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História Ousadia - Capítulo 20


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Capítulo 20 - Capítulo 20


Ousadia


Kaminari calmamente apoiou a cabeça de seu amigo em seu colo, o Ômega ainda desmaiado no chão do banheiro, o loiro estava tentando ao máximo não entrar em pânico.

- Ok, Shouto, você têm que acordar, tipo agora! – pegou o celular, dedos trêmulos tentavam achar o contato de Shinsou.

- Oi, amor.

Em circunstâncias normais o Beta iria derreter um pouquinho ao ouvir seu apelido, no entanto seu nervosismo não permitiu que apreciasse a voz de seu namorado no momento.

- Pelo amor de Deus, eu não sabia se ligava pra você ou chamava a Samu, mas entre deixar o Shouto morrer no banheiro ou na fila do SUS, eu preferi ligar para você!

- Deixar o Shouto o quê?! – Shinsou gritou, Denki ouviu o barulho de alguma coisa caindo, logo a voz de Deku se fez presente – O que aconteceu com o Shouto?!

- Ele desmaiou aqui na tua casa, tá no chão do banheiro, o que eu faço?

Franziu o cenho quando o outro encerrou a chamada, olhou para o menino inconsciente e deu leves tapinhas nas bochechas do Ômega para tentar acordá-lo, não demorou muito para entrarem correndo na casa, o Beta nem teve a decência de parecer chocado quando Midoriya entrou correndo no banheiro.

Ele faria isso mais tarde quando estivesse teorizando como chegaram tão rápido.

- O que aconteceu? – Izuku se abaixou para tentar acordar o bicolor, em sua agitação nem notou os testes sobre a pia – Ei, Shouto...

Segurou o menor nos braços, o levou até o quarto e o colocou na cama, Todoroki estava parecendo tão pacífico. Olhou para Kaminari em busca de respostas.

- Acho que foi uma queda de pressão, só fiquei preocupado por causa da... – “Provável gravidez”, felizmente não terminou a frase – Posso deixá-lo com você? Qualquer coisa me liga, Ok?

- Beleza. – voltou sua atenção para o Ômega, nem notou quando Kaminari deixou a casa junto ao namorado.

Midoriya esperou pacientemente o garoto acordar, saiu do seu lado apenas para pegar um copo d’água para que quando Shouto despertasse tivesse o que beber. Não demorou muito para que isso acontecesse.

- Izuku. – murmurou o nome do mais velho ao sentar-se na cama, encarou as esmeraldas de seu namorado, o homem aparentando estar muito preocupado – Meu Deus, você já sabe?

- O que? Você tá doente? – segurou os ombros do menor, assistiu os olhos heterocromáticos se arregalarem em surpresa – Por que você desmaiou?

Antes de revelar a causa o Ômega fez questão de beber o copo d’água, precisava se acalmar ou iria acabar desmaiando de novo, Midoriya franzindo o cenho ao ver que as mãos do garoto tremiam um pouco.

- Izuku... – segurou as mãos do mais velho, seu polegar traçando as cicatrizes do esverdeado – Lembra quando você pensou que eu estava grávido? – não o olhava nos olhos.

- Lembro.

Com certeza ele se lembrava do quão feliz e apavorado se sentiu naquele dia, não estava em seus planos ter um filho, mas se fosse com este homem ele sabia que não se importava... Quase gritou quando sua mente chegou a uma resposta, olhou chocado para o meio-ruivo.

- Agora é de verdade. – finalmente encarou o esverdeado, lágrimas não derramadas nos olhos heterocromáticos – ‘Cê’ vai assumir?

Por um momento Izuku não pôde acreditar que Shouto teve a coragem de lhe perguntar isso, porém lembrou-se de que o Ômega foi abandonado pelo próprio pai.

- Oh, meu Príncipe. – riu ao tocar o rosto do homem e limpar as lágrimas que escaparam – Você sabe que sim.

Todoroki observou o maior tocar sua barriga, Deku com um sorriso tão bonito no rosto que fez seu coração acelerar, não se surpreendeu quando o Alfa levantou sua blusa e começou a beijar sua barriga.

- Para! – riu – Está fazendo cócegas, Vagabundo!

O Alfa não parou até que o menor estivesse se contorcendo nos lençóis, estava tão feliz pela notícia, um filho lhe daria muitas preocupações, porém também lhe daria muita felicidade. Tudo ficaria bem se tivesse Shouto ao seu lado.

- Eu te amo. – sussurrou para o meio-ruivo – Muito mesmo.

Todoroki suspirou.

- Eu também te amo.


...


- Eu vou ser pai! – anunciou para seus amigos.

Shinsou fingiu surpresa enquanto os outros simplesmente começaram a gritar em comemoração, Bakugou abraçou seu amigo, Dabi tentando processar a informação de que seria tio. Kirishima fez questão de pegar as cervejas.

- Não posso acreditar nisso. – o moreno murmurou para si mesmo – Se bem que tava demorando...

Começaram a conversar, Bakugou e Dabi brigando para saberem quem seria o padrinho da criança, Midoriya deixou que continuassem a brigar mesmo sabendo que Shouto queria que Denki fosse o padrinho.

- Ei, Deku, e se essa criança for um Ômega? – Eijirou riu quando o outro se engasgou com a cerveja – Se for surtado igual o Shouto...

Izuku sentiu seus ombros ficarem tensos ao pensar em uma criança tão ousada quanto o bicolor, imaginou o/a Ômega chegando em casa e apresentando o namorado...

- Deku? – Hitoshi o chamou.

O Alfa o ignorou em prol de entrar em pânico ao imaginar a criança se envolvendo com algum traficante, ele só conheceu o bicolor porque ele foi louco o suficiente para se meter com Uraraka. Dizem que a história costuma se repetir, certo? E no dia do casamento? Não, Deku não poderia imaginar entregar seu precioso bebê para outra pessoa!

- Cara, relaxa, essa criança ainda nem nasceu... – Katsuki tentou lhe lembrar, no entanto o esverdeado já se encontrava murmurando sobre casamento.

E as roupas curtas que Shouto usa? Provavelmente a criança seguiria o mesmo exemplo, além de se preocupar com o meio-ruivo, agora também tinha seu filho...

- Eita peste. – Dabi riu quando Izuku saiu correndo, disse que iria atrás do Ômega – Por que você não ficou calado, Eijirou?

- Desculpe! – pediu quando o loiro lhe deu um soco no ombro.


...


Deku estava planejando se mudar para uma casa maior, seu filho precisaria de um quarto para si, o homem se sentiu agradavelmente surpreso com a quantidade de fraldas que recebeu dos moradores da favela, não sabia que tanta gente gostava dele e de seu marido.

Agora fazia questão de chamá-lo assim.

Midoriya chegou em casa para se deparar com uma cena que se tornou bastante comum: Todoroki chorando como uma criança enquanto era consolado por seus amigos.

Antes da gravidez era raro ver o Ômega chorar, agora eram raras as ocasiões onde ele não estava chorando.

- Não chora, Shouto... – Shinsou sorriu para acalmar o menor – Vai ficar tudo bem.

- Não! O Fernando morreu. – se recusava a acreditar que seu personagem preferido havia morrido no livro em que estava lendo.

- Shoutinho. – chamou o menino.

O bicolor correndo até ele assim que ouviu sua voz, abraçou o menor que começou a chorar em seus braços, fez sinal para que seus amigos fossem embora.

- Ele morreu, Izuku. – choramingou.

- Tá tudo bem, tá tudo bem...


...


Todoroki percebeu que depois que descobriu sobre a gravidez ele tinha ganho “seguranças”, sempre que saia para algum lugar era acompanhado de alguém. Desta vez eram Denki, Midoriya e sua mãe.

- Que fofinho, eu gostei desse. – Rei sorriu ao colocar um ursinho de pelúcia no carrinho de compras.

Izuku praticamente servindo de empregado para o trio, apenas empurrava o carrinho com todos os itens que colocavam dentro, sentia-se aliviado por dinheiro não ser um problema.

- O que está faltando? – perguntou o bicolor – Mamadeira?

- Já colocamos. – o loiro assentiu.

- Não acham que estamos comprando as coisas muito cedo? Nem sabemos o sexo do bebê. – Todoroki se animou ao entrar na seção de roupinhas – Deixa pra lá.

O Alfa se viu preso entre ter que escolher entre rosa e verde, estampa de gatinho ou cachorrinho, azul ou amarelo, no final ele sempre colocava as duas opções para não deixar o Ômega triste, sabia o quanto Ômegas podiam ficar decepcionados com a falta de interesse de seus companheiros.

- Denki... – Rei se afastou com o Beta para deixarem o casal sozinho por um momento.

Deku sorriu quando o menor se virou para si com lágrimas nos olhos, o mais novo lhe mostrando uma roupinha.

- Olha, Vagabundo... – segurou a roupa na frente do rosto.

Izuku rindo ao ler a frase “Eu amo o papai!”.

- É lindo, meu amor.

Ignorou completamente o fato de que estavam levando mais coisas que o necessário.


...


No dia em que foram fazer o primeiro ultrassom, Todoroki se viu agradavelmente surpreso por não demorar a ser atendido, sentiu-se emocionado ao ouvir os batimentos cardíacos do bebê.

Midoriya segurando sua mão durante todo o processo, o Alfa chorando como uma criança.

- Oh... – o médico chamou a atenção dos pais – Tenho uma notícia para vocês.

- Uma boa notícia? – o esverdeado já podia sentir seu nervosismo voltando.

- Sim, creio que sim. – o médico riu – Vocês terão gêmeos.

Todoroki se engasgou com a própria saliva, ignorou seu marido que começou a comemorar, na cabeça do meio-ruivo só se passava uma coisa: quando é que eles irão dormir?

- Meu Deus do céu. – ele não tinha ideia de como iria cuidar de uma criança, quem dirá duas?

- Ei, vai ficar tudo bem. – seu Alfa tentou lhe acalmar com seus feromônios – Ok? – olhou para o médico – Têm como saber o sexo?

- Ainda não.

Depois descobririam que eram dois garotos.


...


Shouto – diferente de seu marido – não estava conseguindo dormir, hoje ele assistiu Deku e seus amigos pintarem o quarto dos bebês, montarem os berços e os móveis. Estava tudo planejado para a chegada de Karma e Shouyou, os nomes que tinham escolhido.

Mas ele estava preocupado, ainda não sabia como lidar com isso, não importava quantos livros sobre paternidade tivesse lido.

- Izuku, acorda... – balançou o Alfa.

O traficante suspirou antes de encarar o meio-ruivo.

- Que foi?

- Eu estou com desejo. – falou um pouco envergonhado – Quero bolo de chocolate.

O maior assentiu.

- Ok, mais tarde eu prometo que compro para você.

O homem grávido franziu o cenho, olhou boquiaberto para o esverdeado.

- Como assim “mais tarde”? – cruzou os braços – Eu estou com desejo agora! Você quer que nossos filhos nasçam com cara de bolo?

- Mas, meu Príncipe, são três horas da manhã... – tentou argumentar.

Balançou a cabeça em negação para interromper o maior, respirou fundo para não começar a chorar, seus hormônios o deixando completamente sensível a qualquer coisa.

- Você acha que esse bolo é só pra mim? É para os nossos filhos também! ‘Cê’ me engravida e depois decide não me alimentar? Tá bom, Izuku, agora eu sei que vou ter que me virar para criar meus filhotes sem o seu apoio.

- Pare de drama. – riu.

- Eu não sou dramático! – gritou – Eu quero bolo e quero agora!

- Não têm nenhum lugar aberto a essa hora.

- ‘Independente’, se você fosse um bom marido daria um jeito! Agora quando nascerem com cara de bolo, não venha reclamar.

Izuku suspirou quando o Ômega deitou-se na cama e virou as costas para ele, pensou por um momento antes de se levantar e se arrumar para sair.

- Estou indo comprar o bolo.

- Obrigado, Vagabundo. – se levantou com um sorriso e beijou os lábios do Alfa – Te amo.

- Também te amo. – “Oh homem bipolar.” Pensou com um sorriso no rosto.

Assim que saiu de casa ligou para seu amigo, foi atendido pela voz de sono de Bakugou.

- Que foi? Shouto te expulsou de casa de novo? – o loiro perguntou.

- Bora, todo mundo me ajudando a achar bolo de chocolate.

- Como é que é?!

- Também chame o Kiri, o Dabi e o Shin, o Shouto tá com desejo.

- E que porra eu tenho a ver com isso? O marido é teu, não meu.

- ‘Na humildade’, me ajuda aí, é capaz do Shouto me matar se eu não voltar com esse bolo.

Ouviu um suspiro exasperado vir da linha.

- ‘Tamo' indo.

Aquela foi apenas a primeira madrugada de várias. No final o Ômega sempre acabava vomitando tudo o que comia. Os criminosos se sentiam aliviados por Todoroki não querer comer tijolo.



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