1. Spirit Fanfics >
  2. Outter >
  3. Canto da lua cheia

História Outter - Capítulo 18


Escrita por:


Capítulo 18 - Canto da lua cheia


—Ah! O sino das oito horas! Agora é a hora da cerimônia do canto da lua cheia! Vamos lá!—Tarthang bate as mãos e se levanta

—Ahh! Quero dormir!—Stephen

—Pára de reclamar Stephen!—Michaella se levanta e puxa o irmão pelo braço

Eu dou uma risadinha. Estou feliz que não sou eu quem ela está puxando pelo braço.

Nós seguimos o mestre.

—Ahh!—Ele continua choramingando sendo arrastado

—Stephen, se fosse uma cerimônia para observar a lua de um telescópio, você seria o primeiro a sair desta sala.—Michaella

Nós saímos da sala.

—Claro que sim! Acha que eu ia perder a chance de observar a lua?—Stephen

Nós descemos os degraus da entrada.

—Então, finge que é uma daquelas suas noites de observação do céu noturno lá em quiet e direciona todo aquele entusiasmo para agora.—Michaella

Ele revira os olhos.

Eu dou outra risadinha.

Nós estamos caminhando pela vila à noite. A luz do luar está linda. Pois é lua cheia.

O mestre nos leva até a estupa.

Lá já estão algumas pessoas.

E depois chega mais. Muito mais.

É como se a vila inteira tivesse vindo para cá.

Não vejo cadeiras e nem almofadas. Me pergunto como esse monte de gente vai se reunir em volta da estupa.

Minha pergunta é respondida logo depois.

As pessoas se sentam ao redor da estupa em forma de espiral. Fico impressionada. Eles são muito inteligentes. Desse jeito, cabem mais pessoas. Se fizessem apenas uma roda em volta dela, a roda ficaria grande demais, eles ficariam muito distantes do centro e não caberia todo mundo.

—Espiral? Interessante.—Albert

Aí uma dúvida me vem à mente:

—Peraí, porque vocês simplesmente não ficam ao redor dela de qualquer jeito? Precisa ser em forma de espiral?

—Sentar, de qualquer jeito, ao redor de uma estátua sagrada? Que contém as cinzas de nosso fundador?—Mestre

—Tá, já entendi. Fora de questão.

—Completamente fora de questão! Além de ser total desrespeito ao príncipe, não teria organização, não teríamos como dar as mãos!

—Em espiral podemos todos segurar as mãos um do outro.—Mahatma chega perto de nós e sorri de canto

—Outras formas de sentar ao redor da estupa já foram propostas e feitas. Mas essa forma é a única em que cabe o máximo possível de pessoas, da forma mais organizada possível e todos podem dar as mãos.—Tenzin também chega

—Sem mencionar, que o espiral é um ciclo contínuo, assim como a vida.—Dalai vem por último

—Mas a vida acaba na morte!—Digo

—Não para nós. Nós acreditamos em reencarnação.—Mahatma

Ao ouvir isso, eu congelo. Lembro-me de quando Innis me falou que ela reencarnou em mim. E não só isso, que ela era a inner mais poderosa de todos e que eu não deveria contar isso a ninguém senão correria grande perigo.

QUE SEGREDO ENORME EM MINHAS MÃOS!

Então SIM, eu acredito em reencarnação. Não acreditava antes é claro, mas depois disso, passei a acreditar.

Mestre Tarthang me cutuca.

Ele e os outros três nos instruem a nos sentarmos em uma fileira próxima de onde estamos. É uma fileira bem distante do centro.

—Thartang! Venha aqui! Nós estamos esperando por você!—Um dos mestres da sanga exaltada fala lá perto do centro

—Com licença pessoal, mas preciso ir.—Ele anda até uma das fileiras perto do centro e senta-se lá

Percebo que eles guardaram o seu lugar.

Pelo visto, os mestres precisam se sentar no centro, perto da estupa, logicamente porque são os mais importantes da vila inteira.

Todos devidamente sentados, a cerimônia começa.

—Bem, antes de começarmos a cerimônia como sempre fazemos, devemos levar em conta de que temos convidados aqui que não sabem o que é canto da lua cheia. Então eu irei explicar: Canto da lua cheia é uma cerimônia mensal, realizada no 15º dia do calendário lunar. Desde a época do Príncipe, a Lua Cheia é um momento em que seus seguidores se reúnem para o canto de mantra e a meditação. Os mantras têm sido usados em práticas espirituais para focalizar e transformar energias sutis. A prática do mantra nos torna capazes de restaurar o equilíbrio e a harmonia em nossas vidas e alcançar uma qualidade de consciência que nos leva diretamente para a realização da iluminação. Mais importante que a capacidade do mantra de curar o corpo é o seu poder de curar a mente. O mantra também gentilmente abre e transforma estados emocionais, ajudando-nos a lidar com qualquer situação de uma maneira clara e direta. Todo o Darma, ou todo o ensinamento, pode ser interpretado por meio do mantra. Vamos começar! Todos dêem as mãos e fechem os olhos!—Mestre-chefe

Todos sentados em volta da estupa seguram as mãos uns dos outros e fecham os olhos.

Eu seguro as mãos do Stephen à minha esquerda e a do Mahatma á minha direita.

—Vamos começar citando o nosso mantra mais comum e o principal: Namo Amituofo, Namo Amituofo, Namo Amituofo...—Mestre-chefe canta essas palavras estranhas pronunciando-as bem devargar e agradável de se ouvir

Namo Amituofo, Namo Amituofo, Namo Amituofo...—Todos o acompanham

Todos também as falam bem devagar e bem agradável aos ouvidos.

Parece uma musiquinha bem relaxante.

É estranho, eu nunca ouvi essas palavras em minha vida, porém, depois deles as pronunciarem várias vezes, o meu cérebro conseguiu traduzir o que significa. Significa...

—Significa Glória ao Príncipe caso você esteja se perguntando.—Mahatma explica e sorri de canto para mim

Eu abro meus olhos.

Dalai e Tenzin explicam o que significa para os outros. Já que estão sentados do nosso lado.

—Tudo bem, eu consegui entender.—Respondo

—SÉRIO? COMO?—Mahatma

—É a língua cubo né? Todos os inners entendem a língua cubo.

—Mas como, se você nunca a escutou? Você nunca a escutou né?

—Inners não precisam ter aprendido a língua cubo antes para conseguir falá-la, escrevê-la ou entendê-la. A primeira vez que eu a vi, foi num livro e eu entendi tudo que estava escrito. Está no nosso sangue.

—Humm...Isso é estranho.

—Magia.—Dou de ombros

—Agora outro mantra: Om Mani Padme Hum...—Mestre-chefe

Os outros repetem.

Eles sempre pronunciam bem devagar e harmônico.

Mahatma não me traduz mais, agora que sabe que eu sei. Então, eu espero alguns segundos até meu cérebro traduzir: Louvada seja a Flor de Lótus.

Dalai e Tenzin prontamente traduzem o significado, mas Albert informa a eles a mesma coisa que eu acabei de dizer ao Mahatma e então eles param.

Depois disso, eles passam a cantar outras frases, sempre diversas vezes a mesma, de forma bem relaxante e harmônica.

Om Namah Shivaya...

Om, inclino-me perante o meu divino Ser interior.

Na terceira frase, agora que aqueles três calaram a boca, eu posso prestar atenção nas frases e começo a me sentir hipnotizada.

Eu fecho meus olhos. Eu esqueço tudo ao meu redor. Relaxo completamente.

Om Bhur Bhuvah Svah...

Nós meditamos na glória daquele Ser que criou este universo. Que Ele ilumine nossas mentes.

A meditação fica cada vez mais profunda. Me sinto mergulhando dentro de mim mesma.

Namu Myoho Renge Kyo...

Todas as leis, toda a matéria e todas as formas de vida existentes no universo.

Até que fica tão profunda, que no meio dessa, meus olhos se abrem contra a minha vontade ativados, minha pele fica negra e eu ardo em chamas negras.

Os mantras deles me fizeram chegar a forma inner.

E todos ao meu redor também.

Não sei por quanto tempo ficamos na forma inner, mas do nada, eu ouço um som de metal estridente.

“TUUUUM!”

Levo alguns segundos para conseguir “acordar” e voltar a realidade.

—Ahn?

Pisco várias vezes.

Desativo a forma inner.

Me dou conta de que aquele barulho era o sino.

Olho para os lados e percebo que todos voltaram ao normal também, como se tivessem estado em um transe.

O que será que houve?

—Nossos mantras quando recitados, tem o poder de fazer qualquer inner entrar em estado de meditação profunda, se ele se concentrar neles.—Mahatma explica

—Porque o estado de meditação profunda é atingido, isso faz todo mundo ativar a forma inner.—Dalai complementa

—Porque realizamos essa cerimônia e várias outras desde cedo, aqui as crianças chegam a forma inner muito cedo. Geralmente em torno de 6 anos. Há até aquelas que conseguem antes disso.—Tenzin

—QUEEEE? 6 ANOS JÁ CHEGAM NA FORMA INNER??? O_O

—Sim.—Ele responde como se fosse a coisa mais normal do mundo

—Quer dizer que vocês chegam a forma inner antes mesmo de aprenderem a usar o banheiro e falar? -_-

—Na verdade nós aprendemos a usar o banheiro e a falar primeiro.

—Eu sei, foi só um modo de falar.

Ele me olha estranho mais depois desencana. Dá de ombros.

Deve ter entendido que isso faz parte da minha cultura.

—Muito bem pessoal!—Mestre-chefe bate as mãos—Cerimônia encerrada! Hora do Jantar!

—Aquele foi o sino da hora do jantar. O das nove horas da noite.—Mahatma

—Graças a Deus!—Stephen diz aliviado

Mas aí eu tampo a boca dele rapidamente.

Ele arregala os olhos. Se lembrou que violou as regras.

—O que ele disse?—Mahatma

—Nada!—Dou um sorriso para disfarçar

—Eu escutei! Você está mentindo Susan!—Mahatma

Ferrou.

Stephen tira a minha mão.

—Aff, me dá um desconto! Eu tô cansado pô! Nem sei o que eu tô falando!

—Não podemos abrir exceção para ninguém da vila! Não importa quem seja! Regras são regras!—Mahatma

—Mas mahatma, você não entende! Faz parte da nossa cultura dizer essa palavra o tempo todo! Não podemos nos controlar! É força do hábito!—Explico

Ele arrregala os olhos e fica boquiaberto.

—Então...faz parte da cultura de vocês pronunciar em vão o tempo todo o nome sagrado do Grande Espírito Supremo Cósmico do Universo?

—Bem...sim.—Respondo

—E PORQUE FAZEM ISSO?—Mahatma

—Não sabemos.—Stephen

Mahatma continua nos olhando boquiabertos até que dá um suspiro.

—Eu podia perguntar também como é que nem sabem porque fazem isso, mas concluí que isso não importa. Normalmente a punição é dada no mesmo momento em que se viola as regras, mas como vocês estão cansados demais não iria adiantar. Amanhã eu direi qual vai ser a punição de vocês.—Mahatma

—M-MAS O QUE EU FIZ?—Pergunto

—Você mentiu sobre ele ter violado a regra de não pronunciar em vão o nome sagrado do Grande Espírito. Então também será punida.

Eu e Stephen ficamos chocados e engolimos em seco. O_O

—Não! Você devia puní-los agora! Regras são regras!—Tenzin

—E deixá-los sem dormir?—Mahatma

Nosso choque aumenta e nós paralisamos. O_O

—A privação do sono tornaria a punição mais eficiente, o que faria com que eles levassem a punição mais a sério e nunca mais violassem essa regra.—Tenzin

De choque, nós vamos a raiva.

Uma vontade de esganar o Tenzin brota em nós.

—Humm, de certa forma isso é verdade. Mas será que adiantaria? O sono os deixaria tão tontos que nem sequer conseguiriam falar as palavras direito.

—Isso não importa. A privação do sono é que vai os punir. Não a citação das palavras.

—Tudo bem. Vocês dois, venham comigo.

—O QUEEE??? O_O —Nós dois gritamos indignados

Após o canto da lua cheia, todos vão para os refeitórios jantar. Menos eu e Stephen.

Mahatma nos obriga a seguí-lo.

Ele vai até o mestre Tarthang.

—Preciso de duas chaves.—Ele pede

—Quais?—Tarthang

Mahatma sussurra para nós não ouvirmos.

—Para quê?—Tarthang

—Estes dois violaram regras da nossa vila e precisam ser punidos.—Ele aponta para nós atrás dele com o polegar

—Que regras?

Ele explica.

Tarthang fica surpreso.

—Mas porque ele pronunciou em vão?

—Faz parte da cultura deles. O porquê não nos interessa. Por favor me dê as chaves.—Ele estende a mão

Tarthang tira duas chaves de um bolso da sua roupa e entrega na mão dele.

—Quero essas chaves de volta pela manhã.

Depois ele sai andando e nós o seguimos.

Ele vai na frente e nós atrás.

Estamos com tanto medo que damos as mãos. Não sabemos o que vai acontecer.

Nós tentamos protestar, mas foi inútil. Mahatma só nos disse para parar e obedecer.

Mesmo assim, Stephen não queria vir de jeito nenhum, então eu o lembrei de que não podemos ter problemas com essa vila, pois precisamos dela como aliada na guerra.

Mahatma nos conduz a mais um prédio exatamente como todos os outros dessa vila.

Ele abre as portas, lá dentro está escuro, então, ele tira de um bolso da sua roupa uma caixinha de fósforos e ilumina os lampiões, conforme vamos andando.

Até que ele chega em uma porta.

Ele tira a chave de dentro de seu bolso e abre a porta.

Ilumina o lampião da sala e nós vemos o que é: Um depósito.

Aqui tem diversos tipos de itens de uso pessoal: Toalhas, sabonetes, roupas, escovas de dentes, roupas de cama etc.

Ele vai em uma prateleira e pega algumas coisas.

Daí vem até nós.

—Estendam as duas mãos.—Ele ordena

Nós fazemos isso e ele põe uma caixinha de fósforo em uma mão de cada um e na outra, ele põe um pequeno livro preto.

—Essas caixas de fósforo e esses livros sagrados agora pertencem a vocês. São pessoais e intransferíveis. Agora continuem me seguindo.—Ele sai na frente

Eu o sigo mas Stephen me puxa pelo braço.

—Eu acho que esses fósforos são para a gente atear fogo em nós mesmos até a morte e o livro para escrevermos nossas últimas palavras. —Sussurra ele para o mongezinho rígido não ouvir

Eu dou risada baixinho. Como ele é exagerado.

Seguimos o senhor chato até outro prédio.

Ele novamente tira uma chave do bolso, mas antes que abra, Stephen o interrompe:

—Porque aqui precisa de chave para tudo? Até para entrar no depósito?

—Por duas razões:Primeiro, isso evita roubos e danos as propriedades. Se alguém cometer algumas dessas coisas, nós saberemos imediatamente quem foi: A pessoa quem pediu por último a chave. No entanto, coisas assim nunca aconteceram na história inteira dessa vila. Deve ser porque ninguém quer perder a honra e ficar mal-visto por todos. A segunda é que, isso nos ensina o auto-controle. Desde crianças, os habitantes daqui ganham uma sacola de pano com todos os itens que irão precisar por tempo determinado pelos adultos. A princípio é uma semana. E elas são obrigadas a usar esses itens no tempo determinado. Se acabar antes do prazo, elas tem que pedir mais a um mestre da sanga exaltada e justificar o porquê. Se o mestre não concordar, ele não entrega a chave e a criança fica sem o que quer até o prazo acabar. Sei que pode parecer rígido para vocês, mas esse é o nosso método de auto-controle e domínio da ganância. Além disso, o tempo pode variar, pode aumentar ou diminuir dependendo de como a pessoa está se comportando. Aumentamos para punir e diminuímos para recompensar.—Mahatma

Eu e Stephen nos olhamos pasmados. Esse lugar é mais rígido do que pensávamos.

Ele abre a porta e nós entramos.

Acende os lampiões.

Quando eu vejo o que é, fico espantada: É uma sala dividida em vários cubículos. Tipo os de banheiro. Não sei o que tem dentro deles. São feitos com uma madeira mais polida que o restante da vila.

Acho isso estranho. Mas a julgar que somos inners, privacidade é algo muito importante para nós. De certa forma, aprecio essa idéia de ter um lugar privado. Seja lá para o que for.

—Bem-vindos a sala de orações. Em cada um desses espaços reservados há um cantinho pessoal para orações. Você entra em uma dessas portas, fecha, se ajoelha, acende uma vela que tem lá dentro e ora. Depois que terminar assopra a vela e vai embora. É simples. Agora eu vou determinar o que vocês tem que orar.—Mahatma

—PERAÍ, É SÓ ISSO NOSSA PUNIÇÃO? ಠ_ಠ —Stephen

—Sim. O que você pensou?—Mahatma

—ACHEI QUE SERIA ALGO MAIS SEVERO!

—Tipo o que?

—Você nos obrigar a tacar fogo em nós mesmos usando os fósforos da caixa.

Mahatma levanta uma sobrancelha. Depois se desanda a rir.

—Você tem uma grande imaginação. Porém lamento informar que nós não usamos mais técnicas de auto-mortificação desde a época de nosso fundador. Especialmente uma que mataria instantaneamente.

—Pelo menos lá do além eu aprenderia de vez a nunca mais quebrar essa regra.

Ele ri de novo, mais alto.

—Okay, mas prefiro que você aprenda a seguir as regras continuando vivo, pode ser?

—POXA CARA, VOCÊ FEZ PARECER QUE SERIA ALGO SUPER SEVERO E ASSUSTADOR! EU E A SUSAN NOS TREMEMOS TODOS! ಠ﹏ಠ

—Hehehe, me desculpe. Agora me deixe estipular o que terão de recitar. Me dá o livrinho.

Stephen dá o livro pra ele.

Ele se aproxima de um lampião para enxergar melhor.

Após folhear algumas páginas, acha o que estava procurando.

—Muito bem Stephen, você terá de repetir esse mantra uma vez—Ele mostra a página no livro apontando para a frase—e depois esse aqui embaixo quinze vezes.—Ele desce o dedo apontando—E você Susan—Ele avança algumas páginas—Terá de repetir esse mantra uma vez—Ele mostra a página apontando para a frase—e depois esse aqui embaixo trinta vezes.—Ele desce o dedo apontando.

—PORQUE A PUNIÇÃO É MAIOR PRA MIM? >:( —Grito indignada

—Porque mentir é uma violação de regra maior. Agora cumpram logo para que nós possamos jantar e depois dormir.

—Já é.—Stephen

Nós dois entramos cada um em um cubículo e fechamos a porta.

Não consigo ver nada. Procuro a vela para acender.

A encontro pois ela está em um cálice de prata, e metal brilha no escuro. Ele reflete a luz do lampião que o Mahatma acendeu. A luz entra pela fresta do chão.

Me agacho e a acendo.

Agora vejo: Aqui dentro só tem um tapete roxo e um pequeno altar preto no chão. O altar contém o cálice de prata que guarda a vela à esquerda e a estátua do dito cujo príncipe que eu já vi aqui diversas vezes no centro.

Não acredito, eu tenho que orar pra ele!

Rosno baixinho.

Não tenho escolha, tenho que fazer.

Pelo menos o tapete é macio.

Coloco a caixinha no altar à direita da estátua, pego o livro, folheio até achar a página.

Quando acho, recito a primeira frase.

Está na língua cubo.

Espero até ver a tradução em minha cabeça.

Oh Grande Espírito! Peço meu mais sincero perdão por mentir!

Recito na língua cubo.

Daí vou pra segunda frase:

Eu prometo que nunca mais vou mentir!

E a recito trinta vezes.

Terminado, fecho o livro, assopro a vela, me levanto, abro a porta, saio e a fecho novamente.

Lá fora está o Mahatma e o Stephen me esperando. Stephen obviamente terminou antes de mim.

—Você soprou a vela?—Mahatma

—Sim.—Respondo

—Ótimo, vamos comer e dormir.

—Vem cá, porque você não nos entregou a chave e foi comer?—Stephen

—Eu não posso fazer isso! Quem pediu a chave fui eu! A chave é minha responsabilidade! Não poderia tê-la entregado a outro!

—Tudo bem, vamos jantar.

Nós nos dirigimos até o refeitório no qual nós já tínhamos comido há algumas horas.

—Ué, onde vocês estavam?—Pergunta Michaella sentada na mesa comendo

—Eles estavam cumprindo a sua punição por terem quebrado as regras.—Mahatma

—Que regras?—Michaella

Ele explica para ela.

—Eu disse a vocês que se quebrassem essa regra seriam punidos. E mentir aqui também é proibido.—Mahatma

Os três ficam chocados. Não esperavam que ele fosse levar tão a sério.

—E o que você mandou eles fazerem?—Albert

—A punição só é explicada para quem viola as regras.—Mahatma

Eles ficam ainda mais chocados.

Do nada, Mahatma pega eu e Stephen pela parte de trás da gola da donka e nos puxa para longe da mesa.

—EEEHHH??? O_O O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO??? —Nós dois

—Não pensem vocês que poderão contar para eles sobre a punição quando eu não estiver presente. Vocês não podem. São as regras.—Mahatma

—O-kay...—Nós dois

Ele anda em direção a mesa e senta com os seus amigos.

Nós sentamos e jantamos juntos com o pessoal.

O jantar é sopa cremosa de espinafre. Ela é servida com pedaços de cebolinha no topo e torradas. Ela contém pedaçinhos de espinafre.

Depois disso, vamos para o dormitório. Mahatma leva nós cinco. Dalai e Tenzin foram para o dormitório deles.

—Vem cá, vocês sabem qual é o dormitório de vocês?—Mahatma

—Você não sabe?—Stephen

—Não, quem guiou vocês até lá não fui eu! Foi o mestre Suddhodana!

—Ótimo. Nós não sabemos.—Eu

—Pra que direção ele levou vocês? Ao menos isso sabem?

—Lembro que era perto do refeitório.—Albert

—Ah, eu sei qual é. É o dormitório dos jovens da primeira ordem. Só que aquele dormitório é masculino. Vocês dormiram todos lá ou só os meninos?

—Dormimos todos lá.—Michaella

—Humm...Deduzo que ele tenha pensado que vocês estavam muito cansados e então os deixou dormirem todos no mesmo lugar, para não ter que levá-los de novo a outro dormitório e separá-los. Porém aqui isso é proibido. Os dormitórios são separados por gênero e por idade. Já que é o segundo dia de vocês aqui, terão agora que dormir nos dormitórios certos. Preciso perguntar: Qual é a idade de vocês?

—Quinze.—Eu, Stephen, Laurie e Albert respondemos

—Dezessete.—Michaella

—Ótimo. Vocês todos irão ficar no dormitório C da primeira ordem. As meninas no feminino e os meninos no masculino.

Michaella bate palmas.

—Ótimo! Agora você não vai mais roubar a minha cama Stephen! Cada um tem a sua! :D

—Se eu fosse você, não comemorava tão cedo irmãzinha.—Stephen dá um sorriso sacana

Ela empurra ele de raiva.

—Porque vocês têm dormitórios aqui? Porque cada um não tem a sua casa?—Eu pergunto

—Os únicos que tem uma casa só para si é o mestre-chefe e o oráculo. Demais não são permitidos a terem uma casa própria. Devem dividir com a comunidade.—Mahatma

—Porque?

—São as regras.

Ele nos leva até o dormitório C, que são dois prédios pretos com os detalhes da fachada pintados em azul. O C também é pintado de azul. Primeiro ele deixa os meninos no deles. Que é o mesmo dormitório que todos dormimos antes.

Depois ele deixa nós meninas no nosso, que fica à direita do masculino. Um pouco perto.

Ele bate na porta.

Alguém remove uma tábua de madeira de uma viseira na porta.

Fico surpresa. Pra que isso?

Os olhos de alguém aparecem na visera.

—Senha?—Alguém pergunta

Pela voz, vejo que é uma menina.

—Eu não sei é claro, sou um menino. Mas você pode informar a elas, que são meninas e deixá-las entrar. Tchau.—Ele vai embora

Os olhos dela acompanham ele ir embora.

Daí ela olha pra gente.

—A senha é flor de fogo.—Ela sussurra

Humm, até que foram criativas.

Ela nos deixa entrar e mostra nossas camas.

Eu e Laurie ficamos no segundo andar e conseguimos ficar no mesmo beliche.

A Michaella fica no terceiro andar.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...