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História Overflow - Capítulo 8


Escrita por: e cowboybebop


Notas do Autor


Bom, galera. Nem era pra eu ter ressuscitado essa fic. O que eu posso dizer mais? Não tem termos certos pra me expressar a respeito. Não tinha nada programado.

Talvez tivesse. Mas não vem ao caso.

Então bom, pra começo, Overflow me traz uma sensação muito grande de exposição severa, sabem? Mais até do que em qualquer outra fic do gênero que tentei fazer. E olha que foram MUITAS. Frequência é um caso a parte, pois problemas mais complexos ferrados e singulares (psicológicos e etc kkkk), além de ter o ship que eu mais amo no mundo. E acho que aos poucos eu espero trazer essa verdade de mim à tona, mesmo que seja intenso demais pra eu conseguir formular sequências de palavras exatas pra me expressar. EU TO TENTANDO VIRAM? NÃO DESISTAM DE MIM, POR FAVOR????

TÁ, AGORA VOLTANDO AO FOCO. Overflow também me expõe. Só que no caso dela aqui, a Exposição que me refiro de mim é nada mais nada menos sobre uma bagunça organizada de tudo aquilo que sinto quando eu tô amando alguém. Uma idealização de vida calma que eu não tenho também, mas acima de tudo, o amor. Sabe aqueles sentimentos malucos quando você olha pra pessoa que você ama e simplesmente não entende como pode se sentir infinito? Meio que uma ultrapassagem de velocidade, que é muito mais difícil de considerar palpável. Muito mais do que uma coisa física. E essa fic retrata muito isso, pelo menos ao meu ver. Sentimentos que você descobre na adolescência pra vida jovem adulta, ou sei lá, qualquer idade. Um sentimento de tempestade numa maré calma, uma coisa pura que você que nem é lá tão puro assim imaginou que podia sentir.

Isso é Overflow pra mim.

E não era pra eu ter voltado pra ela por outros motivos também, mas não valem a pena colocar aqui, talvez porque nem todo mundo entenderia direito. E eu não queria estragar esse momento importante de comemoração pois GUESS WHO VAI CONSEGUIR TERMINAR UMA FANFIC QUE NAO SEJA ONE SHOT???? SJEKSBDKSBDKSD

Sobre o cap agora: estou mais uma vez dividindo o cap. E sim, todos os acontecimentos de 24 são no mesmo dia. E por que isso? Pois acho que isso me traz uma liberdade maior de separar as pautas da agitação e desenvolver as coisas melhor. Dar essa oportunidade pra vocês entenderem tambem os personagens que rodeiam o Katsuki e enfim. Espero que gostem dele, pois traz mais algumas respostas (subjetivas sim por enquanto) sobre o que aconteceu com o Kiri nos dias em que ele esteve fora.

Não sou capaz de prometer atualizações imediatas, mas farei o possível, na medida do meu ritmo, pra finalizar com chave de ouro pra quem me aguardou por todo esse tempo.

Mais uma vez obrigada pra você que leu até aqui. Saber que ainda tenho alcance no coração de vocês é importantíssimo pra mim.

Esse cap é dedicado a todo mundo. 🥰

Capítulo 8 - Vinte e quatro de setembro (três de quatro)


Despedimo-nos de dona Mitsuki e do velho fazendo uma saudação animada e logo ficamos em um silêncio que pensei durar mil anos. Minhas mãos suavam e umedeciam as alças da mochila que segurava sobre meus ombros como se dependesse de tal ação para seguir vivendo; Contudo, era apenas o meu nervosismo predominante que, sempre como esperado, insistia em atacar toda vez que percebia Eijirou próximo a mim.

E nem necessitei comentar do oxigênio em voz alta, já que parecia sumir, fazendo-me pensar que era o próprio ruivo que tomava conta de tudo, graças a imponência que sua brilhante presença oferecia a mim todos os dias. Desde os pequenos atos de observá-lo, aos grandiosos, que eram inúmeros e não me importaria passar um dia inteiro apenas falando sobre isso em voz alta.

Não pude definir se foi acidental ou não, mas senti seu braço desnudo pela blusa sem mangas que usava encostar ao meu, de forma que minha atenção fosse capturada para algo que não imaginava o que poderia ser. Comandado pelo puro descontrole, tomei um susto quando ouvi-o aquecer a garganta, e soltar uma risadinha depois por culpa da reação instantânea que tive.

Desejei por um momento perguntá-lo se também transbordava como eu.

— Desculpa! Não quis te assustar, sério.

— Tudo bem, sério — repeti a última fala, e mais uma vez se pôs a gargalhar. Cogitei a pensar também que poderia ter algo na minha cara, mas controlei a língua antes que fosse tarde e entregasse minha posição, adotando sempre a minha tradicional e famosa expressão de calmo e impassível.

Que de calmo, convenhamos, não tinha nada.

— Você tá bem?

— Claro! Claro!

— Isso é bom — e seu sorriso ainda não havia diminuído, me permitindo retribuí-lo com a cara mais idiota do mundo. — Ei, eu… Queria te agradecer pelo almoço de hoje.

— Não precisa dessas merdas. A velha até prefere que tenha mais gente em casa pra almoçar, porque aí eu não tomo conta da comida toda. Coisas da vida.

— Sério?

— Tô brincando — fiz uma pausa. Rimos novamente. — É que tipo... Sempre fomos só dois vivendo por lá.

— Pais separados?

— Mais ou menos isso. Faz bastante tempo que a relação deles é enrolada pra caralho, na verdade. O pai morou com a gente até eu completar cinco, e depois ele saiu de casa pra viver sozinho. Então, quase não tem movimento. Claro que o barulho é bem grande quando o Tenya vai com o Denki lá pra visitar, além de que ela e eu somos dois seres que não falam muito baixo, só que… Não é a mesma coisa.

— Você sempre teve de boa com isso? - Ele indagou para mim, sem deixar de prestar atenção nas minhas palavras. — Quero dizer… Com isso da separação?

Eu assenti e cocei a cabeça.

— Claro, mas, não é como se coubesse só a mim. Você pode até achar estranho de ouvir isso, mas, eles nunca se divorciaram no papel. Só tinham casas diferentes mesmo, e automaticamente pros outros intrometidos parecia que não tinham mais nada. Só… É uma relação deles demais pra quebrar a cabeça e tentar entender, sabe? Minha mãe sempre dizia que o velho tinha as razões dele, e ele nunca teve longe de mim. Vinha sempre visitar e as porras todas. Por vezes já tentaram conversar, entrar num acordo de experimentar algo com outras pessoas. Mas nunca vingou muito mais do que um mês. O negócio é que se gostavam muito pra confiar em outras pessoas de graça.

Respirei fundo, e fiz uma pausa no falatório. Ao meu lado percebi Eijiro caminhando relaxado, sua expressão serena e os lábios entreabertos, como se estivesse se preparando para proferir alguma resposta. Meu nervosismo cessava aos poucos ao apreciar a visão dele iluminada pela gigante estrela quente sobre nós, e meu corpo estava acostumando com a ideia de que coisas pequenas que desejei, como aquelas de andar ao lado do cara que eu era apaixonado, não pareciam nem um pouco impossíveis no fim das contas. Tratei de realizar uma rasura considerável naquele item de minha lista mental, assim decidindo ficar em silêncio, e por ora aguardá-lo falar o que lhe viesse à mente.

— Me desculpe se eu estiver me intrometendo demais? 

— Você não tá se intrometendo. Eu que tô cuspindo coisas pra você. Pode perguntar.

— Bom, é que… Sobre as pessoas… Eles levam na boa sobre você ser—

— Bi? Sim.

— Sério?

Eu assenti.

— Cara... Isso… Você é muito sortudo, Bakugo. Devem ter aconselhado você bastante.

— Aconselham muito mesmo, não vou negar. Pegam no pé pra caralho também. Mas acho que faz parte.

Paramos de andar. O ruivo continuou ao meu lado e unidos ficamos esperando o sinal de trânsito abrir para pedestres e finalmente podermos atravessar a rua. Novamente senti o mesmo roçar de pele contra o meu braço, e na tentativa de secretamente contemplar suas feições e estudá-lo, percebi que Eijirou fora mais rápido que eu, fazendo-o antes de mim. Lentamente minhas bochechas entenderam o recado, e lá estavam elas novamente vermelhas, iguais aos longos cabelos presos dele.

— Você também é? — indaguei sem cortar contato, tentando ignorar meu embaraço por conta de seu olhar pendendo em meus lábios, a vontade de também beijá-lo invadindo sorrateiramente o âmago.

— … Gay — respondeu baixo e simplista — Só que não tenho uma família lá muito acolhedora.

— Então falei demais? Já imaginava que ia fazer merda. Puta que pariu, Eijiro, eu sinto muito por isso.

— Tá tudo bem — Eijirou ajeitou a franja ruiva com a canhota, e então pude perceber pela primeira vez ao vivo seu principal sinal de quando mentia.


E meu Deus, ele mentia tão mal!


Vivenciei o ato diversas vezes. Vezes estas que conforme os meses passavam e a nossa convivência no trabalho era mais estável, pude aprender a diferenciar. Mas nunca consegui coragem suficiente para tentar ajudar, ou falar algo que confortasse, pois sempre fui um zero à esquerda quando se tratava de aconselhar alguém. Sempre eram meus amigos que faziam aquele serviço.

Uma pontada de arrependimento latejou em meu peito. Era difícil pra mim não notar as coisas, apesar de ser meio idiota. Como podia, logo algo sobre ele deixar passar despercebido tão inconsequentemente? E de repente, lembranças dos seus dias sem trabalhar atingiram minha mente, seus pedidos de conversa em particular com a minha mãe vieram logo atrás. 

Os motivos pelos quais ele estava morando sozinho também.

Merda, eram tantos sinais de que tudo estava errado! E eu, só havia focado no meu lado da história.

Fechei meus olhos por um breve momento ao pensar no velho. Talvez ele tivesse uma grande parcela de responsabilidade sobre isso de eu querer aprender a tomar partido melhor das situações, porque apesar de refletir um pouco fora da caixa, Masaru Bakugo sabia apoiar como ninguém.

— Você tá chateado mesmo? Por minha causa? 

Custei a respondê-lo, me limitando apenas a assentir um sério sim. 

— Por minha própria causa que brotou o efeito.

Nem mesmo meus ensaios de resposta conseguiram me auxiliar para melhorar a situação.

Desejei virar as costas e voltar pra casa de um jeito dramático, pois a última coisa que gostaria de ter feito era lembrar de momentos que não queria.

Ainda haviam resquícios de indignação em meu semblante, entretanto não pude deixar de ficar alerta quando percebi que seus dedos entrelaçaram nos meus, de forma que ele pudesse me puxar mais facilmente para frente, e assim pudéssemos atravessar rapidamente para não haver mais atraso no expediente.

O sinal de pedestres estava verde, e só me restara seguí-lo, acompanhar simultaneamente seu ritmo sem muitas opções.

— Estou bem, Katsuki. Juro — Eijirou tentou me confortar apertando minha mão, a fachada do karaokê ficando mais próxima de nossa visão. — E você grila demais, já te disseram isso?

— Eu sou muito conhecido por isso, na verdade.

— Então lembra disso. Vou ficar bem.

— Disse que vai ficar, não que está. 

— Certo, certo. Mas sério, não se preocupa. Além do mais, pode seguir falando. É confortável ouvir sua voz. 



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