História Out of Style - Capítulo 6


Escrita por: e WrittenByHekkie

Postado
Categorias Loona
Personagens Choerry, Chuu, GoWon, HaSeul, HeeJin, HyunJin, JinSoul, Kim Lip, Olivia Hye, ViVi, Yeojin, Yves
Tags Hyewon, Lipseul
Visualizações 167
Palavras 5.715
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), LGBT, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Acharam que não voltaríamos, né?

Bom, eu (sam) estou de férias e precisei reorganizar tudo o que tava me bloqueando e atrasando horrores as atualizações, quem me acompanha sabe que eu exclui a minha outra fanfic e pretendo focar unicamente em OOS por um tempo. Então esperem de verdade caps regularmente, pois a Mandy e eu estamos dispostas a alimentar vocês com frequência. Para os que ainda estão aqui com a gente, agradecemos de verdade!

Espero que gostem desse capítulo cheirosinho.

Capítulo 6 - O que não deve ser dito.


 

Sete pares de olhos estavam direcionados a ela dentro daquela sala, o primeiro período de aulas tinha acabado e agora todos os membros do grêmio estudantil se reuniam. A gravata em seu colarinho a incomodava, fazendo-a suspirar e folga-la rapidamente. Na verdade, tudo a incomodava desde aquele momento com a delinquente no armário. Jungeun foi extremamente fraca e irracional, odiava perder o controle de qualquer coisa ao seu redor. Dois dias haviam se passado e ela adoraria sumir por um tempo, mas encontrava-se presa naquela sala e ela sabia exatamente o motivo daquela reunião.

— Esses são os relatórios de advertências e suspensões dos últimos dois dias. — Heejin colocou uma pequena pilha de papeis sobre a mesa, empurrando-os em seguida em direção a presidente.

— Todos com a sua assinatura, Eun. — Kahei concluiu de forma ponderada. — O diretor quer cortar as nossas cabeças.

— Ele que lide com os alunos irresponsáveis dessa escola. — A loira tentava não encarar os colegas de grêmio, mantendo o olhar firme em algum ponto na grande mesa.

Jiwoo, que antes estava sentada apenas observando, levantou e ficou ao lado de Heejin. Sua expressão não era das melhores e isso contribuía para deixar o clima um pouco mais pesado, afinal, vê-la aparentemente irritada era algo extremamente raro.

— Ele cancelou todas as suspensões assinadas por você. — A ruiva iniciou. — O que a gente quer entender, é o porquê de você ter aplicado quinze registros como esse nos últimos dois dias.

Quinze.

Dez advertências e cinco suspensões.

— Isso foi o que aplicamos no último bimestre. — Heejin informou.

Fazia parte de um acordo equilibrar o número de ocorrências, havia semanas que não registravam nem mesmo uma advertência. Fosse por todos os alunos terem plena consciência das regras ou por relevarem pequenas coisas.

O resultado dos dois meses anteriores fora batido em apenas dois dias.

Os seus dedos tocavam a madeira da mesa em um ritmo harmonioso, ela estava uma pilha de nervos e admitia que tinha exagerado na maioria das ocorrências. Não era de sua personalidade deixar problemas pessoais afetarem seu desempenho escolar, mas o clima em casa não era dos melhores e ela ainda precisava lidar com o que acontecia.

Odiava fechar os olhos a noite e sentir o toque da delinquente em suas coxas, odiava tomar banho e lembrar do gosto dos lábios finos da garota em uma mistura suave com o cheiro que impregnou em sua mente. Kim Jungeun odiava ter se deixado levar por um momento e agora lidar com as consequências.

— Eu sinto muito, pessoal. — A fala seguiu de um suspiro ainda mais pesado que o anterior. Buscou os olhos do irmão, que assentiu em compreensão. Provavelmente ele achava que era apenas pelo estresse familiar que ambos passaram. — As coisas não andam muito bem...

— Nós entendemos você, sei que é difícil lidar com a pressão que colocam na gente... — Sooyoung estava completamente certa. — Mas não podemos deixar algo assim acontecer novamente.

— Você advertiu um aluno do primeiro ano por errar uma embalagem de leite que tentou arremessar na cesta de lixo.

Certo... Falando assim parecia engraçado.

— Eu irei assinar o cancelamento das advertências e vou entregar pessoalmente ao diretor. — Ela precisava fazer o seu papel como presidente e consertar a merda que tinha feito.

— Se precisar de ajuda... — Kahei prontificou-se. Elas tinham um pequeno relacionamento de gato e rato, mas ambas sabiam que eram colegas de grêmio e também possuíam um certo nível de amizade.

Mesmo que Jungeun soubesse que as mãos que percorreram por seu corpo, também tocaram cada centímetro da garota de franjas a sua frente. Haseul fazia todos de seu brinquedo particular e ela fora gentilmente incluída na imensa lista.

— Não precisa, Kahei, mas obrigada de qualquer forma. — A loira sorriu de forma sincera, afastando qualquer outro pensamento.

Jungeun levantou-se da cadeira, tocando os fios loiros em sinal de estresse, aqueles últimos dois dias estavam sendo difíceis de lidar. A presidente recolheu os papéis e guardou na gaveta de sua mesa sob o olhar atento dos outros, por dentro ela estava uma pilha de nervos, por fora, tentava ao máximo disfarçar.

— Bom... Acho que podemos ir, certo? — Yoongi decidiu quebrar o silêncio, estava na hora do almoço e eles nunca deixavam de comer juntos.

Jungeun assentiu liberando os colegas.

Não sabia o que era pior, voltar pra casa e ter que aguentar o drama familiar ou ficar na escola e ter chances de encontrar com os olhos degradê pelos corredores. Estava sendo complicado o suficiente ignorar a existência da delinquente depois do que houve, ainda mais quando ela infelizmente faz parte da sua turma e faz questão de distribuir um sorriso presunçoso gratuitamente.

— Vocês podem ir na frente, Heejin e eu precisamos falar com a Eun. — Anunciou Taehyung, Heejin o olhou por um segundo entendendo do que se tratava. Todos sabiam que os três tinham uma relação mais próxima e aquele tipo de aviso significava apenas uma coisa: Assunto particular.

Todos se retiraram do pequeno cômodo rumo ao refeitório, deixando as três figuras para trás dentro da sala do grêmio, pela primeira vez no dia, fazendo a loira suspirar aliviada enquanto encostou as costas no armário. A gravata já folgada, foi retirada de seu colarinho em um único movimento, fazendo com que se sentisse menos sufocada.

— As coisas em casa estão um inferno. — Taehyung relaxou a postura na cadeira. Ele estava esgotado, assim como a irmã. — Acho que o meu pai anda traindo a minha mãe.

Heejin abriu a boca em surpresa, querendo dizer algo, mas nada saiu. A morena caminhou até estar próxima o suficiente para abraçar a melhor amiga, que não tardou a relaxar nos braços da mesma. Jungeun precisava disso como ninguém.

— Ontem eles tiveram uma briga pesada. — Jungeun disse em um sussurro, sentia um incomodo na garganta, mas jamais iria se permitir chorar. — Eu não consegui dormir direito.

— Cada dia fica mais difícil estar naquela casa, aqueles dois estão praticamente forçando um casamento fadado ao fracasso. — A verdade escorreu pelos lábios do rapaz como a coisa mais normal do mundo.

Heejin afastou o abraço para encarar os olhos vazios da amiga, sabia que algo estava ocorrendo, mas não imaginou que seria familiar. Suas mãos pegaram o tecido que a outra segurava, passando-o gentilmente pelo colarinho da loira, de forma carinhosa e acolhedora elas trocavam olhares cúmplices enquanto a morena arrumava o uniforme da melhor amiga.

— Hoje vamos esquecer isso e esvaziar a mente, certo? — A frase fora para ambos os irmãos. — Somos pressionados o tempo inteiro como integrantes do grêmio, você principalmente, Eun. — Heejin dava um simples nó na gravata de Jungeun, enquanto a mesma a ouvia atentamente. — E ainda ter que aturar problemas familiares é muito injusto, eu queria poder cuidar mais de vocês. De vocês.

Heejin era como o porto seguro para os irmãos, mesmo que fosse mais próxima de Jungeun, ela também tinha uma grande amizade com o mais novo. A loira gostaria de compartilhar com ela tudo o que estava a deixando aflita nos últimos dois dias e com “tudo”, ela se referia até mesmo ao que tinha acontecido no armário, mas ela não podia. Jungeun jamais deixaria alguém saber que ela se pegou com alguém como Jo Haseul, a sua reputação iria para o ralo e a sua vida viraria um inferno pior do que já estava sendo.

Duas noites sem dormir direito, dois dias de completo estresse e no fundo, ela sabia que o clima dentro de casa era o menor de seus problemas. Seu pais brigavam frequentemente, mas era um par de olhos degradê que infortunava a sua mente antes de deitar, dois dias, quarenta e oito horas, esse era o tempo que a mesma tinha iniciado a falha tentativa em ignorar a existência de Haseul.

Dentro da escola, ela passou a desviar corredores e na sala da aula, ela fugia de seu olhar como quem foge do pior dos julgamentos, e de fato era o que ela estava fazendo. Fugindo do que aconteceu, fugindo do toque em sua pele e do gosto do beijo da de cabelos curtos, Jungeun fugia do enorme incomodo em seu interior que insistia em atormenta-la. Ela sabia que tudo isso era apenas tesão acumulado, principalmente quando chegou em casa na mesma noite do ocorrido e se tocou inúmeras vezes enquanto tomava banho em sua banheira, pensando que cessaria o desejo que sentia, mas para sua infelicidade aquilo não bastava. O seu corpo pedia por outro, quem ela estava querendo enganar?

A si mesma, talvez.

Ela não deveria ter chegado naquele ponto e agora precisava lidar com as consequências, conhecendo bem o gênio da delinquente, poderia ter a certeza que não conseguiria fugir por muito tempo e logo precisaria estar preparada para ser confrontada. Porque Jo Haseul agora sabia o efeito que tinha em si e nada a impedia de aproveitar-se disso.

A grande questão é se ela permitira que isso acontecesse novamente...

— Onde eu aperto pra pular para o momento em que chegamos na sua casa? — Taehyung brincou para quebrar o clima. Estava ansioso para a festa do pijama que iriam fazer na casa da Jeon mais tarde.

 Aquilo interrompeu a avalanche de pensamentos na mente da loira, que agradeceu ao irmão mentalmente. Mais um pouco e ela surtaria.

— Eu comprei guloseimas e pipoca de micro-ondas, também não esqueci do leite condensado e refrigerante. — Heejin sorriu ao terminar de ajeitar o uniforme da outra. — A Kahei me mataria se eu esquecesse de algo.

— Ou ela iria te fazer sair pra comprar como fez na casa do Yoongi. — Taehyung recordou—se do dia em questão.

— Errada ela não estaria. — Jungeun disse recebendo uma careta por parte da melhor amiga. Adorava irritar a morena.

Taehyung deu um breve riso.

— O importante é que hoje eu vou comer muita porcaria e ver bons filmes. — O mais novo disse, por fim.

Definitivamente o momento de descontração na casa da amiga serviria para esquecer, ao menos por um momento, tudo o que ocupava a sua mente. Ela realmente precisava de um pouco de paz e esperava ter isso durante o final de semana, precisava apenas sobreviver a esse dia.

— Agora vamos encontrar os meninos, eles devem ter guardado a nossa comida. — Heejin avisou para que também seguissem ao refeitório.

— Eu realmente estou com fome. — A loira sentiu a barriga vazia, não comia desde a noite anterior. Preferiu não tomar café da manhã em casa, o clima na mesa estava insuportável.

 

[...]

 

— Você ainda ‘tá com essa porcaria na mão? — Hyunjin tirava sarro do pequeno curativo na mão machucada de Hyejoo.

O refeitório estava completamente cheio, murmurinhos eram ouvidos por todos os lados, conversas sendo jogadas fora e fofocas sendo compartilhadas.

— O que você tem a ver com isso mesmo? — Hyejoo estava irritada, desde que havia contado sobre a sua pequena interação em sala com Chaewon, Hyunjin não a deixava em paz um segundo.

Talvez fosse porque a garota estava com o mesmo curativo brega que certo alguém tinha colocado dias atrás.

— Você não toma banho? Isso deveria sair na água, sabia? — A arte de irritar as amigas, Kim Hyunjin dominava bem.

— Eu tiro para tomar banho e depois coloco de novo, não quero perder ele. — Hyejoo admitiu sentindo as bochechas esquentarem. Perguntava-se mentalmente o quanto estava sendo trouxa.

Mesmo que o machucado já estivesse sarando por ter sido superficial.

— Isso é loucura, você ‘tá manchando a nossa imagem. — A mais velha deu um pequeno gole em seu suco de caixinha enquanto encarava a amiga a julgando mentalmente.

— Não é porque você e a Haseul saem por aí pegando todo mundo que significa que eu também devo fazer isso. — Um ponto para Son Hyejoo. — E espera só você começar a gostar de alguém, eu vou pegar tanto no seu pé que você vai suplicar ‘pra que eu pare.

— Então agora admite que ‘tá gostando da loirinha? — Hyunjin arqueou uma sobrancelha.

— Eu não estou gostando de ninguém, Hyun. — Hyejoo apontou a faca de plástico em direção a amiga. — Você é irritante!

— Eu concordo. — Uma terceira voz foi ouvida.

Haseul, que antes estava na fila para pegar a comida, chegou finalmente à mesa para acabar com a discussão entre as amigas. De longe pode notar a mais nova gesticulando arduamente e isso acontecia quando ela ficava nervosa, supôs então que Hyunjin estava pegando no seu pé.

— Ainda bem que chegou, eu não aguentava mais ela me enchendo o saco. — Hyejoo suspirou vendo a amiga sentar—se ao seu lado.

— Ela que não admite que ‘tá sendo trouxa pela loirinha do grêmio estudantil.

— Tudo isso por que ela insiste em guardar esse curativo brega? — Haseul pergunta entrando na pilha da mais velha e levando um pequeno empurrão no ombro pela mais nova.

— Até você, Seulie?

— Você deveria simplesmente pedir outro a ela, a garota ‘tá na sua e todo mundo nota menos você. — Haseul não era a melhor nesses assuntos românticos, mas sabia dizer quando alguém estava interessado em si.

— Eu já tinha chegado nela, tocando assim no ombro e... — Hyunjin esticou-se para tocar no ombro de Hyejoo que estava a sua frente do outro lado da mesa. — Depois disso eu diria... E aí? — Usou de um tom rouco que deveria ter saído provocativo, mas serviu apenas como motivo de risada para as amigas.

— Deve ser por isso que você não fica com ninguém há um bom tempo. — Haseul disse, não perdendo a oportunidade de tirar sarro da amiga.

O clima descontraído e a risada das garotas pareceram chamar a atenção de uma certa pessoa na mesa mais a frente, a garota de cabelos curtos sentiu-se observada e parou de comer por uns segundos para erguer a cabeça e capturar o olhar de Jungeun em si. A loira rapidamente desviou e esforçou-se para fingir uma conversa qualquer com os colegas de mesa, mas ela não conseguia enganar Haseul, que pôs um sorriso sacana nos lábios ao notar que presidente estava a olhando.

O seu ego era massageado sempre que lembrava dos lábios carnudos da garota nos seus, adorava saber que tinha deixado uma confusão na mente da aluna exemplar que todos amam. Gostaria de saber o que teria acontecido dentro daquele cômodo se ambas não tivessem sido interrompidas, de toda forma não pagaria pra ver, não é como se aquilo fosse acontecer novamente. Haseul não se prendia a ninguém, muito menos a alguém como Jungeun, metida e prepotente.

Ao menos pode constatar que ela era gostosa, mais do que algumas outras que já teve o prazer de foder por alguns cantos daquele prédio.

Enquanto para a delinquente aquilo não tinha sido nada, para a presidente era o seu maior arrependimento.

— Eu preciso falar com a Jiwoo. — Hyunjin anunciou terminando de comer. — Ela falou sobre dormir na casa de algum dos amiguinhos engomadinhos dela, mas preciso confirmar.

— E o que vai mudar ela dormir fora ou não? — Haseul perguntou curiosa depois de seus devaneios.

A comida em seu prato estava quase intocada, não curtia muito a comida do refeitório, mesmo que fosse mil vezes melhor agora do que antes. De toda forma era melhor do que as porcarias que comia em casa quando era obrigada a cozinhar porque o seu pai chegava completamente bêbado durante madrugada.

— Vai mudar que eu vou ter que fazer a minha janta, sabe como é... A melhor parte da Jiwoo ter ido morar na minha casa é que ela sabe cozinhar como ninguém e eu sou um desastre.

Alguns momentos as amigas esqueciam completamente do parentesco entre as Kim’s. Talvez fosse pela diferença entre elas, uma integrante do grêmio estudantil e a outra parte do grupinho mais detestado por eles.

— Sobre aquilo que a gente ‘tava conversando... — Haseul iniciou cautelosa, sabia que Hyejoo ficaria incomodada com o assunto.

— Tudo certo pra esse final de semana, eu falei com o meu pai e ele topou te ajudar nisso. — Hyunjin sorriu.

— Do que estão falando? — Hyejoo indagou em confusão. Odiava quando era a última a saber das novidades.

— A Haseul pediu pra trabalhar meio-período em uma das lojas de conveniência do papai. — Maldita fosse a boca de Kim Hyunjin.

Haseul não gostava que se preocupassem com ela, custou muito pedir para a amiga falar sobre o interesse em trabalhar na pequena do bairro, mas infelizmente ela precisava de dinheiro e ficava cada vez mais difícil lidar com as coisas em casa e manter o seu carro enquanto seu pai gastava todas as economias em garrafas de cerveja.

O único dinheiro que tinha era o que seus avós mandavam e ela precisa os manter escondido para que o homem não os gastasse também.

— Você sabe que se estiver precisando de algo, basta pedir, Seulie! — A mais nova entre elas era extremamente super protetora, detestava o orgulho enorme que a amiga carregava no peito.

— Eu tentei dizer isso, mas...

— Vocês sabem que não adianta, eu quero trabalhar e ganhar algo a mais pra ajudar a manter as coisas. — A palavra de Haseul era a última, sempre. — E não quero ter que vender o meu carro.

— Ainda assim a gente vai tentar ver algo pra te ajudar, tudo bem? — Hyejoo pôs a mão sobre a de Haseul, Hyunjin assentiu e a mais velha apenas suspirou.

Em momentos assim ela sabia que não estava sozinha.

— O que seria de mim sem vocês duas? — Era a hora de Haseul massagear o ego das outras duas. — Agora você vai resolver logo o que tem pra falar com a sua prima, o intervalo daqui a pouco acaba. — Haseul avisa.

Detestava ter que admitir, mas assistir as aulas tinha se tornado extremamente interessante, principalmente quando sabia que apenas a sua presença na sala de aula deixava um certo alguém inquieto.

— Você vem comigo, Hye. — Hyunjin levantou já puxando a mais nova pelo braço.

— O que? A prima é sua, eu não tenho nada a ver com isso! — Hyejoo até tentou ficar na mesa, mas a amiga era mais forte. Haseul apenas observava achando a situação engraçada.

— A sua loirinha ‘tá sentada do lado dela, inventa alguma coisa e fala com ela.

Hyunjin era terrível em ser cupido e excelente em constranger as pessoas.

Hyejoo pediu ajuda a Haseul apenas com o olhar, mas a mais velha apenas ergueu a sobrancelha como quem diz “não custa nada, vai lá”. A mais nova praguejou-se mentalmente por ter amizades que adoram ferrar com ela. Nem dez metros separavam as duas mesas, mas para Hyejoo aquele caminho pareceu uma eternidade, levanto em conta que ela era praticamente arrastada até a mesma. E para a sua infelicidade, não demorou para que as duas figuras fossem notadas pelos estudantes sentados ali.

— Boa tarde, amigos. — Hyunjin forçou a voz e um sorriso irônico para cumprimenta-los. Adorava deixar claro o quanto não ia com a cara deles.

E era recíproco.

Hyejoo apenas permaneceu ao lado da amiga, dando um breve aceno para Chaewon que sorriu ao notar a sua presença. Interação essa que não passou despercebida pelos olhos da presidente.

— O que faz aqui, Kim? — Jungeun tomou a frente. — Não é um bom dia para arrumar confusão, não esqueça que eu livrei vocês duas de uma bela advertência por causar problemas. — Disse se referindo a briga no estacionamento.

O seu problema não era exatamente com ambas, levando em conta que a mais nova parecia ser alguém completamente diferente do que aquele grupinho era, mas Hyunjin era conhecida por ter uma personalidade extremamente peculiar quando se tratava de resolver problemas.

— Meu assunto não é com você, Jungeun. — A rebelde deu um sorriso amarelo. Hyunjin então direcionou o olhar para a prima, que já imaginava do que se tratava. — Por favor me diz que eu não vou precisar cozinhar hoje a noite... — A garota não ligava de interagir na frente dos engomadinhos, afinal, sabia que a prima também não via problema.

— Por hoje sim, Jin. Eu sinto muito, mas prometo fazer algo bom pra gente comer amanhã. — Jiwoo tentou comprar a prima pela barriga, recebendo um sorriso em resposta. Aparentemente tinha conseguido.

A conversa na mesa tinha sido retomada aos poucos, fazendo com que nenhum dos outros prestassem muita atenção ao que as duas falavam. Sempre que as duas interagiam na escola era pra falar sobre algo pessoal, preferiam não ligar muito e logo estariam sozinhos novamente.

A birra entre o grêmio estudantil e o trio de delinquentes chegava a ser engraçada aos olhos de alguns ali dentro, sendo assim motivo de fofocas quase todos os dias pela maioria dos alunos daquele lugar.

— Pra onde vai mesmo?

— Passar a noite na casa da Heejin, mas prometo estar em casa para o almoço amanhã. — Hyunjin ouviu apenas a primeira parte, notou que a vice-presidente passou a prestar atenção na conversa após ouvir o seu nome.

— Aproveita que vai passar a noite na casa dela e pede pra caloteira me pagar o que ‘tá devendo. — Hyunjin avisou a prima, mas manteve o olhar direcionado a Heejin, que quis enfiar a cabeça em qualquer buraco que visse.

Maldita.

Jiwoo não entendeu muito bem, mas assentiu ainda em confusão. Hyunjin era esquisita as vezes.

— Eu vou indo, foi um imenso desprazer olhar ‘pra cara de vocês. — Hyunjin fez questão de dizer em um tom de voz claro, mesmo que eles nem ligassem mais, estavam acostumados com o gênio forte da prima de Jiwoo.

De início foi um pouco difícil para a ruiva lidar com o ódio mortal que a prima sentia em relação ao grêmio, a implicância sem sentido chegou a gerar algumas discussões entre as duas, mas no final elas aprenderam a separar, afinal, moravam sob o mesmo teto.

— Hm... Chae-Chaewon... — Hyejoo tirou coragem do além, para chamar a garota que logo a olhou. As mãos suadas escondidas no bolso de sua jaqueta eram como um pequeno segredo do efeito que a pequena tinha sobre si. — Eu queria que me emprestasse as anotações da aula de... — Anda Hyejoo, pensa! — História! Se não for incomodar, claro.

— Não vai, quando voltarmos a sala eu te empresto o meu caderno, pode ser? — O tom suave da voz da loira, deixou-a mais tranquila, mesmo que todo mundo estivesse observando a breve interação das duas.

— P-pode sim... Obrigada! — A garota estava nervosa, mas ganhou um sorriso sincero por parte da Park.

Hyunjin precisava fazer uma nota mental de ensinar a amiga algumas dicas de como parecer menos idiota.

Com isso em mente, a mais velha arrastou a outra agora de volta para a mesa em que estavam antes, voltando a conversar besteiras enquanto Haseul alternava entre ficar por dentro do assunto e notar o mesmo olhar sobre si algumas outras vezes. Aquilo estava se tornando divertido.

 

[...]

 

Os alunos caminhavam apressados pelos corredores, o último período estava prestes a começar e eles trombavam uns com os outros tentando chegar em suas respectivas salas. A pressa era tanta que nem conseguiam prestar atenção ao redor, isso acontecia pela vontade de terminar mais um dia e finalmente poder ir para casa. Os sorrisos compartilhados nos cumprimentos, os grupinhos antigos que iam juntos para todo lugar e até aqueles que não eram notados por ninguém tinham algo em comum, o ambiente escolar era um inferno particular que teriam que lidar.

Haviam sim momentos aqui e ali que poderiam ser ditos felizes, todavia muito mais ligados a pessoas, do que a instituição.

Haseul era uma das pessoas que encontrava esses momentos proveitosos na escola, era mais verdadeira que muitos ali, cada um travava sua própria batalha, mas ela não escondia de ninguém que estava em uma guerra sem indício de fim. Todo dia era uma luta diferente, os machucados no rosto não eram nada, de certa forma a faziam lembrar que estava viva e precisava continuar lutando.

E por falar em machucados... Seu olho ainda estava roxo, mas ao menos o machucado em sua boca apresentava certa melhora. Uma coisa de cada vez.

A delinquente fingia mexer em algo no armário, os livros amontoavam-se desde o início do ano letivo, em um estado tão perfeito que pareciam não ter sido tocados desde então. Ela os encarava para não se deixar irritar pelos curiosos que passavam por si e cochichavam, a vontade era de gritar com todos: “Sim, eu apanhei e minha cara está horrível, alguma outra pergunta?” mas não tinha tempo para isso, precisava falar com um certo alguém, por isso decidiu esperar calmamente encarando os livros.

Quando a figura finalmente apareceu, o corredor já estava quase vazio, a espera fez a pouca paciência esvair, precisou respirar fundo e fechou o armário a medida que olhava para os lados pensando que seria arriscado, mas sua outra alternativa seria enfrentar um leão e preferia ser caçadora, a caça. Haseul segurou o braço de Kahei quando esta já estava bem próxima, a chinesa a olhou assustada e tentou soltar-se, a morena apenas ignorou-a e a puxou até a sala de música, que pelo horário estava vazia. Já dentro da mesma ela não perdeu tempo em colar os lábios finos nos da ruiva, segurando-a firmemente pela cintura, ela tinha um fraco por situações perigosas e Haseul não hesitaria em usar a seu favor.

Droga Jo! O que você pensa que está fazendo? — Kahei disse com a respiração descompassada, ter os olhos coloridos encarando-a tão de perto era excitante e assustador. Não se importava com os machucados, eles não diminuam a beleza do olhar peculiar que a outra tinha.

— Eu só estava passando e te vi, então pensei... Por que não? — Haseul sorriu, a ruiva sempre foi uma presa fácil, mas nunca misturou suas vidas mais que o suficiente, estava prestes a cruzar uma linha que não pretendia.

— Você sabe que não podemos ser vistas assim. — Suspirou e passou as mãos nos fios perfeitamente arrumados.

— E qual o problema? Você se importa se descobrirem sobre nós? — É claro que sim. Não era só a delinquente que fazia as garotas de brinquedo para aliviar o estresse, ela também era usada, não via problema nisso, não tinha nada a oferecer a ninguém e ter alguém que esperava algo dela era de certa forma sufocante.

— Eu não me importaria se realmente existisse “nós” — Kahei engoliu o excesso de saliva que se formou na boca, em outra realidade ela andaria de mãos dadas com a Jo, a apresentaria orgulhosa para os amigos, mas agora sentia como se estivesse se envolvendo com alguém sempre com um isqueiro na mão pronto para atear fogo em tudo.

— E não existe? — Brincou. Nunca existiu um nós para Haseul, ninguém nunca quis seus monstros, ninguém nunca quis saber o que ela era fora dos portões da escola.

— Existe? — A ruiva arqueou a sobrancelha, nunca soube decifrar Haseul, nunca pareceu certo tentar o próximo passo, era melhor continuar com suas poucas migalhas do que deixar de sentir as mãos quentes na cintura.

— Quem sabe? — A delinquente soltou o corpo esguio da chinesa e sentou em um banquinho próximo as guitarras.

O ambiente era silencioso, não se ouvia mais as vozes animadas do lado de fora, os alunos dentro de suas salas não notariam a falta de Haseul. Será que ela notaria? O pensamento veio em uma fração de segundos e a mesma tratou de expulsá-lo, Jungeun seria a última pessoa do mundo que sentiria sua falta, pelo contrário, comemoraria sua ausência.

Não tinha tempo para pensar em outras coisas, nem garotas mimadas que acham que podem mudar o mundo com advertências. O mundo era uma merda, e ela apenas tentava viver um dia por vez. Agora ela precisava tentar conseguir o que queria e livrar-se de uma possível futura bronca.

Chamou Kahei para sentar em seu colo, um pedido silencioso que foi prontamente aceito, sentiu a pele quente da coxa alheia sob o jeans surrado, não havia como negar que ela era uma das melhores garotas com quem já tinha ficado. E o fato do uniforme do grêmio exigir uma saia era como um presente para quem tinha a oportunidade de saber o quanto elas facilitavam certas coisas. Kahei era bonita, esperta e sabia lhe agradar como ninguém.

— Você não presta! — A integrante do grêmio disse um tanto irritada, mas ainda sim levando os lábios até o pescoço alvo da morena, poderia não dizer publicamente que elas tinham algo, mas esperava que suas marcas afastassem todas as outras garotas que ousavam desejar ter seus privilégios.

— E essa não continua sendo a minha melhor qualidade?  — Haseul sentiu a respiração quente sobre a sua pele, sentindo cada pelo de seu corpo reagir. Desejou por aquele toque, precisava de alguém que realmente quisesse o que ela tinha a oferecer, precisava de reciprocidade, entretanto, ela ainda precisava de algo mais... — Espera!

— O que foi?  — Kahei estranhou ser interrompida, geralmente era ela que precisava conter a garota de sorriso ladino.

— Eu preciso de um favor. — Haseul riu sem graça, não queria deixar claro que apenas a levou ali para pedir algo, mas não tinha como disfarçar completamente.

— Eu sabia que você não tinha me procurado por saudade... O que você quer? — Kahei tentou sair do colo da outra, mas foi segurada pela garota.

— Jungeun confiscou a chave do depósito ao me dar uma advertência quando foi me procurar no outro dia, e eu preciso dela de volta. — Disse colocando uma mexa do cabelo atrás da orelha de Kahei. Como se com aquele gesto fosse amansar a fera.

— E por que você mesma não pede? — Encarou-a incrédula.

— Não quero ter que olhar na cara daquela patricinha outra vez. — Revirou os olhos. No fundo até era verdade, mas sabia que Jungeun estaria possessa por ter se deixado levar e ela já estava com problemas demais para lidar com as inseguranças de outra pessoa.

— Sério? — Kahei passou os braços pelos ombros de Haseul trazendo seu rosto um pouco mais para perto.

— Sim, o que você estava pensando, Kahei? — Riu, esperta. Kahei era esperta demais para o seu próprio bem.

— Eu? Não pensei em nada. — Sorriu, mas no fundo ela sentia que algo estava errado.

— Então, vai conseguir a chave de volta? — Deixou os lábios próximos o suficiente para sentir a respiração da outra em sua face.

— Pensarei no caso...  

 

[...]

 

— Eu acho que está em alguma das minhas gavetas. — Disse Jungeun enquanto abaixava-se para verificar.

— Não tem problema, Eun. Eu espero. — Kahei forçou o melhor dos seus sorrisos. Se havia uma coisa em que era boa, com toda certeza era em mentir.

A presidente do grêmio estava arrumando as coisas para assistir a última aula do dia, mas acabou sendo interrompida pela ruiva informando sobre a necessidade de ter as chaves do armário de volta, a pedido de Park Sooyoung, a professora de Ed. Física. Jungeun não estava com muito tempo de fazer perguntas então apenas passou a procurar pelas mesmas, que por sinal não se lembrava de onde havia guardado.

Aquela maldita chave que trazia lembranças de uma tarde que queria esquecer.

Kahei tocou suavemente a ponta dos dedos sobre a mesa a sua frente, estava em pé em frente a mesma e podia ter a visão da loira abaixada procurando pelo objeto em questão. A ruiva queria se bater por estar fazendo aquele favor para Haseul, a delinquente não merecia que a mesma movesse um dedo por si, mas ali estava ela.

— Ansiosa ‘pra mais tarde? — Decidiu puxar assunto, dando uma olhada pela sala.

— Confesso que sim, eu realmente preciso de algo para me desestressar. — Jungeun por fim abriu a última gaveta, achando o objeto embaixo de alguns papéis em branco.

Nem se recordava do momento que a guardou ali.

O final de tarde deixava uma iluminação baixa adentrar pelas cortinas atrás de da loira, o olhar da outra pairou sobre a pilha de papeis depositados sobre a mesa por alguns segundos, em certa curiosidade.

— Problemas em casa? — Kahei indagou assim que viu a figura magra levantar de trás do móvel. Era melhor puxar assunto do que parecer suspeita.

— Quando não estou com problemas em casa? — Jungeun levantou-se e sorriu abafado. Kahei repuxou os lábios em compreensão e estendeu a mão para pegar o objeto que a loira a oferecia. — Aqui está, vai entregar a Sra. Park?

A chave foi guardada no bolso da camisa social da ruiva que assentiu em resposta.

— Depois disso irei ‘pra aula, infelizmente meu último período é física. — Kahei viu a loira arrumar a mochila, antes posta sobre a cadeira.

 Jungeun jogou a mochila por cima de um dos ombros e certificou-se que não estava esquecendo nada antes de dar a volta na mesa para sair da sala. Kahei ainda se mantinha no mesmo lugar, procurando internamente uma desculpa para ficar ali por mais alguns minutos, afinal, precisava fazer algo.

— Você não vem? A sua sala é próxima a minha. — Jungeun a olhou por cima do ombro, estranhando quando viu a outra balançar a cabeça em negação.

— Vou procurar uma coisa que acabei esquecendo. — Não era a melhor das mentiras, mas a loira pareceu cair. — Pode ir na frente, nos encontramos no final do período com o pessoal. — O sorriso simpático estava em seus lábios novamente.

— Certo... Te vejo depois então.

A porta fechou e com ele o sorriso no rosto da ruiva.

Kahei aguardou alguns segundos para certificar-se que a loira não voltaria e logo voltou a atenção para a mesa da presidente, mais precisamente para a pilha de advertências sobre a mesma. Puxou os papeis para si, folheando um por um em busca de algo que só ela sabia o que estava procurando e algo dizia que ela estava certa. A ruiva precisava ser rápida, pois ainda tinha que entregar as chaves a quem pertencia de fato e conhecendo bem a paciência da garota em questão, era melhor não a fazer esperar. Mesmo que aquilo fosse um favor e não uma obrigação sua.

Nem deveria estar fazendo aquilo pela garota de cabelos curtos, mas se aquele fosse o retorno que ela poderia dar para continuar tendo a garota entre as suas pernas a satisfazendo, ela o faria. O que poderia fazer se Haseul era excelente no que

— Cadê... — Ela sussurrou para si mesma, buscando um registro específico no meio daqueles tantos papeis que foram o principal motivo para a reunião de mais cedo.

Encarou o relógio de parede, constatando que tinha só mais alguns minutos e não poderia chegar atrasada na sala. Deu mais uma olhada na pilha apenas para confirmar o que a intrigava, não tinha nenhum registro direcionado ao nome de Jo Haseul. A delinquente não teve a chave confiscada por meio de advertência como tinha falado.

 

 

 



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