História Our Lives - Capítulo 3


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Categorias Shawn Mendes
Personagens Shawn Mendes
Visualizações 3
Palavras 4.268
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Fantasia, Romance e Novela
Avisos: Álcool
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oii pessoal!
Atrasei alguns dias, mas aqui está o capítulo. Escrevi nas visões do Shawn e da Olivia.
Espero que gostem dele tanto quanto eu.
Obs: Nesse não tem música :(
Liv, Xx

Capítulo 3 - Mudanças


(P.O.V Shawn Mendes) 

  Acordei com um dor de cabeça horrível, meu despertador estava berrando e alguém estava quase derrubando a porta do meu quarto. Levanto e abro a porta, minha mãe entra furiosa, gritando: 

  - Shawn Peter Raul Mendes, o que você fez?! - Pergunta. O que? 

  - Que eu me lembre nada. – Devolvo com uma voz sonolenta. 

  - Então você não se lembra? Olhe isso aqui. – Levanta o seu celular e me mostra imagens da câmera que temos no escritório, era de ontem à tarde, meu pai estava bebendo e andando de um lado para o outro, falando alguma coisa que eu não conseguia ouvir porque não tinha áudio no vídeo, ele parecia estranha. 

  - O que eu tenho a ver com isso? - Ainda não entendi onde ela queria chegar. – Como eu poderia fazer isso com ele?

  - As imagens mostram que você saiu minutos antes, vocês falaram sobre o que? - Demonstra muita curiosidade. 

  - Não chegamos nem a conversar, você sabe com ele é - Digo e vou procurar uma camiseta. 

  - E eu sei como você é. - Como é que é? - Deve ter dito alguma coisa que o irritou e fez com que ele tivesse esse surto e... - Não posso acreditar, minha própria mãe falando uma coisa dessas, uma mentira. 

  -  Não! Você não sabe como eu sou, nunca soube e se depender de mim nunca saberá! Nunca! - Explodo e saio do quarto, deixando ela para trás e indo em direção à porta de saída. 

  - Sr. Mendes. – Joana me chama antes de eu chegar na porta e me viro em sua direção esperando que ela continue. – O senhor não vai para a escola? - Merda. Como eu esqueci? Ah é, meu quarto foi invadido e uma pessoa ficou me jogando acusações. - Já são seis e meia. – Termina e vejo que ainda tenho tempo. 

  - Muito obrigado, Joana, já ia me esquecendo. – Dou um leve sorriso e a governanta se retira sem falar nada. Odeio isso. 

  Vou em direção ao meu quarto e vejo que a Sra. Mendes não está mais lá. Pego só o necessário, coloco outra roupa e vou em direção à garagem.   

  - Pensa que vai aonde?  - Meu pai aparece e olho furioso em sua direção. 

  - Estou indo para a escola. – subo na minha moto e a ligo. 

  - Preciso ter uma conversa séria com você sobre o seu comportamento. – Fala com uma voz de superioridade. 

  - Bom, qualquer que seja seu discurso, ele vai ter que esperar porque eu tenho que ir agora. - Saio calmamente da garagem e atravesso os portões do condomínio segundos depois. 

  Para qualquer um que visse o que acabou de se passar pensaria que eu sou um menino que desobedece a seus pais e se acha independente o suficiente, isso não passa de uma mentira. Sempre tive muito respeito por eles, mesmo que eles me tratassem como se eu fosse um peso, mas chegou uma hora que simplesmente não consegui mais e percebi que se continuasse naquele modo de vida iria acabar piorando a minha situação. Só não esperava que a situação se agravasse e tivéssemos brigas diariamente. 

  Depois de uns 20 minutos chego à escola, corro até minha sala e sento no meu lugar esperando o professor chegar. Tudo isso é muito diferente sem a Em. 

  - Ei, Shawn! - ouço alguém chamar e me viro vendo Elliot. - Cadê sua sombra?  - Ele dá um sorriso e aperta minha mão, devolvo o gesto com uma expressão confusa. –  Emma! 

  - Ah, você não soube? - Agora ele que me olha confuso e espera que eu explique. – Ela se mudou para Washington ontem, o pai dela conseguiu um emprego lá. - Falo ainda afetado com sua partida. 

  - Nossa, eu lembro que ela me falou alguma coisa relacionada a se mudar para fora do país, mas não sabia que ia ser tão rápido, nem tive como me despedir. – Parece chateado e estranho, eles nunca foram muitos próximos. 

  - Ela não queria chamar muita atenção, por isso pediu para que eu não avisasse ninguém. - Expliquei e ele concordou com a cabeça.  

  - Entendi, depois mando uma mensagem para ela perguntando como estão as coisas por lá. - Fala e não gosto do jeito em que se refere à essa 'conversa' que vai ter com ela. 

  - Vocês eram bem próximos? - Não aguento e acabo perguntando. 

  - Não muito, mas um dia ela me ajudou a estudar para uma prova e começamos a conversar, ela é uma menina diferente das outras. – Sim, é mesmo. A melhor. – Mas tudo entre nós não passa de uma amizade recente, ela só tem olhos para uma pessoa. – Me incomodei, quem seria? 

  - Quem? - a curiosidade falou mais alto. – Sou o melhor amigo dela e ela não me falou nada sobre ninguém em que estava interessada. – Um sorriso surge em seu rosto e não entendo. 

  - Exatamente, você é o melhor amigo, por isso. - Diz ao mesmo tempo em que o professor chega na sala. 

  - Todos em seus lugares, não quero ninguém falando agora. - Começa a aula e Elliot vai para seu lugar. 

  A aula passa e não percebo, não consigo sequer saber sobre o que o professor está falando, só tento entender o que Elliot quis dizer com 'você é o melhor amigo, por isso'. Quando acaba a primeira aula e o sinal toca, o diretor entra e pede nossa atenção. 

  - Pessoal, todos sabem que nossa escola é muito conhecida pelo nosso ensino primeiramente, mas também nos conhecem por termos um ótimo time de Hóquei no gelo. – Começo a prestar atenção e me interesso pelo o que ele tem a dizer. – E esse ano fomos convidados a disputar um campeonato entre as escolas aqui de Toronto, o time tem que ser formado com os alunos do 3º ano e tem que ter 12 jogadores, por enquanto só a categoria masculina está disponível no campeonato. – Algumas meninas reclamam e fico triste por elas. – Os alunos que se interessarem devem preencher essa ficha na hora da saída. - Mostra a ficha em suas mãos. - Obrigado. – Sai da sala e logo em seguida todos se levantam para o intervalo.   

  Elliot vem em minha direção e já sei o que vai falar. 

  - E aí, vamos? Como nos velhos tempos? – Diz com os olhos brilhando. 

  Velhos tempos. É até engraçado falar assim. Eu e Elliot aprendemos juntos a jogar, até que eu era bom, mas nunca gostei muito, era mais para ocupar a cabeça. Posso fazer isso agora e tentar esquecer dos meus problemas, mas quando pisar em casa novamente eles vão me atingir com força total. 

  - Não sei, não tô muito no clima. 

  - Vamos cara, vai ser legal, aí você para de pensar nela. – Ele se referia à Emma. 

  - Vou pensar e te aviso. – Ignorei seu  último comentário, mesmo sendo verdade, e saí da sala. 

  O resto da manhã foi normal, pensei sobre o campeonato e decidi jogar, fazer alguma coisa diferente, quando me dei conta já estava passando na diretoria para preencher a inscrição para o campeonato de Hóquei. Elliot ficou muito feliz e falou mais uma vez que eu ia parar de pensar tanto em Emma. 

  - Como você tem certeza que eu penso tanto nela? - Pergunto intrigado 

  - Simples, eu olho para você. - Não falo nada e ela explica – Shawn, qualquer um que olhar para a sua cara vai perceber que você não tá bem, tá mais estranho do que o normal. – Olho sério para ele – Sem ofensas, mas todos sabemos que você tem alguns problemas. – Pronto, ele tinha que pior tudo. 

  - Tudo bem Elliot, segui seu conselho e vou jogar, agora se me der licença vou embora. – Passei por ele e fui em direção à minha moto. 

  - Ei, Shawn! Desculpa cara, não queria te ofender nem nada do tipo, achei que já tinha superado. – fala ficando na minha frente. 

  - Não cara, ainda não superei! – Falo alterando a minha voz e ele dá um passo para trás. - Ainda não superei Emma ter ido embora, não superei a situação com meus pais lá em casa e não superei essa maldita doença que faz com que eu tenha esses surtos repentinos e me sinta um inútil! - Quando percebo minha mão já está segurando seus ombros e ele me olho com medo. Medo, é isso que eu causo nas pessoas, talvez seja por isso que Emma foi embora. Ela tinha medo de mim. - Desculpa Elliot, não devia ter agido assim - Peço com a voz baixa 

  - Tudo bem, Shawn, qualquer coisa é só me chamar. – fala e sai andando. Não acredito que espantei mais uma pessoa. 

  Agora estou ainda mais certo da minha decisão, ontem já tinha falado para Emma que iria acaba com tudo isso. Só não falei como. 

  Não tenho ninguém que me conheça tão bem quanto minha melhor amiga, fico desesperado com isso. Tenho que ter alguém para contar tudo o que acontece no meu dia, como eu me sinto. Depois de tantos anos fazendo isso com ela acabei me acostumando a compartilhar os meus pensamentos. 

  Subo em minha moto e fico com medo de chegar em casa tão cedo, não sei o que me aguarda por trás daqueles portões, mas uma hora vou ter que falar com Ethan e Kate, meus pais. Felizmente, ou não, pego um trânsito de mais ou menos 20 minutos na minha volta para casa e chego mais tarde que o normal. 

  Entro em casa e está um silêncio, só vejo uns jardineiros no quintal e Joana preparando o almoço. Subo até meu quarto pensando em tomar um banho, mas assim que abro a porta encontro ele totalmente vazio. O que está acontecendo aqui? 

  Caminho em direção ao meu armário e não há mais minhas roupas, corro em direção ao banheiro e não tem mais nada lá, olho para o meu quarto novamente e ele reflete como tenho passado esses dois dias. Vazio. 

  Saio rapidamente pela porta e ando furiosamente pelos corredores da mansão, chego até o escritório e nem bato, dando de cara com meus pais. Eles estavam sentados e pareciam me esperar. Eles que fizeram isso. 

  - O que vocês fizeram com as minhas coisas? - Quase grito e eles me olham como se eu estivesse louco. 

  - Nós fizemos um favor a você, Shawn. – Meu pai diz como se fosse óbvio. - Já que estava tão independente enfrentando sua mãe e a mim, decidimos dar a você um lugar para morar sozinho, longe de nós e tudo aquilo que você tanto despreza. - Eles estão me expulsando. 

  - Vocês estão me expulsando. – Afirmo. 

  - Não, estamos te dando espaço, não era isso que queria? Me pareceu bem claro quando você saiu hoje de manhã com a sua moto. - Minha mãe se pronunciou. – Estamos apenas sendo bons pais. – Só podem estar brincando. 

  - Bons pais? Isso vocês não são e nunca foram.– Retruco e meu pai se levanta.  

  - Não ouse falar assim, menino. Você sempre teve tudo! - Aumenta seu tom de voz. 

  - Sim, eu tive. – Digo com desdém. - Sempre tive um tênis legal, uma mochila bacana, uma blusa de marca, mas sabe o que eu nunca recebi? Amor, carinho e respeito. Não posso reclamar das coisas materiais, mas vocês falharam e ainda falham quando o assunto é se importar com o filho de vocês! - Falo com lágrimas nos olhos e eles apenas me encaram. 

  Ficamos alguns longos e silenciosos minutos apenas nos olhando, sem dizer nada. Minha mãe começa a chorar e meu pai me encara com um olhar acusatório. 

  - Está feliz agora? - Ele diz se exaltando ainda mais, olhando para a minha mãe depois para mim – Jogando tudo isso em cima de nós? Se você soubesse...  

  - Mas eu não sei! - corto seu discurso que sabia que ia acabar em nada - Vocês nem se quer me olham nos olhos e quando falam comigo não me tratam como se eu fosse seu filho! – Grito e eles me olham chocados com a minha reação. – Se eu sou um peso tão grande assim para vocês à ponto de me quererem ainda mais longe das suas vidas, tivessem pensado melhor antes de decidirem ter uma criança, aí eu não estaria aqui para atrapalhar a vida perfeita de vocês dois!– Vou em direção à porta e me viro para eles. – Sim, eu não sou normal, acho que já perceberam, eu tenho uma doença e se pelo menos um de vocês se importasse comigo saberiam e tentariam me ajudar a passar por essa fase horrível. Eu ainda tinha esperanças, lá no fundo, de que poderíamos nos aproximar como família, mas agora eu vejo que Emma era a minha única família, e até ela eu perdi. – Saio do escritório e acho minhas malas no final do corredor. 

  Vou para o meu quarto e guardo tudo em seu devido lugar, não vou morar sozinho, ainda não.  

  Minha cabeça começa a doer e sinto que minhas mãos estão tremendo, assim como os meus lábios. Uma sensação de que tudo ao meu redor  está desmoronando me atinge e começo a procurar a cama. Me encolho e todo o meu corpo começa a tremer, apenas tinha sentido isso uma vez em toda minha vida. Meus remédios, preciso deles. 

  Me arrasto até a beirada da cama e esticou minha mão, tentando alcançar a caixa de comprimidos. Vamos Shawn, só mais um pouco. Com muito esforço consigo alcançar a caixa e a abro, retiro um comprimido e o engulo à seco mesmo. 

  Depois de uns minutos paro de tremer e percebo que não vou durar muito. Tenho que fazer o que estava planejando desde que Emma me disse que iria se mudar para outro país, dentro de mim sabia que isso iria acontecer.       

  - Vou até ela. Vou até Emma. - Sussurro. 

  Essa é a única solução, queria poder viver a minha vida normalmente, mas simplesmente não consigo. 

  - Ninguém pode saber. – Fecho os olhos me preparando para o intenso dia de amanhã. 

(P.O.V. Olivia Gardner) 

  Acordo me sentindo bem, coisa que faz tempo que não acontece. Desço para tomar café da manhã e me deparo com meus pais conversando na cozinha. 

  - Bom dia. – Falo como se nada tivesse acontecido. 

  - Bom dia. – Respondem juntos. – Quer carona para a escola? – minha mãe oferece e a olho desconfiada, estranhando sua atitude. 

  - Não precisa, pego o ônibus mesmo, todo dia faço isso. – Dou uma leve indireta e eles não parecem perceber. 

  - Eu te levo Olivia, é uma nova escola, não quero que chegue sozinha, – Insiste. 

  - Tudo bem – Resolvo não brigar logo de manhã. 

  Meu pai fica em silêncio o tempo todo e evita me olhar, sei que ele está chateado, vou pedir desculpas quando voltar da escola e minha mãe não estiver em casa. 

  - Ótimo! – minha mãe exclama e não entendo o porquê de tanta animação – Tome seu café e se troque, sairemos em 20 minutos; – Avisa e a acho ainda mais estranha. 

  - Tá. – Respondo apenas isso e começo a comer. 

  - Já estou indo. – Olho para meu pai. – Volto no horário de sempre. – Não dá tempo de nenhuma de nós responder e ela já está indo em direção à porta que dá acesso à garagem. 

  - Ele não está diferente? – Pergunta minha mãe. Dou de ombros  

  - Acho que está normal, ele trabalha muito. – Não falo o que estou pensando, ele não deve ter contado para ela da nossa breve discussão ontem. 

  - Deve ser. – Diz e caminha até a sala, se sentando no sofá e ligando a Televisão. 

  Depois de tomar o café da manhã subo até meu quarto, tomo um banho e me troco. Desço até o andar de baixo e não encontro minha mãe. 

  - Mãe! Onde você tá? – A chamo. 

  - Aqui na garagem! – Vou até a garagem e ela já está no carro. – Tá pronta? – Afirmo com a cabeça – Então vamos. 

  O caminho é silencioso e apenas ouvimos as notícias que passam na rádio. Olho para ela de algumas vezes e ela está focada na rua, nem desviava os olhos. 

  - Mãe. – Ela me olha – Por que chegou tarde ontem?  

  - O trânsito estava horrível. – Engole seco e consigo ver que está mentindo. – Fiquei presa uma hora e meia na estrada. – Termina e me olha. Provavelmente para ver se eu tinha comprado essa desculpa. 

  - Entendi – Falo no momento em que ela estaciona na frente a escola – Vai chegar mais cedo hoje? – Pergunto para saber sua reação. 

  - Não sei, tudo depende do trânsito – Dá uma leve risada e saio do carro. 

  - Tudo bem, tchau. – Me despeço.  

  - Tchau filha, boa aula. 

  - Obrigada, bom trabalho. – Vou em direção ao portão da escola, olho para trás e o carro já não está mais lá. 

  Entro na escola e procuro a diretoria, um rapaz que está dando algumas orientações para alguns alunos me olha rapidamente, termina de falar com os meninos e vem em minha direção. 

  - Primeiro dia? – Pergunta me olhando com em sorriso discreto nos lábios. 

  - Sim. – Respondo seca. Era hora de colocar tudo que venho pensado em prática. Ele continua com o sorriso. 

  - Está com a grade de horários?  

  - Estou, mas quem é você? – Falo com desdém. 

  - Desculpe não ter me apresentado, me chamo Elliott...Elliot Walker, estou no terceiro ano do médio – Ótimo, somos colegas de turma. – E você, como se chama? – Demonstra interesse. 

  - Olivia, também estou no terceiro – seu sorriso aumenta ainda mais e resolvo falar mais alguma coisa. – Eu tenho que ir até a secretária, licença. – Começo a andar e ele grita. 

  - Não tem, não. Os alunos podem ir para a sala direto agora, não é mais necessário passar pela diretoria. – Fecho os olhos e volto até ele. 

  - Certo, e onde fica a classe de Geografia? – Pergunto olhando para a folha de horários. 

  - Vai ter Geografia agora? 

  - Se eu estou perguntando. 

  - Calma, para que tanta acidez logo de manhã? Só fui educado. – Ele ergue as mãos em sinal de redenção e eu fecho a cara. Agora é assim que as coisas funcionam. 

  - Pode me acompanhar, tenho essa aula agora também. – Maravilha.  

  Ele começa a caminhar e vejo muitas pessoas estudando apressadamente pelos corredores. Isso que dá entrar no meio do primeiro bimestre. 

  - Como sabia que eu era aluna nova? – Pergunto só percebendo agora que ele parecia estar esperando por mim quando cheguei. 

  - Me pediram para guiar os novos alunos, não foi só você que entrou nessa época do ano. – Dá uma risada – Não foi difícil te reconhecer com a sua cara de perdida – Olho ofendida para ele – E eu também já tinha visto sua foto. 

  - Entendi. – balanço a cabeça. – E eu não estava com cara de perdida, só confusa. – Me defendo. 

  - É a mesma coisa. – Rebate.  

  - Para mim não. – Ele rola os olhos. 

  - Você que sabe. – Dá uma risada e para em frente à uma porta. – Essa é a sala. – Entra e abre os braços. – Pode escolher seu lugar. 

  - Tudo bem, obrigada. – Agradeço, ele concorda com a cabeça e vai em direção a um menino alto que está isolado. 

  Procuro um lugar no fundo e tem apenas uma carteira vaga, coloco minha mochila no chão e sento. Fico observando as pessoas entrarem na sala e mesmo depois de tudo que aconteceu sinto falta da minha escola, dos meus amigos. 

  Uma menina se senta na minha frente e me olha. 

  - Oi, você é a menina nova, né? – Fala simpática. 

  - Sou. – Respondo apenas. 

  - Como é o seu nome? – insiste. 

  - Olivia, e o seu? – Pergunto apenas por educação, não queria conversar, não queria fazer amigos. Não podia. 

  - Emily. Você veio de que escola? – Pergunta no mesmo momento em que o professor entra na sala e não consigo responder. 

  - Todos em seus lugares, não quero ninguém falando agora – Exige e a sala se acalma. 

  Geografia, nunca gostei dessa matéria, mas com esse professor tudo piora. Passo a aula inteira olhando para a lousa atrás dele até o momento em que um senhor pede licença e entra na sala, era o diretor. Ele avisa sobre alguma coisa relacionada à um campeonato de Hóquei e nessa hora preferia estar tendo aula de geografia. O único esporte que curto é vôlei, mas só assisto mesmo. 

  Quando o sinal bate não saio da sala, fico no meu lugar e como o lanche que trouxe. Avisto Emily e ela vem em minha direção. 

  - Olivia, o que está fazendo aqui? - Pergunta, tentando puxar assunto. 

  - Comendo. - Respondo.  

  - Não quer fazer isso no refeitório? - Ai Deus. 

  - Não, aqui está bom. 

  - Você que sabe então. - Dá uma leve risada sem graça. 

  - E o que você está fazendo aqui? - Quando vi já tinha perguntado. Merda. 

  - Só vim pegar o dinheiro que tinha esquecido, não trouxe nada para comer. - Explica. 

  - Entendi.  

  - Está tudo bem? - Faz a pergunta que faz tempo que não escuto. 

  - Sim, tudo bem, por que a pergunta? 

  - É que você parece estar chateada com alguma coisa. - Mostra preocupação. 

  - Acho que é só a mudança de escola. – Conto uma meia verdade. 

  - Entendo, também entrei nessa escola esse ano, a diferença é que comecei no começo das aulas mesmo.  

  - Porque você saiu da outra escola? - Pergunto, não sabendo o que falar. 

  - Meus pais se divorciaram. – Olho para ela confusa. – Eu morava em Vancouver com os meus pais, quando eles se separam eu vim com meu pai para Toronto. - Termina. 

  - Por que você ficou com o seu pai? Digo, na maioria dos casos os filhos ficam com a mãe. - Me apresso para explicar meu ponto de vista e ela não me entender errado. 

  - Eu e ele sempre fomos mais próximos, minha mãe sempre foi um pouco distante. – Eu a entendia perfeitamente. - Mas não deixava de ser uma boa mãe, até eu fiquei surpresa quando escolhi ficar com meu pai e ela parecia muito chateada. - Ela me olha e vejo que tem lágrimas nos seus olhos. - E você, por que mudou? - Ah não, isso não poderia estar acontecendo, essa conversa. Não acredito que estraguei todo o meu plano. 

  - Problemas com o namorado. - Não era uma mentira. 

  - Não posso dizer que entendo disso, nunca namorei. - Dá uma risada e eu a acompanho. Só ela, não vou mais me aproximar de ninguém. Ela é divertida, mesmo sendo trágico nunca ter namorado. 

  - Por que? Nunca achou ninguém interessante?  

  - Calma, eu falei que nunca namorei, mas eu já beijei. - Fala dando risada – Namoro não é para mim. 

  - Por que?  

  - Muito compromisso, digamos que não tenho maturidade para isso. - Entendo. 

  - Entendi. 

  Passamos o resto do intervalo conversando e Emily esqueceu de ir comprar o lanche, passou fome até a hora da saída. 

  Quando bateu o sinal para ir embora Emily se despediu e correu até a cantina. Eu estava saindo da escola quando ouço alguém me chamar. 

  - Olivia! - Me viro e é Elliot - Já vai?  

  - Sim. - Respondo apenas e o encaro. 

  - Como foi seu primeiro dia? - Insiste na conversa. 

  - Mesma coisa de sempre, por que? - Ele fazia muitas perguntas. 

  - Não muda mesmo. – Diz baixo. 

  - Como é? - Pergunto mais alto. 

  - Nada não. Só perguntei para saber se não tinha feito amizades, já que é toda esquentadinha. - Esquentadinha, como ele ousa? 

  - Olha aqui garoto, você já acabou com a minha paciência, agora se me der licença eu vou embora. - Saio pisando duro e não olho para trás. 

  - Falei, esquentadinha. - Ouço ele falar, mas não me viro e continuo andando. 

  Pego o ônibus e chego em casa 20 minutos depois, entro e vou direto para o quarto. Desço para almoçar depois de ter tomado banho e passo a tarde toda vendo séries e dando uma olhada nas matérias que os professores passaram hoje. 

  Quando olho para o relógio vejo que já são seis e meia, meu pai já está chegando, um medo me atinge. Sei que ele irá querer falar comigo sobre o que eu disse a ele ontem, só não sei se o que ele irá falar, nunca brigamos antes, sempre brigo com a minha mãe, com ele não. 

  Olho meu celular e vejo que tenho mensagens novas 

  " Oi Olivia, aqui é a Emily" 

  " Peguei seu contato com Elliot" 

  " Não me pergunte como ele sabia" 

  Respondo. 

  " Oi Emily, como você tá?"  

  " Como assim você pegou com Elliot meu número?!" 

  " Esse menino já tá me enchendo o saco, e olha que  

    só foi meu primeiro dia de aula" 

  Salvo seu contato e desligo o celular, olho para o relógio e vejo que já está na hora de meu pai chegar. Quando vou colocar meu celular na mesinha de centro sinto ele tremer e a tela ser acesa, avisando que mais mensagens tinham chego. Eu não tinha o contato salvo. 

  " Olivia Gardner" 

  " Não sei onde você se escondeu" 

  " Mas pode ter certeza de uma coisa:  

     eu vou te achar" 

  Tremi depois de ler as mensagens, não tinha nenhuma foto em seu perfil. Só pode ser uma brincadeira. Você sabe exatamente quem é, Olivia. Sim, eu sei. 

  Escuto um barulho de carro vindo da garagem e sei que é meu pai, ele chegou. Mais essa

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


E, aí? O que acharam?
Gostei muito do resultado desse capítulo e espero de coração que tenham gostado.
Só para explicar uma coisa: eu vou estar usando as músicas apenas em capítulos que mudem um pouco o rumo da história, mas nada tão chocante kkkk
Deixem seus comentários para eu saber se estão gostando :)
Liv, Xx


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