História Otherside - Capítulo 20


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Gay
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Sei que sumi por meses, peço mil desculpas. A faculdade consome muito do meu tempo, mas as férias me deram tempo para escrever este último capítulo que aqui está. Enjoy!

Capítulo 20 - Último


Fanfic / Fanfiction Otherside - Capítulo 20 - Último

Robert 

E então estou "vivo". Ponho aspas nesta palavra porque a tal vida já não é mais a mesma. Tentaram me matar, e Nico foi a verdadeira vítima da inconsequência de meus atos, do que fiz no passado. E isso eu não posso me perdoar. 

Agora estou do lado de fora. Os médicos removeram as balas cravadas em meu corpo, entretanto, é como se elas ainda estivessem em mim, essas marcas que me fazem lembrar de quem eu sou, do porquê de eu estar em uma eterna linha de tiro. 

Erica estava me deixando em casa. Consegui driblá-la de perguntas que não poderia responder. Disse que foi tudo um acidente, que dormi no volante.  Ela e minha mãe, Desjardine, queriam que eu repousassem na residência dos meus pais. É claro que eu não os poria em risco também.  

Andar naquele carro, ver os veículos e a cidade cruzando meus olhos em um crepúsculo noturno, me fez despertar memórias de um outro passado. Não aquele, mas algo mais recente.  

O trauma. É aquela parte que você não pensa no momento do ato, do acontecimento, porém ele sempre lhe marca. É uma cicatriz mental que dificilmente lhe abandona. 

                                                                                              *** 

— Você não está bem, Robbie. — foi o que Erica disse antes de beijar a minha testa e afagar meus cabelos. 

Eu lancei um olhar pela janela. Mesmo com a aparência bonita por fora, não se podia negar a realidade do que era aquele lugar. 

Minhas mãos tremiam. Eu entrava em pânico só de pensar em entrar ali.  

— Você precisa ir — minha irmã segurou minha mão direita, enquanto a outra apertava a alça da mala com força. — Vamos, eu te levo. 

Prendi a respiração. A partir daquele instante, seria tudo automático.  

Eu não precisava pensar, só teria de fazer. Era um inferno, eu sabia, mas que era necessário. Já não dava mais. Minha mente implorava por ajuda, porque eu já não queria mais sentir a realidade, não queria encarar o que fiz.  

Erica tomou-me pela mão. Entrelaçamos e seguimos o singelo caminho de pedras entre o jardim. Passamos por uma placa que dizia "Clínica Psiquiátrica St. Jude." 

St. Jude. São Judas Tadeu, o santo das causas perdidas. Comecei a pensar naquilo. Eu era uma causa perdida. 

— Robbie. Os seus documentos. — Erica me fez voltar a realidade, e eu já estava de frente para uma mulher, para quem me identifiquei. 

 A moça logo nos fez andar por um corredor a direita. Primeiro, um calendário na parede. 05 de fevereiro de 2005. Depois, passamos por uma sala aberta onde um grupo de pessoas sentadas em círculo ouviam alguém falar. 

— É por aqui. — disse a atendente. 

Saímos por um corredor nos fundos que dava num jardim. Logo, uma mulher de jaleco tratou de receber Erica: 

— Olá. Meu nome é Victoria Clarke. Eu sou a médica chefe. Será um prazer tratar seu irmão. 

                                                                                                    *** 

— Robbie, chegamos. 

Minha irmã estacionou em frente a minha residência. Pude ver em seu semblante o contragosto de me deixar ali, mas comigo não há relutância. Eu faço o que decido. 

— Se cuida. — foi o que ela disse antes de me beijar no rosto e se despedir. 

Chequei meu telefone. Haviam algumas mensagens da conversa com Andrew, que me visitou antes de eu ter alta. Já Nico, nem sinal dele. Ligações na qual o mesmo não atende.

Andrew me disse que ele chegou a aparecer depois. Que entrou em meu quarto algumas vezes, mas que não quis conversa. 

Sei que falhei com você. Sei que falhei com todos que esperavam algo de mim, mas que não pude dar o meu melhor. Existem coisas maiores do que eu, acima do que posso controlar. 

A ideia de perdê-lo é tão assustadora que quase quebro a chave na maçaneta. Entro em casa, e o aroma típico do lugar invade minhas narinas. Tudo está no mesmo lugar, a bagunça dos livros e dos relatórios continua na mesa. Quando a vida decide entornar a garrafa de uma vez, não há tempo para essas coisas. 

Mas há algo estranho no ar. Dou passos lentos pelos cômodos, observando como tudo reage à minha presença. Você sente quando algo altera o lugar, quebrando o que há de normal nele. 

Um movimento. Foi quase inaudível, mas meus sentidos estão aguçados, e posso senti-lo. 

Há alguém aqui, me esperando. 

Tento me distanciar, dando passos de ré. A cada um, sinto como se estivesse colocando meus dedos em uma armadilha. Tudo dispara por dentro. E então, um vulto, atrás de mim. 

Foi como dar uma largada. Travo os dentes e lanço uma cabeçada para trás, atingindo quem quer que fosse atrás de mim. Meu agressor grita, irritado, e eu tento correr instintivamente para a porta dos fundos, mas meus pés são puxados com força. Tento me desvencilhar dos ataques, porém minha cabeça é atingida, e mais uma vez, perco meus sentidos. 

Nico 

Meus olhos ardem depois de despertar. É como se estivesse tudo claro, mas só resta a escuridão. Um cheiro de mofo e gasolina invadem minhas narinas, me deixando ainda mais confuso.  

Aos poucos me acostumo com a baixa iluminação e consigo perceber que estou num quarto escuro, alguma espécie de porão. Há caixas e livros empoeirados e por um momento posso sentir que conheço o lugar. Tento me locomover, mas com meus pulsos amarrados na cadeira não dá. 

Fui sequestrado. Não há razão a não ser ele. Robert. 

Se eu não estivesse amordaçado, gritaria. Meu instinto clama para eu implorar por socorro, porém sei que consigo ser mais inteligente que isso. Tento recapitular os últimos momentos antes de chegar neste local.  

Foi logo depois da minha última visita no hospital, ironicamente. Eu estava no caminho de volta, e fui abordado por dois homens em um veículo que me desmaiaram com alguma substância química.  

E então despertei aqui. Tento me mexer minimamente, buscando alguma coisa ao alcance dos meus pés, entretanto, a escuridão torna tudo mais difícil, exceto a mínima quantidade de luz que atravessa por debaixo da porta.  

Robert, o que você fez? 

Num segundo, a porta se escancara. É tudo muito rápido, e começo a me remexer desesperado enquanto os mesmos dois homens me carregam ainda amarrado.  

Meus olhos vibram na luminosidade. Mesmo com a visão turva, eu finalmente reconheço o lugar enquanto cruzava o corredor. 

É a residência de Robert. Reconhecer um local num foi tão assustador e as piores teorias possíveis surgem na minha cabeça. Seria ele um assassino? E se tudo foi armado? E se eu tivesse sido... 

Escolhido? 

Uma vítima perfeita? Um álibi? Meu Deus, o que eu sou agora se não um predestinado a morrer? Onde eu me meti, afinal? 

Percebi então que jamais conheci Robert, mas apenas uma versão aceitável do que ele é. 

Agora me foi revelado o seu outro lado. 

Novamente, entro na escuridão por uma escadaria abaixo. Os homens me posicionam dentro do compartimento, e depois desaparecem, novamente sem respostas. 

 

Robert 

Acordo dentro de meu quarto. A cabeça realmente lateja depois de uma pancada. Meu Deus, o que eles estão pensando?  

Na verdade, não tenho mais certeza de quem são, e o que pretendem comigo. Isso já foi longe demais, e muita gente está na linha de tiro. 

Isso tem que acabar logo.  

Estou amarrado com uma corda em um de meus pulsos, no pé da cama. Sem mordaça, eles esperavam que eu gritasse, indicando que despertei. Meu coração começa a palpitar, nervoso. Preciso agir. 

Tento ouvir barulhos externos. Nada. Há uma pequena brecha por onde a luz passa. Algumas sombras indo e voltando indicam guarda. Estão esperando qualquer ação vinda de mim. Meu celular, obviamente me foi retirado. Começo a analisar ao redor, e tudo parece perdido, mas vejo a gaveta do criado-mudo. Mordo o lábio, apreensivo. Abrir a gaveta sem emitir qualquer som seria impossível, entretanto, já não tenho muito o que perder. Puxo lentamente a maçaneta, que emitiu um pequeno "arranhado" ao abrir, mas que não os atraiu, felizmente. 

Reviro devagar por dentro. Em um segundo, encontro o que queria. Eles não contavam com um jornalista que sabe que imprevistos acontecem. 

Só me resta esta última e única cartada disponível. 

                                                                                                    *** 

Tento escapar de novo, mas os homens me ouvem. Estão encapuzados, todos de preto e me carregam para fora. Sou levado até o porão, e então a luz se acende. 

Consigo ver seu rosto numa expressão indefinível entre o desespero e o ódio - ou talvez medo? - que ele deve nutrir por mim agora. Nico consegue dizer tudo com o olhar lançado para mim. O suor escorre em minha testa e tudo que consigo fazer é acenar negativamente com a cabeça, como se ele pudesse compreender que eu queria pedir perdão à ele, porque as coisas boas que fizemos não compensam a situação em que nos encontramos agora. Que o que eu sinto por ele é muito maior, e certamente, muito mais belo do que a tragédia e o infortúnio que cerceiam a minha alma. Perdão, Nico. Eu o amo. 

Os homens encapuzados me posicionam numa cadeira ao lado dele, me amarrando novamente.  

— Ei! — tento chamar a atenção deles. — Quem são vocês?! Para quem trabalham?! 

Mesmo sabendo que seria inútil, eu esperava esse silêncio. Os homens se colocam em espera ao lado da porta do porão. Penso na pequena janela que serve como saída, porém em minha condição, impossível escapar. 

Na velocidade de um pensamento, uma forma humana surge por entre as escadas, revelando sua silhueta e rosto ao se aproximar da luz. Cerro meu olhar, tentando puxar pela memória. Não, não poderia ser... Já não era mais loucura, afinal, a insanidade já tinha ido à tempos. 

Num sorriso malicioso, como se tivesse capturado a melhor caça em anos, ela desponta em seu sarcasmo: 

— Bem, quem diria... Você está melhor do que eu esperava, Robert. 

Seus trejeitos enquanto falava eram uma memória de alguém que eu não esperava nem na mais remota possibilidade. De todos os erros que já cometi, esta era uma traiçoeira consequência. 

— Lydia...? É você? — arrisquei, talvez estivesse enganado. 

— Sempre péssimo em lembrar, não é? Sou eu, Robert. 

— Mas... 

— Não esperava, eu sei. Mas finalmente eu te encontrei, estando no seu encalço há anos. 

Eu estava furioso, mas comigo mesmo. Havia sido uma jogada de mestre, uma peça encurralada no xadrez, prestes a dar o cheque mate. A esta altura, Nico era a minha preocupação. Ele não tem nada a ver com tudo isso. 

— Então... As ligações, o carro me seguindo... — refletia, enquanto ela apreciava meu semblante incrédulo, a arma repousando no coldre em sua cintura. — Aquele acidente! Tudo isso era você?! Você matou uma inocente, sabia disso?! 

— E você matou o meu irmão! — explodiu ela. Finalmente o anjo cedeu espaço ao demônio. Vingativo, traído. A verdadeira Lydia Morelli, que todos esses anos me perseguia como uma sombra totalmente oculta. 

— O Diego não era a melhor pessoa do mundo, e você sabe disso muito bem. 

Lydia não respondeu, optando por tirar a mordaça de Nico. Ao contrário do que eu esperava, o garoto não disse uma única palavra. 

— Nós tínhamos um plano — disse ela. — Estava perfeito. Mas o Diego tinha que escolher aquela maldita cidade — Lydia balançava a cabeça negativamente, como se recusasse o passado. — E o pior, ele tinha que se apaixonar, logo por você. 

Nico virou para mim, a testa suando, incrédulo.  

— Ele não sabe, não é? — disse Lydia. — Mais um que você mentiu desde o começo.  

Eu ofegava. Era como escapar para uma ilha. Não há mais nada a ser contornado. Apenas a verdade. 

Engoli em seco e fechei os olhos, me preparando para pronunciar aquelas palavras,: 

— Eu era um jornalista infiltrado na época. Contatos anônimos me fizeram chegar até o esquema de tráfico de armas em Belfast, na Irlanda do Norte. O pai dela estava repassando a liderança da quadrilha para o filho, Diego. Eu me passei por um comprador de armas e fui me aproximando dos Morelli cada vez mais, e foi inevitável. Diego e eu estávamos tendo um caso. Eu sabia que não podia, afinal, eu ia delatá-los, mas o meu erro foi deixar acontecer. Quando me dei conta, já era da família.. Eu passei a confiar, e não percebi que Diego estava um passo a minha frente, e que eu já tinha sido descoberto. Mas ele gostava de esperar, sempre foi assim. Numa noite, me escondi e percebi que ele pôs uma arma debaixo da cama. Então eu o chamei para o chuveiro, e... 

Prendi a respiração, eu não conseguia mais falar. Lágrimas escorriam, e eu sabia que havia chegado a uma situação irreparável. Era o fim. Nico continuava emudecido, porém agora havia baixado a cabeça. O garoto havia conhecido a minha verdadeira face. 

— ... E esfaqueou o meu irmão até a morte, escapando como um gato sorrateiro. Ele sumiu do mapa, e eu tive que juntar os cacos, enquanto lidava com a morte do Diego e preparava a minha vingança. 

— Lydia, por favor — supliquei. — É tudo minha culpa! Eu sei disso, mas deixa ele ir! 

— Doi quando alguém lhe tira o que você ama, não é?! — vociferou ela, apontando a arma para Nico, e puxando o gatilho. 

— LYDIA, NÃO! 

Talvez sempre tenha sido tarde demais. 

 

Nico 

Foi tudo num segundo. A arma havia falhado, porém no mesmo instante, um grande estrondo foi ouvido e só se viam escombros e poeira ao redor.  

A residência de Robert havia explodido, e quando me dei conta, estava escapando com ele do lado de fora, a perna mancando e ele com a testa sangrando, mas não importava. 

Havíamos sobrevivido. Andrew surgiu em seu veículo, disparando para qualquer lugar, longe dali. 

— Conseguimos? — disse Robert, me encarando assustado. 

— Conseguimos. — Andrew e eu dissemos ao mesmo tempo. 

Robert sorriu para mim, e eu o compreendi, finalmente.  

— Droga... — disse ele, de repente, pondo as mãos no peitoral. O sangue. Todo aquele sangue que eu não havia percebido. 

— Robert! — gritei eu, e Robert caiu em meus braços. — A-Andrew, um hospital, rápido! 

— Não, tá tudo bem — disse ele, ofegante. Pus as mãos na ferida para tentar conter o sangue. — Eu te salvei, Nico. 

— Mas você precisa se salvar também. — falei, desesperado. Os olhos de Robert fitavam a minha face enquanto afagavam meus cabelos. 

— Não se preocupe. Eu te amo, ok? 

— Eu também te amo, Robert. 

Ele ofegava, incessante: 

— Por favor, me perdoem, por tudo. Vocês dois. 

— Não tem nada pra ser perdoado — sorri, interpelando as lágrimas em minha face. 

— Você continua do mesmo jeito de quando te conheci. 

Cuspindo sangue, estas foram suas últimas palavras: 

— Eu te vejo do outro lado. 

Robert Davis faleceu em meus braços, a caminho do hospital. Os médicos disseram que uma bala havia atingido o seu coração em cheio.  

Ele morreu tentando me salvar. O amor da minha vida se sacrificou por mim, e talvez tenha sido nos seus últimos instantes de vida que eu tenha descoberto isso. 

Eu me apaixonei por quem ele é de verdade. Do que o outro lado de sua verdade teve a me oferecer, mesmo não sendo a mais bela das coisas do mundo. 

Mas Robert foi incrível, afinal das contas. 

Ele será eterno dentro da minha alma.

 

"Duvides que as estrelas sejam fogo, duvides que o sol se mova, duvides que a verdade seja mentira, mas não duvides jamais de que te amo."

- William Shakespeare 


Notas Finais


Enfim, tudo acaba. Foi um prazer pra mim escrever e criar esses personagens, e espero que tenham gostado tanto quanto eu. Peço desculpas pelas demoras, e pelos eventuais erros na história.
E, como puderam ver, o gif deixa em aberto que ainda há uma história pós fim a ser contada.
Vejo vocês no epílogo que logo postarei. Beijo.


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