História Os Segredos Do Universo - Capítulo 29


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Categorias Malhação
Personagens Personagens Originais
Tags Griperti, Lica, Limantha, Malhação, Samantha, Yuri
Visualizações 195
Palavras 977
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: LGBT, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


to super feliz q o autor do livro provavelmente vai terminar de escrever a continuação esse ano mesmo, esse momento é todo meu porraaaa.

esse cap ta pequeno né, ia fazer maior mas preferi deixar pequeno msm

Capítulo 29 - Vinte e nove


Meu pai não discutiu quando eu disse que não pagaria pelas despesas médicas de Rafael. Apenas me olhou e comentou:

— Acho que você acabou de optar por um acordo extrajudicial. — e então inclinou a cabeça, pensativo. — Sebastian conversou com a senhora que testemunhou a cena. Ela jamais seria capaz de reconhecer os rapazes. Nem em um milhão de anos.

O pai de Rafael foi até minha casa conversar com meu pai. Não parecia muito feliz ao sair.

Meu pai não tomou minha caminhonete.

                            ➵

Aparentemente, Samantha e eu não tínhamos muito o que conversar.

Peguei emprestados uns livros de poesia com seu pai e li para ela. Às vezes, Samantha dizia: “Leia esse de novo”. E eu obedecia. Não sei o que havia de errado entre nós naqueles últimos dias de verão. Por um lado, me sentia mais próxima dela do que nunca. Por outro, nunca estivera tão afastada.

Nenhuma de nós voltou ao trabalho. Não sei. Acho que, depois do que aconteceu, parecia sem sentido.

Um dia, fiz uma piada de mau gosto:

— Por que o verão sempre acaba com uma de nós toda quebrada?

Não rimos.

Não levei Perninha para vê-la porque ela gostava de pular e podia machucar. Samantha sentia falta, mas sabia que eu tinha razão em não levar.

Certa manhã, fui à casa dela e mostrei todas as fotografias do meu irmão. Contei a história tal como entendi, a partir dos recortes de jornal, das perguntas respondidas por meu pai.

— E então? Quer ouvir a história inteira?

— Conta — ela respondeu.

Ambas estávamos cansadas de poesia, cansadas de não conversar.

— Pois bem. Meu irmão tinha quinze anos. E raiva. Pelo que entendi, ele sempre tinha raiva. Fiquei sabendo disso mais pelas minhas irmãs. Acho que ele era cruel ou talvez, sei lá, apenas tinha nascido com raiva. Aí, certa noite, ele caminhava pelas ruas do centro, caçando confusão. Foi isso que meu pai disse: “Bernardo sempre procurava confusão”. Meu irmão pegou uma prostituta.

— Onde ele arrumou dinheiro?

— Não sei. Que tipo de pergunta é essa?

— Se você fosse um cara com quinze anos, você teria dinheiro para uma prostituta?

— Com quinze anos? Do jeito que você fala, até parece que faz muito tempo. Mas, caramba, não teria dinheiro nem pra comprar uma bala.

— Viu só?

Encarei Samantha.

— Posso continuar?

— Desculpa.

— A prostituta na verdade era homem.

— Quê?

— Era um travesti.

— Nossa.

— Pois é. Meu irmão explodiu.

— Explodiu como?

— Socou o cara até a morte.

Samantha não sabia o que dizer.

— Meu Deus — falou, afinal.

— Sim. Meu Deus. — demorou bastante tempo para que uma de nós dissesse outra coisa. Por fim, olhei para Samantha. — Você sabia o que é um travesti?

— Claro.

— Claro...

— Você não sabia o que é um travesti?

— Como saberia?

— Você é tão inocente, Lica…

— Não tão inocente — eu disse. — Mas a história fica mais triste ainda — prossegui.

— Como pode ficar mais triste?

— Ele matou outra pessoa. — Samantha permaneceu calada, me deixou terminar. — Ele estava em um centro de detenção para jovens. Acho que certo dia ele socou mais alguém. Minha mãe está certa. As coisas não mudam só porque queremos.

— Sinto muito, Lica.

— É, paciência, não há o que fazer, né? Mas é bom, Sammy. Quer dizer, não é bom para o meu irmão. Não sei se algum dia alguma coisa será boa para ele. Mas é bom que tudo esteja às claras, sabe? Como um livro aberto. — depois de uma pausa, olhei para Samantha e concluí — Talvez um dia eu o conheça. Talvez um dia.

Samantha olhou para mim.

— Você parece prestes a chorar.

— Não vou chorar. Só é triste demais, Samantha.  E sabe? Sou como ele, eu acho.

— Por quê? Porque quebrou o nariz de Rafael Enriquez?

— Você ficou sabendo?

— Sim.

— Por que não me contou que sabia?

— Por que você não me contou, Lica?

— Não sinto orgulho disso, Samantha.

— Por que fez, então?

— Não sei. Ele machucou você. Quis machucá-lo. Foi uma conta besta que fiz na cabeça — falei, levantando o olhar para ela. — O roxo dos olhos já está quase bom.

— Quase — ela disse.

— E as costelas?

— Melhoraram. De vez em quando é difícil dormir à noite. Então tomo analgésico. Odeio.

— Você seria uma péssima drogada.

— Talvez não. Gostei muito daquela maconha. Muito mesmo.

— Talvez sua mãe devesse entrevistar você para o livro dela.

— Ah, ela já me infernizou demais.

— Como ela descobriu?

— Eu falei. Ela é como Deus. Sabe de tudo.

Tentei não rir, mas não consegui evitar. Samantha também riu. Só que para ela rir doía. Por causa das costelas.

— Não — ela disse. — Você não é nem um pouco parecido com seu irmão.

— Não sei, Samantha. Às vezes acho que nunca vou compreender a mim mesma. Não sou como você. Você sabe exatamente quem é.

— Nem sempre — ela disse. — Posso fazer uma pergunta?

— Claro.

— Você se incomoda de eu ter beijado Diana?

— Acho Diana uma merda.

— Ela não é. É legal. Bonita.

— Bonita? Quanta superficialidade. Ela é uma imbecil, Samantha. Abandonou você lá.

— Você parece mais preocupada com isso do que eu.

— Mas você devia ficar preocupada.

— Você não teria feito o mesmo, teria?

— Não.

— Gostei de você ter quebrado o nariz dele.

Ambas rimos.

— Diana não liga para você.

— Estava com medo.

— E daí? Todo mundo tem medo.

— Você não, Lica. Você não tem medo de nada.

— Isso não é verdade. Mas não deixaria aqueles caras fazerem o que fizeram com você.

— Talvez você só goste de brigar.

— Talvez. — Samantha olhou para mim. Não parava de olhar para mim. — Por que você está me encarando? — perguntei.

— Posso contar um segredo, Lica?

— Adianta eu dizer que não?

— Você não gosta de conhecer meus segredos.

— De vez em quando seus segredos me assustam.

Samantha riu.

— Eu não estava beijando Diana de verdade. Na minha cabeça, estava beijando você.

Dei de ombros.

— Melhor você arrumar uma cabeça nova, Samantha. 

Ela ficou triste.

— É. Acho que sim.


Notas Finais


Samantha nasceu pra sofrer


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