História Os quartos de Larry - Capítulo 21


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Casal Gay, Família, Gay, Lemon, Paixão, Policial, Romance, Romance Gay, Yaoi
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Lemon, LGBT, Lírica, Luta, Policial, Romance e Novela, Seinen, Slash, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 21 - O quarto segundo


Ronald recaiu com sua expressão fechada sobre o rosto de Maju que o olhava com uma expressão tão incisiva quanto a dele.

— Seja breve. — ele a deu permissão para falar mas não escondeu a má vontade — Não tenho o dia todo pra passar de conversa. Meu trabalho é muito sério.

— Eu só quero te dar um aviso. Ou melhor, um conselho. — disse friamente — Eu ainda não esqueci do estado em que o Victor ficou após a briga de vocês, e nem esqueci o que eu vi naquela noite. Você invadiu a nossa casa, bateu no meu noivo igual um maluco descontrolado, e só isso já era o suficiente para você ter muitos problemas. — ela tinha seu dedo apontado para o policial — A sua sorte é que o Victor tem uma compaixão tão grande que preferiu deixar para lá. Porque ele sabe bem o que aconteceria com seu emprego caso alguém soubesse como um homem que deveria trabalhar defendendo os cidadãos age. Mas eu não sou o Victor, entendeu? Eu amo meu noivo e só de pensar que ele está trabalhando ao lado de um cara com psicológico alterado como o seu eu já sinto arrepios. Mas não se engane, meu medo não vai me calar. Então, meu querido, antes de pensar em fazer qualquer coisa com meu marido, lembre-se que o pai dele é um cara influente e que não costuma resolver as coisas na base do diálogo. Se não quiser perder o emprego, ou até mesmo mais do que isso, não faça nada do qual se arrependeria.

Quando Maju terminou de falar, Ronald estava abismado. Não exatamente com o conteúdo da conversa, afinal já esperava que tivesse a ver com a noite da briga, mas sim pela determinação de Maju. A moça achava mesmo que ele era um cara alterado e que, sem motivo algum, poderia fazer algo contra Victor. Quando na verdade ela não sabia que na dita noite em que Ronald e Victor brigaram, seu noivo estava tentando levar o outro para a cama.

Somente agora Maju deixava a passagem aberta para que Ronald, sem dizer uma palavra sequer, caminhasse em direção a entrada da delegacia. Seu dia ia de mal a pior e só estava começando.

— Ei, ei, ei. — Victor o parou assim que Ronald atravessou a porta de entrada — O que a Maju tava fazendo aqui? — perguntou vendo enquanto a noiva caminhava em direção ao carro dela através da porta.

Ronald suspirou impaciente e foi em direção a sua sala, mas Victor foi atrás enquanto ligava os pontos em sua cabeça.

— Ei, Ronald. — tentou parar o outro enquanto ele seguia andando — Ei, cara. Me desculpe, ok? — pediu em vão.

Ronald entrou na sala e logo em seguida foi a vez de Victor. Ronald sentou-se à mesa procurando alguns papéis somente para ter alguma desculpa para não ter que prestar atenção em Victor.

— Ela só tá preocupada comigo. A Maju não é ruim. É só deixar a poeira baixar que ela vai esquecer disso e ficar tranquila. — Victor se justificava enquanto Ronald seguia de rosto enfurnado nos papéis. — Eu vou conversar com ela. Dizer que ela não pode vir ao meu trabalho assim.

Ronald tentava se segurar para não dizer nada. Tudo que Victor merecia dele era sua indiferença, mas talvez fosse realmente a hora de lhe dizer algumas verdades. Verdades que Ronald já havia guardado por tempo demais.

— Eu não a culpo. — Ronald assumiu abaixando os papéis e encarando Victor, que por sua vez olhava de testa franzida para ele — Eu culpo você, Victor! A Maju é só uma garota que acha que encontrou o homem perfeito. Um príncipe encantado. E agora está tentando não te perder de todas as maneiras. — afirmou e ele sabia bem o que dizia pois ele mesmo já havia sido a Maju da situação antes — O que ela não sabe é que o noivo dela não faz tantos esforços para manter o próprio noivado quanto ela.

— Eu já te disse, eu estava alterado, tinha bebido muito. — Victor mais uma vez tentou se justificar — Eu amo a Maju! Ela é a mulher que eu quero ter ao meu lado pelo resto da vida e eu faria qualquer coisa para que isso não fosse diferente.

— Ama mesmo, Victor? — Ronald perguntou chacoalhando a cabeça em negação — A ama mas toda vez que tiver alterado você vai tentar ir para a cama com outro homem? — perguntou e as palavras atingiram o outro como um soco — Você não está somente enganando uma jovem que poderia encontrar alguém que a amasse de verdade, você está se enganando. Mentindo para si mesmo acreditando que pode casar com uma mulher e ser feliz ao lado dela quando na verdade você queria estar deitado com outro homem. E você só faz isso por medo. Medo do que pode perder se fizer algo diferente do que seu pai espera. Não te julgo por ter medo de dizer a verdade ao seu pai, eu também não consigo dizer para minha mãe, mas eu não estou enganando ninguém. Eu não estou fingindo ser o que não sou. Então, Victor, se eu ainda posso te dar um último conselho, apesar de toda a merda que você já fez, eu te aconselho a pensar bastante se você de fato ama a sua noiva ou se ela será apenas a sua máscara de hétero para o resto do mundo.

Victor engoliu seco. Não sabia como rebater as palavras do outro. Tentava acreditar que Ronald estava errado, que ele amava Maju e que não estava apenas usando a moça, mas agora uma gota de duvida pairava em sua cabeça. E se ele de fato estivesse fazendo o que Ronald achava? Se ele estivesse de fato enganando uma moça incrível apenas por aparências? Tentou afastar aquela ideia de sua cabeça, era loucura! Disse a si mesmo. Mas agora não seria fácil tirar aquilo de seus pensamentos.

|...|

Os dias daquela semana passaram ambíguos. Quando juntos, o tempo para Ronald e Larry parecia voar, mas no restante do tempo o relógio parecia correr ao contrário. Quando juntos eles conversavam sobre o dia, trocavam alguns beijos e carinhos, ou assistiam algo na televisão. Sempre evitando que Marina visse algo além do que deveria. E falando na senhora, apesar de já estar trocando algumas palavras com Ronald e Larry, alguma coisa ainda estava diferente. A relação entre os três não estava firme como costumava ser. Havia também algo que surpreendeu Ronald naquela semana, Victor havia sigo outra pessoa desde quando o outro policial lhe disse aquelas palavras na delegacia. Se soubesse que algumas verdades fariam Victor deixar de ser irritante e passar mais tempo em silêncio, Ronald teria feito tudo isso bem antes. Por outro lado, todo o silêncio do outro policial parecia também esconder alguma tristeza. Ronald notava que a expressão de Victor transparecia dúvidas e inseguranças, mas tentava não se sentir mal por isso, pois quando pensava em tudo que o outro havia lhe feito, a balança pesava muito mais para o lado dele que o seu.

|...|

Era noite de sábado. Larry, no sofá da sala, estudava em seus livros para o vestibular, cada dia deixava o tão esperado, e temido, dia do exame mais próximo. A felicidade te ter uma chance de entrar no curso de fotografia lhe deixava nas nuvens, mas, ao mesmo tempo, o nervosismo causava embrulhos no seu estômago.

Naquele instante, enquanto respondia algumas questões em seu módulo de história, Larry ouviu a fechadura da porta da sala ser girada. A partir dali o coração pulsou mais forte, àquela hora da noite o jovem sabia bem de quem se tratava. Quando a porta se abriu e revelou o policial do outro lado, o sentimento dentro do peito de Larry foi traduzido em um sorriso em seu rosto.

O policial também não passou por aquilo imune. Seu coração e seu rosto pareciam tão alegres quanto o do mais jovem. Se aproximou cuidadoso, olhou pela passagem que dava na cozinha, procurando pela mãe, mas não avistou dona Marina. Após isso sentou no sofá ao lado do menor enquanto o observava.

— Eu já disse isso uma vez mas é impossível não falar novamente. — foi diminuindo a voz de acordo com o andamento da frase — Você fica lindo de óculos. — terminou em um sussurro.

Larry sorriu ainda mais manhoso, ouvir elogios de Ronald sempre lhe fazia acender de felicidade.

— E você é com essa farda. — retrucou mordendo discretamente a ponta do lábio — Fica a coisa mais linda desse mundo. Fica tão... — pensou bem antes de continuar — Homem!

E então os dois ficaram se olhando em silêncio pelos próximos segundos. Ambos pensando no quanto estava se sentindo bem com aquela relação que estavam cultivando. Independente dos percursos ao redor, quando sozinhos tudo parecia estar perfeitamente bem.

— E minha mãe? Onde anda? — Ronald encerrou o silêncio — Tá tudo tão quieto.

— Fez a janta, me desejou boa noite e foi para o quarto. — Larry contou desanimado — Ela nunca foi de dormir tarde, mas ultimamente anda dormindo ainda mais cedo.

— Me evitando. — Ronald disse e suspirou insatisfeito.

— Sinto muito. — Larry falou cabisbaixo.

Ronald se aproximou do mais novo, tocou seu rosto e lhe deu um singelo sorriso, querendo com isso afastar a tristeza que aquele assunto causava em ambos. Por fim, deu um rápido selinho em Larry que aceitou o afeto sem receios.

— Vou tomar um banho, tirar essa farda, depois eu venho te ver, ok? — Ronald falou levantando-se — Já jantou?

— Estava te esperando. — o outro confessou acanhado — Queria jantar contigo.

— Ótimo. — Ronald disse baixo enquanto caminhava em direção ao seu quarto.

Nos minutos seguintes, enquanto Ronald tomava seu banho gelado, Larry guardava seus livros e pensava no barbudo. Por um momento pensou no quanto gostaria de estar embaixo do chuveiro com o maior naquele exato momento. Trocando carícias com ele e entrelaçando seus dedos entre os pelos de seu peitoral, que, na realidade, nunca havia visto, mas sabia que existiam e tinha bastante vontade de vê-los. Mas apesar da vontade, se contentou em apenas Imaginar, sorrindo abobalhado quando o outro chegou de cabelos molhados até o sofá.

Larry levantou e os dois foram juntos para a cozinha. Marina havia preparado uma macarronada com alguns cortes de frango desfiado e aquilo causou um certo alívio em Ronald, por saber que a mãe ainda sabia qual o seu prato favorito e ainda se importava em agradá-lo. Não falou sobre isso com Larry, mas o mais jovem percebeu a serenidade do mais velho enquanto o assistia comer e imaginou que estava feliz.

— Eu estava pensando... — Larry disse entre uma mastigada e outra — Sei lá, se você não estiver tão cansado do dia... Quer dizer, claro que vai estar. — desistiu.

— Ei, não se acanhe. — Ronald o incentivou — Pode dizer.

— É só que eu pensei que poderíamos ir ao lago. — disse sem jeito — Aquele lugar é incrível e trás uma paz...

— Você é tão meigo. — Ronald riu com os lábios melados de maionese — Se você quer então a gente vai. Eu fico realmente pensando no quanto deve ser ruim pra você ficar só dentro dessa casa o dia inteiro. Eu ao menos saio para o trabalho, que não é exatamente um momento de lazer, mas ao menos eu vejo o mundo. Você não, dia e noite aqui dentro, fico preocupado contigo.

— Não se preocupe. Eu adoro essa casa, e adoro você e sua mãe também. Não é nenhum pesadelo ter que passar meus dias aqui, longe disso. — Larry respondeu sinceramente — Porém é claro que sair de vez em quando também é bom.

Após o combinado, terminaram o jantar, Ronald deixou a mesa e foi ao quarto de dona Marina ver se a senhora estava acordada e ao ver que ela já dormia fechou a porta calmamente e caminhou até a sala onde encontrou Larry no sofá.

— Vamos? — chamou o mais novo.

— Vamos. — o menor levantou do sofá empolgado. Dessa vez ele não cometeria o mesmo erro da vez anterior. Sua camera iria com ele e os quiosques iluminados não escapariam de sua lente.

No caminho, enquanto Ronald dirigia, Larry não se conteve em apontar a câmera para o barbudo e registrar aquele momento. Não era como se fosse a primeira vez que estivessem andando de carro juntos, mas algo dentro de Larry o fez querer ter aquela foto.

Ao chegarem ao lago, vendo os quiosques iluminados e algumas pessoas que ocupavam o lugar, pediram um suco e foram sentar em um banco um pouco mais próximo do lago e reservado do restante das pessoas. Chegando lá mais uma foto foi tirada por Larry, agora a famigerada foto dos quiosques.

— Tão lindinhos. — comentou enquanto a polaroide saltava para fora da câmera.

— Eles são. — o outro disse virando seu olhar para o lago — Você tem razão, esse lugar trás uma paz incrível. — Ronald completou fechando os olhos e dando um suspiro aliviado.

— Não foi uma semana fácil, não é? — Larry comentou pensando em como as coisas haviam mudado naquela última semana.

— Mas também não foi a pior semana de todas. Graças a você! — Ronald confessou — Você salvou a semana que tinha tudo para ser a pior de minha vida. Estar contigo me faz esquecer todo o resto.

— Sabe o que eu mais gosto desse lugar? — Larry perguntou e Ronald franziu a testa pela curiosidade mas também pela mudança abrupta de assunto — Não é o fato de ser lindo ou de trazer toda essa sensação de que tudo está bem. Eu adoro tudo isso, é claro, mas o que mais me faz gostar desse lugar é saber que foi aqui que eu tirei coragem do fundo da minha alma para te entregar aquele envelope. Foi aqui que eu consegui te contar, mesmo que através daquela mensagem, o quanto eu estava apaixonado por você.

Ronald ouvia aquilo estático, seu rosto estava sério mas seus olhos brilhavam em total encanto.

— Eu não quero que o que aconteceu entre você e Victor aconteça conosco, Ronald. — Larry disse desviando seu olhar para o lago — Não quero que nós nos acomodemos com o que estamos tendo sem realmente saber do que se trata.

— Larry... — Ronald tentou falar algo mas não conseguiu concluir.

O mais novo deixou de olhar para o lago e voltou a encarar o policial ao seu lado. Após isso respirou fundo, os olhos de ambos cintilavam. O silêncio foi absoluto. O primeiro segundo se foi, o segundo segundo passou, o terceiro foi logo em seguida, mas então, no quarto segundo...

— Você quer namorar comigo? — Larry perguntou decidido.

 

 

 

 

 


Notas Finais


Voltei, amores. E falando em amores, que amor que são esses dois!!!
E agora? Ronald vai aceitar o pedido lindo de nosso bebê fotógrafo? Tomara que sim!
Nossa história está bem próxima de acabar, devemos ter mais ums três ou quatro capítulos, mas eu já adianto que amei, amei, amei, escrever esse romance singelo e pé no chão.
Beijos e abraços.
Nos vemos nos comentários ❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️


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