História Our Times Happy (Yoonmin) - Capítulo 8


Escrita por: e leticiaayoongi

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Personagens Originais, Suga
Tags +18 Pelo Yaoi, Assassinato, Corredor Da Morte, Drogas, Horror, Suícidio, Yaoi, Yoonmin
Visualizações 55
Palavras 4.475
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Policial, Romance e Novela, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Gente gostaria de pedir um favor a vocês ;-;
Os meninos do Day6 estão concorrendo à "Best Band Performance" no MAMA e eles estão em segundo lugar
Gostaria de pedir a ajuda de vocês, caros leitores. Se puderem, votem Day6 nessa categoria. E não, BTS, EXO e outros não estão concorrendo essa categoria
Eles passaram por muita coisa nesses dois anos de carreira, tanto é que o mais novo ficou depressivo depois da saída de um dos membros em 2015. Por isso que eu acho que eles devem ganhar. A superação deles me fazem ficar mais forte a cada dia, apesar de não me sentir completamente bem, eles são os únicos que conseguem arrancar um sorriso dos meus lábios.
Por favor, pensem no assunto. Serei eternamente grata de vocês tiverem a solidariedade de votar neles
~Mãe do Day6

Capítulo 8 - Capítulo 04


Fanfic / Fanfiction Our Times Happy (Yoonmin) - Capítulo 8 - Capítulo 04

"O amor verdadeiro, permite liberdade... Nascemos para voar, e não para sermos prisioneiros!"

Capítulo 04

Eu vi tia Chung Ha de longe. Ela parecia brasa. Eu estava quase meia hora atrasado. Quando encostei na entrada da estação do metrô em frente ao complexo da prefeitura de Gwacheon, ela entrou no carro carregando um grande pacote. Estava tão frio do lado de fora que o ar gelado que emanava de seu hábito preto me dava a estranha sensação de estar em frente a uma geladeira. Seus lábios estavam roxos.

-Eu não sabia como me vestir - comentei- Se eu soubesse que estávamos indo a uma prisão, teria comprado uma fantasia de padre. Estou atrasado porque não conseguia decidir o que usar. Você deveria arrumar um telefone celular. Até monges e padres dirigem hoje em dia. Você deveria arrumar um carro também.

Eu estava inventando desculpas por ter me atrasado. Tia Chung Ha não disse uma palavra.

-Eu falei que passaria no convento pra pegá-la, mas a senhora é tão teimosa - argumentei, tentando jogar a responsabilidade para outra pessoa, como sempre fazia quando me sentia culpada por algo.

-Eles esperam a semana inteira por mim. - disse tia Chung Ha - Aqueles rapazes não veem ninguém a semana toda. Por sua causa, trinta minutos do precioso tempo deles se foi. Desperdiçados em você!

Ela fez uma pausa, furiosa demais para continuar. Então engoliu um seco e começou a falar mais lentamente.

-Esses trintas minutos que você jogou no lixo sem pensar dias vezes podem ser os últimos trinta minutos deles na Terra. Eles vivem cada dia como se fosse o último! Você consegue entender isso?

A voz dela era baixa, mas firme e sugeria lágrimas. As palavras 'jogou no lixo' ficaram presas em minha garganta. Apesar de eu usar essas palavras o tempo todo para me referir à forma como estava desperdiçando a minha vida, não gostei ao ouvi-las da boca de outra pessoa. Como era verdade que eu estava atrasado para o nosso encontro, achei melhor não falar nada. De qualquer modo, era meu primeiro dia acompanhando minha tia à prisão. Mas não estava parecendo que ia ser um primeiro dia feliz. Apesar de ter sido eu a primeira vez que ela usou minhas próprias palavras contra mim com tamanha força. Eu disse a mim mesma que tia Chung Ha só estava sentimental porque estava ficando cada vez mais velha.

Eu tinha lido no jornal sobre as visitas de minha tia à prisão antes de ir para a França. Meu segundo irmão mais velho, que era médico, fora até nossa casa para ver mamãe depois de ela ter lhe telefonado no meio da noite reclamando de dor de cabeça. Ela abriu o jornal que havia levado e anunciou: Tia Chung Ha está no jornal. Como era um jornal liberal e normalmente não comprávamos, se ele não tivesse nos mostrado a notícia, ninguém jamais saberia que nossa tia era famosa o bastante para sair nos noticiários. Minha mãe, que começava os dias gritando com a arrumadeira da forma como outras pessoas poderiam dizer bom dia, tinha dado à garota seu comprimento matinal de sempre e estava sentada à mesa. Meu irmão contou que tia Chung Ha estava visitando os presos do corredor da morte, e mamãe comentou: "Que nobre da parte dela. Esse é o tipo de sacrifício que precisa ser feito quando se é uma freira. Muito nobre. Você pode marcar uma consulta pra mim com um neurocirurgião no seu hospital? Preciso de outro checkup. Algo deve estar errado, porque minha cabeça está me matando. Não dormi nem um tiquinho ontem. Esses comprimidos que você me deu da última vez não funcionaram. Sempre que os tomo, minha maquiagem esfarela. Devo estra ficando velha, porque não consigo dormir nem posso tomar mais nenhum comprimido que seja ruim para o meu corpo. Minha pele está uma porcaria."

Meu irmão, quieto como sempre, não falou uma palavra enquanto eu comia um sanduíche de presunto e alface com pão integral orgânico ao lado de nossa mãe hipocondríaca. Os olhos dele encontraram os meus. "Não se preocupe, mamãe, os médicos fizeram vários exames, mas não encontraram nada de errado com a senhora" disse o meu irmão com uma voz incansavelmente empática. "Mamãe, ele está certo. Como a medicina moderna poderia sondar um sistema nervoso tão nervoso e extraordinário como o seu? Uma mulher refinada como a senhora não tem escolha a não ser suportar esse fardo."

O café da manhã daquele dia acabou como sempre acabava, com a minha mãe gritando comigo. Era uma manhã típica. Ela berrou dizendo que eu deveria parar de fazer aqueles shows horríveis de cabaré e ir estudar fora ou algo assim. Falei que ficaria feliz em fazê-lo. Àquela altura, a diversão de ser um pop star por um ano estava perdendo a graça, e pensei que, se saísse de casa, teria a oportunidade de curtir uma manhã de silêncio, para variar. Eu estava cansado de gritar em um tom harmônico à oitava de minha mãe.

-Desculpe! - eu disse à tia Chung Ha- Fiz besteira. Falei que sinto muito - Render-me parecia melhor do que continuar me defendendo. Não estava certo de por que pensei daquela forma, mas fiquei com medo de que ela começasse a chorar - Mas, tia, a senhora não está me levando realmente para visitar os... Isso está certo?... Presos no corredor da morte? Eles não vão me pedir para que eu cante o hino nacional, não é?

-São eles mesmos que vamos visitar. Se lhe pedirem que cante o hino nacional, cante. Há alguma razão para não fazer isso? Antes de usar a sua voz para algo bom e jogá-la no lixo. Vire à esquerda naquela bifurcação da estrada.

Ela dissera aquilo de novo. Lixo. Pereceu maldade da parte dela pegar aquelas palavras sentimentais que eu havia falado no hospital e usá-las para me provocar, então comecei a ficar um pouco irritado. Quando virei à esquerda, como instruído, vi uma placa indicando o Centro de Detenção de Seul.

Será que cantar o hino nacional seria melhor do que conversar com o jovem psicológico que meu tio levara pra me visitar naquele hospital chato e responder perguntas do tipo "Do que você tem tanta raiva?" e "Você tinha pensamentos parecidos quando era criança?" Como sempre, me acalmei pensando 'quem se importa?' e 'não pense muito sobre isso'. Pelo menos o centro de detenção não seria tão chato quanto o hospital. Mostramos nossas identidade na entrada e passamos por uma porta com grades. Depois que entramos, a porta se fechou atrás de nós. No momento em que o som frio e vibrante de metal contra metal ressoou no corredor escuro e vazio, pensamentos estranhos vieram à minha cabeça.

A temperatura dentro daquele lugar estava sempre alguns graus mais fria do que do lado de fora - a sensação de frio permanecia por um longo tempo depois de irmos embora. E era assim não só no inverno, mas também no auge do verão. Era, como alguém disse uma vez, um lugar habitado pela escuridão. Fizermos várias curvas e fomos guiados a uma pequena sala. Com apenas uns poucos metros quadrados, o cômodo tinha um crucifixo preso na parede e, ao lado dele, havia uma cópia do quadro do Rembrandt, O retorno do filho pródigo. Era uma sala simples, com uma mesa quadrada e cinco ou seis cadeiras. Tia Chung Ha colocou o pacote na mesa e ligou uma chaleira elétrica. Depois de um momento, escutamos uma batida à porta. Vislumbrei de relance um uniforme azul da prisão pela janelinha de vidro da porta gradeada.

-Entre! Você deve ser Min Yoongi.- tia Chung Ha andou até o homem, que estava acompanhado por um guarda, e o abraçou. Corredor da morte. Ele estava no corredor da morte. Uma etiqueta vermelha fora costurada ao lado esquerdo da camisa dele. Só que não era o que eu esperava. Não havia nome nela. Em letras pretas se lia 'Seul 1993'. Ele pareceu bem desconfortável com o abraço de minha tia. Parecia ter por volta de 1,76m de altura e tinha cabelos pretos lisos e pele pouco bronzeada; seus olhos por detrás dos óculos de aro de tartaruga eram grandes e penetrantes. Mas o cabelo liso caía sobre a testa, diminuindo-lhe a aspereza das feições.

Para a minha surpresa, a sombra escura que pairava em seu rosto me lembrava os jovens professores que eu tinha quando eu tinha conhecido na universidade. Seu olhar era o mesmo que os deles quando reclamavam da instituição: 'Droga, o que a fundação pensa que está fazendo?'.

Por um momento, me iludi pensando que a etiqueta vermelha em seu peito significava que aquele prisioneiro era um dissidente que tinha violado a Lei de Segurança Nacional. Provavelmente foi o ar intelectual que percebi nele por um instante que me fez chegar a essa conclusão. Ele parecia o tipo de cara que seria visto em Paris usando uma camiseta estampada com o rosto severo de Che Guevara.

Como posso descrever minhas impressões? Ele era um ser que transcendia a morte, irradiando algo sinistro tido por aqueles que se prometem na juventude uma morte solitária no meio do nada. E isso parecia cair bem nele. Para ser ainda mais honesto, aquele homem não se parecia com a imagem que eu sempre tive dos presidiários. Mas gostei de ter minhas próprias ideias clichês sendo arruinadas sem dó nem piedade. Comecei a me sentir curioso a respeito dele.

-Vamos nos sentar. Por favor, fique à vontade. Sou a irmã Chung Ha, que tem escrito para você.

Yoongi sentou desajeitadamente. Foi então que eu percebi os grilhões que prendiam os punhos na frente dele. Eles eram fixos a um anel que pendia de um tipo de cinto grosso de couro em sua cintura. Só vem mais tarde lembrei que eles eram chamados de ​grilhões, ​mas, quando os vi, meu coração ficou apertado.

 

-Por favor, oficial Dowoon, eu trouxe alguns doces para ele comer. O senhor poderia... Seria possível retirar os grilhões?- perguntou tia Chung Ha cuidadosamente.

 

O guarda chamado Dowoon, que foi designado ao ministério da prisão católica, sorriu desconfortavelmente e não respondeu. O olhar em seu rosto denotava que ele era um homem que seguia as regras. Tia Chung Ha desembrulhou os doces. Sonhos de creme, pãezinhos amanteigados, bolinhos recheados com feijão vermelho. Ela serviu água quente da chaleira para fazer café instantâneo e colocou um copo em frente a Yoongi. Então pôs um dos doces em sua mão algemada. Ele o levantou em silêncio e o observou por um momento. Parecia considerar se a tristeza de uma pessoa deslumbrando uma comida pela qual ansiava havia anos. Eles socou o doce na boca com dificuldade. Por causa dos grilhões, teve de se curvar para dar uma mordida nele. Seu corpo se enrolou como uma concha de caracol. Ele manteve os olhos fixos na mesa enquanto mastigava.

-Isso mesmo, coma. Tome um pouco de café também para ajudar a descer. E me diga se há algo que você gostaria de comer na próxima vez. Não tenho filhos, então você pode pensar em mim como uma mãe. Faz trinta anos que venho aqui. Todos vocês são família para mim.

Yoongi parou de mastigar para dar um sorriso forçado quando tia Chung Ha disse que não tinha filhos. Apesar de eu ser o único que provavelmente notou, havia um sinal de zombaria em seu sorriso. Assim como eu lidava com os conflitos rindo das pessoas, imaginei que sua arma usual era um olhar de desprezo. Claro que pode ser só uma coisa da minha cabeça, mas, desde o instante em que o vi, senti como se fôssemos da mesma família, pelas características que compartilhávamos. Raramente meus instintos estavam enganados, apesar de eu me sentir um pouco estranho em pensar que poderia ter algo em comum com um condenado à morte.

-E, então, como andam as coisas por aqui? - perguntou ela - Está se acostumando?

Ele estava enchendo a boca de comida, mas parou imediatamente. Um silêncio tenso se estabeleceu entre nós quatro; na sala onde estávamos, a luz do sol de inverno se inclinava pela janela. Ele terminou de mastigar lentamente.

-Recebi a sua última carta. - comentou Yoongi - Eu não ia vir hoje, mas achei que deveria falar com a senhora pessoalmente. O oficial Dowoon me contou que a senhora vem aqui de metrô ou de ônibus há trinta anos, faça chuva ou faça sol. Se ele não tivesse me dito isso, eu provavelmente não viria. Então é por isso que estou aqui.

Ele levantou a cabeça. Em um olhar de relance, seu rosto era muito tranquilo. Mas, depois de uma inspeção mais cuidadosa, essa tranquilidade parecia tão dura quanto uma máscara.

-Certo. - disse tia Chung Ha.

-Por favor, não venha mais me visitar. Não vou ler as suas cartas. Não sou digno delas. Por favor, apenas me deixe morrer.

Ele cerrou os dentes ao pronunciar as últimas palavras. Pelo jeito que o queixo tremeu, parecia estar apertando com força os dentes de trás e rangendo-os. Era assustador. A pele em volta de seus olhos tinha um tom azulado. Senti um medo súbito de que Jimin me agarrasse pela garganta e me fizesse refém, e me lembrei de ver seu nome no jornal. Ele tinha matado alguém e fugido, e então invadido uma casa e feito a mulher e uma criança reféns. Eu só conseguia me lembrar das informações gerais. Encarei o guarda e minha tia. Os grilhões grossos em seus punhos eram, de alguma forma, tranquilizadores.

-Yoongi... Tenho mais de 60 anos, então posso chamar você pelo seu primeiro nome, não é? - tia Chung Ha não estava nem um pouco perturbada e falou lenta e calmamente - Quem nunca cometeu um pecado? Mesmo que você procurasse bastante, quem seria digno? Só quero passar um tempo com você. Podemos nos encontrar de vez em quando, lanchar, falar sobre o seu dia. Isso é tudo que quero, mas...

-Eu não quero. - interrompeu Yoongi. Ele usava aquele tom calmo incomum de alguém que havia pensado por um bom tempo no que eu ia dizer - Não tenho a esperança nem o desejo de continuar vivendo. Se a senhora tem forças pra gastar com esse tipo de coisa, então guarde-as para outra pessoa. Sou um assassino. Faz sentido que eu morra aqui. Isso é tudo o que vim dizer à senhora.

Yoongi se levantou como se indicasse que não tinha mais nada a falar. O guarda também se levantou; ele não parecia surpreso. O apelo apaixonado do prisioneiro parecia dizer: P​osso até ter que me curvar para comer como um animal que se alimente de comida jogada no chão, mas ainda sou um homem.

Pensei estupidamente comigo mesmo ​Acho que até os condenados no corredor da morte têm orgulho.

-​Espere um minuto, Yoongi! Espere! - chamou tia Chung Ha, ansiosa.

Ele se virou para olhar para ela. Lágrimas encharcavam os olhos de minha tia. Ele também deve tê-las visto, porque notei que um dos lados do rosto dele parecia contorcido. Não era uma careta, mas um tipo de distorção, como se um lado de sua máscara dura tivesse sido arrancado. Mas então a expressão desapareceu, e seu olhar de zombaria voltou. Tia Chung Ha tirou algo do pacote que tinha trazido e entregou a ele.

-O Natal está chegando; então eu lhe trouxe um presente. É frio aqui, não? Eu lhe trouxe algumas ceroulas. Já que você se deu o trabalho de se encontrar comigo, não posso mandar você embora de mãos vazias. Isso vai levar um instante, então poderia se sentar um momentinho? Eu lhe disse, sou muito velha, e minhas pernas doem.

Yoongi encarou o pacote nas mãos dela. Um músculo tremeu em seu maxilar. A testa estava franzida, e ele parecia irritado. Provavelmente estava pensado 'Por que diabos ela está me dando um presente de Natal?' Mas ele se sentou como se dissesse que daria uma chance a ela por ser idosa e mulher.

-Não estou lhe dando um presente de Natal para fazer você se sentir constrangido. Não estou dizendo que vá para ir à igreja. Não estou aqui para falar de religião. Quem se importa se você acredita em alguma coisa ou não? O importante é que você viva cada dia como um ser humano. Tenho certeza de que não odeia a si mesmo, mas, se você se odeia, então é exatamente a pessoa para que Jesus veio. Ele veio para lhe dizer que ame a si mesmo, para lhe dizer o quão precioso você é, para lhe dizer que, se no futuro se sentir querido por alguém e pensar 'Ah, então isso é amor', essa pessoa é um anjo enviado por Deus. Eu acabei de conhecer você, mas sei que tem um bom coração. Não importa quais sejam os seus pecados, eles não são tudo o que você é!

Quando tia Chung Ha terminou o seu discurso, ele sorriu. Era um sorriso escárnio. O olhar em seu rosto mostrava que era ridículo dizer a uma pessoa que havia tirado a vida de alguém, e que poderia ser enforcada no dia seguinte por esse crime, que ela era preciosa. Mas, então, uma energia nervosa, que só aqueles que têm emoções fortes possuem, passou por seu rosto. Para o meu espanto, era como se eu entendesse. Toda vez que eu recebia um telefonema de tia Chung Ha depois de mais uma briga estúpida com minha família e ela falava comigo naquele mesmo tom que estava usando com ele, eu ficava com raiva. De certa forma, era como se meu corpo estivesse rejeitando um transfusão de sangue. Seja um sangue diferente ou emoções diferentes, só estamos em paz quando há só um tipo presente. Certo ou errado, a vida só faz sentido quando os bandidos são bandidos, e os rebeldes são rebeldes.

-Não faça isso comigo. - pediu Yoongi - Senão não serei capaz de morrer em paz. Digamos que eu me encontre com a senhora e vá à missa e faça tudo o que os guardas me pedem pra fazer pra deixá-los felizes, e também cante hinos e reze de joelhos e me torne um anjo. A senhora vai me salvar então?

Aquilo foi inesperado. Ele arreganhou os dentes brancos como um animal e cuspiu as últimas palavras. O rosto de tia Chung Ha empalideceu.

-Então, por favor, não venha me visitar.

-Está bem, você tem razão, eu quero salvá-lo, mas isso não está sob meu poder. Mas, só porque não posso impedir que seja executado, não quer dizer que eu não precise me encontrar com você. Não sei como se sente a respeito disso, mas todos nós estamos no corredor da morte. Ninguém sabe quando vai morrer. Então por que é errado que alguém como eu, que não sabe quando vai morrer, se encontre com você, que também não sabe quando vai morrer?

Tia Chung Ha não era fácil. Yoongi a encarou, aturdido.

-Por quê? - repetiu ela.

-Porque não quero ter esperanças. -respondeu ele - Isso seria o inferno.

Tia Chung Ha não disse nada.

-Não sei quanto mais aguento-continuou ele - Vou acabar enlouquecendo.

Tia Chung Ha começou a dizer algo e então parou. Um instante depois, perguntou calmamente a ele:

-Yoongi, o que mais o incomoda no momento? Do que você mais tem medo?

Ele a encarou. Um momento se passou. Seus olhos estavam cheios de animosidade.

-As manhãs.

Yoongi parecia estar sendo forçado a confessar um crime diante de alguma prova final conclusiva descoberta por um promotor público implacável. Sua voz estava calma. Ele se levantou como se não precisasse ouvir mais nada, despediu-se com uma referência e saiu. Tia Chung Ha, que estivera imóvel como uma estátua de gesso, o seguiu.

-Espere um segundo! Desculpe. Não fique bravo. Se for difícil para você, então não precisa se encontrar comigo. Pode ir. Não tem problema se você for, mas pelo menos leve isto. Os doces não são chiques, mas eu os trouxe para você. Eles não são tão ruins. Oficial Dowoon, sei que estaria infringindo as regras, mas, por favor, deixe-o esconder uns dois embaixo da roupa.

Tia Chung Ha ofereceu alguns pãezinhos para Yoongi. O oficial Dowoon lançou um olhar para ela que dizia que não deveria fazer aquilo. Mas a teimosia de tia Chung Ha era grande, como a vontade do Pai sendo feita tanto na terra como no céu.

-Ele deve ficar com fome o tempo inteiro, sozinho lá na cela. Um homem jovem e saudável como ele provavelmente precisa comer muito. Por favor, oficial Dowoon!

Era absurdo: Quem era o criminoso e quem era o reabilitador? Quem estava implorando e quem estava rejeitando os apelos? Vi Yoongi olhar diretamente para tia Chung Ha pela primeira vez. Seu olhar parecia tremer com a ansiedade de ser incapaz de compreender quem ela era ou o que estava fazendo. Tia Chung Ha chegou mais perto dele e empurrou um doce pra dentro de sua camisa. Ele pareceu chocado. Jogou a cabeça para trás como se para mantê-la o mais longe possível de minha tia.

-Tudo bem. Estou feliz que tenhamos nos encontrado hoje. Yoongi, estou muito feliz por ter conhecido você. Obrigada por ter vindo me ver!

Ela acariciou o ombro dele. Yoongi pareceu aflito, como se estivesse sendo torturado. Enquanto ele se afastava rapidamente, eu o analisei com mais atenção e percebi que mancava. Tia Chung Ha ficou observando da porta até ele desaparecer no longo corredor. Ela parecia tão solitária quanto uma cabra parada à beira de um despenhadeiro sobre o mar. Apertou a testa com as mãos. Parecia exausta.

-Ele ainda está causando problemas? - perguntou tia Chung Ha ao guarda.

-Ele vai ser a minha morte. No mês passado, começou uma briga no pátio. Pegou a tampa de um braseiro de carvão que estava em um canto e ameaçou matar um dos líderes da gangue. Passou duas semanas na solitária e só saiu ontem. E também se comportou mal o tempo todo em que esteve lá. Se não o tivéssemos contido, ele teria voltado ao tribunal. Não que faça diferença. Ele já está condenado à morte, não dá para aumentar a sua pena. Não sei por que estou lhe contando isso, mas esses presos do corredor da morte acabam comigo. Para eles, não faz diferença matar mais uma pessoa enquanto estão aqui, porque sabem que a pena não vai mudar. Estão no corredor da morte, então não faz diferença 'como' morrem. Os outros presos têm medo deles, então agem como reis. Não há execução desde agosto passado, eles sabem que uma está chegando. Provavelmente é por isso que ficam mais violentos no final do ano. É quando as execuções normalmente acontecem. Depois disso, sossegam por alguns meses. Mas Yoongi é o pior de todos.

Tia Chung Ha ficou quieta por alguns instantes.

-Mesmo assim, ele veio me ver hoje. E, apesar de não me escrever com muita freqüência, ele escreve.

Tia Chung Ha parecia um detetive se agarrando desesperadamente à menor pista. O guarda sorriu de modo malicioso.

-Sendo sincero, fiquei surpreso com o fato de ele ter vindo vê-la. No mês passado, o pastor lhe deu um Bíblia. Ele a rasgou tem usado as páginas como papel higiênico. Acho que já gastou três Bíblias desse jeito.

Explodi em uma gargalhada. Se tia Chung Ha não tivesse olhado para mim, eu teria continuado rindo, mas me controlei e tentei parecer sério. Foi o suficiente para ela.

 

  

No caminho de volta para a estação de metrô, tia Chung Ha recusou terminantemente minha oferta de levá-la de carro até o convento. Não entedia por que ela insistia em usar o transporte público em um dia tão frio, mas provavelmente era a teimosia sem sentido que nós dois compartilhávamos. Enquanto esperávamos o sinal abrir em um cruzamento, perguntei:

-O que ele fez?

Não havia mais nada sobre o que conversar. Ela parecia perdida em pensamentos e não respondeu.

-Eles colocam aqueles grilhões nele porque ele ia nos encontrar?

-Não, ele usa aquilo o tempo todo.

Meu coração ficou apetado, exatamente como aconteceu quando o vi se curvar para comer o doce. No antigo conto popular Chunhyangjeon, quando a personagem principal Chunhyang se senta algemada em um instrumento de tortura chamado canga, ela parece melancólica e pensativa, talvez até cheia de dignidade. Mas aquele era apenas um truque narrativo - quanto mais trágico, melhor - para estabelecer uma virada dramática da justiça quando seu amado Mongnyong volta como um inspetor real secreto e a salva do magistrado local libidinoso que a prendeu por recusar suas investidas. Atualmente, a ideia de manter alguém preso a grilhões era chocante.

-E quando ele dorme?

-Fica com eles enquanto dorme também. O único desejo dessas pessoas é dormir com os braços esticados apenas uma vez. Alguns presos já até sofreram fraturas rolando por cima dos braços enquanto dormiam. Depois que receberam a pena de morte, passam até dois ou três anos com os grilhões antes de morrerem.

-Como eles comem?

-Eles não podem usar hashis, então levantam a tigela para comer, ou, se há muitos prisioneiros em uma sala, outra pessoa mistura o arroz para eles para que possam comer com uma colher. E o guarda ainda disse que ele esteve na solitária por duas semanas. Quando ficam na solitária, eles não vêem nem a sombra de outra pessoa. Suas mãos ficam presas atrás das costas, então precisam baixar a boca até a tigela para comer. Como ele esteve lá por duas semanas, não deve estar em seu juízo perfeito. Às vezes, não podem nem usar o banheiro. Fazem tudo nas calças. Duas semanas...

-Yoongi matou alguém, certo? Ele mesmo confessou. Quem ele matou? E por quê?

-Não sei.

A resposta de tia Chung Ha foi tão simples e direta que, por um segundo, duvidei dos meus próprios ouvidos.

-Como foi que aconteceu? Quantas pessoas ele matou? Ele saiu nos jornais, não foi?

-Já disse que não sei!

Seu tom foi firme. Eu me virei para olhar para ela. Minha tia me encarava como se houvesse algo incomum em minhas perguntas.

-Como a senhora não sabe? Vi que é membro do ministério da prisão. Não se deu o trabalho de olhar os registros quando começou a escrever pra ele?

-Eu o encontrei pela primeira vez hoje, Jimin. Hoje foi nossa primeira reunião. É isso. Quando as pessoas se conhecem, não perguntam "Então, que tipo de coisas ruins você fez?". Se ele falar sobre o assunto, então escuto. Mas nunca o vi antes. Para mim, o que vimos de Jimin hoje é tudo que existe dele.

Ela soou decidida. Era como se cada palavra tivesse sido um golpe em meu peito. Fui lembrado mais uma vez de que ela era uma freira.

-O sinal está verde. Encoste perto da entrada daquela estação na esquina. Eu ligo para você mais tarde.

Então ela saiu do carro.


Notas Finais


Então é isso, até♡
~Mãe do Day6


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