História Os Outros - Capítulo 7


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Desculpem pela demora, mas a preguiça foi maior que eu, mas prometo que até o cão 12 postarei mais rápido possível

Capítulo 7 - The train girl and the man who wrote haiku


Fanfic / Fanfiction Os Outros - Capítulo 7 - The train girl and the man who wrote haiku

   1

 - Este será seu primeiro serviço fora da cidade, um homem das terras do Oeste havia me convocado, entretanto isso seria uma ótima chance para ver como você irá se sair. – Morgana colocava uma mala ao meu lado que parecia ser pesada pelo som que fez ao ser largada no chão enquanto abotoava meu terno pequeno que cobria até me umbigo com duas pequenas caldas atrás. – Tudo bem para você? Se não quiser eu irei, será meio difícil.

- Sim eu tenho certeza, eu quero aprender mais, eu quero... – Após terminar de me arrumar é por um chapéu preto não muito grande com uma pequena camélia rosa perto da faixa branca que cobria o centro. – Eu quero aprender mais sobre esse sentimento que todos valorizam tanto assim.

- Sim... Isso será ótimo, espero que tudo ocorra bem. – Chegando na porta já com a mala na mão ela segura minha outra mão. – Espero que encontre suas respostas um dia. – Apenas assenti.

Nos despedimos e segui andando pela estrada de terra, essa bermuda é confortável, mais que as que eu costumo usar, elas são mais confortáveis e os sapatos arredondados na frente mais espaçosos e confortáveis, a leve brisa me tocava deslizando pela minha pele permitindo assim me refrescar. Meu destino atual era até a estação de metrô, eu me sentia em uma filme que se passava em 1895, em que os trens eram usados. Ao chegar ele já estava lá, pessoas embarcaram nele e saíam, estavam todos arrumados como se fossem parte de uma cidade normal, ao chegar perto entrei é me sentei perto da janela que me dava uma ótima visão, ergo a mala e à boto do meu lado.

- Eu posso me sentar aqui à sua frente? É que todos já ocuparam os outros lugares, eu vou parar na próxima parada, você para? – Uma garota carregando três sacolas acompanhada de uma faixa azul marinho cobrindo onde deveria ser seu cabelo.

- Claro, sem problemas, eu vou para as terras do Oeste. – Ela se sentou à minha frente e colocou suas sacolas ao seu lado como eu havia deixado minha mala. – Qual o seu nome?

- O meu nome é Stacia, vim até a cidade grande para comprar algumas coisas e ainda irei parar na próxima parada para comprar mais algumas coisas. – O trem andava lentamente até começar à acelerar nos levando para nossos destinos diferentes. – Você é um escrivão? Porque se for, pelos deuses, isso é incrível.

- Por que? É raro ver alguém da minha profissão?

- Sim e é mais raro ainda quando se é um homem, normalmente são mulheres.

- Nossa... Assim me sinto honrado. – Sorrio meio envergonhado.

O trem começava a diminuir a velocidade assim parando na estação em que Stacia iria descer.

- Bom obrigado pelo favor, qual seu nome mesmo? – Ela pegava suas sacolas.

- É... Hiago, o meu nome é Hiago. – Abaixa a cabeça meio envergonhado, mas a erguia sorrindo.

- Adeus Hiago espero nos encontramos um dia de novo.

Ela andava pelo corredor estreito e desembarcava do trem, assim mais pessoas saíram logo atrás dela e outras entravam, assim logo após ter ocorrido a troca de passageiros o trem seguiu seu caminho, a visão que eu tinha da janela era de um lago cristalino que brilhava com o reflexo da luz do Sol, as nuvens pareciam mais escuras que o normal, provavelmente irá chover, seria a primeira vez que veria chuva neste mundo, será que a chuva daqui é diferente da do mundo dos vivos? Tipo, imagina uma chuva que era um loop, caia e logo depois de terminar retornava ao céus como se estivessem regredindo. Certamente deve ser normal, não deveria criar tantas expectativas sobre isso, estou até que feliz que eu seja um dos únicos escrivães homens.

Depois de cerca de trinta minutos o trem parou e me levantei pegando no apoiador usando a minha mão esquerda erguendo a mala e andei pelo corredor meio apertado pelo movimento de outras pessoas, ao sair fora senti a brisa gelada das terras do Oeste, eram ótimas e revigorantes depois de uma viagem dessas. Caminhei pela estação até achar a saída e se deparar com uma cidade composta por cristais prisma e fontes de água, era com certeza uma visão única, prédios decorados com prismas que pareciam transbordar de tanta beçeza, ainda mais em alguns momentos que pareciam repelir as sete cores quando a luz entrava em contato com eles, assim formando um pequeno e leve arco-íris. Muitas pessoas estavam aqui hoje, varias delas possuíam um colar com um prisma no formato de uma rosa, provavelmente são feitos por outras pessoas, pois as possibilidades de serem formados naturalmente são quase nulas. Me lembrei do serviço que me foi confiado então retirei de meu bolso traseiro um papel com o endereço de onde eu deveria ir, estava escrito que era para mim ir para a Rua Azul, as ruas desta cidade deviam ser organizadas pelas sete cores do arco-íris, pelo menos é o que acho em teoria, andei pela cidade e à cada rua eu me surpreendia com a beleza exuberante que ela possuía, até chegar a Rua Azul, ela só possuía uma casa, ela era feita de uma madeira clara, poderia ser de eucalipto, provavelmente, ao me aproximar mais dela pude observar melhor aos detalhes, na varanda do segundo andar dava para ver, não tão nitidamente, mas era claro que eram duas poltronas.

- O que quer aqui? Alguém como você não é bem vindo aqui, estou esperando uma escrivã famosa chamada Morgada. – Um homem de cabelos dourados saia da sombra de uma árvore, cujo estava deitado abaixo, porém não havia notado.

- A Morgana me mandou, eu sou Hiago... – Ele olhava meio irritado para mim, abaixo a cabeça.

- Nem ao menos consegue se apresentar direito e ainda mais está na profissão de uma mulher. – Ele se aproximava de mim. – Você parece ser bem frágil...

2

- Nossa meu amor... – Aquela pessoa meio embaçada de minhas memórias de aproximava de mim e botava a mão em meu pescoço. – Você parece tão frágil...

3

- Não! – O empurrava para trás, o homem apenas me observou com um olhar surpreso e sorrio.

- Você não é como eu pensei, venha, mas não pense que irei te tratar bem só porque parei. – Ele andava até a porta com as mãos nos bolsos de sua calça jeans.

O acompanhei, mas não conseguia tirar da cabeça aquilo que havia passado por um momento, como um flash de Luz em minhas memórias, aquilo me trouxe uma sensação horrorosa, me trouxe desconforto. Após entrar observei todos os aspectos desta casa, haviam quadros com rostos riscados e estava um pouco desarrumada, ele parou perto à geladeira e escreveu um bilhete que dizia que eu teria que limpar a casa e mais tarde veríamos o caso da carta. O que esse homem acha que eu sou? Um empregado? Mas como as regras diziam, eu teria que fazer o que o cliente desejasse até se sentir a vontade para assim o escrivão poder datilografar a carta, apenas fiz o que ele havia me ordenado, entretanto primeiro deixei meus pertences à mesa e comecei varrendo o local, enquanto varria notei vaias anotações sobre o trem e uma garota que embarcada nele todos os dias, dizia que ela sempre pegava o mesmo trem, todos os dias, na mesma hora, sempre, será que ele observa essa garota? Ele deve ser algum tipo de tarado, nas fotos que ele tinha espalhadas pela casa só dava para ver o rosto dele, pois quando estava acompanhado nas fotografias ele riscava o rosto dos outros individuos.

Após ter limpado toda casa que levou a manhã inteira, provavelmente ele não limpava a dias, ele saiu de um dos cômodos e me colocou um bilhete à mesa dizendo para eu organizar o Jardim dele, ele já estava abusando do contrato que se é estabelecido, portanto fiz o que ele desejava, eu recolhi as folhas mortas, reguei as flores, mas havia uma árvore que eu não precisei nem ao menos tocar, uma macieira que já estava dando frutos, ela não tinha nenhum folha ao seu redor e nenhuma parte machucada ou seca por conta do calor, será que está árvore é importante para ele? Após novamente ter feito o que ele pediu havia outro bilhete em cima da mesa, um que dizia que eu teria que fazer a comida, admito que nunca me aventurei na cozinha, aquilo não era o meu forte, mas resolvi tentar enfrentar este desafio. Já são dezessete horas da noite, hoje foi um dia cansativo, portanto ele não me convocou para fazer nenhuma, eu parecia mais um empregado, eu fiz uma sopa de macarrão com alguns temperos naturais como cogumelos, eu adorava quando minha tia botava eles na sopa, dava um tom mais leve ao sabor e sabia muito bem quais escolher, ele saiu finalmente de seu quarto e se serviu e logo depois sentou-se à mesa e comeu a primeira colherada.

- É não está tão ruim... Amanhã quero que vá na mercearia e compre um quilo de carne de galinha caipira. – Ele olhou para mim com a colher entre os dedos.

- Mas senhor e a carta?

- Quando as condições forem favoráveis eu irei te dizer, agora coma, provavelmente irá passar a noite aqui. – Me servi, depois de quarentas minutos terminamos de comer todo o jantar, lavei a louça e ele à secou. – Boa noite. – Ele entrou em seu quarto e fechou a porta.

- Boa noite senhor. – Eu não sei o porque, mas ele parecia estar sofrendo com algo, ele sempre está com um olhar de quem estaria sendo abusado verbalmente, após cumprir meus deveres me recolhi no quarto de hospedes deitando na cama fechando meus olhos enquanto pensava no próximo dia que teria que enfrentar.

4

O som do cantar do pássaros me acordou, já era de manhã e se poderia ouvir barulhos na cozinha, me levantei e fui direto para frente do espelho me arrumar, nem pude tomar um banho antes de dormir, apenas ontem de manhã antes de vir, botei minhas roupas de serviço e abri a porta me deparando com aquele homem já preparando o café da manhã. Ele fez alguns waffles com melado por cima, pareciam estar bons, mas ele fez apenas para mim, me senti feliz até, nunca havia comido waffles assim, me sentei e os comi sem fazer pausa, estavam ótimos como eu previa.

- Como estavam? – Ele se apoiava no balcão de mármore.

- Estavam ótimos! Mas senhor...

- Meu nome é Stan, pode me chamar de Stan. – Ele olhou para um instante para mim é logo fechou seus olhos fortemente parecendo se forçar a algo. – Vá a mercearia, ande logo. – Fiz como ele havia dito, quando cheguei a porta e o olhei meu coração senti apertar, ele estava à chorar, sem querer me intrometer segui meu caminho até a mercearia.

As estradas estavam um poucos molhadas por conta da chuva que ocorreu está noite, pelo jeito eu acertei que iria chover, poças haviam se formado, as plantas pareciam mais revigoradas e todo o local renovado. Chegando na mercearia que era na mesma rua que a cada de Stan eu adentro e me deparo com um homem gorducho que usava um bigode charmoso.

- Bom dia meu jovem, o que deseja? – Ele andava atrás do balcão para perto de mim.

- O senhor Stan pediu que eu comprasse galinha caipira, um quilo para ser mais exato.- Ele corto alguns pedaços e colocou dentro de uma sacola plástica transparente e anotou em um caderno.

- Você faz o que na casa dele? – Ele me entregava a galinha e a segurei firme colocando uma mão por baixo caso a sacola se rasgue.

- Sou um escrivão convocado por ele.

- Pelo jeito você é mais um que veio aqui por nada, aquele homem chama todos os anos pessoas da sua profissão para casa dele, mas elas nunca conseguem escrever uma carta, pelo que soube ele tem medo de escrever para a filha.

- Para a filha? – Me aproximava mais do balcão.

- Sim, soube por alguns boatos que à uma garota com Alzheimer no trem que cruza as terras do Sul com as do Oeste, ela o pega todos os dias, sempre, teve uma época que ele ia todos os dias à ver no trem, mas nunca se aproximou dela.

- Ela nasceu neste mundo?

- Sim, é meio ridículo ter filhos neste mundo, mas quando a esposa dele faleceu, ele à plantou no jardim de sua casa, pelo que soube é uma macieira que consegue nos mostrar algo que queremos muito saber, mas ele nunca arrancou uma fruta sequer.

- Mas como a filha dele foi parar lá?

- No dia em que a mãe dela veio a falecer ela fugiu e pegou um trem, eles não eram daqui, eram de longe, mas por algum motivo a mente dela criou um looping, ela revive o mesmo dia varias vezes, muitos chamam de Alzheimer, mas eu prefiro maldição, uma maldição que aguarda ser quebrada um dia.

Após aquela conversa o paguei e segui meu rumo para a casa do homem em que fui convocado, entrando me deparei com um outro bilhete, quando o peguei para ler fiquei surpreso, era um haicai.

“A chuva tardia

Deixou perfumes de terra

Mas ruas molhadas”

5

Algumas horas se passaram sem eu ver ele, até que ele finalmente abriu a porta de entrada meio deprimido, pelo menos era oque se parecia, eu não sabia se ele queria comer galinha, porém já havia a votado para cozinhar.

- Obrigado pelos seus serviços, mas já pode voltar. – Ele se sentava a mesa e deitava sua cabeça sob ela.

- Mas você não escreveu a carta. – Me aproximava da mesa. – Eu não vou embora até escrever a carta para quem seja.

- Vai embora da minha causa, como você ouça falar assim comigo? Você é só um garoto em uma profissão de mulher, nem ao menos teve coragem se se apresentar direito no começo. – Ele se levantava bruscamente fazendo com que a cadeira caia deitada no chão.

- Eu... – Ele começava a rir debochando de mim. – Eu sou Hiago é sim é uma profissão de mulher, pode parecer estranho um garoto estar nessa área, mas eu só quero saber... Eu quero saber o que significa o amor, ele quero entender esse sentimento que todo mundo preza e eu não vou embora até eu escrever está carta! – Ele arregalou seus olhos e depois desviou o olhar para o chão.

- Eu não quero, eu não posso. – Ele pôs sua mão na barriga e aperto, sua camisa demonstrava isso.

- Tem alguma coisa que você oculta no seu coração? – No momento em que falei isso ele entrou em seu quarto e fechou a porta com toda força.

Algum tempo se passou e tudo que eu foi ficar na cozinha sentado esperando a galinha ficar pronta, eu o avisei que estava pronta, mas ele nem ao menos do quarto, será que eu forcei demais? Fui para meu quarto e peguei a mala meio triste, meu primeiro serviço oficial e foi um desastre. Fui para fora de meu quarto e fechei a porta lentamente é fui até a porta então a abri.

- Espere. – Ouvia o som da porta de seu quarto abrindo, o rangido entregava. – Eu quero que escreva a carta, uma carta para uma garota. – Eu me dirigi a mesa e coloquei a mala em cima e a abri retirando uma máquina de escrever.

- Podemos começar Stan.

Passamos uma hora ou duas escrevendo a carta, não porque ela era grande, não era muito, mas pelo fato dos sentimentos confusos que ele possuía sobre essa pessoa, quando ela finalmente estava pronta à entreguei a ele.

- Mas... – Eu insisti e coloquei a carta na frente de Stan.

- Eu sei que estou quebrando as regras, mas seria melhor se fosse até ela. – Ele me olhou surpreso.

- Eu não posso, ela deve me odiar, ela deve...

- Deve te amar acima de tudo, me desculpa por estar ultrapassando meus limites, mas é o certo.

6

Seguimos caminho para a estação e lá estava lá descendo do trem aguardando todos saírem, ela parecia esperar para poder entrar novamente. Stan parecia estar prestes a um colapso nervoso, ele tremia, ele suava, ele estava desesperado, até o momento em que ela finalmente se moveu, estava indo para dentro do trem.

- Stacia! – A garota olhou para ele com um sorriso no rosto, mas ia sumindo aos poucos. – Minha filha, venha cá. – Quando eles estavam próximos um do outro se abraçavam, após alguns minutos do reencontro ele entregou a carta a ela, ela à abriu e desdobrou para ler ela.

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Para minha querida filha Stacia

Tudo que eu tenho a dizer a você é, me perdoe, sei que espera todos os dias por ela a mais de 7 anos, me perdoe por não ter voltado, me perdoe por ter medo de não lembrar quem sou eu ou quem você já foi, mesmo eu te amando minha filha, eu fui inseguro se eu deveria mesmo vir até você, mesmo te amando eu deixei a dúvida me corroer e me levar à ruína. Tudo que eu mais desejo é fazer waffles deliciosos para você todas as manhãs, é te ver sorrindo coberta pela luz do Sol ou te ver dançar pela chuva que causava o odor da terra molhada.

Ass: Stan Drossel.

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Ela o abraçou novamente e naquele momento eu pude ter uma certeza, eu pude sentir que obtive uma peça desse quebra cabeça que quero completar. Ele veio até mim é me entregou um papel, após entregar ouço o condutor fazendo a última chamada, entrei e me sentei perto à janela olhando o fim dessa história, a história de um pai e uma filha separados pela a insegurança, separados pelo passado que os juntou novamente assim o esquecendo, o passado que se tornaria o futuro deles. Desdobrei o papel e era outro haicai, mas com certeza este seria especial para mim.

“ O amor não se define, sente-se”

Hoje eu consegui uma das peças o amor é.

I

N

S

E

G

U

R


Notas Finais


Thanks for reading


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