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História Our dawn is hotter than day. - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Oi gente, finalmente essa oneshot foi terminada! Ela foi inspirada na música Our dawn is hotter than day do grupo Seventeen, para quem gosta de ler e ouvir música talvez seja uma experiência legal já que a fanfic foi toda inspirada nos toques e na letra dela.
Queria agradecer a minha namorada que fez essa capa maravilhosa e leu toda história para ver se estava tudo bem feito, deem uma olhadinha no trabalho dela e do projeto que ela está de capistas se eu não me engano, corram lá que elas são super talentosas (inclusive minha namorada vulgo a artista mais incrível do mundo).
Aliás sobre algum erro de português, perdão, estava fazendo a correção com um pouco de sono.

Capítulo 1 - Oh summer!


Observavam-se todos postos a mesa, rindo de momentos familiares os quais talvez não voltassem. Lembranças que carregavam sentimentos calorosos e pareciam tão vivas naquele momento, porém só poderiam pulsar naquele momento. Era verão, tudo aflorava na mais quente paleta, os sorrisos mudavam, as roupas mudavam e até as comidas tornavam-se mais brilhantes e apetitosas, mas não naquela casa, apesar de parecer uma família feliz, a sensação parecia mais como uma chuva abafada que traz terríveis relâmpagos do que o brilhante sol de uma manhã de verão, tudo era forçado e nebuloso, as cores eram apagadas, a família não era feliz e unida como parecia naquele jantar.

O filho mais velho deu boa noite mais cedo do que o habitual à família e logo se retirou da mesa do jantar. Estranho, o rapaz sempre era o último a sair. Parou em frente ao crucifixo emadeirado e um cristo de porcelanato com tinturas preservadas apesar de que p aspecto vivo e reluzente tenha se deteriorado através do tempo, a figura religiosa acompanhava a família há anos e talvez estivesse lá antes mesmo do planejamento do primeiro filho. O rapaz fez o sinal da cruz, fechou as mãos e sussurrou uma quase inaudível prece, os olhos curiosos dos pais observavam o ritual que apesar de comum parecia estranho naquela noite, na verdade tudo parecia estranho pelo simples fato de se poder ouvir risadas na mesa de jantar.

O jovem subiu as escadas, tentava transparecer normalidade, como se até seus passos um pouco apressados e seus olhares ansiosos para o telefone em mãos fossem passar despercebidos pelos pais, ele parecia esperar por alguém mesmo que não houvesse dito nada sobre sair depois do jantar. Pensar sobre isso era loucura, quem Mark Lee poderia estar a espera àquela hora? Certo, era verão, o dia só terminaria às oito da noite e ainda era muito cedo. Porém que tipos de amigos sairiam depois do jantar? Mark não tinha amigos desse tipo.

O rapaz tinha poucos e a maioria se resumia a igreja e colégio. Existia Lucas, um rapaz honconguês que fazia parte do movimento jovem da igreja católica na qual a família frequentava, estudava junto com Mark e ia sempre a casa do rapaz para estudar e jogar vídeo games, os pais de Mark o tinham como um filho afinal era um bom garoto, segundo eles. Havia também um outro rapaz, um pouco mais novo e aparentemente alternativo que estudava no mesmo colégio conhecido como Jisung pelos seus pais, era calmo e meio opinioso, esse os Lee implicavam um pouco, porém nunca interferiram tanto pois não se tratava de uma "má influência".

Mark fechou a porta do quarto com calma, a trancou, mais uma vez um movimento atípico. Os pais decidiram não atrapalhar, o garoto não iria contar, mas talvez fossem apenas os hormônios, os adolescentes tendem a mudar de humor sem motivo aparente ou era o que os Lee pensavam. O rapaz estava completamente a contra mão do que seus bons costumes tinham lhe ensinado, ele faria talvez uma das maiores loucuras, Mark fugiria de casa e finalmente tiraria aquela máscara de bom cordeiro que havia lhe sido imposta. Nessa nova aventura o rapaz só queria utilizar sua verdadeira face e fazer o que todo adolescente deve fazer um dia: besteiras.

O rapaz esperava seu melhor amigo e não seria nenhum dos amigos que sua família tinha ciência, tratava-se de Lee Donghyuck, um inconsequente que cheirava a perfumes caros e usava a mesma jaqueta de couro preta de alguma marca estrangeira famosa na qual Mark mal conseguia se lembrar. Donghyuck, ou Haechan como gostava de ser chamado, era o típico garotinho rico e revoltado com seus pais, tinha atitudes que não condiziam com a face infantil, o verdadeiro lobo em pele de carneiro. Haechan era um delinquente infantil fajuto que se achava um verdadeiro bandido por vezes beber e fumar, ouvir músicas com toques pesados ou tristonhos e dirigir em alta velocidade com apenas uma das mãos. 

O outro Lee quebrava regras, vivia faltando aulas e se metendo em confusão. Nunca levava desaforo para casa, língua solta e de uma paciência que não era das melhores, Mark ás vezes o segurava para não bater em outros delinquentes desocupados. Era sedutor em seu discurso e um orador fantástico, ganhava a confiança de qualquer um apenas com sua voz doce e presente, sua voz era tão gostosa de ouvir que tinha efeito hipinótico a quem conversasse com ele, ele convencia até o mais orgulhoso dos homens.

Mark não poderia ficar de fora daquele discurso sedutor apesar de que pouquíssimas vezes Donghyuck conseguisse lhe convencer de algo. Aquele conhecia Haechan como a palma de suas mãos apesar de sua amizade ser bem discreta e  recente em relação aos seus dois únicos outros amigos. O riquinho só era o oposto de Minhyung e por isso teriam de tudo para se odiar, porém Mark não poderia deixar de admirar o tão sonhado espírito livre que emanava do outro, o quão inteligente esse conseguia ser quando queria falar sobre filosofia e também a forma como o Donghyuck era preocupado com as pessoas ao seu redor. Donghyuck era a verdadeira inconstância, um anjo barroco, tão anjo assim como um diabinho impetuoso. Talvez, só talvez, por isso Mark não conseguia o tirar de sua mente em boa parte do seu tempo. 

Na verdade, Donghyuck era aquele tipo de pessoa que não se poderia tirar de sua mente. Uma vez Mark escutou de um fiel de sua igreja e também poeta a seguinte frase: Há pessoas que em alguns momentos você lembra delas, essas são pessoas maravilhosas, porém há pessoas que em alguns momentos você esquece delas, essas são pessoas extraordinárias. Para Minhyung, Donghyuck se encaixaria completamente nas mais extraordinárias, seu contraste de menino bom e rebelde, suas horas conversando ao ar livre e podendo escutar aquela voz gentil e quase sussurrada de Haechan, assim como ver seus cabelos castanhos por vezes com mexas coloridas ao vento forte das tardezinhas, e principalmente apreciar seu sorriso divertido juntamente as estrelas que compunham seu olhar que entregavam seu entusiasmo. E por essas coisas nunca saírem de sua cabeça, talvez, só talvez, Mark admitisse que em mais um talvez estivesse apaixonado pelo seu melhor amigo.

A tela de bloqueio acendeu e o coração do jovem bateu mais rápido naquele momento, pela própria tela já sabia de quem se tratava e instantaneamente sorriu antes mesmo de lê-la. 

"O gatinho já está pronto ou precisa de mais tempo para virar um leão?" O rapaz riu brevemente com a mensagem, abriu a cortina de sua janela para enfim se deparar com Lee Donghyuck em frente a sua casa, dois capacetes em mãos, roupas escuras salvando-se apenas por uma jaqueta de couro vermelha (que parecia novidade para Minhyung) e os fios roxos encostado a uma moto. Um minuto, moto? Desde quando Haechan sabia pilotar moto?

"Acho bom estar com o documento e ter habilitação para essa moto aí, eu não quero morrer hoje." 

"Bom, parece que alguém não entendeu bem o conceito ainda, se você confiasse em mim...E outra, não posso esperar a noite inteira aqui embaixo, minhas pernas doem de ficar em pé por muito tempo."

"Dramático, já estou descendo."

E foi assim que Mark Lee fugira da casa dos pais, com roupas básicas, o celular no bolso e um casaco fino azul escuro caso sentisse frio. Saiu pela janela mais precisamente por uma escada apoiada sobre a parede da casa e fincada com precisão sob a gramínea e com a ajuda do outro Lee que a segurou até que o moreno estivesse com dois pés no chão. Donghyuck entregou um dos capacetes ao rapaz e assim andaram até ao veículo, sem conversa e passos silenciosos, afinal os pais do cristão estavam acordados, entretanto isso não impediam de lançar pequenos sorrisos e ainda que Mark transparecesse nervoso, estava tão feliz quanto o outro que aparentemente sentia-se radiante em colocar o amigo numa de suas aventuras de jovem rebelde.

— Você nunca andou numa dessas, não é? — O questionamento saiu do rapaz de rosto e voz harmoniosos, esse já subia em sua moto colocando seu capacete enquanto esperava uma resposta do rapaz receoso.

— Vindo de uma família que diz "Moto não é coisa de gente decente" não é muito de se esperar que nunca tenha nem mesmo tocado em uma. — Donghyuck riu e sendo seguido pelo outro, por um momento se percebeu admirando mais a risada de Donghyuck do que de fato prestando atenção no que ele próprio estava fazendo.

— Vai subir ou não? Faça jus a sua raça, Mark Lee, seja corajoso como um leão antes que seus pais venham e nos vejam aqui! — O canadense apenas riu da reclamação e sussurrou "Apressado" fazendo o outro Lee rir junto.

Assim que Mark subiu na moto sentiu um outro calafrio, ele estava fazendo aquilo mesmo? Parecia mais um sonho, o Mark Lee dos dias tranquilos de primavera, nos dias amenos de outono e nos dias mais chatos de inverno nunca faria algo do gênero. Não sairia escondido, não desobedeceria seus pais. Mas era verão, todo mundo fica um pouco louco no verão.

Donghyuck não demorou muito para arrancar a moto e sair pela rua em alta velocidade, Mark inevitavelmente apertou o corpo do amigo que sorriu, e como sorriu. Mark não poderia ver aquele sorriso por debaixo do capacete, mas era impossível não sentir-se abobado ao ter Mark Lee próximo daquela maneira, mais próximo do que nunca, porém ainda não o próximo que Donghyuck tanto almejava e por sorte conseguiria àquela noite. 

Para Donghyuck, Mark Lee era um mistério. Da faceta de garoto bonzinho e de família cristã, Donghyuck conseguira desmanchar toda aquela imagem com algumas palavras trocadas, parecia até loucura vê-lo defender Donghyuck ou então mostrar-se completamente opinioso até mesmo com coisas que o esteriótipo destinado ao rapaz faziam supor a sua personalidade. Mark Lee era expressivo, crítico e tinha uma alma ousada. Lee Donghyuck adorava isso, adorava ver a máscara de garoto bonzinho cair aos poucos até mesmo o próprio canadense se esgotar dela. Ele se mostrava único e corajoso como um verdadeiro leão. Para Donghyuck, Mark Lee ás vezes era o Rei da Selva e ás vezes parecia um filhote aprendendo a rugir, mas ele o adorava e adorava tanto que nem seu peito aguentava em descer e subir em suspiros pelo rapaz. Donghyuck, o garoto problema, que se desmanchava ao ver o rapaz com pose de nerd e mente confusa. Era o tipo de confusão que Donghyuck amava se meter, Mark Lee era sua confusão favorita.

Não era de menos que Haechan convidara Minhyung para aquele passeio de verão, estavam de férias e meter-se em algum tipo de aventura era o que Haechan mais gostava de fazer, porém não queria compartilhar um momento tão bom sozinho e chamar a sua pessoa preferida para aquele pequeno passeio parecia uma ótima ideia uma vez que Mark Lee só saia de casa para ir à Igreja, à Escola e ao Basquete. A vida de Mark Lee era um granhde tédio devido ao controle excessivo por parte dos pais, porém se ele pudesse quebrar um pouquinho a rotina seria bom. Minhyung precisava respirar novos ares assim como Donghyuck precisa de Mark ao seu lado, uma troca de favores mútua e sincera, não tinha como dar errado.

Com os braços envoltos a cintura de seu melhor amigo, Mark Lee finalmente se sentia livre. Donghyuck apertava o pé no acelerador e conhecendo o mesmo, ele não pararia até que estivessem perto destino escolhido e apesar de andarem em alta velocidade, sem carteira de motorista e por avenidas largas que cortavam a paisagem, Mark Lee se sentia pela primeira vez livre. Livre e feliz, longe de sua máscara, longe de seus moldes reclusos, Mark sentia o vento bater sobre seu corpo enquanto o cortavam e aquela era a melhor sensação que sentia há anos. Sendo ele mesmo, com alguém que gostava e numa situação inusitada. Esperava nunca acordar se aquilo fosse algum tipo de sonho.

 Donghyuck seguia a estrada para o litoral e Mark percebeu aquilo ao sentir o vento engrossar e o cheiro salgado do mar chegar em suas narinas. Era o tipo de roteiro que Donghyuck adorava, ele adorava o mar e sempre lhe contava histórias de quando ainda era apenas um garotinho vivendo alguns anos em Jeju. Ele adorava estar em contato com mar, com a areia e até mesmo com o sol o que era de se estranhar para alguém que vivia com sua jaqueta de couro. Lee Donghyuck era um dicotomia sem fim. 

Haechan estacionou a moto meio torta no meio fio, ele não sabia manusear muito bem o veículo e ao notar, Mark o sinalizou com medo de uma possível multa ou quem sabe reclamação.

— Quem liga para isso? Vamos logo, eu não quero perder o pôr do sol.

E assim Donghyuck e Minhyung deixaram a moto para trás, com um Donghyuck puxando o rapaz apressado em direção a areia e um Minhyung sem entender muito sobre a necessidade de rapidez já que a praia estava logo a frente.

Porém Donghyuck insistiu puxar Minhyung ou melhor guiá-lo pela areia fofa. Era uma caminhada silenciosa para ambos os rapazes, Donghyuck reconhecia o lugar com os olhos e era possível sentir nostalgia todas as vezes em que Mark olhava de relance para os mesmos, também era curioso, como se procurasse por algo, lembrava um pequeno explorador procurando por um tesouro no qual ele tinha certeza onde havia sido enterrado e por um momento Mark julgou adorável apesar de confuso com toda situação. Para onde estavam indo e o que Donghyuck estaria procurando? E Mark entendeu menos ainda quando entraram numa mata típica praiana e começaram a subir uma pequena trilha, não era digno de medo afinal confiava em Haechan, o rapaz parecia determinado em subir aquele pequeno morro para levá-lo a algum lugar, talvez um dos seus lugares secretos, Donghyuck adorava ter seus lugares.

Donghyuck tinha seus lugares, seus espaços, suas marcas. Era ali que o rapaz se retirava para pensar, ler e passar seu tempo longe de tudo que poderia perturbá-lo, se um dia Donghyuck o convidasse para um dos seus lugares, com certeza o rapaz o considerava muito. Mark conhecia a maioria desses espaços e passava horas distraído junto do amigo, levavam ás vezes o violão, tocavam suas músicas preferidas e conversavam sobre a vida, naqueles momentos em que Haechan se abria e se mostrava sensível. E era a interseção do pequeno valente com o sensível tranquilo que os suspiros de Mark eram roubados em situações inesperadas.

A mata se acabou e o numa paleta pastel o céu se tornou presente em contraste com azul escuro do mar, aquelas eram as cores que Donghyuck mais gostava de ver e admitido por ele mesmo tempos atrás. A mistura dos tons alaranjados, rosados e azulados findando no brilho central do sol que sumia aos pouquinhos dentro da água escura. Mark teria que concordar: Aquela era a obra de arte mais bela que alguém poderia ter acesso.

— Eu costumava vir com minha mãe antes de nos afastarmos. — Contou a voz doce num tom baixinho e por vez abafado pela brisa que também fazia os fios castanhos e ligeiramente longos do garoto balançarem, um vento meio lilás, pensou Minhyung. — A gente sentava naquela pedra e ficávamos em silêncio observando a natureza principalmente em dias de solstício, eu sempre preferi o verão nos primeiros dias, nos outros 2 meses se torna um saco. — Riram em conjunto enquanto Mark direcionou seu olhar para a pedra enorme um pouco mais próximo do que viria ser uma pequena depressão que vinham seguidas de algumas pedras e o mar abaixo, sem fim e batendo melodiosamente sobre as pedras. A experiência não era apenas boa visualmente, os sons daquele lugar eram espetaculares, o deixava flutuando e tão leve quanto a própria brisa. Tantas sensações e tantos sentidos bem aguçados que o fazia entender o porquê Haechan gostava tanto de estar ali.

— Eu adoro solstícios principalmente de verão, são sempre os dias mais belos do ano. — Continuou Donghyuck que andou até a pedra e sentou-se sendo seguido por Mark que ainda estava quieto. — Gosto de vir aqui quando posso, mas nesses dias tudo fica mais bonito e você sabe como eu amo essas cores, como eu amo o pôr do sol ainda mais próximo a praia. — Donghyuck que falava olhando para horizonte, levou seu olhar ao amigo agora ao seu lado e sorriu de forma leve sem mostrar os dentes sendo acompanhado pelo mesmo. — Obrigado por vir, isso é importante para mim.

— Não precisa agradecer, você sabe que eu faria de tudo para fugir daquela casa em pleno verão e ainda mais com você. — Mark deixou um soquinho fraco no ombro do amigo na tentativa de ver seu sorriso e conseguiu apesar do sorriso fraco. Em pouco tempo tudo ficou silencioso e assim deixaram toda beleza que os rodeava tomar conta de ambos pensamentos, Mark por um momento se perguntou porque nunca fizera isso, saíra de casa para ver o pôr do sol de um verão qualquer, respirar um pouco de ar fresco e curtir o cheiro de novidade, aproveitar o dia mais longo do ano. 

Mark então voltou a observar Donghyuck, os olhos do rapaz brilhavam com a paisagem e focavam num horizonte quase que perdido, queria estar em sua mente naquele momento para saber no que ele estava pensando, quantas memórias havia cultivado através dos anos, quantas decepções aquele local havia preservado afinal até onde Mark sabia Donghyuck e sua mãe não se davam bem. Em contraste com as dúvidas de Mark, Donghyuck esbanjava calmaria em suas expressões, sereno como o som da água que batiam nas pedras um pouco abaixo dos rapazes e que também combinava com o assobio da brisa naquela noite com cara de tardezinha, logo Mark se perdeu na beleza de Lee Donghyuck. Na cor levemente beijada pelo sol, as estrelas no olhar e o boa energia que exalava do rapaz, ele era um verdadeiro sol e Mark mal conseguia reparar no brilho da estrela enorme que originava aquelas cores incríveis nas quais supostamente assistiam, ele tinha seu próprio sol, ao seu lado, ele não perderia a oportunidade de vê-lo e admirá-lo.

Donghyuck notou o olhar de Mark em si e virou rapidamente o rosto para o canadense que ao notar as orbes castanhas sobre si, teve o rosto manchado num vermelho pálido de vergonha. Mark sorriu envergonhado, demorou um pouco para assimilar antes de desviar o olhar para o horizonte, porém Donghyuck tinha questionamentos que inseriam Minhyung. Por que ele tanto o encarava? O que estava pensando? O que sentia? Ele também errava a batida algumas vezes quando se viam? Ele também perdia o fôlego em alguns movimentos do outro? Ele também pensava em si todas às vezes que deitava a cabeça no travesseiro? No entanto, não conseguia formular muito bem as palavras soltando um questionamento simplório e a frase mais ridícula que poderia formar naquele momento.

— O que foi?

— Nada. — O canadense engoliu seco, no entanto o coreano insistiu.

— Não parecia ser nada. — Donghyuck encarou o perfil do rapaz, agora quem encarava o além era o canadense silencioso, mas não assistia o sol partir com gana, parecia tão perdido quanto aquele que o observava, parecia procurar as respostas certas diferentemente de Donghyuck que fazia perguntas erradas e diretas.

— É que você brilha mais do que ele. — Mark disse ainda sem direcioná-lo o olhar, não tinha coragem para encará-lo como antes, Donghyuck não o julgava afinal seu olhar curioso e esperançoso talvez soasse um pouco pressionador para o rapaz.

— Ele quem?

— Ele. — Acenou com a cabeça para a paisagem e então Donghyuck se tocou sobre o que o rapaz estava querendo dizer. Ele falava do sol, aquele que maior regia nosso sistema e que se tornava essencial para toda vida na terra, Mark estava querendo compará-lo com um astro importante, obviamente de forma metafórica, deixando Donghyuck abismado com tal fala e ao mesmo tempo aliviado. Mark costumava ser direto, truculento em algumas respostas, não costumava ser tão sensível a ponto de fazer comparações tão poéticas a não ser que aquilo mexesse com seu coração, logo, Haechan mexia? — Fullsun.

— Fullsun...— O coreano repetiu baixinho encarando o chão e o silêncio tomou conta daquele espaço, porém Donghyuck não deixaria que ficassem estranhos e fossem embora sem falar sobre o assunto que aparentemente mexia com ambos. Não fazia sentido se esquivar quando há uma quase declaração a sua frente, há riscos que são melhores a serem tomados do que chegar a morrer engasgado com os próprios medos. Donghyuck não ligava para correr riscos, pouco se preocupava em quebrar seu próprio coração, preferia sinceridade à covardia e verões o deixava mais arisco ainda. — Mark, o que você sente por mim exatamente? 

Os dois agora se encararam e o silêncio pairou mais uma vez. Mark sentiu seu corpo esquentar e caçava as palavras certas assim como tentava criar coragem principalmente com os olhos vibrantes de Donghyuck que o encarava ansiosos. Se dissesse, aquele talvez poderia vir a ser o maior ato de bravura para Mark Lee, logo Mark Lee, filho de devotos batistas conservadores e inserido em normas rígidas, seu maior ato de rebeldia seria se declarar para seu melhor amigo sendo ambos homens. Ousadia e rebeldia combinavam com o verão e com o momento. Estavam sozinhos, eram os garotos e a natureza onde ninguém poderia julgá-los e Minhyung adorava cada segunda da sensação apesar de ansioso, Donghyuck o fazia se sentir livre, selvagem e ousado como sempre quis, pois o amor tinha esse gosto, o amor que nutria tinha esse gosto como as noites de solstícios e verões em seus sonhos.

— Você é único, você é brilhante, é verdadeiro, é incrivelmente marcante e por essas coisas talvez eu não pare de pensar em você de uma forma um pouco estranha. — O canadense suspirou e o coreano contemplou a forma envergonhada e enrolada que o rapaz tentava se declarar, o coração do Lee mais novo estava em festa afinal não eram todos os dias que se tinha a quem gostasse se declarando para si, e de uma forma adorável, que fique bem claro.  — Sim, Hyuck-ah, eu gosto de você e não só como amigos e eu realmente não sei sua opinião quanto a isso, digo, quanto a mim, mas-

Mark Lee fora calado pelos lábios de Lee Donghyuck, lábios aqueles que carregavam toda doçura escondida por debaixo das jaquetas de couros caras e de toda petulância do rapaz, a doçura única de Lee Donghyuck em conjunto com sua audácia salgada como a água marinha que rodeava o som do cenário, tudo parecia perfeito e Mark Lee imersou brevemente no agridoce beijo do garoto antes que fosse quebrado pelo outro.

— Você é mesmo uma graça, Mark Lee. — Sorriu com leveza que em seguida contagiou o outro. — Não precisa dizer mais nada, eu já entendi.

Sorriram mais uma vez antes de Minhyung  tomar os lábios macios de Donghyuck para si e se deixar levar por todo sentimento reprimido, a velha sensação de se estar apaixonado com a nova de estar com quem se apaixonou. Os lábios se encaixavam, as línguas dançavam na sua própria paixão, sorrisos bobos eram arrancados em meio ao beijo e os corações explodiam em felicidade. Mark Lee nunca agradecera tanto por ser verão e Donghyuck por ter o levado consigo para curtir o solstício e logo a melhor companhia que poderia ter.

E assim ficaram até o escurecer, beijos e mais beijos, sorriso e risadinhas, alguns comentários sobre a paisagem. Quando o sol desapareceu e as estrelas junto com o luar surgiram, puseram a observar aquela primeira noite de verão, já estava tarde e a partir que a noite vinha caindo o local se tornava mais escuro, porém os rapazes estavam tão envoltos ao seu próprio mundinho que qualquer medo parecia besteira.

— Sabe algo engraçado que eu e minha mãe fazíamos? — Comentou Haechan com um sorriso divertido.

— O que?

— Fazíamos pedidos silenciosos e depois gritávamos boas vindas ao verão.

 — Deveríamos fazer?

— É quase um ritual, o que você me diz?

E assim Mark desejou morar naquele verão mais precisamente morar no verão doce dos lábios de Donghyuck. E Haechan desejou que todos os dias fossem verão para que o caloroso beijo de Minhyung invadisse seus lábios sem aviso e apenas por irracionalidade de um sentimento que habitava ambos os corações.

Gritaram para o verão, as palavras levadas pela brisa marinha e o sol a pedir arrego deixando que a lua tornasse cada vez menos transparente, mais sólida, mais lua. Os rapazes explodiram em risadas que soava infantil e tinha gosto de nostalgia mesmo que aquela era a primeira vez que estavam daquela maneira, porém os garotos eram assim, eram tão confortáveis entre si que tudo parecia um deja vu divertido e um momento eternizado na mais bela cena que uma mente poderia gravar como recordação, Donghyuck e Mark soavam como um filme em seu próprio mundo, em suas próprias mentes e em suas memórias fantásticas.

Desceram para a praia e andaram pela areia fofa de mãos dadas, sorridentes, trocando alguns beijos roubados, algo que agora pareceria se tornar rotina de ambos jovens. Subiram para o calçadão, pegaram seus capacetes e Mark analisou rapidamente a moto de Donghyuck se havia algum papelzinho de multa ou algo do gênero, felizmente estavam ilesos daquela vez.

O caminho de volta para a casa fora silencioso, porém não estranho. Ambos refletiam sobre as coisas daquele gostinho de férias, a coragem da declaração e a série de carinhos e beijos, pareceria loucura se dissessem meses atrás que um dia os rapazes estariam daquela forma.

Assim que deixado basicamente na porta de casa, Mark entregou o capacete para o outro garoto e logo surgiu um questionamento no qual não hesitou em fazê-lo.

— Eu me declarei e você? Você não me disse nada sobre o que sente por mim. 

Lee Donghyuck apenas sorriu e roubou um selar rápido antes de se despedir com um boa noite baixinho deixando o canadense confuso.

Mark subiu as escadas e entrou pela janela minuciosamente, tudo em seu devido lugar e nenhum movimento suspeito vindo dos seus pais. Tudo perfeito, era como se Minhyung nunca tivesse saído de casa. Fora da casa escutara a voz melodiosa de Haechan o chamando, Mark Lee correu para a janela assustado e observou o rapaz ligando a moto e proferindo as últimas palavras antes de sair pela rua pacata como um raio.

— Eu te adoro, Canadá. 

Mark riu abobado apesar da preocupação de que alguém pudesse ter o escutado sobretudo os familiares do canadense. Minhyung se jogou sobre a cama com os braços abertos e um sorriso no rosto, com certeza aquele seria o seu verão, a felicidade de um amor correspondido e de um passeio gostoso ainda que fugaz, o garoto se encontrava um turbilhão de emoções, Minhyung fechou os olhos e suspirou.

— Oh summer!


Notas Finais


Quem quiser me seguir ou falar algo lá no meu twitter é @HYUCKTIST, beijos e até a próxima galera.


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