forma, mas, infelizmente, não havia outro jeito. Não consegui achar as palavras adequadas, se é que existiam. Seu sofrimento era visível e isso me incomodou.

– Já faz um tempo que tenho notado Lola indiferente e distante. Agora eu sei por quê. No fundo, acho que já esperava por uma coisa assim. Acredito que exista algo entre os dois. Podem não estar juntos, mas devem estar há um passo disso.

Ele socou o ar, revoltado, grunhiu algumas frases ininteligíveis e o esperei extravasar. De repente, me encarou enfurecido.

– Há quanto tempo sabe disso?

– Há algum! – Confessei, baixando a cabeça. – Estava procurando um jeito de te contar, mas...

– Mas esperou até que a situação ficasse caótica! – Completou.

– Desculpe! – Me sentia tão mal que nem soube o que lhe dizer. Metade de mim se sentia traindo Caleb e a outra metade, Zayn.

– O que me preocupa nem é o Caleb, e sim, a Lola. – Sentou-se, abatido.

– Isso é definitivamente um problema! Entendo que ela é primeira namorada que sente algo tão forte, e que se sente inseguro por vários motivos. Só que não pode deixar o medo que tem de perdê-la se transformar em desconfianças sem fundamento. – Hesitei antes de lhe falar a verdade. – Acredito que o grande problema não é nem Caleb nem Lola, e sim, você!

Ele me encarou, com os olhos marejados.

– Não posso perdê-la, Liam!

– Então, está na hora de mudar, cara! Depois que conheceu Lola, se tornou inseguro e possessivo, só que agora, precisa se transformar de dentro para fora. Se Lola é tão importante para você como fala, qualquer mudança valerá a pena, acredite! – Suspirei. – Se me permite dar um conselho, volte para Oxford, diferente. Não deixe mais sua insegurança minar sua felicidade. Chegue até ela e se mostre seguro, capaz, demonstre que pode protegê-la. Garotas gostam disso! – Pus uma mão em seu ombro. – Precisa tomar as rédeas da sua vida. – Sorri sem querer. – Você tem sido a garota do relacionamento, por que não toma uma posição de homem? Confronte seus medos interiores e vença! Depois, vá até sua namorada e lhe mostre que você confia no seu taco!

Zayn assentiu.

– Preciso de um tempo para pensar, um tempo comigo mesmo. – Senti que ele entendera bem o que falei sobre o problema estar nele.

– Tudo bem. – Caminhei até a porta. – Se precisar de qualquer coisa, por favor, conte comigo. – Não queria deixá-lo, mas precisava.

Tinha esperanças de que Zayn se encontrasse novamente. A insegurança virou uma sombra em sua vida.

Ele apenas olhou para a janela, pensativo.

 

POV Lola

 

Voltava do supermercado, quando encontrei Caleb encostado na parede, em frente à porta do meu apartamento.

– Olá! – Cumprimentei sorrindo.

– Oi. – Respondeu, vindo me ajudar com as sacolas.

– Os rapazes viajaram. – Falei, imaginando que talvez estivesse procurando por Liam.

– Sei disso. – Entrou no apartamento comigo.

– Vamos almoçar? Comprei muita comida congelada.

– Comida congelada? Hum, minha preferida! – Brincou. – Por que não retornou minha ligação ontem?

– Estava ocupada com os últimos detalhes da inauguração da Boutique.

– Preciso conversar com você. – De repente, seu semblante obscureceu.

– O que foi? – Me assustei, largando bolsa e compras no sofá.

– Droga! – Passou a mão pelo cabelo. – Não sei como fazer isso!

– Isso o quê?

– Desconfio do porquê de Liam ter levado Zayn até Londres. – Parecia chateado. – Então, eu prefiro te contar antes que saiba através deles.

Sem entender, me aproximei para confortá-lo.

– Diga-me o que está havendo!

Ele me deu as costas e caminhou pela sala, lutando contra um inimigo invisível.

– Não sou bom com palavras. – Grunhiu.

– Caleb! – Insisti.

Seus olhos castanhos pousaram sobre mim, melancólicos e, ao mesmo tempo, tensos. Encurtou a distância entre nós com alguns passos largos.

– Estou há muito, muito tempo planejando te dizer que...

– Que...?

Rosnou violento, afastando-se.

– Meu Deus, Caleb, o que você tem? Nós somos tão bons dialogando, quebramos tantas barreiras nesse último mês! Por que agora não consegue conversar comigo?

– É justamente por isso, Lola. Nós somos muito bons juntos.

Fui até ele, sorrindo.

– Sim, disso eu já sei, bobão!

Ele segurou-me pelos ombros. Fiquei pequenina diante dele, mas isso não me intimidava nem um pouco.

– Posso te mostrar, ao invés de falar? – Engoliu em seco.

– Deve! – Incentivei.

O que eu não esperava é que ele fosse me agarrar, pressionando seus lábios nos meus, com um furor que me deixou sem ação.

Arregalei os olhos, primeiramente chocada, depois, foi que entendi o que ele estava querendo me dizer. Enquanto sua boca esmagava a minha, tentei respirar em meio à confusão. Tentar me desvencilhar era humanamente impossível. O beijo de Caleb era abrasador, intenso e cheio de confiança. Era algo tão diferente do que eu estava acostumada, que, por um breve momento, cedi. Logo depois, me desesperei.

Zayn! Zayn! Meu Deus! Zayn!

Soltei um grito abafado contra os lábios dele e isso o fez se afastar, cauteloso.

– É isso que vim te dizer! – Ergueu as mãos, mostrando que não repetiria o ato.

Perdi totalmente a noção de direção. Fiquei tão aturdida pelo que houve e, apavorada, me senti totalmente deslocada. Nunca, nunca que podia imaginar que Caleb fosse fazer aquilo. O empurrei com força para fora do apartamento, dizendo:

– Por favor, Caleb, vá! Você ficou louco!

– Só me dirá isso?

– Não tenho o que dizer! Por que fez isso? Por quê? – Questionei, aflita.

– Porque é certo!

– Não! – Discordei, alterada.

– Sei que está preocupada com seu namorado, mas, Lola, entenda, Zayn é um bom rapaz, só que você precisa de um bom homem! – Apontou para si.

– O quê? – Balancei a cabeça. – Não diga isso! Somos amigos, é assim que somos bons, como amigos!

Sua expressão, agora, era de raiva.

– Está cometendo um erro!

Dei um passo atrás e coloquei as mãos no rosto, tentando recuperar a calma.

Tudo aquilo estava acontecendo em um péssimo momento. Meu namoro andava na corda bamba, pois não conseguíamos mais nos acertar como antes. Na França, éramos perfeitos um para o outro, no entanto, havíamos deixado algo lá que fazia muita falta em Oxford.

– Para de lutar contra. – Caleb sussurrou. – Eu sei que você também me quer.

Dizer que eu não adorava passar um tempo com Caleb seria mentira. Ficava contente ao seu lado. Seria possível estar mesmo gostando dele?

Não! Não!

Então, por que aquilo estava acontecendo? E pior: por que estou pensando nisso tudo se o que preciso dizer é que nós nunca seremos um casal?

– Vou te dar um tempo para absorver as coisas... – Afagou meu rosto e me afastei, em reflexo. – Me procure! – Saiu, deixando um rastro de dúvidas atrás de si.

Coloquei a mão em meu coração disparado. Estava muito, muito nervosa.

O que aconteceu foi tão errado, que a culpa me assolou sem piedade.

 

 

POV Liam

 

 

Após o jantar, entreguei à Helo, uma lista com as três músicas que eu e os meninos costumávamos tocar no Hippy Shake. Ela me garantiu que as ensaiaria. O problema é que isso foi há umas cinco horas atrás. Já passava de 01:00h da manhã. Preocupado, não consegui dormir e fui atrás dela. Passei por seu quarto e, somente Ame... Jessie, dormia lá. Vasculhei a casa inteira e a encontrei no lugar mais inusitado: nos degraus da entrada do casarão.

– O que está fazendo aí? Está frio!

– Não consigo fazer isso! – Lamentou, olhando para o violão.

– Não consegue aprender as músicas? Podemos pegar umas cifras e...

– Sei os acordes e estou tocando no tempo e no tom certos... até sei as letras! É só que... – Passou as mãos pelos cabelos. – ... não sai natural, entende? Pareço um robô, está tudo mecânico e tem horas que eu, mesmo sabendo o que tenho que fazer, simplesmente, não consigo.

– Er... me mostra? – Pedi, sentando-me do lado dela.

Woldorf me olhou surpresa, depois se negou, balançando a cabeça.

– Esqueça!

– Vai! Não pode estar tão ruim. – Insisti otimista.

Ela bufou, cedendo. Helo teve dificuldades de tocar os primeiros acordes. Era como se simplesmente nunca houvesse pego em um violão antes. Foi muito estranho, mas não fiz comentários. De repente, o que era ruim, ficou pior. Ela embaralhou as notas e eu não consegui saber o que estava fazendo.

– Não está ruim... está horrível! – Tive que falar a verdade. Abruptamente, se levantou, chateada com a crítica. – Ei, Helo! Calma, você tem tempo...

Não adiantou tentar reverter a situação. A garota entrou em casa e subiu as escadas, quase correndo. Olhei para o degrau, desanimado, e percebi que ela deixara o celular lá. O peguei, percebendo que a música que tentou me mostrar, ainda tocava. Resolvi, então, ouvir, na esperança de ter alguma ideia de como ajudar minha pirralha.

 

POV Louis

 

No conforto da minha cama, com o notebook sobre as coxas, conversei com Ells através do Skype. Fazia algum tempo que nos vimos, lógico, que eu estava com saudades das safadezas e promiscuidade.

Todo animado, teclei...

***

 [ Boo! diz:

O q vc está usando?

*Ells* diz:

Uma camisola vermelha. rs rs]

***

Não deu para evitar, fiz a dancinha da vitória. Eita, calor bom! Digitei rapidinho...

***

[ Boo! diz:

quando eu te pegar não vai sobrar nadinha

*Ells* diz:

Estou ansiosa por isso! Vamos fazer agora, tigrão, não aguento esperar!]

***

Eita que vou dar uma bimbada virtual!

Tirei a camisa rápido, pronto para ligar a webcam. De repente, a porra de uma outra conversa começou a tremer e piscar. Cliquei em cima e li a mensagem.

***

[ Patrik e Bonequinho bundudo 4ever diz:

Te achei! :-)... De novo! Óh!...OHOHOHOHOHOH! Deixa eu pegar no seu mouse?]

***

PUTA QUE PARIU!

COMO PODE?

Não entendia como o Pavão tinha entrado no meu Skype . Eu tinha excluído aquela porra várias vezes! Digitei, furioso...

***

[ Boo! diz:

Pavão esse não é o Skype do Harry! Larga de mim assombração! Vai roubar o Raul!

Patrik e Bonequinho bundudo 4ever diz:

Grudei! Óh!...HOHOHOHOHOHOH! Estou tão carente hoje cachorrão... vamos Pintar o 7?]

***

Que merda! Além de ouvir a risada escrota dele agora tinha também que ler? Quase afundei as teclas do computador ao digitar...

[Boo! diz:

quando eu ti pegar ...]

***

Nem deixou eu terminar de digitar.

[ Patrik e Bonequinho bundudo 4ever diz:

Bonequinho...essa foi a coisa mais excitante que já li!]

***

– AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH! – Gritei de ódio.

Zayn entrou no quarto, todo assustado.

– Você está bem?

– Não! – Fechei o notebook com força e o joguei no chão. – Vou matar aquele viado!

– Esfria a cabeça aí! – Meu amigo se aproximou, todo estranho. – Tenho uma coisa para te pedir.

– O quê?

– Você tem que me ajudar a ser um cara mais... descolado, você sabe!

– E por quê? – Enruguei a testa.

Ele suspirou, então, começou a falar bem rápido. Com tanta informação, meu queixo despencou.

 

(...)

 

POV Helo

– Psiu... pirralha! – Ouvi um murmúrio. Será?

– Preciso falar com você.

Rolei na cama, crente que a voz de Liam fazia parte do meu sonho. E que sonho! Estávamos em uma praia paradisíaca, que eu já vira em algum lugar, mas não tinha certeza de onde. Ele me pegou em seus braços, querendo-me de uma forma intensa e gostosa. Suspirei, aproximando minha boca da sua, sedenta por seus beijos e carícias sensuais.

– Liam... – Gemi.

– O que foi, Helo?

– Vem com tudo, vem!

– Como é? – Gargalhou.

Ao ouvir a risada, abri os olhos, sentando-me rapidamente. Meu coração quase saiu pela boca ao descobrir que eu não estava sonhando. De fato, o Payne estava sentado ao meu lado. 

– Puta que merdaril! – Sem querer, grunhi uma mistura de puta merda com puta que pariu. Isso fez Liam gargalhar com mais vontade. – O que está fazendo aqui? – Me aborreci.

– Vim te chamar para ensaiar.

Joguei-me na cama e fechei os olhos.

– Esqueça!

– Anda, levanta! Só você ainda dorme.

Abri um olho e constatei que Jessie não estava na cama. Logo em seguida, o fechei, tentando voltar a dormir.

– Me deixa em paz! – Pedi, afundando o rosto no travesseiro.

– Deixa de ser chata, tive uma ideia para te ajudar.

– Não estou interessada! – Minha voz saiu abafada.

– O que falou?

– NÃO ESTOU INTERESSADA! – Gritei, tirando o travesseiro do rosto.

– Como você é molenga! – Reclamou, se levantando e puxando meus braços para que eu fizesse o mesmo.

Fingi que o idiota nem estava ali e pendi o corpo para trás, dificultando o máximo que eu podia. Já era muito difícil ter que lidar com o medo de não conseguir tocar na Quarta e, com Liam me criticando, era impossível. Sentia-me derrotada com ele me analisando e julgando, como fizera na noite passada.

Ignorei as tentativas dele de me tirar da cama, fingindo dormir como uma pedra. Fiquei irritada quando o insistente me jogou em seu ombro. Mesmo assim, continuei parecendo um defunto. Uma hora, ele ia ter que se dar por vencido. Caminhamos um pouco, não o suficiente para que eu quisesse espiar. Então, o Payne me pôs no chão. Sorri vitoriosa, até que...

– AAAAAAAAAAHHHHHH! – Berrei ao sentir o jato gelado na minha cabeça.

Abri os olhos e adivinha só... não, não adivinhe! Você já sabe que ele me colocou embaixo do chuveiro.

ÓDIO!

Fechei a ducha o mais rápido que pude, tremendo dos pés à cabeça. Liam saindo do banheiro, falou:

– Você tem cinco minutos para ficar pronta e ir até o meu quarto ou...

– Ou? – Ergui uma sobrancelha.

– Conto pro seu pai esse lance aí de: vem com tudo, vem!

Rosnei enquanto ele ia embora, gargalhando. Me contorci de raiva. 

Sério! Me diz o que vi de atraente nesse sujeito!

OK, NÃO RESPONDA!

Dentro do prazo que o babaca estabeleceu, fui até seu quarto, estacando em frente à porta, com meu violão em mãos. Suspirei antes de empurrar a porta, dizendo:

– Tudo bem. Nós...O QUE É ISSO? – Apontei, vendo-o de calça e jaqueta jeans, camiseta branca, botas e chapéu de cowboy.

Pisquei os olhos duas vezes antes de explodir em uma estrondosa gargalhada. E não foi uma gargalhada qualquer, foi uma daquelas que você perde as forças e não consegue respirar.

– Qual a graça? – Me questionou.

– Você! – Respondi com uma mão na barriga.

– Gostou? – Ele sorriu.

– Muito! – Ironizei.

– Que bom, porque tenho uma roupa para você também! – Apontou para a cama e minha alegria evaporou imediatamente.

 

POV Liam

 

Helo, trancada no meu banheiro, vestia a roupa que lhe comprei naquela mesma manhã. Ela ainda discutia, achando que eu estava ouvindo atentamente, só que eu já havia descido fazia algum tempo e me despedia de minha mãe, próximo à porta da frente.

– Tem certeza que não quer ir? – Raul perguntou.

– Não, vou ficar e estudar um pouco. – Respondi. Seria apropriado dizer que estudaria a filha dele? Provavelmente, não.

Ele e o restante do pessoal iriam passear no shopping.

– Helo, não vai querer ir? – Minha mãe se preocupou.

– Ela deve estar dormindo. Nossa viagem para cá foi bem cansativa. – Tive que mentir, mas minha mãe notava quando eu fazia isso. Ela me encarou e depois sorriu, talvez achando que eu e a pirralha desejávamos ficar um pouco a sós.

Na verdade, ela não estava totalmente errada. Iríamos ficar sozinhos, mas não pretendíamos namorar ou coisa do tipo.

– Onde está Zayn? – Lili estranhou.

– Coloquei ele para estudar também! – Louis disse, todo orgulhoso. O fitamos, confusos. – Ele está proibido de sair do quarto até terminar as lições que lhe passei.

Nossa, Zayn devia estar desesperado para ir na onda do Louis.

– Eu nunca fui a um shopping. – Jessie falou empolgada, chamando a atenção para si.

– É o céu! – Patrik jogou as mãos para o alto. – Luzes, glamour, roupas, bofes... quando eu morrer, me enterrem lá!

– Vai vender as coisas que tu roubou?! – Niall acusou.

Ele, falso como o contrabando dos hermanos, se ofendeu.

– Quando vou deixar de ser tão humilhada? Isso é uÓ! – Jogou-se nos braços de Raul. E lá vinha a rainha louca do drama! – Por que eu? Gente, eu nunca fiz mal a uma mosca para ser tão pisada e escarrada!

– Ei, Patrik, desculpa o Niall! Ele não quis te magoar. – Harry se desculpou?

– Mesmo? – Os olhos do lunático brilharam. – Bonequinho, é sério?

– NÃO! – Meu amigo riu, zombando. – EU QUERO É QUE TU SE FODA!  

– Chega! Eu fico toda nervosa! – Bateu o pé no chão. – Mini-mundiça, me dê minha bolsa. Vou embora! Partirei daqui para sempre!

Jessie foi buscar a bolsa rosa que estava jogada no sofá.

– Caraca! Que pesado! – Ela se espantou, arrastando a bolsa com dificuldade.

– O que tem aí dentro? – Perguntei.

Louis tratou de responder:

– Os castiçais, a louça, até o papel higiênico, aposto!

O queixo do pavão despencou.

– Parou com tudo! – Arrancou a bolsa das mãos da Mini-Helo. – Eu tenho pedigree, tenho sangue azul. Uma bicha da minha categoria não se rebaixa jamais! E quer saber? Eu nunca gostei mesmo de vocês, carniças sem classe! Morram! Au revoir! – Se despediu em francês, já abrindo a porta.

– Patrik, espere! Eles estão brincando! – Minha mãe interveio.

– Não estamos não. – Niall interrompeu rindo.

– Fique. Não ligue para as brincadeiras deles. – Minha mãe tinha uma paciência...

– Não! Odeio vocês! – Berrou.

– Prometo que te compro um presentinho no shopping. – Ela sorriu.

– Eu falei odiar? Quis dizer RESPEITAR... – Saltitou de volta, com uma cara de pau sem tamanho. Depois, abraçou Lili. – ... é tão maravilhosa essa nossa ligação familiar. Temos uma química incrível!

Revirei os olhos.

– Vamos logo, antes que comece a chover. – Pediu meu padrasto. – Harry, você também vai ficar para estudar?

– BEM DOIDO! – Respondeu ele. O fitamos chocados, principalmente Patrik, que arregalou as bolas de gude que chama de olhos. – Merda! Isso pega! – O cara ficou furioso.

Eu já tinha percebido que, sem querer, as abobrinhas do pavão tinham entrado para nosso vocabulário.

– Meu Bonequinho! – A bicha quicou de felicidade. – Você está se libertando, se solte! Venha para o lado purpurinado da força!

– Porra! – Ele xingou, marchando porta afora. O chão até tremeu. Lógico, o viado fulêro foi atrás dele.

– Não vamos demorar. – Raul se despediu dando um tapinha nas minhas costas.

Virei-me para subir as escadas e avistei Helo no topo dela, dentro das roupas que lhe dei. Sorri satisfeito. Ela esperneava, mas sempre fazia o que eu pedia.

O problema é que não parecia muito satisfeita com o jeans detonado, a camiseta mostrando a barriga, botas vermelhas e o chapéu de cowgirl.

– Posso saber qual o objetivo disso? Me ridicularizar? – Cruzou os braços, carrancuda.

– É simples! – Subi as escadas, me aproximando. – Ontem, quebrei a cabeça e cheguei à conclusão de que talvez, tenha vergonha de enfrentar o público, timidez talvez.

– Nossa, você é um gênio, Payne! – Rolou os olhos.

– Obrigado. – Sorri. – E é por isso que estamos vestidos assim, vai se sentir melhor assim. Pode fingir que está interpretando um personagem, se quiser.

Helo refletiu por alguns segundos.

– Vou ter que ficar vestida assim o tempo inteiro?

– Pelo menos até termos algum progresso.

– E que personagem você é?

– Eu? – Ri provocando-a. – Sou Woody!

– Fala sério!? – Ela riu com a mão na boca

– É o meu charme! – Gargalhei. E ela fechou a cara. – Viu? E esse é o seu! – A puxei pela mão até meu quarto.

Helo parou diante da porta.

– Temos mesmo que fazer isso? – Percebi que ficou tensa, por isso, tentei descontrair o ambiente.

– Ôxi, muié! Tu num sabe que nóis tem que fazer ocê tocar bem?

 

POV Helo

 

Que sotaque caipira era aquele que o Liam estava fazendo?

– Não fale assim! – Pedi fazendo careta.

– Qual o pobrema? Ocê num gostô?

Você não vai rir! Não vai rir! Não é hora para isso!

– Pare, por favor! – Implorei baixando a cabeça, mas o infeliz notou que eu estava quase caindo na sua brincadeira ridícula.

– Anda, muié, se avexe aí e toque, modiquê nóis cair num arrasta pé!

É, não deu pra aguentar! Eu ri feito uma tapada. O Payne da roça era muito engraçado!

Mesmo o Liam tentando manter o ambiente descontraído, ainda não consegui tocar bem. Na quinta tentativa, soltei o violão no chão e coloquei as mãos no rosto.

– Tenta novamente, Helo, você deu uma melhorada entre a terceira e quarta tentativa.

Frustrada, arrastei o violão porta afora. Liam esperava muito de mim e, não atingir suas expectativas, me machucava. Senti que ele me seguia. Mesmo assim, entrei em meu quarto e fechei a porta na cara dele, dizendo:

– Me dá um tempo, ok?

Encostada na porta, deslizei até cair sentada. Perto de Liam, minhas mãos tremiam, as notas pareciam se misturar em minha mente, meu estômago embrulhava como se eu fosse vomitar.

Pousei a testa nos joelhos, frustrada. Em que mais trabalharia? Eu não era boa em nada.

– Helo... – Liam murmurou. – ... você toca tão bem já a vi tocar, escondido as vezes em casa. Tenta novamente!

– Não dá! Nunca vou conseguir! Por favor, desista!

Após minha declaração o silêncio foi perturbador. Senti um peso sobre meus ombros, o peso da derrota!

 

POV Liam

 

Queria encontrar palavras de incentivo que ainda não houvesse usado durante as cinco vezes que minha pirralha tentou tocar a canção.

Sabia que Helo podia, só não imaginava como me fazer útil naquele momento. A música que ouvi várias vezes ainda ecoava na minha mente. Olhei para o teto, distraído e cantarolei, me concentrando em um jeito de ajudar a pirralha. 

I know how it goes (Eu sei como isso vai)

I know how it goes from wrong and right (Eu sei como isso vai do errado para o certo)

Silence and sound (O silêncio e o barulho)

Did they ever hold each other tight, like us? (Eles já se abraçaram apertado, assim como nós?)…

 

POV Helo

 

Liam estava cantando?

Surpresa, escutei atentamente. Era baixo, mas sua voz rouca e sexy me impelia a querer ouvi-lo mais, me lembrava da música, por milhares de vezes eles a tocaram no porão.

You and I (Você e eu)

We don't want to be like them (Não queremos ser iguais a eles)

Timidamente, completei, cantando baixinho, mas alto o suficiente para que ele ouvisse:

-We can make it 'till the end (Nós podemos fazer isso até o fim)

Agora, ele estava cantando um pouco mais alto, ao ver que eu estava reagindo àquilo.

Nothing can come between You and I (Nada pode ficar entre Você e eu)

-Not even the gods above  (Nem mesmo os deuses lá em cima)

Can separate the two of us, (Podem separar nós dois)

No, nothing can come between
You and I
Oh, you and I (Não, nada pode ficar entre
Você e eu
Oh, você e eu!)

Percebi que Liam se esforçava muito e sem ganhar nada em troca. Como eu podia desistir de mim mesma se ele não desistia?

Motivada pela insistência dele, segurei firme o violão e comecei a tocar, o acompanhando.

– I figured it out (Eu percebi isso)

Saw the mistakes of up and down (Vi os erros de cima em baixo)

Meet in the middle (Conheço o meio)

There's always room for common ground (Sempre têm espaço para um terreno comum)

 

POV Liam

 

Helo estava tocando perfeitamente! Mal conseguia acreditar, então, continuei cantando, empolgado por termos dado um grande passo.

– I see what it's like (Eu vejo o que é)

I see what it's like for day and night (Eu vejo o que é para o dia e a noite)

–Never together (Nunca juntos)...

Sim, a pirralha sabia o que fazia. Só faltava se dar conta de o quanto era boa.

– 'Cause they see things in a different light (Porque eles veem as coisas sob uma luz diferente)

Like us  (Como nós)

They never tried like us, (Mas eles nunca tentaram como nós)

 

POV Helo

 

A harmonia fluiu, encaixando-se com o timbre do Payne. Foi tão fácil tocar com ele se expondo e abrindo caminho para que eu me expusesse também. Isso fez a insegurança dissipar-se. Senti que podia tocar o restante da canção tranquilamente na presença dele, ou de qualquer outro. Porém, não ousei interromper aquele momento.

You and I (Você e eu)

We don't want to be like them (Não queremos ser iguais a eles)

We can make it 'till the end (Nós podemos fazer isso até o fim)

Nothing can come between (Nada pode ficar entre)

You and I  (Você e eu)

Not even the gods above (Nem mesmo os deuses lá em cima)

Can separate the two of us (Podem separar nós dois)

Hum, com Liam cantando, a letra soava... pura e... não sei,... sincera. Talvez a música estivesse me influenciando a ponto de achar tal coisa. De qualquer forma, quem a compôs, parecia ter colocado muito de si nela e isso requeria coragem, coisa que admiro.

Levantei cheia de energia e abri a porta rapidamente. Liam desabou no chão. Estranhei, mas me limitei a fitá-lo. Ele me lançou seu mais brilhante sorriso. Então, mostrou o polegar em sinal de positivo.

– CONSEGUI! – Gritei exultante. – Meu Deus, consegui! – Comemorei, ajudando-o a levantar.

Eu tinha tocado muito bem e tinha plena consciência disso. Era como se eu estivesse me encontrando musicalmente. Sim, eu podia tocar!

Nem deveria, mas pulei feito uma criança. Só eu sabia o quanto aquilo era importante para mim. Sempre toquei para mim mesma, dedilhava algumas canções, nunca assumi meu lado musicista. Aquela foi a primeira vez que acompanhei alguém. Agitada, me joguei contra Liam dando-lhe um forte abraço. Enchi-me de esperanças de me dar bem no Hippy Shake, pois percebi que conseguia tocar dignamente, só precisava me permitir tal coisa.

– Obrigada! – Tive até dificuldades para respirar. – Obrigada, obrigada, obrigada!

Quando me afastei, ele deu um passo atrás, colocando as mãos nos bolsos ao responder:

– Ah, não foi nada. – Ao invés de ficar metido como eu esperava, ficou meio tímido. O que eu achei muito, muito bonitinho.

– Tudo bem... – Revirei os olhos. – ... pode ficar metido agora, mas só um pouquinho!

– Não é necessário. – Baixou a cabeça sorrindo torto.

– Vai lá, eu sei que você está doido pra ficar metido. – O cutuquei. – Eu deixo, hoje mereceu.

– Bem... – Suspirou. – ... nesse caso... – Cruzou os braços. – ... eu já sabia que eu ia conseguir te ajudar. Você sabe, eu me garanto!

Eu aguento!

Ele caminhou pelo corredor, todo vaidoso. Pulei em suas costas, como antigamente quando eu o chamava de meu pangaré. Liam nem reclamou. Então, me perguntou:

– Vamos ensaiar?

– Pode crer que sim! – Respondi contente.

(...)

Liam e eu passamos um bom tempo ensaiando, ele cantou todas as vezes, me ajudando. Meu progresso era quase inacreditável. Talvez refletisse minha momentânea felicidade. Por volta das 18:00h, saí do meu quarto e fui falar com Lili. No corredor, quase fui atropelada por uma mini-mim elétrica em cima do skate novo. O porco estranho corria atrás dela.

– Ei, cuidado! – Alertei.

Ela parou há alguns metros de mim e disse:

– É radical!

Sorri. Quando passei em frente ao quarto de Liam, me perguntei se ele estaria no banho. Queria tanto me vingar do que ele me fizera no Sábado. Olhei de um lado para o outro, e como só havia Jessie brincando no final do corredor, me inclinei e espiei pela fechadura.

DROGA!

O quarto estava vazio. Colei o ouvido na madeira e percebi que lá estava mais silencioso que um túmulo, nem um barulhinho de ducha para me dar esperanças. Queria pegá-lo desprevenido, só de toalha e lhe dar o troco. Resolvi dar uma espiada.

– Isso não é legal.

Assustada, cambaleei para trás, derrubando um vaso de flores que eu nem percebi que estava atrás de mim. Olhei para Liam e ele ainda me encarava, plantado próximo à porta..

– Eu não estava te espiando! – Me defendi atordoada.

– Claro que não... – Debochou. – ... estava confraternizando com minha porta.

Assenti, passando por ele mais vermelha que uma pimenta. Desci as escadas, tão envergonhada que não ousei olhar para trás.

Na cozinha, encontrei a mosca não tão morta arrumando um assado na travessa. Assim que olhei para o prato, falei incapaz de me conter:

– Isso não é aquilo que estraguei?

– Sim. – Ela sorriu. – É a primeira vez que faço desde aquele dia.

– Ah... – Sem jeito, desviei o olhar, me encostando no balcão.

– Quer me perguntar algo?

Nossa, ela é boa nisso de ler as mentes das pessoas!

– Quero.

Lili parou o que estava fazendo e esperou.

Criei coragem e desabafei logo:

– Odeio seu filho! Passamos o dia juntos e foi tão legal! O que ele está esperando para ficar comigo? Estou ficando desesperada, hein?!

Ela soltou uma risadinha, se aproximando.

– Desespero é bom. É intenso e enlouquecedor como o amor. – Onde ela estava querendo chegar? – Helo, não vê que esse é o seu momento?

– É? – Franzi o cenho.

– Sim! É hora de ir à luta! Estabeleça uma meta, diga para si mesma que voltará à Oxford com ele sendo seu namorado.

A mosca não tão morta tinha fumado orégano?

– Não dá pra fazer isso!

– Por que não?

– Já tentei antes e foi desastroso. Além disso, nas vezes em que nos beijamos ou... ficamos juntos ele agiu como se nada tivesse acontecido. Liam não quer um relacionamento! – Garanti emburrada.

Lili riu alto.

– Sério? Ele não quer? Então, por favor, me responda: Liam te ajuda sempre que está com problemas?

– Sim.

– Te defende? Compra presentes? Passa a maior parte do tempo livre dele com você?

– Sim...

– Meu bem, aceite! Ele já age como seu namorado.

Ela estaria certa?

– Então, onde estou falhando?

– Não sei, mas se me permite um conselho, vista algo bonito e o seduza de vez, esta noite na London eye. Extrapole seus limites. É por uma boa causa!

Que tipo de mãe fala isso? 

– Espera, ele vai à London eye?

– Sim. O ouvi combinando com os meninos. Parece que vão ver uma banda.

Cruzei os braços, magoada.

– Ele não me convidou. – Baixei a cabeça. – Talvez queira farrear os amigos.

– Aposto que ainda te convidará.

– Duvido! O vi agora há pouco e não me falou nada.

 Lili refletiu um bocado, depois me disse:

– Continuo acreditando que ele irá te convidar. E quer saber? Se eu estiver certa, você será a primeira a provar meu assado!

– E se estiver errada?

– Não te darei mais nenhum conselho.

– Ok! – Assenti sabendo que ela estava totalmente errada. Liam tinha passado o dia comigo, era natural que quisesse sair com os amigos e pegar umas biscalinhas. A ideia me deixou muito inquieta.

Nos minutos seguintes, tristonha, ajudei Lili a pôr a mesa para o jantar até que o Payne apareceu, absolutamente lindo com seu jeans azul, camiseta preta, jaqueta de couro. O incrível era que seu cabelo estava ainda mais bagunçado, o que no final das contas, combinava muito com ele. Procurei não encará-lo, me concentrando nos guardanapos.

– Nossa, como está bonito! – A mosca não tão morta o paparicou.

– Obrigado.

Meu pai e os demais desceram para o jantar, espalhando-se em volta da mesa. Conversaram sobre o dia no shopping. Como o assunto estava me deixando ainda mais deprimida, levantei-me, dizendo:

– Estou sem fome. Vou para meu quarto.

Antes que eu saísse da sala de jantar, ouvi meu Payne falar:

– Raul, você permite que a Helo vá à London eye conosco? Me responsabilizo por ela, prometo!

Olhei para trás, embasbacada.

– Não vejo problema algum, só tomem cuidado e não voltem muito tarde. – Respondeu meu pai.

Encarei Lili e ela já colocava assado no meu prato. Como eu tinha apostado, tive que voltar para mesa. Confesso que comi feliz, nem reclamei por Liam e Raul agirem como se eu ainda fosse menor de idade.

(...)

Enquanto me arrumava, refleti sobre o conselho de Lili. Por fim, levei aquilo super a sério. Estava disposta a fisgar definitivamente Liam antes de voltar para Oxford.

 

POV Liam

 

– O Zayn não vai? – Perguntei para Louis, que entrava no carro.

– Já falei que o badboy não vai sair do quarto. O cara está estudando! – Bufou mudando de assunto. – A Helo está demorando muito.

Ambos viramos a cabeça ao ouvir a porta da frente ranger.

– Ela está vindo. – Avisei entrando no lado do motorista.

– VAMOS, MUNDIÇA! – Patrik veio correndo, todo de rosa-choque.

– AH, NÃO! – Os meninos e eu nos irritamos.

– Quem te convidou, sem pregas? – Harry bateu a cabeça no painel.

– Eu mesma, tá legal? Sou presença VIP em qualquer lugar! Óh!...HuHuHuHuHuHuH!

– VIP? – Niall perguntou. – Tipo: Vai de Intrometido Pacas?

– Deus me livre, eu não posso falar nada que já me metralham. Isso é uÓ! – sentou-se no carro e se espremeu ao lado de Harry. Isso fez meu amigo arregalar os olhos, ficando vermelho.

– Patrik, você está cutucando onça com vara curta! – Alertei.

– Esse negócio de cutucar com a vara é comigo mesmo! Óh!...HOHOHOHOH!

Aquilo foi a gota d´agua para Harry, que voou no pescoço da bicha. Sem muita vontade fui socorrer Patrik, que sacudia as mãos para o alto, roxo.

– Chega, Harry, não vamos estragar nossa noite por causa disso. – Niall tentou intervir.

– Não! – Rosnou furioso.

– Ele vai se comportar, não é Patrik? – Louis fitou o coitado que já revirava os olhos. – Além disso, Lili vai ficar uma fera quando souber que machucou o amigo do Raul.

Isso fez Harry parar e perguntar, curioso:

– Como foi que ficou amigo do Raul?

Era uma boa pergunta!

O viado engasgou, recuperando o ar. Depois, falou, roçando o polegar no indicador como se contasse dinheiro:

– Prestígio, meu amor! Eu sou das altas rodas, tá? Ou você acha que comecei a piscar só agora?

– Por favor... – Louis implorou. – ... não precisamos saber quantas vezes você já piscou na vida.

A bichona não tinha um pingo de vergonha na cara!

– Então, vamos? – Disse Woldorf.

Virei-me e, ao vê-la, não pude disfarçar minha cara de bobão. A pirralha estava muito linda. Seus olhos, realçados pela maquiagem escura, faziam um contraste sensual com a boquinha vermelha. Meus olhos percorreram o restante de seu corpo e constatei que a blusa bege de mangas compridas, até era comportada. O problema era o excesso de botões abertos, exibindo o busto em um decote quase obsceno. Torci para que as pessoas se distraíssem com a sua gargantilha que tinha um pingente em formato de coroa e não com o pedacinho do sutiã que aparecia. O jeans preto era muito justo, mas ficou legal com as botas.

Eu tinha certeza que sabia como respirar, só não conseguia. Fiquei nervoso feito criança em primeiro dia de aula.

Cara, como ela tinha esse efeito sobre mim?

 

POV Helo

 

–Liam! – Lhe chamei a atenção.

– O que? – Finalmente, ele tirou os olhos do meu decote.

– Patrik está falando com você faz um tempão. – Atordoado, fitou o viado, que lhe encarou super aborrecido.

– Bofe lesado é uÓ! Conecte-se à terra, por favor! Fiquei anos luz aqui te perguntando se vamos todos juntos ou separados!

– Er... – Ele coçou a cabeça, provavelmente, pensando na resposta.

– Eu sempre tive uma dúvida. – Niall me encarou. – Por que tudo junto escreve separado e separado escreve tudo junto?

– Ah, pelo amor de Deus, vamos embora antes que meus ouvidos comecem a sangrar! – Arrastei Liam até a Suzuki, não caberíamos todos no carro. Louis assumiu o volante e ao lado dele Niall, atrás o Pavão e Harry, que nos fuzilou com o olhar.

Ele subiu na moto e eu, na maior cara dura, me escalei para uma carona. Coloquei o capacete e esperei ele fazer o mesmo, para por meus braços em volta de sua cintura. Deixei que minhas mãos deslizassem para dentro de sua camiseta, acariciando a barriguinha. Liam estremeceu e, pela primeira vez na vida, o vi lutando para lembrar como dar a partida.

– Aonde vamos? – Pousei o queixo no seu ombro.

– Vou te levar para conhecer uma pessoa. – Respondeu dando a partida.

Uma pessoa?

(...)

Quando chegamos a um bar chamado Cadillac Ranch, me perguntei se Liam estava ficando louco e confundiu aqui com a London eye. Ali era um típico bar Country, rústico e com uma decoração que me lembrava o Velho Oeste. A pista de dança estava repleta de pessoas vestidas a caráter. O estilo cowboy predominava. Uma banda estabelecia o ritmo, agitando a galera. Fiquei surpresa em ver até um touro mecânico.

– Não acredito que me arrumei toda para vir me misturar com esse povo TPM! – Patrik pôs a mão no peito. – Me sinto praticamente uma plantadora de milho!

– É legal! – Harry se empolgou com a mulherada de mini-saia. 

– Então, o que achou? – Liam sorriu.

– Homi, ocê planejou tudin desdo cumeço, num é? – Imitei o sotaque que ele fizera pela manhã.

Liam apenas deu de ombros, todo satisfeito consigo mesmo.

– Olha. – O Louis indicou. – Tem uma mesa ali!

Quando os meninos voltaram do bar e colocaram as cervejas na mesa, Niall tagarelou elétrico:

– Vejam isso! – Mostrou um folheto. – Estão pagando 400 pratas para quem conseguir ficar 20 segundos em cima do touro mecânico.

O viado e eu nos levantamos ao mesmo tempo.

– Isso é sério? – Puxei o folheto das mãos dele.

– Vinte segundos é pouco tempo, eu consigo! – A bichona já estava indo em direção ao desafio quando lhe impedi.

– Não, senhor, eu é que vou faturar essa grana!

– Não é tão fácil quanto parece. – Liam o sensato, sentou-se, rindo do nosso desespero.

– Quer saber... – Estreitei os olhos, passando um braço em volta do pavão. – ...nós podemos conseguir!

– Racha, me larga que eu estou começando a empolar toda. – Resmungou se coçando. – Eu tenho alergia a uma perseguida.

– Vamos fazer um acordo. Patrik, se um de nós ganhar, divide a grana com o outro. Assim, teremos duas chances ao invés de uma, de sair daqui com algum no bolso.

– Tudo bem. Fechado! – O viado estendeu a mão para mim e eu a apertei, fazendo uma aliança que provavelmente me arrependeria. – Vamos dividir tudo! – Sentou-se no colo do Liam que escancarou a boca, surpreso.

– Ainda não chegou a esse ponto. – Com força, arrastei a bicha para a fila que se formava perto do touro mecânico.

Havia umas vinte pessoas à nossa frente e aquilo me desanimou um pouco. Obviamente, Patrik não respeitou a fila e saiu empurrando as pessoas até chegar na frente. Eu, idiota, o segui.

– Ei, sabia que existe fila por um motivo? – Reclamou um cowboy atrás de nós.

– Sim... – O lunático o encarou. – ... para a ralé se amontoar!

– É melhor irmos para o final da fila. – Murmurei no ouvido dele.

– BEM DOIDA! Pessoas VIPs não entram em fila!

Fechei os olhos quando o povo começou a reclamar.

– Alguém tire esse sujeito daí! – Falou uma mulher.

– É, sai daí , seu maricas! – Até a galera no final da fila estava indignada.

– Me chamaram de maricas? – patrik me perguntou, perplexo.

– Acho que não... – Tentei aliviar.

– MARICAS! – Alguém gritou. – SAI DAÍ, QUEIMA ROSCA!

– Eu tava até sendo educada, sabe, mas vocês que pediram, seu bando de Jecas, comedores de milho dos infernos! Daqui eu não saio, daqui ninguém me tira! – Bateu o pé no chão.

– Por favor. – Pedi envergonhada.

Para o meu terror, ele começou a cantar e dançar, esnobando o povo:

– Daqui não saio, daqui ninguém me tira! Vão se ferrar suas carniças e mundiça!

– Um dia desses, você ainda leva um tiro. – Falei, olhando para a saída e me perguntando se era hora de dar o fora.

– O que você disse? – um homem bigodudo, caipira e enorme se aproximou.

O viado e eu erguemos a cabeça lentamente para conseguir encará-lo, pois o sujeito era muito alto.

– Sabe... que eu não me lembro? – Patrik se escondeu atrás de mim.

– Vão para o final da fila! – O cara super grosso apontou para o local onde deveríamos ficar.

A bichona e eu obedecemos, enquanto éramos fortemente vaiados. Demoramos pouco tempo na fila, pois ninguém estava ficando mais de 10 segundos no touro. Liam estava certo, aquilo não era fácil. O bicho chacoalhava demais! Para garantir nosso lado, Patrik começou a cantar e eu acompanhei, desmotivando a concorrência:

– CAI, DESABA, SOU MAIS EU NESSA PARADA!

Estava chegando nossa vez e eu, que não era besta, coloquei o viado pra se ferrar primeiro.

– Ai, meu Deus, estou com medo! – Ele murmurou, mordendo o punho.

– Não há motivo para temer! – Apontei para o touro e foi aí que ouvimos:

– AAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH! – Ouviu-se um baque logo em seguida.

O grito veio do último competidor, que foi jogado para fora do colchão inflável, o único item de segurança que havia.

O pavão e eu trocamos olhares, espantados.

– Não vai amarelar agora!

– Eu já nasci amarelado! – Tentou fugir e o puxei de volta pela manga da camisa.

– Anda logo com isso! – Falou a mulher ranzinza atrás de nós.

– Fica na sua, Draga da roça! – xingou, depois colocou as mãos nas bochechas. – Racha, eu odeio esse cafuçaral! Odeio!

– Isso, Patrik!

– O quê?

– Use sua raiva! Li em algum lugar que a raiva canalizada aumenta a força muscular.

– É verdade?

Não, eu estava inventando!

– É sim... – O segurei pelos ombros. – ... agora vai! – O empurrei em direção ao desafio e o maldito deu meia volta.

– Não estou com muita raiva agora. Me ajuda!

– Tem certeza de que quer minha ajuda?

– Anda franguinha, o tempo está passando!

– Tudo bem! – Me preparei. – Vou deixá-lo irado!

– ANDA LOGO! – Gritou, já ficando.

Que fique bem claro que foi ele quem pediu.

– Você é um viado tudo!

– Tudo? – Sorriu achando que era um elogio.

– Sim! Fedorento, feio, lascado, escroto...TUDO... menos fodido! E não é só, você nunca piscará na galáxia porque é um... – Ele já lacrimejava com as mãos tremendo. – ...POBRE!

Patrik, fora de si, tentou me dar uma bofetada. Rapidamente, me abaixei e a mão dele atingiu a cara da mulher atrás de mim.

– Rápido! – O empurrei. – Vão desclassificar você! Vai!

E ele foi!

O idiota não conseguiu subir no touro, sempre que saltava para tentar montá-lo, o povão ria e gritava, o provocando:

– SAI DAÍ, QUEIMA ROSCA!

– Você consegue, Pavão! – Menti incentivando.

Para minha alegria e do pessoal que se amontoou ali perto para ver o espetáculo, o lunático montou no touro.

– ESTOU PRONTO! – Berrou, segurando firme na alça à sua frente.

O cara que comandava a brincadeira ligou o cronômetro eletrônico. O touro mexeu para frente e para trás lentamente. A bichona, satisfeita, me deu um tchauzinho. O brinquedo então se tornou mais rápido, chacoalhando forte.

– AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH! – A bicha gritou, quicando em cima da máquina. – VOU MORREEER!

Que novidade!

Aplaudindo contente, gritei:

– VOCÊ ESTÁ INDO BEM... – O cretino caiu. – ...MAL! – Desanimei.

Liam, Louis, Niall e Harry se aproximaram, morrendo de rir.

– Agora é a sua vez? – Perguntou meu Payne.

Assenti, me acovardando.

– Posso te dar uma dica, mas tem que dividir a grana comigo também, ok?! – Harry passou o braço em volta do meu ombro. Revirei os olhos. Era melhor fazer um mutirão para tentar ganhar o prêmio do que tentar sozinha e acabar lisa.

– Fala! – Grunhi.

– A galera usa toda a força logo no início, quando o touro se mexe pouco. Precisa relaxar as mãos no começo e segurar firme quando ele girar rápido, pois todo mundo cai quando o troço gira!

Até que fazia sentido.

Respirei fundo, fitei rapidamente Liam, que ria feito um paspalhão e fui em direção ao touro. Já o Pavão, rastejava de volta.

Subi em cima do colchão inflável e, com alguma dificuldade, subi no touro. O bar em peso me assistia.

MEU DEUS, O QUE ESTOU FAZENDO AQUI?

Engoli em seco, pegando na alça do bicho. Encarei os meninos e eles gargalhavam, quase passando mal.

Força, mulher!

Pigarreei. Então, gritei:

– ESTOU PRONTA!

Pena que levaram isso a sério.

Não me preocupei com o cronômetro e sim com a dica de Harry. Não segurei com muita força quando o touro chacoalhou indo para frente e para trás. Achei que conseguiria, até que o troço começou a ficar mais rápido. Usei toda a força das minhas pernas para me manter firme no local. Infelizmente, meu corpo hora se projetava para frente, hora para trás. A máquina tremia abaixo de mim, fazendo um barulho esquisito no momento que aumentou o ritmo. Não deu para agüentar, fechei os olhos e simplesmente...

– AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH!

Meu estômago revirou. Minha bunda quicava em cima da máquina.

– FALTAM 5 SENGUNDOS, HELO! – Reconheci o grito de Niall.

– 5...4... – O pessoal fez a contagem regressiva incentivando. Já eu, berrava feito louca, balançando para todos os lados. Meu cabelo não ajudou, entrando na minha boca. Minhas mãos, doloridas, deslizavam perigosamente. – ...3...2..1!

Foi nesse exato momento, que fui jogada no ar, caindo de cara no colchão. Nem consegui me mexer. Pouco me importava os aplausos. Eu estava morta!

(...)

– Muito bem! – Joguei o dinheiro na mesa. – Vamos dividir essa droga! – Sentei-me ao lado do Payne.

Harry e o pavão ficaram animados e me arrependi de ter feito acordo com eles. Como haviam me pagado os 400 do prêmio com oito notas de 50 dólares, a divisão seria fácil.

– Vou dividir devagar para ninguém achar que estou enrolando. – Avisei arrumando as notas na mesa. – Primeiro, duas notas de 50 para o Harry... – Empurrei para perto dele. – ... duas para o Patrik e para mim também! – Peguei quatro notas.

– Espera! Isso não está certo. Você está nos roubando! – Esbravejou o Harry.

– Ele tem razão, sua franguinha safada! – A bicha tinha que intervir.

– Nossa, tudo bem! – Resmunguei. – Vamos trocar, então. Fiquem com o meu que fico com o de vocês! – Empurrei meu dinheiro e recolhi o deles, o que deu no mesmo.

– Agora sim, está tudo certo! – Harry ficou feliz.

Liam, Niall e Louis apenas riram.

Minutos depois, os meninos conversavam. Pavão paquerava uns caras de calças apertadas e eu... bem... pensava em um jeito de pôr meus planos em prática.

Fitei Liam que tomava tranquilamente sua cerveja e coloquei minha mão por debaixo da mesa apertando-lhe a coxa, sem cerimônias. O Payne engasgou imediatamente. Antes que pudesse reagir, aproveitei a nova música que começou a tocar e lhe puxei para a pista. Ele cambaleou confuso, mas me seguiu. Só quando ele parou à minha frente, foi que percebi o problema. Eu não sabia dançar aquele estilo. Pareciam todos dançarinos de Country profissionais, com suas botas estalando no piso de madeira e as mãos nas fivelas dos cintos em uma coreografia legal, mas impossível para mim de acompanhar.

– É simples... – Liam tentou me ajudar. – ...passa um pé atrás do outro, depois bate o pé esquerdo no chão e gira!

O QUE ELE DISSE?

– Me acompanha! – Tentou me mostrar na prática.

Fiquei atenta, só que aquilo era muito difícil. Eu mais parecia uma velhinha caquética tentando esmagar baratas. Enfim, desisti e soltei a franga, dançando de qualquer jeito. Girei, joguei as mão para o ar, rebolei e foi bem mais divertido assim. O Payne também desistiu e me acompanhou, curtindo.

Liam me girou e quando voltei a encará-lo, dei de cara com Harry, próximo a nós, todo animado. Não sei o que me deu na cabeça, mas fui até ele e o puxei para dançar. O bizarro foi ele aceitar. Confesso que foi divertido, porque o cachinhos me ergueu no ar algumas vezes. Só para completar, O pavão chegou pipocando no salão. Me aproximei dele e nós dançamos algo que se assemelhava a um tango, na maior zorra.

 

POV Liam

 

A pirralha estava me colocando contra a parede e a senti me provocando desde que saímos de casa. Como eu queria retribuir as provocações! O problema é que eu simplesmente não podia. Era complicado ficarmos juntos e depois fingir que nada havia acontecido só para manter as aparências. Eu estava me sentindo muito bem, longe de Oxford, revigorado e temia que quando voltasse para casa, tivesse que continuar a farsa a qual não conseguia mais manter. Por isso, decidi resistir mais àquela noite e pela manhã, pedir a permissão de Lili para contar a verdade à Helo. Agora era torcer para que ela estivesse preparada para as revelações.

Louis a girou na pista mandando-a de volta para meus braços. Ela estava radiante e sua boca mais tentadora que nunca.

Céus! Preciso aguentar firme! Só essa noite, Liam, só essa noite!

Tentar me convencer não erra assim tão fácil.

 

POV Helo

 

– Ufa! – Diminuí o ritmo, dançando bem devagar. – Até suei! – Peguei a mão do Payne e, sem sua permissão, passei por meu pescoço úmido, deslizando-a um pouco para baixo.

Ele abriu a boca, depois a fechou como se não soubesse o que dizer. Estranhei quando desviou o olhar do meu e fitou a cantora no palco. Puxou a mão e acenou para ela, sorrindo. Óbvio que fiquei muito chateada.

Encarei a loirinha de cabelo curto, vinte e poucos anos, talentosa e que sorria demais para o meu gosto. Liam parou de dançar para ficar assistindo a garota cantar.

Mal humorada, cruzei os braços me sentindo uma completa tapada. Olhei para os lados e Harry já tinha sumido, provavelmente passava a lábia na mulherada. Patrik rodopiava sozinho no salão, espantando os homens metidos a machões, enquanto Louis e Niall haviam voltado para a cerveja

Cansei de ficar ali parada e me mandei para o bar, a fim de molhar a goela. Enfiei-me no meio da multidão e sentei no balcão, na maior cara de pau. Isso chamou a atenção do bartender que foi obrigado a me atender.

– Só saio daqui quando me der uma dose dupla de qualquer coisa! – Afirmei determinada.

– Ei, Josh, atende a garota! – Falou o cowboy que se aproximou com um belo sorriso.

Ele devia ter uns 25 anos, cabelos e olhos castanhos, traços faciais muito perfeitos e super simpático.

O bartender serviu minha bebida e no momento que me preparei para descer do balcão, o tal homem teve a ousadia de me pegar pela cintura, me pondo no chão.

– Essa é por minha conta... – Assentiu retirando as mãos de mim. – ...espero que não se importe. Sou Danny.

– Helo. – Falei apenas.

– É um nome à sua altura.

Peguei o copo e virei com tudo.

 

 

 

 

 

 

POV Liam

 

Fiquei alguns minutos procurando Helo pela pista de dança, depois voltei para a mesa acreditando que ela tivesse ido ao banheiro.

Tomei a cerveja que havia deixado de lado, trocando ideia com Louis e Niall. De repente, harry apareceu ofegante.

– Vim correndo só para te dizer que...

– O que foi?

– Você é agora corno!

– Do que está falando?

Ele apontou e eu finalmente entendi o que quis dizer. A pirralha estava dançando uma música romântica com um cara qualquer. Primeiramente, me levantei irado, depois voltei a sentar ao lembrar que eu não tinha o direito de exigir nada dela. Então, me limitei a assistir.

Louis, nada solidário, falou:

– Payne, alguém vai comer teu frango!

 

POV Helo

 

Dei uma breve espiada por debaixo do braço de Danny e ri da cara do Payne. Depois, voltei a encarar o rapaz que estava me tratando com delicadeza e respeito. Ele fazia bem o estilo de bom moço do interior.

Foi legal ver os músculos do rosto de Liam se contorcerem de raiva e ciúmes.

No início, fiquei feliz, mas no decorrer da música, fui ficando triste ao cogitar a possibilidade de Liam não se importar tanto comigo como eu imaginara. Afinal, ele não moveu uma palha para impedir que eu dançasse com aquele cara. Suspirei confusa.

 

POV Liam

 

Dei uma batidinha no ombro do sujeito. Ele se virou e perguntei:

– Posso dançar com ela?

Woldorf, que me pareceu distraída, ficou perplexa.

– É o que você quer? – O cara questionou com Helo, hesitando em soltar minha pirralha.

– É sim! – Tomei a liberdade de responder por ela.

A pirralha piscou os olhos, confusa, depois assentiu.

O intrometido se despediu formalmente e eu assumi seu lugar, passando um braço em volta da cintura de Helo e puxando-a para junto do meu peito. Firme, mostrando que não a largaria.

 

 

 

 

POV Helo

 

QUE PEGADA!

Caraca! Por essa eu não esperava!

Liam, sério manteve-se calado, enquanto nossos corpos seguiam o ritmo leve e agradável.

De repente, me olhou com uma intensidade diferente ao dizer:

– Não gostei disso.

– Do que? – Me fingi de desentendida.

– Ver você dançando com outro.

Prendi o riso olhando para baixo.

– Por quê?

– Senti ciúmes. – Afirmou girando-me.

Enquanto ele não podia ver meu rosto, sorri abertamente. Voltei a ficar de frente para ele, mantendo a fachada de indiferença. Era até irônico já que eu vibrava por dentro.

É assim que se joga!

Elogiei a mim mesma.

                

POV Liam

 

Quando girei Helo, através dos espelhos da decoração a vi sorrir. Certamente ela não sabia disso. Rocei meu polegar em sua bochecha e me esforcei para manter meus lábios longe daquele local. De qualquer forma eu estava feliz, pois tinha evitado que outro se aproveitasse da minha pirralha. O que posso dizer?

É assim que se joga!

– Liam, você não disse que me trouxe aqui para conhecer alguém?

– Quando essa música acabar, ok?

– Ok!

 

POV Helo

Quando nosso momento na pista acabou, não voltamos para nossa mesa como eu imaginava. Ao invés disso, fomos para outra mesa, longe da agitação no bar, nos fundos perto das sinucas. Sentamos-nos e eu fitei Liam, toda confusa. Antes que eu perguntasse qualquer coisa, ele falou:

– Aí vem ela!

Olhei para trás e me surpreendi ao constatar que se tratava da cantora loira.

– Olá! – Nos cumprimentou sorridente. Sentou-se sem ser convidada, ao menos não por mim.

– Helo, essa é Samantha... Samantha essa é Helo! – Liam nos apresentou e não me senti muito à vontade com aquilo. Por que o idiota estava me apresentando uma de suas paqueras? – Bem...vou deixá-las a sós um pouco!

Meu queixo desabou enquanto o via se distanciar. A risada da tal Samantha me irritou e a encarei, emburrada.

– Você é exatamente como ele descreveu.

– Como é? – Franzi o cenho. – Liam falou de mim?

– Lógico!

– De onde se conhecem? – Mandei na lata, já esperando que ela me confessasse que eram velhos amigos de cama.

– O conheci através do meu marido Jesse, meu guitarrista. Há uns dois anos atrás, acho que no período das férias, Liam trabalhou como bartender em um dos bares em que tocávamos.

– Ah...entendo. – Baixei a cabeça, me sentindo tola por ter tido um ciúme meio descabido. – O que quis dizer com ‘exatamente como ele descreveu’?

– Cheia de energia, bonita e meio louca. Fiquei te observando do palco.

– Não estou entendendo nada.

– Está aqui por causa da música, Helo. Liam acha que posso te ajudar. – Sorriu cortês. – Ele me mandou um vídeo de você tocando.

Poxa, ele tinha que parar de fazer isso!

– Não sei o que dizer. – Fiquei muito envergonhada, afinal, ela era profissional.

– Você é muito boa, mas precisa saber que tocar precisa ser...sincero, porque algumas falam de amor e relacionamentos. Não importa se as letras são sobre perdas, conquistas, traições ou paixões platônicas. É simples e direto como as pessoas que inventaram e aprimoraram. Precisa passar sentimento! Eu era como você. Depois que meu pai morreu, me mudei buscando me encontrar na vida e foi lá, através das letras sempre tão verdadeiras, que me achei. Tive que ralar muito para me tornar uma compositora e só quando consegui me pôr nas letras que cantava foi que superei vários traumas e adversidades.

Não pude deixar de me identificar com Samantha. Senti-me próxima dela de um jeito que eu não sabia explicar e só por isso confessei:

– Não sei se sou capaz. Na maior parte do tempo eu não consigo nem falar o que realmente sinto. É como se meu coração estivesse amordaçado.

– Tem que continuar tentando, Helo. Acredite em mim, quando conseguir pôr seus sentimentos para fora, tudo se tornará mais fácil... – Ela tocou minha mão. – ...em todos as áreas da sua vida.

Suspirei, sabendo que não esqueceria aquelas palavras.

– Obrigada pelo... conselho!

– Alguém um dia fez isso por mim e agora estou fazendo por você! Bem... então, agora vamos tocar? – Riu.

– Não, não, não! – Fiquei agita.

– Só nós duas, ninguém precisa saber. Vou pegar meu violão!

Tocar com Samantha foi relativamente fácil. Ela era uma ótima cantora e fez de tudo para me deixar à vontade. Passamos um tempo conversando sobre música e ela me deu muitas dicas. Também falamos sobre nossas composições e ela me fez prometer que um dia iríamos compor algo juntas.

Voltamos para casa quase sóbrios, sem estrelar nenhum vídeo constrangedor, nem distribuirmos socos e o melhor; com a ficha policial limpa. Ou seja, a noite foi um sucesso!

Em compensação, não consegui seduzir Liam como planejava. Ao adentramos a garagem, praticamente me desesperei, pois pela manhã voltaríamos à Oxfors e, se não consegui fazê-lo meu, aqui, com todo o clima alto astral e nossa súbita aproximação por causa dos ensaios, não conseguiria nunca.

Guardamos os veículos na garagem, Harry estava feliz pela grana mole que ganhou e foi correndo contar para Zayn. Já o Pavão, tinha bebido bem além da conta e por isso tagarelava feio um rádio velho. Esse, fiz questão de empurrar para fora da garagem. Liam guardou a Suzuki atrás da Mercedes e antes que ele conseguisse sair de lá, falei:

– Me espera aqui! Vou levar o pavão para dentro e já volto, preciso falar com você!

Ele estranhou, mas concordou.

Fora da garagem, procurei o viado e ele estava dançando can can sozinho na entrada do casarão.

– UM DIA SEREI RICA POR QUE EU SOU UMA MATERIAL GIRL! – Berrou.

Puta que pariu!

Corri e tampei-lhe a boca, antes que acordasse meus pais. Hein? Quis dizer meu PAI!

– Não faz barulho, já passam das 3:00h da madruga! – Murmurei irritadíssima.

– Ai, racha... – Se jogou nos meus braços. Nem consegui me mover de tanta raiva. Aquilo era hora da bichona dar trabalho? – ...você acha mesmo que sou fedorento, feio, lascado, escroto, TUDO menos fodido?

– Não! – Menti. – Vamos subir! – Passei o braço do filho da mãe por meu ombro e o reboquei para dentro. Foi complicado subir as escadas, porém, foi um alívio deixá-lo em seu quarto.

O joguei em cima da cama e ele abriu os braços rindo feito uma hiena. 

– Você tem sorte de ter um bofe escândalo.

– Não tenho um. – Era verdade. O Payne não era meu.

– Deixa de ser burra franguinha serial, vá lá e pegue o que é seu... ou... eu vou. Óh!...OHOHOHOHOHOH!

Droga! As pessoas tinham que parar de me falar o que fazer! Eu já sabia como agir, só não conseguia.

– Eu no seu lugar... – Soluçou. – ...chegava botando para quebrar...e... – Soluçou outra vez. – ...dava... – Riu. – ... uns sacodes naquele Paynedelicia... – Capotou na cama.

Finalmente!

Virei-me para sair.

– Óh!...HOHOHOHOHOH! – A risada do inconsciente ecoou no cômodo.

Realmente assustador!

Fora do quarto, minha consciência me atormentou lembrando-me que, se o dia amanhecesse e eu não fizesse algo por mim, pela minha felicidade, certamente me arrependeria. Em um impulso, peguei as chaves do carro do meu pai, um Mercedes conversível, duas cervejas na geladeira e corri para a garagem.

Cheguei lá parecendo desvairada. Enquanto me metia dentro do veículo, vociferei:

– Entra no carro!

– O quê?

– Entra logo, Liam, já! – Dei a partida.

Ele, totalmente aturdido, se pôs no banco do carona. Minutos depois, dirigi pelas pistas úmidas de Londres, em alta velocidade, evitando encará-lo, mas pela minha visão periférica, percebi que ele me fitava como se eu tivesse enlouquecido. Talvez eu tivesse!

– Onde vamos?

– Agora eu é que vou te levar para conhecer alguém.

É minha versão sexy.

– Hein?

Prendi o riso.

 

POV Liam

 

Helo tinha pirado! Eu tinha certeza!

Achei melhor não contrariar enquanto ela deixava a rodovia principal e seguia por uma estrada carroçal. Guiou por uma subida íngreme e após alguns minutos, estacionou.

Ela pretendia me matar? Por qual outro motivo pararíamos no meio do nada, às 3:30h da manhã?

– É melhor irmos embora! – Sugeri, estudando-a.

– Não é legal? – Apontou para frente e só aí notei onde estávamos.

– Muito! – Sorri, saindo do carro imediatamente.

Era um mirante. De lá dava para ver toda Londres iluminada. Eu nem sabia que a cidade tinha um mirante.

 

POV Helo

 

Liam admirava a paisagem e eu o admirava, incapaz de sair do carro. Nervosa, liguei o som do carro. Qualquer coisa seria melhor do que um silêncio constrangedor.

Passei as mãos pelo rosto, concentrando-me nos motivos que me levaram ali. Eu estava com tanto medo! Medo de continuar sonhando com aquele homem e, mais cedo ou mais tarde, me decepcionar. Não queria me transformar em uma nova Lucy. Alguém com quem ele tinha um pouco de passado e nenhum futuro.

Lili me dizia: conquiste-o! Vá à luta! 

E eu estava disposta a tal coisa. O problema é que não queria mais brincar de gato e rato, sempre jogando, planejando, articulando. Desejava fazer apenas uma única e completa tentativa. Se o ganhasse, não existiriam mais meios termos, seríamos um do outro. No entanto, se eu falhasse ou se ele não me quisesse, ao menos teria a plena certeza de que fiz tudo que podia por aquele sonho e assim, seria mais fácil seguir em frente, pois nunca teria que me perguntar: como teria sido se eu tivesse lutado até o fim?

A música romântica enchia o carro, me impelindo a pegar as cervejas jogadas perto do volante e levá-las até o Payne.

Ao ouvir meus passos, ele virou-se com um sorriso que me tirou o fôlego.

– Adorei esse lugar! – Pegou a bebida que lhe ofereci. – Londres é tão bonita. Dei um gole na cerveja, evitando falar. Seria vergonhoso gaguejar naquele momento.

– Está tudo bem? – Ele percebeu meu humor repentinamente alterado. Limitei-me a assentir.

Voltei para o carro com o rabo entre as pernas. Ser tão covarde me chateava demais, não era típico de mim. Aproveitei a distração de Liam com a paisagem e forcei as duas partes de mim que constantemente se confrontavam a se unir, na esperança de que isso me enchesse de forças para arriscar tudo.

Uma única vez, Helo! Sua última cartada! Se ele não for seu agora, nunca mais será!

Sentei-me no capô do carro, cruzando as pernas. Respirei fundo antes de chamar:

– L-liam?

Ele se virou e veio até mim. Esforcei-me para continuar.

– Você foi incrível hoje. – Sorri. – Tenho muito que te agradecer.

– Sério? – Pareceu surpreso.

– Porque o espanto?

– Nada. É só...estranho te ver... agradecendo. – Riu. – Não estou acostumado.

– Sério? – Dei um meio sorriso. – Então, vem cá. Deixa eu te agradecer melhor – Descruzei as pernas à sua espera.

Liam hesitou, enrugando a testa, confuso. Depois, caminhou, parando há meio metro de mim.

Erguia uma sobrancelha e, ainda sorrindo, estiquei o braço, puxando-o pela camisa para junto de mim. Entre minhas pernas, Liam tomou um gole grande da bebida e eu considerei aquilo, um sinal de nervosismo.

– Sabe o que eu queria? – Provoquei.

– Não. – Engoliu em seco.

– Que você me... – Também bebi um pouco da cerveja. – ...falasse porque pensa tão mal de mim.

– Não penso mal! Quero dizer, já pensei muitas coisas sobre você, mas grande parte disso evaporou quando te conheci melhor.

– Acha que sou uma garota má?

Suspirou e eu esperei.

– Só quando quer.

Rimos de sua resposta.

– Acha que eu fui má hoje?

– Umas duas ou três vezes!

– Acha que estou sendo má agora? – Passei a língua na boca da garrafa, virando em seguida.

– Er... – Nossa! Aquilo era uma gotícula de suor na testa dele? – ...te acho bem esperta. – Desconversou, mas gostei da resposta, sinal de que estava sacando onde eu queria chegar.

– Tive um bom professor. – Com minhas coxas, apertei o quadril dele. Liam colocou a garrafa sobre o capô e o imitei. – Gosta dessa música?

– Sim.

Agressiva, determinada e maluca, continuei assediando-o.

Acha que estou colocando tudo a perder? Digo que não! Não se perde aquilo que não se tem e, no caso, ainda não tinha Payne.

Ousada, pendi o corpo para trás, encostando parte de minhas costas no capô e a cabeça no vidro.

– Essa noite está tão linda. Olha aquelas estrelas! – Apontei, fingindo-me de inocente. O suspiro audível só podia vir da minha vítima. – Sou louca pela noite, escuridão, lua, estrelas... entende? – Fitei Liam e ele estava com os olhos fixos no meu corpo.

Eu já tinha chamado a atenção dele. Já havia mostrado onde queria chegar, agora, era hora de usar um pouco de honestidade.

– Gosta de estar aqui comigo?

Minha pergunta o fez me encarar.

– Por que não gostaria?

– Porque me odeia. – Brinquei, me lembrando do que havíamos falado em Oxford.

– Nesse momento te...odeio muito! – Suspirou quase colocando as mãos em minhas coxas, que ainda o aprisionavam.

As reações dele me motivavam a continuar. Sentei-me e fixei meus olhos nos dele.

– Será que me odeia o suficiente para... – Cometi o erro de olhar para a boca entreaberta dele, a qual nebulou meus pensamentos.

– Para? – Bastou tocar minha bochecha para minha pele reagir. De forma inacreditável, me arrepiei dos pés à cabeça.

Impulsionada por aquela sensação inconcebível, continuei tensa:

– Me querer só para você?

A mão de Liam deslizou vagarosamente da minha bochecha e passou pelo pescoço, mas parou antes de chegar ao decote.

– Não posso fazer isso. – Afastou-se abruptamente.

– O quê? – Me alterei, descendo do carro. Eu não era mulher de ouvir um não daqueles sem saber o motivo.

O Payne se apressou em abrir a porta do Mercedes. Corri e o impedi, fechando a porta com força.

– Qual o seu problema? – vociferei, magoada.

– Helo, não podemos ter essa conversa agora. – Disse frio.

– Não podemos? – Gritei. – Por que, Liam? O problema sou eu? – Minha voz embargada era a moldura de uma dor que ele não parecia enxergar.

– Sou eu, você, tudo! – Gesticulou deixando desabar toda a sua postura determinada. – Precisa esperar, só mais um pouco! – Suplicou.

– Esperar pelo quê? Que eu enlouqueça sem saber o que há entre nós? – Agarrei seu braço com força. – Se não me quer, só tem que dizer! – As palavras rasgaram minha garganta. O soltei me afastando como quem se afasta do fogo, fugindo de uma dor que eu não suportaria.

– Eu te quero! – Falou alto, mas não me seguiu.

– Não parece! – Revidei. – Não quero mais tentar adivinhar o que se passa pela sua cabeça. Hora você está comigo, hora não, por que isso? – Não consegui me conter. Meu peito ameaçou explodir, tamanho era o esforço para colocar aqueles pensamentos para fora.

– Não posso dizer. – Pendeu a cabeça.

Dei mais alguns passos para trás, me negando a ouvir aquilo.

– Não consigo entender... – Engoli o choro, me protegendo como podia da dor. – ...e não quero mais! – Tapei os ouvidos.

– Eu quero te contar...mas... – Chutou o carro, irado. – ...não depende só de mim. Tudo o que eu queria é poder te dizer agora o que sinto! Mas não posso prever o que acontecerá. – Lutou para achar palavras. – Me sinto andando na corda bamba entre te perder de vez e te ganhar! Me entenda!

– Liam, não me importo! – Abri os braços. – Não me importo com nada disso! Nem em como vai dizer o que precisa, mas, por favor, faça isso agora, grite, escreva, mande sinais de fumaça, só não me deixe enlouquecer! Preciso saber! – Bati no peito. – Preciso saber se sou quem você quer...namorar...porque... poxa! – Solucei mesmo sem chorar. – DÓI!

O silêncio que se fez no mirante foi perturbador. Encaramo-nos calados e paralisados pelas circunstâncias. Até que finalmente, Liam murmurou:

– Vou te mostrar o que precisa saber. O que palavra nenhuma conseguiria explicar!

Liam veio rápido em minha direção e eu na dele. Frenéticos, nos abraçamos, chocando-nos diante do carro. Ele me beijou com vigor, quase violento, devorando-me os lábios.

Retribuí, agarrando seu cabelo, mantendo-o junto a mim, enquanto meu coração entrava em um verdadeiro frenesi diante de uma paixão que fazia o ar parecer totalmente desnecessário.

Sugamos a língua um do outro, tão desesperados que quase caímos ao cambalearmos em direção ao carro. Liam lançou-me sobre o capô e, com as mãos trêmulas, abriu de uma só vez minha blusa, rompendo os botões fechados. Não descolamos as bocas nem mesmo quando abri sua calça e tentei lhe arrancar a camisa. Infelizmente, isso foi necessário quando ele a tirou, jogando-a longe.

Ofeguei diante dele. Meus lábios ardiam, mas não mais que o restante do meu corpo. Senti-me em chamas, por isso, me livrei do que restou de minha blusa. Liam pôs uma mão em minha nuca, fazendo-me inclinar o pescoço, o disponibilizando, desprotegido, para sua língua e dentes. Involuntariamente, arranhei-lhe as costas desnudas ao senti-lo sugar meu pescoço. Ele gemeu contra minha pele e isso me provocou muitos arrepios.

 

POV Liam


Precisava tanto dela que chegava a doer. Existiam tantas coisas para serem ditas, mas ali, àquela noite, seriam ditas por nossos corpos. Meus pensamentos seriam desenhados em sua pele, minhas esperanças expressas através dos beijos verdadeiros que se rendiam diante da mulher que fazia meu mundo girar.

Nunca declarei meu amor por ninguém, só que Helo merecia bem mais que palavras ou promessas. Se eu falasse eu te amo, não só seria pouco, mas também seria uma maneira deficiente de tentar persuadi-la. Precisava que ela sentisse na pele, no ar, dentro de si. Queria que tocasse e abraçasse tudo o que eu sinto por ela. E então, quando o dia amanhecesse, procuraria nossos pais e, com a ajuda e permissão deles, contaria a Helo os motivos de meus temores. Não seria fácil, talvez ela não me perdoasse quando descobrisse que a deixei propositalmente em Londres, esperando que isso a fizesse crescer. Só que ali, com nossos sentimentos expostos através de nosso desejo, tudo, absolutamente tudo parecia ser possível. Até mesmo um final feliz.

Fiz um trajeto com a boca, do pescoço dela até o ombro, acariciei suas costas, depois desabotoei o sutian. A pirralha respondeu minhas ansiedades, pondo a mão dentro da minha calça. Gemi ao seu toque ousado e muito gostoso. Fechei os olhos, entregando-me à sensação deliciosa que me proporcionou com vigor e habilidade. Cheguei a sentir meu membro dolorido de tanto tesão por minha pirralha.

Infelizmente, precisei tirar a mão dela do local para poder passar as alças do sutian por seus braços. Com a parte superior totalmente desnuda, a deitei sobre o carro e tive a visão que desejei a noite inteira. Helo manteve os olhos abertos, assistindo-me umedecer os lábios, sedentos por seus seios.

Antes de me saciar, desabotoei sua calça e me afastei um pouco para puxá-la até as coxas, depois, com algum esforço, me livrei da peça, juntamente com as botas. Minha pirralha não esperou que eu lhe tirasse a calcinha e me puxou de volta. Novamente, me coloquei entre suas pernas. O roçar de nossas partes íntimas me enlouquecia. Será que Helo sabia que cada centímetro de mim inflamava-se de desejo por ela, quase rompendo minha sanidade?

Voltamos a nos beijar, lambendo a boca um do outro, entre gemidos de provocações e entrega. Minhas mãos percorreram suas curvas da cintura até os seios, os quais, apalpei e acariciei. Quentes e macios, eram só meus! O feito da pele dela contra a minha foi devastador. Meu lado mais primitivo rugia como um leão, desejando devorá-la. Já o lado apaixonado almejava prolongar aquilo até que Helo percebesse que eu já não podia ficar sem ela.

Helo arqueou as costas, gostando dos meus dedos brincando com seus mamilos. E essa foi a minha chance para lambê-los.

 

POV Helo

 

Com as mãos apoiadas no capô deixei que Liam me tivesse do jeito que ele gostava. Hora mordendo-me, hora sugando-me. Ele estava me enlouquecendo e sabia disso, pois como dissera outro dia, conhecia meu corpo como a palma de sua mão.

A química entre nós, na intimidade, era perfeita. Ele havia sido meu primeiro em tudo, por isso, meu corpo o reconhecia e o idolatrava. Eu não precisava pedir e ele não precisava perguntar.

Liam puxou ainda mais meu quadril para junto do seu. Era impossível não perceber o quanto ele estava me querendo. Com uma mão, ergui sua cabeça procurando por seus lábios. Trocamos um beijo molhado antes de eu lhe morder o maxilar. Pretendia espalhar selinhos por toda sua barba rala, só que me desconcentrei completamente no momento que o senti me tocar intimamente.

Gemi um pouco mais alto e isso o impulsionou a continuar me estimulando. Liam era tão bom naquilo que me deixava sem fôlego. Contorci-me segurando firme sua nuca, depois, subi a mão até seu cabelo, minha boca logo encontrou sua orelha que foi mordiscada e lambida.

Sons roucos brotavam de sua garganta, conforme me explorava, até que ele pareceu não conseguir mais se conter e afastou-se, puxando minha calcinha preta. O ajudei a se livrar da peça. O vi, ansioso, baixar só um pouco a calça, nem chegou a passá-la pelo quadril. Sorrimos quando ele buscou um preservativo na carteira.

Pouco tempo depois, nossos olhares se encontraram, firmes e irredutíveis. Nosso desejo forjado em um fogo que tinha consumido muitas diferenças, problemas e obstáculos, agora, finalmente, podia se manifestar por completo.

Ofegamos juntos. Então, colamos nossos corpos e, com a penetração abrupta e apaixonada, nos libertamos, nos doamos. O prazer transpassava meu corpo como eletricidade. Meu coração palpitava frenético e, naquele momento, senti que Liam Payne era meu.

A descarga de sentimentos que nos atingiu estabeleceu um ritmo desesperado e incontrolável. Faíscas de prazer ondulavam por meu corpo e respirar era quase impossível.

Nossos gemidos tornavam-se cada vez mais altos, tormentos de um desejo há muito reprimido. Meu Payne pousou a testa na minha, ardendo em febre. Arfamos com os novos movimentos de seu quadril. O fitei perplexa com a beleza de seu rosto. Os olhos bem fechados, a boca entreaberta, cada traço e linha facial denunciando o prazer que sentia. A visão provocou espasmos por alguns dos meus músculos, uma sensação gostosa e indescritível. Quando fazíamos amor era sempre tão profundo que palavras eram totalmente desnecessárias.

Deitei-me no capô e, sob as estrelas de Londres, entreguei-me ao prazer que meu Liam me proporcionava. Uma das mãos dele passeava por meu corpo, enquanto a outra segurava meu quadril junto ao seu. Encaramos-nos no momento em que atingimos quase que sincronizados o clímax. O frenesi de sentimentos e sensações explodiu como estrelas dentro de mim e, pelo semblante de Liam, percebi que ele passava pela mesma experiência. Foi completo e ... perfeito!

 

(...)

 

Após fazermos amor, nos aninhamos no banco traseiro e, com o teto do conversível levantado, assistimos o nascer do sol. Nenhum de nós ousou falar, enquanto assistíamos o céu servir de tela para os tons de rosa e laranja que pintavam o céu da manhã de Segunda.

Liam, deitado, mantinha-me em cima dele, com a cabeça na curva de seu pescoço. Me abraçava e protegia como sempre fazia em todas as circunstâncias.

Eu estava tão feliz que tinha esquecido todas as minhas aflições. Durante aquele tempo apenas vivi, não me importando com o futuro. Uma música antiga tocava no rádio, um som distante que faz aquele momento parecer ainda mais surreal. Não demorei a notar que se tratava de uma canção do Elvis. Quando eu menos esperava, liam cantarolou aos sussurros um trecho do refrão, o mesmo titulo da música:

– For I can't help falling in love, with you...(Pois eu não posso deixar de me apaixonar, por você...)–

Erguia lentamente a cabeça e o fitei sem saber o que falar. Liam mexeu-se, tentando se sentar e eu saí de cima dele. Nos acomodamos no banco, um de frente para o outro. Ele pegou minha mão direita e a abriu, acariciando a palma e deixando a superfície plana. Ele me pareceu nervoso ao sorrir torto, olhando para baixo.

Quis perguntar o que ele pensava, mas o esperei falar.

– Helo, você quer...

Ele parou , suspirou e, então, com o dedo indicador, fez um desenho invisível na palma da minha mão. Prestei bem atenção e notei que ele escrevera um N, logo depois um e a sequência foi ficando fácil de entender... M O R A R?

– NAMORAR? – Perguntei pasma.

– Comigo? – Murmurou.

Minha boca se abriu automaticamente, só que nada saiu dela. Demorei alguns segundos para cair na real. Eu quis gritar de felicidade, mas ao invés disso, peguei a mão dele e, na palma, escrevi: S I M.

Subi no colo dele, uma perna de cada lado, tomei-lhe o rosto entre minhas mãos e o beijei com todo fervor.

 

(...)

 

Ao voltarmos para casa, fui direto para meu quarto trocar de blusa e Liam foi caçar alguma coisa na cozinha para comermos, estávamos famintos.

Tentei arrumar meus cabelos bagunçados enquanto entrava na cozinha e isso me pareceu uma vã preocupação, já que Liam estava tão desarrumado quanto eu.

– O que tem aí? – Perguntei, sentando na ponta da mesa.

– Um pouco de torta de chocolate e pizza gelada.

– Torta. – Estendi as mãos. Eu adorava aquela torta.

Ele estreitou os olhos, hesitando em me dar.

– Vai comer sozinha?

– Claro!

O idiota simplesmente tirou uma lasca da torta e a comeu na minha frente. Fiz uma cara de falsa surpresa.

– É a minha torta favorita! – Emburrei.

– Agora é minha! – Despreocupado, continuou comendo-a.

Saltei da mesa e fui tomar-lhe a travessa. Liam a ergueu alto demais, aproveitando-se da minha baixa estatura.

– Só te dou com uma condição.

– Qual?

– Diz que é minha pirralha! – Mexeu as sobrancelhas para cima e para baixo todo malandro.

FALA SÉRIO!

Como eu estava faminta e a fim de agradar, disse:

– Sou sua... – Revirei os olhos. – ...pirralha!

– Viu, nem doeu, pirralha!

Encostou os lábios nos meus em um beijo singelo. Depois, sorriu, aproximando lentamente a travessa de minhas mãos. Feliz, tentei pegá-la e o babaca a levou para longe, andando pela cozinha, como se nada tivesse acontecido.

– Liam, você é um safado! – Bati o pé no chão.

O que ele fez? Riu de mim!

Foi nesse momento que ouvimos murmúrios vindos da sala.

– É seu pai! – Liam jogou a travessa sobre a mesa. – Ele vai me matar se souber que te trouxe para casa só agora!

ELE ESTAVA ERRADO, RAUL IA NOS MATAR!

Aflita, sussurrei:

– Debaixo da mesa!

Mal terminei de falar e o Payne e eu já havíamos nos escondido lá. Rimos baixinho de nossa infantilidade.

– É impressão minha ou ouvi Patrik gritar ontem à noite? – Perguntou Lili, que acabara de entrar na cozinha.

– Não ouvi nada. – Respondeu meu pai.

– Odeio aquele viado! – Sussurrei baixíssimo e Liam tapou imediatamente minha boca.

– Meu amor, acho que vou contar para Helo hoje... – Disse meu pai.

– Sobre minha gravidez?

– O QUÊ? – Sobressaltei, batendo a cabeça na madeira.

– HELO! – Exclamou Lili, surpresa.

Saí de debaixo da mesa, aturdida. Fitei o Payne e ele se posicionou ao lado de sua mãe.

– Querida... – Meu pai começou. – ...precisamos conversar!

– ELA ESTÁ GRÁVIDA? – Aquilo não entrava dentro da minha cabeça.

– Sim. – A mosca morta respondeu como se fosse algo banal.

– Como é possível?

Queria estrangulá-la!

– Helo, não faça um tempestade em um como d´agua! – Raul a defendeu.

Baixei a cabeça, respirando fundo. Como não fazer uma tempestade? Lili não era mais a noiva de meu pai, alguém que um dia podia sair de nossas vidas e simplesmente desaparecer como se nunca tivesse existido. Agora, ela era a mãe do filho dele e por isso nunca, nunca mais sairia de nossas vidas, pois um laço de sangue havia se formado.

Uma criança?

Ouvi zumbidos ininteligíveis vindo do casal à minha frente, porém, meu cérebro não absorvia as informações, pois estava preso a uma revelação para a qual eu não estava preparada. Sem mover nenhum músculo, permaneci calada, mas raciocinando.

Não conseguia considerar o filho da mosca morta, meu irmão. Passei a mão na testa e senti que perderia meu pai de vez. Se com a noiva, ele simplesmente me deixou de lado, com um bebê na história, eu seria esquecida.

ESQUECIDA.

A palavra ecoou em minha mente.

– Helo. – Liam chacoalhou-me levemente pelos ombros.

Entorpecida, o fitei e perguntei:

– Você sabia disso?

Ele me largou e demorou alguns segundos para responder.

– Eu sempre soube!  

Olhei a barriga de Lili e só agora, prestando muita atenção, notei o leve volume disfarçado por um vestido largo.

– Há quanto tempo isso... – Mal conseguia formular frases.

– Ela está com 12 semanas de gestação! – Informou meu pai.

Fiz as contas rapidamente e me indignei.

– 3 meses? Quando pretendiam me contar? Quando nascesse? – Ofeguei.

Lili, pálida, agarrou a mão de meu pai.

– Meu amor, é melhor você ir para cama. – O idiota do meu pai não estava nem aí para mim.

– A gravidez dela é de alto risco. Minha mãe não podia nem estar ouvindo essa conversa. Qualquer emoção forte pode ser...fatal... – Ele olhou para a mosca morta.

Fechei os olhos, tentando me conter.

– Íamos te contar quando chegasse o momento propício. – Não queria ouvir o lamento de Lili.

Encarei Liam e, perturbada, exigi uma resposta.

– É por isso que não podia me falar nada no mirante? O que isso tem a ver conosco? Por que isso o impede de falar que gosta de mim?

– Temi que a gravidez de Lili trouxesse à tona aquela velha Helo que é impossível de se conviver... uma Helo que não vou conseguir manter na minha vida. Realmente, não quero que isso aconteça. Por isso, estava esperando ter certeza de que você tinha mudado de uma forma irreversível, esperei que tivesse maturidade para lidar com isso da melhor forma possível.

– Do que está falando? Estava esperando que eu passasse um atestado de boazinha para ficar comigo?

– Caso não se lembre, não conseguíamos nos dar bem, era um caos, eu estava ficando maluco e você também! – Alterou um pouco a voz. – Olha como está agindo agora. Parece que vai perder a cabeça a qualquer momento. Achei que aceitaria melhor novas circunstâncias.

Ele certamente estava percebendo minhas mãos trêmulas e minha respiração acelerada.

– Aceitar melhor? Meu pai decide casar e eu fui a última a saber, agora vai ter um filho e novamente sou a última a saber? Sério, como esperam que eu reaja? Que solte fogos? Eu não quero nada disso! – A última frase saiu em forma de gemido.

– É assim que as coisas são agora, Heloiza. Precisa aceitar! Logo se acostumará com a ideia de que posso ser seu pai e da criança que está por vir. – Meu pai se impôs e isso me irritava muito.

Balancei a cabeça tentando realmente aceitar, mas era tão difícil. Eu queria muito agir como eles esperavam. Infelizmente, meu coração estava apertado, pois me sentia pressionada a aceitar algo que eu não queria ou perderia Liam e possivelmente meu pai. Era tão injusto! Quer dizer que, se eu pirasse, eles esqueceriam os sentimentos que diziam ter por mim?

– Helo, se esforce. – Liam tentou ser persuasivo. – Você estava indo tão bem, mudou tanto, cresceu. Por favor, não retroceda agora!

Cabisbaixa, ergui uma mão sinalizando para que ele se calasse. Então, falei com muito esforço.

– É por isso que me deixou, e, Londres? Me abandonou por me achar infantil? – Mesmo que, de fato, eu fosse infantil, magoava muito.

Ficaram todos em silêncio. E percebi que havia algo pairando no ar.

– Sim! – Falou simplesmente. – Era preciso. Desculpe!

– Era preciso!? – Ironizei. – Era preciso me largar para satisfazer seu capricho de me ver aceitando a mosca morta? – Não quis ofendê-la, mas eu já havia me acostumado a chamá-la assim.

– Não chame ela assim! – meu pai chateou-se e Liam também.

Engoli o choro e disse-lhes, severa.

– Liam, você é um idiota, o que fez foi...! – Quis gritar.

– Por favor, não o culpe... – Lili segurou a mão do filho. – ... ele gosta tanto de você. A ideia foi minha!

Pisquei os olhos, chocada.

– Como?

– Raul, leve minha mãe para o quarto. – Liam falou, me encarando.

– Não! Ficarei! – Ela exclamou.

– Lili, não vou permitir. – meu pai tentou segurá-la, mas ela não deixou. Ele devia estar com medo de levá-la a força, por conta de seu estado.

– Helo, foi tudo ideia minha. Fui eu quem disse para Liam te deixar. Achei que você fosse...

– CALEM A BOCA! – Gritei, pondo as mãos nos ouvidos.

Fui atingida pela mesma dor que me dilacerou àquele dia em que Liam se foi. Um misto de amargura, raiva, desespero e aflição.

– Lili não tem nada a ver com isso. Fui eu quem tomou a decisão, achei que seria bom para nós. Foi muito difícil no começo, mas olha só onde chegamos! Tanta coisa mudou...

– CALEM... A BOCA! – Repeti, me afastando.

 

Expirei com muita força, prendendo o ar nos pulmões, não suportando o espasmo violento em meu peito. Para meu total desespero, as lágrimas começaram a escorrer por meu rosto. Tentei engolir o choro, mas foi impossível.

Os três ameaçaram falar ao mesmo tempo e os impedi, fazendo sinais com as duas mãos, pedi um tempo.

Então, eu simplesmente chorei alto. Colei os punhos cerrados na testa, meu pranto certamente podia ser ouvido na casa inteira. Havia prendido aquele choro tempo demais, ele explodiu dentro de mim. Isso durou cerca de meio minuto. Com as forças que me sobraram, falei totalmente fora de controle.

– VOCÊS NÃO SABEM O QUE FIZERAM COMIGO! NÃO TINHAM O DIREITO!

Como podiam ter planejado com tanta frieza um dos piores momentos da minha vida?

– Helo... – Liam gemeu.

– Você me usou! – Fitei Lili. – Me manipulou! Se fingiu de boa madrasta para me tirar do seu caminho. Me impediu de destruir sua felicidade destruindo a minha! Parabéns! – Aplaudi. – Você conseguiu ser mais baixa que eu! Nunca fui falsa com você, quando te odiava mostrava isso e quando não... também. É um gênio, me manteve ocupada sofrendo, enquanto armava todo esse seu joguinho.

– Isso nunca foi a minha intenção, juro! – As lágrimas dela não me comoveram. – Não fui falsa com você. Helo, eu desejo sinceramente sua felicidade!

– E você... – Encarei Liam, me afastando um pouco mais. – ...me partiu ao meio! – uma nova torrente de lágrimas acompanhou a acusação. – Me fez sofrer tanto que... que... – Era muito difícil falar. – ...que passei a te querer de qualquer jeito, não importando as circunstâncias ou as loucuras que teria de fazer, só para acabar com o vazio no meu peito! O pior é que aceitei, me conformei, abandonei tudo que eu acreditava só para te ter de volta! – Meus soluços eram tão altos quanto a minha voz.

– Também sofri, você não imagina o quanto! Te deixar foi a coisa mais difícil que já fiz!

– Não sou um brinquedo... – Enxuguei as lágrimas em vão. – ...não podem me manipular, não podem me mudar, eu sou assim!  Sou humana mesmo que não pareça! Tenho muitos defeitos e poucas qualidades... Sim, sou um problema! – Fiz uma pausa antes de murmurar. – Só que não mais o de vocês!

– Helo, por favor, tente se acalmar. – Pediu meu pai, mais preocupado com a sua noiva que chorava em seus braços.

– Não sou mais o problema de vocês! – Repeti friamente. – Raul, pode ter sua mulher! Lili, pode ter seu marido, filho, casamento... tudo que sempre quis. E você Liam... – A raiva era o combustível da minha dor. – ... pode ter o que plantou!

– Heloiza! – meu pai gritou

Dei as costas para eles e corri para a sala. No porta chaves, peguei a chave da Mercedes e rompi porta à fora. Já perto da garagem, Liam me alcançou e abraçou-me por trás, prendendo-me.

– ME SOLTA! – Berrei sem forças para me desvencilhar, tamanha era minha angústia. – Me dei tanto para você, desde o começo fiz tudo o que queria com as aulas e todo o resto. É assim com você, não é? Estabelece uma meta e consegue. Vocês jogaram com o que eu sentia, montaram estratégias para me ver submissa. ODEIO TODOS! ODEIO TODOS VOCÊS – Gritei. Magoada, gemi. – Por favor, me diga se me fizeram ficar apaixonada de propósito, me diga se isso é mais uma estratégia de vocês.

– Não, Helo, o que aconteceu entre nós nunca foi planejado. Foi inesperado, sabe disso!

– ME LARGA! – Tentei chacoalhar o corpo e não consegui.

– Não posso. – Murmurou, afundando o rosto em meus cabelos. – Eu te amo!

Chorei alto. Antes, eu queria tanto ouvir aquilo, no entanto, agora não havia nenhum sentimento em mim que retribuísse o que ele disse. Só existia espaço no meu coração para um sentimento de cada vez, e aquela era a vez da mágoa. Nunca me recuperei totalmente do abandono e, os acontecimentos trouxeram todos os traumas a tona. Já não existiam mais duas partes de mim e sim, várias. Eu estava estilhaçada.

Ouvi soluços vindos do Payne, ele também chorava.

– Me desculpe por ter te magoado tanto! – Manteve seus braços como vigas de aço à minha volta e isso foi a única coisa capaz de me manter de pé. – Helo, você tem razão, eu não tinha o direito de fazer o que fiz! Achei que estava salvando o que tínhamos, mas infligi muita dor a nós. Agora, só quem pode salvar o que temos é você.

– Não! – Solucei.

– Por favor, Helo, por favor, nos salve!

– LIAM! – Gritou meu pai. – LIAM, VENHA RÁPIDO!

Ele me largou e olhou para a entrada da casa, assustado. Depois, me fitou com lágrimas nos olhos.

– LIAM, É LILI! ME AJUDA AQUI!

E ele se foi.

Me arrastei até a garagem entrei no carro. Forcei e a chave não entrou na ignição. A olhei e vi que tinha pego a chave errada. O símbolo da Suzuki de Liam estava nela.

Incapaz de voltar para dentro da casa, montei na Suzuki e dei a partida. Acelerei forte, o ronco alto do motor quebrou o silêncio da manhã. Deixei a garagem e logo, as proximidades da casa. Não pensei, simplesmente acelerei.

(Continua...)

 



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