História Outros - Capítulo 6


Escrita por:

Postado
Categorias Naruto
Tags Hinata, Naruhina, Naruto, Romance, Vampiros
Visualizações 139
Palavras 4.411
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 6 - Bolha estourada e Sonohoukas


  

Depois da situação envolvendo o corpo de Toneri e o nome de Naruto, Hinata queria beber até esquecer tudo que havia acontecido, mas antes tinha que se livrar do ex. Vestiu uma roupa e direcionou-se de volta para sala, no sofá não encontrou ninguém. Ouviu alguns barulhos na cozinha e presumiu que ele estaria lá; De fato, abrindo uma de suas garrafas de vinho, servia-se numa taça larga.

Hinata em silêncio sentou-se no balcão e assisti-o beber em apenas dois goles, tudo que havia despejado na taça. Novamente se serviu e bebeu. Ele a encarou e balançou a garrafa, como quem oferecesse um pouco; Ela fez que não com a cabeça.

_Eu preciso que você vá embora – Hinata disse, encarando-o

Toneri cerrou os olhos. Hinata estava tão tensa que sentia os ombros encolherem involuntariamente. Toneri nunca havia sido agressivo com ela e em todas as discussões quem falava alto era ela. A reação dele no sofá havia sido uma novidade e apesar da surpresa de Hinata, ela sabia que não podia esperar uma reação diferente, afinal, ela estava transando com ele mas pensando em outro.

_Você está realmente com outra pessoa? – Toneri questionou

_E-eu não acho que isso seja da sua conta – Hinata se esquivou

_Você está até gaguejando – Toneri soltou um riso debochado

Hinata mordeu o lábio inferior em reprovação a ela mesma. Toneri havia passado sete anos com ela e se uma coisa ele sabia bem, era sobre ela. A gagueira sempre vinha em situações e emoções especificas, poderiam envolver vergonha, amor, felicidade, mentira... Ele sabia lê-la como nenhuma outra pessoa jamais arriscou chegar perto. Hinata era como o diário de Toneri; somente ele tinha a chave, assim, só ele sabia o que ali continha.

Ele aproximou novamente dela, deixou a taça sobre o balcão e acariciou o rosto dela. Hinata sentia falta daquilo, de receber carinho. Os olhos deles se encontraram.

_Só abriu a porta por que desejava que fosse outra pessoa.

A declaração dele saiu amarga. Hinata não negou nem confirmou.

_Não torne as coisas mais difíceis do que já estão – A voz de Hinata saiu pesada

_Hinata – Toneri segurou o queixo dela – Encante-se por quem for. Sinta a paixão que for. Eu sou o único quem você ama e você é a única que eu amo.

Hinata engoliu a seco. Estava imóvel e inexpressiva.

Dali Toneri foi em direção à porta, saiu e não se despediu.

Hinata pegou a taça que ele havia deixado para trás; Bebeu o que restava e começou a chorar. Queria entender como estava tão emocionalmente frágil a ponto de se apegar a uma figura praticamente desconhecida; Naruto Uzumaki tornou-se, em menos de dois meses, um lance de bar, um parceiro de negócios, um semeador de desejos, um causador de discórdia.

Estava revoltada por ter aberto a porta para Toneri.

E não só a porta, as pernas também.

Sua vida havia virado um filme de romance dramático, daqueles que só mulheres carentes e frustradas gostam de assistir para chorar.

 

 

//

 

 

Naruto sentiu uma leve ansiedade percorrer seu corpo, fitando o calendário sobre sua mesa, realizava que o dia da mudança da empresa de Hinata seria no dia seguinte. Ficou acordado entre as partes que com um acréscimo de 1% sobre o lucro dos projetos, poderiam alocar-se em um dos andares que a empreiteira dispunha no mesmo prédio. A empresa liberou o 12º andar para a empresa dos Hyuuga e sugeriu uma sala para Hinata e Neji – representantes da empresa – no mesmo andar que o de Naruto, aonde ficavam os demais diretores; ambos rejeitaram e preferiram ficar no mesmo andar que sua equipe. Ao saber, Naruto sentiu-se aliviado de não ter que lidar com Hinata todos os dias – isso seria, no mínimo, um desafio –.

Na caixa de entrada do seu e-mail, os resultados semanais de sua avaliação por parte da Espelho piscava; o conteúdo, para sua surpresa, era animador. Teve bons resultados físicos e psicológicos, não eram suficientes para considerá-lo um Outro seguro, mas eram suficientes para deixá-lo confiante em seu progresso.

Duas grandes diferenças entre Outro e infectados “comuns” são – além dos efeitos colaterais de insanidade – o apetite sexual e a sede. Infectados sentem, da mesma forma que Outros, a necessidade da relação sexual; o vírus age da mesma forma quando se trata de sua proliferação, mas como as capacidades cognitivas do receptáculo são severamente danificadas, restam-lhe impulsos muito mais primitivos em questão de sobrevivência, como a fome. O sangue humano serve como estimulante de diversas formas para um infectado. Ele é necessário, mesmo que em quantidades mínimas, para a manutenção da longinquidade do ser e também potencialização de seus sentidos – já aguçados –. Dada a capacidade inexistente de compreensão do próprio ser, muitas vezes quando um infectado já mutado alcança uma vítima, não é incomum que prefira comê-la em vez de reagir a necessidade de proliferação do vírus. Mas também não é incomum que reajam primeiro ao impulso sexual e posteriormente a sua necessidade de sangue; o que ocorre mais em casos de infectados do sexo masculino.

Outros conseguem controlar sua sede ao longo de suas vidas com pequenas quantidades de sangue ingeridas, traidores tendem a consumir órgãos humanos para potencializar suas habilidades físicas e motoras. Por isso, Outros são praticamente a única fonte de proliferação do vírus: Suas vítimas conseguem sobreviver ao sexo sem serem consumidas. O apetite sexual de um infectado está diretamente ligado a sua relação com o vírus; através do sangue humano, o parasita consegue identificar aquele como um possível novo hospedeiro, assim faz com que seu receptáculo reaja com maior intensidade a isto. Então, o sexo entre infectados praticamente não existe pois seus corpos não reagem a eles mesmos; Apesar de Outros acreditarem – na maior parte das vezes – que seus impulsos sexuais partem de estímulos sensoriais e visuais – como costumava ser quando humanos –, na verdade, é somente o vírus agindo para ser multiplicado. Uma vez que se memoriza o cheiro humano e seu sangue, o corpo reage sempre que se recorda.

O sexo entre Outros e Humanos não é autorizado pois, apesar das medicações controladoras, Outros ainda assim são instáveis e imprevisíveis. Com a tecnologia e tudo que ela pode ofertar, preservativos masculinos são suficientemente capazes de conter o contato “pele a pele”, o problema é que; Se nem mesmo os humanos utilizam isso entre si, com todas essas doenças sexualmente transmissíveis – conhecidas –, imagine um ser instável que age por estímulos de um parasita?

Porém, o vírus já existe a mais tempo do que se pode imaginar e há Outros que já viveram por tanto tempo que mal se lembram de como eram antes de serem o que são hoje. De acordo com os registros que a Espelho possui acerca do vírus, que datam a partir do século XVI, houve apenas 20 casos relatados, de relacionamentos entre humanos e Outros, que não acabaram em morte ou a parte humana infectada – o que é um número bem alto se levarmos em conta que as medicações controladoras passaram a existir entre o século passado e este –. Não há muito interesse por parte de Outros para se relacionar com humanos de forma afetiva; além da longitude de sua condição, não podem se reproduzir. Outros costumam se relacionar entre si, mas dificilmente permanecem atados a um único parceiro.

Naruto fez questão de enviar seus resultados para Sasuke que, como bom amigo que é, retornou dizendo que ele ainda era “medíocre” e que “estava orgulhoso com pouco”. Naruto riu e agradeceu, sabia que essa era a forma de Sasuke o apoiar.

 

 

Finalmente, a nova parceria começou a fluir; mudaram-se todos para o prédio, os projetos em andamento foram todos transferidos para seu pessoal e como prometido, novos projetos chegaram. Naruto pôde conhecer pessoalmente Neji, o primo de Hinata que intermediou a conversa antes do encontro dele com ela. Um homem tão bonito quanto ela, tinha cabelos longos e castanhos, olhos igualmente claros como pérolas – com aquela cor extremamente exótica –. Ponderou ser um homem descente, formal e exímio quando tratou a respeito dos projetos. Na breve conversa que tiveram, Hinata estava presente e tudo correu como se nada antes tivesse acontecido entre ele e ela.

E falando nela, encontraram-se três ou quatro vezes pelos setores da empresa no primeiro mês. Estava como sempre linda e ele como sempre babando em cada detalhe dela. Curiosamente, ela trabalhar no mesmo prédio que ele havia encerrado aquela maré de encontros sucessivos; já estavam na metade do segundo mês e ele não havia tido uma oportunidade sequer de estar com ela a sós; Parou para pensar se isso era bom ou ruim mas não soube se responder.

Dentro desse mesmo período, Naruto não tivera que lidar com nenhum trabalho para Espelho; os dias estavam calmos. A rotina regrada estava sendo religiosamente seguida, os remédios e treinos nos horários certos, acompanhamentos clínicos semanais e relatórios quinzenais a respeito da conduta na convivência com não infectados. Visto que Naruto não tivera mais incidentes com Hinata, Tsunade não pôde definir se a mulher havia ou não se tornado um gatilho para ele; esse assunto ficaria pendente para análises em situações futuras.

Naruto havia sido obrigado por Tsunade a fazer uma reavaliação em tiro – visto que a última que recebera foi há mais de dois anos – e para a surpresa de exatamente ninguém ele angariou um péssimo resultado; de 0 à 5, o loiro obteve avaliação 1. Sobe ordens dela, passou a treinar uma vez por semana para melhorar seu desempenho e obter nova avaliação.

E ele estava lá, em uma das cabines, vestindo roupas de treino e óculos de proteção. Tinha a postura reta, respiração baixa e olhos cerrados; empunhava uma pistola de grosso calibre. O alvo que mirava já tinha alguns buracos, feitos por ele mesmo. Ouviu longe alguém cham chamar seu nome, retirou os protetores de ouvido e inclinou o corpo para trás, olhou para o corredor e viu um amigo acenar; era Shikamaru, com seu cabelo crespo preso para cima e sua postura da desinteresse.

Shikamaru Nara era amigo de infância de Naruto e foi ele quem suspeitou que as coisas talvez não estivessem indo muito bem para Sakura quando ela contraiu o vírus. O homem sempre teve conhecimento da condição destes seres pois sua família sempre tratou com eles; numa tradição milenar, a família Nara atuava dentro e fora da América em prol dos infectados. Não sabia dizer exatamente quando e como essa parceria começou. Ao longo do tempo, a família Nara foi adaptando-se as necessidades daquelas pessoas ajudando-os de forma política, social e saúde. Com um pacto realizado com quinze nações diferentes, a família Nara pôs-se a disposição para angariar pesquisas afim de melhor controlar a condição destes seres através de tratamentos medicamentosos; Os governos dispõe as verbas e os Nara, a tecnologia.

Ao longo da história, esses serem foram utilizados de diversas formas dentro da sociedade e por muito tempo em prol de guerras; Outros foram diversas vezes usados como espiões, supersoldados e assassinos. Hoje, existe uma linha tênue entre o livre arbítrio dessas criaturas; após a segunda guerra e com tanto ativismo social sobre suas condições, os governos fingem apoiar instituições como a Espelho com falsos discursos de respeito à vida destes; na verdade, trata-se apenas de uma forma de os governos conseguirem controlar a quantidade de Outros que possuem; caso precisem de um poderio militar de ponta, já sabem aonde encontrar; estarão concentrados todos – ou pelo menos sua maioria – em um mesmo lugar.

Com passos largos, o amigo se aproximou. Naruto abriu os braços e o agarrou, apertando-o forte. Nara retribuiu o cumprimento e soltou-se logo.

_Problemático, como sempre – Ele disse

_O que devo a honra da presença da minha princesa? – Questionou Naruto, sorrindo

_Saudades do meu príncipe – Shikamaru respondeu

_Eu imaginei – Naruto deu uma piscadela

_Quando me disseram que você estava aqui quase não acreditei

Naruto coçou a cabeça, sem graça

_Estou por livre e espontânea pressão.

Shikamaru riu. Sabia que o amigo não estaria ali se não fosse por obrigação; Naruto nunca gostou de armas. Convidou-o para tomarem algo na cafeteria do complexo e o loiro prontamente aceitou o convite. Observando-o preencher a papelada do encerramento do treino e devolver todo o equipamento, perdeu-se em pensamentos; Algumas memórias triste o alcançaram da época que Naruto se viu na condição de Outro.

Saíram de lá e foram até o outro lado do complexo conversando assuntos triviais, Naruto comentava sobre a nova onda de lucros que sua empresa estava surfando e igualmente, Shikamaru respondia com observações sobre o mercado financeiro. Chegaram até uma enorme praça de alimentação com diversas opções, sentaram-se nas mesas próximas de um pequeno café. Fizeram seus pedidos dali mesmo, através de um tablet disposto na mesa e aguardaram serem servidos.

_Você conhece Hinata Hyuuga?

Shikamaru surpreendeu-se com a pergunta

_Sim. Uma grandessíssima amiga. – Respondeu – Minha e de Temari. – Arqueou uma sobrancelha – Por quê?

Naruto sorriu de canto

_É uma longa história... – Naruto respondeu. – Mas resumindo, ela roubou um beijo meu num PUB e dias depois fechamos uma parceria entre as nossas empresas

Shikamaru congelou

_Mas calma – Naruto colocou as duas mãos para o alto – Não aconteceu nada! E um evento foi isolado do outro.

_Explique-se – Shikamaru cruzou os braços, com a cara fechada.

Naruto ficou sem graça com a reação do amigo, mas podia compreender. Já que Hinata era amiga dele, obviamente ela envolver-se com um Outro traria nada além do que preocupação para as pessoas ao seu redor. As bebidas chegaram e Naruto começou a falar. De forma sucinta, Naruto narrou apenas que flertou com ela em um bar, acabaram se beijando e Sasuke o havia salvo de cometer uma besteira, e depois se descobriu que Hinata era a representante da empresa que vinha dialogando a tempos para fechar negócio.

_Essa história poderia ser a definição para “coincidência” no dicionário – Shikamaru reagiu.

_Eu só queria saber mais sobre ela – Disse – Estou vivendo uma paixão platônica.

_Espero que de bem longe – Shikamaru o encarou

_Com certeza – Naruto tomou um gole da bebida – Vejo todo dia as fotos do instagram dela.

Shikamaru soltou um riso

_Você é um stalker por acaso?

_Sou – Naruto respondeu – Só assim para eu poder babar nela. Quase não nos vemos na empresa e é melhor assim – Naruto deu de ombros – Pessoas como eu só podem gostar de longe.

Shikamaru sentiu pena do amigo. Lembrava-se o quão mulherengo costumava ser e também o quanto pode amar sua ex-namorada. Naruto foi verdadeiramente feliz quando passou a amar alguém, podiam dizer de longe, só em ver a cara dele, que ele era um homem realizado.

_E o que quer saber? – Shikamaru o olhou

_Tudo – Naruto o encarou.

Shikamaru fez uma careta e ficou em silêncio.

_Ok – Naruto revirou os olhos – Fale só aquilo que estiver afim.

_Hinata era amiga em comum minha e de Temari – Começou. – Foi através dela que nos conhecemos. Nossas famílias mantém um laço há muito tempo – Shikamaru o encarou – Você sabe que a minha família sempre se envolveu com infectados não é?

Naruto fez que sim

_Bem, em outros países existem outros grupos que agem quase como a minha família, como corporações e clãs. – Shikamaru continuou – Cada um tem sua intenção, é claro. Nem sempre tão boazinhas – explicou – O clã Hyuuga tem grande influencia com Outros na ásia apoiando a Espelho. Temari é totalmente descendente de americanos mas nasceu e cresceu no Japão por que os pais eram militares que ficaram por lá, foi durante viagens que meu pai fazia para o Japão para tratar de negócios que me afeiçoei a Hinata que consequentemente me apresentou Temari.

Naruto entortou a boca

_Nossa, você é quase mais amigo dela do que meu

Shikamaru o encarou

_O que é isso? Ciúmes?

Naruto riu e de repente, parou. Arregalou os olhos e soltou um grunhido. Shikamaru engasgou com a bebida.

_Que isso porra!? – Questionou, limpando o queixo sujo

_Está me falando que ela manja de toda essa merda aqui? – Perguntou em voz alta, batendo o indicador na mesa.

Shikamaru entendeu que ele se referia ao vírus.

_Mais o menos – Shikamaru respondeu – O pai dela, Hiashi, nunca a envolveu nesses assuntos e ela também nunca teve interesse. Ela foi moldada numa educação para o mundo corporativo para gerir os negócios da família dentro da linha de sucessão.

_Quem não se interessa por monstros comedores de gente? – Naruto estava incrédulo

_Ela estava ocupada demais estudando e fazendo dinheiro – Shikamaru explicou – Hinata é uma mulher incrível Naruto, eu a admiro muito. – Encarou-o sério – Não se empolgue com nada em relação a isso.

Naruto assentiu.

_Ela sabendo ou não sobre essas coisas – Shikamaru voltou a falar – Não muda o fato de que ela não é como você.

_Você tem razão – O loiro soltou um suspiro pesado – Eu sei meu lugar.

_Eu confio em você – Disse Shikamaru – E não me importo com essa sua paixão platônica e nem mesmo com você ter uma amizade com ela, só não me faça escolher entre vocês dois

As palavras de Shikamaru saíram afiadas.

_Você é um ótimo amigo, Shika

_Eu sei

Naruto sorriu. Gostava da sempre sinceridade do amigo.

_Como que em todos esses anos nunca nos encontramos antes? – Questionou Naruto

_Vocês já estiveram no mesmo ambiente, pelo menos, umas quatro vezes

_O que!? – Estava incrédulo

_Vocês dois namoravam e sempre beberam demais – Disse – Deve ser por isso que não se lembram um do outro. No meu casamento, alguns aniversários de Temari... É capaz até de termos alguma foto de todos juntos.

Shikamaru achou engraçado a cara que Naruto estava fazendo.

_As vezes a vida é problemática – Shikamaru tomou o último gole da sua bebida – Se não se conheceram antes é porque não era o momento certo.

_E agora parece ser? – Naruto perguntou, um tanto chateado.

_Talvez – Shikamaru deu de ombros – Vocês podem se envolver de diversas formas diferentes sem ter rola na xota

_Mas aí não tem graça – Naruto riu. – Na verdade, eu até gosto de ficar admirando ela de longe.

_Bem longe – Shikamaru frisou.

_Você parece um irmão ciumento – Naruto fez uma careta

_Só não quero que você ou ela sofram – Shikamaru suspirou – Mais do que já estão sofrendo. – fez uma pequena pausa e continuou – Chega de amigos comedores de gente.

Naruto riu da última frase. Quando voltaria a falar, ouviu uma frase atrás dele.

_Ora essa – Era a voz de Sasuke – Se não é a reunião anual dos otários.

_Nossa, o protagonista de “Dario de um Vampiro” – Shikamaru fingiu surpresa

Sasuke sentou-se ao lado de Naruto.

_E aí – Shikamaru balançou a cabeça – Como está?

_Fazendo mais que você – Respondeu – E você?

_Fazendo menos que você – Rebateu

_Ei Sasuke, sabia que Hinata faz parte de um clã que mexe com essas paradas aqui? – Perguntou Naruto, girando o dedo indicador

_Eu imaginei, pelo sobrenome – Deu de ombros.

_O que!? – Naruto abriu os braços

_Cara... Você é meio tapado – Sasuke o olhou

_Meio? – Shikamaru debochou, rindo.

Continuaram a conversa trocando algumas ofensas e Sasuke explicando para Naruto que, em algum momento, ele teve aulas sobre o vírus, a Espelho e um contexto histórico breve sobre tudo isso. O loiro concordou que de fato, havia sido instruído com essas informações mas que não prestou atenção. Sasuke fez um pedido para ele e perguntou se Shikamaru tinha um minuto para um assunto sério, ele concordou e Naruto ficou somente como ouvinte. Começaram a discutir sobre atividades criminosas envolvendo Outros.

_Está dando uma merda forte na Europa, Shikamaru – Disse o Uchiha – Mal consegui ficar três dias em Londres sem sentir meu estômago revirar

_Estamos fazendo nosso melhor – Respondeu – Mas existe um grupo de traidores extremamente organizado que a Espelho não consegue erradicar.

Naruto observava a conversa dos dois sem entender absolutamente nada sobre o que estavam falando.

_Eles já estão atuando aqui – Disse Sasuke – O casal que eu e Naruto enfrentamos e ele levou uma surra, diga-se de passagem, – Naruto fez uma cara de ofendido – Era o mesmo que matou aquele político da Romênia.

_É, então a merda vai começar a ficar forte aqui também – Shikamaru respondeu

_Do que diabos vocês estão falando? – Naruto perguntou – Como assim assassinato de político, merda na Europa, merda aqui...?

_Naruto – Sasuke o olhou – Em que mundo você vive cara? – O moreno balançou a mão – Acha mesmo que tudo isso aqui é só para conter novos infectados e amparar aqueles que conseguem conter o vírus? Olha os treinos que somos submetidos, o controle, a rotina, a rigorosidade no cumprimento das regras... A gente vive numa constante guerra fria. Os Outros que estão sobe a Espelho não são os únicos que existem. A existência de traidores não gira em torno de sair infectando gente por aí para nada; Eles alugam seu poder; são espiões, assassinos, organizam motins...

Naruto não sabia o que dizer sobre aquela avalanche de informações que passou por cima de sua cabeça.

_Sasuke eu não acho que é o momento de – Shikamaru começou a falar mas foi interrompido

_Quando vai ser, Shikamaru? – Sasuke cruzou os braços – Foi mal cara, mas você já está nessa vida à quatro anos. Está na hora de acordar para a realidade.

_Eu... É que ninguém nunca... Eu não sabia que tinha tanta coisa assim – Naruto disse, olhando para Shikamaru e depois Sasuke

_O buraco é sempre mais fundo – Suspirou Shikamaru – E eu preferiria que você não se envolvesse nesses assuntos

_E eu prefiro que ele se envolva – Sasuke rebateu – Ele não é uma criança

_Ele não está a tanto tempo quanto você Sasuke

_Não temos tanto tempo assim de diferença. Precisamos de pessoas qualificadas Shikamaru, de confiança. – Sasuke gesticulou

_Mesmo assim, ele é muito ingênuo ainda

_Eu estou aqui – Naruto protestou, intrometendo-se na conversa.

_Então imponha-se, chorão – Argumentou Sasuke

_Eu exijo explicações! – Naruto estufou o peito e engrossou a voz.

Sasuke e Shikamaru se entre olharam. Caíram na gargalhada.

_Ok, isso foi patético – Disse Sasuke.

A narrativa começou por Shikamaru, desinteressado e relutante, explicou que muitas conspirações giravam em torno de infectados. Comentou sobre todo seu contexto histórico e importância de manter estes seres sobe uma tutela regrada. O amparo do governo servia de controle. Explicou que existem diversos grupos que apoiam Outros traidores “pelas sombras”, para obter poder, dinheiro e utilizar-se dos dotes dos infectados. Existem organizações que financiam pesquisas por volta do vírus, e até mesmo incentivam Outros a infectarem pessoas selecionadas para tentarem obter novos Outros, caso as pessoas que selecionam não consigam combater os estágios de mutação, são executadas ou viram ratos de laboratório.

Sasuke continuou dizendo que a taxa de infecção é extremamente baixa, de fato, se comparar com a quantidade de seres humanos que existem na terra, mas que isso não muda em nada o perigo que essa minoria proporciona; Aquele casal que haviam cruzado nos fundos daquele PUB, eram traidores que Sasuke vinha rastreando a algum tempo. O modus operandi deles era infectar pessoas selecionadas por corporações ocultas – que analisam ilegalmente pessoas por suas fichas hospitalares – e acompanhar o desenvolvimento de sua mutação. Caso a pessoa consiga passar pelas mudanças e tornar-se um Outro, ela é recolhida e passa a ser controlada por uma instituição que esteja disposta a pagar por um soldado. Literalmente, um comércio de monstros.

Naruto ouvia tudo atentamente e a cada nova informação surpreendia-se mais. Não conseguia digerir que tudo aquilo realmente acontecia e que ele nunca sequer foi capaz de perceber nada. A superproteção de Shikamaru pode ter influenciado em alguns aspectos mas em todos seus trabalhos de campo, se parasse para analisar, realmente as peças se encaixavam. Pode sentir a bolha em que estava vivendo, estourar.

Sasuke estava trabalhando nas pistas desse casal para tentar identificar como o esquema de venda funciona. Sabe-se que existe, mas não se tem informações de como e com quem.

A conversa encerrou com o comprometimento de Naruto em ajudar Sasuke, mesmo com o protesto de Shikamaru que cedeu no final. Os amigos alertaram ambos a mesma coisa.

Uma vez nisso, não tem como sair

Naruto permaneceu firme. Quando o relógio se aproximava das cinco da tarde, despediram-se e cada um seguiu o seu rumo; Naruto estava sem. As informações eram demais para digerir.

 

 

 

//

 

Hinata havia recebido um convite do pai para uma chamada em vídeo. Horas antes, o patriarca enviou uma mensagem avisando-a que precisava tratar sobre um assunto sério. Então, de banho tomado e pijama posto, aguardo ao fim da noite a ligação, que veio pontual. Quando a imagem se fez, o homem estava numa sala clara, com decoração toda em madeira escura. Sorrindo, cumprimentou-o formalmente. O pai expressou sentimentos de saudade. Após um breve bate papo de trivialidades, o senhor começou a engatar no assunto que o havia levado a ligar para filha.

_Hinata, estamos enfrentando algumas dificuldades nos outros negócios da família – Ele iniciou, com a voz calma – Negócios estes que Hanabi ficou responsável de cuidar

Hinata suspirou. Os outros negócios da família Hyuuga não necessariamente entrariam na categoria “legal” para autoridades. A fortuna do clã vinha, dentre diversas formas, também de atividades ilegais que envolviam desde lavagem de dinheiro ao tráfico de armas. A mulher nunca teve interesse em lidar com o lado obscuro da família e optou por seguir do jeito correto e legal; A irmã mais nova, Hanabi, desde sempre se mostrou mais incisiva e forte para estas atividades.

Em silêncio, permaneceu ouvindo o pai.

_Mais especificamente o que cuidamos quanto aos Sonohokas

Hinata engoliu a seco. Essa definitivamente era uma atividade do clã que ela detestava. Sonohokas era como se chamava os Outros no Japão. Foi obrigada a estudar por um tempo o que era essa doença, como ela se alastrava e qual era o papel do clã sobe essas pessoas. Apesar de na época sentir empatia pela atividade, sentiu medo quando percebeu que muitas outras coisas envolviam essas pessoas.

_Eu sei que você optou por não se envolver nessas questões, mas – O homem tossiu – É possível que alguma responsabilidade recaía sobe você

_Otoou-sama, acredito que a família Nara seja a responsável por este assunto aqui na América – Hinata respondeu

_Sim, sim eu sei – Ele rebateu – Mas eu estou falando em represálias, filha.

Hinata franziu a sobrancelha.

_Cuide-se e lembre-se de tudo que aprendeu.

_Neji nii-san sabe o que está se passando?

_Hai – Respondeu – Se você quiser mais detalhes, pode perguntar a ele. Não irei me aprofundar com justificativas pois não sei se quer ouvi-las.

Hinata apenas assentiu com a cabeça.

_Entendo... – Disse por fim – Talvez eu pergunte para ele – mentiu, para tranquilizar o pai.

_Faça isso – Ele disse – Sua irmã está trabalhando duro para proteger todos nós, mas devemos fazer nossa parte.

Novamente, assentiu.


Notas Finais


Quanta conversa né?! :v


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...