História Outro: Him - Capítulo 4


Escrita por: ~ e ~sopeshes

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bottom!hoseok, Bottom!yoongi, Flex, Hoseok, Hoseok!bottom, Hoseok!top, J-hope, Jimin, Sope, Suga, Top!hoseok, Top!yoongi, Yoongi, Yoongi!bottom, Yoongi!top, Yoonmin, Yoonseok
Visualizações 127
Palavras 6.085
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, Poesias, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shounen, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Um capítulo soft para vocês se preparem para o que está por vir sjsbdndb
E um namjin de bônus <333

Capítulo 4 - Call me maybe.


Fanfic / Fanfiction Outro: Him - Capítulo 4 - Call me maybe.

Voltamos para casa e, inicialmente estava tudo em silêncio o que eu quase ajoelhei e dei glórias, isso porque o Namjoon costumava ser bastante inconveniente, para ele não estar querendo entrar em minha semana do jeito de sempre era quase um milagre verdadeiro.


— E então, qual foi a mágica que ele usou? — Como eu ia dizendo...


— Não sei sobre o que você está falando.


— Estou falando sobre a mágica que o ruivinho fez para arrancar um beijo seu. — Ele falou daquela forma e eu tive que rir. Desse jeito eu parecia um puritano impenetrável. Não que eu fosse fácil também mas, não chegava a tanto.


— Namjoon, foi apenas um beijo. Até que prove o contrário, o garoto só precisaria ter chegado e me pedido, para ter acontecido. Qual era a probabilidade? — Ele começou a rir, a rir mesmo, de ter de parar no meio da rua, para pôr  a mão na barriga. Revirei os olhos para aquela encenação patética na intenção de me envergonhar mais do que minha própria existência já me envergonhava, e puxei um cigarro da caixa no bolso do fundo.


Ele se endireitou e pegou meu cigarro, jogou no chão e pisou. Aquilo tinha virado uma mania mundial agora?


— A probabilidade maior era você ter mandado a pessoa para o inferno. Por favor, como se fosse possível você sair beijando pessoas por aí. Olha, eu já aceitei que algo entre vocês vai desenrolar e...


— Está brincando, sim? — Ele puxou minha mão e me mostrou.


— Ele anotou o número dele em sua mão, Yoongi! — Ele me olhou como se aquela droga toda fosse óbvia. O que era óbvio? Às vezes eu tinha vontade de estender uma faixa qualquer avisando que eu não era sequer o Hitch: Conselheiro amoroso, quanto mais um expert em relacionamentos e flertes.


— Era suposto significar algo?


— Min Yoongi. — Quando ele falava isso, eu já sabia que viria um discurso de duas horas sobre educação  sexual ou coisas lamechas — Quando uma pessoa está interessada em nós, ela procura meios de nos mostrar isso, estarmos a par do dia-a-dia dela, ouvir nossa voz e todas essas coisas que eu suponho que você já saiba. Se o garoto não quisesse falar com você, por que ele teria te dado o número dele?


— Porque ele é o filho da dona...?! — Eu estava mesmo cruzando os dedos para ele não colocar aquela opção como escolha, porque eu estava gostando de imaginar que Jung Hoseok tinha me dado o número dele por alguma razão.


— Não seja ridículo. Se ele quisesse manter com você apenas uma relação de chefia, ele tinha te dado o número do estabelecimento e não o pessoal dele. Espero que você aceite que aí tem algo a mais, porque eu já aceitei. — Chegamos ao ponto do caminho em que nós nos separávamos para pegarmos ônibus para lados diferentes da cidade.


— Do jeito que eu aceitei que você e o Jin tem algo ou... — Falei aquilo e saí correndo para o meu ponto, porque sabia que ele iria começar a chiar acerca daquilo.


— O quê? — Ele se virou para perguntar mas eu já estava do outro lado acenando de longe.



Eu sabia que teria de insistir bastante, até que o Namjoon finalmente admitisse que tinha algo com o hyung, isso eu estava supondo que eles realmente tinham mas, era meio óbvio por mais que eu não os visse juntos, era aquele tipo de desconfiança baseada em “eles não falam de outras pessoas, porque estão juntos”. O problema é que eu também não falava de ninguém. Ah, só que eu não tinha nenhum pretendente em potencial, por isso não tinha como desconfiar que eu estava escondendo algo.


Na realidade, eu tinha namorado apenas uma vez, e foi um completo fiasco, se eu pudesse voltar no tempo, de certo que nunca teria cometido aquele erro. Alguns erros valem a pena serem cometidos, outros deviam ser deixados no limbo da inexistência.

 

Namjoon me observou por um tempo, provavelmente pensando se valia a pena desmentir tudo que eu estava pensando acerca dele e do mais velho e, quando ele percebeu que não valia a pena em ângulo algum, ele deu de ombros e seguiu adiante, no exato momento que meu ônibus chegou.



Eu nunca ficava muito animado em voltar para casa. No caminho eu geralmente pensava os temas do rap da noite seguinte, ou ouvia música e começava a pensar em palavras aleatórias que pudessem se encaixar em minhas letras. Sempre achei engraçado observar as pessoas e pensar o que elas pensam, quando veem o mundo ou quando me veem. Inconscientemente eu tinha um desesperado desejo de me encaixar, por sentir que, provavelmente se eu for um deles, vou parar de sofrer tanto ou, simplesmente vou poder aceitar quem eu sou e toda as circunstâncias que me levaram a ser o Min Yoongi de agora. O problema mesmo era não ser capaz de aceitar que o problema não estava em lugar algum, além de na minha cabeça conturbada, sendo assim, a única coisa que poderia me salvar, seria eu mesmo, que não tinha forças nem para virar do outro lado na cama. Mas tudo bem, com a falta de vontade eu sempre soube lidar.


Enquanto pensava sobre isso, por um momento minha mente deixou de ser uma névoa e eu me foquei em Hoseok, no garoto de cabelos ruivos ou qualquer coisa que me seja possível descrevê-lo, me espantei primeiramente porque eu nunca estive pensando sobre alguém em toda a vida e segundo porque eu sentia que, de alguma forma ele modificava algo em meu interior, e não estou dizendo especificamente do beijo, aquilo tinha sido fichinha perto do que eu sentia que era mais real ainda, quando ele estava por perto. Eu sentia a necessidade plena de ser alguém que o agradasse, se esse pensamento não fosse verdade, na hora da festa, eu não teria me virado e voltado a caminhar em sua direção, se eu não me importasse pura e simplesmente.


Eu sentia necessidade de não desapontá-lo. Eu queria ser melhor por ele. Mas, se isso era algo bom ou ruim, por enquanto, eu só podia torcer para que fosse bom.



Cheguei em meu prédio e quando desci do ônibus, me senti imensamente cansado e quase me arrastei até o 103, me senti feliz por ter um pequeno toque de limpeza, assim que abri a porta, tive pelo menos tempo de correr para tomar um banho antes que, toda a vontade de existir fosse sugada por cada parede suja ao meu redor. Tomei banho e rapidamente fui para cama, ficando apenas com uma camisa branca e uma calça folgada, apesar de meus pés estarem muito gelados, todas as meias estavam inutilizáveis.


Quando coloquei a cabeça no travesseiro e fechei os olhos, me lembrei do número de Hoseok em minha mão e me desesperei. Como fui capaz de tomar banho e esquecer de copiá-lo? Fechei os olhos fortemente novamente e desejei que os números estivessem no mesmo lugar.


160425091230

Hobi


Eu acho que nunca me senti tão feliz em toda a minha existência, por conseguir visualizar aqueles números, mesmo que quase apagados, ainda era o suficiente.

Alcancei meu celular no bolso, talvez a única coisa ao meu redor que fosse apresentável. Salvei o número e olhei ele por provavelmente uns dez minutos.


Como eu havia dito, eu não tinha experiência com flerte e essas coisas de existir verdadeiramente na vida de outra pessoa, eu não sabia como funcionava e tinha medo de descobrir, meu problema todo era mesmo o meu medo do que poderia acontecer se alguém entrasse em minha vida. Eu era aquele tipo de nuvem negra que não fazia nada corretamente e acabava levando a pessoa na mesma. Respirei fundo e admirei o contato salvo.


Yoongi: Oi garoto.

Enviado às 01:20


Eu provavelmente estava pensando qual era a melhor forma de parecer desinteressado sendo um completo babaca. Era exatamente assim que eu via aquela situação. Quem em sã consciência falaria “oi garoto”. Ah, mas também eu não estava flertando com ele ou algo, eu dei oi porque ele me deu o número dele. Eu não esperava nada dele, sim?


Peguei no sono mais rápido do que qualquer outro dia, eu estava mesmo com sono, por alguma razão me sentia imensamente cansado, e aquilo se via refletido em meu sono.



Quase dei um pulo na cama quando vi o horário, eu provavelmente tinha dormido com o celular em mãos mas sem colocar o despertador.


Pulei da cama e comecei a me mexer de um lado para o outro, quando me lembrei que era terça-feira. Hoje não era meu turno. Desci escorregando na cama em direção ao chão, onde eu depositei minha cabeça depois de um tempo, esfregando meu rosto e jogando no chão a calça que eu estava anteriormente tentando vestir em desespero.


Fiquei pensando por um tempo o que eu costumava fazer quando não tinha trabalho, nem aquilo me passava na cabeça.

Meu celular estava na altura de minha mão então eu puxei.


Mensagem enviada.


Lá estava eu, olhando se Hoseok tinha respondido minha mensagem e revirando os olhos ao perceber que não. Eu podia em um momento negar que não esperava nada, mas no outro eu tinha de ser verdadeiro comigo, onde no mundo que, se eu não estivesse preocupado, eu estaria olhando tanto para um aparelho que eu só tinha para ouvir música e escrever letras? Ninguém me ligava e...


Toca o celular.


Por um momento, tive medo que meu coração fosse saltar do peito e eu fosse implodir, sim, de dentro para fora. Peguei o aparelho e levei ao ouvido euforicamente, sem olhar contato nem nada, ninguém me ligava, ninguém do meu círculo, então só podia ser uma pessoa.


Alô?


Yoongi? — No entanto a decepção foi maior do que a vontade de viver. Ouvi a voz conhecida de sempre nos meus últimos... cinco ou seis anos?


O que foi Namjoon?


Estava esperando que fosse o garoto , sim?


O quê? Não! — Na verdade, sim.


Sinto muito te desapontar. Então, estava pensando que poderíamos ir até aquele café que você trabalha na semana e tomarmos um Macchiato. O que você acha?


O bom de se ter amigos a longa data, é que eles conhecem seus gostos então, os programas nunca te desapontam e... Macchiato? O Hoseok me chamou ontem para tomar um, quer dizer, disse que se eu aparecesse no restaurante ele me pagaria um. Aquilo era quase um encontro, pois não?


Sim! Vamos sim! Claro que vamos!


Yoongi?


O quê? — Quase gritei de euforia e percebi isso. Respirei fundo e relaxei um pouco onde eu estava.


Nada não. Nos vemos lá.


Concordei com a cabeça. Mesmo sabendo que ele não iria ver. Estava mais animado do que eu sequer poderia demonstrar, ficava oscilando entre achar aquilo um campo completamente perigoso, e querer ir fundo com tudo o que eu tinha, as duas opções eram duplamente problemáticas, então apenas fui tomar um banho relaxante e tentar não escolher uma roupa como se eu fosse casar com a Princesa da China e estivesse escolhendo a roupa para causar uma boa impressão à minha prometida.


Coloquei uma calça preta, uma camisa preta e sapatos pretos, me olhando no espelho e percebendo que meus olhos estavam vermelhos, o que provavelmente indicava que a poeira do ar da cidade estavam irritando meu sistema respiratório, alcancei a máscara preta e apoiei atrás das orelhas. Chequei minha carteira e percebi que ainda tinha dinheiro, o que seria bom, caso eu pretendesse pagar algo a Hoseok, quem sabe uma pizza? Eu devia ser retardado e estar no fixismo do alimento, claro que um bom Bulgogi valia muito mais a pena mas, quem dispensa uma boa pizza?


Peguei meu molho de chaves, coloquei os dois no bolso e chequei meu celular.


Mensagem Enviada.


Por que ele não visualizava? Eu tinha dito algo errado? Mas ele sequer tinha visualizado ainda, o que significava que não dava para ver se eu tinha ou não dito algo errado.

Apesar de que, sempre tinha a opção de visualizar quando aparecia a notificação.


Enfim, não queria pensar naquilo como problemática no momento, eu era paranoico, provavelmente iria começar a duvidar de se eu era uma boa pessoa e chegar à conclusão de que, tristemente a culpa era minha.




Cheguei ao restaurante mais rápido do que eu previ, o ônibus parecia estar me esperando e o sol estava quente como o inferno. Essa era a parte triste mas, eu conseguia lidar com todo o resto.

Cheguei e Namjoon estava sentado na cadeira de uma mesa muito próxima da porta de entrada, com as pernas cruzadas e lendo. Ele tinha uma pose muito bonita ao ler, tinha que admitir aquilo. Sentia que ele me ia admitir algo, e estava feliz por aquele pensamento, se ele fosse mesmo verdadeiro.


— Oi. — Falei e me sentei, olhando ao redor e procurando nada em especial.


— Oi. Ele não está aqui. — Me sobressaltei.


— Ele quem? — Pisquei os olhos em direção a ele que me olhou incrédulo.


— O seu príncipe encantado. — Deu uma risadinha. O Namjoon era tão espirituoso.


— E onde está o seu?


— O meu o quê?


— A sua princesa rosa. — Ele levantou os olhos do livro e ficou me olhando por um tempo, antes de fechar o livro e admirar meu rosto por um tempo. Ele não cansava daquela pose não?


— Porque você insiste que eu e o hyung temos algo?


— Porque é bastante óbvio. — Ouvi passos vindo correndo e, antes que eu pudesse perceber, Dawon se jogou, se pendurando em meu pescoço e gritando meu nome.


— Yoongi oppa! — Meu coração se aqueceu. Acho que já tinha mencionado em minha mente, só essa semana umas quatro vezes o meu amor por crianças como ela.


— Olá, Dawon! — Eu disse, afagando seus longos cabelos negros. Ela olhou com curiosidade para os cabelos rosados de Namjoon e começou a acaricia-los.


— São macios. Pensei que não fossem de verdade. — Eu ri e Namjoon riu também, se abaixando um pouco mais para ela alisar confortavelmente, uma vez que ele era demasiado alto para qualquer um.


— Dawon! — A dona do estabelecimento chamou a garotinha novamente e ela se assustou, se escondendo atrás de minha cadeira, onde eu coloquei a mão em sua cabeça como se confortasse-a. Ri da voz de sua mãe chamando-a, como sempre.


— Tudo bem senhora Jung! Ela está comigo!


— Ela está te fazendo de babá até mesmo quando você não está em seu expediente, Yoongi? — Eu ri e ela encostou a cabeça em meu peito, mexendo no cardápio encima da mesa.


— Não, está tudo bem! Mesmo. Pode deixa-la. — A senhorinha que, até aquele momento, eu não tinha me questionado a idade, concordou com a cabeça e entrou. A garotinha esperou um pouco, bisbilhotando pelo canto até que sua mãe sumisse, e levantou de uma vez.


— Oppa! Eu preparei uma frase do meu livro favorito para você! Só que dessa vez eu farei diferente. — Ela disse, correndo para trás do balcão e trazendo uma caixa de papelão, enquanto um dos garçons nos viam sentados na mesa e perguntava entre acenos de cabeça e balanços, se queríamos pedir algo. Concordei com a cabeça e a garotinha se aproximou correndo.


— Então quer dizer que você gosta de ler? — Namjoon perguntou e Dawon olhou para ele com os olhos brilhando.


— Sim, eu gosto muito! E não só aqueles contos bobos de João e Maria. Sabia que eu sei a verdade sobre todos eles? — Ela disse, me esquecendo totalmente e se debruçando na parte da mesa onde Namjoon estava, aproveitei para me retirar e me sentar no balcão, como eu sempre fazia.


— É mesmo? Então quer dizer que você já leu a coletânea dos Irmãos Grimm?


— Sim!


Ouvi a conversa deles apenas por mais um pouco. Quando me sentei no balcão, me debrucei sobre este e me desliguei do meu entorno. Era estranho, eu estava irrequieto e parecia ansioso, questionando algo ou esperando que algo acontecesse. Por um lado, aquilo era extraordinário. Eu dificilmente ficava ansioso para algo, eu costumava viver numa linha de acasos, de coisas que aconteciam porque tinham de acontecer ou qualquer coisa parecida, de um jeito mais prático eu apenas vivia o que tinha para viver, deixando as coisas acontecerem naturalmente mas, aquilo claramente influenciava em tudo que eu era, aliás, daquele jeito eu não era nada, como eu podia ser qualquer coisa se eu não era capaz de controlar a minha vida e minhas próprias vontades?


Uma xícara cor de marfim foi colocada em minha frente e aquele cheiro de café quente invadiu minhas narinas. Desejei que esquentasse até o último pedaço solitário de minha alma.


— Pensando, Senhor Min? — A dona do estabelecimento me perguntou e me tirou de meus pensamentos, quase me fazendo cair de cara com a superfície gélida a qual meu cotovelo estava apoiado.


— Oh... Não, quer dizer, sim! Bom, nada em específico.


— Você deveria conhecer o meu filho mais velho. Com toda a certeza que vocês iam se dar bem. Ele parece com você assim. — Ficou pairando em minha mente a parte do “como você”, assim como eu demorei a assimilar à quem ela estava se referindo, me fazendo ter ainda mais curiosidade quando a ficha caiu.



— Como assim? — Perguntei acerca da comparação.


— Como você assim, tem esse ar de descolado, durão, mas por dentro é um doce de pessoa. — Quis rir, tanto da definição dela para comigo quanto para com o Jung. Para mim até que se encaixava perfeitamente mas, para o garoto era impossível até mesmo acreditar que estávamos falando, ou no meu caso pensando, na mesma pessoa. Ele era apenas uma pipoca estourando, um raio de sol, uma faísca, um... Por que exatamente estava pensando sobre ele?


Quando vi já estava sorrindo enquanto devaneava.


— Eu agradeço por essa descrição tão perfeita do meu caráter, senhora Jung. — Ela riu e eu me senti um pouco mais aquecido por dentro, o suficiente para sentir um pouco de calor quando ingeri a bebida.


— Quando eu conhecerei este Ioongi* ?  — A senhorinha riu e eu percebi que fiz uma piada ruim. Assim como Hoseok tinha feito no dia anterior no parque. Aquilo não podia ser contagioso.


— Ele deve estar chegando a qualquer momento. Na verdade, já deveria ter chegado, ele não teve aula na faculdade, provavelmente deve estar com o Park por aí. — Ela falou aquilo e eu senti que tinha despencado qualquer bloco em meu estômago. De cima para baixo na realidade, como uma reação em cadeia numa fileira de dominós, alguém me deu uma tijolada e ele foi descendo até parar em meu pé, que dormente não quis se mover.


Não entendia muito bem se a reação tinha sido causada pelo sobrenome em si e tudo o que ele trazia na bagagem da minha existência, ou por imaginar que Hoseok estava com alguém ou algo.


Pisquei várias vezes e tomei um longo gole do café, sem me importar de verdade se tinha descido queimando ou não.


— Oppa! O seu amigo é muito legal. — A Dawon veio correndo em minha direção e puxou a barra de minha camisa várias vezes, apontando para o Namjoon que se encontrava com dois lacinhos presos a cabeleira rosada e vários papeis e livros encima da mesa. Naquele momento o garçom depositou duas bebidas espumadas com canudo na mesa, e eu fiz uma vénia para a senhora, antes de me retirar para a mesa.


— Por quê, Dawon?


— Ele acertou a frase do Pequeno Príncipe que eu tinha colocado em códigos, e recitou outras frases para mim, até mesmo me mostrou uma que ele mesmo fez! Eu prometi para ele que, se ele me deixasse ficar com um pedaço grande dela, eu memorizaria ela toda e da próxima vez que ele viesse aqui, eu leria para ele.


— E ele deixou? — Eu perguntei, sorrindo, quando ela puxou um papel que dava para ver que tinha sido improvisado e tinha a letra garranchosa de Namjoon, quando ele escrevia com pressa. Eu ri daquilo.


— Olha só! Ele mesmo escreveu a mão e assinou! Eu me sinto recebendo a primeira poesia autografada do meu mais novo poeta favorito. — Ela disse e saiu correndo, gritando “Oppa” para nós dois.


Sentei na mesa, ainda rindo daquilo e verdadeiramente admirado da forma como Namjoon agiu com a garota. Na realidade, ele ainda observou ela correndo enquanto saía, o que me surpreendeu ainda mais. Eu não sabia que ele gostava de crianças.


— Você leva jeito com crianças. — Comentei, alcançando o copo com algo gelado e tomando um gole. — O que é isso?


— Eu quero ter um menino e uma menina. — Ele alcançou seu copo e experimentou. — Frapuccino de morango.


— O Jin hyung também. — Eu disse, tomando outro gole longo pelo canudo e olhando ele por cima do recipiente. Aquele momento que eu jogo verde, apenas para observar os comentários seguintes.


— Eu sei. Já conversamos sobre isso.


Ahá! — Falei um pouco alto demais, o que fez as poucas pessoas em outras mesas olharem para nós, fazendo Namjoon revirar os olhos.


— Isso podia não significar nada, sabia? Nós somos melhores amigos, podíamos apenas estar conversando sobre o assunto.


— Nós não conversamos sobre esse tipo de assunto.


Você não é Kim Seokjin. — Apontei para ele como se fosse um alvo e meu dedo, a arma.


Chada! Bom argumento. O Jin gosta mesmo de conversar sobre essas coisas sentimentais e lamechas. E você é o mais lamechas que eu conheço, de alguma forma, isso resulta. — Ele riu pelo nariz.


— Você é inacreditável.


— E morango é a fruta preferida do hyung. Significa que “isso podia não significar nada”, significa alguma coisa, sim? — Ele suspirou e bufou e eu sabia que tinha acertado na mosca.


Min Yoongi 1 X 0 Kim Namjoon


— Ele gosta de morango, mas não gosta de coisas que levem morango. Bom, você estava certo desde o começo afinal. — Tomei outro gole para controlar, ao mesmo tempo minha euforia e minha indignação.


— Então por que não disseram antes? Qual é, eu sou o melhor amigo dos dois, eu me sinto completamente de parte nesse momento, o Jin poderia estar grávido nesse momento e eu provavelmente só saberia quando a bolsa dele estourasse, se for para interpretar da forma que vocês estão tratando o nosso relacionamento. — Eu disse e ele riu, se engasgando com a bebida, a qual eu tive que dar diversos tapas em suas costas, até ele se acalmar.


— Nós não contamos porque... Bom, a culpa foi minha. O Jin quis contar desde o começo, mas eu tive medo hyung. Eu tive medo porque você sabe que as coisas em minha vida geralmente não dão certo, e eu não estou dizendo que fiquei com medo por ser você, eu simplesmente fiquei com medo de sair explanando minha felicidade e ela desaparecer como poeira de estrela. Toda vez que estou com o Jin, sinto que sou um amontoado de Hélio e Hidrogênio, que apenas acumulo mais e mais resíduos, até explodir como uma supernova e renascer novamente. Tive medo de explanar minha felicidade e tudo que construímos desaparecer de algum jeito que eu sequer consigo imaginar. Ninguém jamais será capaz de me fazer sentir como ele faz, eu jamais serei capaz de amar alguém como eu o amo então, eu só tive medo de arriscar minha felicidade. Espero que você me perdoe, eu não saberia o que fazer se perdesse o Seokjin. — Ele falou aquilo, enquanto mexia na tampa aberta de sua bebida, que estava há muito descongelada, seu canudo mexia nos pedaços de morango perdidos e, seu semblante triste mudava, sempre que ele encontrava um morango ou outro. Sorri porque, provavelmente deveria estar sorrindo ao lembrar de seus momentos com o hyung.


Era aquilo que o amor significava para mim. Essa coisa de estar pensando na pessoa mesmo quando ela não está presente, de falar com ela como se o amor que existe em seu peito fosse ela e não o sentimento em si, como se, na realidade o sentimento tivesse sido baseado na criação e na existência dela e nada mais. O amor não são palavras, não são ações, não é teoria e prática, tudo isso são explicações, e o amor para mim não tem explicação. É apenas poeira, é apenas interrogação, quem responde a essas perguntas é o dono do seu amor.


Era aquilo que eu queria sentir. Era o que eu desejava ter para mim.


Concordei com a cabeça e chutei a canela dele debaixo da mesa.


— Não se preocupa, eu não vou chorar por isso! Mas façam o favor de não me esconderem mais nada, ou eu ficarei realmente bastante sentido. — Fingi que estava secando lágrimas e ele me chutou de leve por baixo da mesa também, balançando a cabeça.


— Você será o padrinho da nossa menina ou qualquer coisa. — Ele sorriu quando disse aquilo e eu fiquei feliz. Na verdade, eu estava muito feliz. Era difícil ver o Namjoon sorrindo, não um sorriso qualquer, mas um sorriso que tivesse uma felicidade genuína, ele estava sempre confuso e se questionando sobre a vida, um pouco como eu, só que comigo era um pouco mais profundo e doloroso, ele transformava dor em poesia. Eu queria poder ser assim.


Eu fiquei feliz por saber que Seokjin tinha sido a resposta para a pergunta que Namjoon tanto dizia que eu me fazia.


— E você, quando eu vou conhecer? — Ele me perguntou depois que eu concordei com a cabeça e estava perdido em pensamentos, olhando para a porta do estabelecimento. Quase engasguei.


— Conhecer o quê?


— O garoto do beijo. — Minhas bochechas ficaram vermelhas. Não só porque estávamos no restaurante de sua família, mas também por me lembrar que Namjoon tinha presenciado uma cena tão íntima daquelas. Um beijo era só um beijo, admito mas, eu sentia que aquele momento tinha sido especial de alguma forma, só não sabia dizer o quanto nem como, por isso queria que tivesse sido particular.


— Acho que está na hora de ir, não? — Eu disse, dando um último gole na minha bebida e jogando uma nota de dois mil wons na mesa e saí quase correndo, só ouvindo alguns muxoxos dele em protesto.



Eu sabia que ele não iria levantar dali tão cedo, o que me dava a vantagem de poder sair rápido, caso eu quisesse. Estava no comecinho da noite, deveriam ser no máximo seis da noite, puxei meu celular como desculpa para ver as horas e fiquei um pouco mais frustrado com o fato de não ter sequer uma notificação de mensagem no Kakao. Eu tinha de admitir, estava criando mais expectativas do que era indicado criar.



O que eu não entendia de fato era, por que eu estava cobrando algo de alguém ou, nesse caso, esperando algo de alguém se, se perguntassem para mim se era uma boa ideia esperar algo de mim eu diria que é suicídio. Acho mesmo que macaco não olha para o rabo as vezes, tenho quase certeza de que é oficial.


Mas mesmo assim, mesmo que eu fosse completamente contraditório e sem nexo, Hoseok parecia ser o oposto de mim, alegre, divertido, descontraído e não aquela nuvem negra. Ele não parecia do tipo que deixa alguém sem resposta o dia inteiro para fazer tipo.


Sem me dar conta, estava passando pela mesma praça onde, no dia anterior ele tinha me pagado um Odeong, onde também prometeu que não seria o último. Mesmo que eu tivesse uma pose de garoto descolado, como a mãe dele mesmo disse e eu ri novamente pelo pensamento, no fundo eu tinha a esperança de, em algum momento ter algo como o Namjoon tinha com o Jin. Quer dizer, cada falha pode ser preenchida, sim? Todo mundo quer ser amado, mesmo que eu fosse confuso, não era diferente.


Me arrastei por cima da grama molhada dos irrigadores mas sentindo o ressecado das folhas de Outono, aquela era uma das minhas estações do ano favoritas por causa do frio, mas também era dolorosa devido a nostalgia do vento e as folhas caindo ao redor das pessoas.


Folhas caindo...

Caindo...

Cair...


Me veio à mente algumas palavras aleatórias e eu sabia que, assim que chegasse em casa, pegaria meu violão e faria alguma coisa. Queria estar sentado na praça para fazer aquilo mas, eu poderia me sentar na janela e admirar ao longe a queda das folhas. Quanto mais longe, mais nostálgico parece uma queda de folhas no Outono.




O prédio estava barulhento, como sempre, ainda mais devido ao horário e ao dia, depois da segunda-feira na realidade, todos os dias eram barulhentos, e eu tinha que dormir ou fazer qualquer coisa com fones de ouvido, disputar decibéis comprando um som e colocando no último volume, não era uma coisa muito inteligente, o Namjoon mesmo me explicou sobre o Efeito Doppler, e como as ondas sonoras vem em linha reta, não é como se as ondas fossem recuar porque as minhas estão indo na direção que ela está vindo, não é um campo de atração gravitacional.


Entrei em casa, ignorando aquelas músicas que eu não conhecia e não tinha a mínima intenção de conhecer, uma vez que eu tinha uma droga de uma memória musical excepcional.


Tirei meus sapatos na entrada e joguei a caixa do cigarro em cima da mesinha de centro em minha sala, na frente da poltrona comida de traças, a qual eu sentei com meu violão em mãos, primeiro para tentar fazer uma melodia que prestasse, às vezes eu levava um tempo maior do que para compor letras.


Caindo como folhas secas.

Eu não consigo te pegar.

Eu não consigo te segurar.


As letras pareciam transbordar de mim como se estivessem escritas no verso de minha pele, como se estivesse encrustada em mim todo esse tempo. E geralmente eu não compunha tão rápido assim.


Eu consigo ver a nossa relação desaparecendo.

Uma relação vazia como o céu de Outono.


E aí estava o Outono, e meu medo vadio e profundo, de ficar sozinho como se ninguém no mundo fosse capaz de amar alguém como eu.


Meu peito apertou e eu quis chorar mas, sempre que pensava em chorar, me perguntava de que adiantaria minhas lágrimas? Elas serviriam apenas para me lembrar que a dor era real.

Apesar de que, se eu chorasse mais, talvez eu sentisse bem menos do que eu realmente sentia.


Me acomodei um pouco mais na poltrona, agarrando o violão em mãos como se ele fosse tudo o que eu tivesse. Abri a janela para deixar o vento frio entrar exatamente no momento que meu telefone tocou.


Eu coloquei o violão no chão e quase dei uma cambalhota digna de um acrobata, para trás, em busca do celular que estava encima da mesa.


Hoseokie.


Apareceu na tela do celular e eu só consegui admirar por algum tempo. Primeiro eu queria saber se era real, segundo eu queria saber por que eu estava tremendo tanto.


Ligação ON

Alô!


— Yoongi?


— Quem mais poderia ser, Hoseok? Acho que o número é meu.


Você podia ter me dado o número errado. O que você acha?


— Eu não te dei o meu número, eu te mandei uma mensagem no Kakao. Não tinha como ser o número errado. — Ficou um silêncio do outro lado e eu pensei que estava sendo muito ranzinza. Me odiei mentalmente, por estar tão nervoso.


— Me desculpe ter demorado tanto para ligar. Eu tive várias coisas para fazer hoje.


— É, a sua mãe me disse que você estava com um tal de Park. Não precisa me dar detalhes da sua vida como se me dissesse respeito. — Eu falei aquilo tão rápido que precisei até mesmo buscar um pouco de ar depois do que eu tinha falado. Ele riu do outro lado da linha e, pela temperatura em minhas bochechas, tinha certeza de que estava enrubescido.


— Calma! Assim você vai engasgar. Então quer dizer que você realmente foi no restaurante? Me desculpe! A Dawon disse que eu cheguei logo que você saiu. Cheguei até a encontrar o seu amigo lá... O Namjoon.


— Aquele traíra. De qualquer forma, não precisa se desculpar, eu não estava esperando mesmo por você. — Mas que mentira mais deslavada.


— É mesmo? A Dawon disse que você ficava olhando para os lados, inclusive ela ouviu você falando de beijo com o seu amigo. — O que? Mas aquela garotinha fofoqueira... Queria ficar bravo mas a visão dos cabelos longos e meigos dela me vieram a mente, então eu não consegui.


— Ela devia estar enganada.


— Então você não queria mesmo falar comigo? Vou desligar então.


— Como queira. — E lá se vai eu sendo o mesmo Min Yoongi de sempre.


Para minha surpresa, Hoseok riu soprado do outro lado do telefone. Riu mesmo, como se eu não tivesse expulsado ou dado um fora nele e sim, contado uma piada.


Hoje à tarde eu fui num lugar que eu tenho certeza que você adoraria ir. Quer dizer, pela forma como você trata a Dawon, você parece se dar muito bem com crianças. Gostaria de ir comigo amanhã?


— É, elas gostam de mim com alguma frequência. Que lugar especificamente? — Eu perguntei, não tinha certeza se gostava daquela história. Ele fez um som adorável do outro lado do telefone e eu sorri.


— É uma surpresa. Mas eu tenho certeza que você vai gostar. Quem sabe depois você não me paga uma pizza?! — Como ele sabia que meu sonho era pagar uma pizza para alguém? Aquilo só ficava cada vez mais estranho e nada engraçado.


— Eu não tenho certeza se gosto dessa ideia.


— Você vai gostar. Vai ser um segundo encontro ótimo. — Eu ri.


Quando foi o primeiro?


— Ontem no parque quando eu gastei dois mil wons com você. Sua risada é adorável. Quero ouvir mais vezes. — E mais uma vez na noite, senti o calor de minhas bochechas queimarem por completo o meu resto de dignidade.


Aquilo não pode ser chamado de encontro.


Por que não? Eu segurei sua mão e ainda beijei você no fim da noite. Isso é muito mais coisa num dia, do que num dorama inteiro. Você se opõe a isso? — Então ele assistia dorama? Com certeza ele era o Seokjin da minha vida ou algo, o que me fez sorrir com o pensamento. 


Cale a boca, Hoseok. Eu não deixei nenhuma das duas coisas, se você quer mesmo saber.


— Então quer dizer que você não gostou?


— Bom...


Hoseok


Ouvi o grito de sua mãe ao fundo da ligação e ri.


— Ela te grita com bastante frequência, sim? — Ele riu, daquele jeito que eu tinha dito antes que era extremamente peculiar e me fez sorrir com aquilo.


Você não faz ideia! Ela está me pedindo ajuda para terminar os temperos do Bulgogi de amanhã. Olha, eu vou te esperar na barraquinha de Odeong amanhã às 14:00, sim? Não vai se atrasar.


Quem você pensa que eu sou, garoto? — Ele riu e eu não podia parar de sorrir com aquele som.


— A propósito, quantos anos você tem? — Aquilo era relevante assim, de repente?


Vinte e quatro. — O garoto bufou do outro lado do telefone.


Até amanhã, hyung! Foi bom falar com você. Sonhe comigo.


Até parece!


Ele riu e desligou.



Ele desligou e eu fiquei mais algum tempo sentado na poltrona, com a cabeça encostada naquele móvel velho e nada confortável, ao redor daquela casa suja e nada visualmente atraente, pensando que minha vida era sem sal e nada agradável mas, depois de meses, talvez anos, era a primeira vez que eu iniciava uma letra e não terminava, por me sentir incapaz de estar acordado, quando meu maior desejo era me deitar e pensar, se eu não estava sonhando, e se era real que eu estava mesmo indo dormir sorrindo.


Notas Finais


Eu acho esse capítulo muito precioso <3333

Ioongi*:  Em coreano dois é “I”, ele fez um trocadilho com seu nome e o número dois para indicar que o Hoseok seria o segundo ele.


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