História Ouça minha fúria - Capítulo 33


Escrita por:

Postado
Categorias The 100
Personagens Anya, Clarke Griffin, Lexa, Octavia Blake, Personagens Originais, Raven Reyes, Roan
Tags Clarke, Clexa, Lexa, Medieval, Romance, The100
Visualizações 59
Palavras 4.349
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção Científica, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


E ai, não demorei tanto assim dessa vez rsrsr
Bom, espero q gostem
e por favor, leiam as notas finais.

Capítulo 33 - Capitulo 33 - Final.


- ABRAM OS PORTÕES. – Gritou Thoros ordenando. Clarke o havia promovido a guarda real e a ele cabia proteger o castelo agora. – A comandante está voltando.

Havia completado seis dias desde que Lexa se despediu de Clarke. A rainha por sua vez ficou triste e desolada na sua ausência e apenas seu filho podia lhe consolar, era agoniante a espera, ainda por não saber o que aconteceria com sua filha.

- Mais alguém está vindo com ela. – Declarou Ubba. – Quando partiu, Lexa foi sozinha com Halfdan.

- Seja quem for, seja o que tiver acontecido, se minha filha estiver viva, eu não vou me importar com os outros detalhes. – Clarke manteve seu foco no horizonte de onde Lexa se aproximava de volta para ela. – Só quero minha família de volta.

- Enquanto a história de Costia?

- O que aconteceu, aconteceu. Não posso pôr tudo a perder por causa da palavra dela, devo confiar em Lexa... Quero minha família agora.

E a família estava de volta, Lexa estava de volta com algo em seus braços. Clake orou aos deuses para que sua filha estivesse a salvo, e pelo alivio de seu coração um choro soou estridente no pátio, era uma resposta as suas preces e Lexa estava ali, segurando-a no seu braço lhe protegendo, e de repente Lexa lhe encarou com uma expressão cansada e triste.

- Oi Clarke. – Lexa estava destruída, suja e aparentemente faminta.

- Lexa, você...

- Está viva. – Disse a comandante lhe entregando a criança. – Nossa filha está bem de novo.

Clarke pegou-a em seus braços e envolveu em seus braços. Gisela estava bem e abriu um sorriso alegre para sua mãe. Lexa não se conteve e as abraçou também. Era evidente que todo aquele momento só fazia sentido para elas e para mais ninguém. Gisela estava bem e isso fazia brilhar seu coração, naquele momento estava estar ali.

- Minha irmã quase morreu. – Disse Halfdan ao se aproximar de Ubba. – Minha mãe quase se matou.

- Essa história está cheia de quase. – Ubba abraçou o garoto.

- Porque quase teve um final triste. – A garota esboçou um sorriso sarcástico e fitou o casal por mais algum tempo.

- Como assim? – Perguntou Ubba.

- A criança chegou para mim doente, quase morta. Se Lexa não tivesse levado ela para mim, ela teria tido um fim horrível. – Disse a estranha mulher sem tirar os olhos de Lexa e da criança. – Foi envenenada, eu tenho certeza.

- Envenenada? – Ubba fechou o punho, seus dentes estavam cerrados com raiva. – Por quem?

- Se soubéssemos Lexa não estaria tão calma assim. – Respondeu Halfdan sério. – Mas quando souber, pode ter certeza que ela matará seja quem for.

- Não gosto daqui, não deveria ter vindo. – A estranha mulher estava agora observando atentamente cada detalhe no pátio cheio de guerreiros e parou em Costia seria, encarando tudo da varanda. – Principalmente dela.

- E quem é ela? – Questionou Ubba ainda desconfiado.

- Niyllah. – Disse Halfdan enfim lhe apresentando formalmente. – Ela vai cuidar dos filhos de Lexa agora.

- E desde quando Clarke concorda com isso? – Indagou.

- Eu salvei a vida da filha dela, não precisa concordar ou não. O destino me ligou a Lexa e a Gisela, e eu fico feliz em ajuda-las.

- Relaxe. – Disse Halfdan quando viu a estranha mulher se afastar aos poucos. – Lexa confia nela e eu também.

- Está apaixonado garoto?

- Paixão é uma palavra muito forte senhor...

Halfdan saudou seu amigo e partiu ao encontro de Costia. Ele olhou dos seus olhos para a direção que eles estavam, e o jeito que ela observava o casal, com ódio em seus olhos, o garoto não pode deixar isso passar em branco. Então ele ergueu seu olhar e foi até a lady sem se preocupar se sua mãe iria permitir aquilo ou não. O jovem príncipe tinha sua espada consigo, as botas cheias de lama e um cheiro forte de suor devido ao longo caminho percorrido, ainda assim ele continuou a subir as escadarias as áreas superiores do pátio.

- É bom vê-la em pé novamente minha lady. – Disse o jovem príncipe com um sorriso sarcástico. – É bom vê-la em pé novamente.

- É bom vê-lo... vivo. – Sorriu e manteve seu olhar para Lexa. – Então a pequena princesa está viva afinal?

- Graças aos deuses. – O garoto apoiou sobre o cercado de proteção. – Todos odiaríamos que alguém fizesse mau a princesinha. Imagine o quão brava Lexa ficaria com quem ao menos tentasse tocar na sua filha querida.

- Ela descobriu algo sobre a doença?

- Infelizmente não. – Mentiu Halfdan e encarou Costia. – Mas me vem na cabeça se você teria algo a ver com isso, afinal você queria Lexa para você e com o nascimento de Gisela as coisas ficaram ainda mais complicadas para você, não é mesmo?

- Jamais tocaria em uma criança garoto. – Costia desviou seu olhar e buscou algo que lhe pudesse permitir uma fuga, e para sua sorte Anya se aproximava. – Não sou tão baixa assim.

- Aposto que não. – Confirmou o príncipe sorrindo. – Em todo caso, sabe que lhe mato se algo acontecer a Gisela.

- Já aconteceu garoto. – Retrucou.

- O que aconteceu? – Perguntou Anya ao se aproximar e abraçou sua esposa por trás. – Como está se sentindo hoje?

- Bem. – A lady beijou o rosto de Anya e voltou-se a Halfdan. – Estávamos conversando sobre a princesinha, ela sobreviveu.

- Lexa deve estar feliz. – Disse Anya com pesar. Ela amava Lexa e estava feliz por Gisela. – Diga a sua mãe que quando puder venha falar comigo.

- Esta noite, em um jantar. – Respondeu o garoto. – A comandante quer todos presentes para comemorar que Gisela está viva.

- Não será uma boa ideia, a rainha...

- Não é um pedido Anya. – Disse o jovem príncipe interrompendo. – Lexa é sua comandante e ela ordena que esteja presente.

- E quem é você para falar assim comigo garoto? – Anya soltou sua esposa e encarou Halfdan de perto, tão perto que podia sentir seu suor exalando sobre a cota de malha e túnica de couro marrom.

- Eu não sou um garoto mais. – Retrucou a altura. Embora tenham se visto a poucos dias, a feição do garoto mudou drasticamente. De uma maneira ou de outra, Lexa é responsável por isso. – Sou um guerreiro, um príncipe e seu futuro comandante.

- Um guerreiro que precisa se afirmar como guerreiro, não é um guerreiro de verdade. – Anya mostrou os dentes e se afastou. – Até mais tarde... Garoto.

~~~~X~~~~

4 dias antes

- Eu não sou um garoto. – Halfdan se levantou ainda abatido pelos golpes de sua mãe.

Já fazia quatro horas que Halfdan e Lexa lutavam sem parar, seu rosto estava coberto de sangue, enquanto Lexa aparentava sequer soar. Ela estava em pé segurando um cajado e com um sorriso largo. A fúria penetrava o garoto, mas ainda assim ele não era páreo para sua comandante e não havia nada que ele pudesse fazer para mudar.

- Levante garoto. – Ordenou Lexa.

- Não consigo.

- Levante... Você é um príncipe guerreiro e terá de ser um homem logo. – Disse sua mãe caminhando de um lado para o outro. – Sua irmã está dentro daquela caverna lutando pela vida, ela é um bebê e está lutando pela vida, enquanto você está inventando desculpas que não consegue.

- Com certeza Gisela não apanhou com um cajado de madeira por quatro horas. – Retrucou o garoto tentando se levantar.

- Todos temos batalhas individuais, não menospreze a da sua vida. Ainda assim ela está lutando pela vida, é o bem mais precioso.

- É fácil falar quando você já conseguiu tudo.

- Toda guerra, sem exceção, começa aqui. – Lexa bateu o cajado levemente na cabeça de Halfdan e lhe encarou. – Essa é sua maior arma. Não uma espada, não um machado, não um arco. Sua maior arma é sua mente e o que você pode fazer com ela. Se você acreditar que é uma ovelha, então você será uma ovelha, mas se você acredita que é um príncipe guerreiro, meu filho e que pode me derrotar, então você será.

- É por isso que você sempre ganha?

- Isso também. – Sorriu a comandante e deu a mão para seu filho levantar. – Disciplina, foco e treino. São as três coisas que você precisa. Eu treinei muito para chegar onde cheguei. Você também vai treinar.

- O que quer que eu faça dessa vez? – Perguntou cansado no fim de suas forças.

- Descanse e coma algo. – Lexa respirou fundo e apontou para a grande colina na sua frente. – Depois disso eu quero que pegue mantimentos, sua espada e vá até aquela colina e só volte depois que se tornar um homem. Se voltar como um garoto esqueça que um dia foi meu filho.

~~~~X~~~~

Clarke não tocou na comida durante a noite toda, sua mente estava longe e por mais que não quisesse pensar, ela insistia em lhe trair e buscar no passado o que tanto lhe incomodava. E Lexa vinha na sua mente, exausta, sem força sequer para levantar seu braço. Ela lhe traiu e insistiu em lhe desprezar por muito tempo, talvez por arrogância ou por estar tão louca por Costia que sequer conseguiu deixar um resquício de amor para sua própria esposa. Clarke orava que fosse só arrogância.

- Está calada. – Lexa sussurrou ao seu lado sem tirar atenção dos amigos. – Aconteceu algo?

- Me diga você. – A rainha apontou para Costia e Anya no final da mesa. Tinha uma faca na mão mais não pretendia usa-la contra sua esposa. – Verdade que transou com Costia?

- O que?

- Não se faça de idiota, ela contou.

- Que transamos? – Lexa bufou e se encolheu na cadeira com medo. – Aqui não é o momento para falarmos disso.

- Quantas vezes? – Perguntou a rainha dessa vez apontando a faca para Lexa.

- Clarke...

- Quantas vezes Lexa? – Insistiu pronta para atacar sua esposa.

- Vamos conversar no quarto. – Lexa levantou de súbito e saiu da mesa sem aviso prévio e todos lhe encararam sem saber o que aconteceu. – Continuem a festa sem nós.

- Lexa. – Gritou Anya bêbada no fim da longa mesa. – Você não vai me ignorar a noite toda.

- Anya eu vou falar com você, só um instante.

- Você me traiu, minha melhor amiga, minha irmã. Eu confiei em você e você me traiu. – A guerreira estava caindo pelos cantos ao tentar se aproximar de Lexa e sequer sua esposa conseguiu segura-la. – Você fodeu minha mulher.

- Anya pare agora. – Ordenou Clarke.

- Você fodeu com minha mulher e depois Clarke tenta acabar com meu casamento, e para que? – Seus braços estavam abertos como se esperasse um golpe que não veio, e então gritou. – QUER COSTIA SÓ PARA VOCÊ FODE-LA ENQUANTO CLARKE ESTÁ OCUPADA DEMAIS COM ESSE REINO?

- Chega. – Halfdan levantou e seguiu até o encontro de Anya, ele a pegou no braço e a ergueu. – Você precisa dormir Anie.

- Me solte garoto.

- Vamos lá, você precisa dormir...

- Solte ela garoto. – O soldado de Anya levantou. Ele estava segurando no punho da adaga e não parecia ser um homem de muitas palavras. – Não vou pedir de novo, solte.

- Halfdan...

- Deixe-o. – Interviu Lexa quando viu Clarke tentar protege-lo. – Se ele quer ser um guerreiro de verdade tem de resolver isso sozinho.

~~~~~X~~~~

Halfdan voltou de sua missão e aparentemente não era o mesmo. Ele tinha um olhar diferente e uma forma de se portar diferente, estava mais ereto e sério. Lexa se lembrou de quando se afastou de todos para se conhecer e voltou completamente diferente, mais forte e resistente e agora seu filho fizera a mesma coisa e aparentemente tinha encontrado o mesmo resultado.

- Eu lutei contra um lobo, era maior do que eu e mais forte e ainda assim eu sobrevivi. – Disse com o olhar distante. Seu rosto sujo, suado e cansado mostrava a Lexa que ele estava no limite. – Eu não sei o que me manteve vivo, mas eu estou feliz.

- Você deixou seu instinto lhe guiar, você viu que estava sozinho e que precisava agir. Era lutar ou morrer. – Lexa pegou sua faca e se aproximou do garoto, ele olhou apreensivo. – Você lutou como um homem e depois não voltou como um cachorrinho para mim, você ficou lá e sobreviveu como um guerreiro deve sobreviver.

- Você viu?

- Claro que eu vi, eu estava lá. – Sorriu. – Achava mesmo que ia deixar um filho meu sozinho para morrer? Estive lá o tempo todo lhe protegendo.

- Então porque me mandou para lá se não confiava em mim?

- Não se trata de eu não confiar em você. – A comandante pegou o cabelo de seu filho e puxou para trás. – Se trata de você confiar em si mesmo, e você confiou. Sobreviveu. Meus parabéns, você é um guerreiro agora.

- Mas mãe... – Ele tentou se mexer, mas Lexa o impediu e o manteve cativo. – O que está fazendo?

- O que meu pai fez comigo. Não corte seu cabelo a partir de hoje. – Lexa usou a faca e raspou a lateral do cabelo de seu filho fazendo-o sangrar. – Os antigos guerreiros usaram tranças para quantificar suas vitorias, está na hora de quantificar as suas, deixe o cabelo crescer.

~~~~X~~~~

Halfdan abaixou quando sentiu a espada cortar o vento, pegou uma faca em cima da mesa e atirou contra o soldado, em seguida socou o segundo e impediu que Anya lhe esfaqueasse. Lexa sorriu orgulhosa e segurou a mão de Clarke.

- Precisa de ajuda garoto? – Ubba lhe entregou uma espada e se pôs ao seu lado para ajudá-lo. – Parece que seu treino anda dando resultado.

- Você não faz ideia do resultado.

Anya pegou um machado e atirou contra o príncipe que desviou e caiu na gargalhada. A luta que ele queria havia começado e ele não se renderia. Ele avançou sobre Anya e ambos começaram uma luta de mãos limpas. Mais por mais que fosse forte, os socos do jovem príncipe não pareciam incomodar tanto Anya, que revidou com uma cabeçada e o jogou sobre a mesa. Halfdan reagiu e conseguiu dar uma joelhada na costela de Anya fazendo-a se encolher, e depois lhe socou, um murro atrás do outro até o sangue sair de seu rosto. Ele não parou e jogou a guerreira no chão, seus soldados vieram e seguraram o príncipe. Ubba ajudou o garoto a se soltar e de repente a festa virou um campo de batalha e Lexa rosnou.

- JÁ CHEGA. – Gritou e todos pararam de repente, os homens da comandante começaram a conter todos. – Halfdan queria provar seu valor e conseguiu. Anya você me provou que está descontrolada e que precisa ficar calma. Ubba você está bêbado, tenha respeito pela sua esposa e pare de se meter em brigas.

- Lexa...

- Eu esperava mais de vocês senhores principalmente de você meu filho. – Disse Clarke e de repente todos pareciam estar com vergonha demais para olhar sua rainha. – Boa noite a todos.

~~~~X~~~~

Clarke entrou em seu quarto em silêncio. Gisela estava dormindo tranquila e isso lhe deixou feliz, mas toda felicidade se esvaiu quando Lexa entrou no quarto e fechou a porta. Ela permaneceu em pé como se esperasse uma aprovação de sua esposa que veio em forma de pergunta.

- Por favor seja sincera comigo Lex. – Clarke respirou fundo e prosseguiu. – Você transou com Costia ou não?

- Sim, eu transei com ela uma única vez. – Confessou Lexa decepcionada consigo mesmo. – Eu não sabia quem ela era, ela entrou na minha tenda e me enfeitiçou como uma bruxa, mas antes que algo a mais pudesse acontecer Magni interveio e me fez perceber o quão idiota eu estava sendo.

- Ao menos ele estava pensando em algo, não é?

- Não existe um dia que não me arrependa disso e não a odeie e me odeie também. – Lexa nunca falou tão sério em relação aos sentimentos como naquele momento e suas lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto.

- Por que nunca me disse nada? – Clarke não se deixou ver, mas também estava chorando. – Você pretendia esconder isso de mim a vida inteira?

- Eu tinha medo de te perder então sim, pretendia.

- Você não é tão diferente de Anya então afinal. – A rainha levantou e foi até sua esposa. – Como posso querer você em minha cama novamente sabendo o que você fez? Me traindo mesmo depois que me prometeu não me trair.

- Eu não me deitei com nenhuma mulher desde o dia em que lhe prometi isso. Clarke eu amo você.

- Você escondeu todo esse tempo, como posso acreditar em você novamente?

- Por favor. – A grande comandante ajoelhou diante sua rainha, suas lágrimas tornaram incessantes. – Clarke, eu amo você de todo meu coração. Eu sou fiel a você, eu juro minha vida a você e aos nossos filhos. Preciso de você, caso contrário minha vida não tem o mínimo sentido, não tem valor.

- Posso acreditar em você?

A comandante não respondeu, em vez disso pegou sua adaga, entregou nas mãos de Clarke e por fim segurou sua trança.

- Corte. – Pediu com a trança suspensa.

- Lexa...

- No dia quem que eu comecei a trançar meu cabelo, eu havia perdido a perspectiva de uma vida feliz. Meus pais estavam mortos, meu povo estava sem um lar e meu coração não pertencia a nada. Eu a fiz e deixei crescer porque eu era uma desertora, uma guerreira sem um proposito além de sobreviver. – Os olhos verdes de Lexa penetraram em Clarke. – Você me deu um proposito, você me ensinou a viver. Você é a luz da minha vida, minha estrela guia... Não quero viver em um mundo sem você, nem quero ser uma guerreira qualquer. Eu quero viver por você, lutar por você e morrer por você.

- Apenas viva por mim Comandante Lexa Blackwood. – A rainha segurou a trança de Lexa e a cortou de uma vez sem tanto esforço. – Isso é uma ordem.

~~~~X~~~~

Todo guerreiro aprende de uma maneira ou outra que o destino pode mudar, e em um dia é possível perder tudo o que levou uma vida inteira para construir. A traição é aquele dia fatídico no qual você perde sua vida sem saber porque. Mas Anya sabia o porquê, sua melhor amiga tinha transado com sua esposa e o pior era que ela tinha gostado, e a obsessão tornou-se clara naquele instante. Costia queria Lexa para ela e no fundo nunca amou Anya como ela lhe amava e isso era terrivelmente triste.

- Há quanto tempo está aí? – Lexa pôs a flecha na aljava e permaneceu sem olhar para Anya ainda ressentida. – Está pensando na mesma coisa que eu?

- Eu não faço ideia do que você está pensando. – Anya sentou-se nas escadas do salão, onde não era possível ver o rosto de sua amiga.

- Estou pensando que levou apenas um ano de casadas para nossas esposas conseguirem fazer com que nós duas desejássemos nos matar. – A comandante sorriu. – Ainda somos maiores que elas não somos?

- Eu não sei, ainda quero matar você.

Você não conseguiria nem se tentasse. – Insultou Lexa e em seguida pegou outra ponta de flecha. – Meu filho acabou com você.

- Eu deixei. – Retrucou. – Não queria que o menino se sentisse horrível na sua primeira luta na frente de sua mãe.

- Imagino que sim. – Lexa apareceu junto a escada e Anya pôde vê-la bem diferente. Sua trança havia ido embora e agora seus cabelos caiam soltos sobre seus ombros. – Como você está?

- Bem e você?

- Bem também.  – Respondeu e um silencio rompeu sobre as duas deixando tudo ainda mais esquisito, até que alguns minutos depois Lexa quebrou o silêncio. – Quando conheci Costia eu não sabia que ela era sua esposa, também não sabia que ela era uma Lady. Foi só uma vez.

- Já perdoei você Lex, não precisa me explicar. Não foi sua culpa.

- Enquanto a Costia? – Perguntou tomando coragem de sentar ao lado de sua amiga.

- Não consigo olhar para ela e nem sei se conseguirei. – Anya respirou fundo e buscou as palavras exatas. – Sinceramente eu preferiria nem saber o que houve. Ela partiu meu coração.

- Então porque me perdoar e não perdoar ela?

- Eu queria te matar, depois eu pensei melhor e vi que não valia a pena. Nos conhecemos a tanto tempo e vivemos tantas histórias pelo mundo, não posso perder isso.

- Ela é a mãe do seu filho e dos próximos que virão.

- Não quero tocar nela, nunca mais. – Anya cuspiu com nojo. – Prefiro dormir com uma prostituta diferentes todas as noites e povoar o mundo de bastardos do que ficar com ela.

- O que vai fazer?

- Levar ela e a criança para mais longe que puder de você é claro. – Respondeu de súbito e fez Lexa sorrir. – Não vou deixá-la destruir seu casamento como destruiu o nosso, mas pode deixar que eu vou fazê-la sofrer.

- Te conhecendo do jeito que conheço, sei que vai.

- Agora pegue sua espada e me dê uma última luta para todos pensarem que eu ainda te odeio. – Anya levantou e puxou sua espada.

- Não posso. – Lexa passou a mão no cabeço recém cortado. – Não sou uma guerreira mais, sabe a promessa que fiz no passado.

- Clarke o cortou?

- Sim...

- Suas promessas ainda vão te matar. – A espada de Anya voltou para a bainha e ela concluiu. – Você me deve uma última luta sua bastarda.

- Se um dia alguma promessa minha me matar, eu vou morrer feliz.

As duas se abraçaram finalmente. Não existia rivalidade ou ressentimento afinal, Anya ainda amava Lexa e vice-versa. E no fim nada passou de uma encenação de ambas para que ninguém ousasse falar mal de Anya e da Rainha.

- Eu vou embora, mas saiba que eu amo você Lex. – Disse e as lágrimas escorreram pelo seu rosto.

- Eu amo você também.

~~~~X~~~~

4 meses depois.

- Mãe, mãe... – Daeron correu para Clarke entusiasmado. – Olha o que achei.

- O que é isso filho? – Clarke abaixou para olhar porque seu filho estava tão entusiasmado. E quando o garoto abriu a mão cheia de amoras amassadas ela não pode deixar de rir. – Parece que você encontrou amoras filho.

- O que são amoas mãe? – Perguntou o príncipe e se assustou quando Clarke pegou uma e pôs na boca. – Você comeu?

- Sim, são gostosas. Coma. – O garoto hesitou em comer, mas ainda assim comeu e pelo sorriso que deu a Clarke ele gostou. – Gostoso?

- Bastante. Vou pega mais, talvez Gisela goste.

- Não vá longe demais. – Ordenou Lexa e deu uma boa analisada no ambiente para se certificar de que tudo estava bem. – Fique onde possa te ver.

- Relaxe, ele está bem. – Clarke lhe abraçou forte e respirou fundo o ar daquele pomar. – Me sinto tão bem quando venho aqui, mesmo sendo poucas vezes.

- Se não fosse rainha poderíamos vir aqui todos os dias e brincar nessas arvores.

- Se fizéssemos isso todos os dias não seria tão magico quanto é. – Retrucou.

- Tem razão.

O silêncio perdurou por alguns instantes. Lexa se manteve abraçada com Clarke, enquanto o vento de outono penetrava sua pele. Sua esposa tinha sentia as batidas do seu coração em um ritmo suave. O coração de Lexa sempre fora calmo, sereno e sequer despertava preocupações e ela demonstrava isso em sua face. Clarke a amava por isso. Todos os problemas eram facilmente escondidos por Lexa e Clarke não precisava se preocupar. Está nos braços de sua comandante era como está no paraíso com os deuses.

- Não acredito que vamos nos separar depois de tanto tempo. – Disse Clarke quebrando o silêncio. Ela pegou a mão de Lexa e ambas foram ao encontro de Daeron. – Você tem mesmo que ir?

- É minha tia, faz muito tempo que não a vejo e ela deve estar furiosa por eu não ter contado sobre a morte do meu irmão. – A comandante baixou a cabeça, falar de Magni era sempre uma dor. Uma parte de Lexa morreu com ele. – Meus homens foram e já trouxeram a família para o novo lar, mas Ubba disse que tia Selma continua lá, me esperando.

- Queria poder ir com você...

- Melhor não. – Disse antes que Clarke conseguisse terminar a frase. – Ela provavelmente bateria em você por ter me tirado da ilha, mas eu vou conservar com ela e aí ela vai te amar.

- Eu duvido bastante. – Clarke olhou seu filho e o chamou para perto. – Daeron querido, pegue a surpresa para sua, por favor.

- Surpresa? – Lexa hesitou. – Que tipo de surpresa?

- Não quero que você parta sem antes saber de uma coisa.

- Que coisa?

- Amoas... – O pequeno príncipe estava com o rosto todo sujo e isso fez Lexa sorrir.

- É amoras, não amoas Daeron. – Lexa o pegou no braço e ele lhe entregou um colar com uma pedra de âmbar. – O que é isso?

- Uma pedra de âmbar, é para que volte logo para casa. – Explicou Clarke animada.

- Mas eu não vou demorar, sabe disso.

- Eu sei, mas... – Clarke pegou o colar e guiou a mão livre de Lexa até sua barriga. – Agora tem um motivo maior para que não demore.

- Está grávida?

- Sim. – Respondeu Daeron. – Mamãe terá outro bebê.

As lágrimas escorreram de imediato do rosto de Lexa, ela não podia acreditar em um outro filho assim tão cedo, mas Clarke havia insistido constantemente em ficar grávida e de fato conseguiu. Ninguém poderia estar mais feliz do que Lexa e Clarke compartilhava com aquilo.

- Você está grávida, um filho...

- Sim, um filho. – A emoção levou ambas a um beijo calmo acompanhado de sorrisos. – Você terá outro filho.

- Você me faz tão feliz. – A comandante beijou Clarke e em seguida beijou Daeron. – Você terá um irmãozinho.

- Ou irmãzinha...

- Eu sei. – Respondeu o garoto, tirou uma das frutas do galho perto dele e deu a Lexa. – Amoas?

- Amoras... – Responderam juntas.


Notas Finais


Oi gente linda! Ultimo capitulo da 1 parte. Bom eu vou da uma pausa até dia 20 por ai
(preciso de ferias) e depois volto com capitulos terças e quintas.
serão só mais 15 capitulo e dps a fic acaba de vez e esse universo tbm.
Eeee... fico feliz por qm ta acompanhando até agr (vcs são fodas) e por favor escolham o nome dos filhotes da Clarke.

vamos conversar agr, então comentem, bjs e até mais.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...