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História Our Last Note - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Vamos lá, eu havia postado essa história em uma conta que acabei apagando pois precisava de um tempo, e claro, não achava o que estava fazendo a história ir a um bom caminho — insegurança é algo que persegue todo mundo, creio eu.
Esse plot me foi doado em 2019 pela @kyoongni — lê-se passagem, como minha autora favorita — e eu venho me dedicado bastante a não dar um fim precoce a história e terminar a mesma! Agradeço a tal autora por me confiar esse belo plot com qual me identifiquei muito, é uma honra escrever algo que veio de suas mãos.
Bom, sem mais delongas, boa leitura. Betado por: @KM_HyungJoon

Playlist e outras coisinhas sobre a fanfic estão presentes nas notas finais!

Capítulo 1 - A busca pelos sonhos nos leva ao acaso, mas não por acaso


Fanfic / Fanfiction Our Last Note - Capítulo 1 - A busca pelos sonhos nos leva ao acaso, mas não por acaso

Capítulo 1 — A busca pelos sonhos nos leva ao acaso, mas não por acaso 

Os dedos finos deslizaram pelo copo on the rocks pela incontável vez somente naquela semana que mal havia começado. Arrastou-o sobre a pequena mesa de centro até aproximá-lo suficientemente de si antes de segurar a garrafa pelo gargalo e despejar o líquido de cor amadeirada no copo. Mergulhou algumas pedras de gelo, engolindo em seco ao sentir o cheiro de álcool invadindo o cômodo. Tomou o primeiro gole, passando rapidamente a língua entre os lábios a fim de tirar aquela secura típica que lhe tomava quando estava nervoso. O gosto forte já não incomodava mais. A dor de cabeça havia se tornado sua fiel companheira dos últimos meses, o corpo fatigado tornava-se uma máquina sem emotividade alguma. Os olhos, por anos tão expressivos e brilhosos, pareciam opacos, mesmo quando miravam as partituras ao ouvir o soar do piano. 


Encostou a ponta dos dedos nos lábios molhados, mirando o vazio do assoalho desbotado. A mão vazia segurava o braço da poltrona acolchoada com vacilação e medo. Tão rapidamente, sentira a pele fria ser cortada por lágrimas esquivas; estava acostumado com elas. Eram suas únicas companheiras quando a madrugada chegava e abraçava seu corpo com o frio de mais uma noite onde o que preenchia seu interior era apenas um amontoado de sentimentos que levavam elas a cair. Por quanto tempo aguentaria carregar aquele peso invisível sobre os ombros? Talvez apenas por mais algumas horas até os remédios fazerem efeito e levarem-no até um sono sem sonhos, até o ato que fazia seu corpo recarregar-se para mais um dia. Porque sua cabeça continuaria daquele mesmo jeito e cada vez mais invadida por preocupações e indagações sem respostas. 


Sentiu o gosto salgado no canto da boca, os olhos ardiam por manterem-se abertos encarando o chão. Seus dedos poderiam deslizar sutilmente e com maestria pelos teclados, poderia escutar as melodias e harmonia diversas e mais diversas vezes, ainda assim se questionaria o porquê de continuar naquele mesmo patamar, naquele mesmo casulo. As asas coçavam para arrebentarem-se no ar e voar para longe da angústia que o rondava. Entretanto, quanto mais tentava soltar-se daquelas amarras que um dia tanto desejou tê-las, afundava-se naquela luz ressonante. 


Sentia-se limitado pela vida que desejou. Agora, sua face assombrava os únicos sonhos agradáveis. Aquela voz dentro de si expulsou toda a sanidade e as feridas pareciam não querer cicatrizar. A dor era real e escorregava por seus dedos, alcançava o piano e destruía os degraus que lhe fariam alcançar a utopia. Eles ainda tinham tudo de si, mas parecia pouco. Esmaecer sobre as partituras e fazer de seus soluços a harmonia mais bela não parecia suficiente. O que mais poderia fazer? Tentava dizer a si mesmo que um mar de boa ventura iria arrastar a podridão que tomava conta de tudo dentro si.  


Deixou o copo sobre a mesa de centro, apoiando os cotovelos sobre os joelhos e deixando o queixo encostado no nó de dedos. Apertava suas mãos com força, procurava pela sala o motivo de ainda estar naquele lugar, de ainda importar-se com os palcos e com a música. Sua mente era indiretamente proporcional às suas conquistas, quanto mais ganhava, menos conseguia assimilar tudo ao seu redor e assim tornava-se sem vida. Seus sorriso já não eram mais constantes e escancarava para seus colegas o quanto algo apertava-lhe o peito. 


Sentia falta de deitar a cabeça no colo de sua mãe e apenas se preocupar com um curto ensaio no dia posterior. Estava cansado de noites e mais noites em hotel ou voltar à estaca zero em seu apartamento. No início, tudo parecia um mar de flores, aqueles cômodos ficavam cheios de colegas convidados a comemorar mais uma noite belíssima. Onde eles estavam? Os concertos já não eram mais tão belíssimos assim? 


Passou as mãos pelo rosto diversas vezes rapidamente, espalhando as lágrimas grossas, sujando-se dos resquícios da maquiagem usada para conter a iluminação do palco sobre ele. Fungou fortemente, apertando os olhos fechados, tentado a conter mais lágrimas. Era fraco demais para isso. Passava o dia todo contendo-se, estressando-se, o que mais desejava era ficar sozinho e despejar o que sentia. 


Por vezes, sentou-se ao piano e tentou encontrar o prazer que sabia existir quando seus dedos tocavam o teclado. Não estava mais ali. Não era mais um adolescente de dezessete anos que tinha os olhos parecendo duas pedras preciosas brilhantes toda vez que tinha a oportunidade de mostrar seu talento naquele instrumento. Era adulto... Tinha uma carreira que exigia suor e sangue de si, tirava-lhe o sono e o deleite de ouvir a música, de sentir as notas percorrer por seu corpo e transformar-se em sorriso irradiantes. Era sua profissão — e tudo estaria inacreditavelmente bem se não fosse por cobrar-se tanto e sentir o mundo ao redor exigir cada vez mais de si.


Antes o silêncio, soluços, agora, preenchiam o apartamento. Seus lábios tremiam, tentava puxar a respiração com mais facilidade, mas o choro somente intensificava.  Desesperadamente, abriu os primeiros botões da camisa branca que compunha o traje do príncipe dos pianos. Algo sufocava-lhe a garganta. Talvez fosse a culpa de não ser suficiente perante o que escolheu para viver, talvez fosse por sentir-se em um barco à deriva, onde não sabia onde iria chegar caso continuasse a desviar de seu rumo. 


Puxou o copo para si novamente, engolindo o resto de uísque e deixando-o sobre a mesa de centro mais uma vez. Enxugou a boca com o pulso do terno branco, erguendo-se da poltrona. As sobrancelhas juntas, o rosto molhado, os cabelos bagunçados e tão fora do lugar — como ele mesmo se sentia. Deu passos lentos e pesados em direção à porta do único quarto. Tudo era iluminado pelas luzes da rua, sequer deu-se o trabalho de acender as de casa. Antes que pudesse alcançar o fim do corredor, encontrou o que um dia fez-lhe bem — na verdade, aquele fora o primeiro que tocara e nele vivenciou as mais belas aventuras sentimentais ao ouvir cada conquista. 


Era um piano vertical de cor marrom, já sem brilho devido ao tempo sem uso e a falta de limpeza. Ganhara-o quando tinha apenas onze anos e seus pais arriscaram no sonho de uma criança que fazia de tudo um monte de teclados invisíveis e brincava ao dizer que um dia seria o pianista mais conhecido do mundo. As lágrimas pareciam pesar, arder, e nada poderia fazer a não ser deixar que elas caíssem o quanto quisessem. 


Deslizou os dedos pela tampa superior, mordendo o lábio fortemente. Doía. Lembrou-se do quanto aquele instrumento causou risadas e cantoria pela casa em noites natalinas — seus pais cantarolavam alto e acompanhavam o filho nas melodias que tocava tão bem sem mal ter aulas de como fazê-lo. Costumavam dizer que Baekhyun havia nascido com aquele dom e o que precisava era apenas lapidar. 


E assim o fez. Lapidou-se durante anos, tornou-se o orgulho de seus professores, um destaque ainda tão novo. Entretanto perdeu-se no meio daquele caminho cheio de conquistas e felicidade. Dava passos para trás quando todos seus companheiros caminhavam longos passos à frente. Não havia mais noites natalinas com seus pais — geralmente estava sempre em concertos de especiais de fim de ano e mal conseguia ligar para eles. Não havia mais amigos brincando de tocar enquanto bebiam e conversavam sobre como fora o dia — agora, reuniam-se apenas durante os ensaios e pareciam desgastados. 


Apertou os dedos na madeira, curvando o corpo e sentindo a cabeça latejar. Não aguentava mais um segundo em meio aquilo tudo. Nada mais fazia-lhe bem e tinha medo de ser guiado ao desastre. Queria sentir aquela dor sozinho ao mesmo tempo em que queria ter alguém abraçando-lhe, dizendo que não estava sozinho e que não precisava preocupar-se, estava tudo bem. Mas não havia ninguém. Os cômodos eram vazios. Sentia-se vazio. Voltou a caminhar em direção ao quarto, deslizando a palma da mão sobre a tampa superior, levando consigo aquela camada de poeira que denunciava o quanto estava mal cuidado. Igualmente a ele mesmo. Sujo, inútil. 


Ao entrar no quarto, sentiu, próximo ao peito, algo vibrar consecutivas vezes. Levou os dedos até o bolso interno do terno, puxando o celular que não parava de alertar-lhe de que havia alguém desesperado para falar consigo. Sentou-se na ponta da cama grande, desbloqueando a tela e abrindo a mensagem. 


Era de um amigo de longa data. Conhecera-o quando buscava a perfeição em suas aulas de piano. Ele tocava muito bem, mas insistia em dizer que uma vida sobre os palcos não parecia-lhe feliz, parecia solitária. Zhang Yixing estava certo, porém Baekhyun continuou e sentiu aquele peso queimar sua pele. Fazia meses que não ligava ou mandava mensagem, afastou-se até mesmo de quem torcia por si. Cessando minimamente o choro, leu a mensagem com o cenho franzido. 


Xian! 
Você foi muito bem! Eu assisti o concerto pela internet... Ah, travou algumas vezes, mas eu consegui. 
Você estava tão bonito, mas parecia cansado... Você está cansado, não está? 
Não esqueça de que aquele piano caindo aos pedaços do meu pai ainda está no bar, esperando pelo seu show particular.” 


Apertou os olhos fechados após ler a mensagem. Bloqueou o celular novamente e jogou-o na cama, ao seu lado. Sentia-se tão cansando tanto fisicamente como emocionalmente que preferiu ignorar aquilo tudo e não responder o amigo por hora. Sentia-se incomodado com sua roupa de príncipe dos pianos. O calor que corria pelo seu corpo graças ao álcool ingerido o fez retirar aquele terno de um jeito qualquer, sem importar-se com os detalhes ou coisa do tipo. Mesmo quando estava vestido, sentia-se nu. E, de fato, estava nu. Seu interior não havia aprendido o quão bela era a vestimenta feita pela música de um coração em desordem. 


Apagou sobre a cama como já lhe era de costume. O corpo fresco após adormecer graças à mistura de remédios e álcool denunciava o que Zhang havia constatado: estava cansado. Algumas olheiras eram visíveis por debaixo da maquiagem, a magreza que sempre lhe fora algo comum parecia excessiva, até quando continuaria assim? Estava fadado a terminar seus dias de vida como um infeliz dentro de um quarto qualquer, jogado às traças, sendo consumido por si mesmo?


[]


Havia sido um milagre levantar naquela manhã. O frio fazia com que Baekhyun desejasse continuar em sua cama, mesmo que ainda fosse com os trajes da noite anterior. 


Atravessou a rua com as duas mãos no bolso do casaco marrom que havia sobreposto em suas vestes, entrando na cafeteria Park. uns meses, aquele lugar não passava de um simples balcão abandonado ao meio da cidade. Baekhyun, de sua janela, viu o senhor Park reerguer aquele lugar. Agora, a decoração rústica — deveras predominante no ambiente — dava-lhe uma sensação de estar em casa, os quadros nas paredes, os pequenos arranjos nas mesas, tudo aquilo lhe remetia uma parte de sua infância, em especial a uma confeitaria perto da casa de seus pais, onde passava uma parte de seu tempo quando não estava praticando. 


Sentou-se em uma das áreas reservadas com vista para a rua. Logo que foi atendido, escolheu o que já era o seu de sempre que não passava de uma xícara de expresso. Seu cabelo ainda estava bagunçado, em forma ondulada, que dava-lhe uma aparência mais jovem. Esperou até que a xícara com o líquido quente recém servido fosse posta à sua frente, segurou-a pela alça e deu um rápido sopro antes de bebericar, a fim de sentir seus lábios esquentarem com tal contato.


Permanecia em silêncio, observando algumas pessoas distribuídas em mesas pelos cantos da cafeteria, um ou outro casal ou um simples jovem mexendo no celular enquanto tomava um bom café. Sua atenção foi roubada assim que o homem de traços finos e aparência jovem sentou à sua frente, jogando o casaco e o cachecol que devia estar usando antes de entrar ao lado de sua cadeira. 


— Está tão frio que parece que irei congelar! — falou, estendendo a mão para que a jovem próxima ao balcão pudesse vir até a mesa. — quanto tempo está aqui? 


— Alguns minutos, preferi chegar um pouco antes. 


Baekhyun esperou que o homem à sua frente fosse atendido. Pediu também uma outra xícara de expresso, dessa vez, acompanhada de uma torta de limão. A jovem que os atendeu pediu licença e retirou-se de suas presenças para que pudessem conversar melhor enquanto ia buscar o que havia anotado em seu pequeno bloco. 


— Então, você me ligou hoje cedo e eu até estranhei um pouco, disse que queria falar comigo aqui e desligou. Aconteceu algo? — Kim Junmyeon era o diretor do teatro onde os concertos do príncipe dos pianos aconteciam. Havia sido o maior contato de Byun desde que havia se firmado naquele lugar. É claro que suas relações não passavam de rápidas ou até demoradas conversas que tratavam unicamente de seus concertos. E Baekhyun, por um lado, era grato a isso, não sentia-se preparado para pôr para fora o que sentia, guardava tudo para que fossem ditas ao cair de uma lágrima em meio à madrugada, em um possível desabafo alcoólico e solitário. 


— Eu me certifiquei de que os ingressos da próxima semana não foram impressos ainda e de que a apresentação ainda não foi posta em cartaz — balbuciou, lembrando-se mentalmente de que toda apresentação que era posta em cartaz naquele espaço era apenas adicionada e divulgada a partir da sexta. — Eu venho pensado nisso um tempo, mas, com esse tempo todo de ensaios e concertos, taxei isso como uma besteira passageira. Já faz um bom tempo que não vejo meus pais, que ligo para eles, nossa última ligação ocorreu no natal e minha mãe disse estar com muitas saudades. — Riu disfarçadamente, tentando afastar as lágrimas que sabia que viriam ao lembrar que, no natal passado, sua mãe havia feito-o chorar ao dizer que já fazia anos que o filho não punha sua cabeça em seu colo e desabafava com ela, que não contava seus pensamentos e o que tinha, o que sentia. — um tempo, também tenho visto as cortinas se fecharem após os aplausos e apenas um homem solitário terminar em meio ao palco vazio com um piano. — Limpou a lágrima teimosa que atreveu-se a cair, dando um sorriso amarelo antes de retomar suas palavras. — Um amigo meu que fiz em meio às aulas de piano me mandou uma mensagem no meio da noite, ele desistiu dessa vida toda de fama e de concertos muitos anos e me fez relembrar de algumas coisas esquecidas por mim. Está na hora das cortinas se fecharem, Junmyeon, do show se encerrar. 


Junmyeon absorveu aquelas palavras do mesmo modo que o café era absorvido em seu paladar. Esperou alguns segundos enquanto Baekhyun comia um pedaço da torta que havia pedido, não imaginava tal vontade vinda dele. Parar assim de modo repentino era uma coisa que o Kim não esperava vindo do príncipe dos pianos, mas, com o tempo que havia o conhecido, de forma pouca a qual se restringia a um pedaço de sua vida pessoal e grande parte de sua vida em cima dos palcos, Junmyeon sabia que Baekhyun estava determinado, que não desistiria daquilo. 


— Sei que nenhum pedido meu fará você mudar de ideia, mas irá parar para sempre? Digo, não imagino você aposentando o piano e seus trajes, muito menos ver você tão longe dos palcos.


— Eu pretendo voltar, Junmyeon — respondeu. — São apenas alguns meses até findar o ano. O príncipe dos pianos deve encontrar um novo rumo para seguir antes que acabe consigo mesmo. 


— O que quer dizer com isso?


— Que deixei com que ele fosse minha máscara por muito tempo além dos palcos, escondendo a sombra do que já fui. É como se, em todos esses anos, ele fosse o tapete que cobria todo o lixo que acumulei durante esse tempo todo embaixo dele


Permaneceram naquela conversa até que as contas fossem acertadas e as diferenças fossem derrubadas. Naquela hora, não haviam máscaras ou um traje bonito para disfarçar, era apenas Byun Baekhyun, um homem de seus quase trinta e um anos, de cabelo bagunçado e uma barba que logo precisaria ser feita. 


A busca por seus sonhos levou Baekhyun ao acaso muitos anos. Ao acaso, mas não por acaso. 

[...]

Dias depois...


Dentro de um teatro vazio, um homem solitário permanecia sentado à frente de um piano, dando uma última folheada em diversas partituras à sua frente, apenas um holofote estava-lhe iluminando, deixando que se despedisse momentaneamente de alguém que, por muitos anos, foi sua sombra, que escondeu — mesmo que falhando às vezes — seu eu miserável, alguém sujo que não tinha mais um mínimo propósito em sua vida. 


Enquanto, do lado de fora, Junmyeon retirava os cartazes da semana que se encerrava sem adicionar novos nos lugares, anunciando um próximo concerto. Baekhyun achara uma partitura que já havia sido esquecida pelo príncipe dos pianos, fora uma das primeiras melodias tocadas por si em um palco. Permitiu-se fechar os olhos e imaginar-se jovem. Vestindo seu traje de príncipe dos pianos em meio a um palco, tinha sobre si diversos olhares de pessoas que sussurravam baixinho para não interromperem as outras. Não podia ouvir tudo por inteiro, mas sabia que a primeira fileira perguntava “Quem é este que conhece as teclas de um piano como se fossem a ponta de seus dedos?” enquanto outros, em sussurro e harmonia com a melodia que emanava de seus dedos, diziam “Este é o príncipe, o príncipe dos pianos!


Iniciou a primeira nota daquela magnífica composição. Era Comptine d'un Autre été de Yann Tiersen. 


Sentiu uma parte de si esvaindo nas primeiras notas. Viu parte de sua infância, seu crescimento e até mesmo coisas que julgava terem se perdido em suas memórias. A morte de seus avós as quais abalaram fortemente sua vida , sua primeira e secreta desilusão amorosa e sua primeira vez chorando por um amor que julgava ser real, mas, em meio aquele choro, ele descobriu que ainda não conhecera o amor e que ele deveria sair de si próprio, unicamente para ele


As notas tornavam a música mais grave e rápida, fazendo um flash de sua vida passar cada vez mais rápido. Viu seus primeiros toques em uma escola de música, afastado de todos os outros alunos. Lembrou-se do dia em que conhecera Zhang Yixing e de sua desistência dos palcos, viu-se saindo de casa e, ao encerrar a música, viu-se só. 


Só então que sentiu-se livre do príncipe dos pianos, fazendo-lhe a promessa de que voltaria e lhe daria uma nova vida. Só quando olhou em direção à plateia que julgava estar vazia e fechou os olhos, permitindo que rápidas lágrimas caíssem, percebera que Junmyeon havia conseguido assistir uma parte de sua íntima despedida. E foi sorrindo de uma forma desajeitada em meio às lágrimas e lembranças que Baekhyun levantou-se e sumiu entre as cortinas para que assim Junmyeon pudesse desligar a luz que estava sob o palco e que Baekhyun desse o último adeus àquele velho amigo, aquele que era sua máscara e que, por hora, seria sua sombra. 


Notas Finais


Playlist: https://open.spotify.com/playlist/0KjXRJ2tYaZjyNTFGCGN0p?si=X6Ocm3d9R-6F9jmRfMi8Kg

Agradecimentos: @parkelfy pela capa lindíssima e @ZELDAE pelo banner, muito obrigado, meus anjos! ♡

As atualizações ficaram pelos finais de semana — diferente dessa postagem, que ocorreu em um início — nos vemos nesse próximo final de semana! Beijos!
Mue twitter: https://twitter.com/atinydanger?s=09
Meu ccat aberto para perguntas sobre a fanfic — ou qualquer outra coisa: https://curiouscat.me/atinydanger


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