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História Our Love - Fillie - Capítulo 26


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Notas do Autor


falei que ngm me parava

Capítulo 26 - What are we waiting for?


Millie

Eu não falo com meu pai há exatamente um mês, eu não sei como ele está, não sei se está bem, não sei nem como a nova namorada dele está e eu não me importo muito. Eu nem sei onde ele mora e fico mais do que feliz de saber que minha mãe agora está trabalhando e que não precisamos de um tostão do meu pai. Hoje tem ensaio da peça e estou nervosa como todos os outros dias, estamos ensaiando por parte e no final da peça vai ter um beijo e eu não queria muito isso principalmente com Finn, eu estou nervosa demais para esse dia chegar, o ensaio do beijo. Não sei o que vai acontecer e não pretendo saber tão cedo.

Hoje como toda e boa sexta feira, estamos indo para uma festa em alguma casa. O pessoal daqui tem tantas casas que acaba fazendo festas em uma delas e sempre a mesma coisa, mulheres pagando menos do que homens. Que horrível, nós podemos pagar a mesma quantia que eles, só o que me faltava.

- E você já pensou em mim? - Personagem de Finn falava.

- Não - Falei.

A parte mais difícil de fazer essa peça era que ela era um musical, Sadie escolheu as músicas com muito cuidado. Ela tinha exatamente tudo anotado, as letras, as partituras. Eu nem conseguia acreditar que a escola contratou um professor de música para nos ensinar a cantar, agora toda vez antes dos ensaios começávamos aquecendo nossas cordas vocais.

- E você? - Perguntei – Quero dizer, você vive atrás de mim.

- Sei lá, você não é que nem a maioria das garotas.

Fiz a cara que tinha que fazer e então olhei para trás de mim como dizia no meu roteiro.

- Eu acho que você deve ir – Falei.

No roteiro Finn saia sem ao menos olhar para trás e a melodia começou no fundo e Sadie olhou para mim aprovando tudo que eu fazia, eu andei mais a frente do palco e comecei a cantar a música que eu nem conhecia antes dessa peça chamada: "most girls"

Algumas garotas se sentem melhor em vestidos curtos 
Algumas garotas em moletons, parecendo uma princesa 
Outras beijam lábios diferentes todas as noites 
Elas ficam fora até tarde porque estão apenas comemorando a vida 

Você sabe que tem dias que se sente tão bem com seu próprio corpo 
Mas tudo bem se você quiser mudá-lo 
Porque você fica melhor quando se sente uma rainha 
Estamos apenas jogando um jogo tentando ganhar na vida 

A maioria das garotas são inteligentes, fortes e bonitas 
A maioria das garotas trabalham duro, vão longe, nós somos imparáveis 
A maioria das garotas luta para vencer todos os dias 
Nenhuma é igual 

Eu quero ser como, eu quero ser como a maioria das garotas 
Eu quero ser como, eu quero ser como a maioria das garotas 
Eu quero ser assim, eu quero ser assim 

Elas ficam fora até tarde porque estão comemorando 
Quero ser, quero ser 
Elas ficam fora até tarde porque estão comemorando 
Eu quero ser assim, eu quero ser assim 

Algumas garotas preferem guardar seu corpo para si mesmas 
Algumas garotas usam jeans super justos, pois se sentem bem assim, yeah 
Algumas garotas, pesquisam todos os dias, estão sempre lendo 
Dormem tarde porque estão comemorando a vida 

Você sabe que tem dias que se sente tão bem com seu próprio corpo 
Mas tudo bem se você quiser mudá-lo 
Porque você fica melhor quando se sente uma rainha 
Estamos apenas jogando um jogo tentando ganhar na vida 

A maioria das garotas são inteligentes, fortes e bonitas 
A maioria das garotas trabalham duro, vão longe, nós somos imparáveis 
A maioria das garotas luta para vencer todos os dias 
Nenhuma é igual 

Eu quero ser como, eu quero ser como a maioria das garotas 
Eu quero ser como, eu quero ser como a maioria das garotas 
Eu quero ser assim, eu quero ser assim 

Elas ficam fora até tarde porque estão comemorando 
Quero ser, quero ser 
Elas ficam fora até tarde porque estão comemorando 
Eu quero ser assim, eu quero ser assim 

A maioria das garotas (yeah) 
A maioria das garotas (Eu quero ser, quero ser, quero ser) 
A maioria das garotas luta para vencer todos os dias, nenhuma é igual 
Eu quero ser assim 

A maioria das garotas 
Quero ser como a maioria das garotas 
Quero ser assim, eu quero ser assim 

Elas ficam fora até tarde porque estão comemorando 
Eu quero ser assim, eu quero ser assim 
Elas ficam fora até tarde porque estão comemorando 
Quero ser assim 
Elas ficam fora até tarde porque estão comemorando a vida

E foi aquela típica peça musical, dançarinas entraram atrás de mim que era a equipe da dança da nossa escola que ficou mais do que feliz de ter sido convidado para a nossa peça, algumas até cantavam alguns trechos o que deixava tudo mais harmonioso e lindo, como tinha que ser. Como foi planejado para ser.

- Ótimo pessoal – Sadie gritou e Joe ainda falou sobre o que precisávamos melhorar nessa cena nossa, ele ficou um tempo conversando com Finn o que eu achei estranho, por que ele não estava conversando comigo?

Guardei meu roteiro na minha mochila e segui Sadie que estava no auditório anotando algumas coisas.

- Você foi perfeita – Ela me disse.

- Você acha? - Perguntei preocupada.

- Você está preocupada com o beijo, não está?

- Sim – Falei.

- Vai dá tudo certo Mills, relaxa – Sadie disse.

- Do que você me chamou? - Perguntei.

- Millie.

- Não - Falei - Você me chamou de Mills.

- Chamei?

- Sim, de onde você ouviu isso?

- Hannah – Sadie disse.

Mas só Finn me chama assim, e só quando estamos sozinhos. E vamos lembrar que Sadie é melhor amiga de Finn, e Hannah a irmã dele. Eles conversam suponho eu, eles conversam sobre mim? O que eles falam sobre mim?

- Então tá, vamos? - Perguntei e ela assentiu com a cabeça.

Saímos do auditório e fomos esperar Hannah no laboratório de trás e quando olhamos pela sala que tinha vidros o que nos deixava ver o que acontecia lá dentro vimos Noah e Hannah lá dentro rindo de alguma coisa. Mas não tinha ninguém mais na sala, se acabou mais cedo por que ela não saiu? E o que Noah está fazendo aqui?

E cadê Chloe?

Eu e Sadie trocamos olhares e então Noah que estava apoiado na mesa, ficou direito como Hannah estava ele chegou muito perto dela e então eles se beijaram, eu e Sadie tínhamos a mesma cara, olhos arregalados. Mas que merda é essa? Eles se beijaram em uma festa aí, mas ela estava mal. Não achava que era algo que eles faziam sempre.

Então o beijo continuou e quando eles se desgrudaram e eu Sadie nos abaixamos total para eles não verem que nós estávamos lá.

- A gente volta depois – Sadie falou sussurrando e eu a gente foi andando até não estar mais na vista do vidro.

- O que foi aquilo? - Perguntei.

- Eu sei lá, eu achava que eles tinham se tornado amigos, não namorados.

- Foi só um beijo – Eu disse.

- Um beijo de língua - Sadie disse e eu concordei com ela – Ela foi conversar com ele na quadra.

- Ela faria isso com qualquer um de nós.

- Mas era o Noah – Sadie falou e eu concordei com ela mais ainda.

Será que estava rolando algo entre eles dois ali e eu não sabia? Ou quem mais sabia? Era para ser um segredo aposto, ou as vezes nada está acontecendo ainda.

Os dois saíram da sala, mas nem olhavam para gente então eu e Sadie como boas atrizes que somos, fingimos que não vimos nada e fomos de encontro a eles.

- Oi, como foi o teatro? - Hannah perguntou como se nada tivesse acontecido, então ela não ia contar para gente.

- Bem, a gente fez umas correções. Finn ainda está bolado comigo por escolher ele – Sadie disse. 

- Ele não gosta muito de atenção - Hannah disse

- Jura? - Perguntei porque não era bem essa impressão que eu tinha dele não.

Noah olhou para o seu relógio e fez uma cara de espanto.

- A reunião começa daqui a 5 minutos, eu tenho que ir – Ele disse – Tchau meninas - Ele foi embora correndo e a gente olhou até que ele não estivesse mais lá e olhamos para Hannah como se nós não tivéssemos presenciado nada e ela tinha cara de raiva, mas já me acostumei com ela porque é a única que ela tem.

- Foi só um beijo – Hannah disse. Ótimo, ela viu a gente.

- Foi só um beijo hoje, na última festa quantos mais? - Sadie pergunta.

- Eu não sei – Hannah disse.

- Então quer dizer que vai ter mais? - Era a minha vingança a frase que saiu da minha boca.

- Não sei, talvez – Hannah disse e eu fiz um muxoxo, não era o que eu queria que ela respondesse.

- Ah meu Deus – Sadie disse - Você gosta dele.

Como é que é? Não, Hannah não gostava dele. Espera, por que ela não está negando? Nega logo querida. Não fica nessa não.

- Você gosta dele? - Eu gritei e só percebi quando Hannah me mandou falar mais baixo.

- Eu gosto tá - Ela disse quase que em um sussurro.

- Mas e Jacob? - Eu perguntei.

- Eu não sei, eu estou muito confusa.

- Todos nós estamos gatinha – Falei apavorada.

Hannah fechou os olhos e começou a mexer a boca o que significa que ela estava orando, o que significa que ela queria fugir dessa conversa, então saiu na nossa frente e fomos atrás dela. Íamos para casa dela hoje como todas as vezes que tínhamos que ir para alguma festa.

Quando chegamos lá almoçamos junto com os seus pais e notei que Finn não estava presente e quando perguntei para Hannah onde ele estava, ela deu de ombros. Depois de almoçar subimos e dormimos um pouco enquanto tentávamos ver algo em sua televisão. Acordamos 5 horas e fomos comer pizza que Gláucia tinha feito para nós. Hannah me contou que começou a comer pizza esse ano e me pergunto como ela conseguiu. Depois de comer ainda tivemos sobremesa e subimos para tomar banho e fazer cabelo e maquiagem, colocamos as nossas roupas e saímos comigo dirigindo o carro de Hannah.

O mais curioso era que Hannah não dirigia. Mas eu preferi deixar quieto do que entrar num assunto como esse.

Quando chegamos no local vimos Finn, Noah, Caleb e Jack nos esperando, Sophia ia vir daqui a pouco. Eu estacionei tão perfeitamente que me parabenizei por essa conquista de fazer uma baliza corretamente. Saímos e Noah tinha seus olhos fixados na Hannah, eu sorri. Não ia ser uma má ideia eles dois juntos. Cumprimentamos todos. E entramos naquele lugar todo mundo junto, hoje pelo que soube ia ter um show e eu estava ansiosa para ver.

Eu vi o que sempre vejo em todas as festas, pessoas se engolindo, se drogando, enchendo a cara e meninos tendo milhares de ereções. Eu queria uma noite que nem a última que eu tive, mas eu estava dirigindo. Ah, que se dane.

- Eu sei dirigir, fique tranquila – Hannah disse como se já estivesse lendo os meus pensamentos.

- Mas não tem carteira – Falei.

- Tenho sim – Retrucou.

- Você só pode dirigir com maior de 21, você ainda não fez 16 – Falei.

- Ninguém vai fiscalizar isso – Hannah me deu a desculpa – E Sadie dirige também.

Não seria uma má ideia pensando por esse lado, mas seria muita irresponsabilidade? Sendo que somos jovens, então o que é que eu estou esperando? Hannah não vai beber mesmo e muito menos usar algo ilegal, o bairro dela é o mais nobre da cidade, não tem policiais verificando o mesmo. Não quando se tem o carro de Hannah e é uma menina branca. Essa é a triste história do nosso mundo.

Peguei a primeira bebida que eu vi e tomei. Eu amava a sensação que me dava, a sensação de liberdade.

Quando olhei para o meu lado onde Hannah estava, ela conversava com Noah. O que não durou muito, já que ele puxou ela para dançar e os dois foram. Todo mundo ficou olhando, ela estava se divertindo tanto. Finn olhava para ela sorrindo, ele estava orgulhoso? Todo mundo saiu, mas só ficou eu e ele olhando para os dois. Na verdade, eu estava olhando para ele. Sobre como ele olhava para a sua irmã de um jeito que dizia que ele estava muito mais do que orgulhoso, mas feliz de que finalmente ela tinha encontrado alguém que iria fazer com que ela se sentisse bem.

Mas e eu? Por que eu não deixo essa pessoa existir? Por que eu não deixo Finn ser meu? Antes eu tinha tanta certeza, mas agora eu queria ser Hannah e queria que ele fosse Noah, na verdade não. Queria nós dois ali dançando como da primeira vez em que nos beijamos, isso é pedir demais? Eu sei que ele quer a mesma coisa porque vem tentando se aproximar desde que me conheceu, e antes eu achava que não era capaz de amar e talvez isso seja verdade, mas já pensou que talvez deixar alguém gostar de mim não é tão ruim assim? Por que no final não é isso que nós humanos precisamos?

Ser amada.

- Eles são fofos – Falei.

- São sim – Finn me respondeu.

Ele também tinha um copo vermelho em sua mão e eu tomei todo o líquido do meu copo e olhei diretamente para ele que olhou com dúvida para mim.

- Você quer dançar? - Perguntei.

- Com você? - Ele perguntou um tanto que chocado.

- É, com quem mais seria?

- Eu sei lá, achei que você odiasse os homens.

- Só a maioria.

- Eu adoraria – Finn fala e o puxo pelo braço o arrastando para a pista de dança e isso me lembrou algo que eu não sei se era uma boa ideia lembrar.

Ele me girou várias vezes e acompanhava os passos que eu inventava e eu também fazia isso com ele, ele não largava a minha mão enquanto dançávamos e eu amava a sensação que era ter as suas mãos perto de mim. E o que eu mais amei foi que ele não tentou nada. Talvez seja uma boa ideia ter um relacionamento, mas não com Finn. Talvez eu não goste dele.

Quando a gente se sentou no sofá da sala de alguém Finn me trouxe uma bebida eu tomei tudo de uma vez só e depois olhei para ele.

- Você está nervoso com a peça? - Perguntei querendo conversar com ele.

- Muito – Finn disse bebericando um pouco da sua bebida.

- Por que? Você faz isso tão bem.

- Você também.

- Obrigada – Falei e sorri pelo elogio que para mim valia mais do que um "você é tão bonita". Me elogie por ser inteligente e não por ter uma coisa que um dia vai passar – E o que você quer fazer?

Finn tinha uma cara de dúvida, então queria esclarecer para ele qual era a minha.

- Faculdade, você está no último ano – Falei.

- Eu ainda estou em dúvida.

-Entre? - Perguntei e ele parecia muito empolgado para falar.

Eu estava bêbada demais para lembrar que ele já tinha me dito isso.

- Na verdade eu não estou não, eu quero fazer as duas. E com as notas que eu tenho vou conseguir fazer ao mesmo tempo.

Ele se sentia tão orgulhoso de si mesmo e isso me deixava muito feliz, em saber que ele tinha algo sobre ele mesmo que ele mesmo amava.

- Música - Ele começou e eu meio que já esperava essa, ele secretamente faz parte da banda da escola e quando eu invadi o quarto dele, ele tinha tanta coisa voltada para música que vi o quanto ele gostava, e ele já tinha me contado isso no exercício de espelho. – E assistência social. 

Eu achava tão estranho e acho que foi notório já que ele continuou a falar.

- Quero ajudar pessoas... Não, não pessoas, jovens como minha irmã que precisam entender que a vida é muito mais do que as pessoas que nos odeiam – Finn falou – Ela pode ser maravilhosa, eu sei. Mas ela tem os seus problemas, como drogas, depressão e todas essas merdas. Tem irmãos por aí que precisam ver suas irmãs bem.

Meu Deus, eu tinha me emocionada com tudo que ele falou e nem foi tanto. Isso era lindo demais, era a coisa mais pura sobre Finn Wolfhard que eu podia conhecer e que um dia eu iria saber e olha para mim aqui. Babando pelas palavras que saíram de sua boca que para mim eram muito verdadeiras.

- É lindo – Falei.

Finn sorriu e eu de volta.

- Então você quer ajudar pessoas da nossa idade? - Ele assentiu, até porque foi o que ele acabou de falar – Isso é muito bom, mas e a música?

- Acho que posso trabalhar com os dois – Ele me respondeu e eu assenti porque era verdade. Será que eu concordo demais com as pessoas? - E você?

- Acho que eu quero ser atriz desde que eu nasci – Falei.

- Eu sempre soube que queria fazer música desde que eu comecei a minha primeira aula de instrumento, você não vai querer saber - Então eu o interrompi.

- Quero sim.

Eu e Finn nos divertimos muito. Ele me contou que a primeira vez que ele fez uma aula foi porque Hannah fazia na igreja dela e começou a tocar no piano da casa dele e ele gostou tanto que pediu para sua mãe o colocar. Foi só ele aprender a teoria que conseguiu aprender o resto sozinho com uma ajudinha do google. Ele me contou que sempre gostou de escrever, que ele vivia escrevendo histórias que fosse mais a cara da Hannah quando ela estivesse triste. E me contou que seu pai era o seu maior ídolo por mais que ele nunca tivesse contado. Ele contou que a relação dos dois era quase que inexistente. Já que ele sempre tinha que está ou concentrado em Nick ou em Hannah ou na empresa dele e como ele era o que tinha menos problemas não gostava de atrapalhar o seu trabalho. Fomos para fora da festa com outro copo em nossas mãos, nos sentamos no capô do carro dele. Sabia nem que esses carros de gente rica tinham capô, mas aí descobri que todo carro tem e fiquei morrendo de vergonha.

- Pais são uma droga – Falei – Desde o dia que me pai saiu por aquela porta eu nunca mais o vi.

- Você não acha que ele sente sua falta? - Finn me perguntou.

- Não é que eu não ache, é só que eu não... - Eu tentei achar uma palavra para o que exatamente eu pensava sobre isso e a resposta me surpreendeu mais ainda quando saiu da boca de Finn e eu percebi que era verdade.

- Você só não liga – Finn me perguntou e eu assenti.

- Eu sou um monstro – Falei bebendo mais um pouco do meu copo.

- Não é mesmo – Finn disse – Ele magoou você, fez algo que você não esperava, a vida, não é assim?

Bebi mais um pouco do conteúdo do meu copo.

- As pessoas nos decepcionam e a gente começa a pensar que as odiamos, mas só não estamos preparados para perdoar – Finn me disse - Você não é uma pessoa ruim porque acha que não pode amar as pessoas.

Então eu olhei para ele, bem no fundo dos seus olhos. E então foi aí que meu mundo parou. Eu não sabia se tinha invertido ou parado. Porque eu vi naqueles olhos castanhos escuros a salvação, isso é perigoso demais. Eu não sabia mais o que falar, acho que eu tinha esquecido como se fala. E acho que ele também porque eu via nos olhos dele. Ele não ia me machucar e eu via isso muito bem.

Eu cheguei um pouquinho mais para frente e ele também, a gente se olhou bastante. A gente se olhou por uns 6 segundos antes chegarmos mais perto. Os olhos dele imploravam e a minha boca implorava a dele. Então nos beijamos, para que esperar mais? O que nós estávamos esperando?

Foi tão bom e calmo, parecia que precisávamos um do outro para sobreviver. Eu nem queria parar para respirar, eu queria continuar.

Eu tinha amado o beijo e eu queria mais.

Droga, eu queria muito mais.

Se você me prometer de dedinho que vai ficar eu deixou você entrar, só me prometa que não vai me magoar porque isso vai doer demais.

Quando nos separamos eu pude ver a imensidão que eu queria conhecer nos seus olhos, e tudo que ele fez foi colocar meu cabelo para trás da minha orelha e eu apenas reparava em seu olhar.

Para com isso menino, tá ficando estranho.

- Eu... Eu tenho que ir – Falei e desci do carro, joguei meu copo na primeira lixeira que eu vi e fui atrás de Hannah que estava sentada rindo com Noah, e eu a ia deixar em paz, mas ela me viu e notou minha cara estranha. Deixou Noah sentado e veio até mim.

- Você está bem? - Hannah perguntou e eu não sei por qual razão motivo ou circunstância eu comecei a chorar – Jesus, Mills. O que aconteceu?

Eu não conseguia falar e eu não sabia porque, eu me sentia triste demais e eu ainda não tinha descoberto o motivo. Mas eu chorei e Noah se juntou também. Onde é que está Sadie? Eles não me entendiam e eu também não me entendia. Hannah apenas me abraçou no meio daquele bando de gente bêbada e festejando e eu a agradeci.

- Por Deus, Millie. O que aconteceu? - Hannah perguntou de novo e me afastei dela, ela estava preocupada demais. Mas quem não estava? Até eu estava.

- Eu não sei – Falei.

- Credo Mills, pelo amor de Deus, para de chorar – Hannah me implorava, e eu tentei. Parei de chorar engolido total e limpei meu rosto. Mas não porque ela me implorou.

- Por que você me chamou assim? - Perguntei.

- Você não gosta? - Hannah perguntou.

- Dói demais – Falei e Hannah entrou em dúvida junto com Noah, eles trocaram olhares - dói ver que meu pai não me chama mais de Mi, que meu apelido foi trocado.

Essa era uma das coisas mais sinceras que eu desabafei em toda a minha vida, Hannah e Noah me puxaram para um abraço e me deixaram chorar em seus braços. Quando me soltaram, Hannah limpou todas as minhas lágrimas e ajeitou meu cabelo.

- Você quer ir para minha casa? - Hannah perguntou.

Eu assenti com a cabeça. Noah me emprestou seu casaco e ficou sentado comigo. Eu fiquei encostada no seu peito e ele ficou mexendo seus dedos no meu braço enquanto nós víamos Hannah indo explicar para Sadie que me olhou muito mais preocupada.

Nós fomos no carro e Hannah ia dirigir o que me preocupou já que pela lei ela só podia dirigir com um adulto de mais de 21 anos e se alguém pegasse a gente estaríamos ferradas. Mas graças ao bom pai, nada aconteceu. Apenas no começo que Hannah ficou um pouco confusa, mas chegamos salvas. Entramos em casa e eu ainda estava com casaco de Noah. Seus pais estavam sorrindo todos apaixonados, mas aí quando sua mãe bateu o olho em mim, ela se levantou rapidamente.

- Millie? - Foi o que ela perguntou.

- Mãe, Millie não está bem. Ela vai dormir lá no meu quarto – Hannah disse e Sadie segurou na minha mão.

- Está tudo bem? - Eric me perguntou e eu assenti - Não está não.

- Você quer conversar querida? - Jane perguntou e eu nem sabia o que responder. Eu não consigo nem ser sincera com a minha mãe em questão de como eu sou fora de casa, imagina para os pais da minha melhor amiga.

- Pode ajudar você - Sadie falou.

- Eu... Eu estou bem – Falei, nenhum dos dois acreditaram muito. Claro, eles tinham a Hannah como filha, eles não iam acreditar em mim.

- Hannah e Sadie podem subir, a gente vai conversar com Millie – Eric disse e se aproximou ficando do lado de sua esposa.

- Mas... - Hannah tentou, só que não deu em nada. As duas subiram, mas antes Hannah deu um beijo na sua mãe e pai e Sadie fez o mesmo. Quando as meninas subiram, Jane me puxou pelo braço e me sentou no sofá. Os dois estavam de frente a mim.

- O que está acontecendo?

Não, chora. Não chora. Não chora. Ai, droga.

Eu comecei a chorar e os dois se olharam e sentaram do meu lado. Jane me puxou para um abraço, Eric se ajoelhou na minha frente e ficou fazendo a mesma coisa que Noah, carinho no meu braço.

- Tá tudo bem, vai ficar tudo bem – Jane falou.

Eu fiquei assim por muito tempo mesmo, eu nem sei quanto tempo foi que se passou. Mas para mim parecia horas se passando. Me recompus e olhei para os dois.

- O que aconteceu?

- Meu pai – Eu disse – Eu não consigo mais nem o ver, eu me sinto péssima por odiá-lo. Ele diz que me ama, mas não parece verdade. Eu ainda escuto minha mãe chorando dentro de casa e isso me mata porque eu o mandei contar, e eu tinha um apelido tão carinhoso que toda vez que alguém chamava por ele eu sabia quem eu era, mas hoje? Eu tenho horror nesse apelido, e quando me chamam de Mills é alguém que eu não sei quem é, ou quem eu quero ser...

Eu coloquei tudo para fora. Tudo que tinha dentro de mim. Eu contei do começo até o final. Contei de Finn, do que tinha sentido por ele desde que eu o beijei. E não só isso, como desde o começo do ano ele ficou a dar em cima de mim e quando ele disse aquelas coisas sobre mim que são totalmente verdade. O que é que eu tenho de errado? Eles pediram para Glaucia me trazer uma água e ela trouxe, eu bebi tudo. Eu contei tudo que eu sentia sobre meu pai e que eu nem conseguia mais pensar nele porque era horrível e Eric?

- Pais não são perfeitos, eles fazem besteiras de vez em quando. E se você não estiver pronta para perdoar? Tudo bem. Você pelo menos tem essa oportunidade, tem gente que não tem. Pais nem sempre vão fazer o que é bom porque são humanos. Dê um tempo a si mesma, para perdoar primeiro você e depois as outras pessoas. Se você não se respeita e não se perdoa, como é que vai fazer isso com as outras pessoas? Seu pai errou, e feio. Mas quem nunca errou? Se dê a liberdade de escolha – Eric me disse e ele parecia tão sincero quanto a isso que eu o abracei e ele devolveu profundamente. Eu não era a favor as coisas que ele fazia com Hannah, mas se tem uma coisa que ela me convenceu era que ele fazia isso para o bem dela. Ela disse que ele errou e que ela o perdoou porque ela estava pronta para isso.

Eu não estou e está tudo bem, é o meu direito de não. É o meu direito de estar com raiva, triste e amargurada. Porque eu fui machucada pelo meu próprio pai então não tem problema nisso. Muito pelo contrário, antes dele ser meu pai ele é uma pessoa.

Eu não sei quanto tempo isso vai levar, só sei que não vai ser muito rápido.

- Enquanto isso, eu não me importo de ser o seu pai – Eric me disse.

- E eu a sua mãe - Jane me disse.

Isso me reconfortava demais, saber que eu tinha mais duas pessoas para cuidar de mim. Eu deveria confiar mais nas pessoas que eu amo. 

 



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