História Paciência - Capítulo 3


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Categorias Got7
Personagens BamBam, Jackson, JB, Jinyoung, Mark, Youngjae, Yugyeom
Tags 2jae, Colegial, Cosmoswhy, Fluffly, Jingyeom, Markson, Paciencia, Romance, Yugbam
Visualizações 461
Palavras 8.111
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Uhuuu último capítulo!!!
Então algumas explicações:
- Eu estou postando mais cedo porque eu sou ansiosa e porque eu queria terminar logo essa para poder me focar em outras que eu estou escrevendo e nas histórias dos projetos rsrs
- Muito obrigada a todos que comentaram, favoritaram e leram, vocês me motivaram muito e o feedback foi incrível!
- A música do começo é Curious, da Hayley Kiyoko, lindíssima
- Tem um pouco de texting pq eu amo texting é isto
- Eu pretendo fazer um bônus depois com o ponto de vista do Youngjae mas só pretendo mesmo, não prometo nada
- Foi uma jornada divertida e espero ver vcs nas outras sz

Capítulo 3 - 3 - Não invada meu espaço pessoal


Fanfic / Fanfiction Paciência - Capítulo 3 - 3 - Não invada meu espaço pessoal

I need a drink, whiskey ain't my thing
But shit is all good
I can handle things- like I wish that you would
You've been out of reach, could you explain?
I think that you should
What you been up to?
Who's been loving you good?

Sabe, eu costumava ser uma pessoa muito positiva, criado em uma família grande como a minha eu aprendi que tudo tinha uma solução; eu deixei a torrada cair com a manteiga pra baixo? Tudo bem, o gato come. Doyoon (meu irmão mais velho) quebrou a perna? Tudo bem, fazemos uma competição para ver quem fica mais tempo sem precisar colocar uma das pernas no chão. A mãe perdeu o emprego? Tudo bem, a gente vende os brinquedos do caçula, no caso eu.

Acontece que em uma situação como aquela eu simplesmente não conseguia ver como podíamos resolver aquela situação sem nenhuma das partes saírem machucadas. E como dizia a lei de Murphy: se algo podia dar errado, daria errado.

No fim da aula eu fui para a quadra externa, assim como o combinado, Mark, Jackson e Jinyoung já estavam lá, sempre pontuais. Cada um mexia em seus respectivos telefones, ignorando a existência um dos outros, até ai nada de muito novo sob o Sol. Depois quem chegou foi Yugyeom, que ainda estava claramente envergonhado devido a discussão anterior.

- Como foi na prova Brownie? – Foi Jackson que perguntou, sempre atencioso com todos e nunca tratando ninguém diferente. Eu ensinei tudo que ele sabe.

Mentira.

- Acho que fui bem, eu finalmente consegui fazer mais do que colocar meu nome e amanhã têm as últimas provas de recuperação, se não me engano são de história, química e english. – Yugyeom respondeu empolgado e Jackson bateu palmas.

- Você aprendeu a falar inglês em inglês, muito bom, ou eu devia dizer, very good? – Debochou o mais velho, recebendo um leve empurrão, e o leve de Yugyeom era o tipo de empurrão que fazia Jackson perder o equilíbrio, eu ri discreto.

- Parebéns Yugyeom, espero que minhas anotações de história tenham te servido para alguma coisa. – Eu disse.

- Me ajudou bastante hyung, Jinyoung hyung também me ajudou com química e depois de resolver as coisas aqui eu vou na casa do Mark para revisar o conteúdo de inglês.

- Eu estou chocado que você finalmente entrou na linha, o que vai acontecer agora? Jackson vai crescer? Mark vai falar? Jesus vai voltar? – Debochei, e o mais novo revirou os olhos.

- Vai tomar no cu. – Jackson disse, ofendido, eu ri.

- Eu não, eu sou ativo. – Cruzei os braços e todos riram. – Tão rindo do que? É sério.

Eles riram de novo, depois eu assassino falam que eu sou psicopata, mas acontece que muitos morreram por muito menos. Logo depois quem chegou foi Bambam, o silêncio constrangedor se instalou no local novamente, para que o tailandês não se sentisse desconfortável eu me sentei do lado dele e peguei em sua mão, eu queria transmitir uma calma para ele, ninguém estava contra ele ali, nós só queríamos apoiá-lo.

Tinha acontecido a mesma coisa quando Jackson começou a gostar de Mark, a única diferença foi que nós não acreditamos no começo, já que o Wang já tinha gostado de todos nós, acho que era assim que ele fazia amigos: primeiro ele se apaixonava e trocava uns beijos, depois viravam amigos para sempre.

- Onde está Youngjae? – Eu perguntei depois de 10 minutos, eu odiava atrasos.

- Ele cortou o dedo com papel e foi pra enfermaria. – Yugyeom avisou e eu o olhei incrédulo.

Como que ele conseguia esse tipo de proesa? Eu quis rir, ele era muito adorável e desastrado, como que podia? Minha vontade era enrolar ele em plástico bolha e protegê-lo do mundo.

Foco Jaebum, ele está atrasado, corte no dedo não é desculpa.

Fiquei andando de um lado para o outro, claramente impaciente, aquilo era algo importante. E como se lesse meu pensamento dois minutos depois ele chegou correndo com um band-aid da hello kitty no dedão, seria muito estranho dar um beijinho para sarar? Foco Jaebum, tenha foco.

- Você está atrasado. – Cruzei os braços fazendo minha melhor cara de bravo.

- Desculpa hyung, a enfermeira ficou falando da vida dela e não achava o band-aid e só achou esse infantil ridículo. – Ele levantou o dedão.

Me derreti inteirinho com o biquinho que ele fez, como eu era um idiota pelo Youngjae, meu deus. Paciência para mim mesmo.

- Certo, senta logo. – Eu disse, o dispensando. Assim que os mais velhos guardaram o celular nos respectivos bolsos eu comecei o meu discurso. – Estamos reunidos aqui hoje...

- Em sagrado matrimônio. – Zombou Yugyeom, eu ameacei dar um soco na cara dele e ele calou a boca.

- Ótimo, continuando, viemos resolver essa situação constrangedora, quem quer começar? – Levantei as sobrancelhas, questionando, e ninguém se manifestou. – Então eu começo. Ontem, como prometido anteriormente, eu levei Bambam para tomar um sorvete porque ele estava cabisbaixo, foi então que ele me confessou que estava gostando de Yugyeom, como todos sabem. Como eu sabia que Jinyoung já tinha um interesse prévio no tapado, sem ofensas maknae, eu entrei em pânico porque eu não sabia como orientar o Bambam em uma situação dessas. Peço desculpas pela minha falta de companheirismo. – Eu disse sincero.

Bambam balançou a cabeça com um sorriso pequeno.

- Desculpa Youngjae, por ter te acusado injustamente e de maneira tão infantil. Yugyeom eu gosto de você seu tapado, mas não se preocupe eu vou superar. – Ele cruzou os braços, ele era um bebê orgulhoso.

Youngjae sorriu para ele e Yugyeom cruzou os braços também e fez um bico.

- Jinyoung, desculpa ter te exposto, as vezes eu esqueço que o que é óbvio para mim pode não ser tão óbvio para as outras pessoas. – Dessa vez foi Mark que disse.

- Yugyeom desculpa te assediar constantemente mesmo que você não perceba seu tapado. – Admitiu o Park, dando de ombros, o mais novo soltou um suspiro exasperado.

- Desculpa por ser tão perfeito gente, eu não tenho culpa de ser um heartbreaker. – Yugyeom disse convencido, todos o olharam com uma cara de julgamento.

- Ah não, você não pode mais sentar com a gente Yugyeom. – Jackson cruzou os braços o olhando com desgosto.

- Sai do clubinho. – Bambam apontou para a saída, concordei.

- Agora, falando sério, como você não percebeu Yugyeom?  - Youngjae perguntou curioso.

- Então, história engraçada. Mês passado eu comentei com o Mark que eu estava fodido em todas as matérias menos educação física e que eu precisava de um jeito para me preparar para as provas, e então ele me ensinou essa técnica de para manter o foco nos estudos que é isolar simplesmente todos os estímulos externos e focar somente no livro. Antes eu precisava ficar com o fone de ouvido e uma música baixa mas com o tempo eu consegui fazer isso sem música.

“É por isso que eu estava meio que ignorando a existência de todos vocês, não foi minha intenção ser tapado desse jeito, me desculpem. Mas se ainda tiverem interesse em mim a gente pode negociar um threesome, foursome se o Youngjae estiver interessado também.”

Eu nunca ouvi tanta bosta por metro quadrado e se Youngjae não tivesse empurrado Yugyeom no chão certamente eu o teria feito.

- Yugyeom você fica mais gostoso calado e ignorando a gente. – Jinyoung concluiu por fim, não pude discordar. – É isto, quem quer ir jogar video game lá em casa?

- Vamos. – Bambam disse, Jackson o seguiu.

- Ah não! Eu preciso estudar com o Mark. – Yugyeom fez aquela voz manhosa que me da vontade de dar um soco na cara dele depois encher de carinho.

- Vamos lá Yugyeom-ah, foco. – Mark o incentivou, logo guiando o gigante cabisbaixo.

- Você vai? – Youngjae me perguntou.

Neguei, não estava afim de sair hoje, então me despedi dos meninos e fui para minha casa. Sim, eu era aquela pessoa do grupo que raramente saía com eles, isso não significava que éramos menos amigos, mas depois de um tempo as pessoas percebem que não é necessário se falarem todos os dias ou saírem sempre para que a amizade fosse duradoura e verdadeira. Eu não queria sair e eles respeitavam isso, e era o que eu mais admirava na minha amizade com eles.

Muita coisa estava acontecendo então eu decidi que eu precisava de um tempo sozinho para espairecer. Percebi que estava no meu último ano do ensino médio e eu não tinha feito nada de extraordinário e eu nem ao menos estava estudando para o vestibular. Com isso em mente eu passei a tarde inteira revendo as matérias que eu tinha mais dificuldade, fiz isso enquanto pude, ou seja, estudei somente por uma hora, depois de um tempo eu simplesmente deixei para lá e fui assistir alguma coisa na TV.

Ao contrário de muitas pessoas eu passei a gostar de ficar sozinho, também, em uma família grande como a minha se dá graças a Deus por 5 minutos de silêncio sozinho. Eu apreciava ficar sozinho, desenvolver meus pensamentos até que eu nem lembre mais no que eu estava pensando, analisar o que eu estava fazendo e me desvendar aos poucos, me descobrir, quando se está com outras pessoas você passa mais tempo tentando adivinhar o que elas estão pensando do que realmente pensando por si só. Eu não era solitário, eu sabia que quando eu precisasse eu teria amigos e família do meu lado para me apoiar, eu somente gostava de ficar sozinho.

E enquanto eu pensava sobre a diferença de ser sozinho e ser solitário eu dormi no sofá, com os Simpsons passando na televisão.

 

Na quinta feira tudo começou muito cedo, acordei às 2 da manhã por ter dormido a tarde inteira que nem um pedaço de bosta e não consegui mais dormir, desci para a cozinha e fiz café, já que quando eu sentisse sono de novo seria muito cedo e eu provavelmente só dormiria uma ou duas horas até eu ter que ir para a escola. Chequei minhas mensagens e me deparei com uma foto que Mark tinha enviado no grupo de Jackson pelado em uma banheira dormindo com a boca aberta.

Jinyoung:

Bela bunda Wang, por que eu nunca tinha visto ela antes?

Yugyeom:

Rachou a tela do meu celular

Bambam:

Invejoso, só porque sua bunda não é bonita que nem a dele

Jae-ah:

BERROOOOOOOOO

Bambam:

Berra ai na sua casa, não precisa berrar no chat também

Jae-ah:

Rude

Bambam:

VOCÊ DERRAMOU LEITE NA MINHA JAQUETA DA GUCCI SUA LONTRA MALDITA

Jae-ah:

Isso foi a 4 semanas atrás, supera

Bambam:

Não interessa, era uma GUCCI

 

JB:

Não seja rude com o bebê

Yugyeom:

Hyung por que você não me defende quando o Bambam é grosso comigo?

JB:

Muito boa essa pergunta Yugyeom

Boa mesmo

Aliás vou anotar pra te responder depois, vou preparar um seminário só pra te responder.

Jinyoung:

Não seja rude com o bebê

Bambam:

Não seja rude com o bebê

JB:

Só estão falando isso porque querem comer ele.

Yugyeom:

Não os culpo, eu sou gostoso pra caralho

Bambam:

Contra fatos não há argumentos

Jinyoung:

Iiiih, como se o senhor Im não tivesse as mesma intenções com o outro bebê

JB:

Você é um homem morto

Yugyeom:

Eu não entendi

Jinyoung:

E quando você entende alguma coisa Yugyeom? Tipo na vida?

Yugyeom:

Eu entendo que você e o Bambam querem meu corpo nu, e desse jeito você não vai conseguir Jinyoungie~~

JB:

OUCH

Olha o bebê de vocês mostrando as garras

Bambam:

Eu não vou nem responder se não eu parto pra ignorância

Jinyoung:

Eu odeio minha vida, estou cercado de idiotas.

Mark:

Ah é?

Jinyoung:

Mark é exeção, claro

JB:

O que é seu está guardado Park Jinyoung

Me expliquem por que tem uma foto do Jackson pelado na minha galeria e por que vocês ainda estão acordados a essa hora?

Jinyoung:

Jogamos o jogo do capeta

JB:

Você ainda tem aquele tabuleiro de Ouija?

Jinyoung:

Não esse jogo do capeta, o outro.

Verdade ou desafio.

Com álcool

Bambam:

Ele escolheu desafio

Mark:

Eu ainda não entendi como ele veio parar na minha casa

Jinyoung:

Ele disse que não podia voltar para casa se não os pais deles matariam ele, ele também não podia ficar aqui, sabe como meus pais são conservadores, Bambam se recusou a levar ele pra casa e a Coco odeia o Jackson por algum motivo e seria impossível levar ele pra casa do Choi sem que ela acordasse a vizinhança inteira.

Decidimos despachar ele com você, já que seus pais estão viajando.

Mark:

Eu odeio vocês

Ele ta falando enquanto dorme

Se ele não aparecer na aula amanhã é porque eu matei ele

Boa noite

Bambam:

Boa noite hyungs~

Jinyoung:

Acho que Youngjae e Yugyeom dormiram

Dois nenéns

JB:

Acho bom mesmo, está tarde

Vocês também vão dormir

 

 Fiquei acordado até a hora de ir para a escola, tinha bebido 5 xícaras de café e agora podia dizer que meu corpo não era mais 70% água e sim 70% cafeína. As bolsas debaixo dos meus olhos eram visíveis e o jeans rasgado com o moletom que tinha algumas manchas de café fazia com que eu parecesse alguma espécie de zumbi rockeiro.

- Credo hyung, parece que você vai morrer a qualquer momento. – Youngjae me recepcionou na entrada me abraçando, eu ficaria estático se eu já não estivesse com litros de cafeína na minha corrente sanguínea e se já não tivesse esperando ele quebrar mais uma das minhas regras da boa convivência. – Aguenta firme que ainda é quinta.

- Eu estou com vontade de correr uma maratona. – Brinquei, mas em parte era verdade, eu queria gastar toda essa energia que tinha guardada em mim e depois dormir por muitos anos.

- Estou vendo. – Ele passou um dos braços por cima do meu ombro, era engraçado porque eu era mais alto, então ele parecia se esforçar para alcançar meu ombro, o que quebrava toda a pose de despreocupado que ele tentava manter.

Esquisitices de Choi Youngjae, eu já devia estar acostumado.

Eu não gostava muito que as pessoas ficassem me tocando ou muito em cima de mim, mas Youngjae parecia não ter noção de espaço pessoal, algo que ele com certeza deve ter pegado de Jackson, aquele carrapato chinês. Suspirei, eu estava agitado e precisava ter a mente no lugar, Youngjae me tocar não era o fim do mundo.

Logo nos separamos, entrei na sala e encontrei um Jinyoung dormindo na sala, não quis acordá-lo. Jackson chegou atrasado, usando um óculos de Sol por causa da claridade e provavelmente da ressaca, a professora de sociologia o deixou entrar por pura pena do estado deplorável que o mais velho se encontrava.

- E ai? – Cumprimentei.

- Eu odeio ser um adolescente inconsequente que afoga as inseguranças em litros de bebida alcoólica e acaba de ressaca em uma quinta feira. – Ele soltou com a voz rouca e eu entendi isso como um desabafo. Mesmo que o Wang vivesse em uma casa luxuosa, tivesse dinheiro, pais ótimos e amigos, modéstia a parte, muito bons, ele era como qualquer outro ser humano: tinha seus problemas.

E como todo adolescente ele fugia deles. Dei uns tapinhas em seu ombro.

- Sabe que pode falar comigo quando precisar né?

- Sei sim hyung, mas no momento eu só quero morrer. Aliás o Mark foi dormir no pátio de trás e pediu pra acordar ele na hora do intervalo, sim ele vai matar as três primeiras aulas e eu também, tecnicamente. – Jackson virou para mim e sorriu, logo depois se deitando na própria carteira e em poucos segundos caiu no sono.

No intervalo entre as aulas eu alternava entre fazer cafuné no chinês e fazer cafuné no Park, já que os mesmos deviam estar muito cansados, não somente por terem dormido tarde mas também pela pressão do vestibular, da escola e dos pais. Esse lado meu eles provavelmente viam uma vez na vida e outra na morte, e eu gostava desse jeito, já que cuidar de alguém sem que essa pessoa saiba era a forma mais verdadeira de carinho.

Na minha humilde opinião, claro.

Dado o intervalo eu acordei os dois, que estavam com a cara toda amassada e sonolentos, fomos atrás de Mark que dormia na grama do pátio e acordou do mesmo jeito, só que com folhas no cabelo. Fomos para o refeitório e pegamos 4 cafés puros, sentamos na mesa onde os maknaes já estavam novamente com a discussão do anime ridículo, eu queria jogar meu café neles.

Paciência, Jaebum.

Tomei minha cafeína, que era a única coisa que me mantinha vivo no momento, quieto, Jackson estava com a cabeça deitada no ombro de Mark, e Jinyoung batia os dedos na mesa impaciente esperando que os mais novos calassem a boca. Não calaram.

- YA! – Ele bateu a mão na mesa, fazendo com que meu café balançasse e chamando a atenção de todos. – Calem as boquinhas que os hyungs estão mortos e querem um pouco de paz. 

O Park que estava mais próximo deles puxou Yugyeom e Bambam para o próprio colo, pois é, ele era mais forte do que parecia. Foi uma atitude estranha, mas eu decidi não julgar, já que eu não estava em posição para tal coisa.

Bambam se remexeu, desconfortável, mas só conseguiu com que Jinyoung segurasse ele e o Kim mais forte.

- Fica sentado e quietinho pro hyung, sim? – Ele olhou de maneira ameaçadora para o tailandês e o mais alto, e logo o rosto dos dois maknaes assumiu uma cor avermelhada, eu achei incrível como Jinyoung não tinha a mínima vergonha na cara.

- E você Youngjae? – Olhei para o Choi com um sorriso maroto. – Quer sentar e ficar quietinho pra esse hyung?

Jackson comprimiu os lábios para não rir e eu não me lembro de Youngjae ter ficado tão vermelho antes.

- A cafeína deve estar afetando seu cérebro. – Ele murmurou envergonhado e mesmo assim sentou no meu colo.

Eu fiquei surpreso porque eu não estava falando sério quando eu disse aquilo, mas também não reclamei, passei meus braços ao redor de sua cintura e apoiei minha cabeça em suas costas.

A cada gole de café eu percebia que estávamos cada vez agindo mais como se fôssemos namorados, o que era estranho mas não muito, já que sempre considerei ele algo bem próximo disso para mim. Mas Youngjae normalmente teria me dado aqueles tapas ardidos depois de tal provocação descarada.

Repassando todos os acontecimentos da semana eu percebi que algo estava errado.

Quando o sinal bateu e estávamos cada um indo para sua respectiva sala percebi que o Choi estava muito próximo, ficava o tempo todo me abraçando ou com o braço sobre meu ombro, eu puxei Youngjae para uma sala antiga de química que estava desativada e o prensei contra a parede. Eu era uma pessoa muito direta, e quando algo estava errado eu resolvia da maneira mais objetiva possível.

E eu também aproveitei a chance para ficar em uma sala escurinha com ele, já que ninguém é de ferro.

- Youngjae, o que você está fazendo? – Perguntei, olhando em seus olhos, pude ouvir ele engolir em seco.

As borboletas estavam fazendo a festa na minha barriga agora, mas eu iria enfrentá-las.

- Nada. – Ele falou, a voz um pouco mais fina que o normal.

- Não. – Me aproximei dele, nossos narizes quase se encostando. – Sabe o que eu estou fazendo? – Ele negou com a cabeça, sem palavras. – Eu estou fazendo o que você tem feito comigo essa semana inteira, eu estou invadindo o seu espaço pessoal Jae-ah.

Ele umedeceu os lábios e puta merda, como eu queria beijar aquela boca, não me lembro de querer tanto algo desde meus 7 anos quando eu passei três meses pedindo para minha mãe um daqueles tênis que brilham. Caralho, Youngjae era muito mais atrativo que um tênis que brilha.

Encostei meus lábios nos dele e logo em seguida eu senti sua mão em minha nuca me puxando para mais perto, nos beijamos. Foi por menos de 5 segundos provavelmente mas todos os meus pelos de arrepiaram e meu coração quase saiu pela garganta. A tensão era quase que sufocante, mordi meu próprio lábio e eu o teria beijado de novo se não tivesse ouvido vozes no corredor, os olhos do Choi se arregalaram e eu tampei sua boca, evitando que ele falasse qualquer coisa.

Um riso discreto saiu de mim enquanto esperava as vozes se afastarem, a adrenalina tomava conta de mim e eu me sentia quase que invencível.

- Acho que eles já foram. – Youngjae sussurrou, concordei com a cabeça.

Me aproximei de sua orelha e sussurrei.

- Não acabamos nossa conversa, eu vou descobrir o que você está tentando fazer. – Sorri maroto olhando nos olhos do mais novo, as borboletas faziam a festa do ano no meu estômago.

Sai da sala, deixando o mais novo para trás, tive que colocar a mão no peito pra garantir que o coração não saltasse de lá.

Entrei na sala e o professor me deixou entrar só porque eu tinha inventado que tinha tido uma emergência de banheiro, lê-se caganeira. Quando me sentei Jackson, Jinyoung e Mark viraram para mim, a pior parte de ter amigos tão bons era que eles sempre sabiam quando tinha algo diferente.

- Porque chegou atrasado? – Jinyoung era discreto, ia comendo pelas beiradas.

- O lábio dele está vermelho. – Mark era objetivo.

- Beijou quem? – Jackson era o indiscreto.

- Ninguém. – Revirei os olhos, mas o sorriso não queria sair do meu rosto, estragando minha atuação perfeita.

- Você beijou o Youngjae? – Jinyoung estreitou os olhos enquanto Jackson arregalava os dele.

- Mentira! – Ele falou mais alto do que eu preferia, logo atraindo toda a atenção da sala.

O professor mandou que calássemos a boca e assim o fizemos, mas a cada segundo que eu desviava o olhar da lousa para frente eu via os olhares ameaçadores dos meninos, percebi que eu provavelmente teria que fazer um relatório para eles sobre tudo que tinha acontecido.

No fim das aulas Jackson praticamente arrastou todos nós para a casa dele para que ajudássemos na decoração da casa e para que eu contasse tudo em mínimos detalhes. Felizmente os mais novos teriam que fazer um trabalho atrasado para amanhã e não poderiam ir junto.

Chegamos à casa do chinês e começamos a encher uns balões, o silêncio era deveras constrangedor, e eu percebi que não era pela confissão que eu nunca faria, eles estavam me escondendo alguma coisa. Foi quando eu estourei um balão com o pé, Jackson soltou um grito agudo e Jinyoung me olhou com cara de quem ia me matar e Mark, bem, ele começou a rir do grito de Jackson.

- O que vocês estão me escondendo? – Perguntei repentinamente enquanto enchia outro balão, os olhos do Wang se arregalaram.

- Ele descobriu! – O chinês colocou as mãos sobre o cabelo, puxando eles, Jinyoung o olhou indignado e deu um tapa na nuca dele.

- Seu idiota! – Resmungou o Park, Mark olhou para Jackson com desgosto e logo depois voltou a amarrar os balões.

-E então? – Arqueei as sobrancelhas o olhando de uma maneira intimidadora.

Jackson era a pior pessoa do mundo para guardar segredo, ele era incapaz de mentir para nada, por isso sempre que eu precisava descobrir alguma coisa eu interrogava primeiro.

- Eu e o Mark transamos! – Ele praticamente gritou, como se aquilo estivesse enterrado no peito dele a muito tempo, fiquei totalmente sem reação, eu sabia que eles eram próximos, mas eu podia jurar que Mark era assexual ou algo do tipo já que ele nunca tinha olhado com interesse para ninguém desde que eu conheço, e olha que eu conhecia ele desde o jardim de infância.

Assim que o chinês cuspiu as palavras eu ouvi um barulho de estouro, me virei e vi os restos mortais do balão nas mãos do Tuan, que o encarava incrédulo. Mark era o tipo de pessoa que raramente demonstrava alguma reação exagerada, ele era muito contido e racional, mas naquele momento eu o vi ficar com uma expressão tão vívida de decepção que por um momento eu pensei que seria melhor que eu não tivesse aberto a boca para perguntar o que estava acontecendo.

Não que o Mark devesse ter vergonha de ter transado com o Wang, cá entre nós Jackson tem um corpo lindo, mas sexo é algo muito íntimo, e eles no mínimo deviam ter entrado em um consenso sobre contar ou não algo que os dois tinham feito juntos. Pelo menos era isso que eu pensava e o que o Tuan provavelmente estava pensando.

- A gente disse que ia conversar antes de contar. – Mark mordeu o lábio inferior, a mágoa na voz, eu conhecia minhas ovelhas.

- D-desculpa, eu não aguentei, eles são nossos amigos eu pensei que não tivesse problema... – Jackson tentou se explicar, mas o americano já tinha se levantado e pegado a própria mochila.

- Você não pensou Jackson, você nunca pensa antes de falar. – E com essas palavras frias como o meu coração Mark saiu pela porta da frente.

Eu não sabia o que pensar como resolver essa situação e percebi que ultimamente eu não estava sabendo nem como resolver a minha situação emocional em relação a Youngjae, como que eu poderia ajudar meus amigos com a situação deles?

Olhei para Jinyoung, que me olhou de volta aflito, e foi então que eu tive uma ideia, meio estranha e infantil, mas eu não podia deixar aquela situação daquele jeito, eles iriam resolver essa situação hoje.

- Prende o Wang no banheiro aqui de baixo. – Sussurrei para Jinyoung que me olhou confuso, mas não questionou.

Saí correndo da sala e corri na direção que Mark estava andando, apressado. Foram pouco mais de 10 minutos para correr até o mais velho, tentar convencê-lo a voltar, o que como eu já esperava, não aconteceu, e logo depois pegar ele no colo e sair correndo de volta pra casa de Jackson.

Agora, parando para pensar, as minhas ideias certamente não eram as mais ortodoxas, tipo nem em um milhão de anos, mas elas surtiam algum tipo de efeito. Era estranho porque eu tentava me conter o tempo todo, evitar o contato físico e emocional o máximo possível, mas somente nessa semana eu já me sentia totalmente fora de mim, fazendo tudo por impulso e me conectando com as pessoas em um nível muito diferente.

Nunca em um milhão de anos que eu iria pegar alguém no colo e arrastar ela até a casa de Jackson, na melhor das possibilidades eu fugiria junto com a pessoa. E eu passei a acreditar fielmente que essa minha mudança de comportamento tinha nome e sobrenome: Choi Youngjae.

Quase como a teoria de caos, o bater de asas de uma borboleta poderia causar uma tempestade do outro lado do mundo, uma reação em cadeia; o bater do meu coração por Youngjae causava uma tempestade na minha vida, na minha mente, na minha alma e na minha paciência.

Entrei correndo na casa do Wang todo trabalhado no suor e praticamente joguei Mark em cima de Jackson depois de gritar “abre a porta” para Jinyoung.

- O que caralhos você esta fazendo Im Jaebum? – Jinyoung me perguntou, cruzando os braços assim que trancou os dois lá dentro.

- Eu não faço ideia.

- Você está bem diferente essa semana. – Ele me olhou de cima abaixo. E então sorriu travesso. – Eu gostei.

- A doença se chama Choi Youngjae. – Murmurei, na esperança dele não ouvir, ele ouviu.

- Me deixa sair. – Mark falou, socando a porta.

- Vocês não vão sair daí até se resolverem. – Falei, sentando no chão, do lado de Jinyoung.

- TA DE BRINCADEIRA? ISSO É COISA QUE MÃE FAZ PRAS CRIANÇAS PARAREM DE GRITAR! – Jackson gritou.

- Exatamente. – Jinyoung disse, se sentando também.

Ficamos em silêncio por uns cinco minutos enquanto se ouvia Jackson e Mark discutindo do outro lado da porta.

- Choi Youngjae hm? – O Park comentou.

- Kim Yugyeom hm? – Rebati.

- E talvez Kunpimook... – Ele falou baixo, eu o olhei com as sobrancelhas franzidas.

- Como?

- Ah, sei la. Ele é bonito, o Yugyeom é bonito, eu sou bonito. Nós dois gostamos do poste.

- Você ta sugerindo um triângulo amoroso? – Estranhei.

- Eu acho que se chama poliamor. – Ele mordeu o lábio, corado.

Eu ri, era engraçado algo do tipo vindo do filho de pais extremamente conservadores e religiosos, às vezes os pais de Jinyoung achavam que eu tinha o levado para o mal caminho, eu tinha certeza que era ele que estava me levando pro mal caminho.

- Vai nessa. – Foi a única coisa que eu consegui falar. – Só tenta não machucar eles, são muito novos para entenderem como um relacionamento funciona, se já é difícil com dois imagina três.

- Isso vindo do cara que nunca teve um relacionamento.

- Ei! – Coloquei a mão no peito, me fingindo de ofendido. – Eu só to esperando a pessoa certa.

- A pessoa certa já chegou, já ta afim de você.

- Como assim?

- Jaebum, só ta faltando o Youngjae ficar de quatro pra você, só isso. – Ele revirou os olhos.

- Você fala como se fosse óbvio.

- É óbvio! Ele até ta seguindo o plano ridículo do Yugyeom.

Foi como se uma lâmpada se acendesse em cima da minha cabeça e iluminasse o caminho nebuloso que era essa semana inteira com as esquisitices do Choi. Tinha o dedo podre do Yugyeom no meio.

Eu ia matar um maknae.

- Que plano?

Jinyoung me olhou e suspirou pesadamente.

- Você não ouviu nada de mim, mas, Yugyeom está usando o Choi pra ver até que ponto sua paciência vai, é quase um teste suicida. Ele queria chamar o Bambam pro plano, mas sabia que ele não ia cair na lábia dele, então ele usou o Youngjae como cobaia.

“Youngjae falou para o Kim que gostava de você, Yugyeom disse pra ele que sabia de um jeito para confirmar se você gostava do Youngjae ou não. Acredita que o filho da puta tem uma lista das 20 coisas que você mais odeia e um top 3 coisas que você mais odeia? Ele é o capeta mesmo. Ele disse que se, durante essa semana, Youngjae fizesse tudo isso e você não o matasse ele poderia se declarar para você na sexta. Até convenceu Jackson de dar uma festa de sexta-feira 13, tudo isso pra ser a declaração do ano, mas no fundo ele só queria saber até onde sua paciência ia. Já sabemos até onde: Youngjae”

Eu fiquei chocado que o cérebro de amendoim do Kim tinha bolado algo tão complexo.

- Como você sabe e por que está me contando isso? – Perguntei, eu sabia que Jinyoung, mesmo sendo meu melhor amigo, não fazia nada de graça.

- Eu sei por que Youngjae me contou tudo ontem no “verdade e desafio”, ele escolheu verdade e eu perguntei porque ele estava de gracinha com você, eu queria saber se vocês estavam namorando ou se ele estava brincando com o seu coraçãozinho sensível, e como ele estava bêbado me contou tudo  com detalhes. E por que eu estou te contando? Porque eu estou puto porque o Kim não fala se gosta de mim ou do Bambam, porque esse filho da puta me ignorou por um mês quase e isso não vai ficar barato. – Jinyoung falou tudo quase que sem pausas para respirar. – Ah, e porque você é meu melhor amigo, claro. – Ele sorriu inocente.

Pois vocês acham que Kim Yugyeom é uma cobra por estar planejando isso por quase um mês? Park Jinyoung em menos de dois dias já tinha bolado um plano para foder todo o esquema dele em menos de 24 horas por ciúmes.

- O que você está planejando? – Perguntei, ele sorriu, e por Deus, ele sorria como o próprio satanás.

Park Jinyoung tinha cara de anjo, mas eu nunca vi alguém encarnar o demônio tão bem quanto ele.

- Você vai ter que esperar pra ver.

Ele encostou a orelha na porta e colocou o dedo indicador na frente da boca, indicando silêncio, foi só então que eu percebi que Jackson e Mark tinham parado de discutir, percebendo o que o Park iria fazer comecei a rezar a Deus para que eu não tivesse algum tipo de trauma. O mais novo abriu a porta e nos deparamos com Mark e Jackson seminus se beijando intensamente, os dois arregalaram os olhos e se separaram, o que foi visto jamais seria desvisto.

Fiz uma cara de nojo enquanto Jinyoung fez uma cara maliciosa.

- Parece que fizeram as pazes. Dizem que sexo de reconciliação é o melhor, isso é verdade? – Jinyoung perguntou sem a menor vergonha na cara.

- Se vocês falarem alguma coisa sobre isso eu mato os dois e enterro na floresta, e depois eu faço questão de cortar a língua do Jackson para garantir que ele não fale nada pra ninguém. – Mark disse sério, se vestindo, eu segurei a risada.

Mark Tuan era muito fofo pra esse tipo de coisa.

- Como que eu vou te beijar sem língua? – O Wang resolveu provocar e o mais velho ameaçou dar um soco nele, fazendo com que ele se encolhesse.

Mark saiu do banheiro e voltou a encher os balões, em silêncio.

Eu e Jinyoung rimos e soltamos várias piadinhas durante a tarde, que se resumiu em encher balão e discutir um plano para acabar com a raça de Kim Yugyeom.

 

Eu acordei de mau humor.

Não que isso fosse novidade, eu raramente acordava de bom humor, talvez fosse pelo fato deu ter ficado acordado até tarde estudando e conversando por video chamada com Jinyoung, ou talvez por eu ter acordado com o discurso de uma mãe puta da vida que dizia “eu trabalho feito condenada nessa casa pra esse bando de vagabundos nem acordarem na hora certa pra ir estudar.”

Essa é a hora que você percebe de quem eu tirei meu temperamento.

O céu estava nublado e provavelmente choveria, me perguntei se isso afetaria a festa que Jackson planejava, mas provavelmente não, pois nem que o próprio Zeus jogasse um raio na casa do chinês ele desistiria da ideia da festa. Lembrei que eu ainda tinha que pegar minha máscara para a festa e voltei correndo para casa, já que depois da escola eu iria direto para a casa do Wang e dormiria lá.

Depois de procurar a máscara na casa inteira minha mãe a achou no fundo do meu armário, lugar que, aliás, eu já tinha olhado antes e não tinha achado, sai correndo em direção a escola e cheguei atrasado, sendo obrigado a ir na sala do diretor e assinar minha advertência, tive que esperar a segunda aula para poder entrar.

Para a minha sorte o professor de história tinha passado um questionário para nota, eu não devia nem estar surpreso. Na hora do intervalo eu estava morrendo de sono e fome e totalmente estressado porque a professora de geografia resolveu passar um teste surpresa, Jinyoung disse para eu lavar meu rosto no banheiro que ele pegaria alguma coisa para comer.

Entrei na primeira cabine e fiz xixi e fiquei um tempo lá pensando na vida, esperando que viesse um coco foi então que uma voz conhecida se fez presente no banheiro.

“Yugyeom, eu não sei mais o que fazer o Jinyoung ainda disse que ele não estava muito bem hoje, não quero encher o saco dele.” A voz normalmente alta e clara de Youngjae estava quase sussurrando, por ironia do destino bem na frente da minha porta.

“Não se preocupa hyung, ele nunca seria grosso com você, está tudo dando certo e ele até te beijou né? Hoje à noite você se declara e tudo acaba bem.”

Ouvi o barulho da torneira e em seguida o som da porta do banheiro se fechando.

Demorei muito tempo para absorver todas as informações que Jinyoung me deu, tanto tempo que somente no banheiro da escola que a ficha caiu: eu fui enganado por Youngjae e Yugyeom. Eu queria não ter ficado tão bravo, mas depois de uma semana inteira tendo meus limites testados a força eu estava muito de saco cheio, eu desculpava o Choi porque o filho da puta fazia tudo de forma tão natural que parecia que ele fazia sem querer, então eu perdoava, e perdoava, e perdoava.

Youngjae me dobrava tanto que eu me sentia um origami.

Terminando minhas necessidades fui ao refeitório, bem puto da minha vida, era um daqueles momentos que eu descontava todas as frustrações da semana em alguém, e infelizmente o alvo era Youngjae, eu não me orgulhava disso, mas depois de refletir muito (nem tanto) sobre como eu sempre facilitei muito para ele, estava na hora de tratá-lo como eu tratava todos os outros.

Fui em direção à mesa em que meus amigos estavam reunidos com pés firmes e cruzei os braços.

- Choi Youngjae. – Chamei baixo, perigoso.

Ele me olhou e seu sorriso vacilou.

- Sim, hyung?

- Eu sou fácil pra você? – Perguntei o olhando nos olhos, as borboletas tinham voado para bem longe e tudo que restava era o furação no estômago, um misto de emoções confusas que eu não sabia identificar, e em caso de dúvida a resposta padrão era: raiva.

Eu estava com raiva.

- Como assim? – Ele soltou um riso nervoso, o silêncio tomou conta da mesa e todos os olhares foram direcionados a nós. Era a primeira vez que eu ficava irritado com o Choi.

- Minha paciência é algum tipo de playground pra você ficar brincando com ela?

- Não, claro que não. De onde você tirou isso? – Ele se levantou e deu um passo para perto de mim, dei um passo para trás, recuando.

Merda, eu não podia recuar agora.

- Espaço pessoal. – Eu disse, mais grosseiro do que eu gostaria, ele recuou, pela primeira vez naquela semana.

- De onde você tirou isso? – Perguntou de novo.

- Eu ouvi sua conversinha com o Yugyeom no banheiro, eu sei que você fez aquelas coisas de propósito.

Youngjae olhou para o maknae, em busca de apoio, e logo ele se levantou em sua defesa.

- A culpa não é dele hyung... – Ele começou.

- Eu ainda não cheguei na sua vez Kim Yugyeom. – Eu disse, ele logo se encolheu no banco. – Sabe Youngjae eu percebi que eu facilitei muito para você só porque gosto de você. Eu respeitei seu tempo, seus limites, eu sei do que você não gosta e eu tento sempre nunca te magoar de jeito nenhum, eu ignorava as coisas que você fazia porque no fundo eu queria acreditar que você queria se aproximar, já que você é carinhoso com todo mundo, por mais forçado que algumas ações fossem, eu queria acreditar que não era de propósito. Você não respeitou os meus limites e muito menos meu tempo, e eu fiquei muito chateado com você.

As palavras escorriam de mim e eu sentia meus olhos arderem, eu não podia chorar na frente de todo mundo, não depois de um discurso desses. Infelizmente o lábio inferior do Choi tremia e ele não piscava, também tentando evitar o choro ele engoliu em seco e mordeu o próprio lábio, escutava tudo que eu falava mas nunca olhando nos meus olhos.

- E você, Kim Yugyeom, olhou para os limites e falou “HÁ, FODA-SE OS LIMITES”. Eu estou decepcionado com você, com vocês dois. – Terminei, logo o sinal indicando o fim do intervalo tocou.

Todos da mesa me olhavam, a tensão no ar era palpável, sem dizer mais nada eu saí e fui para a sala de aula. Logo depois Mark, Jackson e Jinyoung também entraram, o chinês se virou para mim, os olhos tristes.

- Você pegou pesado, ele só queria que você o notasse.

- Eu sempre o notei.

- Ele não sabia.

- Você poderia pelo menos uma vez na vida se preocupar com os meus sentimentos?

- E você? Poderia uma vez na vida se preocupar com os sentimentos dos outros? Suas palavras machucam Jaebum. – Ele disse e cada palavra me esfaqueava lentamente no peito, ele se virou e não nos falamos até o fim das aulas.

Jinyoung e Mark tentaram agir como se nada tivesse acontecido. Eu, orgulhoso, não pedi desculpas pelas palavras, mesmo que elas fossem duras elas eram o que eu sentia, mesmo que fosse só no momento da raiva foi um momento meu e eu precisei por para fora. Eu poderia ter usado outros meios para tal, mas eu não estava pensando.

Não fui para a casa de Jackson como os outros meninos, mal me despedi, passei o resto da tarde trancado no quarto jogando overwatch e comendo porcaria para esquecer dos problemas. Não funcionou.

Mais a noite eu recebi uma mensagem de Jinyoung.

Jinyoung:

Vem pra esse caralho de festa agora mesmo ou eu te mato

JB:

Não quero

Jinyoung:

Não aja como uma criança mimada. O Youngjae estava errado e você também.

No final das contas foi por causa do Yugyeom que vocês ficaram mais próximos, se for ver foi por causa desse teste ridículo que vocês se beijaram.

JB:

Então você está defendendo eles.

Jinyoung:

Vai tomar no seu cu Im Jaebum

Para de ser um velho chato e rabugento uma vez na vida e vem nessa porra de festa pegar a porra do seu homem que esperou você por quase um ano.

JB:

E se eu não for?

Jinyoung:

Você não vai só perder Youngjae, vai perder Yugyeom e vai perder a mim.

Você sempre pega no pé do coitado do Yug

Eu sou seu melhor amigo, mas isso não significa que eu vá passar a mão na sua cabeça quando você estiver errado.

Lembrando que eles também erraram.

Jesus ensinou que tem que perdoar o coleguinha porque todo mundo erra.

ENTÃO VEM LOGO PORRA

 

Eu odiava admitir mas o filho da puta tinha razão, então eu resolvi honrar o código principal da nossa amizade: resolver os problemas no dia. Vesti uma calça jeans e um moletom preto, coloquei a máscara e guardei meu celular no bolso, avisei minha mãe que voltaria tarde e sai, indo para a casa do Wang.

Um quarteirão antes da casa dele já dava para escutar a música alta, havia muita gente na casa do chinês e eu me perguntei se ele conhecia todo mundo, provavelmente não.

Vasculhei o lugar com os olhos, balões que tínhamos enchido na quinta colados no teto, luzes coloridas por toda a casa, a musica causava vibrações na parede e no chão de tão alta. Fui até a cozinha e peguei um copo de alguma bebida alcoólica que Jackson tinha comprado para a festa, precisei beber dois copos para ter coragem de enfrentar, não só aquela multidão de gente como também meus amigos o qual eu tinha magoado.

O primeiro conhecido que encontrei foi Bambam, que dançava no meio da sala com animação com algumas pessoas que reconheci depois por serem da sala dele. Um ritmo latino tocava no fundo e o mais novo rebolava como se tivesse nascido na própria Colômbia, a máscara brilhava junto as luzes, cumprimentei ele que sorriu e começou a dançar comigo.

Dançamos juntos, eu já estava um pouco alterado por causa do álcool então não foi difícil me soltar, logo depois (ou não, eu não tinha a menor noção do tempo) Jinyoung e Yugyeom se juntaram a nós, como se tivessem brotado do chão, nós quatro fazíamos combinações improvisadas na hora, dançávamos juntos como não fazíamos a muito tempo.

- Hyung, me desculpa. – Yugyeom disse no meu ouvido, devido à música alta.

- Tudo bem, desculpe por ter me exaltado. – Disse de volta, sorrimos e nos abraçamos. – Aliás onde você e o Jinyoung estavam?

- Eu estava ensinando uma lição para ele, se é que me entende. Eu disse que ia ter minha vingança. – Jinyoung piscou para mim, concordei com a cabeça, um pedido silencioso para me poupar dos detalhes. – Agora eu vou dar uma recompensa para Bambam por ter ficado nos esperando como um bom menino. – Ele disse mais para o tailandês próximo de si do que pra mim.

Revirei os olhos. – Vão para um quarto vocês três.

Jinyoung saiu puxando os dois mais novos pelos pulsos e eu não pude evitar um sorriso, eles eram estranhos, e se combinavam ou deixavam de combinar quem se importava? Estavam felizes, e isso era o suficiente para mim. Amizades coloridas faziam bem.

Foi então que me lembrei da minha amizade colorida não tão amizade e não tão colorida. Sai andando pela casa inteira e acabei esbarrando com Mark e Jackson que estavam bem ocupados se pegando para notar a minha presença, aparentemente todo mundo naquela festa estava desencalhando menos eu, que injustiça.  

Fui para o quintal da casa dos Wang, até tirei meu tênis e fiquei mexendo o pé na piscina enquanto olhava para o céu, momentos como esse eram extremamente necessários para mim, me isolar às vezes era até mesmo inconsciente, mas eu me sentia bem me afastando da multidão. O céu nublado continuava lá, nem uma única gota tinha caído, talvez caísse de madrugada ou na manhã de sábado.

Fiquei lá por um tempo até sentir um cutucão atrás de mim, me virei e vi Youngjae, seus olhos castanhos eram claramente reconhecíveis por trás da máscara branca, talvez só reconhecíveis para mim que já tinha me perdido neles tantas vezes. Eu abri a boca, mas ele colocou o dedo indicador sobre ela, me impedindo de falar, senti meu rosto esquentar com aproximação repentina, felizmente não era perceptível por causa da máscara.

- Você já falou, agora é minha vez. – Ele se sentou com as pernas cruzadas do meu lado, me olhando nos olhos. – Eu entendo o porquê de você estar bravo e chateado, eu não fui totalmente honesto e eu peço desculpas por isso, mas, eu estava desesperado. Desde quando a gente se conheceu eu gosto de você e parecia que você não sentia o mesmo, já que me tratava como tratava os outros, eu tentava me aproximar você sempre me afastava, “não gosto quando mexem no meu cabelo”, “não gosto que gritem”, “não gosto que invadam o meu espaço pessoal” – ele imitou minha voz de maneira cômica, eu soltei um riso leve, ele também. – Eu te respeitei por praticamente um ano hyung, respeitei seu tempo e o seu espaço sim, tanto que eu me segurava pra não te abraçar todos os dias, mas chegou um tempo que eu não aguentei mais esconder isso, eu estava desesperado ao ponto de ouvir essa ideia ridícula do Yugyeom, e sabe de uma coisa? Ela funcionou. Por que essa última semana foi a semana que eu me senti mais próximo de você do que nunca, desrespeitar suas regras foi uma das melhores coisas que eu fiz.

Ele passou a mão pelo cabelo, bagunçando os fios, ele tirou a própria máscara e eu pude ver seu rosto completo. As bochechas coradas, os lábios umedecidos, nossos olhares se encontraram em uma frequência que nunca tinha sintonizada hoje, estávamos totalmente expostos, sentimentos expostos, peito exposto para que cada um fizesse o que bem entendesse com o coração do outro naquele momento.

Cada palavra que ele tinha tido era verdade, eu não rebati, eu não me desculpei mesmo que eu devesse ter o feito, mas eu esperava que meu olhar falasse tudo e um pouco mais.

Tirei minha máscara, queria que ele soubesse que eu estava lá por inteiro para ele, para que fizesse o que bem entendesse com o meu coração.

- Você não vai falar nada? – Ele perguntou, quase sussurrando e eu quase não entendi devido a música alta que ainda ecoava por todo o lugar.

- Para um bom entendedor um olhar basta. – Eu sorri travesso.

O mais novo revirou os olhos, colocou uma das mãos atrás da minha nuca e me puxou para um beijo. Meu coração bateu mais rápido que o Usain Bolt correndo, e eu adorava essa sensação de ter todas as minhas regras quebradas para a sanidade dos dois.

Separamos-nos por falta de ar, o sorriso de Youngjae era aberto e sincero, eu também sorri.

- E o espaço pessoal? – Ele perguntou sarcástico.

- Foda-se o espaço pessoal. – O puxei para outro beijo, o beijaria para sempre se fosse possível.

Porque Youngjae não se preocupava nem um pouco com as minhas regras, mesmo que tentasse respeitá-las na maioria do tempo, e isso tornava tudo mais verdadeiro, eu não queria que ele mudasse, e ele não queria que eu mudasse.

Ele provavelmente precisaria ter muita paciência comigo.

E com ele eu teria toda a paciência do mundo.


Notas Finais


Nhá :3 terminou!!!
O que você achou?
Ficou confuso(a) em alguma parte? algo não ficou bem esclarecido?
Por favor me avisem para que eu não cometa os mesmos erros nas próximas histórias.
Obg por acompanhar até aqui sz


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