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História Outono 1825 - Capítulo 1


Escrita por: e woondz


Notas do Autor


Olá! Tô muito nervosa com essa história, é a minha primeira vez escrevendo para um projeto e uma woosan! Pensei muito antes de vir postar isso aqui, mas fiquei feliz com o resultado e achei que seria uma ótima maneira de fazer a minha estreia para a nação woosan kkkkkk
Como uma das criadoras do projeto, eu fico pulando de alegria ao ver as fanfics das nossas escritoras maravilhosas sendo postadas no perfil do gravity! Já faz um bom tempo que eu e a Hyiani estávamos pensando em criar um projeto de escrita e saber que o gravity está dando certo me deixa muito contente e com o coração quentinho!
Espero que gostem da história, tentei escrever algo triste, tomara que eu tenha alcançado o meu objetivo!
Boa leitura!

Capítulo 1 - Cinco anos


Wooyoung estava preocupado com San. O namorado havia recebido a proposta dos seus sonhos, ensinar piano na escola de música que tanto admira, San é um dos melhores pianistas do seu país, participou de grandes concertos, ganhou prêmios e tudo isso ainda muito novo, assim que recebeu o e-mail da proposta que mudaria a sua vida o loiro pulou de alegria, estava prestes a realizar o seu maior sonho, ensinar tudo que sabia para outras pessoas e passar seus conhecimentos para as próximas gerações. Mas, no dia seguinte, quando recebeu outro e-mail com o contrato, San ficou tenso. Wooyoung percebeu a mudança repentina de humor em seu namorado e estranhou o fato dele ter passado o dia inteiro desanimado, afinal ele havia recebido uma ótima notícia, deveria estar alegre. Foi então que logo quando acordou, Wooyoung fez o café da manhã preferido de San e o chamou para caminhar pela praia, o dia estava lindo e o moreno queria animar o seu namorado.

Caminhavam descalços pela areia da praia, Wooyoung logo se preocupando em agarrar a mão de San e entrelaçar os seus dedos aos do namorado, querendo ao máximo transmitir que estava ali com ele e independente do que estivesse afligindo o loiro, ele continuaria ali para o apoiar. Depois de andarem um pouco em silêncio, apenas escutando o som das ondas do mar, San decidiu contar o que tanto o deixava incomodado.

Woo, — o apelido saiu em um sussurro, mas ainda conseguia ser escutado — A escola me enviou o contrato.

— Hm, então foi por isso que você estava tão tenso ontem? — San engoliu a seco, ação que não passou despercebida por Wooyoung que ficou ainda mais preocupado — Tinha algo de errado no contrato?

— Eu vou ter que ficar lá durante cinco anos, Woo — o loiro sentiu como se aquelas palavras cortassem a sua garganta, ouvir a si mesmo falando aquilo em voz alta doeu mais do que ele esperava.

Ensinar sempre foi o maior sonho de San, é claro que ele estava feliz por poder realizá-lo, mas valia a pena ir para o outro lado do mundo e passar cinco anos inteiros sem ver Wooyoung? Sem ter o seu amor ao seu lado? Estão juntos a mais de seis anos como casal e a vida inteira como confidentes, San não se lembra de alguma época em que Wooyoung não estivesse ao seu lado, todos os seus sonhos agora só pareciam fazer sentido se Wooyoung estivesse neles, ir embora e passar mil oitocentos e vinte e cinco dias a milhares de quilômetros de distância do seu porto seguro estava se mostrando ser a pior decisão que poderia tomar. O moreno ao seu lado é o principal pilar da sua vida, como poderia ficar sem ele?

Cinco anos — Wooyoung repetiu quase sem voz, as palavras ecoando pela sua cabeça lentamente e de forma torturante, por que tanto tempo? Era a única coisa que se perguntava — É um longo tempo, mas nós ainda poderíamos nos ver, certo? Você pode vir nas férias de fim de ano ou…

— Não, Woo, — a voz de San fez o moreno se calar e parar de caminhar, não? — Além da escola, vai acontecer concertos no final do ano, não vou poder voltar nos feriados — o silêncio que se fez após as palavras de San foi doloroso, Wooyoung já imaginava as palavras que saíram dos lábios do seu namorado, mas foi pego de surpresa pelo pedido do loiro — Você quer ir comigo, Woo?

Wooyoung estava surpreso, não pensava que San o convidaria para ir, essa era uma das últimas opções que tinha em mente, para ser sincero. Uma das últimas porque era a que menos gostava, ele já sabia a resposta que daria ao seu namorado e tinha certeza que não seria bem recebida pelo mesmo, Wooyoung conhecia San muito bem e mesmo sabendo que aquilo o machucaria ele falou:

— Eu não posso ir, amor.

San sentiu que suas pernas iriam ceder a qualquer momento, mas se manteve no mesmo lugar apertando firmemente a mão de Wooyoung que estava unida a sua, o moreno ao seu lado caminhou até parar em sua frente e encarou os olhos do loiro como se o seu mundo estivesse ali, e realmente estava.

— A minha vida está aqui, San. Meu trabalho, minha casa, minha família, meus amigos, você sabe como sou apegado a todos eles, não posso deixar tudo para trás — a voz de Wooyoung estava trêmula e mesmo tentando impedir, não conseguiu segurar algumas lágrimas insistentes — Ainda não estou preparado para deixar o meu lar, mas eu sempre soube que você era alguém independente, de espírito livre, eu sabia que um dia isso iria acontecer, você não pertence a um lugar só.

San já não ligava mais se estava se despedaçando em lágrimas, ele não conseguiria suportar a ideia de ficar longe por tanto tempo, até mesmo chegou a cogitar desistir de tudo, mas sabia que Wooyoung nunca o perdoaria por abandonar um sonho. Seu coração doía, era como se uma mão invisível estivesse o apertando cada vez mais fazendo até mesmo o seu ar faltar, foi quando um soluço escapou pelos seus lábios.

Valia mesmo a pena deixar o seu Woo para trás?

Wooyoung agarrou a cintura do loiro em um abraço aconchegante, e quando San retribui deixando seus braços envolverem o corpo de Wooyoung na mesma intensidade, foi o fim para o autocontrole dos dois. Eles choravam juntos e os únicos sons que conseguiam escutar eram os próprios soluços em uma mistura mórbida e agoniante com o mar indomável atrás deles. Procuravam uma solução para essa incógnita, mas não encontraram nada, nenhuma saída para aquilo, estavam completamente perdidos.

Os minutos passavam devagar até eles se separarem, os olhos vermelhos pelas lágrimas e os corações doendo por todo o resto.

— Eu vou voltar — a voz de San era firme, sua visão ficou embaçada pelas novas lágrimas que estavam vindo, mas ele não se permitiria chorar novamente, estava tentando ser forte mesmo que doesse tanto — Você é a minha casa, Woo, eu sempre vou voltar para você.

— Mas, por que isso está parecendo uma despedida definitiva? — Wooyoung fechou os olhos com força, suas lembranças com o loiro passando como um filme triste pela sua mente, ele sentiu vontade de se socar, não era para aquilo ser tão triste, San vai seguir o sonho dele e Wooyoung está feliz por isso, mas só de pensar em não ver o seu amor durante cinco anos inteiros, aquilo partia o seu coração.

— Não é definitivo, eu vou voltar, isso é uma promessa, mas… — San pensou no egoísmo que seria pedir para que o moreno esperasse por ele, não queria magoar ainda mais o seu amor, por isso pediu: — Não espere por mim, Woo. Mesmo que eu prometa voltar, somente o destino sabe o que vai acontecer ao decorrer desses próximos cinco anos, então, não espere por mim.

— Você pode me pedir muitas coisas, eu farei elas sorrindo, mas esse pedido eu não posso cumprir — Wooyoung segurou o rosto do loiro entre suas mãos, fazendo um carinho leve em sua bochecha — Eu vou te esperar, San, por cinco, dez ou até cem anos se for preciso, eu sempre vou esperar por você.

Wooyoung apertou seus lábios contra os de San, já havia beijado ele tantas vezes que não poderia contar, mas nenhum dos beijos deles tinha esse gosto, o horrível sabor de medo, angústia e despedida, os corações dos dois rapazes afundaram com a terrível agonia de não saberem o que poderia acontecer depois que San fosse embora. A brisa leve e fria do primeiro dia de outono beijou o rosto de Wooyoung, sua estação favorita havia chegado, com os piores sentimentos que ele poderia imaginar.

 

I

 

Um ano, já havia se passado trezentos e sessenta e cinco dias desde que San saiu pela porta da frente da casa que dividia com Wooyoung. O moreno queria dizer que haviam se falado muito nesse tempo, mas não, se tiveram uma conversa muito longa foi no máximo quarenta minutos, os seus horários não batiam, quando o loiro acordava, Wooyoung estava indo dormir, o tempo que tinham para conversar era escasso. As mensagens haviam sido muito úteis nos primeiros meses, mas os dois sentiam falta de conversar, escutar a voz um do outro e, principalmente, do toque um do outro. A saudade chegou a um ponto tão extremo e doloroso que quando Yunho, amigo de Wooyoung, tocou no nome de San em uma tarde de inverno, perguntando como ele estava e se haviam conversado mais, o moreno começou a chorar. Ele sente tanta falta do seu namorado, de fazer carinho em seus cabelos loiros, abraçá-lo nas noites frias, beijar seus lábios que tinham gosto de hidratante de morango.

Wooyoung havia conversado com sua mãe recentemente, falou a ela como estava se sentindo, como em apenas um ano ele não aguentava mais a distância que o separava do seu amor, como dói não o ver andando pela casa ou sentado no banco do piano, tocando uma de suas músicas favoritas. A mais velha ficou com o coração apertado ao ouvir a angústia do filho, então para acalmar o coração de Wooyoung, ela disse “o primeiro ano é difícil, Woo, eu sei disso, mas com o passar do tempo essa dor que você sente vai diminuindo, até restar apenas a lembrança dela e da pessoa a qual esse sentimento está ligado, meu pequeno”.

Hoje, enquanto limpava as folhas alaranjadas caídas no jardim, o Jung parou para pensar no que sua mãe havia falado. A dor se tornaria uma lembrança e, consequentemente, San também? Ele não queria isso, não queria que o loiro se tornasse apenas uma lembrança, afinal de contas, ele vai voltar. San vai voltar para casa.

Seus pensamentos são interrompidos com o toque do seu celular, ele pega o aparelho no bolso de sua calça moletom e seus olhos brilham ao ver o nome da pessoa que o ligava. San.

— Oi.

Oi, eu estou com saudades — Wooyoung aperta o celular contra a orelha assim que escuta a voz de San, sentia falta de como ela soava mil vezes melhor pessoalmente.

— Eu também estou com saudades, amor — se Wooyoung soubesse como escutar aquele apelido fez o coração de San disparar e um sorriso encantador se abrir em seus lábios, ele repetiria isso muitas vezes.

Hoje faz um ano que eu estou aqui, mas parece que foram dez — suspirou — Eu sinto muito a sua falta, Woo — San estava no seu momento de extrema saudade, o choro entalado em sua garganta foi enfim libertado quando escutou o suspiro triste que Wooyoung havia soltado do outro lado da linha. O moreno ficou calado escutando os soluços do seu namorado com um aperto inacreditável no peito, saber que San estava nesse estado e não poder fazer absolutamente nada, quebrou o seu coração. Ele tinha pessoas ali para o confortar quando o peso da falta que sentia do loiro era mais do que conseguia carregar sozinho, mas San não tinha ninguém ali para isso, ainda não havia feito tantos amigos e os poucos que tinha eram tão próximos assim, ele estava sozinho e a única solução que encontrou para tentar aliviar a dor que sentia foi ligar para a pessoa que mais o entendia no mundo — Ah, Woo, eu quero tanto te ver de novo.

— Sannie, você vai me ver de novo — uma lágrima solitária rolou pelo rosto de Wooyoung — Só precisamos esperar um pouco mais, tudo bem?

— Nesses últimos meses, eu pensei em desistir de tudo e voltar para você tantas vezes que já perdi a conta — a voz de San falhava e era tão baixa que Wooyoung temeu não conseguir escutá-lo — Eu não quero ficar mais tempo longe de você, não vou conseguir passar mais quatro anos sem poder te ver.

— Nem pense em desistir disso, Choi San! O seu esforço não vai ter valor algum se você deixar tudo agora, eu sei o quanto deve estar sendo difícil para você, mas não desista por isso, San — o moreno olhou para a janela da sua casa vendo o piano que San costumava tocar, as partituras ainda estavam no mesmo lugar — Essa dor que você está sentindo vai passar, apenas se preocupe em viver bem todos os anos por aí, é uma chance única e você tem que aproveitar ao máximo. Eu vou continuar aqui, te esperando. 

Ele vai estar me esperando, então eu farei a sua espera valer a pena. San não iria desistir, ele continuaria ali, por Wooyoung.

 

II

 

O outono estava ainda mais bonito este ano, Wooyoung queria que San estivesse ali para poder apreciar com ele. Três anos já haviam se passado, o contato entre o casal havia diminuído ainda mais ao ponto de eles passarem mais de uma semana inteira sem se falarem. A vida de Wooyoung estava agitada, sua carga horária dobrou e seu tempo livre reduziu muito, mas ele estava feliz, gostava do que fazia e era bom ocupar os pensamentos com o trabalho. Também havia a preparação para o casamento dos seus amigos, Seonghwa e Hongjoong estavam absurdamente felizes em poder oficializar a união deles, Wooyoung ficou muito contente com a notícia, assim como San, que desejou toda a felicidade do mundo ao casal.

Choi San estava passando por um momento complicado, todos os seus sentimentos por Wooyoung estavam sendo postos em prova. Em uma noite particularmente triste, onde o loiro estava pensando que havia sido esquecido pelo seu “namorado”, ele nem sequer sabia se podia continuar chamando-o assim, San foi em uma balada no centro da cidade, vários garotos foram até ele prometendo uma noite incrível, mas mesmo que estivesse triste, se sentido esquecido e meio bêbado, não se deixou levar por esses pequenos detalhes, não trairia Wooyoung. Mesmo que a dor de estar longe de quem tanto ama passasse a ser algo suportável, ainda continuava ali, nas poucas conversas que teve com Wooyoung nos últimos meses, eles haviam brigado bastante, por motivos idiotas e sem importância, aquilo estava ficando cansativo.

 No final de mais uma aula produtiva, San estava guardando suas partituras quando Jongho, um colega de trabalho e seu amigo, entrou na sala com dois copos de cappuccino e um sorriso no rosto. Havia conhecido Jongho no ano anterior, o mais novo veio da Coreia para trabalhar na escola assim como San, não demorou muito para se tornarem amigos próximos e compartilharem suas angústias e saudades de casa um com o outro.

— Você havia me dito a uns dias atrás que hoje faria três anos desde que saiu da Coreia para vir trabalhar aqui, então, sabendo que você deve estar um pouco abalado por isso eu comprei café — San agradeceu mentalmente por Jongho ter se lembrado disso, ele não queria ficar sozinho hoje, precisava conversar com alguém, desabafar — Também vim te fazer companhia.

— Obrigada, Jongho, eu estava realmente precisando disso agora — apanhou um dos copos do mais novo e deu um gole na bebida quente sentindo seu corpo agradecer pelo calor, o outono deste ano estava mais frio do que os anteriores — Não é uma data que gosto muito, eu costumo ligar para o Woo e passar a noite enchendo a cara, lamentando e chorando por estar com saudades dele.

— Não vai fazer isso este ano? — Jongho se senta ao lado de San no sofá que fica no canto da sala de instrumentos.

— Hoje é o casamento dos nossos amigos, ele deve estar ocupado fotografando tudo, prefiro ligar para ele amanhã, não quero atrapalhar — ele se sente mal por não estar presente na cerimônia de Seonghwa e Hongjoong e por não estar com Wooyoung, mas já havia se acostumado com a sensação, depois de um tempo ela parou de o incomodar tanto.

— Você devia ligar hoje, é uma data importante para ele também, San.

San não tinha tanta certeza sobre isso, já não falava com Wooyoung com muita frequência, quase não trocavam mensagens, estavam distantes. Não sabia se continuava sendo alguém tão importante para o moreno, não sabia se Wooyoung ainda estava o esperando.

Jongho percebe o olhar perdido do mais velho, toma mais um gole da sua bebida antes de perguntar:

— Você o ama, certo? — San desperta com o questionamento do mais novo e não tarda em responder.

— Sim.

— E ele te ama? — San não sabia como responder a isso, pensou por longos minutos, seu cappuccino já havia esfriado.

— Talvez sim, talvez às vezes, eu não sei mais, Jongho.

— Então você vai ligar para ele hoje à noite quando chegar em casa e tirar essa dúvida — o mais novo olhou no fundo dos olhos de San — Já faz uns dias que você não me parece muito bem, está triste, estranho. Converse com o Wooyoung, diga a ele o que está sentindo e que eu mandei um abraço.

 

San passou o caminho inteiro pensando no que ele e Jongho haviam conversado, é claro que passar três anos longe iria abalar o relacionamento de San e Wooyoung, mil e noventa e cinco dias distantes fisicamente é muita coisa, mas ainda se amavam, bem, o loiro continuava amando Wooyoung com todo o seu ser.

Assim que chegou ao seu apartamento, San se deitou no sofá, cansado. O celular em  sua mão lembrando do que Jongho o disse para fazer, mas ele ainda temia ligar para Wooyoung e acabar o incomodando, já se passava das oito da manhã na Coreia, e quando San se tocou disso não havia mais como arranjar desculpas, Wooyoung deveria estar em casa, cuidando do jardim ou fazendo qualquer coisa para passar seu tempo, San sabia que ele estava de folga, mas ele também deveria estar cansado da festa. Não querendo mais fugir disso e procurar desculpas para adiar o inevitável, ele discou o número do namorado e apertou o celular contra a orelha. Um, dois, três, quatro toques e finalmente a chamada foi atendida.

— Woo?

Quem está falando? — a voz de Wooyoung estava rouca, ele deveria ter acabado de acordar, nem ao menos viu quem estava ligando.

— É o San. — um ruído estranho pode ser ouvido ao fundo, vozes e resmungos — Quem está com você? — não queria ter soado tão possessivo, mas não conteve a curiosidade e o leve incômodo que a ideia de que Wooyoung estivesse com outro alguém o causava. Queria se socar por pensar por dois segundas que o moreno pudesse estar o traindo.

Estou na casa do Yeosang, todo mundo veio. O Mingi ficou muito bêbado e não tinha condições para dirigir, ele que me levou ao casamento — Wooyoung riu ao se lembrar da cena de Mingi bêbado e chorando por estar muito feliz com a união dos seus amigos — Todos estavam perguntando por você, o cara que tocou para o casamento era bom, mas nada se compara a você, é claro.

San sorriu ao escutar o elogio, a lembrança das vezes que tocava somente para Wooyoung na sala da casa deles invadiu sua mente, aquecendo o seu coração e aumentando o peso que ultimamente sentia carregar sobre os ombros, o de não poder fazer isso novamente, agora.

— Eu queria estar lá, ainda não olhei as fotos, mas devem ter ficado lindas — dessa vez foi Wooyoung que sorriu ao escutar o elogio, realmente ele é um ótimo fotógrafo. Ficaram em silêncio por algum tempo, apenas escutando a respiração um do outro. San sorriu ao constatar que era desse modo que eles ficavam antes de começarem a namorar, quando haviam descoberto os sentimentos e eram apenas um casal de adolescentes apaixonados e sem saber o que dizer — Eu amo você, Woo.

Eu também te amo muito, Sannie. — o coração de San podia bater normalmente mais uma vez, o aperto do medo que sentia de deixar de ser amado por Wooyoung sumindo de vez ao escutar a voz do moreno dizendo aquelas palavras tão sinceras.

— Só mais dois anos e eu vou estar de volta para você — Wooyoung suspirou e sorriu, mesmo que San não pudesse ver, ele sabia disso.

— Eu mal vejo a hora disso acontecer.

 

III

 

San apertava a alça da bolsa com tanta força que os nós de seus dedos estavam brancos, Jongho vinha logo atrás dele carregando uma mochila e duas malas rindo do nervosismo do amigo. Hoje é o outono do dia mil oitocentos e vinte e cinco, cinco anos depois de sair de Seul, San estava enfim retornando para a sua casa. Ele não conseguia acreditar que estava no aeroporto esperando seu avião de volta para os braços aconchegantes de Wooyoung, este que não fazia ideia de que San estava voltando. Achando uma péssima ideia, mas sendo convencido por Jongho, San não avisou para ninguém que estaria voltando hoje, ele esperava surpreender todos com a sua chegada repentina.

— Você pode parar um pouco e se sentar? — Jongho, que já estava cansado de ver o amigo andando em círculos sem parar falou — Bebe uma água e se acalma, seu voo é daqui a uma hora.

— Eu não vou conseguir me acalmar, Jongho — San estava quase tendo um ataque de nervos, a viagem de vinda foi dolorosa, mas a de volta está sendo torturante. Ele não aguentava mais esperar para entrar no avião e chegar logo em casa, ele quer ver Wooyoung o quanto antes ou vai acabar morrendo de saudades, literalmente.

— Vou pegar um copo de água para você — ignorando todos os resmungos do mais velho, Jongho vai até uma lanchonete perto de onde estavam.

San tenta desviar a sua atenção para alguma coisa que o deixe menos nervoso, mas as mensagens que acabam de chegar para ele em seu celular só fazem seu coração ficar ainda mais acelerado e o frio em seu estômago aumentar.

Woo: quando você vai voltar? [10:15am]

Woo: eu estava olhando algumas passagens e se você vier no mês que vem ainda podemos passar o seu aniversário juntos [10:15am]

A vontade de San era contar para Wooyoung que já estava no aeroporto apenas esperando o horário do seu voo para poder ir para casa, mas ele continuaria com o plano de Jongho, isso seria uma surpresa. Respondeu Wooyoung dizendo que gostou da ideia das passagens do próximo mês e que estava ansioso para voltar logo. Quando Jongho voltou com duas garrafinhas d’água San apanhou uma de sua mão e bebeu seu líquido desesperadamente. Os minutos se passaram devagar o que fez o nervosismo de San triplicar, mas quando o seu voo foi finalmente anunciado pelos alto falantes ele sentiu uma pontada de alívio.

— Boa sorte e tente não morrer no avião — Jongho abraçou San com força, sentiria falta do mais velho, mas mais do que tudo, sabia como ele estava com saudade de sua terra natal e de quem estava lá — Boa viagem, me mande uma mensagem quando chegar!

San agradeceu ao mais novo por tudo e enfim foi para o seu voo. Quando entrou no avião nem pôde acreditar que estava ali, voltando para casa depois de mil e tantos dias de espera. Viveu momentos inesquecíveis naquela cidade e estava ansioso para contar todos eles para Wooyoung enquanto se sentavam na varanda de casa apreciando a vista e tomando chá. A decolagem foi anunciada e San sentiu o coração disparar, estou voltando para você, Woo.

 

Wooyoung estava com um incomodo no peito, San não havia falado com ele o dia inteiro o que era muito estranho, já que hoje faz exatos cincos anos desde que ele foi embora e, sem eles ao menos perceberem, não havia um único ano em que essa data chegasse e eles não se falassem por horas a fio no telefone, ainda mais que esse deveria ser o último ano que essa data vai ser lembrada desta maneira. Wooyoung estava mais calmo ultimamente, San voltaria logo e ele mal podia esperar para ver, abraçar e beijar o loiro. Até seus amigos haviam percebido a mudança no humor de Wooyoung, ele estava quase saltitando de tamanha felicidade.

— Você já sabe quando o San vai voltar? — Yunho perguntou, eles estavam assistindo um filme qualquer na tv, Yunho se tornou a principal companhia de Wooyoung desde que San havia viajado, o que deixava Mingi com uma pontadinha de ciúmes, ele dizia que estava perdendo o seu namorado para Wooyoung.

— Não sei, talvez ele venha no próximo mês — desviou os olhos da tv para o celular, esperando um mínimo sinal de nova mensagem nele, havia mandado algumas passagens para San decidir qual seria a melhor data para voltar, mas até agora não recebeu nenhuma resposta — Ele estava bastante ocupado resolvendo algumas coisas da escola, não teve tempo de procurar passagens antes.

Wooyoung nunca esperaria que San já estivesse no avião voltando para casa.

 

Depois de vinte e uma horas de viagem, San havia chegado a Seul. Seu corpo doía pelo longo tempo de viagem, estava cansado e com sono, mas nada disso importava no momento, tudo o que ele mais queria agora era chegar o quanto antes em sua casa e poder envolver Wooyoung em seus braços e não o soltar nunca mais.

Saiu do aeroporto e antes de entrar no táxi que havia chamado pelo aplicativo, San viu uma barraca que vendia flores, pensou por um tempo e foi até lá, comprou um buquê de rosas vermelhas, as preferidas de Wooyoung. Podia ser a coisa mais clichê do mundo, mas ele não se importava, era algo que Wooyoung gostava e San só queria ver o sorriso do seu namorado.

Depois de alguns minutos, o táxi o havia deixado em frente à sua casa, pagou ao motorista e agradeceu, acompanhou o trajeto do carro com os olhos até que ele desaparecesse no fim da rua. San sentiu um frio na espinha quando olhou para casa, o jardim permanecia bem cuidado e com plantas novas, um sorriso cresceu em seus lábios ao ver o antigo piano pela janela, ele continuava no mesmo lugar do jeitinho que San o havia deixado quando partiu. Sem coragem alguma para entrar, ele ficou na calçada encarando a casa que dividiu com Wooyoung por tanto tempo, se lembrou dos melhores momentos que viveu ali, quando reformou o jardim da frente com Wooyoung assim que se mudaram, no dia que tiveram que sair correndo desesperados achando que a casa estava pegando fogo, mas apenas tinha sido um bolo que San tentou preparar e acabou queimando, e muitos outros acontecimentos que ele guardava com carinho em sua mente.

 Enfim, San estava em frente à casa que tanto conhecia, cinco anos depois de sair pela porta da frente com uma mala gigante e um sonho maior ainda, ele havia voltado para o aconchego do lugar que o proporcionou momentos incríveis. Com o pouco de coragem que conseguiu juntar abriu o portão que dava acesso ao jardim com as mãos trêmulas e entrou, ele sentiu cheiro de chá de cereja quando se aproximou da entrada da casa, um sinal claro de que Wooyoung estava ali. Woo. Mil oitocentos e vinte e cinco dias longe do seu querido Woo. Os olhos de San começaram a arder, algumas lágrimas já desciam pelas suas bochechas, o loiro nunca havia sentido tanta apreensão em toda a sua vida, a saudade e a culpa se misturando em seu peito e fazendo seu coração doer. Desculpe por ter demorado tanto Woo.

O maior medo de San era voltar e não encontrar Wooyoung, quando foi embora ele apenas disse que voltaria, mas não pediu para que o moreno o esperasse, ele não faria isso, seria egoísta, seria muito doloroso e a última coisa que o San queria era causar dor em quem tanto ama. Parado em frente a porta branca da casa, San sentiu arrependimento, por não ter voltado antes, por não ter dado notícias, por deixar Wooyoung sozinho todo esse tempo. Cinco anos longe e só agora San percebeu que havia deixado uma parte sua ali, uma parte do seu coração havia ficado naquele lugar para fazê-lo se lembrar de que deveria voltar para se sentir inteiro outra vez.

Três batidas na porta, ele podia escutar o som da chaleira através do mogno e quando escutou o som de passos se aproximando seu coração se transformou em um caos de batidas rápidas demais e sem ritmo algum, suas mãos não paravam quietas um minuto, arrumando os fios loiros do seu cabelo, ajeitando o sobretudo no corpo, apertando o buquê de rosas que segurava, o frio em sua barriga aumentou ao ver a maçaneta girar devagar, devagar demais e quando a porta finalmente foi aberta, tudo parou. O mundo parecia ter entrado em câmera lenta para eles dois, o coração de San se acalmou e Wooyoung sentiu um alívio descomunal tomar conta do seu peito, seus corpos se chocaram em um abraço atrapalhado, mas aconchegante, Wooyoung se agarrava a San como se ele não fosse real, temendo que ele desaparecesse no instante em que o soltasse. As lágrimas que eles derramavam eram de saudade, amor e alívio, estavam juntos novamente. Wooyoung se sentia completo e San se sentia em casa.

— Eu disse que voltaria para você, Woo. — o loiro afundou seu rosto da curva do pescoço de Wooyoung, inalando o cheiro único que o rapaz tinha — Desculpe por ter demorado tanto, meu amor.

— Eu senti tanto a sua falta — a voz de Wooyoung estava falha pelo choro, mas ele não ligava, ele só precisava dizer o quanto estava com saudades do seu amor — Cheguei até a pensar que você não voltaria — suspirou, um peso invisível sendo retirado das suas costas quando sentiu San apertar os braços envolta da sua cintura — Mas você está aqui de novo.

— E não vou a lugar algum — segurou o rosto de Wooyoung entre suas mãos e selou seus lábios. San estava com tanta saudade dos lábios do seu namorado, estava com saudade de Wooyoung inteiro, cada célula de San gritava em alegria. O buquê de flores estava esquecido no chão, junto com as malas e mochilas que San carregava, agora ele só se importava em tocar todo o corpo de Wooyoung, gravando na memória mais uma vez o percurso que seus dedos faziam por cada pedaço de pele dele. As mãos do moreno deslizaram pelos fios loiros do cabelo de San, a sensação que tanto sentia falta trazendo um sentimento já conhecido por ele de volta para o seu peito, eles não se soltariam tão cedo.

No outono do dia mil oitocentos e vinte e cinco, San voltou para Wooyoung e prometeu a si mesmo que nunca o deixaria de novo.


Notas Finais


É isto! Eu sou muito soft pelos woosan e escrever isso aqui me deixou ainda mais boiola por esses dois! Espero do fundo do meu coração que vocês tenham gostado!
Quero agradecer a lindíssima @Hyiani que betou a história e fez com que tudo isso acontecesse! Você é incrível!
Deem uma olhada no perfil do projeto, temos outras histórias maravilhosas por lá e logo estaremos postando o próximo desafio!
Muito obrigada para quem leu essa boiolagem!


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