História Os Três fantasmas do Carnaval - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olá, aqui quem fala é a MEMkonoha. Sejam bem vindos e bem vindas para o primeiro capítulo de "Os Três Fantasmas do Carnaval". Eu já postei essa história no Army ânimo, então não achem estranho ela estar por aqui também!
A ideia principal era pra história ser uma one-shot, mas acabei me empolgando e a história ficou muito grande para só um capítulo, então eu a dividi.

Se vcs perceberam pelo título, a fanfic se passa na época do Carnaval, eu se que está muito cedo pra postar ela mas fiquei ansiosa para publica-la.
Já peço desculpa por qualquer erro.

Obs* A história foi inspirada em "Os três fantasmas do Natal" por unicórnio.

Espero que gostem e boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo I


 

|•°C a p i t u l o  I°•|

Hoseok havia conseguido. Ele finalmente havia conseguido. Depois de todos aqueles anos trabalhando na KondZilla, Jungkook, um dos funkeiros da empresa, havia lhe dado a maior oportunidade de sua vida. Agora Hoseok não iria apenas escrever rimas bobas para sua página no Instagram que quase ninguém lia, ele havia ganhado a chance de fazer uma música que seria lançando com o intuído de ser um hit do Carnaval. 

  — Sei que está muito em cima da hora, mas Namjoon acabou de viajar para o Rio de Janeiro com a família e não poderá compor a música, e você tem criatividade, e também é um bom compositor. Vejo isso nas rimas que posta no Instagram. — Continuou Roberto, um homem que beirava seus cinquenta anos, e quase sempre estava com o seu olhar de quem não se importava com nada, inclusive qual seria o novo hit do Carnaval. — Se conseguir me entregar algo bom até às dez da manhã de amanhã, então conseguirei que o DJ Lacraia faça um som bom para a sua composição. Acha que dá conta?

 — É claro que sim. — Jung Hoseok assentiu — Mas eu só vou ter vinte e quatro horas para fazer a música? — perguntou preocupado, encarando o relógio em cima da porta de entrada da sala de reuniões, que marcava exatas dez horas da manhã.

 — Sim, bastante tempo para criar uma música que só repete a mesma coisa durante dois ou três minutos — Roberto disse. Dessa vez o seu olhar parecia ainda mais desinteressado que antes. Ele observava uma mosca passando bem diante de seus olhos — Olha, você já está a bastante tempo aqui na empresa, e se continuar nesse caminho, tenho ótimos funkeiros para cantar suas composições.

 — Muito obrigado por essa oportunidade senhor. — O sorriso quase não cabia nos lábios de Hoseok, com certeza que ele tomaria uma quando chegasse em casa.

 — Está bem. Amanhã teremos uma festinha de despedida do Cláudio, que coincidentemente começa às dez, então não se atrase. — Roberto se levantou — E não me decepcione Jung. — Completou pouco antes de Hoseok assentir e sair da sala. Suas mãos suavam mais do que uma pessoa com distonia, e seu estômago parecia que tinha comido a maçã podre que tinha bem no fundo de sua geladeira. Ele mal podia acreditar na oportunidade que deus colocou em sua vida.

 Com seus 28 anos de idade, Hoseok trabalhava na KondZilla, uma das maiores no ramo do funk, trabalhava lá deste o seu estágio na faculdade de música.

 Passou toda a sua vida com o único intuído de conquistar a sua meta de ser um dos grandes compositores do funk, ou até mesmo ser um. Muitos que o observavam, diziam que Hoseok era o retrato exato do que um dia foram seu pai e seu irmão mais velho, ambicioso, frio e determinado para aquilo que almeja. O que costumava trazer uma imagem não muito boa para o compositor. Mas Hoseok nunca se importou com a opinião dos outros, para ele a única coisa que importava era o seu sucesso profissional. Por causa de suas ambições, sorrir simpaticamente e ter gestos de afeição, eram coisas que julgava desnecessárias, e por isso ninguém espera um sorriso seu no ambiente de trabalho, muito menos aceitar um convite para tomar um cerveja enquanto assiste um jogo de futebol no bar do índio. Na verdade, quando Jung Hoseok tinha um objetivo, pode ter certeza que ninguém o veria em lugar algum que lhe trouxesse algum tipo de lucro, fosse em conquistas ou em dinheiro.

 "Nem tudo é trabalho e dinheiro" — Falava seus amigos sempre que iam pra sua casa comer uma feijoada e tomar uma cervejinha e o encontravam com as suas composições. Mas Hoseok apenas descordava completamente. Seus pais sempre falavam para ele e para seu irmão, que a felicidade viria apenas no final, depois que todos os seus objetivos fossem concluídos, e que só conseguiram se trabalhassem para isso, um exemplo disso é a história do seu avô Alonso, que depois de trabalhar duro, conseguiu comprar um sítio no interior de Jurema. E Hoseok levou isso a sério demais, guardando para toda a sua vida. Ele trabalharia muito nas suas composições, ignorando as distrações que outras pessoas costumavam se importar, e então conquistaria tudo o que sempre almejou, e seria feliz quando estivesse bem no topo. Não se conformaria com nada a menos que isso.

 Quando ele voltou para o apartamento que dividia com seu namorado no centro de Recife, a primeira coisa que fez foi caminhar até sua escrivaninha pegar seu notebook, ligá-lo e abrir no aplicativo em que escrevia suas músicas. Já se passava das uma da tarde, e colou em sua mente que só sairia dali quando todo o seu trabalho estivesse concluído, nem que isso levasse o dia todo. Ele passaria as últimas horas que lhe restaram escrevendo a melhor música que o Brasil já ouviu.

 Não muito tempo depois que chegou em casa, a porta do quarto foi aperta, e dela surgiu Taehyung, com uma camisa regata e uma garrafa de catuaba na mão esquerda. Taehyung era o seu namorado há quase oito anos, e morava junto consigo há mais de três.

 Nessa época do ano ele sempre costumava ficar mais animado que o normal. Decorava toda a varanda com máscaras e sobrinhas de frevo. Hoseok particularmente não gostava daquela decoração toda, porque geralmente era ele quem arrumava toda a bagunça. Era a época preferida do Taehyung, e coincidentemente, foi em um bloco carnavalesco, chamado "Regados a álcool", que os dois haviam se conhecido.

 — Que milagre, chegou cedo! — Ele exclamou surpreso, guardando a garrafa de bebida Alcoólica no frigobar que tinham ao lado da escrivaninha — Eu tava com uma vontade enorme de tomar uma catuaba, e fui até o depósito do Yoongi comprar uma. Quer um pouco? — perguntou já pegando dois copos.

 — Não. Não estou com vontade agora, depois... tá bom? — Hoseok disse. Ele queria, queria muito tomar um copinho de catuaba, mas com certeza que o álcool presente na bebida quebraria a sua criatividade — Não vai acreditar no que me aconteceu hoje, lá na empresa!

 — Você viu um bloco de homens com a heterossexualidade frágil, cantando "Se eu engravidar a culpa é sua não é minha?" Por que foi isso que aconteceu comigo. Sinceramente estou traumatizado. — Ele disse caminhando até a cama com um copo cheio na mão.

 — Não, meu deus... Não. — Hoseok franziu o cenho em horror e ele riu. — Roberto me deu a chance de compor uma música para ser lançada como hit do Carnaval.

 — Nossa! Isso é incrível amor! — Ele sorriu empolgado. Sabia o quanto o namorado almejava isso ou algo parecido. Desde que Taehyung conhecia Hoseok, seu sonho era ter uma relevância melhor no trabalho, e não ser tachado como o cara das rimas do Instagram. Como seu namorado, sempre apoiou suas escolhas.

 — Roberto me deu apenas algumas horas para terminar esse hit. Por isso tenho que pôr a mão na massa agora. — Hoseok explicou, olhando para o teclado do notebook, nem sabia por onde começar.

 — Mas hoje é o dia do bloco em que agente se conheceu... Nós não vai mas? — Taehyung perguntou um pouco decepcionado com a notícia.

 — Sim, eu termino essa música em apenas algumas horas, e de noite, que é a hora que o bloco começa, podemos sair. 

 As horas seguintes passaram igual a velocidade de uma lesma para Taehyung, mas para Hoseok foram tão rápidas quanto um espirro do flash. Ele já tinha perdido as contas de quantas vezes tinha apertado a tecla de deletar nas últimas horas, seguindo de um suspiro de frustração e de goles generosos no seu copo de leite com Nescau. Sem camisa por causa do calor de matar, observava ocasionalmente a fumaça subir do ônibus que havia acabado de passar. Manchando o vidro da janela de pontinhos cinza. Já havia se passado da nove horas da noite e ele tinha até às dez da manhã de amanhã para apresentar sua música para Roberto.

 — Não consigo pensar em nada! — bufou irritado, apagando a única estrofe que tinha escrito em todo esse tempo. Normalmente isso não seria complicado, mas agora todas as suas ideias parecia plágio da MC Loma, nada a altura para ser cantado pelo MC Jungkook, mais conhecido como Kook. O máximo que ele conseguiria era um pescotapa por negligência pelo Roberto, ou nunca mais sair da vida de fazer rima no Instagram.

 Taehyung estava na cozinha preparando um misto quente. Faltava apenas uma hora para o bloco começar, e mesmo assim ele ainda estava vestindo pijama trancado no apartamento com o namorado viciado em trabalho. Estava se sentindo no tédio.

 — Você está na frente desse notebook a quase sete fuck horas Hoseok! Não acha que deveria descansar um pouquinho? — Taehyung perguntou saindo da cozinha e indo se sentar em um banquinho ao lado do sofá em que seu namorado estava, se encontravam na sala agora. Hoseok nem virou o olho em sua direção. Na verdade, deste que ele chegou que não lhe dava nenhum pingo de atenção.

 — Eu preciso terminar isso Tae. — Falou sem prestar atenção no que ele dizia. Respondeu em modo automático, assim como nas últimas horas em que o ouviu reclamar. Sabia que era como uma tradição sair com ele na noite do bloco Regados a álcool, mas não sabia que ficaria preso em tanto tempo, com algo que era tão rotineiro de se fazer. Compor costumava ser tão fácil quanto cortar um pão.

 — Achei que iríamos relembrar quando agente se conheceu, hoje a noite, e não que você fosse ficar o dia inteiro com a cara de frente para a tela desse notebook. — suspirou — Você me prometeu.

 — Só tenho até às dez da manhã pra terminar essa música, e eu ainda nem comecei. — Falou com impaciência — Não posso aparecer amanhã com as mãos vazias.

 — Você trabalha tanto Hoseok, pensei que hoje você ia se dar uma folguinha. Faz tempos que nos dois não saímos juntos. E é dia do bloco. Você não pode dar um tempo nem mesmo hoje?

 — Podemos sair juntos a qualquer outro dia Tae, mas isso aqui é único! — Ele disse apontando para o notebook.

 — Tipo amanhã? — Perguntou. Não queria o estressar, e muito menos o fazer escolher entre ele é a sua composição. Eles poderiam entrar em um acordo.

 — Não. Amanhã eu tenho a despedida do Cláudio para ir. Mas você pode ir comigo, se quiser... — sugeriu.

 — Pior que passar o dia inteiro vendo você trabalhar, e passar o dia vendo você no trabalho com os seus colegas de trabalho, certamente falando de trabalho. — Ele bufou, exausto — Não aguento mais ver você nesse sofá Hoseok!

 Hoseok revirou os olhos e colocou o notebook de lado. Seu namorado estava tirando sua linha de raciocínio completamente. — Você sabe a quanto tempo eu quero que alguém cante a minha música? Se eu conseguir compôr isso até às dez da manhã, posso ter uma música com um toque feito pelo DJ Lacraia. Vai ser a melhor coisa que aconteceu na minha vida!

 Taehyung olhou dentro de seus olhos, os mesmos olhos castanhos e cheio de sonhos que havia se apaixonado anos atrás, mas não viu nada. Viu apenas um muleque que havia colocado seu trabalho acima de tudo. — A melhor coisa que aconteceu na sua vida? — Perguntou com a voz travada. Hoseok olhou em sua direção e soltou um suspiro, fechado os olhos por alguns segundos.

 — Você entendeu o que eu quis dizer... — tentou se explicar — Qualé Taehyung... Não exagera!

 — Eu abri mão de me divertir com meus amigos Hoseok, e tudo isso para ficar trancado nesse forno com você. — Exclamou — E sabe a pior parte disso tudo? É que você nem olha mais para mim. Faz anos que você não olha para mim.

 — Talvez era para você ter ido se divertir com seus amigos. — Disse meio bravo. Os olhos de Taehyung brilharam, e ela sentiu o costumeiro nó na garganta. Era surpreendente a maneira que uma pessoa muda ao passar dos anos, o seu Hoseok tinha mudado tanto... Na verdade ele nem sabia mais se ele era seu. Ele viu aos poucos ele se distanciando de tudo; família, amigos, vida social... Mas nunca chegou a pensar que faria o mesmo consigo.

 — É, acho que estar certo — Murmurou um pouco atordoado — Talvez não apenas isso.

 — Não... Amor... Não foi isso que eu quis dizer. — O Jung disse arrependido — É só por uma noite Taehyung. Só essa.

 — Não é só por uma noite Hoseok. Não é só por causa da merda desse bloco. É por causa de todas os outros dias que vieram antes! É por causa de todos os dias que ainda estão por vim... — Ele se levantou do banquinho — Eu só queria que ao menos uma vez você não me tratasse como se eu fosse um nada na sua vida. — parou e colocou os olhos sobre ele. Hoseok ainda estava com o rabo no sofá, olhando para o namorado — Eu não quero mais isso.

 — O que quer dizer com isso? — Ele franziu o cenho vendo-o pegar uma bolsa no quarto e colocar um sapato.

 — Esse é o meu limite Hoseok. Não posso ficar mendigando uma atenção quando claramente ela não pertence a mim.

 — Por que está sendo tão dramático? Eu estou tentando realizar um sonho, vai melhorar as nossas vidas, isso vai ser bom pra nos dois, Taehyung. — Ele reclamou — Por que não entende que isso é importante? Se eu conseguir lançar essa música, posso conseguir um cantor fixo!

 — E trabalhar mais do que já trabalha? Por que não vê o meu lado? — o rebateu — Estamos namorando a tantos anos, e para você isso pode não ser revelante, mas pra mim é! Eu quero me casar, ter filhos, eu quero me mudar desse muquifo que chama de casa... Mas parece que sou o único.

 Hoseok se mexeu no sofá, desconfortável — Não tenho cabeça para lidar com isso Tae, tenho que trabalhar. — Disse voltando sua atenção para o computador.

 Taehyung sentiu seus olhos se encherem de água e uma dor sufocante no peito. — É o que você tem me falado nos últimos anos.

 — Podemos deixar isso para outra hora? Preciso concluir isso, e você está me atrapalhando. — disse. Taehyung soltou um riso incrédulo, se segurando para não desabar alí mesmo.

 — Não Hoseok, não podemos deixar isso para outra hora. Para você o depois significa nunca. Você não que se casar comigo? Ou ter filhos? — Perguntou, e não teve nenhuma resposta. — E se eu for embora agora? — Hoseok continuou calado, ainda sem o encarar. Uma lágrima solitária desceu por sua bochecha. — Hoseok... — O chamou pela última vez, quase como um suplico.

 — Se quiser ir, vá. — Foi o que disse, sem o olhar.

 Taehyung ficou um tempo parado, sem acreditar no que estava acontecendo. Hoseok não estava falando sério. Não podia simplesmente o jogar fora, depois de ter passado oito anos ao seu lado, o amando e o apoiando em tudo.

 Aqueles foram os piores segundos de sua vida. Ele tentou não chorar, mas não tinha mais forças. Seu coração se partia em mil pedaços, e sentia como se um arame farpado estivesse em sua garganta. Mas em nenhum momento Hoseok se dizpois a olha-lo, em nenhum momento mostrou arrependimento pelo o que tinha dito.

 Talvez Tae estivesse errado. Hoseok jamais conseguiria colocar nada acima de seu trabalho. Não havia mais espaço na sua vida, a não ser seu trabalho, suas composições e suas rimas no Instagram.

 Taehyung não aguentava mais ficar ali. Ele sentia tanta coisa. Aquele era o último lugar que queria estar naquele momento, então pegou sua bolsa no chão e saiu pela porta. Sem dizer mais nenhuma palavra.

וו×


 Após a saída de Taehyung, Hoseok só olhou para trás quando ouviu a porta da sala bater, ele apenas soltou um longo suspiro e voltou para frente do notebook, tentando se concentrar em uma boa rima, mas aquilo tudo que tinha acabado de acontecer, havia o estressado. Uma briga era a última coisa que queria naquele momento, e Tae havia deixado tudo mais complicado.

 Era sem cabimento aquela pressa toda de se casar. E ainda ter filhos? Isso está fora de questão. Hoseok não tinha tempo para coisas como essas, agora ele estava focado na sua carreira no ramo do funk, e casamento e bebês, atrapalhariam a sua possível colaboração com o DJ Lacraia. Tudo estava nos trinques, exatamente desse jeitinho. Mas Taehyung tinha que estragar tudo.

 Talvez fosse melhor assim. Estava bem claro como água, que Taehyung nunca conseguiria entender que o trabalho era importante para si. Muito mais importante do que fazer filhos e depender do bolsa família, era ter uma boa posição na empresa e sucesso profissional, para depois de tudo, forma uma família. Era uma oportunidade única. E se Taehyung não entendesse ou aceitasse isso, era melhor Hoseok está sozinho.

 Taehyung era egoísta e dramático. Ele não havia hesitado em o deixar em uma hora de desespero como essa, então Hoseok também não se importaria mais com ele. Era olho por olho, dente por dente. De uma forma ou de outra, Tae era quem voltaria correndo quando percebesse a besteira que havia feito. Até lá Hoseok pensaria se estava disposto a perdoá-lo ou não.

 Já passava das dez horas quando ele voltou a compor, mas dessa vez estava com o estresse de antes multiplicado por mil. Taehyung o havia feito perder um tempo muito grande.

 Foi então que o som de pipoco  foi ouvido, quase como se algo houvesse explodido, e todas as luzes que estavam ligadas no apartamento apagaram de uma só vez. Hoseok viu o seu notebook que estava com a bateria muito baixa, descarregar completamente quando viu que o carregador não era mais útil sem energia.

 — Maravilha! Era tudo o que me faltava! — Bufou impaciente, saindo do sofá e olhando pela janela o paredão sendo levado para o Marco Zero, e quando olhou para o prédio da frente percebeu que além desse todos os outros estavam com as luzes ligadas. Seu apartamento era o único sem iluminação.

 Ele tinha esquecido de pagar a conta da Celpe?

 Hoseok ligou a lanterna de seu celular e andou até a cozinha, abrindo a última gaveta do armário e tirando de lá a vela da última procissão da igreja que tinha ido com Taehyung. Foi até o quartinho da bagunça, lugar onde guardavam as bugigangas, e abriu a caixa de energia verificando os fusíveis, e mesmo não tendo nenhuma experiência com energia, constatou que não tinha nada de errado por lá.

 Com certeza aquilo era olho gordo, muitas pessoas na empresa queriam estar no lugar de Hoseok, isso poderia explicar muita coisa...

 Enquanto mexia nos cabos na tentativa de resolver a situação, o garoto levou um choque que jurava ter sentido a alma sair de seu corpo e voltado, tinha visto o seu reflexo no espelho enquanto levava a descarga elétrica, e se não soubesse que estava levando um choque, poderia muito bem ser um sambista profissional.

 Fez um sinal da cruz e rezou um pai nosso para se livrar dos acontecidos.

 De repente ele escutou o barulho de algo caindo no chão.

 — É você satanás? — Suas pernas tremiam mais que vara verde. Com as mãos firmes que nem pudim, pegou a vela e seguiu em direção de onde escutou o barulho. Na cozinha achou a garrafa de catuaba jogada no chão. — Meu deus... Satanás e cachaceiro!

 Podia escutar o som do paredão no lado de fora. O ar-condicionado havia desligado, e o calor dos quinto do inferno se apossou de todos os cômodos. Agora ele não duvidaria se o tinhoso estivesse em seu apartamento.

 Pegou a garrafa e a ergueu em cima de sua cabeça a usando como arma, se sentia em um filme de suspense. Com a vela iluminado o seu caminho Hoseok chegou na sala.

 — Segura na mão de Deus... Segura na mão de Deus... — Cantando um louvor o compositor ganhou coragem para enfrentar o possível perigo.

 Mirou a iluminação da vela por cada canto da sala, procurando algum sinal de vida. Pensou até que Taehyung havia voltado, arrependido por fazer aquela palhaçada a não muito tempo atrás, mas não tinha nada além dele, a vela de procissão e o silêncio.

 O que o preocupou mais, será que era a morte vindo lhe buscar? Não... Era muito novo para morrer.

 — Eu estou ficando louco, teve ter sido o leite estragado que bebi, não está me fazendo bem... — soltou um suspiro, colocando a garrafa e a vela em cima da mesa de jantar.

 — Louco eu não sei, mas com certeza a culpa não foi do leite estragado. — uma voz falou atrás de si. Hoseok deu um salto de onde estava, virando em direção de onde ela vinha, viu a aparição brilhando sentado em seu sofá com as pernas cruzadas e um copo cheio de catuaba na mão direita enquanto a outra repousava preguiçosamente em suas pernas. Isso explicava a garrafa vazia, mas o que mais lhe assustou foi a pessoa que estava bem ali, na sua frente.

— Seokjin? 

                                                    Continua...

                                             


Notas Finais


O que acharam? Contínuo?
Espero que tenham gostado e até a próxima!


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