História Our Time - Capítulo 23


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Got7
Personagens JB, Jeon Jungkook (Jungkook), Jinyoung, Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Youngjae, Yugyeom
Tags 2jae, Bangtan Boys (BTS), Got7, Namjin, Taegi
Visualizações 399
Palavras 4.914
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Famí­lia, LGBT, Romance e Novela, Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


CHEGUEI, ufa. Corri pra atrasar o mínimo possível, cá estou. Como vocês estão? Como foi o fim de semana? Tudo belezinha? Senti falta de vocês esses dias, cadê meus filhos nos comentários? Where?

Hoje é aniversário do patriarca dos Kim, o presidento da Ourlândia: nosso Jinzão, o chef renomado de todo o mundo mundão. Por isso, esse capítulo é todinho pra ele.♥

Capítulo 23 - Egoism


 Sabe quando você está dormindo... dormindo tão profundamente que, todas as ilusões parecem reais? E o mais agravante, é a sensação de cair. Cair muito rápido.

 E é quando você acorda.

 Taehyung acordou.

 Não esteve sonhando, claro que não, sabia que aquilo era real. Aliás, Yoongi era real, mas aqueles gestos estavam um pouco estranhos; ele estava estranho. O menor diria facilmente aquelas coisas? O pegaria daquele jeito, pela nuca, colando os lábios com tanta força...? Ele mesmo se jogaria em seu colo? Ele, por vontade própria, faria tudo aquilo? Do nada?

 Não. Isso era suspeito. Conhecia seu namorado por toda a vida e, mesmo que não tivessem convivido direito grande parte da vida, ainda sabia bem ler todos os trejeitos do rapper. Ele era discreto, suave; muito suave. Jamais o agarraria pelo cabelo daquela maneira e invadiria sua boca com tanta agressividade. O segurou pelos ombros e abriu guarda para as mãos dele descerem até a barra da camisa branca, a puxando para cima.

Seu Yoongi não faria aquilo.

— Está suja. — Murmurou entre o beijo e só então se tocou que recebeu visitas com a camisa respingada de esperma. Mas onde estava sua cabeça mesmo? O moreno riu e o mordeu. Doeu. — Tira isso. — O tom grosso estava um tanto falhado e mesmo sem querer muito, precisou levantar os braços para a roupa sair.

Estava com frio e não estava à vontade. Muito menos com vontade. Não era seu amor ali e, sinceramente? Não fazia ideia de quem era, mas não podia deixar aquilo dominar. O segurou pelo quadril e tentou tirá-lo de si, mas foi mordido novamente e sentiu o peso dele sendo forçado contra si, mantendo-o ali. Com ele.

Yoongi queria Taehyung com ele. Não ia deixá-lo fugir.

— Yoongi-... — Tentou chamar, mas foi calado com um beijo forte, grunhiu em negação. — Yoongi-ah, pare. — Pediu baixinho, virando o rosto para o lado contrário, escapando.

No entanto, a boca afoita desceu para seu pescoço, mordendo, beijando, chupando. Apertou os dentes fechados e tentou segurá-lo de novo, mas não conseguiu. Aparentemente, aquele baixinho era mais forte ou não queria machucá-lo. O chamou novamente, mas ele não ouviu. Não ouviu mesmo.

Não ouviu porque sua mente estava em um looping esquisito, haviam vozes, barulho de chuva e aquele calor... o calor do fogo. Sentiu a pele macia das costas do azulado e apertou os dedos ali. Ofegou. O ar estava pesado, seu peito estava queimando. Segurou no mais novo e sentiu seu corpo ser empurrado. Por quê...? Por que ele estava querendo o empurrar?

Negou e ouviu a voz rouca um tanto longe, o chamando.

— Assim não, Yoongi hyung. — Ele pediu. Assim como? Ele não o queria, é isso? Foi segurado com força pela lateral do pescoço e puxado para trás. — Olha pra mim. — Se debateu. Então ele não o queria? Entendeu. Foi segurado com mais força. — Para com isso e olha pra mim. — Exigiu o de voz grave, tentando achar os olhos pequenos do músico que tentou se jogar para trás. — Merda, hyung. — O encarou de repente por aquele grito mais alto. — O que você tem, hyung?

— Você não me quer. — Disse entredentes, engolindo em seco, as bochechas queimando com a raiva que o consumia. — Por que você não me quer? — O esmurrou pelos ombros e viu o namorado negar, parecendo assustado. — Por quê?

— Eu quero você mais do que tudo. — Respondeu de imediato, o soltando pelo pescoço para segurá-lo pelos punhos. — Olha pra mim!

— Vai tomar no cu, Kim Taehyung.

Respirou fundo e o segurou com mais força, naquela luta de quem ia se soltar e se afastar primeiro. Via o rosto do menor com aquela coloração avermelhada, as veias saltadas... ele não estava normal. Merda, ele não estava. Yoongi jamais o trataria daquela maneira, nem tampouco se comportaria daquele jeito.

Sabia que tudo aquilo havia afetado o mais velho de uma maneira imensurável. Não sabia o quanto ele havia sofrido antes de parar com Namjoon, não sabia o que ele teve que aguentar, ouvir, ver... não sabia. Mas tinha uma ideia do quanto aquilo moldou o comportamento e a mente daquele homem. Sempre se questionou do porquê o primogênito ser tão... distante...

Todos sempre foram muito espontâneos e barulhentos, agarrados. Mostravam sentimento demais, mas ele não. O moreno era sempre na reserva, primeiro via tudo de longe e, se não requisitado, não se aproximava. Ele era assim. Desde que se conhecia por gente, via o baixinho daquela maneira mais reclusa. Tinha seu próprio jeito de demonstrar sentimentos e reações, embora fossem confusas.

Quero dizer, agora que convivia todos os dias com ele e namoravam, aprimorou ainda mais seus conhecimentos e o que parecia difícil de se entender antes, agora era tão óbvio.

mais uma vez seu coração partiu por vê-lo fora de si daquela maneira. Seu lábio cortado não doía, seus ombros não doíam, mas seu coração sim. Com certa rapidez, o segurou pelos ombros estreitos e o jogou para o lado, com cuidado, o prendendo ali no chão frio, de madeira. Sobrepôs o corpo pequeno com o seu e ficou ali, impedindo que ele saísse.

Não iria sair. Não iria!

— Me solta. — Exigiu a voz raivosa soando junto de alguns empurrões que recebia, mas forçou o corpo no chão. — Taehyung, eu não tô brincando.

— Eu não vou soltar.

— Vou te machucar... — Avisou, como se aquilo fosse realmente assustar o garoto de cabelo azul.  

Ele sabia que isso não era verdade. Seu namorado seria incapaz de machucá-lo. Fechou os olhos e o prendeu melhor, usando o próprio peso para impedir que Yoongi achasse uma abertura para levantar. Sentiu os dedos pálidos agarrando suas costas, apertando a pele morena com certa força. Não ligou.

Aos poucos foi a única coisa que o rapper fez. O apertou, como se agarrasse nele para permanecer na realidade. Respirou aliviado. Apoiou os antebraços no chão e escondeu o rosto no pescoço branquinho, inalando o cheiro que tanto amava.

— Por que ela não me quis? — Perguntou isso baixinho antes de começar a soluçar de maneira quase engasgada.

Encostou a testa suada no ombro do mais novo e deixou aquele choro de agonia sair, mas sem parar de apertar as costas nuas do outro. Por que foi procurado se eles não o quiseram? Yoonjin... por que Yoonjin tinha que fazê-lo lembrar daquilo tudo?

Logo ela?

Ganhou um beijo na têmpora. Não estava sozinho, afinal. Parou de apertar o corpo grande do namorado e apenas o abraçou agora. Bem apertado, como se fosse uma pelúcia. Como se aquela raposa de focinho empinado, fosse o defender.

Quando ninguém podia o defender de sua própria memória.

— Me perdoa. — Pediu entre o choro quase sem som. — Me perdoa, Foxy, me perdoa... — Repetiu de maneira quase ansiosa, porque sabia que tinha machucado ele.

Ganhou outro beijo na têmpora e um sussurro calmo e rouco: "eu te quero". Foi a única coisa que ele disse. Sereno e devagar. Era querido, era desejado e aguardado. Taehyung o queria, Namjoon o quis, Seokjin jamais abriu mão da chance de conseguir sua amizade, Jinyoung sempre foi seu único amigo. Jennie o quis, Hoseok e Jungkook sempre, sempre mesmo insistiram em si.

Aquela dupla... quando pensou que estaria sozinho, que Namjoon se cansaria de sua presença, então veio aqueles dois. Pela primeira vez se tornou responsável por duas vidas e, uma delas, o admirava como se fosse uma divindade.

Jungkook era seu primeiro fã oficial.

Largou o próprio corpo no chão do estúdio e deixou ser amparado pelo maior. Conseguiu sentir o ar entrando novamente em seus pulmões, as vozes sendo caladas com o som rouco de uma melodia. Aquele moleque estava cantarolando algo...

Seesaw. Era seesaw.

Por causa dele, conseguiu respirar novamente. Mais uma vez.

Ficaram daquele jeito, abraçados naquele chão frio. Taehyung não disse nada, Yoongi também não. Apenas ficaram ali. Pelo menos até o choro do rapper se tornar mais brando e ele conseguir ficar mais leve. Estava realmente respirando. Seus pulmões não ardiam mais.

— Eu quero ver o meu pai. — Sussurrou assim que se acalmou, sem nem perceber o que tinha falado.

Não ligava muito, na verdade. Pouco se fodia se pareceu uma criança ou qualquer merda. Queria ver Namjoon. Nada mais importava no momento, não queria pensar nas consequências ou em qualquer outro contra, só queria vê-lo e constatar que sua realidade ainda era... sua. Que aquilo em sua mente, não passava de memórias inúteis. Elas deveriam estar na lixeira de seu cérebro. Só isso.

Talvez... se olhasse nos olhos castanhos do pai, aquilo tudo melhorasse. Ele foi capaz de melhorar uma vez. Poderia fazer novamente. Ele poderia.

O azulado se afastou um pouco e pensou rapidamente. Não tinha comentado com o músico sobre o que aconteceu no hospital, sobre Namjoon não querer vê-lo. Mas, com ele podia ser diferente, não é? Poderia tentar. Por Yoongi, tentaria. Não ia negar aquilo, até porque também queria ver o pai. Os dois. Precisava constatar que ainda pertencia à algum lugar.

Queria preservar seu lar, embora ainda não soubesse direito como.

Assentiu e saiu de cima do corpo pequeno, vendo o modo quase derrotado que ele estava. Imediatamente, o Kim mais velho usou ambos os braços para esconder o rosto, fungando. Não queria ser visto daquela maneira. Odiava que vissem aquele seu lado, por isso o escondia e sempre deu certo. Até aquele dia.

Amaldiçoou aquele domingo com todas as suas forças!

O caçula sentou no chão e tirou o celular do bolso, abrindo a discagem rápida.

"Super Appa"...

Com a mão direita segurava o celular no ouvido e com a esquerda, fazia um carinho leve na coxa do menor. Queria que ele respirasse e mantivesse a mente sã. O resto resolveriam. Sempre resolveriam.

Ele atendeu. Seu coração parou, a voz embargou e seu estômago esfriou. Ele... a voz dele... até fechou os olhos para apreciar a maneira que ele havia dito seu nome. Ele estava preocupado?

Merda, você também não, Kim Taehyung. Não ouse chorar. Pare com isso!

— O Yoongi precisa de você. — Disse direto, o tom baixo, grave. — Tem como vir aqui no loft? — Desviou o olhar para os próprios dedos que deslizavam pelo pano da calça do outro. — Eu saio e deixo vocês sozinhos, se assim for melhor-... — Foi cortado.

Óbvio que foi. Ainda bem que foi, ou então seu coração pularia para fora!

— Eu quero os dois me esperando. — Disse seriamente e o garoto até riu fraquinho, aliviado. — Eu tô indo, aconteceu algo? — Ouviu uma movimentação do outro lado e algumas vozes... uma delas reconheceu claramente.

Jimin. Era de Jimin. Não chora, Taehyung... não chora!

Não!

Engoliu em seco e assentiu, mesmo que o policial não pudesse ver.

— Aconteceu. — Sussurrou mais para si do que para o telefone. — Ele precisa de você.

— E você?

Ficou em silêncio com aquela pergunta. Por que tão de repente? Ainda na sexta-feira, ele nem queria vê-lo no hospital. Por quê...?

— Eu... — Respirou fundo, a cabeça baixa. Não conseguia ver os olhos inchados e avermelhados do mais velho, o medindo com atenção. — não importa. — Murmurou.

Ouviu Namjoon respirar fundo do outro lado. Quase podia visualizar o maxilar travado, a expressão firme que ele usava sempre para repreendê-los... era tão claro... por alguns segundos ele não disse nada.

E era dolorido. Muito. O silêncio doía.

— Importa pra mim. — Respondeu com certa firmeza. Porque era verdade. Aquele garoto era seu filho, seu eterno bebê, como poderia não importar? — O que preciso fazer para vocês entenderem que minha vida depende da de vocês?

— Você não quis me ver. — Cuspiu aquilo que estava entalado em sua garganta, fungando rapidamente, limpando com certa rudez, a lágrima que rolou por sua bochecha esquerda.

O policial suspirou. Não esperava que ele entendesse, na verdade, já esperava que não. Era uma situação complexa para todos, em todos os lados. Mas, repararia aquilo.

— Estou indo te ver agora! — Disse mais suave, mais leve. Taehyung assentiu, usando a mão que antes acariciava o mais velho, para esconder os olhos. — Você pode, por favor, me receber? — Perguntou solicito, porque sabia que agora dependia do querer dele também.

Entendia que sua atitude poderia ter machucado seu filho e por isso respeitaria se ele não quisesse vê-lo. Cada um tinha um limite, certo? Estavam aprendendo os limites de cada um, a respeitar o espaço pessoal. Talvez estivessem errando com Taehyung desde o início, não? Tratando-o como criança, quando ele já era um adulto.

Não pensou nele como um homem crescido, não prestou atenção em certas coisas... talvez...

— Sim.

Aquela voz rouca soou tão devagar e suave que acabou sorrindo, apesar de estar preocupado com seu filho mais velho. Eles queriam vê-lo. Por isso iria.

Iria em qualquer lugar por causa de sua família.

Ao desligar o celular, parou um tempo para pensar. Precisava ir, sim, mas antes precisava fazer algo. Entrou na cozinha de uma vez e viu que estavam todos ali. Como presumiu ao ouvir o grito de Jimin. Jungkook estava roubando a comida. Seokjin e Youngjae estavam tentando dar um jeito naquilo, mas Yugyeom estava mais afim de incitar a confusão e ajudar a atrapalhar.

Aquilo estava um caos.

— Amor. — Chamou um pouco mais alto, apartando toda aquela bagunça. O mais velho virou, rindo, mas acabou perdendo um pouco o humor quando viu o rosto do marido sem muita expressão. — Preciso sair, não me esperem para comer. — Curvou levemente a cabeça, cumprimentando educadamente a família.

— Como assim, pai? — Jungkook, de boca suja de kimchi, perguntou risonho. — Você acabou de chegar.

— Não volto muito tarde. — Sorriu um tanto forçado para o lutador que pareceu o analisar por um momento. Havia algo de errado...

O policial foi saindo sob os olhares confusos da família, mas não deu muita margem, sua mente estava cheia. Sabia que não era uma ideia boa deixar Yoongi tão longe assim. Precisava dele perto, porque só assim teria certeza que ele estaria seguro. Moon estava na sala, brincando sozinha no tapete, cheia de brinquedo espalhado.

Se despediu dela com um beijo na testa e já ia saindo quando teve o braço segurado e puxado com certa delicadeza.

— Não é pra delegacia que você vai, não é? — A voz doce do cozinheiro soou baixa. Namjoon virou e encarou os olhos grandes, a preocupação neles... negou, mesmo sabendo que ele já sabia. — É domingo, amor. — Aproximou-se um pouco mais, tocando o rosto perfeito do marido, acariciando brevemente. — Fica...

— Eu não vou demorar. — Prometeu, dando um selar no menor que expirou devagarzinho, contrariado, mas retribuiu.

— O que está acontecendo? — Questionou baixo, segurando o ombro do esposo com a mão livre, o impedindo de se afastar.

Namjoon suspirou. Beijou a testa escondida pela franja negra antes de resolver contar.

— Taehyung me ligou. — Viu o rosto confuso do marido, a preocupação enchendo sua expressão. Negou rapidamente. — Está tudo bem, não se preocupe. — Pediu carinhoso, deixando outro beijo nos lábios desenhados do cozinheiro. — É só... — Suspirou preocupado, vendo que aquilo não havia convencido Seokjin. — é só Yoongi. — Se afastou um pouco e coçou a nuca. — Ele quer me ver.

— O que ele tem?

— Não sei. — Cansou de fingir que estava tudo bem, então deixou o semblante abatido aparecer. — Mas te dou notícias, okay? — O moreno assentiu, mesmo que contragosto. Queria ir junto... — Fica aqui e não mexe esse braço. — Ralhou severo e o mais velho riu fraco.

Estava um pouco incomodado com o fato de não poder mexer o braço, principalmente para cozinhar. Era uma merda não poder usar as duas mãos, sentir dor na hora do banho... e toda vez que doía, lembrava do porquê estar com o cotovelo ruim.

Então a dor se tornava nada. Absolutamente nada.

— Você pode tentar conversar com o Tae? — Quase implorou. Namjoon sempre teve muito mais jeito do que si, para conversas. Dependia dele sempre que queria arrancar algo das crianças! Ele assentiu. — Por favor. — Implorou triste e o policial assentiu, dando um abraço cuidadoso no esposo. Fechou os olhos e relaxou nos braços da pessoa que o fazia sentir vivo. — Eu não aguento mais isso, Namjoonie. — Sussurrou dolorido. Não aguentava mais aquela realidade, onde não tinha todos seus filhos perto.

O mais novo assentiu, porque sentia o mesmo. Literalmente o mesmo. Não queria mais aquilo, precisavam resolver os problemas como uma verdadeira família. Precisavam conversar: falar ouvir, entender ou procurar compreender o máximo possível do lado do outro. Não sabiam lidar muito bem com aquela situação onde um não olhava para o outro.

Nunca foram assim, não seria agora que acabariam naquele limbo.

— Então é por isso que você vai deixar de almoçar com a gente? — A voz confusa do atleta soou e rapidamente o casal olhou para trás. Jungkook estava ali. — É só ligar que você vai?

— Eu faria o mesmo por você! — Respondeu sério, encarando os olhos redondos do rapaz de cabelo longo. — Eles são seus irmãos.

— Eles estão errados!

— Você quer falar de erros, Jungkook? — Disse mais alto, irritado com o comportamento mimado do menor. — Se você quiser falar de erros, então acho melhor rever seu péssimo comportamento. — Sentiu a mão do marido lhe tocando o ombro como um pedido de calma, mas negou. O filho não disse nada. — Isso não é sobre o que você acha ou deixa de achar, não é sobre você! — Se colocou na frente do esposo, encarando o filho sem nem perceber que o restante da família tinha vindo para a sala, assustados com a discussão. Até Moon havia parado de brincar. — Eu vou ver seus irmãos, eles precisam de mim e eu faria o mesmo por você.

O menino negou sem saber o que falar, um tanto ressentido pelo modo grosseiro que foi tratado. Então ia ser assim? Certo. Coçou o nariz e olhou ao redor, vendo que todo mundo esperava uma resposta sua. Essa que não veio. Não sabia o que falar, na verdade.

— Entendi. — Apenas disse isso, baixo, encarando os olhos do mais alto antes de sair.

Vestiu rapidamente os tênis e Seokjin o gritou, tentou segurá-lo, mas foi puxado pelo marido. Não, não queria que ele interrompesse aquilo. Jungkook estava errado e de nada adiantaria se o cozinheiro fosse atrás e fizesse o que sempre fazia, o acobertando. Isso não ajudava, não resolvia. Conhecia seus filhos, sobretudo aquele maluco que se achava o centro do universo.

Ele precisava entender que não era como ele queria. Nada era.

Jimin até se moveu para ir atrás do melhor amigo, mas foi impedido por Yugyeom. O garoto alto demais e com jeitão de badboy, saiu à passos duros atrás do mais velho. Quem ele pensava que era para julgar Taehyung? Para falar daquele jeito com seus padrinhos?

Nem ao menos colocou os sapatos, apenas foi.

O baixinho de cabelo preto não entendeu aquilo, mas se sentiu um tanto incomodado. O que o Choi faria para ajudar Jungkook? Ele era cabeça dura. Não o ouviria.

Youngjae, um tanto deslocado naquela situação, andou alguns passos até o casal de amigos e tocou o ombro do amigo mais velho. Ele não parecia tão bem.

— Jae, cuide dele, sim? — O delegado olhou para o baixinho de olhos pequenos que assentiu. — Jiminie. — Virou o olhar para o personal trainer que ainda encarava a porta. — Não se ligue nisso, por favor. — Pediu mais baixo e o baixinho o encarou por alguns segundos, parecendo confuso. — Preciso de você e da sua ajuda. — O homem assentiu e piscou os olhos rapidamente, entendendo o recado.

Realmente haviam coisas a se fazer ali. Olhou para o lado e viu Moon observando tudo aquilo, o rostinho delicado estava carregado. Ela parecia assustada. Abriu um sorriso, seus olhos se tornaram simples risquinhos; essa era sua arma e todo mundo caía. A garotinha não foi diferente.

Ela sorriu junto, mesmo que ainda um tanto insegura.

Namjoon deu um beijo no cabelo cheiroso do menor antes de deixá-lo com Youngjae.

— Já está acabando, meu amor. — Garantiu olhando para o homem de olhos lindos e uma expressão desolada. Sorriu confiante. — Confie em mim, vai ficar tudo bem.

Assentiu devagar, mesmo que não acreditasse muito naquilo. Parecia uma realidade muito fora de cogitação estar tudo bem, algum dia. Parecia que estavam vivendo em uma tempestade constante, onde nada, nada mesmo melhorava. Nunca.

Mas então vinha aquele altão com covinhas e um lindo sorriso, dizendo que tudo ficaria bem.

Não conseguia acreditar, mas confiava em Namjoon. Confiava nele de olhos fechados.

Ele era seu guia, afinal. Seu norte.

...

Andou em passos largos até conseguir alcançar o primo que já estava próximo do carro preto. Fechou a porta assim que ele abriu e teve os olhos furiosos direcionados a si. Não hesitou. Devolveu aquilo, porque se Jungkook se achava o foda por intimidar as pessoas... bem, consigo isso não ia funcionar.

Também era teimoso e não tinha medo algum daquele cara.

A franja grande estava bagunçada sobre os olhos redondos e ele respirava forte, os lábios fechados com força.

— O que você quer? — Perguntou para o mais novo, se soltando das mãos dele.

— Por que está sendo tão intolerante e desrespeitoso com seus pais? — Questionou baixo, vendo o mais velho rindo irônico. Aquele jeito dele... — Eu não vou ser vencido por seus malditos sorrisinhos irônicos, hyung, você não sabe com quem está lidando! — Apertou mais o tom de voz, encarando sério o mais alto que virou o rosto e o encarou de volta, dando início àquela guerra fria. — Você não me conhece.

— E você? — Se aproximou do primo, ficando com os rostos próximos o suficiente. — Me conhece, Choi Yugyeom? — Disse o nome do garoto de maneira arrastada, sorrindo fraco ao vê-lo enfraquecer um pouco.

Sabia que era apreciado por aquele Choi, sabia do interesse. Se ele queria jogar, então ótimo, vamos ver quem vai aguentar até o fim.

Nunca perdia uma brincadeira.

No entanto, o rapaz de pintinha próxima do olho, negou fraco. Talvez não o conhecesse, ele tinha razão. A visão de Jungkook estava sendo fragmentada em sua mente e aquilo era um tanto triste. Desde que era um pré adolescente ainda se descobrindo, achou naquele homem algo a admirar. Viu nele alguém que gostaria de passar um tempo.

Mas ali, na altura do campeonato, reconhecia que talvez estivesse errado. Completamente.

Jungkook mesmo estava fragmentando a própria imagem.

— Tô vendo que não. — Respondeu baixo e ia continuar, mas parou assim que ouviu o som de carro arrancando com pressa. Olhou para o lado e viu Namjoon saindo feito bala. Voltou a encarar o lutador que também havia desviado o olhar para aquilo. — E pelo visto, nem sua família.

Levou um empurrão nos ombros, mas pelo fato de serem quase do mesmo tamanho, apenas deu um passo para trás pela força empregada. Viu os olhos redondos tomando uma fúria ao usar a família como forma de atingi-lo. Conseguiu. A respiração se tornou mais ruidosa e, de alguma forma, temeu levar um soco.

Mas permaneceu.

— O que você sabe sobre isso? — Perguntou ríspido. — O que sabe sobre minha família, moleque?

— Eu sei de tudo, porque também é minha família! — Apontou para si mesmo, apertando o polegar no peito vestido com uma camisa preta. — Sei sobre seus irmãos, porque um deles é meu melhor amigo.

— Aquele-...

— Fala, Jungkook. — O enfrentou, ganhando um tom mais furioso. Ele não ia xingar seu amigo, oh não. Não em sua presença. — Fala! — O desafiou, o rosto ficando vermelho. — Fala e eu juro que te faço engolir tudo de volta com um murro.

Se ele se garantia nas lutas, então poderia se garantir em seu pai, certo? Porque Jaebum o ensinou brigar, o ensinou a atirar, o ensinou a estar preparado para qualquer situação. Não tinha medo de ninguém, muito menos daquele homem. Ele até podia ser campeão ou qualquer porra do tipo, mas ainda era um homem.

E todo homem sangrava de forma igual.

O Kim não disse nada, apenas continuou encarando os olhos escuros do mais novo, a maneira que era enfrentado. Yugyeom não tremia e nem tampouco parecia amedrontado. Fechou as mãos em punho, mas não se moveu. Estavam tão perto que podia ver o rubor claro nas bochechas do menino, o modo que as pupilas estavam dilatadas pela emoção do momento...

Conseguia vê-lo.

— Yugyeomie! — Ouviu a voz de seu padrinho e lentamente virou a cabeça para o lado, vendo o homem de cabelo negro correndo na direção deles, parecendo assustado. — Pare-...

— Você acha que você é o certo e sabe de tudo, não é? — Continuou, o Choi mais novo. Engolindo em seco e ganhando a atenção dos olhos do atleta. — Mas agindo como um mimado ridículo só mostra que é apenas uma criança querendo atenção-...

— O que você pode dizer sobre mim, Choi Yugyeom?

— Eu posso dizer do que eu vejo! — Aumentou o tom e foi para cima do primo, mas foi puxado pela cintura, contido pelo pai. — Você sai por aí julgando seus irmãos como os maiores pecadores do mundo, mas não para pra pensar por um segundo em como eles se sentem. — Gritou irritado, fora de si, tentando se soltar. Precisava falar. Hoseok o impediu no outro dia, mas naquele não. Ninguém o impediria. — Você sabe como Taehyung sofreu para chegar até aqui? Sobre como Yoongi hyung enlouqueceu? Sabe? — Tentou avançar de novo no mais velho que estava acuado contra a lataria do carro, o encarando.

Youngjae prendeu os braços no corpo forte do filho e o puxou com mais força. Onde estava Jaebum quando precisava? Inferno.

— Pare, Choi Yugyeom!

— Você parou um segundo se quer para pensar, — Continuou em tom alto, irritado, furioso. O cabelo negro quase escondendo os olhos. — que meu melhor amigo quis morrer por culpa de gente que nem você?

Jungkook ficou estarrecido, seu corpo esfriou. Como assim? Mal piscava enquanto via aquele cara que sempre andava por aí cheio de si, como se todo mundo fosse menos que ele, esbanjando charme e aquele olhar sugestivo; mas que ali estava coberto por fúria. Nem Youngjae estava conseguindo segurá-lo.

sinceramente? Não fugiria e nem revidaria se ganhasse um soco. Estava estarrecido demais com aquilo.

— Yug, pare. — De repente, até Jimin saiu de casa, correndo para ajudar o padrinho a conter o corpo grande do dançarino.

— Sabe o que o egoísmo faz com a gente, Jungkook? Eu vou te dizer. — Abaixou um pouco o tom de voz, mas ainda estava com raiva. Permitiu ser segurado, estava ficando sem fôlego. — Ele mata. — Silabou sorrindo amargo, os olhos cintilando. — Ele mata tudo, Jungkook. — Engoliu em seco, pensando imediatamente no que aconteceu na noite anterior. Nas palavras duras que disse ao pai... — Ontem eu disse para o meu pai que preferia que ele não voltasse pra casa, se ficasse indo e vindo, fazendo o meu pai Youngjae sofrer. — Contou o que estava o destruindo segundo após segundo. O professor encarou o filho, tentando entendê-lo. Lembrava daquilo e, doía. Doía muito. — Eu pensei em mim, eu pensei na raiva que eu sinto por sentir saudades dele todo o tempo que ele vai. — Pouco ligou para a lágrima rolando silenciosa. — Mas eu não pensei em perdê-lo pra sempre. Não pensei em como viver sem ele e nem muito menos, no que ele sentia ao sair de casa.

— Yug... — O Choi mais velho tentou conter o filho, não querendo tocar naquele assunto ali.

Mas não teve jeito.

— Mas agora que ele está lá, longe de mim, eu penso, só que é tarde demais. — Fungou e se soltou dos braços dos outros, estando mais controlado. Jungkook continuou o encarando sem dizer nada. — Porque ele pode não voltar e eu não vou poder dizer que sinto muito, que era tudo sobre a maldita saudade. — Rangeu os dentes, com raiva de si mesmo. Não queria ter dito aquilo, não queria, minha nossa. — Ele pode não voltar, assim como meu egoísmo pediu.

O silêncio desconfortável permeou ali, onde ninguém era capaz de falar nada após aquele discurso. Yugyeom estava remoendo aquilo há tempo demais. Desde que Jaebum havia saído, seu coração pareceu ir junto, porque a todo momento abria a NAVER em busca de alguma informação que pudesse se culpar, que pudesse se odiar um pouco mais por ter dito aquilo.

Não queria perder seus pais, não queria perdê-los de vista. Disse aquilo com raiva, mas não pensou em como afetaria o Im. Agora pensava, só que podia ser tarde demais. E se fosse... a culpa seria sua. Toda sua.

Buda que protegesse seu pai, porque não fazia ideia do que faria se ele não voltasse.

Jungkook abaixou a cabeça, ouvindo aquilo. Não sabia sobre aquele lado dos Choi. Eles sempre eram muito perfeitos, sabe? Eram como a casa perfeita. Pareciam aqueles modelos de revista. Sempre admirou muito aquela família e, ouvir aquilo do primo, o trouxe para uma realidade estranha onde não conseguia imaginar seu padrinho, sempre tão calmo e cheio de proteção e amor com a família, ouvindo aquilo...

Doeu em si. Doeu! Doeu...

Pensou em Yoongi. Em Taehyung. Não estava pronto para não vê-los. Precisava tê-los perto nem que fosse para brigar, para... para qualquer coisa. Qualquer uma. Mas precisava.

Não tinha nem o que falar.

— Não espere quase perder alguém, pra notar seu egoísmo. — Pediu o mais jovem, como se estivesse aconselhando seu próprio "eu". — Espero que nunca sinta essa dor que eu sinto agora.

E com aquilo, um tanto sem forças para continuar ali, desviou do pai e do outro primo, andando em passos largos até a casa. Precisava ver as notícias, precisava rezar e pedir para que seu pai voltasse em segurança.

Se Jungkook fosse inteligente o suficiente, começaria a agradecer por ter os irmãos perto. Ainda. E obviamente não perderia mais tempo.

Tempo era vida. A vida correndo para longe.  


Notas Finais


Quero ver a carinha de vocês nos comentários, ein? Cadê? Não sumam, eu uso vocês pra filtrar o conteúdo da estória.

Enfim, depois desse, fechamos oficialmente o ciclo family fight e entramos no novo, onde algumas coisas vão se encaixar, outras nem tanto, outras muito menos, MAS tudo vai ter um fim bom, eu prometo. O Yoongi está finalmente colocando pra fora toda a bagagem que levou por tanto tempo escondido. O personagem em algum ponto da estória relata já ter feito acompanhamento psicológico (antes da Jennie e durante a crise da Jennie) e eu quero ressaltar o quão bom é procurar ajuda, seja nos familiares, amigos e profissionais da área, quando algo não está dando certo. Aqui temos uma pessoa que passou por consultas, ficou bem, e agora está tendo picos. Isso é normal, se você passa por isso, fique calmo. Vai ficar tudo bem, ok?

Comentem aqui, espero que tenham gostado, a hashtag oficial da estória no twitter é: #wuahtaegi


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