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História Os ventos de inverno nos trouxeram até aqui - Interativa - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


—❈ Oi, gente! Tudo bem com vocês? Espero que sim. O capítulo demorou para sair como eu disse nas notas do capítulo anterior, mas ele finalmente chegou, uhu.
—❈ O capítulo de hoje está bem comprido, quis recompensar vocês pela demora hihi mas, de coração, acho que é um dos meus preferidos.
—❈ Queria agradecer a todo mundo que aparece nos comentários, vocês são muito importantes para mim, sempre fico muito feliz em ler o que vocês escrevem :)
—❈ Boa leitura!

Capítulo 8 - 04: está tudo bem


Oh Yeol, como sempre, andava em direção aos fundos da lojinha de conveniência e por lá ficava horas dedilhando o seu violão, anotando em seu caderninho, por vezes rabiscando intensamente, rasgando folhas, amassando-as com força e colocando-as suavemente de lado sobre aquela mesa de plástico verde escura entre demais rabiscos, anotações e acordes indefinidos, mas sempre com o seu belíssimo violão no colo, este não saía do lugar, nem teimava em sair. Era como se aquele instrumento - entre tantos que ele sabia e amava tocar - fosse uma extensão de si, levava-o para lá e para cá, para cima e para baixo, onde quer que aquele coreano fosse pelas ruas geladas de Sapporo.

Quando Matsuri se estressava devido a um cliente mal educado ou porque trouxera consigo problemas pessoais para a konbini, a adolescente sempre ouvia alguma melodia desconhecida que não sabia de onde vinha, que nunca sequer tinha escutado na rádio ou em alguma rede social, mas sabia que aquele rapaz no fundo da loja estava tocando suavemente, dedilhando os acordes de seu violão. E Matsuri, então, podia se pôr a relaxar por algum momento de paz de uma rotina deveras estressante após o colégio. Era como um afago em sua cabeça.

Sentado em uma das várias banquetinhas que ficam espalhadas pelo campus da Universidade de Hokkaido, Oh Yeol se encontrava dedilhando os acordes de seu violão enquanto cabulava, mais uma vez, uma aula horrível de Matemática Financeira daquele maldito curso de Contabilidade. Ter a sua sexualidade escondida de sua família e seu sonho derretendo como gelo em suas mãos, tudo aquilo deixava o rapaz prestes a explodir. A única maneira que encontrava de expressar tanta frustração e tristeza era através dos acordes que ele criava com grande maestria.

Talvez naquele dia ele estivesse tão inspirado - talvez triste, diga-se de passagem, com todos os tormentos que ocupavam a sua mente de uma vez - que os arranjos que não havia terminado no dia anterior quando foi àquela lojinha de conveniência fluíram como água. Ele havia criado uma melodia perfeita, fazendo com que Oh Yeol tocasse aquela mesma música repetidas vezes até se sentir satisfeito com o que escutava. E quando o fez, pusera a colocar o seu celular para gravar.

O momento da gravação era, provavelmente, o momento que exigia total esforço do rapaz. Lógico, nem sempre a primeira vez que gravava saía como planejava, mas quando isso acontecia, era motivo de muita animação. Era nesses momentos que o ambiente também precisava colaborar. Como a maioria das turmas da universidade estavam em aula, o campus se encontrava incrivelmente silencioso naquela hora, porém, foi Oh Yeol apertar o botão que iniciava a gravação que foi pego de surpresa por duas mãos em seus ombros.

— Oh-chan! O que você está fazendo? — perguntou uma garota que se sentava ao seu lado no banco, mordiscando um Pocky sabor morango.

— Deve estar criando alguns arranjos — se aproximou um rapaz com as mãos no bolso de sua calça, tinha a mochila largada em um dos ombros — Como sempre, né? Sempre que você mata aula, a gente te encontra aqui dedilhando nesse violão feio — roubou um biscoito da caixinha da garota, deixando-a com um bico manhoso.

— Como foi a aula, Ayumi? — perguntou Oh Yeol, dando poucos ouvidos ao comentário do amigo; estava acostumado com o sarcasmo do japonês.

— Uma bela de uma bosta. Esse professor não sabe dar aula, prefiro aquele mendokusai do semestre passado, pelo menos as aulas não davam sono — respondeu o outro rapaz, levando um chute da mocinha enquanto abria a boca para um bocejo.

— Chiyo! Ele perguntou pra mim, que saco. Enfim, Matemática Financeira é sempre muito chato, eu devia ter matado a aula também. O professor passou outra lista de exercícios, peguei uma cópia pra você — sorriu gentil Ayumi, entregando uma folha de papel grampeada em outras várias folhas — Ah, vale metade da média final.

Oh Yeol agradeceu a garota enquanto guardava o xerox da enorme lista de exercícios na bolsa. Apesar de detestar o seu curso, ele era inteligente o suficiente para conseguir resolver os exercícios e ainda obter nota máxima sem muito esforço. Estava prestes a guardar seu violão no estojo do instrumento, mas foi interrompido por Chiyo, o rapaz de áurea séria, que perguntou pela melodia.

— Ah, eu estava terminando uns acordes que eu tinha em mente desde ontem. 

— Que legal! Deixa a gente ouvir? — perguntou animada Ayumi, que batia palmas em ansiedade.

— Deve estar ruim, Ayumi-chan, melhor a gente poupar nossos ouvidos — disse Chiyo, recebendo olhares confusos e um tanto quanto irritados com a resposta — Foi ironia, gente, calma. Toca aí pra nós, Yeol.

— Sério mesmo? — perguntou, recebendo como resposta dois acenos de rosto como afirmação.

Oh Yeol respirou fundo, colocou o violão no colo e passou a dedilhar pelos acordes novamente. A melodia suave entrou pelos ouvidos dos jovens. Parecia como se todo o barulho do campus, de alunos fofocando, obras acontecendo ao fundo, tivessem desaparecido assim que o rapaz de óculos redondos passou a tocar. Não era uma canção longa, nem letra ainda tinha, mas foi o suficiente para deixar Chiyo e Ayumi boquiabertos, esta última quase lacrimejando de emoção quando Oh Yeol terminara de tocar.

O rapaz esperou três segundos desde o final da melodia de olhos fechados, para que o barulho do ambiente voltasse a preencher a sua mente e tirá-lo da calmaria que era os acordes do seu violão. Ao olhar para o lado, onde seus amigos estavam, deu de cara com uma garota olhando-o com tanto orgulho como se tivesse acabado de assistir ao seu filho numa primeira apresentação da escolinha, e de Chiyo que possuía uma mínima expressão de surpresa.

— Ficou muito ruim, cara — ironizou o rapaz, quebrando os segundos de silêncio que se seguiram; era ironia, obviamente.

— Não dê ouvido a ele, Yeol! A melodia ficou muito boa! Você se inspirou em que?

O rapaz queria dizer que não havia inspiração, mas sim uma mistura de sentimentos conturbados e que preenchiam a sua cabeça 24 horas por dia, nos sete dias de semana. Que não era uma melodia triste, nem uma feliz, mas uma mistura desses dois sentimentos. Que era quase um grito por socorro, por estar preso em uma obrigação que não era sua e que, assim, via seu sonho, sua liberdade, serem levadas pelo vento como areia. E que ele encontrava na música uma maneira de se expressar.

Respirou fundo, balançando a cabeça de um lado para o outro, deixando escapar um riso frouxo pelo nariz.

— É uma dedicatória à minha família e a vocês — disse, embora fossem apenas meias verdades — Obrigado — abriu um largo sorriso, deixando-o radiante, fazendo com que sua amiga logo lhe envolvesse em um abraço caloroso.

— Eca, não faz isso, cara, você fica estranho sorrindo fofo desse jeito — disse o amigo que logo foi puxado para o abraço em grupo.

Embora não tivesse dito mentiras, Oh Yeol era realmente muito grato a seus amigos e a parte de sua família, principalmente suas irmãs. Todavia, ainda assim, inúmeros pensamentos rodeavam a sua cabeça e o faziam querer gritar para todos os cantos um “me ajude a sair desse inferno”. Aquela melodia talvez pudesse dizer isso por ele.

Ao término de suas aulas, Oh Yeol se despediu de seus amigos à frente do campus e os três passaram a andar em caminhos opostos. O coreano teria que esperar o ônibus que o levaria para o centro da cidade e, de lá, partiria para o local que sempre ia a fim de finalmente poder gravar aqueles acordes nem tristes nem felizes. Enquanto observava a paisagem passando diante da janela do ônibus, o rapaz recebia mensagens em seu celular, especificamente de sua irmã mais nova, perguntando onde ele estava e às quais ele respondeu que logo estaria em casa, seguido de vários emojis de coração.

Desceu do ônibus e caminhou mais algumas quadras. Adentrou no estabelecimento, sendo recebido pelo “irasshaimase” de sempre, pegou um suco de caixinha da geladeira e pôs a se dirigir aos fundos da loja.  Puxou a cadeira de plástico, tirou o violão do estojo e abriu o seu caderninho rabiscado em busca dos acordes de mais cedo embora ele já soubesse de cabeça quais eram.

Respirou fundo. Era nesse momento de concentração que todo o barulho local e todo os murmúrios que ecoavam em sua cabeça cessavam. Sua atenção estava completamente posta em seu violão, nada mais. Apertou o botão do seu celular para dar início à gravação interrompida de mais cedo. Passou os dedos pelos acordes.

Aquele dia, de alguma forma, ficou marcado na memória de Seol-hee. Aquela melodia que passou por seus ouvidos em um dos dias mais difíceis de sua vida e que funcionaram como um aconchego em seu coração doído e despedaçado. Aquela melodia ficou tão gravada em sua vida que quando viu o rapazinho alto e de óculos, carregando um estojo de violão nas costas, conversando com outro rapaz que também tinha um instrumento, não pensou duas vezes em chamá-los para se juntarem à mesa naquela fria noite de Natal.

— Ei! — chamou Seol-hee, assustando os rapazes que tagarelavam entusiasmados sobre solos de guitarra — Sentem aqui.

Ren estranhou no início, franzindo o cenho levemente, mas quando viu que Oh Yeol, um amigo - se é que já podia chamá-lo dessa maneira - se direcionar à mesa sem mais delongas, pensou que não tivesse outra opção a não ser se juntar a eles.

— Vocês estavam tão animados conversando! Eu quero me animar também — disse Seol-hee sorridente — É uma pergunta meio óbvia, mas vocês tocam violão?

— Ah, o meu aqui é uma guitarra — respondeu Ren apontando para o estojo envolto em suas pernas — Mas, sim, eu toco guitarra. Aprendi meio que sozinho, fuçando em algumas revistas quando era mais novo — riu.

— Que incrível! Eu não sei desde quando eu toco, mas acho que bem antes de me mudar ao Japão — disse o mocinho de óculos um pouco cabisbaixo — Ah, a propósito, eu sou Oh Yeol — estendeu a mão em direção à Seol-hee.

— Oh! Então temos um conterrâneo meu aqui. Eu sou Choi Seol-hee, bangabsebunida.

Os três riram com tamanha articulação que a coreana fez ao misturar o japonês com o seu idioma materno. Para ela era tão natural, que nem notou. As duas línguas já fluíam em seu sangue tempo o suficiente para que ela os misturasse sem muitas hesitações.

— Então, Oh Yeol, acho que um dia você esteve aqui quando eu também estava. Lembro de escutar uma melodia de violão em um dos dias que eu estava muito pra baixo. Sua música me salvou. Muito obrigada — Seol-hee fez uma pequena vênia.

— Eh? Sério? — engoliu o seco o coreano que se encontrou sem jeito com tamanha declaração — Então acho que você foi uma das primeiras pessoas, sem ser meus amigos, que escutaram...

— Quando a música toca nossos corações, isso sim é arte. Toca aí pra gente essa melodia, Yeol, quero ouvir também — encorajou o japonês de cabelo rosa, dando uma pequena cotovelada no braço do mais novo.

E assim o coreano o fez. Novamente, concentrado em seus acordes, executou com maestria aquela mesma melodia triste e feliz ao mesmo tempo. Seol-hee escutou com um sorriso no rosto, como se aquele sentimento de afago tivesse a preenchido novamente, e Ren estava atento às técnicas do rapaz. O som ecoou pela loja, fazendo com que todos que estavam presentes naquela hora parassem o que quer que estivessem fazendo e se pusessem a prestar atenção à doce melodia que saía daquele belíssimo violão. Quando terminou, Oh Yeol esperou aqueles três segundos finais que o traziam de volta à realidade.

— Uau, cara, isso foi muito bom. Tive até uma ideia aqui pra jogar na guitarra — disse Ren ainda mais animado, já tirando seu instrumento do estojo.

— Ei! Tive uma outra ideia — aproximou Maiko à mesa depois de ficar envolvida pela melodia e talento do rapaz — Por que vocês não tocam uma música pra gente? Já que o tempo lá fora está longe de melhorar, então uma musiquinha não seria nada mal. Posso cantar também se quiserem.

— Isso seria muito divertido! — exclamou Matsuri dando pequenos pulinhos de alegria — Vou buscar uns pisca-piscas lá no fundo da loja! O chefe nem ligou pro clima de Natal, então acabamos nem enfeitando o estabelecimento.

— Essa menina é realmente muito animada, né… — suspirou Natemi impressionada com tamanha alegria, animação e juventude que aquela adolescente exalava, talvez seu filho pudesse ser assim quando crescer.

Enquanto um clima festivo começava a tomar conta do lugar, Seol-hee observava todos à sua volta. Ela não sabia se se encontrava genuinamente feliz. Seu coração doía o suficiente para que ela fosse impedida de reconhecer tamanho sentimento. Todavia, ver todas aquelas pessoas sorrindo, aparentemente felizes, já era o suficiente para que aquela dor amenizasse mesmo que de maneira mínima. Talvez por ser uma moça empática ou talvez porque ela invejava toda felicidade que tomava conta daquele lugar e que ela era incapaz de sentir. Bom, este último era o mais provável.

Se Seol-hee pudesse dizer os momentos felizes que tivera durante toda a sua vida, ela provavelmente poderia contar nos dedos de uma mão só. A imagem das cerejeiras que viu assim que pisou em um país completamente diferente talvez tivesse sido a porta de entrada para que tudo pudesse desandar como as pétalas rosadas que caíam desordenadas no chão, e que então eram amassadas, levadas ao vento, varridas para o longe. Para ela, Sapporo era fria não só de clima, mas também de sentimentos. Seu coração, por mais mole que fosse, estava frio como a neve que caía no inverno e trincava como um cubo gelo com todo o sofrimento que gostaria de externalizar. Daqui a um tempo, talvez seu coração estivesse fragmentado em pequenos pedacinhos tão diferentes uns dos outros, que seria complicado demais encaixá-los mesmo com a melhor cola que existisse.

Quando disse ao seu conterrâneo, Oh Yeol, que a música que ele tocara tinha salvado a vida dela, não tinha sido da boca para fora. Aquele dia, Seol-hee vestia preto, tomava um cappuccino quente e tinha o nariz avermelhado, mas não era pelo frio. Era o intervalo que encontrara para ir à loja de conveniência enquanto velava sua falecida mãe a algumas quadras de lá. Sua prima havia saído de Seul para ajudá-la nesse momento difícil e em seus preparativos, embora não houvesse tantos convidados, se é que assim podia chamá-los, para visitar pela última vez a sua figura materna. Tal acontecimento foi o suficiente para que suas idas àquela lojinha aumentassem esporadicamente.

Era naquele estabelecimento que ela podia colocar seus pensamentos em ordem, talvez ouvir uma boa música se o “rapazinho do violão” também estivesse lá e, como uma boa jornalista, lá ela podia observar as pessoas e tudo o que acontecia do outro lado da vitrine, na grandiosa Sapporo, enquanto estivesse sentada naquelas mesinhas de plástico verde. De certa forma, Seol-hee era como Matsuri, curiosa e extremamente sonhadora, com a única diferença de que a mais velha, ao olhar a atendente, a invejava por estar sorrindo todos os dias. Como podia? Ou melhor, como conseguia? Não só a Yuki, como estava escrito em seu crachá, mas talvez os outros clientes que frequentavam o local. Em sua imaginação, todos viviam vidas felizes.

Seol-hee brincava com seus dedos cabisbaixa enquanto aquela enxurrada de sentimentos e lembranças tristes invadiam a sua cabeça, que nem notou o silêncio absurdo que tomou o estabelecimento quando a porta de entrada deslizou, trazendo o vento gelado para dentro daquela loja pacata. Quando levantou o rosto, percebeu expressões admiradas em direção à entrada.

—❈—

21:45

Matsuri quase caiu dura no chão quando viu o rapaz que acabara de entrar no estabelecimento. Estava tão concentrada em pendurar os pisca-piscas no fundo da lojinha, sendo ajudada por Makoto que segurava a caixa de papelão, que ao perceber que o cliente era nada mais, nada menos que Akira Tenshi - o artista multitalentoso do país, praticamente um tesouro nacional -, ela não fez absolutamente nada a não ser engasgar com o seu próprio suspiro assustado.

Com a voz baixa de surpresa, a adolescente desceu do banquinho - e quase tropeçou, diga-se de passagem -, fez uma vênia e disse timidamente:

Irasshaimase… Em que posso ajudá-lo?

O rapaz, um pouco envergonhado, levou uma de suas mãos à nuca, olhando para os lados um tanto quanto confuso. 

— Hmm, o trânsito estava muito caótico, ainda mais com essa tempestade — riu nervoso, percebendo os olhares curiosos sobre si — Estou atrapalhando alguma coisa?

Os sete jovens se entreolharam e balançaram a cabeça de um lado para o outro em negação. Não dava para dizer se todos conheciam a deslumbrante figura que acabara de entrar no local ou se estavam confusos o suficiente com a expressão da adolescente, mas eles estavam absortos o bastante para que expressassem o que parecia ser um misto desses dois sentimentos - ou algo próximo a isso.

— Akira Tenshi? — Maiko quebrou o silêncio incômodo, se colocando a um passo à frente dos demais, parecia ainda mais surpresa — O que você faz aqui?

— Maiko? — refutou após alguns segundos o tal do Akira — Eu que te pergunto.

— Calma, você é mesmo Akira Tenshi? O cara que fez Followers? — perguntou Makoto levemente curioso, o que fez o artista assentir com a cabeça.

Yuuji olhou ainda um pouco confuso para a figura, e Natemi, esquecendo a pequena troca de farpas de mais cedo, apenas cutucou o rapaz e apontou com os olhos para um cartaz da Shiseido que estava colada em uma parede daquela lojinha, a fim de avisar ao Satou quem era o rapaz que todos estavam surpresos. Ao observar a propaganda, Yuuji arregalou os olhos como se dissesse um mudo “aaah, então é ele” e logo em seguida um “o que ele faz aqui?”, os quais Natemi respondeu, também sem dizer nada, um “vai saber” com um arquear de sobrancelhas.

— Quanto tempo! — exclamou Maiko, pronta para envolvê-lo em um abraço.

— Eu digo o mesmo — respondeu Akira retribuindo o carinho e sorrindo gentilmente — Você literalmente sumiu. O que aconteceu?

— Longa história — riu triste a outra artista, o que fez o rapaz se mostrar levemente preocupado com a colega de carreira.

— Bom, se eu não estou atrapalhando em nada, em que posso ajudar? Acho que o clima nesta lojinha está um pouco atípico — riu.

Matsuri sorriu travessa. O Tenshi era um dos vários artistas que ela seguia nas redes sociais e que era motivo de fofoca entre suas amigas, além de, claro, vários surtos na sala de sua casa enquanto assistia a algumas novelas que ele fazia parte. Admitiu que ficou um pouco triste quando Akira anunciou o seu hiatus, choramingando por três dias seguidos com suas amigas do colégio que lamentavam igualmente desoladas com a notícia. Todavia, Matsuri se conteve, não queria parecer uma fã doida ou algo do tipo embora não fosse - só um pouquinho, para falar a verdade -, então apenas respirou fundo e pediu para que ele se acomodasse lá dentro, pois, por enquanto, os preparativos ainda estavam começando.

Assim, a adolescente continuou pendurando os pisca-piscas na parede enquanto Makoto segurava a caixa de papelão e a pequena escada em que a garota estava em pé. Maiko, Ren e Oh Yeol discutiam sobre quais músicas poderiam tocar, recebendo ajuda de Seol-hee que opinava sobre quais canções todos podiam conhecer, enquanto Natemi e Yuuji conversavam calmamente após fazerem as pazes por um momento.

O cliente que acabara de entrar observava aquela cena com um pequeno sorriso de canto. Pensou que talvez valesse a pena perder o especial do Grinch que passaria na televisão dali alguns minutos, mas estava um pouco receoso por deixar sua mãe e avó sozinhas. Mandou à primeira uma mensagem de texto, dizendo o que realmente havia acontecido: “tempestade horrível, parei em uma loja de conveniência, volto logo”, o qual recebeu como resposta um caloroso “tudo bem”, seguido de uma foto autorretrato em que aparecia a mulher e a outra mais velha dividindo um balde de frango frito.

Seu estômago roncou ao ver aquela foto. Havia ficado cerca de oito horas enfurnado em uma sala de reuniões gelada, discutindo o seu retorno e os preparativos para a segunda temporada de sua série, que não conseguiu comer direito. Lógico, lhe ofereceram alguns senbeis durante os míseros intervalos que teve, mas nada que se comparasse à sua vontade arrebatadora - e um pouco de lombriga - de comer um Cup Noodles, e o melhor deles, o de cheddar. Sua boca até salivava em imaginar o cheiro daquele macarrão instantâneo enquanto seus superiores diziam coisas importantes e apresentavam papeladas desinteressantes.

Akira então finalmente se viu dentro daquela loja de conveniência. Percorreu os olhos pelas prateleiras coloridas de macarrão instantâneo dos mais variados sabores, os quais, inclusive, já estavam devidamente rankeados em uma lista imaginária na cabeça do rapaz - e em que aquele de queijo ocupava o topo da lista. Aproximou-se da prateleira a qual ele tinha certeza que encontraria o sabor que desejava, afinal, os macarrões estavam sempre organizados da mesma maneira em todos os dias que ele frequentou aquela lojinha. Todavia, uma surpresa: o sabor cheddar não estava mais lá. Seria exagero dizer que Akira gritou desesperado, coisa que logicamente ele não o fez, pois apenas suspirou pesado e manteve o olhar frustrado para o pequeno local vazio. No entanto, há quem diga que ele gritou internamente, fosse de tristeza ou de raiva.

O patinador, notando tamanha decepção no olhar do artista, apenas perguntou:

— Aconteceu alguma coisa? 

— Ah, é que o sabor de Cup Noodles que sempre ficava aqui não está mais… — respondeu levemente envergonhado.

Matsuri, como uma boa funcionária, andou rapidamente até a prateleira de maneira preocupada e pôs-se a observar, notando o que estava em falta.

— É o Cup Noodles sabor cheddar que você procura, Tenshi-san? — perguntou a garota, olhando para a figura mais alta com um olhar interrogativo o qual recebeu um assentir de cabeça um pouco magoado e pôde jurar que havia visto um biquinho manhoso — Deve ter uma caixa no estoque, só um minuto.

Enquanto a adolescente saía loja afora em busca do macarrão desaparecido, deixando os jovens sozinhos por alguns segundos, Akira ouviu uma voz:

— Se eu fosse você, não comia esse macarrão aí, não — era Yuuji com as mãos no bolso de sua jaqueta, dizendo despreocupado — O rapazinho aí passou mal depois de comer um — apontou para Makoto, que arregalou os olhos, surpreso com tamanha afirmação.

Bom, não era no todo mentira, tinha sido o que o patinador havia dito ao mais velho minutos atrás, mas ter todos os olhos sobre si por uma coisa que ele não havia feito, foi motivo o suficiente para que seu coração acelerasse.

— Sério? — perguntou preocupada Maiko — Você podia ter me avisado, eu tenho alguns remédios aqui na bolsa. Se precisar, só me falar — piscou a moça.

— Não precisa, de verdade — respondeu Makoto que já sentia seu coração acelerar de ansiedade — E não foi por causa do macarrão que fui ao banheiro… é uma longa história — suspirou o rapaz que apesar de estar se sentindo levemente frustrado, e um tanto quanto irritado, aliás, pela resposta de Yuuji, ele não queria causar problemas.

Já não bastava se sentir um tanto quanto envergonhado, decepcionado, irritado, todo sentimento negativo possível que fosse que circulavam em sua cabeça. Talvez não devesse se cobrar tanto, se preocupar tanto. Se pelo menos tivesse feito apenas uma escolha certa na vida, Makoto se sentiria bem. 

Curiosamente, Maiko sabia exatamente o que se passava na cabeça do patinador - ou pelo menos parte dela -, apenas pela aura e expressões que o rapaz carregava. Havia um sentimento de empatia que percorria pelos olhos da moça e que, de alguma forma na cabeça dela, talvez pudessem ser parecidos em algo que ela não sabia dizer.

 — Ei, está tudo bem com você mesmo? — perguntou Maiko se aproximando do rapaz magro que quase se encolheu de susto ao notar a presença da outra ao seu lado.

Se tudo tivesse ocorrido exatamente como seus dezesseis anos; se tudo tivesse ficado exatamente como estava naquele ano, Makoto talvez não estaria pensando daquela maneira. Tinha sido campeão de um torneio importante, era motivo de orgulho de seus pais e de suas amizades que depois de tantos anos estavam finalmente sólidas. Sem dúvidas, aquela época fora a mais feliz da sua vida, e ela poderia facilmente continuar dessa maneira. A vida é feita de altos e baixos, mas será que não poderia ser, pelo menos, linear por algum período de tempo?

— Makoto-kun, está tudo bem? — sua mãe lhe dizia enquanto colocava uma sacola com pequenas vasilhas repletas de pãezinhos doces em cima da mesa.

O rapaz em questão estava sentado no sofá, tinha os cotovelos apoiados em seus joelhos enquanto suas mãos seguravam o seu rosto pensativo. A mulher sentou ao seu lado, encarando-o por alguns segundos preocupada. Levou as mãos para as costas do jovem, deixando pequenos carinhos como se o confortasse por qualquer dor que ele estivesse sentindo.

— Você está cansado, né? Kaoru deve estar pegando pesado contigo… Se a mamãe não fosse tão covarde, falaria com ele… — Harumi tentou quebrar o silêncio, ainda tentando olhar para o seu filho em seus olhos.

Makoto não precisava da ajuda materna, ele poderia muito bem resolver tudo sozinho. Era só pedir para que Kaoru não o treinasse mais. Era simples o bastante, não exigia muito esforço. No entanto, havia um empecilho que o impedia de fazê-lo: seu treinador, por mais rígido que fosse, era o seu pai, e que tipo de contato paternal teria senão com os seus treinamentos. Não aguentava mais ter que brigar com ele, ouvir seus gritos e xingamentos, suas imposições absurdas e suas críticas que muitas vezes não eram nada construtivas. Nesses momentos, se colocava a pensar se tudo poderia voltar a ser exatamente como eram seus dezesseis anos e se tivesse ficado assim.

Talvez seus pais ainda estivessem juntos e orgulhosos de si, talvez ainda teria amigos que o chamassem para sair nos finais de semana, talvez Makoto seria um patinador famoso e reconhecido, cheio de prêmios e conquistas, estaria viajando o mundo. No entanto, seus dezesseis anos já haviam passado fazia anos e isso doía seu coração. 

Makoto queria poder voltar no tempo e fazer com que aquela megera disfarçada de madrasta nunca tivesse aparecido em sua vida e na vida de sua família que, mesmo longe de ser uma família perfeita, ainda sim era uma boa família. Sentia falta também dos seus cinco anos de idade, quando via a patinação com brilho nos olhos os quais, agora, custavam em se manterem vivas. Ver seus aluninhos durante as aulas com o mesmo olhar que tinha fazia seu coração doer, talvez pelas escolhas não feitas - ou se o fez, foram erradas - ou por sentir inveja do sucesso que ele não teve, mas que seus pequenos alunos teriam mais para frente.

Todavia, haviam outros torneios aos quais Makoto ainda poderia participar. Estava na flor da idade, ainda não era hora para se aposentar, ele sabia disso. Mas as coisas poderiam ser um pouquinho mais fáceis. Se não tivesse de lidar com tantos dilemas familiares, tantas dificuldades; se seus saltos fossem perfeitos, se seus ângulos fossem mais definidos, quem sabe assim ele não poderia chegar onde queria. Onde estava o Uchida Makoto de dezesseis anos?

Colocou os seus pensamentos no lugar, dando vista à sua sala de estar de seu pequeno apartamento. Percebeu que sua mãe permanecia sentada ao seu lado com uma feição preocupada.

— Obrigado pelos pãezinhos doces, mãe — o rapaz sorriu após algum tempo, olhando nos ternos olhos da mãe que se amenizaram pela preocupação que foi se esvaindo aos poucos — Estou bem. Obrigado.

Mãe e filho ficaram um tempo conversando, desabafando, revendo fotografias de um pequeno Makoto em pistas de patinação de gelo, custando para se equilibrar em suas botas. Deram boas risadas, assistiram a campeonatos de atletas olímpicos enquanto o rapaz comentava sobre todos os saltos e notas técnicas, os quais sua mãe tentava acompanhar ou pelo menos fingia entender tudo o que ele dizia por puro amor e admiração. Ela, sim, notava que o brilho nos olhos de Makoto não tinha ido embora e se orgulhava muito do filho que possuía. Por mais que ele não pensasse da mesma maneira e não demonstrasse visivelmente a ela sua constante frustração, Harumi notava o fardo que o rapaz carregava em seu peito e queria fazer o que fosse possível para levar todo o peso que ele sentia para longe.

Quando sua mãe foi embora, despedindo-se com um caloroso abraço, Makoto suspirou pesado, e assim que fechou a porta, sentiu a onda de pensamentos negativos o invadir novamente. Dezesseis anos. Olhou para a mesa e viu as vasilhas que antes estavam cheias de pães, vazias. Perto do sofá, onde mãe e filho puderam dar risadas e relembrar como era bom os tempos passados, viu embalagens de aperitivos, abertas, igualmente vazias. Sentiu-se culpado. Talvez pudesse voltar aos seus dezesseis anos se não tivesse comido tanto.

Makoto logo caminhou para a entrada em busca de seus tênis de corrida. Os calçou e saiu pela noite fria de Sapporo com as roupas do corpo que nem se preocupou em trocá-las, afinal, o importante era poder eliminar toda comida e as possíveis calorias que ganhara com toda aquela comilança. O momento com a sua mãe tinha sido tão gracioso que nem havia se dado conta ou pelo menos lembrado de tudo aquilo que o preocupava.

Estava tão focado em correr, prestando atenção em quantos passos e em quantos quilômetros estava percorrendo através de seu relógio de pulso inteligente, que nem percebeu a figura que se aproximava de si. Makoto acabou esbarrando com tanta força na pessoa que vinha a sua frente, que acabou tropeçando e indo de encontro ao chão.

— Ei, me desculpe, está tudo bem? — a figura estendeu a mão para si, fazendo com que Makoto, com os olhos semicerrados pela claridade que vinha dos postes de luz, apenas percebesse que os fios do cabelo daquela pessoa eram em um tom de rosa bem forte.

Makoto se levantou sozinho, fazendo com o que ele percebeu depois ser um rapaz de cabelo rosado colocasse as mãos no bolso de sua jaqueta jeans, olhando para o lado um pouco frustrado pela ajuda recusada. 

— Eu que peço desculpas, estava distraído que nem vi por onde corria. Obrigado pela ajuda, aliás — disse Makoto sorrindo de canto, se despedindo com uma vênia e pondo-se de volta a correr.

Ren observou o rapaz se distanciar de si, ainda um pouco decepcionado por ter visto sua ajuda ser rejeitada. Bom, não havia nada o que fazer com aquilo, então apenas deu de ombros com o que havia acabado de acontecer e seguiu o seu caminho de sempre.

Com o seu pequeno amplificador em mãos e o estojo de sua guitarra nas costas, Ren entrava mais uma vez naquela lojinha de conveniência e, naquele dia, poderia comprar o que quisesse sem se preocupar muito com os trocados que haveriam depois. Recebeu o “seja bem-vindo” de sempre, andou em direção à geladeira e de lá retirou um lanche frio, aquele que sempre fez seu estômago roncar toda vez que o via, mas que nunca teve a oportunidade de comprar por exceder um pouco as suas finanças. 

Recebeu as pequenas moedas em mãos e foi embora ouvindo o “volte sempre” da mesma voz que o recebeu. Enquanto caminhava para casa estranhamente feliz naquele dia, pensou em ligar para a sua avó e contar a ela a sua novidade. Mastigava o seu lanche com gosto ao mesmo tempo que Guns N’ Roses tocava em seus fones de ouvido. De alguma maneira, aquela trilha sonora fazia com que as luzes da cidade ficassem mais bonitas e com que Ren parecesse ser o protagonista de um filme do começo dos anos 90.

Ao chegar em seu apartamento - se é que podia chamá-lo desse jeito, uma vez que possuía apenas um cômodo e um banheiro -, colocou cuidadosamente sua guitarra e seu amplificador em seu lugar protegido e jogou-se na cama, logo retirando seu celular do bolso. Antes de discar para a sua querida avó, Ren observou o horário, percebendo que já estava tarde demais e que a boa velhinha provavelmente já estaria dormindo, então pensou em ligar na manhã do dia seguinte bem cedinho.

O rapaz de cabelo rosa ficou por um tempo olhando o teto com um sorriso bobo no rosto. Quem diria que finalmente todos aqueles cartazes expostos nos quatro cantos de Sapporo dariam certo e que, naquele dia, receberia tantos elogios e gorjetas por seu show no restaurante. De grão em grão, a galinha enche o papo, e Ren pôde comprar aquele lanche que sempre quis e talvez mais viria pela frente. O Miyazaki estava doido para poder dizer tudo aquilo para alguém que não fosse seus vizinhos barulhentos que, se duvidasse, já teriam ouvido seus pensamentos.

Sentou na cama e observou a sua guitarra. Sorriu pesado. “Será que vocês estariam orgulhosos de mim, papai, mamãe? Espero que Naomi esteja trazendo orgulho a vocês. Aqui está tudo bem”, pensou com o coração doído. 

O rapaz balançou a cabeça de um lado para o outro em uma tentativa de esquecer a saudade de casa. Caminhou para o banheiro a fim de tomar uma ducha e, então, poder esperar pelo dia seguinte que ele queria, do fundo de seu coração, que fosse tão bom quanto aquele.

—❈—

21:55

Ren plugou sua guitarra no amplificador, fazendo com que um som estridente preenchesse a lojinha por milésimos de segundo, assustando Makoto que nem havia se dado conta que Maiko ainda esperava por uma resposta.

— Então, Uchida-san, você não vai precisar mesmo de algum analgésico, sei lá? — insistiu a moça preocupada.

— Ah, desculpe, eu não estava passando mal de verdade… — engoliu o seco, olhando profundamente nos olhos de Maiko — É uma longa história.

— Você pode contar comigo — sorriu a moça — Lógico, se também não quiser contar, tudo bem, mas sou toda ouvidos quando você quiser. Eu sinto que nós temos algo em comum.

Makoto continuou olhando para Maiko e, de alguma maneira, sentiu que poderia confiar na artista. Respirou fundo, talvez contaria mais tarde quando o “que fosse aquilo que estava para se tornar” dentro da lojinha terminasse, então apenas assentiu um pouco tímido, fazendo com que Maiko sorrisse gentilmente.

Do outro lado, Akira ainda estava morto de fome, prestes a roer as unhas de tanta ansiedade pelo Cup Noodles sabor cheddar que esperava com tanto afinco. Quando Matsuri colocou os pés para fora do estoque trazendo o macarrão instantâneo que ele tanto esperava, só faltou fogos de artifício estourarem no céu.

— Você tem muita sorte, era o último — sorriu a adolescente enquanto abria a embalagem para colocar a água fervente.

— Muito obrigado, você salvou a minha vida — disse Akira sorrindo largamente.

De repente, Seol-hee chamou a atenção de todos, fazendo com que os olhares se dirigissem a ela. A moça estava radiante enquanto atrás dela se encontravam Ren e Oh Yeol com seus respectivos instrumentos em mãos. Yuuji abriu uma terceira latinha de cerveja, Natemi o acompanharia daquela vez.

— Vocês estão prontos? — perguntou a coreana, recebendo um “sim” em unissono.

O festival de Natal em Sapporo só estava começando.

 


Notas Finais


[Glossário e curiosidades]
—❈ Pocky: é um biscoitinho doce em formato de palitinho com cobertura de chocolate ou de morango. Sua versão coreana se chama Pepero;
—❈ Mendokusai: pé no saco, chato. Chiyo, amigo de Oh Yeol, basicamente chamou o antigo professor de “pé no saco”.
—❈ Bangabsebunida: “prazer em conhecê-lo” em coreano, equivalente ao “yoroshiku onegaishimasu” japonês.
—❈ Followers: é uma série japonesa disponível na plataforma Netflix (inclusive, vou precisar assistir, mesmo não tendo nosso Akira Tenshi maravilhoso nele);
—❈ Shiseido: é uma marca de cosméticos japonesa;
—❈ Senbei: é um aperitivo de arroz japonês, podendo ser doce ou salgado;
—❈ O que me serviu de gatilho para escrever a parte do Oh Yeol foi a música ‘eve’ da banda japonesa cinema staff. O que é interessante sobre ela (e que justamente me serviu como inspiração) foi que basicamente no fundo dos acordes do violão, na versão original, é possível ouvir “barulhos externos” como se fosse realmente uma gravação feita com o celular em algum lugar. Enquanto ouvia, imaginei nos fundos o cenário da lojinha (pra vocês verem como ‘os ventos’ tem um pedaço no meu coração kk). O link para o cover no YouTube e para o Spotify estarão mais à frente.

[Links importantes]
eve - cinema staff: yt: https://www.youtube.com/watch?v=93ACT0mzrLg spotify: https://open.spotify.com/track/48WWmuo5O8JPn2J2qRRwo1?si=be3fddad1cc24cac
Trailer de "abertura": https://youtu.be/BwycO-IxkpQ
Playlist: https://open.spotify.com/playlist/1Ns0ERUEzQqglVMgYJFBQm
Passeio por Sapporo: https://youtu.be/-mwqSd1UfM8
Personagens: https://tinyurl.com/os-ventos-cast

[Avisos]
Não é bem um aviso, é mais um pedido. Como estamos quase na metade da história, quero saber o que vocês estão achando da fanfic, suas sugestões do que pode acontecer mais pra frente, críticas, algo que não estejam gostando etc. Então criei este formulário que vocês podem preencher sem necessidade de se identificarem. Qualquer pessoa pode responder, tendo o personagem aceito ou não :) https://forms.gle/fMNLSoyobMizgMs76

[Recados finais]
Só digo uma coisa: CUP NOODLES, PATROCINA ESSA FANFIC, POR FAVOR, olha quantas vezes mencionei sua marca neste capítulo sem receber um centavo e ainda por cima fiquei com vontade de experimentar o de cheddar, grrrr (obrigada @zixggy pela lombriga hehehe). Segundo, quem gosta de uma fanfic mais no estilo de ‘os ventos’, provavelmente vai gostar dessa fanfic interativa que encontrei por aqui esses dias, fica aí uma indicação: ‘Inesquecível’ - http://fics.me/21719834

Espero que tenham gostado (inclusive pra você que leu as notas finais, um beijo e um queijo)! Até a próxima! ~~


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