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História Our Time - Capítulo 43


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Notas do Autor


CHEGUEI. Demorei duas semanas, mas cheguei. Sei que nossa ideia é sempre postar nas terças, mas às vezes eu posso falhar com isso, não é por mal.

Tá, voltando. Espero que tenham uma boa leitura, 7k.

Capítulo 43 - Yoongi Debts


— Apenas assuma tudo e peça desculpas. — Continuou olhando para as grandes janelas, os prédios por toda parte. — Seu irmão não pode ter mais notícias ruins na carreira nessa altura do campeonato, ainda mais por causa de você. — Olhou pelo vidro, a figura engravatada atrás de si. Yoongi realmente não merecia se sujar com suas merdas! — Assuma tudo e o isente disso, podemos resolver a parte burocrática depois. Primeiro faça o que eles querem.

Abaixou um pouco o olhar e respirou fundo. Não precisava Max pedir aquilo, já sabia o que devia fazer. Já esteve naquele ponto antes, onde precisou se curvar longamente perante as lentes de câmera, ignorar os flashes e burburinhos, aceitando toda a retaliação das vozes que o julgavam, mas não aceitavam lhe ouvir.

Não seria a primeira vez. A vida era meio engraçada para si.

Assentiu e levou uma mão ao cabelo que caía em seu rosto, o colocando atrás da orelha. No fim, a culpa era sua mesmo, quase cometeu assassinato, Yoongi não tinha nada a ver com seu temperamento e suas atitudes impensadas. Na verdade, ninguém tinha, então ia sozinho, dar a cara. Mais uma vez.

O canadense bateu em seu ombro e o olhou com compreensão, mostrando que estava ali.

— Vamos fazer isso da maneira correta, Kim Jungkook-ssi, seu irmão ficaria feliz com isso. — Aconselhou ao lutador que não havia falado nada.

Foi aconselhado pelo tio advogado a ser honesto, mas não cair nas armadilhas das perguntas de duplo sentido, sempre pensar bem antes de falar qualquer coisa. E, acima de tudo, não confiar em ninguém além de sua própria equipe.

Max não era, mas era da de Yoongi, então podia confiar nele, certo?

Por isso ajeitou as mangas da camisa social, as arregaçando até os cotovelos. Era hora de ir, enfrentar aquele mar de curiosos. Com muita humildade foi para o pequeno palanque erguido para si, cumprimentando todos os repórteres presentes com uma curvatura corporal respeitosa. 

Perdeu patrocínios, perdeu fãs... perderia a carreira... mas, não perdeu seu irmão. Isso já era o suficiente.

— Olá, muitos me conhecem por JK ou Golden Maknae, — Iniciou seu discurso, calmo, ouvindo barulho de fotos sendo tiradas. Certo. Continua... você já fez isso antes. — mas meu nome é Kim Jungkook e eu sou só mais um jovem sul coreano. Hoje estou aqui como Jungkook, não como Golden Maknae, estou aqui como irmão de Kim Yoongi, o rapper que sofreu um atentado na noite de sábado durante um show. — Engoliu em seco, vendo que tinha a atenção de toda a mídia em si, várias pessoas digitando, lhe filmando. — Sei que minhas atitudes e condutas mediante a defesa da vida do meu irmão foram precipitadas e muito perigosas, sei que dei mal exemplo e quebrei vários códigos da sociedade e da minha própria profissão, — Lambeu os lábios, nervoso. Seu peito estava queimando um pouco, suas mãos trêmulas. Queria se mexer, andar, não aguentava ter que ficar parado. — deixei pessoas preocupadas, assustadas e muito decepcionadas e por isso, eu peço humildemente e com todo o meu coração, perdão. — Saiu de perto do microfone e curvou longamente o corpo, deixando as mãos coladas na lateral do corpo.

Muitas fotos. Estavam tirando tantas fotos daquele momento. Fechou os olhos e respirou fundo. Não, não sentia muito por ter batido naquele infeliz, queria muito ter acabado com ele, o feito de seu saco de pancadas, mas sentia muito por ter passado uma imagem ruim para pessoas que não esperavam isso de si.

Mas, não, ele não estava nem um pouco arrependido. Faria de novo e faria pior!

Levantou-se e voltou ao microfone.

— Aos meus pais, irmãos e família, — Retomou seu discurso. — quero pedir perdão por ter atitudes tão impensadas baseado no gatilho protetivo com meus irmãos. Eu assumo a culpa de ter, em público, usado minha experiência em luta corporal para defender Kim Yoongi, meu irmão. Eu assumo ter engatilhado uma arma no momento de raiva... — E burburinhos pela sala grande, mais gente digitando. Olhou para o lado, onde Max estava escondido na lateral do palanque, assistindo.

"Assuma a culpa, Yoongi não pode ter mais empecilhos na carreira ainda mais por sua causa." Verdade... aquele canadense estava um pouco certo...

Mas ele não conhecia Yoongi o suficiente para falar por ele. Seu irmão mais velho era um destruidor como ele, como seu pai. Eles nunca fugiam de uma briga! Se orgulhavam das cicatrizes e jamais abaixavam a cabeça.

Por isso respirou fundo e ajeitou a postura do corpo, colocando as mãos nos bolsos da calça social.

— Sou campeão do UFC, o atleta mais jovem a vencer o campeonato, o primeiro em solo coreano. — Explicou orgulhosamente seu currículo. Abriu um sorriso pequeno. — Mas antes disso, eu sou irmão, eu sou humano e tenho sangue. — Seu olhar ficou um pouco mais duro. Podiam o enterrar agora. — Sangue quente.

Era um Kim, afinal de contas. Seus pais o ensinaram a nunca deixar alguém o rebaixar. Por nada. Sabiam que na vida sempre arrumariam desculpas para apontar defeitos em seus filhos, fosse por serem adotados de famílias complicadas, por serem filhos de um casal homossexual... sempre teriam uma opinião ruim.

Eles tinham que ser fortes. As costas fortes e o peito mais ainda. O nariz empinado e os olhos focados sempre para frente. Nunca recuar, nunca se esconder.

Lutar.

Era a porra de um campeão!

— Eu defendo meus títulos dentro do octógono. — Disse após algum tempo, ignorando o olhar firme do assessor de seu irmão mais velho e seu treinador negando veemente lá de baixo. — Eu defendo a minha família na vida real. — Agora precisava finalizar aquilo, porque se não ia ouvir mais do que nunca de sua equipe. Não era para ser honesto? Estava sendo! — Sou um lutador. — Curvou o corpo mais uma vez. — Agradeço pela presença de cada um aqui hoje, mais uma vez, peço desculpas mas, espero humildemente pela compreensão. — Levantou o corpo e sorriu, a marca de sua carreira, seu sorriso, seu rosto muito delicado para ser um lutador de um esporte tão agressivo.

Já que seria derrubado, então faria diferente da última vez. Não choraria, não reclamaria, sairia por cima. Sorrindo, deixando sua marca onde passasse, ia ser honesto e muito direto. Mesmo que não o vissem mais na TV, sempre lembrariam do garoto bonito que era brigão demais e sempre arrumava confusão e saía na primeira página do jornal.

Eles iam lembrar de si. Iam sim!

Saiu do palanque pela lateral, ignorando a presença do canadense baixinho que mordeu o interior da bochecha, irado pela atitude petulante daquele fedelho com síndrome de estrelismo. Era realmente irritante cuidar daqueles homens,

Ele era igualzinho Yoongi, se não pior.

O segurou pelo pulso e puxou ou, tentou, porque Jungkook nem se moveu. A força era desproporcional. Parou e olhou por cima do ombro, vendo o rosto vermelho do homem muito bem arrumado.

— Você está maluco? — Disse entredentes. Aquilo... aquilo ia roubar a atenção de Yoongi. As palavras daquele garoto...

Agora não era mais sobre o atentado, era sobre o irmão lutador que quis dar uma de super-herói. Era como se Jungkook estivesse escondendo o irmão mais velho, ganhando toda a retaliação e atenção, enquanto o músico só era a vítima hospitalizada.

— Ninguém te avisou que eu era? — Riu fraquinho, usando a outra mão para soltar os dedos do estrangeiro de seu pulso. — Foi mal aí, Max, — Virou o corpo e deu alguns tapas fortes no ombro do mais velho, vendo-o apertar os dentes pela força. — mas o meu hyung me bateria se eu me fizesse de pobre coitado na frente deles. — Indicou a multidão de repórteres lá no salão. É, aquele ali não conhecia muito seu irmão... enfiou as mãos nos bolsos. — E eu não combino com esse papel. — Franziu o nariz e negou. — Sou meio polêmico mesmo. — Deu uma risadinha e já ia saindo quando lembrou-se de algo. Levantou o dedo indicador e estalou a língua no céu da boca. Deu meia volta e olhou novamente para o menor. — Se o hyung quer mesmo ajudar, pare de fazer postagens comerciais para o meu hyung e suma com aquelas mídias do sangue dele. — Sussurrou para o assessor que não teve resposta, apenas ficou ali olhando para os olhos redondos do lutador. — Faça seu trabalho e eu faço o meu!

Aquela frase... aquela maldita frase... já ouviu antes. Claro que ouviu. Engoliu em seco e apertou as mãos em punho, vendo o mais novo dar as costas e sair, andando daquele jeito imponente. Como eles conseguiam andar daquela maneira arrogante?

Foi Kim Jungkook quem pronunciou aquela frase, mas não foi a voz dele que veio em sua mente!

...

Encheu o copo descartável com água e deu um gole. Barulhos de telefone, gente para lá e para cá. A delegacia de Seocho era uma das mais cheias. Nunca pensou que acabaria ali, na verdade. Seus colegas de academia ficavam lhe dizendo que acabaria como guarda de trânsito.

Era isso que uma mulher podia fazer, eles diziam. Farda? Não! Colete de guardas. Armas? Não! Apitos e sinalizadores. Quase se deixou convencer...

Acabou rindo, bebendo um pouco mais de água. Kim Namjoon foi o único que discordou de todos os outros e viu seu potencial. Como um tesouro, a descobriu, lapidou mais ainda e exibia na sua equipe principal. Por isso o ignorava as fofocas, piadinhas e continuava firme.

Defenderia a cidade, o país e sempre defenderia o certo. Lutaria pela justiça!

Por isso apertou o aparelho entre seus dedos, olhando de longe Mingyu dando ordens, irritado por conta de "algo perdido". Lambeu os lábios e discretamente e deu um passo para trás, jogando o copo vazio no lixo. Por que ele queria tanto o celular de seu delegado? O tenente já havia o afastado, dado ao Kim a investigação... não fazia sentido.

Tinha algo aí.

— Ya, você. — Voltou a si quando ouviu a voz irritada do homem. O encarou. — Se mova, garota, o que tá fazendo aí parada?

— Esperando ordens, senhor. — Respondeu prontamente, porque ele não havia dito seus à fazeres.

Primeiramente, foi tirada do caso de Yoongi, assim como Seonghwa. Aparentemente, não eram "aptos o suficiente" – palavras do próprio policial – para conduzir a investigação. Ele usou, em seu discurso, o fato de Kim Hongjoong ter sido esfaqueado dentro da delegacia, San em coma, Namjoon trabalhando por fora, sem a denúncia de sua própria equipe.

Ele era uma cobra inteligente.

O mais velho colocou as mãos na cintura e encarou a japonesa que tinha os olhos redondos fixos em si. A feição sempre muito dócil e delicada. Era uma exímia agente duplo quando precisavam. A joia de seu delegado.

— Por que não sai em patrulha? — Ofereceu e ela não entendeu. Abriu um sorriso presunçoso. — De tanto ficar lá em cima, — Mencionou o cargo que ela tinha, na equipe principal do delegado. — deve ter sentido saudades de fazer coisas simples, não? — E mesmo com toda sua provocação, a Hirai não expressou nenhuma emoção negativa.

Ao contrário, curvou o corpo educadamente e assim que levantou, assentiu devagar. Mingyu apertou o olhar em direção a garota. É o que mais lhe irritava, a falta de reação. Ela era... sinceramente.

— Mais alguma coisa, senhor? — Perguntou baixo, mantendo as mãos para trás, discretamente colocando o aparelho telefônico dentro do bolso da calça jeans.

O de cabelo preto sorriu novamente. AhSim. Tinha mais uma coisa, sim! Desceu os pequenos degraus da estação, onde estava à todo vapor naquela manhã de segunda-feira. Foi até a menor e curvou um pouco o dorso, a olhando bem de perto.

Ainda assim, ela não teve nenhuma emoção!

— Pergunta ao seu delegado, o que ele é pra mim agora. — Sussurrou risonho. Namjoon não estava tão imponente o colocando medo? Bem, sem o distintivo ele não era ninguém! — Pergunta quem porra ele é. — Queria pessoalmente perguntar, mas infelizmente não deu tempo.

Momo não disse nada, continuou com sua respiração tranquila, sua expressão limpa. A franja escura caindo pela testa, o longo cabelo preto preso em um rabo de cavalo. Permaneceu quieta. Não era do seu feitio falar tanto assim, colocar em risco o que poderia fazer no futuro. Não alarmava ninguém.

O "exímia" agente duplo não era por nada.

A verdade era que queria dar um belo gancho de direita na cara sonsa daquele aproveitador barato, que pisava em qualquer um que tentasse competir com ele em algo. Um policial podre, um péssimo profissional. Covarde. Covarde... por falar em covardia...

Lembrou-se. Engoliu em seco, segurando qualquer reação alarmante. Foi ele quem levou Hongjoong da sala de interrogatório para a cela, era ele quem estava com a chave. Era ele quem devia estar vigiando o detento. Essa era a tarefa dele. Seonghwa estava apenas com a tarefa dos interrogatórios, anotações e arquivos de documentos. Ela, das provas e investigação de campo.

Mingyu era para ter cuidado de Kim Hongjoong. Onde ele estava enquanto o homem era atacado pelo outro detento? Onde estava ele com as malditas chaves?

— O que mais? — Perguntou após um tempo, o encarando nos olhos, mostrando não ter medo. Estavam de igual para igual.

Ele riu fraco. Aquela policial realmente achava que colocava medo em alguém com aquela carinha de anjo? Era até uma pena colocá-la em campo. Queria até responder aquela pergunta de forma mais direta, achava a Hirai bonita demais para estar metida em trabalhos tão duros.

Mas a aliança grossa no dedo esquerdo dela, o fazia recuar. Sabia quem era o marido da japonesa. Todos sabiam, na verdade. Era meio impossível não saber.

Por isso, se contentou em bater no ombro vestido com uma jaqueta grossa de couro marrom, não medindo o sorriso pequeno. Até que era bom tê-la por perto.

— Pega um café pra mim. — Abriu mais o sorriso e a japonesa deu um pequeno sorriso lateral, educadamente curvando o corpo, aceitando a tarefa.

Sabia que ele estava a testando, tentando tirar sua paciência, a fazendo de oficial novata só para punir todas as vezes que esteve ao lado de Namjoon, não do dele. Mas isso não a afetava.

Era mulher, aguentou coisas mais desagradáveis do que aquilo... era mulher, por isso era superior a toda aquela merda machista e sorriu. Ele achava que só aquilo seria o suficiente para a fazer colocar tudo a perder?

— Entendido, Detetive Kim. — Frisou o honorífico, porque ele não era delegado. O fato de Namjoon estar afastado, não o fazia delegado.

E, como presumia, ele não aguentou aquela provocação e fechou a expressão. Ele não sabia ser como ela, mas ela sabia ser como ele. Essa era a diferença que ele não esperava, certo? Tão ingênuo. Ainda sorridente, deu um passo para trás e curvou de leve o corpo mais uma vez, saindo dali.

Era uma policial, por isso estava farejando algo de errado naquele homem arrogante. Algo estava muito errado.

Era uma detetive, por isso ia investigar.

Ia investigar Kim Mingyu.

Mas, primeiro, tinha que entregar o celular ao seu delegado e contar o que sabia. Precisavam ampliar a lista de suspeitos. Não importa se Namjoon estava afastado ou não, aquele crime ia ser resolvido.

Dentro da delegacia ou fora.

...

— Não é como se eu fosse a merda de um inválido. — Murmurou irritado pelo excesso de cuidados que estava recebendo. Revirou os olhos quando Jimin fez uma espécie de "aviãozinho" com a colher cheia da salada de frutas. O encarou. Sério aquilo?

Nem ia falar nada, sinceramente, aquilo estava ridículo. O menor fez uma espécie de bico resignado e voltou a colher para a tigela branca. Respirou fundo. Já estava de saco cheio de toda aquela merda, aquele bando de fio em seu corpo, agulha, médico para lá, médico para cá. Fala sério. Já nem se incomodava em dar bom dia ou boa noite. Nem queria guardar as feições deles.

Queria ir embora!

Fazia dois dias que estava internado naquele hospital que, óbvio, seu namorado e seu padrasto, haviam o enfiado. Havia saído naquela manhã da UTI, mas ainda estava no monitoramento severo por conta da sepse.

Ah, e também tinha essa porra com nome de doença venérea. Jurava que quando ouviu o médico responsável – o velho que mais parecia o mister Magoo – dizendo para Seokjin, que a sepse estava sendo combatida com ajuda de dois antibióticos fortes e isso poderia acarretar... o que mesmo? Nossa... tanto problema de saúde.

Então era assim que Taehyung se sentia? Seu pirralho era tão forte, o amava um pouco mais agora.

De todo o modo, para quem já enfiou na boca um monte de comida do lixo e não morreu, aquela tal "sepse" era fichinha. Oh. É. Foi engraçado quando olhou para Taehyung pelo vidro, bravo, achando que era uma doença venérea... bem. Se fosse, então aquele azulzinho estava muito fodido em sua mão.

Nunca mais daria nada para ele. Nunca.

— Você precisa comer, hyung. — Insistiu o homem de cabelo preto escondido por uma beanie cinza. — Não entende que agora mais do que nunca seu corpo precisa de frutas, legumes e tudo isso? — Sentou-se na poltrona ao lado da cama enorme que praticamente engolia o corpo pequeno do músico que fingiu não escutar. — Você precisa ficar bom logo. — Pediu naquele tom doce, usando a mão livre para tocar na do irmão, tomando cuidado com a agulha ali.

Inicialmente, tinha decidido com Jungkook que não iriam para Seongdong por causa de Moon, a escola dela, mas não aguentou. Não conseguia, simplesmente, não dava. Tentou, jurava que sim. Mas não! A ideia de perder Yoongi era assustadora, precisava vê-lo mais do que por foto. Ter certeza que ele estava bem.

Então seu melhor amigo o levou, mas disse que não ficaria exatamente por causa da irmã. Seu pai estava trabalhando muito e quase não parava em casa, a garotinha precisava de um suporte. Youngjae se ofereceu para ajudar e então, bem, Yugyeom também estava ajudando.

Estavam os três velando pela segurança e vida da pequena menininha que não entendia muito bem o que estava acontecendo, mas conseguia sentir. Ninguém por ali estava agindo normalmente. Risadas, piadas, brincadeiras... não estavam acontecendo...

Jimin suspirou um pouco frustrado e recostou a na poltrona, apoiando a tigela em suas coxas. Sua vida estava muito estranha ultimamente. Ele também. Por isso o rapper virou o rosto e encarou o mais novo, vendo-o pensativo.

Por que aqueles olhos fofos não estavam sorrindo?

— Ya. — Chamou baixo, ganhando a atenção instantânea do educador físico. — Como estão as coisas com a sua namorada?

Queria fazer essa pergunta há muito tempo, desde que seu irmão voltou de Daegu e a mulher, não. Ela foi para os Estados Unidos. Era muito difícil tirar coisas de seu irmão, ele conseguia camuflar bem. Aquele grande lindo com bochechas gordinhas, conseguia te enrolar e te levar na dele com um sorriso. Podia até parecer bonito, mas... não era tanto.

Não era bonito ele esconder o que sentia para não ser o foco da atenção, apenas por achar que não merece.

O de beanie franziu as sobrancelhas e bateu os ombros devagar. Como estavam as coisas? Também queria saber.

— Eu não sei. — Respondeu rindo baixinho, olhando o mais velho, vendo que, naquele pouco tempo de hospital, ele abateu muito, mas continuava o hyung mais legal do mundo para si. — Eu realmente não sei.

— Brigaram?

— Não, nós não-... — Ficou confuso nas próprias palavras, comprimindo os lábios grossos, pensativo. — brigamos muito. — Apertou os dedos na tigela de porcelana, focando os olhos ali, nas frutas coloridas. Yoongi continuou o estudando. — É só...

Aquelas reticências diziam muito mais do que o próprio Jimin, achava. Complicado. Ajeitou-se na cama, resmungando um pouco pela dor das agulhas. Não tinha lá muita experiência com relacionamentos, mas já havia passado poucas e boas com Taehyung. Isso o amadureceu, o ensinou muitas coisas.

Sobre si mesmo, sobre as pessoas, sobre o mundo e sobre o amor. Hoje, por mais que fingisse que não, tinha uma visão completamente diferente do amor. É completamente diferente de quando você ouve falar sobre, vê coisas sobre, idealiza... é muito diferente. Sentir é diferente.

Olha só, estava falando como a porra de um poeta. Fala sério... aquele pirralho tinha ido tomar um banho e disse que voltava logo. O "logo" é quando? Porque já estava demorando demais.

— Eu nunca vi essa garota, nunca conversei com ela, mas se você decidiu namorar com ela mesmo com toda essa merda de distância, — Falou devagar, um pouco cansado, recebendo o olhar baixo do outro. — então é porque vale à pena.

— Ela vale muito!

— Então por que esse assunto? — Franziu o nariz, confuso. Odiava dramas, principalmente os românticos.

Ainda bem que Taehyung era igual a si, porque sinceramente...

— É complicado, hyung. — Expirou forte e negou. — É muito complicado.

O rapper riu nasal, um pouco debochado. Complicado? Jimin queria falar de "relacionamento complicado" justo consigo? Sério mesmo? Todo mundo era tão dramático, fala sério. Odiava isso.

Se você gosta de alguém, faz o que for por esse alguém. O agarra firme, não deixa sumir de seus olhos. Não fazia sentido certas coisas em sua mente, como o famoso: "eu te amo, mas". Mas? Mas o quê? O que porra era "mas"? Não existe mas!

Foda-se o mas.

Onde estava Kim Taehyung, aquele pirralho? Que demora.

— Tenho certeza que você pode resolver isso muito bem. — Respondeu com ironia, porque nossa, se "resolveu" seu relacionamento, então todos no mundo também conseguiriam.

O educador físico maneou a cabeça. Será que podia? Catherine era incrível, ela era... tudo, sabe? É engraçado quando você idealiza uma pessoa e ela aparece na sua frente. Carne e osso. Era ela. Era o sonho mais lindo que poderia sonhar, a chamava de presente dos céus, porque ela era. Para ele, para todos ao redor dela.

Só que, relacionamento é um pouco mais complicado. Não era só amor.

Haviam os choques culturais, a desconstrução de certas coisas – como seus ciúmes sempre que ela usava uma roupa um pouco mais ousada. Precisava respirar fundo. Precisava... ter controle e parar de pensar como um sul coreano conservador de merda. Não era um sul coreano conservador de merda.

Seus pais não criaram sul coreanos conservadores de merda.

Um mantra diário!

— Ela não entende certas coisas, sabe? — Contou finalmente, olhando para o irmão, recebendo toda a atenção. — Lá fora é diferente daqui, eu acho. — Engoliu em seco, apenas os barulhos dos aparelhos ligados a Yoongi quebrando o silêncio. — Somos de culturas diferentes, falamos línguas diferentes, é tudo muito diferente e às vezes, chegamos em um impasse que ninguém está errado, ninguém está certo. — O músico assentiu, acompanhando o raciocínio. Suspirou, cansado. — Enquanto eu estava em San Pedro, as coisas estavam ótimas, mas quando eu voltei pra Coreia, eu não quis mais sair. — Sorriu consigo mesmo, lembrando de como sentiu-se quando pôde ver sua vó, sua tia, seus pais depois de muito tempo. — Eu não quero deixar minha família e meu país por tanto tempo de novo. — Disse baixo, sério. — Foi ótima a experiência nos Estados Unidos, mas aqui é o meu lugar.

Admirava muito as pessoas que conseguiam viver em outros países, mas isso não funcionava muito bem consigo. Óbvio que amou tudo o que viveu. Foi legal passar muito tempo com suas meio-irmãs, ficar um pouco mais próximo da mãe, conhecer bem seu padrasto e começar sua história incrível com Catherine.

Mas ainda assim, queria voltar para casa. Onde sentia-se em casa. San Pedro nunca foi seu lar, não conseguia ver assim. Era só uma passagem.

Yoongi assentiu. Não se via morando em outro país também. Gostava da culinária do seu, a língua, ali tinha sua família, seu namorado, sua carreira, amigos, suas memórias... tinham muitos problemas por ali, mas era sua casa. Não ia fugir. Resolveriam os problemas. Ali. Sem fugir!

— Então...?

— Ela não quer morar na Coreia, hyung. — Foi direto ao ponto. — E eu não entendo... — Deixou a tigela em cima da cômoda, próximo do umidificador de ar. — ela já vive em outro país, longe dos pais, por que não aceita pelo menos tentar? — O mais velho deu de ombros. Como ia saber? Seu rosto ficou vermelho pelo ressentimento. — Ela não quer morar aqui e não tem nem um porquê. Ela podia arrumar um emprego, — Foi pontuando nos dedos com anéis. — eu disse que ensinaria coreano, poderíamos morar perto da família e ela não se sentiria sozinha. A maior parte de nós fala inglês, ela ficaria bem!

— Mas ela não quer. — Resumiu o músico e o personal trainer fez cara óbvia e indignada, cruzando os braços sobre o dorso com aquela jaqueta jeans toda rabiscada. — , ela não quer. Normal. — E qual o problema naquilo? — Assim como você não quer morar nos Estados Unidos.

Estavam tão imersos na conversa, que nem perceberam o garoto alto vestindo suéter vermelho, entrando no quarto, um pouco confuso com aquela conversa em tom alto, seu irmão com o rosto vermelho e cara emburrada.

Fechou a porta devagar, não querendo incomodar, mas fez um "click". Opa. Trincou os dentes, fazendo cara de susto. Os dois o encararam na mesma hora. Sorriu sem graça.

— Oi.

— Tae, — O moreno mais velho chamou o namorado que foi prontamente ao chamado. — você sabia que o Jimin tá com problemas com a namorada? — Olhou atentamente para o rosto do azulado que franziu as sobrancelhas, confuso.

O baixinho bufou. Aquele assunto não era para ficar repercutindo na boca de todo mundo, não. Por isso não gostava de falar. Seu hyung estava agindo igualzinho seu pai Namjoon. Tudo contava para seu pai Seokjin. Sempre! Mesmo pedindo segredo.

Foi assim com seu primeiro beijo, foi assim com sua primeira bebedeira.

— Não. — Murmurou sentido, o mais novo. Por que ele não havia dito? Contavam tudo um para o outro. Encarou o irmão, esperando respostas. — Jimin-ah? — Sussurrou um pouco chateado e o professor o encarou, sem tanta braveza agora. — Por que não contou antes? Você ficou guardando por todo esse tempo?

Ele deu de ombros.

— Não importa muito.

— É claro que importa, porra. — O músico rebateu, irritado, olhando o irmão. — Você faz parte da nossa família, se está triste, precisando conversar, um conselho, você pode contar com a gente! — Taehyung assentiu, concordando.

Bem, hum, não era como se não tivesse contado para ninguém. Estava "morando" no apartamento de Jungkook, então era meio impossível aquele rato fofoqueiro ficar isento de sua vida particular. Ele fuçava seu telefone, dava para acreditar? Só porque dizia que não tinha mais memória para baixar Free Fire, aí ele ia investigar se era verdade – e era mentira!

De todo o modo, sua sombra o seguia para cima e para baixo, então sabiam de tudo um do outro. Era normal. Desde crianças. Acharia estranho se ele não se metesse mais em sua vida, aliás, quando ele não fazia isso, era porque estava irritado com alguma coisa. Garoto bravo.

— Eu falei com o Jungkook. — Esperou a risada dos irmãos e ela veio. Claro que veio. Ergueu as mãos em rendição. — Sei que é uma péssima ideia, mas o mundo me deu como melhor amigo e ele veio estragado, não aceitam devolução. — Se justificou, tentando ignorar as risadas de Yoongi.

Aquele ali estava rindo porque sabia exatamente o potencial de seu irmão caçula para dar conselhos. Era melhor pedir ajuda para os céus vazios, porque para Jungkook? Hum, se bem que dariam na mesma.

O humor ateu de Namjoon era uma coisa... sórdida e acabou pegando para sua própria personalidade. Ainda bem que seu padrinho Youngjae não estava ali para lhe dar um sermão dos ensinamentos do Buda. Achava fielmente que a família toda era meio budista por tabela por causa dele.

Até seu pai.

— E o que o psicólogo da família falou? — Brincou o mais velho, sentindo a mão do namorado em seu cabelo, os dedos longos passeando pelos fios já um pouco maiores.

Ficou relaxado, sentindo os carinhos do garoto que estava em pé, encostado na cama do menor, atento no irmão, mas precisando ficar perto de seu velho resmungão. Porque tinha certeza, se Jimin não estivesse ali, já teria ouvido muito sobre "demoras".

O menor dali abriu um pouco os braços, fingindo ser musculoso, empinou o nariz todo arrogante e coçou a garganta, engrossando um pouco a voz.

— "Não sei porque ainda tá nessa palhaçada internacional, Jimin-ssi. — Falou imitando o melhor amigo e o casal começou a rir um pouco mais, porque ele fazia igualzinho. — Jimin-ssi, — Apontou o dedo em riste para os irmãos. — já te falei que essa porra vai dar errado. — Fez um bico e franziu as sobrancelhas, fingindo estar irritado. Yoongi estava rindo tanto... — Jimin-ssi, você tá certo! A Coreia é onde sua família está, é onde deve ficar. Jimin-ssi." — Finalizou porque queria rir também. Lembrava direitinho das palavras de Jungkook e soava muito engraçado quando imitava.

E, além disso, depois de toda aquela loucura, poucos dias depois de todo aquele susto, estava vendo Yoongi sorrir, rir. O rosto mesmo que pálido e abatido, agora tinha um leve rubor por conta das risadas. Isso era bom. Olhou para cima e viu que o azulado também observava aquilo. Sorria mais da felicidade do mais velho do que das piadas.

Era bonitinho, até. Teve que admitir. Ele fazia carinho em seu irmão mais velho, parecia atencioso. Conhecia seu bebê azul, ele era o melhor. O músico não podia parar em melhores mãos.

Falando nisso...

Pegou novamente a tigela com frutas. Aquela tampinha fraca ia ter que comer aquilo.

— Taetae, ele não quis comer. — Denunciou ao mais novo que abriu os olhos, surpreso. — Não importa o quanto eu tente, ele não quis comer. — O mais alto estendeu as mãos, passou a tigela para ele. — Onde está o papai?

— Lá fora, ligou para o papai para saber como estão as coisas por lá. — Mexeu a colher nas frutas que tinham cores vivas e bonitas. — Disse que logo vem. — Jimin levantou e assentiu. — Hyung. — Chamou sério, tendo os olhos inchadinhos direcionados para si. — Se aquela garota te chatear, me avise para dar unfollow.

Teve que rir. Seu irmãozinho era mesmo precioso. Aproximou-se daquele gigante de rosto perfeito e suéter cheiroso. O puxou pelos ombros, o fazendo curvar um pouco o dorso. Beijou-lhe a testa e franziu o nariz junto do dele naquela mania infantil.

O amava mais do que tudo em sua vida.

— Eu nem sigo. — O baixinho quebrou aquele clima amoroso, fazendo ambos rirem de sua cara. Mas que graça tinha? Nem seguia ninguém mesmo.

O educador físico assentiu e piscou para o mais velho antes de sair, dizendo que logo voltava com o pai. Deixaria os dois a sós, não era muito legal ficar segurando vela, certo? Agora a situação era um pouco diferente e embora pensasse que ia ser esquisito, era... sei lá... era como havia dito antes. Não parecia que havia mudado muita coisa.

Taehyung continuava sendo carinhoso em excesso com todos, Yoongi continuava repelindo os carinhos. Ou... quase isso...

Por isso disse que não havia mudado "muita" coisa, mas teve mudanças. Eles se beijaram na frente de todo mundo, como ia esquecer? Parecia cena de filme.

O azulado esperou a porta fechar para encarar o namorado e negar. Por que ele estava resistindo ao tratamento?

— Velho, velho, dando trabalho para a equipe médica, sério? — Ralhou pegando alguns pedaços de fruta na colher prateada.

Espera, oi? Os miolos daquele pirralho estavam todos no lugar? O encarou abrindo bem os olhos.

Quem ele estava chamando de velho?

— Cala a boca antes que eu mesmo cale com essa tigela inteira. — Avisou ao mais alto que fez o que sabia de melhor. O ignorou e levou a colher para a própria boca.

Ótimo. Além de abusado, era folgado. Namorava um péssimo exemplo para a sociedade. Relaxou na cama e se ajeitou como podia nos travesseiros. Estava bem, sentindo-se bem, embora tudo o que estava havendo.

Primeiro melhorar, depois riscar alguns objetivos de sua lista de à fazeres.

Ganhou um selar demorado, inesperado. Retribuiu na mesma hora, fechando os olhos. Céus. Aquilo era bom. Entreabriu um pouco os lábios, mas... algo suspeito aconteceu.

Claro, tudo que envolvia aquele fedelho sem noção era suspeito. Devia desconfiar. No primeiro mole que deu, ele usou a língua para empurrar pequenos pedaços de fruta para sua boca e não teve outra alternativa. Recebeu.

Se fosse alguns bons anos atrás e alguém fizesse isso, com certeza cuspiria na cara da pessoa, mas não conseguiria fazer nunca uma coisa dessas com aquele pirralho que agora ria rouco contra sua boca, mastigando as frutas que haviam ficado consigo.

— É o método da mamãe-pássaro. — Explicou o pintor, vendo de pertinho os olhos pequenos do menor, o encararem com seriedade. Fingiu medo. — O quê? — Fingiu desentendimento e afastou um pouco mais o rosto, vendo o namorado mastigar meio sem vontade. — Só quero que você se alimente bem. Não me olha com essa cara. — Explicou baixinho, carinhoso, beijando a bochecha pálida antes de voltar a erguer o corpo.

Okay. Yoongi podia lidar com isso. Continuou mastigando, sentindo o sabor misto das frutas em seu paladar. Sua barriga não estava mais doendo tanto, os médicos naquele hospital pareciam morar em sua porta, porque sempre estavam ali, fazendo milhões de perguntas. Estava bem, obrigado. Tchau.

Só naquele dia foi liberado para ficar com a família, as visitas começaram a acontecer. Seu avô tinha vindo logo cedo, seu tio, sua tia. Seokjin também ficou um pouco antes de ir para a casa do pai, tomar um banho, foi então que Taehyung entrou e ficou pouco até Jimin chegar. Seu namorado, então, foi em casa.

Sabia que estava dando trabalho para todos e que sua vida profissional devia estar uma zona, mas sua cabeça só estava focada em tudo o que gostaria de fazer antes de morrer.

Mórbido mas, revelador. Experiências quase morte ensinam um pouco...

Por isso quando engoliu, respirou fundo. Precisava pedir algumas coisas ao mais novo. Era quem mais confiava na vida, além de seu pai.

— Escuta, a Yoonjin noona apareceu de novo ou algo assim? — Perguntou incerto e o maior não entendeu, negando. — Certo. — Lambeu os lábios, deixando as mãos sobre a barriga. — Você pode entrar em contato com ela, então?

Taehyung sentou-se na poltrona ao lado da cama e deixou a tigela sobre a cômoda. Que papo estranho era aquele? Seu namorado sempre pareceu muito obstinado no que queria. Sem contato com os Min, sem nenhuma memória do passado ruim, mas ali estava ele. Pedindo aquilo.

Lembrou da própria... "avó"...

— Por quê? — Questionou baixo, vendo o rosto relaxado do menor. Ele não parecia triste ou incomodado.

— Eu quero ver a minha mãe. — Assumiu de uma vez. — Ela me deve respostas e eu não pretendo deixá-la morrer sem me contar tudo o que eu quero!

— Às vezes é melhor nunca saber, hyung...

O moreno negou. Não! Não pensava assim.

— Não vou viver com esse buraco aberto na minha vida. — Respondeu sério, vendo o olhar receoso do azulado. — Preciso saber e ela vai ter que me responder, Taehyung. — Engoliu em seco, sentindo seu coração bater rápido só com a ideia de vê-la. Ver a pessoa que nunca teve rosto em sua memória. — Ela não pode morrer e me deixar assim. Isso é injusto. — Riu fraco. — Sempre sumindo e me deixando cheio de dúvidas, sempre. — Vendo que o namorado estava se agitando, o mais novo tocou-lhe o braço e acariciou ali, passando delicadamente a ponta dos dedos sobre a raposa alaranjada. — Ela não vai fazer isso de novo. — Avisou baixo, sério.

Taehyung viu nos olhos do músico, ele estava falando sério. Era o que queria de verdade, por isso não ia se opor, não ia dar sua opinião. Yoongi sabia o que fazer e sabia o caminho que tomar, então não precisava de suas palavras. O que adiantaria dizer que não queria que ele se aproximasse daquelas pessoas de novo? Que tinha medo?

Ele queria. Ele achava que podia enfrentá-los agora, então confiava nisso. O moreno não era mais criança, sozinho, indefeso. Ele sabia o que fazer e principalmente, tinha para onde voltar no fim do dia.

— Certo. — Disse o mais alto após algum tempo, assentindo compreensivo. — Vamos fazer do jeito que quiser, então. Vou ligar pra ela! — O de cabelo preto assentiu, desviando o olhar para as mãos, as pulseiras em seu braço direito, um tanto pensativo.

Voltar à Daegu... pensar nisso era meio estranho e fazia seu corpo tremer. Voltar lá era meio... não queria ir sozinho, mas também não queria submeter seus pais naquilo. Seus irmãos. Era algo que precisava fazer por si mesmo. Sozinho...

— Você pode ir comigo? — Perguntou ao namorado, um pouco incerto.

Ou... quase isso...

O artista plástico repuxou um pouco os lábios desenhados, sorrindo pequeno antes de assentir. Apertou os dedos na pele quente do mais pálido, mostrando que sim, ele iria. Onde quer que Yoongi fosse e, se quisesse, iria também. A raposa selada na pele dele não era brincadeira. Não era só simbolismo.

Realmente estava selado naquele homem. Iria com ele. Por ele.

Queria contar sobre Jina, mas ao mesmo tempo não via tanta necessidade assim. Não agora. Disse a ela que iriam almoçar qualquer dia, gostaria de saber um pouco sobre sua mãe, mesmo que isso significasse que, provavelmente, traria assuntos difíceis de engolir.

De todo o modo, ficou ali, apoiando silenciosamente o rapper. O conhecia o suficiente para saber que ele preferia ficar na dele e não ser muito questionado sobre atitudes. Então, ficou na sua. Usou o polegar para acariciar a tatuagem colorida e olhou para o mais velho, vendo-o pensativo.

— Tenho outro pedido. — Disse o moreno do nada, virando o rosto para o azulado que assentiu, esperando. — Quero que você faça o Jiwon saber onde eu estou. — Espera... o quê? Os carinhos pararam. Taehyung congelou.

— Não... — Negou veemente. Não ia fazer isso.

— Me escuta!

— Não. — Disse mais alto. Yoongi estava ficando louco? Jiwon tentou matá-lo. Fugiram de Seocho justamente para evitar... — Eu não vou fazer isso. — O rapper revirou os olhos e bufou. — Por que tá querendo colocar sua vida em risco?

— Faz o que eu pedi! — Foi direto e o mais alto negou de novo. Não ia fazer isso. — Eu sei o que tô fazendo, Taehyung. — Segurou a mão delicada em seu braço, apertando os dedos nele. — Confie em mim. — Pediu baixinho, encarando os olhos desenhados daquele garoto medroso. Viu-o engolir em seco, o rosto sem expressão alguma. — Confie. — Sussurrou. Ele precisava confiar. — É o único jeito de acabar com isso sem foder a vida do meu pai, do Jaebum.

— Eles são profissionais.

— Eles são a nossa família! — Foi óbvio. Conhecia aqueles homens o suficiente para saber que eles deixavam tudo de lado, inclusive o profissional, por conta da família. Não era só profissional para eles, sabia que não. — Não vou foder a vida de quem eu amo, já basta o Jungkook. Não vai rolar. — Vendo o namorado negar e desviar o olhar, apertou mais ainda as mãos. — Eu sei o que tô fazendo.

— Não faz sentido, Yoongi. — Puxou sua mão, irritado. Por que ele gostava tanto de arriscar a própria vida? — Não faz isso. — O encarou. — Não faz. — Quase implorou e viu o rapper sorrir fraquinho. — Por favor, não faz. — Sua voz sumiu, o peito apertado pelo desespero. Não podia ficar nervoso. Céus! Não podia. Não podia ver Yoongi daquele jeito de novo.

E o menor sabia, mas não podia fazer muita coisa a respeito. Quer dizer, podia. Descobriu algo que funcionava e era bom. Mesmo com a mão doendo, estendeu até segurar a esquerda do azulado, acariciando os dedos com seu polegar. Ele precisava confiar em si. Seu plano não era bom, mas... precisava tentar.

Ia usar certas coisas ao seu favor. Jiwon queria brincar, então...

— Confie em mim. — Pediu mais uma vez, a voz grossa soando séria. — Eu vou acabar com aquele filho da puta covarde. — Sentiu os dedos do mais novo apertando os seus. Bem melhor assim. — Prometo pra você.

Taehyung fungou, engolindo o choro. Aquilo não fazia sentido, nada daquilo fazia. Por que seu namorado queria se colocar novamente na linha de frente? Ele tinha acabado de sair de um quadro tão ruim. Isso não era justo. Não era!

Primeiro o pedido de segredo. Ele não queria que ninguém soubesse sobre Jiwon ainda, agora aquilo. Por quê?

— Você nunca promete nada. — Relembrou ao baixinho que abriu mais o sorriso na face abatida. 

Exatamente.

— Eu nunca sei se vou poder cumprir o que eu falo, promessas são dívidas que fazemos uns aos outros. — Explicou seu ponto de vista, atencioso aos olhos confusos e tão bonitos daquele pirralho bobo. — Essa é uma dívida que quero fazer. — Garantiu, sério. — Eu vou fazer essa dívida porque eu sei que posso cumprir e eu vou. — O pintor abaixou a cabeça, um pouco sentimental. Não queria que ele ficasse daquele jeito. — Levanta essa cabeça, foxy, você me conhece. — Pediu carinhoso, mudando um pouco o tom, sendo mais delicado. — Quero ver a cara do imbecil quando descobrir que a morte tá do meu lado.

Kim Jiwon conhecia Kim Yoongi: o garoto tímido com história triste, uma família diferente e muitos problemas psicológicos e limitações sociais. O garoto que pouco falava, que ia muito mal na escola e dava medo nas garotas e era motivo de piadinhas dos garotos.

O garoto que cresceu na indústria coreana cedo. Um rapper de sucesso e prestígio. Ele conhecia tudo isso. Só que faltava uma partezinha, uma bem importante e que Yoongi não mostrava para quase ninguém...

O músico sempre ouviu seu pai Namjoon dizendo que, se você quer se vingar, cave duas covas. Aprendeu no ensino médio, que Maquiavel dizia no livro O Príncipe que, se você aponta a arma para um rei, é melhor ter certeza que vai atirar. Cresceu tendo o lema de que promessas eram dívidas em aberto e o ser humano quase nunca quitava suas dívidas. Isso tudo estava em sua mente.

E estava colocando tudo isso em prova agora. Cavaria duas covas, apontaria a arma e faria uma promessa.

Nunca deixou uma dívida em aberto!

Não era Min Yoongi, que apanhava e ficava quieto. Disse para seu mini eu que tudo havia mudado para melhor. Mudou. Era Kim Yoongi e ninguém, ninguém mesmo, ia sair ileso depois de tocar em si ou em sua família.

Só que diferente de Kim Jiwon, não precisava sujar sua honra e nem tampouco suas mãos, para destronar alguém. Isso era raso.

Ia mais fundo que isso. Queria ir mais fundo e sabia onde queria chegar.


Notas Finais


CHEGA DESSA ENROLAÇÃO PRA PEGAR O JIWON. Cansei. Yoongi também. Vamos pegar esse macho chato. Nos próximos já teremos o fim dessa palhaçada.

Aos que leram até aqui, comentem "presente" aqui na chamada. Aos que não leram: EU TÔ VENDO VCS TA

A tag oficial da fic no twitter: #wuahtaegi onde postamos memes e ficamos de chamego. Mt obrigada por tudinho e seguimos.


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