História Outra vez! - Capítulo 7


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Categorias Naruto
Personagens Chouji Akimichi, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Jiraiya, Juugo, Kabuto, Kakashi Hatake, Karin, Kiba Inuzuka, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Orochimaru, Personagens Originais, Rock Lee, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Suigetsu Hozuki, Temari, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju
Tags Drama, Haruno, Naruto, Policial, Sasusaku, Suspense, Uchiha
Visualizações 71
Palavras 5.168
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Hentai, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi pessoal!
Sim estou envergonhadíssima com o tempo que demorei para postar esse capítulo, não vou ficar dando desculpas quando é notável a grande preguiça de nós meros mortais que escrevem histórias.
Enfim, não vou enrolar.

Boa leitura <3

Capítulo 7 - VII Capítulo


VII CAPÍTULO

 

O barulho do ar condicionado ligado que resfriava a sala era constante e um excessivo calmante para minha mente naquele momento, meus olhos perdiam-se no cadáver deitado na maca a minha frente enquanto em minha mão um bisturi afiado pairava apenas esperando realizar seu trabalho.

Aquele pequeno, mas mortal objeto metálico me fazia lembrar das vezes que senti em meu íntimo a vontade de perfurar a carne, não morta, mas sim e viva de um homem. Mas por covardia, ou talvez inocência, nunca o fiz. Talvez hoje um arrependimento batesse forte contra meu peito ao lembrar-me disso, mas o que seria de mim se virasse uma assassina?

Não seria um bom exemplo para meu filho, hoje em dia. Porém eu me livraria de tantos tormentos.

Um suspiro contido entalou na minha garganta levando o meu peito a doer em respostas, esvaziei minha mente e me concentrei em fazer um corte reto no tórax do homem. Com segurança – de anos adquiridos – afundei a lâmina cirúrgica na pele que em resposta começara a vazar sangue sujando minhas mãos enluvadas.

 

“Nunca havia chorado tanto como na noite anterior, só o simples pensamento ao meu atual estado trazia aquela queimação insuportável no peito.

Pela janela fumê do carro podia ver com clareza meus olhos inchados – que tentei o máximo disfarçar com maquiagem, mas a arte da beleza nunca fora minha especialidade naquela época -, vermelhos e opacos. Já não fazia mais sentido derramar lágrimas já que a merda estava armada e feita.

Senti uma mão gelada sobre a minha que estava repousada sobre meu colo, desviei os olhos da paisagem monótona e me voltei aquela pálida mão. O toque, o cheiro, a presença em si me dava náuseas e um enjôo absurdo, mas tratei de controlar.

Puxei minha mão de seu asqueroso contato e o lancei o meu olhar mais desprezível que conseguia fazer, contudo isso foi um gatilho a mais para ele sorrir sadicamente. Ódio habitava meu coração, mas eu nunca fui menina de sentimentos negativos, nem mesmo quando meus pais morreram, eu deixei-me afundar na tristeza – sabia que eles jamais gostariam de me ver assim -, mas naquele momento foi impossível não me alimentar de todo o ódio do mundo.

- Sorria minha querida! – a sua voz me causava nojo.

- Eu irei sorrir, no dia que estiver morto e apodrecendo no inferno – proferi com raiva, mas apenas ganhei uma gargalhada alta do homem ao meu lado.

- Não é um doce, Marlon? – o cretino se referiu ao motorista que mantinha sua atenção total no trânsito daquela manhã chuvosa de domingo.

- Com certeza, senhor – o motorista respondeu com deboche, minha atenção foi para o retrovisor central onde pude ver o sorriso nojento dele.

- Não se preocupe, não falta muito – comentou depois de parar seu acesso de riso.

Voltei-me para a janela do carro vendo a avenida pouco movimentada e ao longe o grande edifício do aeroporto de aproximando, suspirei já conformada.

- Por mim, esse carro podia capotar – sussurrei, mas tinha certeza que ele ouvira, pois seu riso soou.

Dava-me raiva o jeito que ele se divertia com minha desgraça e com meu mau humor a tudo o que direcionava a mim, nunca quis tanto socar a cara de alguém em toda minha vida. Fechei os olhos engolindo o choro, não iria dar esse gostinho a mais para ele, já me tomou muitas lágrimas ontem, as de hoje e pelo resto da minha vida daqui em diante ele não as teriam. Minha mente foi de encontro às pessoas que estava deixando para trás, todas as amadas pessoas que jamais esquecerei e que talvez um dia se tivesse a oportunidade, não encararia novamente, não tinha essa coragem toda.

Depois de alguns minutos o carro finalmente parou, não ousei olhar para o prédio com grandes letras escrita “Aeroporto Internacional de Tóquio”, pois sabia que aqui seria o fim. Não tinha mais volta.

A porta ao meu lado foi aberta e o vento gelado e molhado vindo das gotas da chuva bateram na lateral do meu rosto, era época de outono e a chuva no Japão dominava a capital como a neve no inverno. Uma mão segurou pelo meu cotovelo e me puxou para fora do carro com impaciência, o aperto dele era firme – como se o mesmo esperasse que eu fosse fugir, mas não iria, jamais poderia fugir diante a tudo – me forçava a andar junto a seu corpo debaixo da grande guarda-chuva preto.

As portas automáticas se abriram com nossa presença e o ar quente do local público bateu contra meu rosto, geralmente o aeroporto de Tóquio sempre se mantinha agitado e cheio independente da época. Contudo hoje em específico estava tudo meio parado, tinha pessoas em algumas filas, outras sentadas nas cadeiras confortáveis e algumas ao longe, indo ao portal de chegada e embarque

Novamente fui arrastada entre algumas pessoas que passavam, na direção de um homem que vestia o terno oficial da companhia aérea, a cada passo eu estremecia e relutava em continuar ser arrastada por ele. Podia sentir meu coração bater freneticamente contra meu peito e o ofego arrastar pela minha garganta que já tinha o bolo feito.

- Continue andando – sua voz veio baixa em meu ouvido, mas assustadora como sempre.

Travei meu maxilar tão forte que pude sentir a dor e o ranger dos dentes.

- Você não quer que as pessoas pensem errado de nós dois não é?

Tudo o que eu queria era cuspir em sua cara e chutá-lo, mas a força e a coragem esvaíram do meu corpo a tempo.

- Somos um casal recém-casado felizes, o que iriam pensar? – ao ouvir aquelas palavras um ódio subiu por meu corpo.

- Vai... Para... O... Inferno – disse pausadamente travando a mandíbula de pura raiva, Deus sabia o quanto eu poderia pirar e fazer qualquer coisa para matá-lo.

O sorriso nos seus lábios novamente me deu náuseas e o vômito veio na garganta, mas voltara rapidamente me deixando com um gosto amargo na boca.

- Claro que sim querida – falou com falso ar amigável – Mas... Levarei alguém comigo!

Aquilo fora o suficiente para o mundo parar e minhas defesas caírem, senti-me vulnerável e entorpecida. Voltara a me arrastar parando a frente do homem que tinha um sorriso estranho nos direcionando, ele olhava de mim para ele.

Já me parecia meio letárgica encarando o homem que aceitara os passaportes – que eu tinha certeza que pelo menos o meu era falso, já que eu ainda não havia tirado – e o bilhete de embarque.

Tudo meio que acontecia tão rápido e ao mesmo tempo tão lento, nunca usei drogas na vida, mas podia apostar minha vida que aqueles sintomas e sensações eram de alguém drogado.

- Tenha uma boa viagem, para o senhor e sua sobrinha – a frase tão inocente e ingênua do homem quase me fez rir, pelo menos com amargor.

- Ah! Não senhor – sua voz soou estridente nos meus ouvidos, o aperto em meu braço aumentou, mas não a ponto de doer. Apenas o toque dele me causava repulsa – Estamos nos mudando, dizem que a cidade do pecado é um afrodisíaco para recém-casados apaixonados.

Mordi forte o lábio. Eu sabia que ele tinha dito isso para o homem por pura provocação a mim, vi os olhos do homem a minha frente arregalar-se me olhando em descrença – no mínimo cogitando a minha idade comparada ao homem atrás de mim.

A raiva começara a consumir-me novamente, meus olhos pararam na caneta pousada no balcão e uma premonição de mim enfiando-a na garganta dele e o vendo cair sangrando e agonizando até a morte me viera a cabeça.

- Não é querida Sakura?

Forcei-me a sorrir, sentia meus lábios trêmulos enquanto levantava minimamente a cabeça para encarar os olhos amendoados do homem. Tinha certeza que minha expressão saiu mais uma súplica que um sorriso amistoso.

- Obrigado... Pela preferência – o homem disse ainda chocado.

Fui novamente arrastada para o portal de embarque que anunciava o próximo vôo, sentia vários cheiros ao mesmo tempo à medida que andávamos para subir ao avião. Algo se embrulhou em meu estômago e tudo começou a girar, mas tentei me manter sã até estar sentada na poltrona da aeronave.

 

Não sabia quantos minutos tinha se passado até o avião finalmente decolar, dentro da cabine de passageiros eu me sentia claustrofóbica e os cheiros confinados num mesmo lugar ficava cada vez pior, tentava ignorar por completo as palavras do homem ao meu lado que tagarelava como se eu desse alguma importância.

Não tive coragem de olhar pela pequena janela, sabia que isso poderia me fazer piorar. Geralmente não tinha a imunidade baixa para qualquer mal, mas naquela hora me senti péssima.

A aeromoça caminhava com sua familiar facilidade no corredor entre as poltronas, empurrava um carrinho com duas taças compridas, um baudinho com gelo e uma garrafa de champagne e um cloche tampando algum prato especial. A mulher com sorriso no rosto parou de frente a nossas poltronas alinhadas com mais duas ao lado, destampou o prato e o cheiro da comida inundou minhas narinas.

O cheiro do frango com algum molho atingiu em cheio meu estômago que reagiu de imediato, destravei o sinto e me levantei andando o mais apressadamente até a cabine do banheiro, tudo sobre os protestos das aeromoças e o comissário de vôo.

Quando cheguei a porta, abri-la em um rompante e foi só me inclinar na privada que tudo o que tinha no estômago saiu garganta a cima – ou seja nada além de ácido gástrico. O cheiro do vômito me fazia vomitar ainda mais, minha cabeça rodava e só ouvi quando a porta fora aberta novamente para tudo virar escuridão.”

 

- Doutora Haruno?? – assustei-me ao ouvir meu nome.

Parei o movimento do bisturi vendo que o corte já chegava a base do umbigo, ofeguei ao notar que minhas lembranças me invadiram e num momento totalmente profissional. Larguei o instrumento numa mesinha ao lado e levantei os olhos para a pessoa que me chamara.

O homem usava o uniforme da polícia forense igual ao que via nos outros detetives, os cabelos castanhos eram presos em um rabo no topo da cabeça e os olhos negros me encaravam meio duvidosos.

- Desculpe, eu me distraí – disse meio envergonhada. Justo no meu primeiro dia.

- Percebi – comentou se aproximando com um sorriso nos lábios – Sou detetive Umino Iruka, estou nesse caso junto com a detetive Uzumaki.

Anui a cabeça em concordância.

- Você.... Está aí há muito tempo? – perguntei meio incerta.

- Ah... Bom! Alguns minutinhos – respondeu rindo, provavelmente da minha careta.

- Perdoe-me! Sou a nova legista, Haruno Sakura – disse estendendo a mão, mas só percebi depois que a mesma estava suja de sangue. Senti um rubor nas bochechas e virei meus olhos para o peito do cadáver aberto – Desculpe.

- Acontece – exclama divertido – A detetive Uzumaki me disse que você deu um relatório oral sobre uma perícia visual, mas que depois iria começar a autópsia.

- Sim, como eu havia dito a ela – comecei voltando ao meu profissionalismo – O senhor Matsuo tem vestígios de arranhões pelo pescoço e no músculo masseter na face – indico com o dedo as áreas com vergões avermelhados – Um tiro de raspão na coxa esquerda – levanto o lençol que tampava o quadril para baixo – e pela articulação mole do pulso e o arroxeado poderia dizer que foi batido algumas vezes no chão ou até mesmo na parede.

Levo a mão ao pulso do homem movendo delicadamente e mostrando a área roxa, tudo sob o olhar focado de Iruka sobre mim.

- Tem uma fratura aberta no crânio aqui atrás, perto do osso occipital – levanto a cabeça e indico com o dedo mínimo o local aberto no meio dos cabelos escuros.

- Ele morreu pela pancada? – o Umino me questiona avaliando a fratura.

- Não – digo e recebo de imediato sua atenção. Vejo sua sobrancelha arqueada e resolvo prosseguir – Meu palpite inicial é... Que ele morreu asfixiado.

- Mas se ele morreu sem ar, qual a explicação da fratura no crânio?

- Acredito que o autor do assassinato estava apertando a garganta dele – mostro as lesões próximas ao músculo tireo – hiódeo abaixo do maxilar – E batia a cabeça dele contra o chão, por isso a fratura craniana.

Vi os olhos negros do detetive brilharem e um sorriso gentil embalou em seus lábios.

- Muito bem doutora – disse, me fazendo rir levemente.

- Mas isso não é tudo o que se pode extrair visualmente – continuo – Se for parar para reparar nos hematomas na garganta, as manchas são um tanto fracas, o que me leva a supor que a pessoa não tinha forças, pelo menos não contra um homem grande que nem o senhor Matsuo. Pode ter sido uma mulher, por exemplo, ou alguém mais.... – só o pensamento me dava náuseas – jovem.

Sei que tratar o cadáver como senhor era algo engraçado, mas eu era tão acostumada a fazer isso, conversar com meus trabalhos.

- Então estamos procurando, alguém de porte pequeno, uma mulher ou um jovem – Iruka dizia enquanto anotava em um bloco pequeno – Mais alguma coisa doutora?

Suspirei cansada, eu ainda tinha que continuar meu exame físico nele.

- Quando a detetive Uzumaki saiu, inspecionei a garganta e encontrei algumas substâncias que já recolhi e mandei levar para a análise assim como o sangue – voltei a falar sobre as poucas coisas que fiz ainda – Agora tem que esperar o resultado sair. Na articulação do braquial anterior tem marcas e algumas cicatrizes de agulhas, provavelmente injetava drogas. O hemograma vai nos dizer com exatidão.

- Obrigada doutora – o moreno agradeceu com um sorriso simpático e virou as costas deixando a sala.

Suspirei meio exasperada. Senti-me em uma espécie de prova e ele era o jurado me analisando. Balancei o pulso para que o relógio saísse da manga branca do jaleco e do avental azul e meus olhos quase saltaram da órbita.

Passei mais tempo recapitulando tudo o que tinha dito para Karin do que abrindo meu caro companheiro de trabalho, já era hora do almoço.

Outro suspiro deixou meus lábios, espero que o dia do Yuki esteja sendo melhor que o meu. Retirei com cuidado as luvas sujas e joguei-as fora, comecei a empurrar a maca de metal até uma das portas na parede, abri a que se encontrava com a identificação do cadáver. Empurrei a plataforma que se moveu para dentro da gaveta quadrada e fechei, voltei a maca para o mesmo lugar já retirando a toca da cabeça libertando a franja já meio bagunçada. Retirei o avental e o joguei dentro de uma lata perto da pia, lavei as mãos com muito sabão e álcool em gel.

A porta fora aberta, virei-me encarando o corpo esguio da Uzumaki me encarando com um sorriso de canto nos lábios.

- Está pronta Haruno? – a ruiva me questionou.

- Eu ainda tenho que abrir um intestino, então... Vamos logo – digo saindo do necrotério junto dela.

Passei em minha sala pegando minha bolsa e pendurando no cabide o jaleco.

- Não vai ir de jaleco? – a ruiva me pergunta ao me ver vindo até ela.

- Não – digo trancando a sala com o leitor do crachá – Seria desconfortável almoçar num restaurante lotado com um jaleco escrito legista. Nem todo mundo leva numa boa!

Ouvi o bufar de Karin enquanto andávamos pelo corredor.

- Eu adoro desfilar por aí com esse colete – a mesma dizia se gabando do belo nome atrás – Dá um ar de respeito e temor.

- O distintivo e a arma na cintura já não fazem isso por si só? – questionei percebendo vários olhares sobre nós – Sem contar na sua bela face ameaçadora.

Senti o olhar carmim dela sobre mim e senti vontade de rir.

- Vou levar isso como um elogio – disse por fim.

Sorri, só ela mesma para levar algo como ameaçador como elogio. Típico Uzumaki!

Chegamos a sala de espera aonde vimos poucas pessoas ali, depositei todos os pertences na caixa transparente e passei pela porta com o detector de metal, mas na vez da Uzumaki o alarme soou chamando atenção de algumas pessoas.

Virei meu corpo para a mesma e a vi afastar e jogar dentro da mesma caixa o pequeno distintivo dourado, revirei os olhos para a ruiva que vinha em minha direção.

Típico de Uzumaki Karin, adora chamar atenção. Isso não mudou.

Karin levou-me a um restaurante simples bem perto do departamento, o local era meio ocidental e servia comidas internacionais – claro dependendo do que tinha no cardápio. Sentamos em uma mesa perto da entrada, o restaurante não estava lotado, tinha algumas mesas ocupadas na verdade.

Um homem de meia idade veio solícito nos entregando o cardápio encadernado, as opções eram realmente variadas entre comidas mexicanas, italianas, americanas – os famosos fast foods – francesas, brasileiras e entre outras.

A Uzumaki folheava o menu com tanto tédio que minha vontade de rir foi imensa, mas controlei. Como uma pessoa consegue ser a mesma depois de dezesseis anos?

- Vou querer um x-burger com fritas e um copo de coca-cola bem grande e gelado – disse por fim entregando de volta o cardápio – Ah! E traz aquele molho picante, por favor.

- Sim, senhorita – o homem me olhou esperando anotar meu pedido também.

- Salmão grelhado e uma salada verde.

A ruiva olhou para mim arqueando a sobrancelha em deboche.

- Algo para beber? – o garçom quis saber.

- Um suco de maracujá sem açúcar – digo sustentando o olhar da Uzumaki. O homem meneia a cabeça e sai com nossos pedidos.

- Começou uma dieta? – aquela simples pergunta carregada no sarcasmo me fez revirar os olhos.

Tinha me esquecido que a companhia de Karin era para testar seu nível extremo de paciência e Yuki sempre me disse que paciência não era meu forte.

- E você? Para onde vai tanto colesterol e calorias? – rebato sorrindo de canto vendo-a bufar.

- Imagino que uma saladinha na hora do vômito é mais fácil de sair – disse de forma normal, como se falasse sobre vomição em um restaurante fosse a coisa mais normal do mundo.

- O que?

- Você sabe – ela gesticula com as mãos, de uma forma que não entendo merda nenhuma, e sorri maldosa – Mexer com cadáveres não deve fazer parar comida nenhuma dentro desse seu estômago, deve ser por isso que está tão magra.

Okay, isso foi ofensivo até para mim! Primeiro, eu não estou magra, estou esbelta e em ótima forma para uma mulher de trinta e dois anos. E segundo, meu trabalho não é nojento, abrir corpos não é nojento, pelo menos não para mim e todos os médicos que resolve se especializar em legista.

- Que absurdo! – exclamo de cenho franzido – Eu sou completamente consciente com minha alimentação, ela não volta não! Meu trabalho é meu orgulho, se você acha estranho e nojento abrir cadáveres não deveria ter virado detetive, pois já se esqueceu que você que os encontra?

- Calma aí, Haruno – diz levantando as mãos e rindo de mim – Estressada como sempre.

Bufo de raiva e viro a cara para a janela.

- Sabe, Sakura – começou com uma mudança no tom de voz – Achei interessante você está aqui, mas tenho que te mandar a real. Eu quase quis enfiar uma bala em sua cabeça quando me trocaram de caso!

Estranhei sua atitude, claro que não a parte da agressividade, Karin é bastante conhecida por ser sempre agressiva.

- Porque fizeram isso?

- Humph! Imagina – brada pegando um palito de dente do paliteiro e colocando-o na boca.

Eu não precisava nem pensar muito, as peças se encaixavam perfeitamente bem em minha mente e apenas um nome veio a mente.

- Sasuke – proferi seu nome depois de tanto tempo, o nome saía até meio doloroso em minha voz.

- Oh! Sasuke, ou como você costumava a chamá-lo... Sasuke-kun – debochou me irritando.

- Karin – rosnei em desgosto com sua provocação.

- Okay! Parei! Parei – disse por fim – Estou mega chateada porque eu estava com um fodido caso de esfaqueamento. Você tem noção de quantas pessoas foram esfaqueadas!?

Olhei com descrença para ela, eu conheço esse amor pelos casos que os detetives forenses tem, mas nunca irei entendê-lo. Ficar feliz por pessoas que morreram é algo para se lamentar, por mais que o meu trabalho é literalmente mexer com cadáveres.

Acho que a morte deveria ser respeitada, de certa forma. Pelo menos, para aqueles que mereçam esse respeito.

- Eu não te culpo, aliás, a culpa meio que é parcial – a Uzumaki continuava a tagarelar enquanto que ao longe eu via o mesmo garçom trazendo uma bandeja nas mãos – Você por ter voltado e o Sasuke por ser um covarde.

- Espera...

- Sim – Karin me interrompeu séria – Era ele que estava designado para o seu caso, claramente eu não sabia o motivo – prosseguiu me deixando surpresa e desconfortável, inquieta com a verdade – Fui reclamar com o tenente sobre o Uchiha querer roubar o meu caso, mas.... Sasuke é o líder da equipe de investigação, não há muito o que Kakashi poderia fazer. Ele me deu a pasta contendo as informações e... BAM... “Médica Legista do caso: Haruno Sakura”. Tudo se encaixou depois disso.

Eu estava estupefata com tudo o que ela me dizia, notei tarde que a respiração estava ofegante. Enquanto o garçom deixava nossos pedidos em cima da mesa levei a mão com pressa no copo de suco o bebendo rápido e quase engasgando.

Entendia ele, eu mesma acovardei quando Karl mencionou me transferir para Tóquio fugindo do passado e de todas as pessoas que nele existia.

- Eu... – ofeguei ainda atordoada voltando o copo à mesa – Sinto... Muito!

- Ei! Relaxa Haruno – diz comendo uma batata do prato depois de passá-la no molho – Vou dar o troco! Ele não vai poder fugir para sempre...

- Karin, por favor! – supliquei encarando a salada a minha frente, aquela conversa estava acabando com meu apetite,

Ouvi o suspiro da Uzumaki, mas ainda não a encarei. Não conseguia. Mesmo sabendo que de todos, ela não seria quem me julgaria.

- Tudo bem – disse apenas – Agora me diz...

Voltei meus orbes para os avermelhados a minha frente e esperei a mesma continuar.

- Como é o pirralho? – o sorriso dela me fez revirar os olhos.

- Karin!!! – exclamei.

- O que? Eu mudei de assunto legal!? – maluquinha, tinha que ser prima do Naruto.

- Ai! Tudo bem – me rendi pegando o garfo e começando a comer – Ele é...

- Já entendi tudo – me interrompeu levando a boca o enorme x-burger – Perfeito? Meu mundo? A coisa mais importante da minha vida? – assenti para tudo o que a ruiva dizia com uma ironia que preferi ignorar – Porra Sakura! Me apresenta o moleque.

Sabia que quando meus antigos conhecidos descobrissem sobre o meu filho altas teorias vão surgir e muita falação, por isso que ainda o mantinha só para mim. Yuki não tinha que enfrentar esse meu passado sombrio, ele era minha luz.

Mas a imagem de Karin o conhecendo me passou pela cabeça, Uma cena hilária! Eu hesitava? Claro que hesitava, mas uma lembrança invadiu minha mente ante a frase da Uzumaki.

 

“- Eu não sabia – sussurrei baixo com o choro engasgado na garganta.

- “Você precisa ser firme” – a voz dela pelo telefone era curta e grossa bem típica da Uzumaki que eu conhecia – “Pelo seu bem!”

- Eu não tenho forças para agüentar, Karin – finalmente a lágrima caiu do meu olho, mas contive as outras logo em seguida – Não sei o que pode ‘nos’ acontecer.

- “Cala a porra da boca, Haruno” – disse com raiva na voz – “Nem parece a garota que veio até mim cheia de coragem.”

- As coisa mudaram – soltei um suspiro controlando a voz e as lágrimas.

Encarei o corredor mal iluminado para ver se ainda estava sozinha, não podia ser pega ao telefone. Logo mais teria que me livrar desse e comprar um novo, apenas fiz aquela ligação em desespero pela minha descoberta.

- “Não, não mudaram. Continuam as mesmas” – seu tom era duro, mas eu sabia que ela se continha naquele momento – “Você é forte Sakura. Mais forte que todos que eu conheça, mais forte que eu... E... Mais forte do que eu pensara!”

 

- Em breve – proferi baixo sob o olhar incrédulo da Uzumaki.

- Sakura... – sua voz veio baixa, mas com uma seriedade poucas vezes vista por mim – Guarde minhas palavras “As mentiras sempre voltam para nos assombrar”.

Eu sabia disso. Sabia e vivia isso na pele, mas queria acreditar que Karl conseguiria prosseguir com o caso e encerrá-lo com sucesso e logo mais poderia voltar para Las Vegas e continuar minha vida de onde ela parou.

 

O almoço com Karin havia sido ao longo do tempo, tranqüilo. Depois de uma hora e meia voltamos ao nosso trabalho, para a ruiva tinha que achar a pista sobre a tal agressora/agressor e eu tinha que abrir um intestino para poder coletar qualquer substância que tinha sido ingerido pelo morto horas, minutos, antes de morrer.

Já no necrotério, toda vestida e equipada eu examinava com afinco os fluídos que tinha dentro do intestino. O barulho da porta sendo aberta chamou minha atenção para o rapaz, o rosto tinha uma expressão amigável mesmo que os lábios estejam em linha reta, os cabelos negros presos por um coque, mas deixando a franja caída sobre o rosto pálido, vestia um jaleco branco também e em sua mão uma pasta alaranjada.

- Você deve ser a doutora Haruno, a nova legista – ele disse assim que chegara uma distância considerável e fez uma careta ao me ver segurando parte do intestino grosso.

Ri, depositando o órgão em cima da maca. Retirei as luvas de vinil e as joguei fora passando álcool em gel rapidamente.

- Sou eu mesma – falei sorrindo para o mesmo. Diria que ele não beirava os trintas, com certeza era mais novo que eu.

- Sou Haku – se apresentou solícito, vi suas bochechas corarem e isso o deixou ainda mais fofo – Trabalho no laboratório, como o detetive Umino e a detetive Uzumaki não se encontram, pediram para te entregar os resultados das amostras que pediu.

- Obrigada – agradeci recebendo a pasta e a abrindo.

O que li era de cair o queixo, o sangue dele estava mais contaminado que hospital público.

- Céus – ofeguei.

- Eu sei... é de cair para trás – comentou – Encontramos um nível médio de diacetilmorfina no sangue, mas a substância que encontrou na boca dele hidropirimidina...

- Mas nessa quantidade? – exclamei atordoada com o número alto.

- Infelizmente – Haku disse.

Fechei a pasta novamente e foquei-me no jovem a minha frente, sorri para ele que novamente corou.

- Obrigada Haku – agradeci o vendo apenas assentir e rapidamente sair da sala.

Alcancei o walkie-talkie no bolso do meu jaleco e contatei pelo comunicador de Karin, demorou três minutos até que a ruiva devolvesse a conexão.

- “Detetive Uzumaki ‘1’ falando” – estranhei o número na identificação dela, mas deixei de lado.

- Karin, Doutora Haruno falando – me identifico e prossigo – Os resultados do laboratório chegaram, o hemograma constatou um nível moderado de heroína injetada nas últimas quarenta e oito horas e a substância encontrada na garganta é hidropirimidina.

- “O que é isso?”

- É um barbitúrico, sedativos e calmantes – explico – Geralmente são usados em remédios para dor de cabeça, para hipnose, para epilepsia, controle de úlceras pépticas, pressão sanguínea alta, para dormir. Mas a quantidade que o exame especifica é altíssima, isso deve tê-lo deixado quase incapaz de se mover...

- “Ou lutar.”

- Sim, isso também – afirmo – A família não relatou sobre um remédio controlado que o senhor Matsuo tomava?

- “Não! Mas eu vou averiguar, obrigado Haruno” – a conexão foi encerrada.

Suspirei, por enquanto meu trabalho com o corpo foi concluído. Por enquanto.

Busquei pelas horas no relógio e vi que essa hora Yuki já deve estar em casa, pelo menos assim eu espero. Não gostava da idéia de ele ter desviado – o que eu achava pouco provável – queria poder ter horário para buscá-lo, mas meu turno acaba só daqui duas horas.

O jeito é esperar.

 

Já tinha arrumado toda a mesa do necrotério e guardado o corpo para a liberação para a família, peguei todas as minhas coisas e tranquei minha sala. Com a pasta na mão enquanto na outra segurava minha bolsa e o cardigã no antebraço andei pelo corredor até chegar a frente da sala do tenente que ainda estava com as luzes acessas.

Bati levemente na porta de vidro e esperei uma autorização para entrar, segundos depois ouvi um “entre” baixo. Alcancei a maçaneta meio desajeita e cheia de coisas na mão, mas consegui abri a porta e entrar em seguida.

Travei no mesmo local ao vê-lo ali, sentado a frente do grisalho, me encarando tão ou mais surpreso que eu.

- Senhora Haruno... Quero dizer, senhorita – fui tirada daquele choque inicial pela voz ávida do tenente.

Obriguei minhas pernas a andarem entrando ainda mais no escritório do Hatake – e ignorar os orbes ônix me encarando. Parei de frente a ele e o entreguei a pasta que Haku tinha me dado.

- Como não vi os detetives Umino e Uzumaki então imaginei que seria adequado entregar os resultados laboratoriais para o senhor, Tenente – tentei manter minha voz o mais firme possível.

- Oh! Claro – exclama pegando de minha mão a pasta laranja – Já acabou com o corpo.

- Por hoje, a autópsia está terminada e concluída. Só aguardando a liberação do corpo para a família – respondi o mais neutra que conseguia. Só Deus sabia o quanto minhas pernas estavam trêmulas sobre o scarpin.

- Muito eficiente Sakura, Karl não estava errado em ter falado tão bem sobre você – só de imaginar as coisas que Karl falou de mim para o Tenente Hatake, um rubor subia por minha face.

- Eu teria cuidado com as coisas que Karl-san fala, ele tem o costume de exagerar sobre a equipe dele para outros departamentos – digo sem graça o vendo rir.

- Não... Tenho certeza que ele tem razão em tudo o que disse, sobre a senhorita ser competente em tudo o que faz!

Sou eu, ou teve um duplo sentido nessa frase?

Tenho certeza que de rosa mudei para vermelha, violeta, azul, todas as cores do arco-íris em menos de segundos. Meio sem saber o que dizer e ainda por cima tendo que lidar com o sorriso gentil do grisalho e um engasgo do Uchiha ao meu lado, apenas sorrio para disfarçar o fato de estar brilhando em arco-íris – mesmo que seja impossível.

- Obrigada senhor – agradeço – Tenha uma boa noite e até amanhã!

- Boa noite Sakura e até amanhã se Deus quiser – sorri em respostas e fiz uma mensura com a cabeça para ele.

Foi impossível evitar cruzar meu olhar com os negros de Sasuke, apenas fiz um aceno simples e dei as costas quebrando o contato de nossos olhos. Já na porta pronta para sair meu corpo trava com o som daquela voz sendo direcionada a mim.

- Que escolha interessante de profissão, doutora Haruno!


Notas Finais


Por hoje é só minna!
Assim que eu tiver escrito a próxima a postarei (logicamente)
Vou deixá-los agora com esse capítulo que sugere muitas teorias.

Ate mais... Beijinhos!!!


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