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História Outra chance ao amor. - Capítulo 3


Escrita por: e ISTEXMY7


Capítulo 3 - Prólogo parte 2/final


Fanfic / Fanfiction Outra chance ao amor. - Capítulo 3 - Prólogo parte 2/final

             Casa funerária de Seoul.

                 Terça-feira, 7:00 AM. 


A notícia da morte da esposa do Jeongguk já era de conhecimento de todo o país, então todos, absolutamente todos, a não ser os que não possuem internet ou televisão, estão cientes do ocorrido. Jeongguk também era conhecido por seus atos de caridades e ações sociais, como trabalho voluntário e visitas à asilos e creches, portanto, era um homem querido para muitos, especialmente àqueles a quem tinha ajudado, ele não estaria sozinho em seu luto, muitas pessoas lhe prestariam seu apoio. 


A família da Sarang decidiu fazer a cerimônia fúnebre da forma tradicional onde os familiares da vítima passam três dias seguidos em um salão funerário fazendo seu ritual diante da pessoa morta e recebendo os concidadãos que vem desejar-lhe suas condolências e trazer flores. Estavam todos reunidos no salão, o lugar estava cheio, familiares de Sarang desde os pais até avós, tios e primos, todos estavam presentes, Jeongguk não imaginava que sua esposa conhecia tanta gente, e mesmo assim: Por que teve que sair sozinha? Por que não esperou por ele, ou mesmo chamou alguém pra ir consigo? Essas eram as perguntas que rondavam a sua mente, a ficha ainda não tinha caído para ele e não cairia nem tão cedo, o mesmo não queria aceitar que isso tinha acontecido. 


Para Jeongguk não era apenas algo que tinha que acontecer ou mesmo porque havia chegado a sua hora, mas uma crueldade, a culpa era sua, se ele não é tivesse esquecido, se tivesse ido encontra-la ou mesmo se não tivesse prometido ir, nada disso teria acontecido, Jeon não consegue aceitar que as coisas simplesmente acontecem mesmo que não haja um motivo específico para isso, ele não entendia o porquê que no auge de sua felicidade, quando estava construindo sua família algo tão cruel tinha que acontecer e não queria entender, nem mesmo aceitar. Se Jeongguk alguma vez em sua vida acreditou em destino, a partir de agora não mais acreditaria. Se essa coisa de destino realmente é verdade, por que tão cruel? Por que traz as pessoas para nossa vida e depois as leva sem mais nem menos? 


Jeon ainda sentia-se dormente, como se tivesse sido anestesiado. Era a sensação marcada pela falta de aceitação, não conseguia sentir seu corpo ou mesmo controla-lo, não sentia fome e nem sede, vontade em si não havia para nada, entretanto, a maior dor de sua vida começaria a partir de então, quando ele chegasse em casa e não a visse, quando finalmente percebesse que ela realmente se foi. Ele decidiu não acreditar, pois a possibilidade de uma vida sem a Sarang não existia para si, era algo inimaginável. Ele estava em pé na entrada do salão enquanto as pessoas iam entregar flores, e condolências aos familiares, mas não queria falar com ninguém, não queria ouvir "meus pêsames" ou "sinto muito", ela não estava morta, era apenas um pesadelo do qual logo se acordaria. 


— Filho, você precisa comer alguma coisa! 


A governanta Noh desenvolvou o hábito de chamar-lhe de filho como um apelido carinhoso e acolhedor, era assim que ela o chamava desde que começou a cuidar dele quando ainda era um bebê. 


— Jeongguk, por favor! -ela tocou em seu braço levemente balançando-o. Jeongguk sentia como se estivesse hipnotizado, incapaz de esboçar qualquer reação, até falar neste momento lhe estava sendo difícil. 


— Não sinto fome! -respondeu, com a voz baixa e quase inaudível, como se não tivesse feito esforço algum para que as palavras lhe saíssem. 


Os pais de Sarang ainda não tiveram a oportunidade de falar com Jeon, afinal, outrora ele havia desmaiado e estava ainda sob efeito dos sedativos por isso a sensação de dormência no corpo. Ele sentia-se anestesiado. Ainda não estava em seus sentidos, mas o efeito do sedativo não duraria por muito tempo.


— Jeon querido! -a mãe de Sarang aproximou-se dele. — É a sua vez... -apontou em direção ao altar onde estava o corpo dela com uma foto estampada bem no meio em cima do caixão. 


— Ele não fala desde que acordou do desmaio, precisa reagir Jeongguk. -a governanta Noh insistiu, mas ele não estava nem sequer prestando atenção no que diziam. 


— Não quero falar com ninguém, não quero ouvir nada sobre isso! -falou, seco e ríspido. 


— Jeon... -a governanta Noh tentou segurar a sua mão, mas ele a puxou brutalmente fazendo-a recuar. 


— Jeongguk, não seja assim! Todos nós estamos sofrendo, não seja egoísta. -dessa vez foi a mãe de Sarang que falou-lhe com pura desdém em sua voz. 


— Sofrendo... -repetiu, esboçando um sorriso irônico em seus lábios. — Claro que estão sofrendo, precisou que ela morresse para que viessem visita-la, nem mesmo quando ela contou que estava grávida vocês vieram, e agora vem me falar de sofrimento? Sabem o quanto ela ficou triste com vocês? Por favor, me poupem. -respondeu, completamente ríspido sentindo a mistura de raiva e tristeza dentro de si. 


Sarang era tudo que Jeongguk tinha e ele era tudo que ela tinha. Ambos os pais eram "amigos" e por isso eles acabaram crescendo juntos, tornando-se melhores amigos, namorados até se casarem. Jeongguk não sabe ou lembra de um sequer momento em que Sarang não esteve com ele, se é que tal momento existiu. Perde-la seria o mesmo que perder tudo, então ele havia perdido todo o seu mundo, a razão da sua felicidade, o motivo pelo qual tornou tão bem sucedido, nada mais fazia sentido. 


Os pais de Sarang e Jeongguk eram empresários, ambos sócios e enquanto trabalhavam compulsivamente jamais tiverem tempo para cuidar de seus filhos. Para eles, seus pais eram nada mais nada menos que aqueles que os trouxeram ao mundo. Os pais de Sarang eram acionistas da Jeon Corporation, mas estavam prestes a aposentar-se.


— Não fale assim, Jeon. Estávamos trabalhando, como você acha que tiveram essa vida luxuosa? Nós empenhamos muito para deixar a empresa toda pronta pra você, não seja ridículo! -o pai de Sarang interviu para defender sua esposa, mas Jeon apenas gargalhou tomado pela descrença, não conseguia acreditar no que ouvia.


— O que são os filhos pra vocês? Apenas marionetes? Nascemos apenas para atender às suas expectativas? Seguir seus passos? Isso é ridículo. -Jeon falou, sentindo os olhos lacrimejarem contra a sua vontade, por isso mordeu a ponta do lábio inferior levemente movendo a cabeça para o lado. 


— Vai dizer que foi nossa culpa a morte da Sarang? Onde você está estava quando o acidente aconteceu? Que eu me lembre bem quando chegou ao hospital parecia estar vindo da empresa! -a mãe de Sarang cuspiu suas palavras sem dó nem piedade, totalmente cruel. — Se a amava tanto porque não deixou a empresa para ficar ao lado dela? No fundo, você é igual aos seus pais, ganancioso. 


A mãe de Sarang havia atingido em cheio a sua ferida, suas palavras aumentaram o peso da culpa que sentia. Para ele, foi como se tivesse acertado uma faca bem em seu peito, de repente sentiu seu coração apertar-se tanto a ponto de começar a sufoca-lo. Tudo que ela havia dito, tais palavras, nunca mais sairiam de sua cabeça, talvez saíssem um dia, mas não estava nem perto. 


— CHEGA! -a governanta Noh tomou as rédeas da situação, com a voz num tom alto o suficiente para que todos ouvissem e percebessem que estavam discutindo. — Senhorita Kim, o Jeongguk fez pela Sarang o que vocês não fizeram durante toda a sua vida! 


Jeongguk não pode conter as lágrimas, sentiu seu coração sendo espremido sem dó nem piedade, como se estivessem o esfaqueando repetidas vezes, sentia seu coração sendo rasgado, massacrado pela dor. Tanto é que ficou sem palavras, esqueceu-se por um momento como era que se falava, afastou-se deles e foi até onde estava o corpo de sua esposa, parou em frente a sua foto apoiada em cima do caixão, uma foto dela feliz e sorridente no dia do seu casamento, Jeongguk lembrava exatamente de tal foto, a lembrança era tão nítida em sua memória que lhe parecia como se tivesse sido ontem. 


— Eu não trouxe flores! -falou fitando a foto dela. — Você não está aqui para recebe-las com aquele sorriso de canto, por que eu deveria trazer? -continuou, sentindo as lágrimas escorrerem sorrateira e desesperadamente. — Eu não entendo... Estávamos tão felizes, por que... por que isso tinha que acontecer? Sarang, meu amor, você não pode morrer, não sem mim, não pode fazer isso comigo. Por favor, não vá... volte pra mim... 


Jeongguk suplicou sem perceber que estava chorando, com a voz nasalada e o nariz começando a entupir, teve que respirar fundo várias vezes porque a dor estava começando a tirar-lhe o fôlego. A sensação de dormência sentida momentos antes estava sumindo, ele começou a sentir a dor o tomando por completo, matando-o, sufocando-lhe.


— Você não pode fazer isso comigo, NÃO PODE, VOCÊ NÃO PODE MORRER, SARANG, eu te amo. -Gritou, sentindo seu corpo tremer e pegou a foto da mulher apertando-a forte contra o seu peito, permitindo-se cair de joelhos diante do caixão. 


Seus pais ainda não haviam chegado, talvez nem soubessem do que acontecera, eles nunca se importaram de verdade com as coisas que aconteciam com seu filho, sempre foram distantes e frios. Jeongguk não tornou-se solitário, arrogante e irredutível graças a Sarang, ela era seu ponto de equilíbrio, mas agora sem ela, sentiu que a pior versão de si mesmo estava prestes a ser externada. Não sentiu falta de seus pais, estava acostumado com a ausência deles, para Jeon era como se fosse órfão, as vezes até esquecia que ainda os tinha. 


Depois de chorar, levantou-se lentamente devolveu a foto ao seu lugar e afastou-se dali. 


— Estou indo. -avisou a governanta Noh. — Senhor Park, venha comigo por favor! -fez sinal para o seu secretário que estava sentado nas banquetas, chamando-o. 


— Onde vai? -A senhora perguntou, preocupada.


— Não se preocupe! -respondeu simples e retirou-se dali com o seu secretário Park Jimin.



                              (•••)


Em frente a Jeon Corporation começaram a aglomerar-se os repórteres assim que Jeongguk desceu de seu carro com seu secretário e adentrou a mesma. Os seguranças controlavam a demanda para que a multidão de repórteres não invadissem o local causando tumulto. 


— Peça que apenas um repórter entre! -Jeon dirigiu-se a Jimin, parando já dentro da empresa em frente a recepção.


— Certo! 


Park Jimin concordou e voltou lá fora, escolhendo apenas um dos repórteres que se imprensavam e se empurravam num tumulto e pediu que lhe seguisse. Ambos entraram na empresa e pararam em frente a Jeongguk.


— Quero que convoque todos os acionistas, diretores e sócios da empresa para uma reunião agora mesmo! E você -Orientou ao Jimin e em seguida voltou seu olhar à repórter. — Siga-me. 


Jimin foi cumprir sua ordem enquanto a repórter o seguia sem expressar uma sequer palavra. 


— Preste bem atenção em tudo que vai ser dito nesta reunião, estou deixando sob a sua responsabilidade, dentre todos os repórteres, repassar as minhas palavras ao público sem diminuir nem acrescentar nada. -informou-lhe sério sem lhe encarar enquanto encaminhava-se a sala onde aconteceria a reunião. 


— Sim, senhor! Pode deixar! -assentiu. 


Jeongguk adentrou a sala juntamente com a repórter, posicionou-se em pé em frente ao púlpito, num lugar que lhe dava a visão de todas as cadeiras onde os colaboradores sentariam e esperou que chegassem. A repórter ficou atrás e todos foram chegando aos poucos, até que a sala estava cheia sem que faltasse ninguém. 


— Quero informar-lhes que a partir da semana que vem ficarei ausente da presidência da empresa por um tempo e quem vai administrar tudo no meu lugar será o secretário Park Jimin! -disparou, fazendo com que todos começasse a cochichar entre si. — Ele será o mais novo Diretor Administrativo, então a partir da semana que vem tudo que diz respeito a empresa deverá ser resolvido e discutido com ele. 


Jeongguk não havia avisado ou sequer perguntado ao Park Jimin se o mesmo aceitaria, mas sabia que sim, afinal, durante anos ele havia servido a sua família fielmente ouvindo e acatando todas as ordens dadas por eles mesmo estando sempre no seu cargo de secretário, Jeongguk estava praticamente confiando a empresa nas mãos de seu secretário. Park Jimin estava em pé ao seu lado e apesar de estar completamente surpresa e incrédulo, decidiu não esboçar nenhum reação para não gerar confusão.


— E o projeto de construção da casa e asilo, vai prosseguir? -um dos colaboradores perguntou, confuso. 


— Sim, o projeto prosseguirá sem interrupções, entretanto, o meu secretário é quem ficará responsável de acompanhar o andamento de perto. E já aproveitando o ensejo, quero anunciar o presidente Min -apontou para ele que estava sentado entre os colaboradores. — como o principal patrocinador deste projeto, ele cuidará da parte financeira e o senhor Park da parte administrativa, então qualquer dúvida que tiverem em ambas as áreas recorram à eles. 


— Quando tempo pretende ficar afastado? -dessa vez a repórter perguntou, prestando atenção diligentemente em suas palavras.


— Não sei. -respondeu, simples. —Mas enquanto estiver afastado, o senhor Park cuidará de tudo e me informará o que for necessário. Reunião encerrada. 


Jeongguk retirou-se da sala de reunião e foi até a sua sala presidencial seguido por seu secretário Park Jimin. O moço tinha tantas perguntas para fazer a seu chefe, estava confuso e ao mesmo tempo surpreso com a sua decisão. Ambos adentraram a sala e Jeon encaminhou-se até a sua mesa esperando pelo que o seu secretário tinha a lhe falar. 


— Suponho que tenha perguntas a fazer. -iniciou, cruzando os braços. 


— Por que eu? Tem tantas outras pessoas mais qualificadas... -perguntou Jimin, confuso. 


— Porque confiou em você. Tens servido a essa empresa há tanto tempo, ninguém a conhece melhor e ninguém é mais qualificado para isso! -respondeu, olhando-o. — Preciso que aceite, não tem tantas pessoas do meu lado aqui! 


Jimin, sem saber o que dizer, apenas concordou e fez sinal de reverência a seu chefe como sinal de que atacaria a sua ordem sem reclamar. 


— Você tem nos servido há tanto tempo, nunca teve um aumento salarial ou sequer subiu de cargo. É a atitude mais justa coloca-lo como Diretor Administrativo, já que... você tem feito esse trabalho por tanto tempo. 


— Eu estou satisfeito com a meu salário e emprego senhor, não tenho tantas ambições assim! -respondeu, gentilmente.


— Acho melhor começar a ter, seu salário será um pouco mais que o dobro do que recebe agora! Sei que fará um bom trabalho! -Jeongguk falou, encorajando-o.


— Farei o meu melhor, senhor! -falou, firme. 


Jeongguk abriu algumas gavetas e puxou algumas pastas entregando-as a Jimin. 


— Aqui está tudo que você precisa saber sobre o projeto da casa e asilo e sobre os outros projetos que estão sendo avaliados. -entregou as pastas na mão de Jimin que as pegou com cuidado. - Quero que fique por dentro de tudo, você é quem vai tomar as decisões e avaliar os projetos que se seguirão em meu lugar! 


— Sim, senhor! -assentiu com a cabeça. — farei isso! 


— Ah e sobre o presidente Min, nós... -enquanto falava foi interrompido por batidas na porta. — Entre. 


— Jeongguk? Preciso conversar com você! -falou, entrando na sala. 


— Chegou na hora certa, estava mesmo querendo falar contigo! Bom, você estava na reunião e ouviu tudo o que eu disse, certo? -perguntou-lhe, esperando a resposta óbvia. 


— Sim, é sobre isso que vim falar! -acrescentou, sério.


— Tudo o que quiser discutir sobre o projeto que iremos desenvolver faça isso com ele! -apontou para seu secretário. — E sobre a apresentação do seu projeto, decidam entre si o dia para isso e passe para ele os arquivos! -jeongguk informou ao presidente Min.


— É isso? Vai afastar-se de todas as suas obrigações e se isolar do mundo? -disparou, atacando-o. — A vida continua, você precisa... 


— Poupe-me do seu sermão, você não sabe de nada! -retrucou jeongguk, indiferente. —se trabalhar junto com a Jeon Corporation terá que decidir com o meu secretário. 


Ambos se entreolharam e o presidente Min apenas retirou-se dali sem falar nem uma palavra. 


— Estou indo! -informou ao seu secretário. — Me envie por email todos os compromissos que tenho esta semana assim que puder, por favor! 


Jeongguk logo em seguida saiu deixando o seu secretário no comando de toda a empresa. Nada mais lhe interessava, ele simplesmente não queria saber de mais nada. 


                             (•••)


Ao chegar na grande mansão onde morava com a sua esposa as lembranças começaram a tomar sua mente, em cada centímetro daquele lugar havia uma recordação deles e a sua mente faria questão de lembra-lo, afinal, não existia Jeongguk sem Sarang, toda a sua vida foi com ela. Ele teria que reaprender a viver, como se estivesse nascendo outra vez, aprendendo a andar, a falar e a escrever. Jeongguk estava no fundo do poço. 


Entrou em casa andando lentamente, e ao abrir a porta desejou ver a sua esposa o esperando para dizer-lhe que tudo não passava de um sonho ruim e que ela estava bem, mas não havia nada mais nada menos que uma casa enorme e vazia, silenciosa, sob a luz da escuridão. Jeongguk estava sozinho, a ficha aos poucos começou a cair, a mulher de sua vida, com quem planejava envelhecer havia partido.


Fechou a porta atrás de si, sentindo novamente o seu peito apertar-se com tudo, levou uma das mãos até o mesmo e fechou-a pressionando forte contra o seu peito, a outra mão ele usou para apoiar-se no sofá, sentindo novamente a dor roubar seu fôlego e o medo irradiar-se dentro de si. Ali, sozinho e longe de todos, Jeongguk chorou o mais alto que pôde, soluçou, gritou alta e estrondosamente sabendo que ninguém lhe ouviria, caiu com tudo no chão e se permitiu chorar por toda a dor que sentia, e parecia que quanto mais chorava, mas a dor aumentava e o oprimia. Como se estivesse se afogando dentro de si mesmo, sem conseguir conter a respiração, ele chorou até adormecer no chão da sala próximo ao sofá. 


Minutos depois a governanta Noh chegou e o encontrou deitado no chão, pálido pois não havia comido nada e nem sequer água bebido desde o ocorrido. A senhorinha correu até e ele e o puxou para seus braços abraçando-o forte contra si como nos velhos tempos. Sempre que Jeongguk sentia medo, não conseguia dormir por conta dos pesadelos ou sentia falta de seus pais a governanta Noh o abraçava assim, até que ele dormisse ou conseguisse se acalmar. 


— Eu estou aqui meu filho, você não está sozinho! -abraçou como se estivesse o ninando. 


— A minha vida acabou, governanta Noh. Como eu vou viver sem ela? -perguntou com a voz nasalada devido ao choro. 


— A sua vida não acabou querido, você precisa ficar forte pra cuidar do seu filho, ele precisa de você! -falou a governanta Noh, consolando-o. 


O que mais lhe doía era saber que não pode se despedir e que nunca mais a veria de novo. Aquele fora o último beijo, a última vez que ela abotoaria seus botões e ajeitaria sua gravata para que ele fosse trabalhar, agora ele teria que fazer sozinho tudo que fazia com ela, teria que reaprender a viver uma vida onde a Sarang estaria presente somente em sua memória e para Jeongguk esse tipo de vida não valia a pena, sem ela não tinha porque continuar. Ele até se esqueceu que seu filho estava no hospital, na incubadora. 


— Filho... -repetiu a palavra, reflexivo. — Como vou cria-lo sem a mãe? O que vou dizer quando perguntar por ela? Eu não sei como viver ou o que fazer sem a Sarang, estou completamente perdido! -redarguiu, desesperançoso.


— Vai deixa-lo? Você sabe mais do que ninguém o que é crescer sem ter os pais por perto. O que vai ser dessa criança, Jeongguk? Ela vai ser levada para um orfanato e talvez sofra maus tratos. Ela é o fruto do seu grande amor, é o mais perto que que vai conseguir chegar da Sarang! -falou, na tentativa de consola-lo. 


E ainda que apenas um pouco, as palavras da governanta Noh fizeram Jeongguk refletir. Ele precisava cuidar daquela criança, ela era um pedacinho que a Sarang havia deixado de si para ele, foi gerado dentro dela. Era a isso que Jeongguk se apegaria para viver, ao seu filho com o grande amor da sua vida, se dedicaria a ele com tudo de si todos os dias e jamais permitiria que outro alguém ocupasse o seu lugar na sua vida. 


Para Jeongguk ninguém, nunca, jamais conseguiria ocupar seu coração de novo. Ele amaria Sarang para sempre e nenhuma outra ocuparia seu lugar, mas o destino tem seus mistérios, e em todo fim a um novo recomeço. Jeongguk não sabia que, mais tarde, o amor lhe encontraria novamente de forma sutil e sorrateira, afinal, é quando escolhemos nunca mais amar que o amor vem pra contrariar a gente. Ao contrário do que pensava, Ele amaria sim outra vez e seria sim feliz outra vez.


Notas Finais


Está oficialmente finalizado o prólogo da estória e é a partir de agora que ela começa, espero que gostem.

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