1. Spirit Fanfics >
  2. Outra Terra >
  3. Capítulo Quatro

História Outra Terra - Capítulo 5


Escrita por:


Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 5 - Capítulo Quatro


Fanfic / Fanfiction Outra Terra - Capítulo 5 - Capítulo Quatro

Ino observava o irmão se mover de um lado para o outro perto da porta do escritório com ambas as mãos para trás, ele estava agindo estranhamente desde o início da manhã quando ela retornou com a bruxa, sempre foi frio, distante e cauteloso. Em nenhum outro momento Sasuke teria permitido que as duas mulheres dentro do escritório conversassem sem sua presença.

Ela sabia que ele estava sendo pressionado pelo conselho devido ao assassinato do Sarutobi, mas não havia encontrado quaisquer resquícios do assassino onde o corpo foi encontrado e ambos estavam cientes de que Sakura Haruno nada tinha a ver com o crime. Então por que ele a tinha acusado?

_ O que Tsunade está dizendo a garota para demorarem tanto? – Perguntou o Czar mais para si mesmo. Ele estava pensando e repensando uma série de cenários que poderiam ganhar vida com o aparecimento inesperado da Haruno, precisava se preparar e adiantar-se em qualquer situação, mas essa não era a única coisa que o afligia.

_ O que há com você? – Ino o questionou já se irritando com aquele vai-e-vem. O vampiro deteve os passos só naquele momento se dando conta que a irmã o observava.

_ Hum?

_ A garota disse “por favor” e você obedeceu sem questionar.

_ Ela não iria falar sendo pressionada por mim, Tsunade tem mais chances. – A duquesa Senju e o clã Uchiha tinha uma relação especial há séculos, ambos trabalhavam juntos para manter a paz que foi conquistava e compartilhavam uma mesma visão do mundo. Para Sasuke, Tsunade era a única bruxa que podia confiar.

_ Não estou falando só disso, você a está tratando com cortesia.

_ O que queria que eu fizesse? Colocasse você para torturar o cérebro dela? Que a jogasse nas masmorras com os nossos outros convidados? Sabe muito bem que essa é uma situação delicada, ninguém pode saber de onde ela veio. Além do mais querida irmã, foi você que a resgatou e concedeu um tratamento especial.

_ Ela desmaiou em meus braços, não podia fechar os olhos para uma linda mulher precisando de ajuda. – O vampiro nem seu deu ao trabalho de repreendê-la.

_ A garota... Ela é extraordinariamente poderosa. – O que no dicionário dele poderia significar também “alerta de perigo”.

_ Você pode sentir? – Talvez por isso ele estivesse sendo cauteloso, pensou Ino.

_ E você não?

_ Você quer usa-la. – Concluiu a loira. A jovem bruxa poderia ser uma arma em potencial para o futuro, mas na realidade o Czar tinha outros planos, que por um bom tempo ela não seria capaz de perceber.

_ Não, quero que ela decida nos ajudar. Sem identidade ou clã ela pode ser um trunfo em algumas situações, como não nasceu nesse mundo não será influenciada por nenhum lado. – Era a metade da verdade.

_ Mas isso pode ser inútil, não sabemos o que ela pode fazer ou se controla os poderes que tem.

_ É por isso que precisamos que Tsunade a teste, e logo.

 

 

 

 

 

 

(...)

 

 

Sakura foi levada de voltar ao quarto por Ino depois que terminou de conversar com Tsunade Senju. A bruxa havia pedido que ela descansasse um pouco, pois ainda estava sobre os efeitos da viajem e isso poderia afeta-la de alguma forma. Era verdade que seu corpo parecia querer parar de obedecê-la a qualquer momento, mas estava agitada demais.

Quando a vampira a deixou dizendo que se precisasse de algo era só gritar seu nome no corredor, Sakura resolveu fazer a pergunta que temia a respostas.

_ Ino... O que vai acontecer comigo a partir de agora? – Estava em uma terra desconhecida sobre a qual nada sabia, não conhecia ninguém e não tinha dinheiro ou carteira de identidade, mas também para onde poderia ir? Por enquanto estava totalmente dependente de estranhos, por isso precisava cooperar com eles.

A loira estava compadecida pela situação da garota e de certa forma começava a sentir-se responsável por ela, já que havia sido a primeira a encontrá-la. A Haruno também tinha um ar de inocência e uma beleza natural que a vampira tinha certeza que fisgaria as pessoas.

_ Por hora iremos mantê-la aqui, não fale com ninguém além de nós e em hipótese alguma tente fugir. Não deixe que saibam de onde veio, só será perigoso para você. – Lembrou-se que ainda precisava calar Yahico, apesar de fazer parte da equipe dela não podia confiar facilmente no ruivo. _ Sasuke irá tomar as providências necessárias logo, é provável que você fique com Tsunade, então não pense muito e descanse.  – Dito isto ela saiu fechando a porta atrás de si e na tentativa de ter a sensação de segurança, Sakura girou a chave na fechadura logo depois, sabendo aquilo não impediria ninguém de entrar.

O fogo na lareira ainda estava acesso e parecia mais forte, alguém o avia atiçado com mais lenha e fechado a porta da sacada. Mesmo assim a garota tornou a abri-la sentindo todo o frio outra vez, mesmo no alto queria poder ver a cidade que outrora jurava conhecer bem, agora não fazia ideia do que a esperava lá embaixo e suas pálpebras começavam a ficar pesadas ao tentar enxergar o que naquele momento não podia.

Havia tantas coisas a considerar... Será que alguém procuraria por ela? Matsuri provavelmente sutaria depois de uns dias por não encontrá-la em lugar algum, sua vizinha talvez notasse a casa vazia, alguns colegas do curso poderiam enviar mensagens e com o tempo haveria a possibilidade de alguém notificar seu desaparecimento a polícia, mas no fim... Não haveria mais ninguém. Era possível que fosse esquecida como se nunca houvesse existido... E não sabia dizer o que era mais doloroso naquele momento.

Sentindo o corpo pesar mais uma vez, colocou as mãos na testa e pescoço, estava quente demais. Era a primeira vez que ela ficava com febre. Seu sistema imunológico teria sido afetado também ou era apenas uma consequência passageira?

Fechou a porta da sacada e se embrulhou nas cobertas da cama e como qualquer pessoa em sua situação, implorou para que quando acordasse tudo não passasse de um sonho.

 

 

 

 

 

(...)

 

 

_ Então, o que descobriu sobre a garota? – Sasuke perguntou a Tsunade quando ficaram a sós em seu escritório. O incenso de sálvia ainda queimava no cômodo.

_ Ela estava dizendo a verdade sobre quem é, ainda não fazia ideia de como veio parar aqui, mas você já sabia disso. – O vampiro apenas confirmou com um aceno de cabeça e se acomodou novamente na poltrona.

_ Isso não é o importante agora, quem a enviou? – A duquesa relatou o que tinha visto através das memórias da jovem, mas sem que Sasuke soubesse decidiu guardar para si algumas coisas, afinal havia informações que não lhe dizia respeito.

_ Estou curiosa, você foi o primeiro a vê-la, mas não fez nenhum comentário sobre isso.

_ As proteções que você colocou no castelo não foram eficazes.

_ É claro que foram, o portal pode ter aparecido aqui, mas você não conseguiu puxa-la para cá não é mesmo? Por isso ela foi arremessada em outro lugar. – Sasuke tamborilou os dedos na poltrona, estava cheio de perguntas e não gostava disso, e gostava menos ainda de ter que compartilhar algo que precisava esconder, mas se quisesse ajuda, não tinha escolha.

_ Quer leva-la com você não é mesmo?

_ Sejamos racionais garoto, não há lugar melhor e mais seguro para ela do que comigo. Irei assumir pessoalmente a missão de lapidar com a maior perfeição esse precioso diamante. Farei os testes em breve, mas como eu você deve sentir a intensidade de seu poder.

_ Me dê alguns dias, então você poderá leva-la. Só faz algumas horas que ela foi encontrada, devemos observa-la primeiro. – Mesmo sabendo que o melhor para a garota era começar a se adaptar ao lado de sua própria espécie, ainda não podia deixa-la ir.

_ E o que mais? – O Czar foi pego de surpresa com pergunta. _ Você está hesitando.

_ Há algo que preciso confirmar. – O Uchiha se levantou para ir até a janela do escritório, o sol estava se pondo, em breve outro dia se encerraria para outro começar, e ele nunca imaginou que traria tantas mudanças de uma só vez.

Tsunade ficou em silêncio o observando de costas, sabia que ele estava se preparando para continuar a falar, ela já estava em seu limite, o quanto mais de novas informações poderia suportar antes de explodir?

_ Cem anos atrás, quando encontramos aquela bruxa escandinava no porto, lembra-se da previsão suicida que ela fez antes de morrer? – Tsunade sentiu o peso das palavras ao dar-se conta do que queria dizer e como estava fazendo desde cedo, sufocou qualquer emoção.

_ Lembro que você não levou a sério a previsão dela...

_ Está acontecendo. – Sasuke virou-se para encarar a duquesa. _ É ela. – E por breves segundos, a loira quis implorar aos deuses que não fosse.

_ Garoto... Você tem certeza?

_ É por isso que quero mantê-la aqui por mais uns dias.

_ Quem mais sabe sobre a previsão?

_ As únicas pessoas que estavam no porto, você e o Naruto.

_ Sasuke, se eles descobrirem... Podem usar isso como desculpa para reacender as disputas...  – A duquesa não foi capaz de terminar.

_ É por isso que ninguém deve saber, nem mesmo ela. Só peço que a ensine e faça dela uma bruxa capaz de superar até mesmo você, só assim ela poderá proteger a si mesma.

_ Quanto a isso, não há com o que se preocupar.

_ Outra coisa, o pedido de aniversário que a trouxe aqui, qual foi?

 

 

 

 

 

 

(...)

 

 

Os barulhos produzidos a noite naquele lugar ainda eram os mesmos e volta e meia irritavam os ouvidos mais sensíveis. O castelo no centro de Mahanttan era sinônimo de dominação e poder, os humanos permaneciam longe e poucas criaturas tinha permissão para entrarem sem um aviso prévio antes. Apesar das crises que enfrentaram, os Uchiha ainda tinham todo o prestigio e poder de antes, o clã despertava desde respeito ao ódio nos corações das pessoas.

O novo Czar do estado por enquanto estava sabendo lidar com tudo que vinha junto a sua nova posição, no passado havia lutado e saído vencedor do lado que escolheu defender, desde do início o poderoso clã foi contra a segregação entre as espécies, mas mesmo depois de tanto tempo, ainda existiam aqueles que esperavam uma oportunidade para voltar com o movimento antigo.

Sasuke deixou o escritório horas depois da duquesa Senju ter ido embora falando uma série de recomendações desnecessárias, fazia dias que ele não dormia e mesmo seu corpo não precisando de descanso, a mente não dizia o mesmo.

No caminho para os seus aposentos parou em meio às escadas, como estaria à nova hóspede? Tentou escutar qualquer movimentação dela, mas os ruídos dos prisioneiros indesejados o atrapalhavam, talvez se quisesse se concentrar mais um pouco poderia saber que ela dormia, mas os novos impulsos que a presença dela despertava nele o fizeram recuar e procurar o lugar em que ela estava.

Seguindo o rastro do seu cheiro encontrou o quarto da garota e por um momento, Sasuke perguntou a si mesmo o que estava fazendo. Se ousasse se aproximar mais do que deveria, em alguma hora isso se tornaria um enorme problema.

Decidiu que iria embora, mas não antes de checar se ela dormia sem nenhuma complicação. Encostou as costas na porta pesada de madeira e fechou os olhos para escutar as batidas do coração no outro cômodo e ficou em alerta, estavam devagar, fracas demais até mesmo durante o sono, a respiração também era errática. Notou o cheiro fresco do suor dela misturado ao sangue, por que estaria suando quando em breve a neve cairia lá fora?

Não se segurou e no impulso girou a maçaneta da porta, mas ela não se abriu. De forma errada quis rir da situação, achava mesmo que um tranca iria protege-la? Sem esperar mais forçou a maçaneta e logo estava dentro do cômodo, nem mesmo o barulho foi capaz de acordar a bruxa.

O Czar acendeu as luzes e se aproximou da cama, as cortinas do dossel ainda estavam abertas, no centro a figura pequena de Sakura estava embolada nos cobertores e como o vampiro suspeitava, ela ardia em febre.

_ Senhora Chiyo! – Chamou ele no corredor vazio a governanta do castelo. No mesmo segundo a velha mulher estava a sua frente. _ Preciso que traga água fria e algumas toalhas, faça também um chá de ervas – A mulher apenas fez uma reverência e foi buscar o que ele pediu, mas não sem antes jogar um olhar curioso para dentro do quarto.

Sasuke se voltou para Sakura e sentou ao lado dela na cama puxando as cobertas de seu corpo. Onde estava Ino quando ele precisava dela? Disse com todas as letras para ficar de olho na garota.

Com relutância por ela está desacordada, Sasuke a acomodou melhor na cama e a ajeitou nos travesseiros para que sua cabeça ficasse mais erguida. Sem perceber levou uma mão para afastar os fios de cabelo que grudavam no rosto dela devido ao suor e continuou a tocando para checar temperatura, ele não precisava de termômetro para saber que a febre estava alta.

Cogitou ligar para Tsunade, mas a duquesa ficaria furiosa por tê-lo a chamando outra vez apenas para cuidar de uma febre. Ela já o tinha avisado que a garota poderia passar por alguns efeitos indesejados por atravessar as dimensões.

_ Senhorita Haruno... Sakura, pode me ouvir? – Ele a balançou suavemente para que acordasse, mas toda resposta que teve foi vê-la franzir a testa. Seu corpo estava passando pelos efeitos da febre, mas será que ela sentia dor em algum lugar que ele não podia detectar?

Chiyo bateu na porta retornado com as coisas que ele havia pedido, colocou a bacia com água e as toalhas na cama e a xícara fumegante de chá na mesinha ao lado.

_ Fiz com hortelã, gengibre e sabugueiro seco. Isso irá ajudar a abaixar a febre de maneira natural alteza. – Disse a governanta quando ele olhou para a xícara.

_ Isso é tudo Chiyo, obrigada.

_ Posso cuidar da jovem se permitir.

_ Não, eu mesmo farei isso. – A governa fez uma reverência e saiu do quarto se perguntando quem poderia ser a bruxa, alguma coisa estava acontecendo para o próprio Czar querer ficar responsável por ela.

Sasuke dobrou as mangas do moletom que Sakura usava e depois de molhar duas pequenas toalhas na água fria, as deixou em seu pulso. Pegou outra toalha e de forma suave começou a passar no rosto dela para tirar o excesso de suor antes de deixa-la na testa.

Foi impossível não reparar àquela altura na beleza da garota, tinhas feições suaves, mas as maçãs do rosto eram salientes e os lábios carnudos... Em todo caso, aquele não era momento de refletir sobre tal assunto.

Terminou o que fazia e voltou a cobri-la com o cobertor, deixando a toalha molhada em sua testa, precisaria ficar a levando a água de dez em dez minutos. Esperava que ela acordasse para tomar o chá e baixar a febre.

Ficou um bom tempo encarando a garota e pensando no próprio futuro, não podia mais tomar decisões egoístas na posição que estava, nem se quer se atrevia a sonhar. Não poderia conhecê-la melhor. Encarou o exótico cabelo da bruxa, ela poderia se passar por ruiva, mas as mechas tinham estranhos tons de rosa, ele tentou lembrar se já havia visto aquela cor antes.

Até que finalmente Sakura se mexeu na cama, mas não acordou, apenas ergueu os braços para abraçar a si mesma fazendo as toalhas saírem dos pulsos. Sasuke esperou que ela se aquietasse para coloca-las no lugar novamente.

_ Vovó... – A garota balbuciou e sua expressão tornou-se uma careta. Ela estava sonhando. O vampiro aguardou que dissesse mais alguma coisa, só que outra vez ela se aquietou, até ele ver uma lágrima rolar de seus olhos.

Tsunade havia dito que a bruxa nunca havia conhecido os pais, foi adotada por um casal já de idade que a criou com todo amor, ela havia os perdidos para um acidente de carro há alguns anos... E não tinha mais ninguém.

Deveria dar instruções mais precisas a irmã mais nova para que conseguisse tudo que a Haruno fosse precisar, até onde sabia ela havia sido trazida para o castelo desacordada e provavelmente não havia comido nada durante todo o dia. Assim que estivesse melhor pediria que trouxessem algo para ela.

O chá na mesinha já estava morno, ela precisava toma-lo antes esfriasse e não fosse mais palatável. Sasuke tirou o sobretudo de couro que usava e o jogou aos pés da cama, ergueu um pouco o corpo da garota e sentou-se atrás dela a deixando apoiada em si. Que ela o desculpasse, mas iria precisar toca-la ainda mais se fosse fazer o necessário, embora a situação também fosse desconfortável para ele por outros motivos.

_ Sakura... Você precisa acordar. – Ele tirou a toalha molhada da testa dela e tentou sacudi-la usando um pouco mais de força. _ Sakura, acorde. - Aos poucos a bruxa abriu os olhos, mas ainda não estava completamente consciente.

_ O quê... – Tentou falar, mas não encontrava forças e sua garganta parecia seca.

_ Beba isso, é chá de ervas, irá ajudá-la a se sentir melhor. – Sasuke ergueu a xícara até os lábios dela a ajudando a tomar o líquido, àquela altura ela apenas engoliu tudo sem protestar. Quando terminou voltou a cair na inconsciência.

O Czar deixou a xícara na mesinha novamente e a segurou para coloca-la deitada como antes, mas foi pego desprevenido quando o nariz da mulher raspou em seu pescoço, ele pode sentir a respiração fraca dela batendo contra sua pele. Foi como um choque. Perto demais.

Com cuidado e rapidez ele a deixou como antes, a cobriu melhor e colocou a toalha na testa dela novamente. Saiu da cama sentindo-se estranho e ao reparar no fogo da lareira que estava quase se apagando, colocou os últimos paus de lenha que ainda tinha no estoque... Mas o que infernos estava fazendo?

Havia dito a si mesmo que não se aproximaria, então porque estava cuidando dela?

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Beijos de luz!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...