História Os Rastros de Edgar Cooper - Capítulo 20


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Historia Original, Mistério, Romance, Suspense
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Palavras 836
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 20 - Capítulo 20


Fanfic / Fanfiction Os Rastros de Edgar Cooper - Capítulo 20 - Capítulo 20

A água escorria por meus dedos, os jatos jogados atingiam minha pele, a umedecendo, aquela sensação benéfica e cotidiana, me traziam lembranças de uma época, provavelmente, a melhor época de minha vida. Minha infância.


-Hey Vamos jogar bola? - não pude conter um sorriso.


 O som da água passando pelas tubulações, para então desaguar no chão de pisos brancos, eram magnífica a forma como a luz que adentrava pela janela pequena localizada no alto, quase que tocava o teto do banheiro, e a luz do sol tornava tudo mais deslumbrante do que realmente era, e a água que descia através do chuveiro, era iluminada mostrando sua elegante e mórbida feição, composta por tantas substâncias e moléculas, que para nós é algo tão simples, no entanto, é algo extraordinário.

 O som úmido invadia meu ouvido, seguindo pelo canal auditivo, ecoando com seu timbre tranquilo e borbulhante, como se causasse pequenas enxurradas em todo meu ser.

Aquela água andava por todo meu corpo, enquanto eu esfregava meu cabelo, de modo que produzia espuma, e por vezes pude sentir que meu ouvido havia tapado, transmitindo um som abafado.


16 anos antes.


-Às vezes, fico imaginando como seria o mundo se as pessoas não tivessem sentimentos…

-Que papo é esse, irmão? - falou Richard desenhando símbolos aleatórios no chão de terra que sujava a sola de nosso chinelos. 

-Meu pai estava falando comigo sobre as constelações essa semana.

-Seu pai é legal, mas fala de coisas estranhas. - ajeitou seu boné. 

-Não é verdade. - resmunguei.

-Vai me dizer que você entende o que ele fala?

-Bom… - sussurrei ainda o observando.

-Está vendo? - falou se sentindo vitorioso, se levantando, me olhando com um sorriso zombeteiro.

-Mas respondendo sua pergunta… - bufou. - acho que seria chato.

-Por quê?

-Porque seríamos como robôs. Sem coração.

-Mas robôs são legais! - falei fazendo bico enquanto cruzava os braços em reprovação. 

-Não! Prefiro dinossauros! - me cortou pegando uma pedra e jogando-a em minha direção, fazendo um pequeno corte em meu pescoço.


Inclusive, estas é uma das minhas cicatrizes favoritas.


Depois disso, começamos a correr de um lado ao outro, pegando qualquer pedra que surgisse diante de nossos olhos, lembro perfeitamente de que gargalhamos por longos minutos, até que nossos corpos ficaram exaustos, e resolvemos sentar no chão coberto por pedrinhas.


-Trégua. -  disse Richard, com seus olhos miúdos vidrados nos meus, ainda expondo um sorriso diante de seus lábios, seu peito descia e subia com uma certa urgência e agitação, enquanto ele se ajeitava no chão.

-Concordo! - respondi sem nem pensar.


Lembro que dentre as nossas brincadeiras, eu era o herói, e Richard o vilão, pois ele dizia que ser vilão era um papel fundamental e muito difícil de ser feito, e de fato, eu não havia nascido para ser o vilão, no entanto, após o incidente, me dei conta de que na verdade, Richard sempre foi, e sempre será o meu herói.


Inesperadamente, começou a chover. O Sol estava descendo, seguindo seu ciclo, o que muitos chamam de pôr do sol, e da mesma forma, a Lua subia e juntamente com ela, as estrelas acenderam-se. O solo começou a ir de um estado terroso para o líquido, se tornando viscoso e macio, de forma que meus pés afundavam assim como minhas pernas que estavam estendidas, era um momento simples, mas único. 


-Está fazendo o quê aí parado!? - berrou meu amigo, com uma expressão séria e serena, já em pé, um pouco distante de mim.


De algum modo, lembro que seus olhos me pediam por ajuda. 


-Nada! - Respondi, ainda hesitante, até que dei passos ágeis até alcançá-lo, e então acompanhar seus passos ágeis, para então nos escondermos debaixo de uma árvore.


Ficamos observando a chuva por alguns instantes, ouvindo os sons que cada gota fazia ao se chocar com o chão, trazendo sossego e calmaria, até que...


-Gosto da chuva. - comentou Richard com corpo inclinado para trás, apoiando-se em seus braços, permitindo que suas mãos tocassem o solo fresco e gélido.


     Fiquei em silêncio.

-Lembro que, a alguns anos… no dia do meu aniversário, pela primeira vez em muito tempo, meus pais não discutiram. - um sorriso genuíno abriu-se em sua face. - Lembro também que naquele mesmo dia, eu tinha convidado muitos amigos, meus pais fizeram o mesmo, só que… estava chovendo, e ninguém veio. Eu fiquei muito triste. - ele fez uma pausa, perdido em seus pensamentos.

-E o que vocês fizeram? - continuei o fitando, e por conseguinte, ele me olhou de volta, mostrando uma lágrima solitário que deslizava por sua bochecha.

-Meus pais tentaram me alegrar, eles… - ele começou a conter soluços. - Nós começamos a brincar, foi tão divertido! E em uma dessas brincadeiras, nós saímos de casa, e ficamos brincando na chuva, e quando ficou de noite, agradeci muito por ter chovido.


  Não sei dizer o que eu senti naquele momento, mas eu sei que aquele instante, me fez acreditar que nunca conheceria Richard o suficiente, pelo menos, não o bastante.

CONTINUA.


Notas Finais


Oiê, aqui está mais um capítulo! Espero que gostem, e que isso anime o seu dia/tarde/noite.


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