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História Outbreak - Volume 3 - Capítulo 8


Escrita por: kintok_

Capítulo 8 - V3A2 - Desperatio Pungente


20/11/2017 
             Periferia de Akazaru 

Termino de escrever no pequeno pedaço de papel amassado e me levanto do banquinho, me direcionando até a porta e olhando pra trás, tendo certeza de que ele tava bem. Só mais uma preocupação boba minha, desculpa. Achei o Mason jogado na margem de um rio, com feridas em várias partes do corpo e inconsciente, mas felizmente não morto. Presumi que ele tivesse sido jogado de lá por alguém e que a Emma ou tenha fugido ou tenha sido presa por eles, só que duvido muito que ele a teria deixado ser capturada. Quem você acha que é? Desculpa. Fecho a porta da pequena cabana de madeira com delicadeza pra não fazer barulho nenhum, tentando ignorar os olhos me fitando na distância. Estranho, será que são infectados? Prossigo andando até onde presumo que seja o centro do vilarejo, o local mais provável de eu encontrar alguma pista sobre o que aconteceu, porém aquela coisa ainda me segue pela mata e não parece nem tentar se esconder. Não parecia ter um formato concreto, só existia no meio das folhas e me encarava permanentemente. 

— Eliz? Qué que houve? — ouço falarem por trás de mim e instantaneamente me viro, assustada. 

— Mason? Você não devia tar de pé agora, acabei de tratar das suas feridas! — exclamo vendo a cena na minha frente, o Mason, que até agora a pouco estava completamente apagado e enfaixado, só tava parado como se nada tivesse acontecido com ele. 

— Feridas? De pé? — ele pergunta legitimamente curioso antes de continuar. — Liz... piorou, né? Os remédios não fazem mais efeito? 

Fico indignada com o que ele fala e tento falar e fico me cortando a todo momento, minha mente não conseguia nem compreender do que ele tava falando, eu sei o que eu vi, eu consigo discernir o que é alucinação e o que é real, e ele ferido definitivamente não era uma alucinação. Pera, a não ser que... 

— Que seja, some da minha mente, eu sei o que eu vi. — digo virando de costas e seguindo o caminho tentando me acalmar, eu não vou ser enganada por isso logo agora. Não com uma imagem dele, pelo menos. 

— Liz, eu sou real, tô te falando, eu contei pra você o que aconteceu agora não contei? — ele fala correndo pra minha frente tentando impedir meu progresso, credo. 

— Não contou. — afirmo e cruzo os braços. 

— Eu cai no rio depois de achar infectados, passei um bom tempo sendo levado pela correnteza e quase afoguei, aí você apareceu, me ajudou e a gente achou aquela cabanazinha pra eu descansar antes da gente ir atrás da Emma. — o Mason explica e eu de fato não teria como saber disso, só que ao mesmo tempo sei lá, eu não consigo só aceitar que eu deslizei assim, talvez a outra Elizabeth tenha tomado controle por um tempo? Talvez. 

— Certo, e a Emma? — pergunto desconfiada. 

— A gente, tá, indo, atrás, dela, Elizabeth. — ele diz pausando a cada palavra e parecendo cada vez mais impaciente. 

Eu então descruzo os braços e boto as mãos na minha cabeça, processando as informações no momento, mas tá tudo bem, não tá comprometido ainda, eu consigo cumprir isso. Na verdade, faz mais sentido ele estar comigo do que não estar, como eu iria saber pra onde ir? Na tese ir pro centro de um vilarejo infectado seria a coisa mais burra que eu pudesse fazer sozinha, não é uma conclusão que eu tiraria sozinha. Só que, e os olhos? Caralho, desculpa. Eu concordo com a cabeça e ele se acalma um pouco, voltando praquele olhar determinado de sempre, como se tivesse uma janela com visão direta do coração dele em chamas. Caminhamos em silêncio por um tempo enquanto a minha sensação de paranoia cresce, aquele olho parecia maior e estranhamente mais próximo, o que nem faz sentido considerando que ele não saiu da mata, se movendo apenas quando eu me movo, ele nem... pisca. Eventualmente chegamos perto de uma área principal, parece que é onde a maior parte das casas ficam, mas o Mason parece estranhamente agitado, acho que ele passou aqui antes?  

 

 

20/11/2017 
             Laboratório dos Maki 

Acordo com a minha cabeça latejando de dor, meus olhos queimando de exaustão e aquele cansaço de sempre. Demoro um pouco pra entender onde que eu estava, até lembrar de quando eu fui dormir, lembro de ter chegado nesse laboratório, conhecer um sobrevivente e a menina que ele tava protegendo e ir dormir. Boto minhas pernas pra fora do sofá e fico sentada com a mão pressionando minha cara por um tempo, acordar sempre foi difícil pra mim. Eu sonhei com água, especificamente afundar, mas não morrer. Só a sensação do pulmão clamando por ar e o desespero de não conseguir, só que mesmo depois de tanto tempo a única coisa que mudava era que eu ia mais pra baixo, eu tava completamente consciente do fato de que eu não iria morrer, e mesmo assim o desespero continuava. Além disso, tinham algumas mãos me puxando, e eu não fiz nada pra impedir elas de me levarem pra baixo, mas isso não é importante agora, preciso pensar no que fazer em seguida. Sinto um pequeno puxão delicado na manga da minha jaqueta e eu descubro os olhos, vendo uma garotinha na minha frente com uma feição preocupada e duas grandes cápsulas metálicas na mão. 

— Moça... Você é policial né? — ela pergunta falando baixinho e com muita timidez na linguagem corporal dela. 

— Sim, eu sou, e você, quem é? — digo e ela olha pros lados preocupada por um tempo, logo depois se virando e se aproximando do meu ouvido como se pra contar um segredo. 

— Eu tenho poderes! Meu sangue consegue derrubar os zumbis! — ela responde e se afasta, dessa vez parecendo extremamente confiante, não consigo me conter e dou uma risadinha, fazendo ela franzir o cenho. — É sério, para de rir! 

— Eu sei, não duvido, desculpa, e o que é isso na sua mão? — pergunto dando atenção as capsulas de antes. 

— Duas agulhas com poderes, me falaram que é bem importante então já que você luta contra os caras maus, eu vou te dar elas, de nada, ok? — ela diz me entregando as cápsulas, eu as pego e me levanto, dando um carinho na cabeça dela. 

— São bem importantes mesmo, valeu garotinha. — agradeço e me retiro, voltando pra onde eu lembrava ser a saída do laboratório, me deparando com aquela mesma porta de antes, só que dessa vez tinha um botão pra abrir por dentro. 

O aperto e saio pelo mesmo túnel de antes, olhando o céu claro logo acima de mim, eu dormi por quanto tempo? Já deve ser no mínimo umas três horas da tarde, cacete. Com a clareza do sol eu consigo me guiar melhor pela floresta, aquela sensação de algo ou alguém me espreitando havia passado pela maior parte, acho que o clima ficou bem melhor em geral, agora as árvores não parecem me encarar mais. Escalo o morro com certa facilidade e me vejo de volta a uma das áreas que eu e o Mason investigamos antes, pensando nele, eu tô realmente preocupada, espero que ele tenha ficado bem, mas é o meu irmão, ele vai ficar bem. Me pegando de surpresa eu de repente ouço um bip vindo do rastreador de sinais de antes, do nada apareceram uns quinze pontos verdes na tela, todos eles me cercando na floresta, merda, merda, merda, agora não! Olho pra trás e era muito alto pra eu só me jogar, além de que descer tudo de novo iria demorar e eu iria ser pega, e se eu tentasse só passar por um deles? Improvável, se o James tem controle de todos ao mesmo tempo, esse vírus novo iria conseguir me segurar, só que ainda assim tem uma pequena fagulha de esp-... 

— Emma, que surpresa você por aqui, se importaria de vir comigo? — escuto um dos infectados falando comigo, outra voz diferente da de antes, mas o mesmo bastão de ferro. 

— O que você quer? — pergunto me preparando pra lutar. 

— Conversar, eu não tenho planos de te matar considerando que você é mais importante viva. Além do mais, você não tem muita escolha, né? — ele ameaça enquanto todos aparecem ao mesmo tempo, usando máscaras. 

De fato, ele não tá errado, minha melhor opção é seguir com isso até eu encontrar um jeito de fugir, mas de qualquer jeito minhas chances são mínimas. 

— Vem comigo, vamos conversando ao longo do caminho. — ele diz sem nem tentar me revistar, faz sentido, considerando que os corpos dele são basicamente reféns. 

— Vai tentar me convencer de que o Peter é um monstro de novo? — pergunto o seguindo desconfiada. 

— Não, notei que esse tipo de coisa não se convence, eu fui burro em tentar trazer vocês pro meu lado, sem ressentimentos, claro. Mesmo assim, você sabe que é impossível negar o quão perigoso ele é, Emma, você teria que ser muito burra pra pelo menos tentar. — ele argumenta enquanto se expressa calmamente, agindo de forma até que amigável nos maneirismos físicos. 

— Todo mundo que é bom no que faz nesse ramo é perigoso, ele só é um dos mais perigosos, assim como você.  

— Simplificar o que as pessoas falam não é um bom costume, sabia? Eu quero dizer em personalidade também, a maioria das pessoas é controlada e segue um código, um rumo maior, um objetivo claro pra continuar nesse rumo sem perder a cabeça. Qual era o motivo dele? Nenhum, ele já admitiu várias vezes não ligar pra proteger a raça humana de um mal maior, ele só ligava pra quem era importante pra ele, arriscando tudo pelo que a gente lutou no processo. Esqueceu do caso Hattori? Aquilo foi quase um bairro inteiro, mas esquece, não é o que eu quero falar aqui. — ele começa a se empolgar nas palavras enquanto fala e se interrompe no meio, tentando retroceder pro ponto original. — O Peter ele é... complicado, matou todos os meus outros corpos lá em Kyoto e já deve estar aqui em Akazaru, pois é, pode acreditar. 

— Aqui em Akazaru? James, o que você tava fazendo em Kyoto? — pergunto confusa, afinal, a gente sabia de alguma operação do Daimyo por lá, só que eu ainda não consigo compreender os meios do James, só o objetivo dele no final das coisas. 

— Preparando tudo pra caçar uma besta, não precisa saber todos os detalhes, tudo que você precisa saber é que a partir de agora você é mais uma refém minha, parabéns! Pensei um pouco e lembrei que ele se importa muito contigo, uma ótima isca pra um tubarão, né? Não se preocupa, não vou te infectar, parcialmente porque eu não faço ideia do que vai acontecer se os dois vírus conflitariam e se te matariam instantaneamente. Falando nisso, depois que ele morrer você e o resto vai sair livre. — ele fala com poucas pausas pra respirar, sempre se interrompendo quando parece que não vai calar a boca nunca. 

— Você sabe que isso nunca vai funcionar, né? Você não tem chance contra ele. — o provoco confiante nas habilidades do Peter. 

— Antes talvez não, hoje em dia é outro caso Emma, outro caso. Enfim, vou te levar pro centro da vila e aí é só esperar, quer apostar quantas pessoas ele vai matar só pra ter a vingançazinha dele? — ele responde também confiante, só que em si mesmo, e abrindo um sorriso na última parte. Desgraçado. 


Notas Finais


mais ummm
feedbackzada? rsrsrs obg bejo


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