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História Outro mundo, outra vida - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Capítulo 02 - Três Magos


E então, acordei.

Despertei numa cama que sequer era minha, num quarto iluminado por tochas nas paredes. Meu olhar foi inicialmente para a roupa de cama que eram peles de animais. Não fiz tanta questão de descobrir onde estava, mas queria saber quando foi que adormeci. 

- Tô mesmo num mundo mágico? – Me perguntei, saindo da cama e seguindo para uma janela. 

Não é como se quisesse ver dragões ou qualquer outro tipo de criatura mágica que era relatada em livros e animes, mas seriam provas mais do que suficientes daquilo.

Eu estava certo sobre uma coisa. As janelas. Eram mesmo um ponto de fuga e eu conseguiria passar sem problemas. Me inclinei suficiente na parede e vi que estávamos num ponto ridiculamente alto. . .bom, pelo menos eu estava alto já que minha localização era uma torre num castelo que ficava castelo cercado por uma extensa floresta.

- Da para sair daqui, mas o assunto é outro com a descida. . . – Comentei, pondo minha cabeça para dentro do quarto.

Acho que já é hora de saber o que havia fora daquele quarto. Não que não gostasse do meu quarto atual, mas os únicos cômodos eram minha cama e um guarda-roupa e as tochas que o deixavam um pouco iluminado. . .coisa que se tornou inútil com a claridade passando pelas três janelas.

E quanto a minha roupa. . .não era mais a cueca boxer que usava no meu antigo mundo, estavam mais para peças de camponeses nos jogos medievais. Ainda quero descobrir quem me vestiu.

Segui para a porta e, antes que tivesse a chance de empurrar, outra pessoa fez isso para mim. Fiquei em silêncio vendo que era a mesma mulher que havia conversado com os outros homens. Ela também preferiu pelo momentâneo voto de silêncio enquanto baixava o olhar para ver a bandeja nas mãos. Estava me trazendo pão com um copo de água. E depois olhou para mim, se permitindo sorrir de maneira gentil, parecendo até mesmo surpresa.

- Herói. – Finalmente quebrou o silêncio do quarto. Sua voz era pacífica, muito gentil assim como sua primeira impressão. – Fico feliz em saber que acordou. –

- Não sei nem como dormi. – Respondi com sinceridade, pegando a bandeja das mãos dela e comendo com voracidade o pão dormido. Não sabia que estava com tanta fome. – O que aconteceu?

- Euphoria foi o responsável. Não quero entrar em muitos detalhes, mas um soco foi necessário para desmaia-lo. – Ela parecia envergonhada em dar aquela leve informação, tanto que desviou seu olhar e com a mão direita coçou a bochecha.

É. . .nunca tive grande resistência para brigas, mas admito que dois golpes é um número baixo até para os meus padrões. E o mais estranho é que não sentia a dor do primeiro ataque em meu estômago ou até mesmo aquele que me desmaiou. 

Espera um pouco. . .Euphoria? Aquele que foi tão hábil numa luta se chama Euphoria? Preciso pensar com urgência em formas de incomodá-lo e descobrir se sou mais rápido que ele. 

A mulher. . .Lumia pelo que me lembro, percebeu minha provável confusão pelo meu bem estar e estendeu as mãos, mostrando suas palmas calejadas, mas assim mesmo perfeitas.

- Fui a responsável pelo tratamento no seu corpo e por supervisiona-lo nesses dois dias. – Ela me olhou de cima a baixo e sorriu pelo canto dos lábios. Deve estar gostando de me ver tão disposto assim.

- Obrigado, você fez um ótimo trabalho, Lumia. – Comentei, levando minha mão direita para a cabeça dela e repousando no topo e acariciando o cabelo castanho dela. – Obrigado por cuidar de meu corpo nesses últimos dias.

Nunca imaginei que diria esse tipo de coisa. Mais ainda num mundo onde existia a magia, mas tem uma primeira vez para tudo, certo?

O que consegui de reação dela foi ver o mais belo sorriso. Ela concordou comigo, me agradecendo com alguns balanços de sua cabeça. E depois segurou a minha mão na sua cabeça a retirando de onde deixei e olhou para o corredor atrás dela. Parecia que tinha se lembrado de seu segundo objetivo.

- Ah. . .eles querem conhecê-lo, herói. Se puder me acompanhar. . .

- Não me chame de herói. – Nem mesmo sabia o que era ser um herói naquele mundo. Ou melhor, o que acontecia para que me considerassem um herói. – Prefiro que me chamem pelo meu nome. –

- Tudo bem. Então, como devemos chamá-lo? – Ela me perguntou no momento que se virou e abandonou o quarto, acessando o corredor e andando de queixo erguido pelo caminho mal iluminado. 

- Henrique, me chamem de Henrique. – Comentei, andando a poucos passos atrás. Ela andava rápido, como se estivesse com pressa, mas era estranho já que tinha perdido tempo conversando comigo. 

Continuamos andando por alguns minutos a mais até chegarmos a uma escada e a descermos chegando ao andar inferior que era ridículo de semelhante ao de cima. Ela parou de frente para uma porta e a empurrou dando abertura para um novo cômodo. Não havia nada além de um altar com dezenas de estatuetas e uma vela para cada. E alguém lendo um livro grande naquele altar, de costas para nós, perdido na leitura. Pelo menos era o que achava até vê-lo mover o rosto e sorrir por mais que não nos visse.

- Vejo que está desperto, herói. – Comentou. Aquela voz familiar. Não era do homem que me surrou, mas do outro. Ele parecia se preocupar, mas também se divertir, pelo fato de que eu estivesse de pé. 

- Ele prefere que o chame de Henrique. – Lumia quem disse depois de perceber que não consegui proferir uma única sílaba. 

- Henrique? Creio ser mais apropriado do que chamá-lo de herói. Tudo bem, chamaremos de Henrique. Lumia já o explicou sobre nós, os “Três Magos”?

- Ah, não. – Respondi finalmente, mas olhei para Lumia quando notei ela dando de ombros.

Informação valiosa que ela está ignorando me entregar. Ou se esqueceu e se lembrou agora pela pergunta dele?

- Lumia como sempre é a mais irresponsável de nós. –

Essa voz não veio de Merico, mas atrás de nós. Olhei para a porta e lá estava o mesmo homem que me deu uma surra a sabe-se lá quantos dias. Seu olhar para a mais nova era reprovativo e ele ofegava como se fizesse algo difícil até agora a pouco. . .e pelo suor no rosto eram altas as chances de que estivesse mesmo fazendo. Ele me olhou com desdém e adentrou no cômodo e passou do meu lado.

- Mas também, uma criança que sequer saiu das fraudas assumindo um posto como esse. Claro que não pensaria nas grandes responsabilidades que temos e ficaria mais preocupada com. . .o que você gosta mesmo, Lumia? Ah, não importa. 

- Bom dia, Eup. – Disseram ao mesmo tempo. Era nítido que aquela conversa acontecia com frequência já que Merico sorria como se já tivesse se acostumado com as reclamações. E Lumia não dava mais tanta importância. 

- Dormiu bem? – Euphoria perguntou, me olhando com desinteresse, mas com um pouco de provocação na voz.

- No meu mundo. . .Euphoria é nome de mulher. – Comentei, no mesmo tom que ele e sorrindo pelo canto dos lábios quando notei a fúria no olhar dele. Agora só precisava saber se meu corpo era mais rápido que o dele. . .ainda bem que tinha decorado o caminho até meu quarto. – Eu posso ter dormido bem depois de uma surra, mas pelo menos não me chamo Euphoria. 

- Eup, calma. – Merico quem disse e deu alguns passos para se aproximar do conhecido.

- Hora seu. . . – Eup rosnou para mim. Rosnou como um animal selvagem. E uma aura emanou de seu corpo e pude sentir algo diferente acontecendo. Daria muito, muito ruim. Ele ergueu o pé direito e deu um passo, rachando todo o piso e a parede lateral.

- Eup, calma. – Merico repetiu. Desta vez segurando o ombro do colega e o olhando com uma seriedade que eu não achava que o mesmo conhecesse. Era como se estivesse disposto a ter um combate mortal com o conhecido apenas para o acalmar se fosse necessário. – Herói Henrique, sinto muito pelas ações de meu companheiro.

- Ah. . .está tudo bem. E podem me chamar só de Henrique. – Comentei, me esforçando para não demonstrar o medo que senti momentos antes. – Então, o que são os Três Magos? – Perguntei querendo mudar de assunto.

- Excelente pergunta. – Merico me respondeu e levou os braços para trás, para as costas, e caminhou pelo cômodo olhando para o estrago razoável feito por Euphoria. – Os Três Magos são como reis para aqueles que compreendem e utilizam da magia. Cada um representando uma das classes na magia. Para a magia Sagrada, há Lumia com sua cura do mais alto nível. – Disse e apontou para a mulher que estava agora do meu lado. – Para a magia do Fortalecimento, há Euphoria. – Apontou para Eup que rosnou. – E para a magia Elemental, eu. – Ele estalou os dedos e fez com que a chama de todas as tochas e velas do cômodo crescessem.

- Legal. . . – Sussurrei, no meu mundo haviam truques baratos com fogo, mas não era incrível como aquela demonstração.

- Os “Três Magos” são responsáveis por assuntos mágicos. Como Merico mencionou, somos como reis para aqueles que entendem e usam a magia. Enquanto reis comuns cuidam de política e essas coisas, nós cuidamos de tudo que tem relação com a magia. – Euphoria comentou.

Eles fizeram uma divisão social nesse mundo. Que interessante. Quero dizer. . .não verei um rei agindo como um louco e tentando meter um graveto num dragão, né? 

- Para que um mago ascenda a esse posto, deve-se ter muito poder mágico e méritos. Não se torna um dos três por. . .como é o nome? Ah. . .barganha. Não se ganha o título tentando o comprar. – Lumia comentou e apontou para os colegas mais velhos. – Eup possui 55.000 de PM, Merico tem 54.500 e eu. . .50.000. Você é o mais inferior a nós com atuais 500.

- Espera. . .eu sou um-

- Não, seu idiota. Nos escute primeiro. – Eup me interrompeu. Ele fez bem em me calar e cruzou os braços antes de suspirar. – Você é um herói. O primeiro que conseguimos convocar. Quebramos a 1° lei mágica de não interferir com espaço/tempo. Sabe a quantidade de poder mágico necessária para isso? Pois é, muito. Em troca de um nada como você. – Ele me encarou com ódio. Como se estivesse vendo todas as falhas que cometeu durante sua vida.

- O que Eup quis dizer. . .é para não tirar conclusões precipitadas. Sacrificamos muito do nosso poder para a invocação de um herói. – Merico comentou, olhando ríspido por um momento para Eup.

- E porque precisam de um herói? – Perguntei. Eu nem ao menos sabia para que ia servir. Quero dizer, aquela era a minha primeira vez. Já tinha visto muitos animes na outra vida, mas esperava que não fosse aquilo que imaginava. 

- Porque vamos precisar de ajuda. – Eup quem me respondeu. Pela primeira vez me olhando como humano nós olhos.



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