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História Ouro - Capítulo 1


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Notas do Autor


sanuso meus gayzinhos injustiçados!
deem mais amor pra eles caras

Capítulo 1 - Brilha como ouro.


 

1.

O céu se exibia em tons alaranjados, em um degradê contra o tom de azul-escuro que se abria acima deles. O sol, antes brilhando imponente sobre uma imensidão azul-clara, se escondia no horizonte. Um fantasma pálido da lua começava a sombrear o céu.

O Merry havia atracado em uma ilhazinha pacífica e não muito grande. Os telhados das casas eram compostos de terracota vermelha e as portinhas de carvalho pintadas com cal branco. Fazia um clima agradável; não muito quente, não muito frio.

As mangas da camisa do cozinheiro estavam dobradas até a metade de seus cotovelos. Ele tateou sobre a expressa calça social a carteira, no bolso na frente.

Os olhos de Sanji estavam parados a um tempo em um ponto específico. Um lindo anel liso de ouro puro, forjado sobre um aro grosso, em um típico modelo masculino, brilhando e chamando atenção na vitrine de uma lojinha. 

Ele piscou, levando o cigarro aceso entre os lábios.

O ouro ficava lindo contra a pele escura.

O sininho da loja fez um barulhinho agudo, revelando a presença de um cliente. O estabelecimento era bem simples, composto de um espaço limpo, sem adornos no piso ou nas paredes. Havia uma mesa no meio dele, onde um senhor de meia-idade se encontrava, sentado sobre um banquinho com o assento fofo.

Um vidro cobria a mesa, deixando expostas as peças em ouro, prata ou bronze; de detalhados colares com pedras preciosas brilhantes que enchiam os olhos à peças mais simples, mas igualmente belas.

O sininho da loja soou mais uma vez. Sanji olhou por cima do ombro a costumeira cabeleira cacheada se aproximar, com um olhar meio perdido. O cozinheiro ofereceu a Usopp um sorriso.

— Oe, o que você está fazendo?

Sanji deu uma última olhada no homem, que polia o anel escolhido por ele com um paninho branco. O ouro meio sujo dava lugar a uma peça bem mais brilhante.

— Comprando um anel...? — Sanji ergueu a sobrancelha aparente, empurrando seus últimos berries para o senhor. Ele não tinha certeza absoluta se aquilo não era um ato impulsivo, mas bem, estava feito. Ele poderia esperar mais alguns meses antes de comprar novos temperos e especiarias de qualquer forma.

— Para as meninas?

Sanji não lhe respondeu. A expressão de Usopp continuava confusa. O cozinheiro o ignorou.

— Vai querer gravar alguma coisa? — A voz rouca do senhor preencheu o ambiente, enquanto ele buscava por uma caixinha de veludo para guardar a jóia. Sanji negou, educadamente.

O sininho da porta voltou a soar quando os dois saíram do estabelecimento. Sanji sorriu suavemente a Usopp. A brisa calma da noite embalava os cabelos dele em uma dança exótica. Os cachos balançavam de um lado para o outro e a luz da cidade parecia brilhar contra a pele escura. Sanji se permitiu apreciar a beleza de Usopp por algum tempo, antes que o outro se desse conta dos olhos azuis sobre si.

— O ouro fica lindo contra a pele escura, Usopp. — Foram as únicas palavras que Sanji sussurrou, antes de sumir por entre as panelas, já novamente a bordo do navio.

Usopp pensou na frase por algum tempo. No final, à conclusão mais lúcida da qual ele encontrou foi admitir a si que Sanji havia enlouquecido de vez.

 

2.

 

Porém, semanas depois, quando a brisa gelada proveniente do mar os embalava contra o oceano, Usopp teve a sensação de estar errado.

As estrelas brilhavam fortes acima deles no céu negro. Usopp estava de vigia, aproveitando da companhia noturna de Sanji. As cinzas do cigarro aceso dele caíam delicadamente sobre um cinzeiro. Os dois compartilhavam um cobertor felpudo.

Não haviam muitas palavras, apenas o suave som das ondas batendo contra o casco do Sunny e eventualmente algum ou outro conto de Usopp, falando sobre como ele já havia matado um rei maldoso de um reino distante ou sobre o dia que ele reuniu cem mil piratas sob seu comando.

Sanji roçava os dedos sobre a caixinha de veludo, sentindo o toque do tecido contra os dígitos. O anel ainda estava lá, intocada desde o dia de sua compra, no bolso de calça social dele.

— Você gosta de joias? — A pergunta escapou por entre os lábios dele, entre uma ou outra tragada do cigarro. Usopp tirou os olhos sonolentos do mar escuro, encarando Sanji.

— O que quer dizer?

— Estou perguntando se gosta de joias, narigudo. 

— Não às costumo usar. — A resposta veio um tempo depois, quase arrastada.

Sanji revirou os olhos. Ele tocou a pele fria de Usopp, traçando-a com os dedos, em um toque muito delicado. Contornou os dedos longos da mão, reparando em como a textura ali era muito mais áspera do que o resto do corpo. As unhas estavam meio sujas e curtíssimas. Havia um sentimento reconfortante na sensação de tocar as pontinhas dos dedos dele, levemente calejadas por conta do trabalho como inventor.

Com a outra mão, Sanji puxou a caixinha do bolso. Ele a abriu, tirando o anel de lá.

Usopp se surpreendeu ao perceber que era o mesmo daquela noite.

Sanji voltou os olhos para as orbes arregaladas do atirador. Sob a iluminação precária, ele não podia ter certeza, mas teve a impressão de perceber as pupilas dilatadas e, mesmo encoberto pelo breu da noite e a pele negra, havia um leve rubor sobre as bochechas. Com um gesto, ele pediu a permissão para encaixar o anel nos dedos dele.

Usopp acenou com a cabeça. Sanji deslizou o metal sobre o dedo indicador e levou a mão sobre seus lábios, dando-lhe um pequeno selar.

O toque quente sobre a pele tão fria quanto o metal fez o corpo de Usopp arrepiar. Sanji suavemente se inclinou, pressionando a boca sobre a do atirador, em um beijo leve, demonstrando carinho.

Ele afastou-se pouco tempo depois. O loiro sorriu, enrolando os ombros descobertos do outro homem com o cobertor.

— O ouro fica lindo conta a pele escura.

 

3.

 

Sanji teve a certeza de suas palavras não muito tempo depois.

Usopp perambulava sobre o navio mostrando o anel a qualquer ser vivo que houvesse em sua frente. A joia brilhava em seu dedo, em um destaque imediato aos olhos.

No começo, houve uma perseguição geral dos mugiwaras para saber de quem Usopp havia ganho o anel. Robin sorria, enigmática como sempre, como se soubesse da história toda, mas entrava na brincadeira. Luffy e Chopper quase espancaram o coitado narigudo, curiosos demais sobre o anel. Nami constantemente dava indiretas sobre a história da joia, jogadas ao vento.  Zoro não dava muita atenção, por mais que às vezes fizesse uma ou outra piadinha.

Mas, saber que Usopp não tirava o anel dava a um estranho conforto ao coração de Sanji.

No final das contas, ele e Usopp eram os únicos que tinham haver com a porra do anel. E deuses, secretamente Sanji sentia seu ego ir a loucura sabendo que apenas e exclusivamente ele podia apreciar como o ouro se destacava quando os seus dedos pálidos se emaranhavam com os escuros de Usopp, sentir o metal gelado sobre o corpo, quando o atirador dedilhava as costas dele ou beijar o anel sobre a pele, em uma jura tímida de amor.

E sinceramente? Sanji estava bem com isso. Se Usopp quisesse falar sobre a origem da misteriosa joia, ele também estava. Não era culpa do cozinheiro que o ouro ficasse tão bonito contra a pele escura.

 


Notas Finais


fé e obg por ler


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