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História Otouto - Capítulo 7


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Notas do Autor


Boa leitura

Capítulo 7 - Sétimo


O pequeno Itachi estava radiante de felicidade, uma vez que sua mãe finalmente havia recebido alta do hospital e estava em casa com o bebê Sasuke. 

A rotina claramente seria outra a partir dali, com o novo integrante da família recebendo maior atenção dos pais, principalmente da mãe, mas Itachi compreendia que Sasuke era um bebê, que os bebês são dependentes, então não havia problema algum em se adaptar àquela nova realidade. 

Mikoto colocou o pequeno Sasuke no berço, que estava no quarto que antes era só de Itachi, ao lado da cama do garoto. 

— Mamãe, mamãe… Posso pegá-lo? — Itachi perguntou empolgado, praticamente se pendurando no berço para ver o irmãozinho que estava calmo e tranquilo. 

De acordo com Mikoto, Sasuke era grande para um bebê recém nascido. Mas, para Itachi, seu irmãozinho era tão minúsculo que sequer parecia ser de verdade. 

— Filho… Ele ainda é muito novinho. — Mikoto respondeu um tanto insegura, temendo que a euforia de seu primogênito o fizesse ter alguma atitude impulsiva que viesse a machucar o caçula. — Não é melhor esperar alguns meses? 

Itachi olhou desapontado para sua mãe, com uma carinha triste. Eram os primeiros minutos de Sasuke naquela casa, ele queria ao menos segurar o irmão, coisa que não teve permissão para fazer enquanto sua mãe ainda estava no hospital. Pensou que ao menos em casa poderia pegá-lo. 

— Não, mamãe, eu quero pegar ele agora. — O menino insistiu, seus olhinhos demonstravam toda a sua ansiedade e expectativa. 

Mikoto suspirou. Ela queria saciar a vontade de Itachi, mas ainda sentia um pouco de medo por Sasuke. Afinal, Itachi tinha apenas cinco anos, era uma criança pequena, então imaginar um bebê em seu colo podia dar um pouco de medo. 

— Tudo bem, mas façamos de um jeito seguro. — A mulher se deu por vencida, passando os olhos pelo quarto até fitar a poltrona que havia colocado ali por causa do bebê. — Você se senta na poltrona, sim? — Indagou com a voz meiga, e logo após o garoto abriu um sorriso largo de felicidade. 

Mikoto riu da reação de seu filho, ele estava particularmente empolgado com o pequeno Sasuke. 

Enquanto isso, Itachi saltou das grades do berço e correu até a poltrona, onde se sentou rapidamente e olhou para a mãe em expectativa, balançando as perninhas. 

Itachi sempre foi um garoto calmo e tranquilo. Às vezes Mikoto o considerava sério e calado demais para a sua idade, uma vez que crianças costumam ser mais agitadas. Mas, pela primeira vez, e por causa de Sasuke, a mulher vía uma empolgação e um brilho genuíno nos olhos de seu filho. Ele nunca havia sorrido por outra coisa como estava sorrindo pelo irmão caçula. 

A mulher então pegou o bebê no berço, que estava enrolado com uma manta azul clara, e andou com ele até a poltrona onde Itachi estava sentado. 

— Me dá ele, mãe. — O garoto esticou os bracinhos na direção do pacotinho embrulhado nos braços de Mikoto. 

— Calma, filho… — Pediu, risonha. — Fica quietinho, tá bom? Não queremos assustar ele, não é mesmo? 

Itachi assentiu com a cabeça, então se acalmou. Com o garoto mais quieto, Mikoto cuidadosamente colocou o pequeno Sasuke nos braços do irmão. 

Os olhinhos negros se arregalaram em felicidade no instante em que o bebê finalmente se encontrou em seu colo. Itachi estava feliz, muito feliz. 

Mikoto ficou bem perto, mas pareceu mais tranquila quando viu que Itachi aparentava ser bem cuidadoso com o caçula. O menino compreendia que aquela criaturinha em seus braços não era um brinquedo, mas uma vida, e precisava ter certa cautela com ele. 

— Oi de novo, Sasuke… — Itachi cumprimentou o mais novo com o sorriso que não conseguia tirar do rosto. — Bem vindo ao nosso quarto. 

O bebê estava com os olhos abertos, encarando o irmão como se estivesse entendendo alguma coisa. 

— É só por enquanto, tudo bem? — Mikoto falou com a voz calma e tranquila. — Sasuke terá seu próprio quarto quando crescer mais um pouquinho. 

Itachi não se importava mesmo. Seu quarto parecia menor com aquele berço ali, mas realmente não fazia diferença para o garoto, afinal, gostava da presença do irmão. 

— Tudo bem, mamãe… Ele pode ficar no meu quarto pelo tempo que precisar. O quarto agora é nosso, não é, Sasuke? — Sorriu para o bebê. 

Itachi sempre foi uma criança madura e compreensiva, particularmente fácil de lidar. Aquilo era um alívio para Mikoto, uma vez que tinha um pouco de receio sobre como seria a adaptação do pequeno Itachi com um bebê recém nascido em casa. 

Então, Itachi arriscou dar um beijinho na bochecha gordinha e rosada de seu irmão, mas o bebê aparentemente se sentiu incomodado e resmungou. 

— Mamãe, o que eu fiz de errado? — Itachi perguntou um tanto apavorado, vendo que Sasuke iria começar a chorar. 

Mikoto manteve a calma, pegando o pequeno Sasuke em seus braços. 

— Você não fez nada de errado, querido. — A mulher balançava o pequenino em seu colo, tentando acalmá-lo enquanto ele chorava baixinho. — Bebês choram. Acho que ele se assustou quando você chegou perto demais. — Explicou. 

Itachi assentiu aflito, uma vez que não teve a intenção de assustar o pequeno Sasuke, mas pelo menos ele parecia estar se acalmando nos braços da mãe. 

— Desculpa, Sasuke… — Itachi falou enquanto observava a mãe que estava de pé ao lado da poltrona, com Sasuke no colo. 

Mikoto riu. 

— Tudo bem. — Ela falou, olhando para o filho mais velho. — Ele com certeza desculpa você. 

— A senhora não vai mais me deixar pegar ele, né? — Indagou cabisbaixo. 

— Filho, não foi culpa sua. — A mulher caminhou em direção ao berço, colocando um Sasuke já calmo e tranquilo sobre o colchão. — Pronto, está tudo bem agora. Ele é um bebê bonzinho. — Sorriu. 

Itachi se levantou da poltrona, caminhando lentamente para perto do berço, então se aproximou com certa cautela das grades do berço, temendo que Sasuke acabasse chorando mais uma vez por sua causa. 

— Não vou te assustar dessa vez, Sasuke… — O menino sorriu sem mostrar os dentes, olhando com uma expressão serena para o bebê que agora parecia infinitamente mais tranquilo enquanto chupava o dedão da mão esquerda. — Ele é canhoto, mamãe? 

Mikoto uniu as sobrancelhas, confusa. Da mesma forma que ela não tinha ciência de que seu primogênito sabia o que era uma pessoa canhota, também não havia notado que Sasuke estava chupando o dedo da mão esquerda. 

— Só vamos saber daqui a um tempo. — A mulher respondeu. — Bem… Estou achando que vamos ter que providenciar uma chupeta para ele. O que você acha? 

— Nós compramos uma, mamãe. — Lembrou. 

— Ah, é verdade. — Disse ela. — Fique olhando seu irmão por uns instantes, eu vou pegar a chupeta para ele. 

Itachi assentiu e ficou ali, apenas olhando para seu irmão, evitando até se aproximar muito a fim de não assustar o pequeno. 

Sasuke olhava fixamente para o brinquedo pendurado sobre o berço. Itachi não sabia dizer o que estava chamando a atenção do bebê, se era o formato dos ursinhos pendurados ou as cores chamativas; talvez o bebê ainda nem conseguisse enxergar direito ou distinguir o que via, mas Itachi achava adorável a forma como aquela coisinha minúscula olhava para aquelas pelúcias com os olhinhos negros um tanto arregalados como se estivesse realmente concentrado. 

— O que você vê de interessante aí, hein? — Itachi indagou risonho, se surpreendendo quando os olhinhos de Sasuke se voltaram para ele, haja vista que o bebê havia tido sua atenção roubada pelo som da voz do irmão. — Ah, olá. — Riu. — Você está me reconhecendo, garoto? Sou seu irmãozão. — Itachi falou e percebeu que Sasuke continuava a observá-lo. — Vou considerar que isso seja um sim. 

O bebê não parecia que iria chorar novamente, e aquilo era bom. Itachi definitivamente não sabia o que deveria fazer caso estivesse sozinho com Sasuke e ele começasse a chorar. Mas, era como Mikoto havia comentado, Sasuke aparentava ser um bebê tranquilo. 

— Aqui está. — Mikoto finalmente voltou, trazia consigo a chupeta que havia comprado para o caçula antes de ele nascer. — Vamos ver se ele vai aceitar. 

A mulher parou ao lado de Itachi, então fitou o bebê que estava no berço e continuava com o dedo na boca. Ela então tentou introduzir a chupeta, mas sem muito sucesso, uma vez que o pequeno cuspia e logo em seguida colocava o dedo na boca de novo. 

Itachi começou a rir, havia achado engraçada a forma com Sasuke rejeitara a chupeta e continuava chupando o dedo. 

— Parece que ele não gostou muito da chupeta. — Itachi comentou. — Prefere o dedo. 

— Vamos tentar mais uma vez. — Mikoto falou enquanto colocava novamente a chupeta na boca de Sasuke, apenas para ele cuspir de novo. — É, parece que não gostou mesmo. — Suspirou derrotada. — Seu dedo está mais interessante? — Riu. — Vamos tentar a chupeta em outra ocasião. 

— Se ele não aceitou agora, vai aceitar depois? — Itachi questionou com certa curiosidade e expectativa, afinal, havia escolhido a dedo aquela chupeta. 

— Às vezes pode demorar. Você não aceitou de primeira quando era bebê. — Contou. 

— Sério? 

— Sim. — Sorriu. — Ele não quis agora, mas pode querer depois. Vamos ficar confiantes de que Sasuke vai aceitar a chupeta que você escolheu com tanto carinho para ele. 

— Acho que nem me importo tanto se ele não quiser… 

Mikoto arregalou um pouco os olhos, nitidamente surpresa. 

— Por que não, filho? 

— Eu queria que ele aceitasse, porque eu escolhi a chupeta, mas não é certo. — O garoto respondeu, notando que sua mãe o olhava em expectativa e ainda um pouco confusa com o que ele queria dizer. — Bem, as pessoas não devem tomar decisões por conta própria? Então… Quem vai decidir se vai ou não querer a chupeta, é o Sasuke. E eu vou continuar amando o meu irmãozinho, independente de qual for a decisão dele. 

O coração de Mikoto se aqueceu com aquelas palavras. Não tinha dúvidas de que Itachi seria o melhor irmão do mundo para Sasuke, que sempre estaria ali para ele e iria compreendê-lo em tudo, quaisquer que fossem as decisões tomadas em sua vida. 

— Você está se saindo um ótimo irmão, sabia? 

— Estou? 

Mikoto riu sem mostrar os dentes e assentiu com a cabeça. 

— Está sim. E o Sasuke com certeza não vai poder pedir um irmão melhor. 

— Como será que ele vai ser quando crescer, mamãe?

— Ah… Isso não dá pra saber por enquanto, não é verdade? — Sorriu. — Pode ser mais desinibido como eu, ou mais fechado como o pai de vocês. — Comentou. — Saberemos quando ele crescer. 

— Eu acho que ele vai ser sério. — Itachi falou com tamanha segurança, que chegou a surpreender sua mãe. 

— Por que você diz isso, filho? 

— Porque ele é sério… Às vezes ele fecha a cara, a senhora não notou? — As palavras de Itachi fizeram Mikoto rir discretamente. — Então, acho que o Sasuke vai ser bem sério quando for maior. 

— Mas ele ainda é muito novinho, sequer sabe rir. — Argumentou. — Espere um pouquinho, está bem? 

Itachi assentiu com a cabeça e mantinha um sorrisinho no rosto, mas logo se desfez. 

— Está sentindo esse cheiro? — Indagou, unindo as sobrancelhas e fazendo uma leve careta. 

— Ih, parece que alguém precisa de uma fralda nova… — Suspirou a mulher. 

— Agora eu entendo! 

— Entendeu o quê, Itachi? 

— Porque ele estava tão sério e concentrado. 

Mikoto quis rir, mas se conteve. Afinal de contas, tinha uma fralda para trocar antes que o bebê começasse a chorar incomodado. 

— É, pode ser. — Concordou. — Você quer me ajudar com ele? 

— Ah, mãe… — Itachi olhou um tanto aflito para Mikoto. — Meus deveres de irmão param por aí. 

— Nossa, você vai me deixar na mão mesmo? — Ela fingiu indignação, mas Itachi parecia mesmo irredutível. Afinal, tudo tinha limite, não é mesmo? 

— Dessa vez sim. — Riu, indo em direção à porta do quarto. — A senhora pode me chamar quando ele estiver limpo, tudo bem? — Dito isso, Itachi saiu do quarto. 

Era verdade o quanto amava seu irmão, mesmo o conhecendo há pouco tempo, e que Sasuke iria poder contar com ele para tudo… Em contrapartida, aquela era uma grande exceção. Afinal de contas, tudo nessa vida tem limite. 


Notas Finais


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Bjs 🥰


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