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História Os Rapazes do Motel Oasis - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Oi. Bem vindos mais uma vez! Espero que estejam todos saudáveis.

Prometi tentar atualizar rápido e acreditem, isto é um recorde para mim. Estou feliz porque este capítulo não me custou nadinha a escrever (especialmente agora que estou fechada em casa 24 horas por dia) e espero do fundo do coração que gostem dele.

Desculpem qualquer erro. Sem mais demoras, boa leitura!

Capítulo 2 - DOIS - Champagne Supernova


✰✰✰

❝'Cause people believe

That they're gonna get away for the summer

But you and I, we live and die

The world's still spinning 'round, we don't know why❞

Oasis - Champagne Supernova

DOIS

 

Inverno de 1991

Baekhyun despertou com algumas batidas na porta do quarto. Inclinado sobre a pequena mesa de madeira, adormecera com a caneta entre os dedos. Estava mais cansado do que imaginava e a noite anterior passada no colchão duro não o tinha satisfeito, mas era agora mais do que evidente que preferia o colchão rígido, pois dormir em frente à mesinha havia resultado numa desagradável dor de costas. Piscou os olhos algumas vezes, voltando a ouvir batidas leves na porta de madeira atrás de si. Esfregou os olhos, tentando acostumar-se à claridade da luz do quarto. Não sabia que horas eram nem por quanto tempo tinha dormido, mas o céu negro lá fora dizia-lhe que já seriam para lá das 20h. 

Levantou-se do chão e esticou os braços no cimo da cabeça para se alongar. Depois abriu apenas uma fresta da porta, espreitando para o lado de fora. O coração pareceu bater mais rápido ao ver Sehun encostado à porta da frente. Escondia as mãos atrás das costas e tinha a habitual expressão fria no rosto, que elevou assim que ouviu a porta do quarto de Baekhyun abrir. Desencostou-se para se aproximar e quando viu Baekhyun fechar a porta de fininho colocou o pé na fresta ainda aberta. Ouviu um suspiro cansado, mas mesmo assim pousou a mão na porta para a empurrar calmamente, abrindo-a. Baekhyun não queria falar com ele. Na verdade, não queria falar com ninguém, mas não teve escolha quando Sehun deu um passo em frente, entrando no seu quarto e fechando a porta atrás de si.

— O que estás aqui a fazer? — Baekhyun não tardou a perguntar. Sehun caminhou lentamente até à mesa de madeira onde o mapa de Baekhyun estava pousado, lançando-lhe um olhar curioso antes de responder. Baekhyun aproximou-se, fechando o seu caderno rapidamente.

— Não apareceste no bar para almoçar nem para jantar. — Sehun murmurou, voltando então a sua atenção para o rapaz agora apoiado nos seus joelhos enquanto colocava o caderno e a caneta ao lado da mesa. — A partir das 23h já não servem jantar, então trouxe algo para o caso de estares com fome.

Baekhyun elevou calmamente o rosto, vendo Sehun segurar um saco de plástico entre os dedos. Estava habituado a saltar refeições, mas a intenção de Sehun tocou-o e então decidiu não dizer nada. Sentaram-se frente a frente e o saco foi deixado em cima da mesa depois de Baekhyun retirar o seu mapa e o colocar no chão. Sehun observou-o com atenção enquanto este analisava o interior do saco. Deu a Sehun um olhar desconfiado, enfiando a mão no saco para retirar o seu jantar.

— Obrigado… — Proferiu, vendo os cantos dos lábios de Sehun curvarem-se ligeiramente num pequeno sorriso. — Foi por isso que viste aqui?

— Na verdade, também vim pedir desculpa. — Apoiou o rosto na palma da mão, prendendo o lábio inferior entre os dentes. Baekhyun, que picava a comida com o seu garfo, elevou o olhar. — O Jongin é estúpido.

— Tu também. — Baekhyun respondeu num murmúrio, sendo apanhado de surpresa pela gargalhada de Sehun. Baekhyun não estava chateado com ele, e sim irritado com a situação em que se havia colocado mais cedo. Sabia que o rapaz à sua frente não o tinha obrigado a fazer o que quer que fosse e que a culpa era pura e simplesmente dele mesmo, mas sentia a necessidade de expressar a raiva de alguma forma.

— Talvez eu seja um pouco. — Respondeu ainda com um pequeno sorriso, pousando o olhar no mapa esticado no chão. — Posso?

Baekhyun alterou o olhar entre Sehun e o mapa. O sorriso já não lhe ocupava os lábios e agora uma aura ligeiramente misteriosa sondava-o. Baekhyun odiou o nó de confusão que se criou dentro dele. Estava habituado a se deixar levar pelo pressentimento. Conseguia compreender as pessoas apenas com um olhar e era bom a ler expressões. Porém, olhar para Sehun era como olhar para uma tela cheia de pinceladas desordenadas. Bonito, porém, confuso. O sentimento de não conseguir decifrá-lo apenas com um olhar maçava Baekhyun profundamente. Não queria apenas apreciar Sehun, queria entendê-lo.

Assentiu levemente com a cabeça, vendo Sehun puxar o mapa para si e pousá-lo no colo. Olhou atentamente com uma expressão séria que, por algum motivo, deixou Baekhyun nervoso. Mastigou o jantar devagar, esperando uma reação do rapaz à sua frente.

— São… os países que quero visitar.

— Temos destinos parecidos. O mapa na receção é meu.

Baekhyun sentiu o seu interior transbordar de curiosidade. Lembrou-se do mapa que ocupava a parede atrás do balcão rodeado de post-its que vira na noite em que chegara e quis saber quais os planos de Sehun, mas a timidez, mais uma vez, travou-o de questionar.

— Ainda não consegui concretizar nenhuma delas. — Sehun continuou. — Como já te disse, saí de casa com a tua idade. Não é como se tivesse uma fortuna para viajar. Mas de qualquer forma, porque fugiste?

Baekhyun sentiu o coração bombardear com a pergunta repentina. Esfregou as mãos um pouco suadas nas pernas, passando a língua pelos lábios. Sehun prendia o olhar em Baekhyun enquanto esperava a sua resposta. Fora direto ao ponto. Estava tão intrigado acerca dele que podia estourar. Via-se a ele mesmo em Baekhyun — as ações, os gostos e até mesmo a timidez que precisou ultrapassar quando se viu obrigado a trabalhar na receção do motel do tio. Não conhecia o rapaz de 18 anos que aparecera ali a meio da noite e, sem saber ao certo a razão, queria desesperadamente conhecer. Vendo Baekhyun tão calado, voltou a falar.

— Não é como se enganasses alguém… — Murmurou num tom de troça, vendo Baekhyun desviar o olhar constrangido. — Passei pelo mesmo que tu. Leio nas entrelinhas.

Fitaram-se por longos segundos que pareceram horas para Baekhyun, que sentia um peso enorme no peito ao pensar na vida que deixara para trás. Os colegas, os amigos e especialmente os pais. Preocupava-o que os pais não tivessem seguido com o seu pedido tão honesto de não o procurar e tinha medo de que a polícia já estivesse envolvida na situação. Tinha saudades dos progenitores, porém, esse sentimento não parecia forte o suficiente para que ele voltasse ao lugar que o fazia sentir um nada.

— Estava farto, só isso. — Revelou baixo. Não desabafava há tanto tempo que as palavras pareciam doer quando passavam pela garganta, rasgando-o por dentro. Molhou os lábios, enchendo os pulmões de ar. Parecia pensar no que dizer, mas ao mesmo tempo o medo de se revelar estava tão entranhado no seu peito que deixou as palavras morrerem antes de as proferir.  — Não há muito a revelar… Nem sobre mim nem sobre a minha história. Não sou tão interessante. Só queria liberdade.

Sehun inclinou-se para trás, apoiando as mãos no chão.

— Com que dinheiro? Quer dizer, se vieste para um sítio como este, não deves ter muito.

— Talvez eu queira apenas esconder-me por um tempo.

— E é esse o caso? Estás no motel Oasis apenas para te esconderes por um tempo?

Em parte, sim. Queria esconder-se naquela periferia escura e esquecer que existia até, de fato, existir. Mas Baekhyun sabia que as moedas que guardava consigo não eram suficientes para sobreviver e que em mundo algum se sustentaria por mais de 4 meses. Estava mais do que ciente de que precisava decidir o que fazer quanto a isso e que era uma ponta solta em todo o seu plano, e sentir que Sehun o ridicularizava por isso enervava-o.

— Eu sei que preciso arranjar um trabalho. Sei que o meu plano é uma merda e que não vou viajar pelo mundo como sonhei. Não precisas falar comigo como se eu tivesse compreensão lenta. — Deixou-se levar pela raiva, pousando o garfo com brusquidão em cima da mesa de madeira à sua frente. Sehun não se mexeu. Olhava com tanta atenção para Baekhyun que nem pestanejava.

— É realmente isso que queres para ti?

— Claro que não. — Baekhyun respondeu com prontidão, quase não deixando Sehun terminar a frase. — Mas também não quero voltar.

Sehun passou o olhar pelo quarto lentamente. Tinha uma resposta na ponta da língua, mas optou por guardá-la para si; talvez quando voltassem a falar sobre aquilo ele a exprimisse. Compreendia tão bem o lado de Baekhyun que se sentiu com 18 anos de novo, parado em frente àquele motel com o seu tio perguntando-lhe o que estava ali a fazer sozinho. A nostalgia acalmou o seu interior, e voltou o olhar a Baekhyun.

— Queres sair?

A mudança súbita de assunto intrigou Baekhyun, que levava o garfo à boca mais uma vez.

— Sair?

— A porta que dá para o exterior. Já a usaste?

Baekhyun negou. O inverno gélido não era do seu agrado e apenas no corredor do motel já sentia o corpo arrepiar de frio. Nunca fora admirador do frio. Gostava do verão, quando podia vestir os seus shorts pelos joelhos e as t-shirts das suas bandas favoritas. No inverno, especialmente naquele, as escolhas de roupa dentro da sua mochila eram limitadas e o casaco de cabedal que trouxera vestido não era o suficiente para o manter quente mesmo por cima das roupas de lã.

Elevou o olhar ao ver Sehun levantar-se. Abriu a porta, deixando o ar frio entrar.

— Vem cá.

Baekhyun levantou-se e aproximou-se, espreitando para o exterior. Sehun, mesmo com a pouca roupa que envergava, parecia confortável naquele frio que arrepiava Baekhyun até aos ossos. Saiu e chamou-o com a mão, que o seguiu calmamente enquanto se aninhava no casaco o mais que podia. Já no exterior viu-se nas traseiras do motel, onde havia acesso às várias portas secundárias dos quartos. Apenas a luz do interior os iluminava, assim como a lua escondida atrás de algumas nuvens acima deles. Aquele pequeno espaço guardava uma mesa de plástico escura com duas cadeiras, para onde Sehun se encaminhou e se sentou. Retirou o maço de tabaco do bolso das calças e o isqueiro. Baekhyun olhava-o discretamente enquanto ele colocava um cigarro entre os lábios, franzindo um pouco as sobrancelhas ao acendê-lo. Expeliu o fumo e retribuiu o olhar de Baekhyun.

— Não te vou perguntar se queres, sei que não fumas.

Baekhyun sorriu um pouco por ter as suas palavras lembradas e arrependeu-se de ter sido frio com Sehun minutos atrás. Apesar da aparência que o intimidava, fora o único ali que o ouvira e o respeitara. Baekhyun aproximou-se e sentou-se ao seu lado, cruzando as pernas em cima da cadeira. Nunca fora adepto de tabaco e detestava o seu cheiro. Perguntava-se como Sehun ficava tão bonito com o cigarro entre os lábios e o fumo que lhe saía pelas narinas.

— Quero experimentar.

Sehun olhou-o com a testa vincada.

— Estamos sozinhos, Baekhyun. Não sei se aceitaste o baseado do Minseok para provares alguma coisa, mas comigo não precisas de fazer isso.

— Eu não aceitei o baseado para provar nada! — Queixou-se ligeiramente ofendido. Depois olhou as mãos pousadas no colo. — É que… gosto que oiças o que eu digo. Por isso quero fumar aqui contigo. Só uma vez.

Sehun deixou o olhar pousar em Baekhyun mais uma vez naquela noite fria. O ambiente era cinzento e sombrio, e a claridade que vinha do interior do motel era escassa. O rosto de Baekhyun foi iluminado pela luz alaranjada do cigarro assim que Sehun tragou. Inclinou-se para cima de Baekhyun e ele, ao contrário do que fizera na primeira vez que se viram, não se afastou.  O olhar atraente de Sehun sobre si arrepiavam-no de cima a baixo como uma corrente elétrica. Sentiu o peito apertar quando Sehun segurou a sua nuca com uma mão e aproximou os lábios de ambos, parando apenas a milímetros de distância. O polegar de Sehun acariciou o seu rosto e pousou nos seus lábios de seguida, pedindo silenciosamente a Baekhyun que os separasse. Assim o fez, timidamente, tentando controlar a respiração irregular que lhe causava estar tão próximo dele. Acontecera tão rápido que não conseguia digerir. Sentiu os seus lábios serem tocados, ainda que quase nada, pela primeira vez na sua vida, quando Sehun passou a fumaça diretamente para a sua boca. O peito de Baekhyun subia e descia descompassadamente. Soltou a fumaça na sua boca devagar e Sehun olhou-o nos olhos. Tê-lo tão próximo, com as pontas do cabelo que lhe tocavam na testa e lábios a raspar nos seus, faziam-no questionar se aquele momento seria real. Não teve tempo de reagir. Na verdade, não tinha forças para fazer o que quer que fosse tal era o choque em que o seu corpo se encontrava. Retribuiu o olhar de Sehun, perguntando-se no que ele estaria a pensar, mas este afastou-se lentamente e abriu o pequeno sorriso trocista que começava a ser habitual para Baekhyun.

— Então? — A pergunta soou provocadora. Sehun sabia o que tinha feito, apesar de não entender ao certo o que o motivara para tal. Não era do tipo de se mostrar ou fazer as coisas sem pensar e, no entanto, não parava de o fazer desde que conhecera Baekhyun, não tendo passado sequer 24 horas desde que o vira pela primeira vez. Baekhyun desviou o olhar do de Sehun, envergonhado com toda a situação.

— Não era bem nisto que estava a pensar. — Murmurou ao ver Sehun voltar a tragar do cigarro.

— Mas?

— Mas gostei. — Não sabia de onde tinha tirado coragem para o dizer, mas a verdade é que o seu coração palpitava de euforia e as mãos estavam suadas, apesar do frio que sentia no resto do corpo. Sehun assentiu com a cabeça, como se aceitasse a sua resposta, e então deixaram que o silêncio se instalasse entre eles. Apoiou o cotovelo na mesa e assim segurou o rosto na palma da mão, terminando calmamente o seu cigarro. Baekhyun afundava-se na cadeira assim como no seu casaco, que pouco ou nada o aquecia. O ar frio entrava por cada buraquinho e Sehun percebeu. Arrastou a cadeira para perto de Baekhyun, chamando a sua atenção.

— Estás com frio?

Baekhyun negou com a cabeça, não querendo atrapalhar Sehun, que escondeu o sorriso que ameaçou crescer-lhe nos lábios com a mentira esfarrapada do mais novo. Deu um último trago no cigarro antes de se levantar e colocar o braço à volta do pescoço de Baekhyun para que ele fizesse o mesmo.

— Mas eu estou. — Mentiu. — Vamos para dentro.

Baekhyun agradeceu mentalmente pela mentira de Sehun, seguindo-o esperançoso até ao interior do seu quarto de motel. Não que fosse mais quente lá dentro, mas assim que Sehun fechou a porta a falta de corrente de ar fez toda a diferença para Baekhyun, que se sentou na ponta da cama sentindo-se mais aconchegado. Balançou as pernas, vendo o mais velho caminhar até à porta.

— Já vais?

Sehun virou o rosto na sua direção, já com a mão na maçaneta.

— Sim. Descansa.

Baekhyun não deu conta do bico que se formara nos seus lábios. Não ia dormir. Não estava nem um pouco cansado depois da tarde passada completamente adormecido no chão do quarto, mas também não queria maçar Sehun. Assentiu.

— Está bem. Boa noite.

— Boa noite, Baekhyun. — Retribuiu e então abandonou o quarto, fechando a porta atrás de si.

Baekhyun deixou-se cair para trás na cama, esticando os braços. Olhou o teto, revivendo o momento de minutos atrás com Sehun. Arrepiou-se ao sentir os seus lábios serem tocados pelos dele mais uma vez. Mesmo com o toque quase nulo, relembrar fazia o seu coração bater mais rápido. Não estava habituado a nada daquilo — as batidas descompassadas do coração, as mãos suadas ou a falta de palavras. Apesar de tudo, sempre fora um rapaz independente e muito seguro de si, e perceber que Sehun o fazia baixar a guarda deixava-o extremamente confuso.

Sehun fazia-o sentir-se diferente e ele ainda não sabia ao certo o que isso significava.


Notas Finais


Aqui está o segundo capítulo desta bebê. Espero que tenham gostado. Já não estou habituada a escrever longfics (e as que tentei escrever eram horríveis) e por isso qualquer crítica eu aceito de bom grado. Digam o que acham.

Como disse em cima, espero que estejam saudáveis. Por favor fiquem em casa e cuidem-se nestes tempos mais críticos, tenho a certeza de que tudo vai melhorar. Enquanto isso, estou a morrer de aborrecimento a cada dia que passa. O que têm feito nesta quarentena para matar o tempo?

Aqui fica o link da música que me tem ocupado a mente nos últimos dias: https://www.youtube.com/watch?v=tI-5uv4wryI esta letra mata-me.

Até ao próximo <3


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