1. Spirit Fanfics >
  2. Overcome >
  3. Capítulo 1

História Overcome - Capítulo 2


Escrita por: Nath_Kim e MoraHye

Notas do Autor


FELIZ PÁSCOA PESSOAAAAL! Desejo tudo de bom nesse dia do chocolate!

Venho aqui, neste domingo de Páscoa, dar o meu presente à vocês!

Nath, tem algo a dizer?

Nath: Eu desejo uma feliz Páscoa!! E aconselho deixar os lencinhos preparados...

... Realmente, bem lembrado, deixem os lencinhos preparados gente.

Enfim, espero que gostem e nos vemos lá embaixo! Bjos!

Capítulo 2 - Capítulo 1


Fanfic / Fanfiction Overcome - Capítulo 2 - Capítulo 1

CAPÍTULO I

Seguir em frente e recomeçar

 

Seguir em frente é fácil… O difícil mesmo é tudo aquilo que deixamos para trás.

Clarice Lispector.

 

Outubro de 2020, Seul, Coréia do Sul

Clínica Huimang-ui Jeongsin, primeira consulta.

 

— Bom dia, por favor, entre. — O senhor não muito velho disse com um leve e simpático sorriso, dando passagem para a mulher entrar.

A mulher entrou com seu salto alto fazendo barulho e então sentou-se em um sofá que ali tinha.

— Bom dia Doutor Lee, como está? — Cumprimentou o homem de maneira cordial.

O homem – Doutor Lee – sentou-se de frente para ela em uma poltrona.

— Por favor, me chame de Seungmin, sabe que dispenso formalidades. — Deu um leve sorriso. — Eu vou bem, e a senhorita?

— Apesar de estar aqui contra a minha vontade, estou ótima. — Ela deu um sorriso polido, mascarando seu desgosto em estar ali com a boa educação que lhe deram.

— Não entendo, se a senhorita marcou a consulta, por que não gostaria de estar aqui? — Ele questionou analítico. Naquele momento a consulta havia começado, pensou a mulher.

Veja bem Seungmin. — A morena cruzou as pernas entrelaçando as mãos no joelho. — Eu apenas decidi voltar a me consultar com você por livre e espontânea pressão da minha melhor amiga. — Ela sorriu cínica, ainda sentindo uma leve raiva da melhor amiga se apossar de seu peito.

— E o que Wook teria a ver com essa iniciativa?

A mulher suspirou. — Ela acha que preciso de alguma ajuda, que estou usando o trabalho para encobrir minha dor e blá, blá, blá. — Revirou os olhos. — Mas eu estou perfeitamente bem, não preciso de ajuda nenhuma, tudo já foi muito bem resolvido anos atrás com o senhor. E Wook sabe que apenas me esforço no trabalho pois eu tenho que me esforçar mais do que os outros.

— Se acha que não precisa de ajuda, então por que está aqui? — Ele olhou-a atento.

— Já disse Lee, estou aqui por Wook.

— Não. — Ele balançou a cabeça em negativa. — Você é uma mulher decidida Yoona. — Ele afirmou. — Não se importa com o que as pessoas pensam sobre você, nunca se importou. E tampouco deixa as pessoas te dizerem o que deve ou não fazer, você não faz o tipo que se importa com a opinião dos outros sobre si. Então por que agora seria diferente?

— A opinião de Wook é importante para mim. Ela é minha melhor amiga, minha família, sabe que faço tudo por ela.

— Ninguém faz algo desse nível para outra pessoa, sem ser para si mesmo. — Ele deu um sorrisinho e Yoona permaneceu quieta. — Veja bem Yoona, você me diz que veio buscar ajuda apenas por causa de Wook, mas não acha que algo dentro de você tenha te feito tomar essa iniciativa? Que apenas tenha usado Wook como meio para um fim?

— Você está querendo me dizer que apenas usei Wook como desculpa para vir até aqui buscar ajuda?

— Não sei. Estou? — Ele rebateu soltando uma risadinha. Yoona revirou os olhos achando aquilo um tanto patético. — A questão aqui Yoona, é que talvez você precise de ajuda, só não admitiu isso para si mesma ainda, então aproveitou o empurrãozinho da Wook.

— Isso é ridículo. — Constatou. — Eu não preciso de ajuda Seungmin, estou perfeitamente bem. Já tive toda a ajuda que eu precisava ter anos atrás e isso me tornou a mulher forte que eu sou hoje em dia. Não tenho mais nenhuma questão mal resolvida. Além da minha visão, claro, mas com isso eu já me acostumei. — Ela se encostou nas costas do sofá.

— Yoona — Doutor Lee se ajeitou na poltrona. —, quando se consultou aqui, anos atrás, eu te ajudei a se tornar na mulher forte que é hoje, sua melhor versão de si mesma como diz, mas sabe que só fiz isso porque era o que você queria naquela época. Você precisava ser forte para lidar com tudo o que estava acontecendo em sua vida, e te ajudei nisso. Mas Yoona — Ele olhou-a nos olhos. —, como você pode ser uma mulher forte se nunca enfrentou suas fraquezas?

— Eu não tenho fraquezas. — Disse de forma rude.

— Todos têm fraquezas Yoona. Até mesmo a tão forte e imbatível Min Yoona tem. — A morena desviou o olhar focando na prateleira que tinha ali, sem esboçar nenhuma reação. — Principalmente depois de tudo o que você passou. Já faz doze anos Yoona. — Ela o olhou novamente, uma expressão dura e fria em sua face.

— E por já terem se passado doze anos eu já superei tudo o que tinha para ser superado, Doutor Lee. — Disse de modo seco, não gostava do rumo que aquela conversa estava tomando e já estava ficando irritada com aquilo.

— Superou? — Lee repetiu. — Porque me lembro bem de você ter me dito um dia que não tinha como superar a morte de pessoas que você sequer se lembra. Que não tem como superar uma perda por alguém que não sentia nada.

A Min cerrou os pulsos, irritada. Entretanto, forçando um sorriso, ela se conteve.

— Pois é Doutor Lee, eu não tenho absolutamente nada para superar e por este motivo eu não preciso de ajuda. Já posso dizer para minha melhor amiga que ela estava completamente errada sobre isso, muito obrigada doutor. — Sua fala saiu carregada de um venenoso sarcasmo. — Já posso ir embora? Tenho um almoço com meu advogado ainda.

Lee Seungmin a olhou com um pouco de pena. Conhecia Min Yoona desde que a mesma tinha dezessete anos e ele fora o psicólogo designado para tratá-la. Na época, Yoona havia acabado de perder os pais e irmão gêmeo em um acidente de avião e ela estava extremamente confusa sobre tudo; não se lembrava de absolutamente nada e nem ninguém e tampouco se lembrava de quem era. Sentia, como ela bem falava, que Min Yoojin havia falecido naquele acidente de avião junto de sua família e, na época, queria ela apenas se reencontrar e descobrir um novo jeito de ser ela mesma. E Seungmin foi quem a ajudou a se tornar a mulher que ela era hoje em dia: Min Yoona. O psicólogo só não contava que a mulher que ali estava em sua frente, se tornaria alguém tão fria por conta de tantas perdas e assuntos passados não resolvidos. Era algo um tanto quanto triste de se ver.

— Claro, pode ir. Se quiser pode deixar uma segunda consulta marcada com a secretaria Do, ela me avisará. — Ofereceu solidário. No fundo, apenas queria ajudar aquela mulher que, para si, ainda era apenas uma garotinha perdida na própria mente sem saber em que direção seguir.

— Está bem. – A morena se levantou do sofá e abriu a própria bolsa, tirando de lá a bengala que usava como auxílio. — Se precisar marcarei uma segunda consulta o que acredito que não será necessário. Mas enfim, obrigada pelo seu tempo e desculpe desperdiçá-lo, até mais Doutor Lee. — Ela se despediu e então saiu da sala do consultório, tão imponente quanto entrou.

— Até mais… Yoojin.

 

 

Ao chegar no restaurante que Min Yoona marcou de encontrar com seu advogado, Kim Namjoon, ela parou na porta, procurando o Kim com o olhar atentamente. Por sorte, o advogado acenava para ela, o que facilitou em sua busca.

— Me atrasei? — A Min questionou ao sentar-se na cadeira de frente para o acinzentado enquanto colocava o guardanapo no colo.

— Não, acabei de chegar. Como está? — Namjoon respondeu-a com um leve sorriso.

— Acabei de voltar do psicólogo, estou de mau humor. — Namjoon franziu as sobrancelhas.

— Psicólogo? Por que foi ao psicólogo? — Questionou confuso.

Um garçom veio anotar os pedidos e assim eles fizeram cada um o seu pedido.

— Wook meteu na cabeça que eu me afogo no meu trabalho e disse que eu deveria pedir ajuda, então, bem, fui me tratar. — Yoona sorriu cínica e bebeu um gole do vinho que Namjoon havia pedido assim que chegou. — O que foi uma completa perda de tempo pois eu não tenho nada para tratar.

— Wook tem razão, sabe. — A comida dos dois chegou. — Você realmente se foca muito no trabalho Yoona, tudo na sua vida é relacionado ao trabalho, você praticamente não vive a própria vida desde que Seok-

— Não diga esse nome na minha frente novamente se quiser manter seu emprego Kim Namjoon. — A morena o cortou afiada. — E a morte dele não tem absolutamente nada a ver com isso, eu já superei e segui em frente, não tem porque ficarmos remoendo o passado, afinal o passado está no passado e nós vivemos no presente. — Ela comeu um pedaço de seu bife grelhado com arroz. — E você sabe perfeitamente bem o porquê de eu me esforçar tanto no meu trabalho, sabe que não tenho as mesmas condições que as outras pessoas e que me cobram por causa disso, principalmente comigo estando no patamar em que estou. Então por favor, não vamos mais conversar sobre isso, já estou irritada o suficiente para o dia de hoje. — Encerrou o assunto de forma seca.

— Claro. — Namjoon decidiu apenas assentir, sabia bem como era a amiga e pelos problemas que ela passava.

— Conseguiu chegar a um acordo com o advogado da Shin? — Yoona mudou de assunto, se referindo ao assunto que queria tratar com o Kim desde que marcaram o encontro.

— Sim, ele concordou com o acordo que você propôs de dar uma quantia do que seria o próximo ano de pagamento dela para que ela ficasse quieta e sumisse da tua vida. — Namjoon voltou a seriedade que sempre ficava quando tratava de assuntos relacionados à trabalho.

— Ótimo, menos um problema na minha vida para resolver. — Ela tomou mais um gole de vinho. — Agora eu só preciso anunciar publicamente a vaga de emprego aberta. Irei começar as entrevistas eu mesma na segunda-feira, já falei com o RH sobre isso. Preciso de um novo secretário o mais rápido possível e irei eu mesma avaliá-los para que eu não tenha nenhum problema no futuro como este. — Disse lembrando-se da dor de cabeça que lhe foi causada por causa dos problemas que sua última secretária causou. Nunca mais deixaria nas mãos do RH contratar seus secretários.

— Falando nisso — Namjoon começou em um tom informal e amigável. —, Yoona, preciso dum favor seu. Como amigo não como advogado.

Yoona o olhou sem toda a seriedade de outrora. — Claro, do que precisa? — Deu mais uma garfada na comida.

— Meu irmão mais novo foi despedido semana passada do café em que trabalhava e está procurando emprego. Sei que ele não tem o ensino superior completo, mas ele poderia ir na sua entrevista de emprego? — Pediu.

A mulher terminou de comer e então colocou os talheres sobre o prato.

— Qual é mesmo o nome do seu irmão? — Indagou enquanto tornava a beber o vinho em sua taça.

— Taehyung. Kim Taehyung.

— Kim Taehyung? — Ela testou o nome em seus lábios enquanto remexia o líquido na taça, pensativa.

— Se lembra dele? — Namjoon questionou, uma pitada de esperança brilhando em seus olhos.

Yoona o olhou diretamente nos olhos. — Claro, lembro de você me contando o que aconteceu com ele após… — O brilho de esperança nos olhos de Namjoon desapareceu e seus olhos tornaram-se tristes. — Bem, de qualquer jeito, pode dizê-lo sobre a entrevista de emprego. Diga-o para entrar no site oficial da empresa de noite, até lá já deve ter saído o anúncio da vaga aberta.

— Claro, obrigado. — Namjoon sorriu agradecido.

— Mas não o dê falsas esperanças sobre conseguir o emprego Namjoon, eu irei entrevistá-lo como irei entrevistar todos os outros candidatos. Se ele quiser esse emprego terá que se esforçar para isso. — Seu tom era sério apesar de olhar para o amigo com um sorriso complacente.

Namjoon retribuiu o sorriso dela. — Eu sei não se preocupe com isso. — Garantiu. — Mesmo assim, obrigado por dar a ele essa oportunidade, não são todos que aceitam entrevistar pessoas que não têm o ensino superior completo. Principalmente empresários.

— Bem, eu não sou todos os empresários. — A mais velha brincou dando um sorriso divertido.

Namjoon riu. — Ainda bem. — Comentou e ambos riram espantando qualquer clima sério que ali habitasse anteriormente. 

 

 

Outubro de 2020, Seul, Coréia do Sul

Clínica Huimang-ui Jeongsin, trigésima sexta consulta.

 

— Boa tarde, por favor, entre. — O senhor diz, dando passagem para o homem que já era conhecido por si, entrar.

Ele entrou em silêncio, cumprimentando o doutor com um aceno leve de cabeça. Então se sentou no sofá confortável que ali tinha, vendo o profissional sentar-se à sua frente numa poltrona.

— Como está se sentindo hoje?

— Hum... — Resmungou ele. 

Sua expressão estava completamente desanimada e triste. O Dr. Lee Seungmin acompanha aquele paciente a tempo suficiente para saber que ele está tendo uma recaída drástica. Até ver a expressão no rosto dele, estava mais do que animado com a impressionante recuperação que ele demonstrava ter. Mas agora, estando ali, o que suspeitava estava acontecendo. Era normal em seu trabalho que alguns pacientes depressivos começassem a ter uma melhora significativa e logo em seguida ter uma forte recaída. Com Kim Taehyung, depois de tudo o que lhe aconteceu, não seria diferente.

O doutor sorriu simpático ao homem que olhava para o chão, com os pensamentos voando longe.

— Me diga, Taehyung, hoje você está “Hum"?

O rapaz o olhou franzindo as sobrancelhas ao ver o sorriso simpático no rosto do Dr. Lee.

— Eu não tenho me sentido bem ultimamente. — Confessou sem rodeios. De um jeito ou de outro Seungmin lhe arrancaria essa informação, então por que não contar de uma vez? 

— Sério? Por que, o que aconteceu? — O doutor analisou-o atentamente.

Taehyung encolheu os ombros. — Não me sinto digno de continuar aqui depois do que fiz. — Seu olhar estava mais perturbado que de costume ao afirmar aquela sentença. — Eu me sinto uma pessoa horrível, Doutor Seungmin. O que eu fiz não merece perdão, eu nunca vou perdoar! — Exclamou com dor na voz e então se recostou no sofá com as mãos no rosto.

Durante um ano ele foi ao psicólogo para tentar voltar a ser quem ele era depois de tudo o que aconteceu. Mas ele não tinha mais Jin ao seu lado; não tinha mais o pilar que lhe mantinha de pé. Sem ele ali era como estar sem chão, era como tentar manter-se resistente contra as ondas revoltas do mar durante uma tempestade.

Doía como uma ferida aberta e infeccionada.

E a culpa pela morte de seu progenitor lhe corroendo dia após dia... Pra ele, quem deveria estar vivo era Seokjin e não ele. Afinal o que de bom ele fez desde a morte do seu irmão a não ser trazer a tristeza profunda para aqueles que estão ao seu redor? Ele não queria viver mais, achava injusto Jin ir e ele ficar.

O doutor se ajeitou na poltrona, pensado no que falar. Escolhendo as palavras certas. Por fim sorriu compreensivo. Taehyung tirou as mãos do rosto, as lágrimas escorriam pelo seu rosto num lamento sem som. Já havia se acostumado a chorar assim; foram inúmeras as noites em que passou chorando sozinho, teve de aprender a chorar calado. 

— Taehyung, você precisa superar isso. Precisa se reerguer, e pra isso precisa usar seu passado de apoio. — Disse num tom afável e compreensivo, tentando acalmar o mais novo.

— Eu tentei Seungmin! Estou tentando, mas está tão difícil! — Exclamou com um forte pesar e então olhou Seungmin diretamente nos olhos.

Os olhos do paciente e do doutor agora estavam conectados. Dr. Lee Seungmin era capaz de enxergar tudo naqueles olhos extremamente expressivos, até mesmo a alma de Kim Taehyung e, o analisando bem, percebia que Taehyung estava na ponta do precipício novamente.

Já Taehyung sentia-se cada vez mais afundado naquela escuridão sem fim que era a depressão. Ele tentou tantas vezes fugir dela. Tantas vezes. Pensou que havia conseguido encontrar uma saída.

Mas não encontrou.

Era sempre assim, ela sempre voltava e a cada vez que dava as caras estava mais potente. Ele apenas queria sair dessa situação, isso não é pedir demais, certo?

Ele ainda tem esperança de que dias melhores virão. Nem que demore dias e noites, nem que ele tenha dificuldade de enfrentar seus demônios internos e nem que seu coração se quebre em mais mil pedaços feito vidro, ele tem esperança de que tudo vai valer à pena. Que um dia voltará a sorrir como sorria antes. Que um dia olhará para trás e sorrirá, com a consciência e o coração leve. Que um dia ele vai olhar para o seu passado e poder falar: “Eu consegui superar”. 

Taehyung... — O Kim o olhou, mas seus pensamentos estavam longe, sentia sua mente o tragar para lembranças distantes.

 

A criança estava encolhida no canto de sua cama abraçado com sua raposa de pelúcia, enquanto ouvia o pai gritar com sua mãe do outro lado da porta. Ela os havia deixado no quarto, pediu para que não saíssem, então ouviram os sons de tapa.

Taehyung estava assustado e seus irmãos mais velhos estavam na mesma situação que ele.

Seokjin olhou para os irmãos mais novos, precisava ser forte por eles. Puxou Namjoon até o outro garoto e se sentou entre eles na cama do mais novo dos três.

— Vocês dois querem ser o que quando crescerem? — Puxou assunto tentando distraí-los com uma conversa aleatória.

— Eu quero ser advogado! Vou defender e proteger a todos que precisarem da minha ajuda! — O pequeno Namjoon falou com convicção, seus olhinhos brilhando.

Mas logo uma expressão confusa surgiu em seu rosto, ele ficou triste de repente. Seokjin estranhou aquilo.

— O que foi Nam?

— Você acha que eu vou conseguir hyung? — Namjoon olhou acanhado para o irmão mais velho.

— Mas é claro! — Seokjin exclamou convicto esboçando um sorriso largo. — Você pode ser o que você quiser ser, basta se esforçar. Tenho certeza que será um ótimo advogado. — Olhou para o irmão mais novo. — E você Tae?

O menino pensou por um tempo antes de abrir um sorrisinho quadrado que, faltando os dois dentinhos da frente, deixava uma adorável janelinha. 

— Quero ser ator! Pra alegrar o dia das pessoas! — Exclamou animado, todo o medo que sentia se esvaindo com aquela conversa leve.

Seokjin passou os braços por cima dos ombros de cada um, bagunçando os cabelos deles. Um sorriso orgulhoso pelas respostas de cada um pintando seus lábios cheios.

 — Vou estar ao lado de vocês pra sempre, vou ver vocês vencendo e se tornando um grande advogado e um grande ator! — Afirmou com convicção no olhar. 

— Hyung, você promete que nunca vai nos deixar? — Taehyung perguntou inseguro, Namjoon também tinha essa dúvida também.

Seokjin sorriu.

— Eu prometo.

 

— Superar não é esquecer Taehyung, e- — Foi interrompido pela frase que seu paciente soltou.

— Você prometeu hyung…

— O que? Quem prometeu o que Taehyung? — Perguntou se preocupando ainda mais com seu paciente. O Kim o olhava, mas não parecia lhe enxergar.

As mãos de Taehyung foram novamente para o próprio rosto, um soluço dolorido lhe escapou.

— Prometeu que não me deixaria! — Exclamou lamentoso.

— Taehyung? — Seungmin o chamou mais uma vez.

— Você quebrou nossa promessa! Você me deixou... — Seungmin se levantou e foi pegar um copo com água para ele ao ver seu estado disperso.

Voltou para perto de Taehyung já com um copo de plástico cheio. Ele balançava a cabeça e mexia a perna esquerda ainda murmurando coisas desconexas. Dr. Lee colocou a mão esquerda no ombro do rapaz que se assustou e se afastou, enxergando seu doutor somente agora. O rosto estava vermelho e úmido, sua respiração estava pesada e acelerada.

Seungmin lhe estendeu o copo d’água, sorrindo, seu olhar era enigmático. Não parecia ter pena ali e Taehyung preferia assim, não queria ninguém o olhando com pena, esse olhar definitivamente não é bom.

— Beba, vai te ajudar. — Ele sorriu calmo indicando o copo.

Taehyung pegou o copo e assim ele o fez, tomando todo o conteúdo calmamente.

— Respire fundo. — Taehyung seguiu as instruções, se acalmando aos poucos.

Alguns minutos depois, com Taehyung já mais calmo, Lee Seungmin olhou seu relógio de pulso de prata e constatou pelo horário que a sessão já havia se encerrado.

— Por hoje é só, passe na secretaria Do, para marcar a próxima consulta. Tente ocupar sua mente com outras coisas, atividades extras podem te ajudar. E descanse Taehyung. — Ele olhou preocupado para o Kim.

Taehyung secou as lágrimas com a manga da blusa e fungou assentindo com a cabeça. Os dois se levantaram e Seungmin foi com Taehyung até a porta.

— Até mais Taehyung-ssi. — O terapeuta despediu-se com um leve sorriso do paciente.

O Kim, entretanto, não respondeu, apenas saiu da sala em silêncio. Andou até a recepção e foi até a secretária Do Shin Dok que lhe olhava com um sorriso simpático.

— Mesmo dia e horário na semana que vem? – Ela perguntou ao Kim oferecendo um dos vários bombons que ali tinham disponíveis para os pacientes. Um chocolate sempre ia bem para espantar a tristeza.

Taehyung aceitou o doce de bom grado e afirmou que sim com a cabeça, ainda atordoado demais para falar. Shin Dok sorriu docemente, compreensiva. Conhecia o Kim há tempo suficiente para saber como ele era, então não se importou com a falta de resposta.

— Tudo certo. Como você já pagou antes de iniciar a consulta, já pode ir tranquilo. Qualquer coisa se precisar remarcar, é só ligar. — Deu mais um de seus sorrisos simpáticos como sempre fazia. Taehyung concordou com a cabeça novamente e já ia se virando para sair, entretanto, ela o chamou. — E Taehyung-ah! — Ele olhou-a atentamente. Do Shin Dok abriu um sorriso caloroso para si. — Não se preocupe, tal como a felicidade, a tristeza também há de passar. Então não se preocupe, cedo ou tarde tudo vai se ajeitar de novo e as coisas voltarão a ficar bem novamente. Nada é ruim para sempre. Isso se chama regressão à média e significa que não importa se as coisas estão muito boas ou ruins, mas tudo sempre volta a ficar equilibrado, num meio termo. Então não se preocupe. — Ela o olhou confiante.

Taehyung deu um mínimo sorriso. Sabia que a secretária não tinha o poder de saber se as coisas iriam ou não ficar boas para si, mas mesmo assim Taehyung sorriu com o otimismo da garota. Às vezes, tudo o que precisamos é ouvir que as coisas ficariam bem e, naquele momento, Taehyung sentia que precisava ouvir aquelas palavras.

— Obrigado Shin Dok. — A voz grossa e rouca agradeceu a mulher com sinceridade. Ela sorriu satisfeita ao ver que suas palavras tiveram algum impacto no Kim.

Taehyung então foi-se embora para casa novamente.

 

 

Outubro de 2020, Seul, Coréia do Sul

Mansão Min.

 

— E aí, como foi no psicólogo? — Foi a primeira coisa que Park Wook disse assim que avistou a melhor amiga, Min Yoona, entrar na enorme sala da mansão.

Yoona largou sua bolsa em uma das poltronas e fez carinho em seus cachorros que estavam deitados ali no tapete. Tirou o blazer que usava e desabotoou dois botões de sua camisa social, logo se sentando em outra poltrona.

— Foi um saco, doutor Lee Seungmin me irritou e eu passei o resto do dia de mau humor. Não irei à outra consulta. — Decretou enquanto acariciava os pelos sedosos de Chimmy, seu cão-guia que havia deitado a cabeça em seu colo.

Wook se inclinou no sofá. — O que?! — Exclamou desacreditada. — Yoona, não! Você prometeu que voltaria a se tratar com Seungmin, por que vai dar para trás logo agora? — Questionou desapontada com a melhor amiga.

Yoona olhou-a com seriedade. — Wook eu estou ótima, não preciso de tratamento.

— Mas Yoonnie... — Os olhos dela miraram Yoona com preocupação.

— Sem Yoonnie Park Wook. — A mulher cortou a outra. — Eu estou ótima, não preciso de ajuda nenhuma. — Yoona se levantou da poltrona e pegou suas coisas. — Agora, se me der licença, irei tomar um banho. Tive um dia estressante no trabalho por causa da falta de secretária e só preciso relaxar agora antes de jantar. — Ela se direcionou para as escadas.

— Claro... — Wook murmurou enquanto a amiga sumia na enorme escadaria.

Seus olhos tornaram-se baixos e ela acariciou os pelos de Lion, seu Chow-Chow. Conhecia perfeitamente bem Min Yoona, o suficiente para saber que sim, ela precisava de ajuda. Ela conhecia Yoona desde antes de ela se tornar Yoona e, mesmo que a mais velha afirmasse que era diferente de antes, a sua essência continuava a mesma. E Wook sabia perfeitamente bem que, por trás de toda aquela frieza congelante, Yoona guardava uma enorme dor não descoberta.

Todavia, sabia que, depois de presenciar tantos traumas, era difícil para ela admitir toda aquela dor, seja para os outros ou para si mesma. Yoona não queria a cima de tudo, sentir-se fraca e vulnerável, então tentava ser forte. Mas ser forte demais não fazia bem para ela, e Wook só queria apenas mostrar para a Min que tudo bem ser um pouco fraca às vezes. Que tudo bem chorar e desmoronar, aquilo fazia bem; aliviava a alma. Mas Yoona não a escutava, era teimosa. Ela preferia trancar-se dentro de si mesma em vez de pedir ajuda e isso deixava Wook muito triste. Ela só queria ajudar a melhor amiga a superar todas as suas dores afinal, e se sentia impotente por sempre dar tiros no escuro e nunca conseguir.

— Ah Lion, o que eu faço? — Perguntou para seu cachorro, seu pequeno leão de estimação, como se todas as respostas para seus problemas estivessem no animal de pelo caramelado. Lion, entretanto, não a respondeu.

 

 

Outubro de 2020, Seul, Coréia do Sul

Apartamento de Kim Taehyung e Park Jimin.

 

Kim Taehyung estava deitado no sofá da sala do apartamento que dividia com seu melhor amigo Park Jimin – este que estava na cozinha cozinhando o jantar dos dois –, enquanto rolava a tela do notebook de maneira entediante. Procurava, em sites de lojas e empresas, ofertas de emprego para mandar seu currículo, já que havia perdido o emprego de meio período na cafeteria em que trabalhava. Porém, já estava a um passo de desistir de procurar uma vaga de emprego, visto que não achava nenhuma que aceitasse pessoas que não possuíam o ensino superior completo. Já estava quase fechando as guias que havia aberto para poder colocar a Netflix quando ouviu seu celular vibrar na mesinha de centro na frente do sofá.

Sem sequer ver quem deveria estar lhe ligando, Taehyung pegou o celular e colocou na orelha, atendendo;

— Alô? — Sua voz soou sem animação.

Taehyung? — A voz de Kim Namjoon, seu irmão mais velho, soou do outro lado. — Tudo bem? — Indagou preocupado do outro lado ao ouvir o tom do irmão.

— Oi hyung, tudo sim. E você? — Mentiu. E Namjoon percebeu isso, era nítido em sua voz que o outro não estava bem. Entretanto, pensando que sua desanimação se dava devido à perda do emprego, Namjoon decidiu ignorar. Tinha a plena certeza que quando dissesse o que queria dizer, o Kim mais novo se animaria.

— Taehyung-ah! Conheço a presidente de uma empresa de tecnologia que está buscando um secretário ou secretária para preencher a vaga que ficou recentemente livre. Ela precisa de um secretário o mais rápido possível e disse que iria aceitar pessoas que não tinham o ensino superior completo. O que tu acha de tentar a vaga? — Ele disse ansioso.

Ao ouvir aquilo Taehyung logo se sentou no sofá afobado.

— O que?! É sério isso hyung?! — Exclamou surpreso.

— Sim! Para se inscrever para a entrevista é só acessar o site da empresa. É a Moon TEC, sabe? Lá deve ter todas as instruções da vaga e etc.

Taehyung arregalou os olhos ao se lembrar vagamente da empresa. Aquela era uma das maiores empresas do país e, certamente, a CEO daquela empresa, Min Yoona, era uma das mulheres mais influentes e poderosas do meio em que trabalhava.

— Vou acessar o site agora mesmo! Muito obrigado hyung, você salvou o meu dia! — Taehyung exclamou completamente animado. Sentia suas energias e forças se renovando apenas com aquela notícia que existia uma vaga de emprego que ele poderia competir. E ele daria seu 200% para conseguir a vaga.

Namjoon e ele se despediram e Taehyung foi saltitando para a cozinha, onde abraçou Jimin apertado por trás.

— Wow, que animação toda é essa? — O baixinho riu surpreso pelo abraço. — O que aconteceu para deixá-lo tão feliz de repente? Você estava bem pra baixo quando cheguei. — Comentou sem parar de mexer o molho que colocaria na massa carbonara que estava preparando.

— Namjoon hyung me falou de uma vaga de emprego que aceita pessoas que não têm o ensino superior completo, Jimin-ah!

Jimin parou de mexer o molho imediatamente ao ouvir aquilo.

— Que notícia maravilhosa Tae! — Ele abraçou apertado o mais novo. Estava muito feliz pelo melhor amigo. — E onde é o emprego? — Questionou curioso voltando a mexer no molho e a cuidar na massa.

— Nam hyung disse que era na empresa Moon TEC, aquela de tecnologia, sabe? — Ele começou a arrumar a mesa para poderem jantar. — Parece que abriu uma vaga para secretário pelo que ele falou, não sei bem. Vou olhar o anúncio da vaga no site da empresa depois.

— A-ah, é? Hm, legal. — Jimin gaguejou sem jeito. O mais baixo sentiu todos seus músculos se tencionarem ao escutar o nome da empresa. Ele sabia bem que empresa era aquela e mais, sabia quem era a presidente da empresa.

— Jimin? O que foi? — Ele estranhou o comportamento do amigo.

— Nada. — Ele desligou o fogo da massa, tirou ela da água e colocou o molho, logo levando a panela para a mesa. — Vamos comer! — Falou um tanto nervoso.

Talvez Taehyung não se lembrasse depois de tantos anos e depois de passar por tanta coisa, mas ele também sabia quem era a presidente da Moon TEC. Jimin só esperava que isso não se tornasse um problema ou que impedisse o Kim de conseguir aquele emprego que ele tanto precisava.




Notas Finais


E finalmente a história vai começar a andar pra frente!

O que acharam meus amores?

Nós esperamos q vcs tenham gostado ^^

É isso! Beijos, e até a próxima! Bom domingo! 💞


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...