História Outlaws - Malec - Capítulo 35


Escrita por:

Postado
Categorias As Crônicas de Bane, Os Instrumentos Mortais, Shadowhunters
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Isabelle Lightwood, Magnus Bane
Tags Alec Lightwood, Criminal Malec, Lgbt, Magnus Bane, Malec
Visualizações 185
Palavras 2.610
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Ficção, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 35 - Leave Me Alone


 Tanto Alec quanto Clarice pareciam ter entrado em um estado intenso de choque. Eles não se mexiam, não falavam, mal pareciam respirar. Magnus não estava muito diferente, mas ele não podia se permitir ficar ali, apenas observando a casa queimar. Alec tinha algumas queimaduras pelos braços, e sua calça estava chamuscada na perna. Não era nada muito sério, mas ele precisava de cuidados.

Com bastante dificuldade, Magnus colocou os dois no carro. As lágrimas no rosto de Clarice eram cada vez mais grossas e constantes, enquanto os olhos de Alec estavam vidrados e extremamente secos. Não havia uma lágrima sequer.

O coração de Magnus doía absurdamente, e o fato de ele ter que dirigir para longe dali antes que alguém notasse o fogo estava o matando. O corpo de sua cunhada estava ali, e ele não podia fazer nada além de deixá-la ali. Era como se sua ficha ainda não tivesse caído, como se esperasse chegar em casa e encontrar Isabelle lá esperando por eles.

Nunca havia sentido uma dor tão intensa como sentiu quando entrou na casa vazia em Moscou. Estava tudo em ordem, o que mostrava que Sebastian não havia se dado ao trabalho de revirar a casa atrás de algo que pudesse usar contra eles. Entretanto, a casa estava vazia e silenciosa demais. Era como se Magnus conseguisse sentir a presença da morte ali, rondando a casa e rindo da cara deles.

Clarice entrou sozinha na casa e subiu as escadas em silêncio, sem nem mesmo olhar para Magnus. Alec foi mais difícil. Ele estava rejeitando todo o tipo de contato que Magnus tentava ter com ele para ajudá-lo a entrar em casa. Mas ele não conseguia se manter em pé por mais de alguns segundos, era como se suas pernas simplesmente não tivessem mais forças.

— Eu preciso cuidar dessas queimaduras, Alec — Magnus disse com a voz fraca, quando Alec afastou seu toque mais uma vez.

Alec apenas negou com a cabeça e entrou em casa se apoiando nas paredes e nos móveis. Magnus entendeu que ele queria ficar sozinho, que ele precisava ficar sozinho, então apenas deixou que ele caminhasse sozinho.

Alec subiu as escadas lentamente, e seguiu pelo corredor. Entrou no quarto de Isabelle em vez do seu próprio. Havia uma jaqueta no encosto da cadeira de rodinhas dela, e ele a pegou no escuro.

Abraçou a peça com força, inspirando o cheiro do perfume caro impregnado nela antes de cair na cama da irmã.

Magnus parou na porta. Algumas lágrimas teimosas escorriam por seu rosto ao encarar o quarto. Os equipamentos de Isabelle estavam ali, as roupas, o cheiro, estava tudo ali esperando que a dona retornasse. Mas ela não iria retornar, jamais. Um soluço escapou dos lábios de Magnus.

Por outro lado, Alec continuava quieto, sem uma única lágrima derramada.

— Me deixe sozinho — ele pediu com a voz baixa, quase inaudível.

Magnus apenas assentiu e saiu dali, mas também não seguiu para o próprio quarto. Atravessou o corredor e se aproximou da porta de Clarice, já ouvindo o choro incessável dela. Ele entrou sem nem mesmo bater.

Clarice estava sentada na cama, abraçando os joelhos enquanto chorava desesperadamente, o corpo tremendo de forma assustadora. Magnus se sentou ao lado dela e a abraçou com força, deixando que ela chorasse contra seu peito.

— Isso não faz sentido, Magnus — Clarice disse após o que pareceu horas. — Isso não pode ter acontecido, não com ela. Não com a minha Isabelle, não quando a gente…

— Eu sei, Clarice — Magnus suspirou, a voz num tom entristecido. — Eu sei, meu amor.

O choro de Clarice se seguiu por horas, até que ela finalmente conseguiu pegar no sono por chorar tanto. Magnus, por outro lado, ficou acordado o resto da noite, pensando se deveria ir ficar com Alec, mas desistindo logo depois. Se ele queria ficar sozinho, era melhor deixá-lo sozinho, mesmo que seu coração doesse por fazer isso.

Mas seu coração já estava doendo por várias coisas mesmo, mais uma não iria matá-lo.

* * *

Quando o dia já havia chegado, Magnus conseguiu cochilar por apenas alguns minutos ao lado de Clarice, o cansaço vencendo a tristeza por pouco. Não durou muito, é claro, ainda mais porque um barulho alto no corredor o fez despertar de súbito. Clarice se mexeu inquieta na cama, e Magnus se inclinou sobre ela, deixando um beijo calmo em sua testa.

— Está tudo bem — ele sussurrou para ela. — Continue dormindo.

Com um suspiro exausto saindo dos lábios, Magnus se levantou da cama e saiu do quarto. Fechou a porta bem a tempo de ver um vaso voando pelo corredor e se estilhaçando na parede ao seu lado. Ele deu alguns passos receosos em direção a escada e encontrou Alec encostado no corrimão, brincando com o último vaso da mesinha que havia ali.

Havia vários cacos de porcelana no chão, tanto que Magnus sequer conseguia andar por ali sem algo fincar em seus sapatos. Alec estava com uma expressão horrível, havia um cigarro em sua boca e uma garrafa de whisky pela metade na mesa.

— O que você pensa que está fazendo? — Magnus perguntou exasperado quando o vaso que estava na mão de Alec acertou a parede.

— Sabe, você não deveria ter me tirado da casa — Alec disse com a voz levemente embargada. — Deveria ter me deixado lá.

— Você queria que eu te deixasse morrer? — Magnus perguntou com uma expressão incrédula. Mal estava com forças para se sentir indignado com o que ele estava falando.

— Sim — Alec respondeu simplesmente. Magnus sentiu como se tivesse levado um tapa. — Pelo menos eu não estaria sentindo essa dor infernal.

— Alexander… — Magnus tentou se aproximar, mas Alec balançou a cabeça, então ele parou. — Eu sei como está se sentindo…

— Não, você não sabe — interrompeu ríspido. Pegou a garrafa de whisky na mesinha e bebeu um longo gole. — Você não faz ideia de como eu estou me sentindo, Magnus! Eu vi o corpo da minha irmã queimando naquela porra daquela casa como se fosse um pedaço de madeira estúpido! Eu vi a mulher que eu mais amo nesse mundo morta e não pude fazer nada! Eu a perdi bem debaixo do meu nariz, porra! É como se uma parte de mim tivesse ficado naquela casa, e tivesse se perdido junto as chamas, junto com Isabelle. Eu senti parte da minha alma morrendo, Magnus, então não diga que você sabe como eu me sinto porque você não sabe! Não quando a sua irmã está sã e salva no quarto.

— Não foi só você que a perdeu! — Magnus gritou antes mesmo de Alec terminar de falar. — Eu sei que é incomparável o que você sente por ela, mas eu também a perdi, e Clarice também! Até poucas horas atrás ela estava a ponto de desmaiar de tanto chorar dentro daquele quarto, chorou até pegar num sono conturbado enquanto você está aqui fazendo essa zona!

— O que você quer que eu faça, cacete?! — Alec berrou de volta. — Quer que eu aja como se tudo estivesse bem?

— Não, eu só quero que você pare de agir como se fosse o único sofrendo! Eu entendo, Alec, droga eu entendo…

A garrafa de whisky acertou a parede em frente a Alec com tanta força que Magnus se encolheu pelo susto.

Alec olhou todos os caquinhos no chão, e por um momento desejou se deitar sobre eles e simplesmente rolar ali. Queria que a dor externa se sobreposse à dor interna. Queria sangrar por horas, preferia levar todos os tiros do mundo do que sentir a dor que estava sentindo naquele momento. Nunca, em toda a sua vida, havia sentido uma dor tão rasgante.

Sentia mãos invisíveis agarrando seu coração e o estraçalhando sem dó nem piedade, rasgando pedacinho por pedacinho. E o pior era que a imagem de Isabelle caída no chão com o corpo em chamas não saía de sua cabeça. Não importava o que ele fizesse, o que bebesse, ou o que usasse, aquela imagem continuava ali, num loop infinito e torturante. Ele temia que aquela imagem nunca mais saísse de sua cabeça. Realmente preferia morrer do que continuar daquela forma. Mas ele era fraco, tinha medo da morte, medo de deixar Magnus para trás, medo de se perder para sempre num limbo sem fim.

— Você deveria ter me deixado la com ela — Alec disse observando com atenção o cigarro preso entre dois de seus dedos. — Eu vou voltar lá.

— De jeito nenhum! — Magnus exclamou. — É perigoso, e você está bêbado, Alec.

Alec respirou fundo e deixou que sua cabeça caísse para trás, de forma que ele conseguisse enxergar o teto perfeitamente. Quando voltou a encarar Magnus, seus olhos estavam escuros.

— Por que não me deixa ficar com ela?! — ele perguntou num tom alto. — Eu só quero estar com a minha irmã, Magnus, que inferno, por quê é tão difícil de entender isso?

— Voltar lá só vai te deixar pior…

— É impossível eu me sentir pior do que já me sinto!

Magnus respirou fundo e colocou as mãos na cintura. Não queria explodir com Alec, ele já estava sofrendo o suficiente, não precisava de mais isso.

— Vamos fazer o seguinte — ele disse se aproximando um pouco mais. Tentou não encarar as marcas vermelhas escapando pela manga de Alec. — Você vai pro quarto, toma um banho, descansa, e quando você estiver sóbrio nós conversamos sobre isso, tudo bem?

Alec deu de ombros de forma indiferente e saiu andando, passando por Magnus pisando pesado e firme. Magnus se encostou na parede e passou as mãos pelo rosto de forma cansada.

Quando seus dedos pararam de impedir sua visão, ele enxergou Clarice encostada na parede, o corpo encolhido e a expressão cansada.

— Dê um tempo a ele — ela disse baixinho, cruzando os braços sobre o peito. — Ele só precisa assimilar tudo.

Magnus assentiu calmamente.

— É, mas eu também preciso — ele disse em um murmurio. — Todos nós precisamos.

Clarice se afastou da parede e então se aproximou de Magnus, pegando-o pela mão.

— Vem, você precisa descansar também — falou ela, já puxando o irmão de volta para o seu próprio quarto.

Magnus deixou que Clarice o arrastasse, e se jogou de bom grado na cama, puxando um dos travesseiros para o seu colo. O abraçou com força e respirou fundo algumas vezes. Seus pensamentos foram para lugares onde ele não queria.

Pensou em Isabelle, nos momentos que tiveram juntos, nas risadas, na forma como ela estava sorridente no casamento dele e de Alec, em todas as vezes que ela salvou a pele deles, em todas as vezes que ela surpreendia todo mundo com sua inteligência, na forma como sempre apoiou o relacionamento dele e de Alec… Era insuportável pensar que nunca mais teria aquilo, que nunca mais teria a alegria de Isabelle tomando conta da casa.

Sem conseguir mais segurar, Magnus deixou o choro intenso que estava preso em sua garganta fazia horas finalmente sair.

Ele curvou o corpo para frente e deixou que o choro e os soluços tomassem conta de si.

Sem qualquer hesitação, Clarice se sentou ao lado de Magnus e o puxou para seu peito, o abraçando assim como ele havia feito com ela algumas horas antes.

Ela sabia que Magnus não iria conseguir ser forte por muito tempo, então já estava se preparando para quando ele desabasse. Ele havia sido forte por ela, agora ela teria que ser forte por ele, mesmo que quisesse apenas se deitar ali e chorar junto dele. Mas ela tinha que ficar ao lado de Magnus, tinha que dar seu ombro para ele chorar também.

Afinal, é isso que irmãos fazem.

* * *

Quando Magnus acordou novamente na cama de Clarice, com a própria o chamando com urgência. Ele coçou os olhos, tentando despertar totalmente, até conseguir entender o que Clarice estava dizendo.

— Magnus! Acorde, droga. Alec não está aqui!

Com aquelas palavras, Magnus despertou quase imediatamente. Ele pulou da cama de súbito, começando a ajeitar a roupa que estava usando, que ainda se resumia à roupa que havia posto para dormir antes de tudo acontecer.

— Como assim ele não está aqui?

— Estava procurando por ele, e ele não está em lugar nenhum.

Magnus respirou fundo e se sentou na cama novamente, apoiando os cotovelos nos joelhos e o rosto nas mãos.

— Eu sei onde ele está — murmurou ele. — Não se preocupe, ok? Eu vou tomar um banho e vou buscá-lo. Ele realmente precisa de um tempo sozinho.

Em questão de minutos, Magnus já estava de banho tomado, roupa trocada e dirigindo na base de cafeína, afinal não havia dormido tanto quanto gostaria e necessitava.

Quando chegou na casa, agora apenas uma estrutura queimada, seu coração apertou de uma forma inexplicável. Tentou não pensar em Isabelle, no corpo dela ali… era muita coisa para digerir.

Saiu do carro com os olhos atentos, tentando encontrar Alec por ali, mas foi um barulho conhecido que denunciou a localização dele.

Magnus adentrou o pequeno bosque que havia atrás da casa, passando pelas árvores baixas até que ouviu o barulho novamente, e dessa vez pôde ver a flecha passando zunindo na sua frente, e logo se cravando em uma das árvores. Caminhou um pouco mais e encontrou Alec em uma clareira, com o arco, que havia dado de presente a ele havia alguns anos, em mãos, e a aljava com apenas algumas flechas restantes nas costas.

— Oi — Magnus disse tentando dar um sorriso amigável, as mãos se remexendo nervosamente no bolso do moletom.

Alec o olhou e soltou um suspiro antes de voltar a atenção para o arco e a flecha posta nele. A soltou com precisão e a observou atingir o tronco de uma das árvores.

— Podia ter pelo menos avisado que iria sair — Magnus disse se encostando em uma das árvores onde já havia uma flecha presa no tronco.

— Não quis te acordar — Alec declarou de forma seca, colocando outra flecha no arco.

Magnus respirou fundo e mordeu o lábio inferior.

— Alexander, eu sei que você…

— Havia marcas de pneu na frente da casa — Alec interrompeu. — E não eram do nosso carro. É claro que aquele incêndio não foi só uma coincidência, mas Sebastian me avisou. Ele me disse que iria matá-la se eu não entrasse para o bando dele, e eu simplesmente não dei atenção a isso.

— Poderia ter sido qualquer um de nós, Alec.

— É — Alec soltou a flecha. — Mas foi ela, e Sebastian vai pagar muito caro por isso. Muito caro mesmo.

Magnus engoliu seco.

— Amor, você ainda está em estado de choque, tem muito pra você digerir, pra superar, e…

— Magnus, pare com esse papo, pelo amor de Deus — Alec pediu exasperado, abaixando o arco. — Eu sei o que estou fazendo, não preciso que você fique me relembrando que a minha irmã está morta e que eu não vou conseguir superar isso, ok?

A boca de Magnus secou completamente, o deixando sem palavras. Ele assentiu, claramente magoado.

— Eu só quero te ajudar, só quero estar com você nesse momento…

Alec bufou e colocou o arco no ombro.

— Eu não preciso de ajuda, porra! Não preciso de conforto. — ele começou a andar em direção as árvores, logo adentrando em meio aos troncos. — Eu só preciso matar aquele filho da puta.


Notas Finais


xx


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...