História Pacific Rim - Em Chamas - Capítulo 2


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Categorias Círculo de Fogo (Pacific Rim)
Personagens Dr. Newton Geiszler, Herc Hansen, Hermann Gottlieb, Mako Mori, Personagens Originais, Raleigh Becket, Tendo Choi
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Palavras 1.682
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Ficção Científica, Hentai, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Obediente


A água do chuveiro caiu em rajadas quentes, fazendo o suor deslizar junto ao sabonete, que esfregava sem pressa. Sentia o corpo pesado, como alguém que dormiu por uma semana inteira, o que realmente tinha ocorrido. Tudo não passava de lembranças, agora, apenas lembranças fortes e cheias de mil significados. Se não soubesse que foi tudo real, acreditaria realmente que a febre tinha fritado meus miolos.

Escutei a porta bater, o som de passos dentro da cabine.

Sim. Senti os lábios se erguendo vivamente. Depois da morte, acordar com anjos cantando pode ser um incentivo a mais.

Terminei o banho com uma rapidez quase juvenil, secando o corpo com a toalha dura e cheia de fiapos, que fui retirando da pele conforme passava as calças pelas pernas. O cabelo pingava, deixando as gotículas frias escorrerem pela coluna, e mesmo assim, sai do pequeno banheiro, indo encontrar a senhorita Odegaard sentada na beirada da cama, olhando pensativa para a bandeja que depositará na pequena mesa, mais limpa e organizada do que lembro de ter deixado.

-Não faça muito esforço. – pediu, a voz se mantinha firme, melodiosa e imponente, porém, eu ainda podia escutar a doçura da canção em sua língua mãe.

Obedientemente, sentei, puxando a bandeja para perto, analisando a disposição dos alimentos. Das carnes até o purê de batatas, pão, legumes, de lado um doce. Levantei os olhos para a mulher, seu rosto feminino, leve e audacioso olhava para a parede, as fotos que tinha grudado com pouco cuidado no dia em que cheguei. Batia os cílios grossos, negros como o cabelo longo, atado no topo da cabeça de forma tão precária e natural. Creio que tenha sentido meu olhar, pois sorriu, virando-se para mim.

-Coma. – ordenou. – Está fraco, precisa de forças para ficar em seu fluxo total.

Abaixei a cabeça, obedecendo.

Podia ser incrível como o modo com que falava me fazia ter vontade de obedecer, de seguir suas instruções, assim como segui lhe a voz antes de acordar. Talvez fosse apenas isso, algo no meu subconsciente que ainda ligava seu timbre sonoro com ordens a serem seguidas. O engraçado, é que eu nunca cumpri ordens.

-Como eu nunca te vi? – perguntei, bebendo um pouco de água de uma garrafa. – Digo, eu teria lembrado se a tivesse visto pelos corredores.

Ela se levantou, batendo com os coturnos sujos no chão. A calça azul do uniforme caia-lhe estranhamente bem, afinando na cintura, abrindo no quadril arredondado. No braço esquerdo uma tatuagem pequena, apenas duas listras negras que circundavam seu braço, entre elas, um único ponto escuro, que não pude diferenciar de uma pinta ou parte do desenho. Tocou uma das fotos, aquela em que estávamos eu e meu irmão, Yancy.

-Não trabalhava com os Jaegers dessa área. Sou de outra corporação, cuido dos Mark IV. – suspirou, olhando para outra foto. – E reparos.

Revirei a comida na bandeja, com o estômago doendo, talvez pela rapidez com que comi. Continuei a observá-la, coisa que podia se tornar curiosa, conforme movia os pés, suave, como respirava, fazendo pulsar os seios perigosamente aparentes pela regata, até as palavras que moviam seus lábios em formato de coração. Ri, desviando os olhos, formigando dos pés à cabeça, nervoso e estranhamente apto a fazer coisas estupidas.

-Pensei que não precisaríamos mais de Jaegers. – comentei para amenizar o silêncio estendido, não recebendo resposta alguma. Franzi o cenho para o modo como escorou a testa na parede. – O que aconteceu nesses dias em que estive apagado?

Myra rolou o rosto, escorando as costas no frio do concreto, e me encarou com os grandes olhos de cores distintas, quase imperceptível, mas eu via, no direito à cor densa de café e amêndoas, e no esquerdo, o toque esverdeado que o tornava mais claro.

Engoliu em seco antes de falar:

-Eu sinto muito por Yancy. – trinquei o maxilar. – Tive o prazer de conhecê-lo durante a missão que falou mais cedo. – afastou o rosto, sem querer olhar para mim, que levantei, andando até ela, que se mantinha parada. – Não queria que precisasse ter morrido, nem nenhum deles.

Segurei seu rosto, não gostaria de admitir, mas não o fiz de forma muito gentil.

-O que está acontecendo? – e ela se ergueu na ponta dos pés para tentar se fazer mais alta, sem perder sua autoridade.

-Oscilações. – respondeu e me afastei, lhe dando um pouco de espaço. – No Atlântico, Raleigh. – engoli em seco. – Eu acho que não acabou. Vamos precisar de ajuda.

Subitamente tive vontade de sentar, as pernas mal paravam em pé. E joguei a cabeça para traz, rindo. Rindo como se não houvesse nada no mundo mais engraçado do que um próximo ataque de Kaijus. 

-Está brincando? – negou, arredia, sem entender minha reação. – O que querem de mim?

Myra respirou fundo, trocando o peso do corpo de um pé para o outro.

-Reconstruir. – murmurou. – Precisamos de novos pilotos.

Assenti, voltando-me para a mesa. Olhei a comida, sem vontade alguma de comer, e por isso, terminei minha curta refeição com o pão doce e macio que tinha me trazido. Queria dar as costas, sumir dali, acima de tudo, desejava que ela estivesse brincando.

Voltou a olhar minhas fotos, algo nela simulava o nervosismo, talvez o suor que via brilhar em sua pele. Suspirou, sorrindo para mim.

-Seu irmão era uma figura. – riu-se. – O que tinha de bom piloto, dava azar com as mulheres.

Escorei-me na cadeira, cruzando os braços sobre o peito. Apertei os olhos para seu rosto totalmente divertido e cheio de lembranças.

-Ele tentou me convidar para sair. – explicou. – Nunca vi um homem tão atrapalhado, desistiu na metade da conversa. Vermelho como se tivesse sangue brotando da pele quando Einar chegou. – e ela gargalhou, os cabelos escapando do coque. Acabei rindo junto, as lembranças da minha adolescência com Yancy sempre tinham um toque de graça. – Ele podia ter tentado um pouco mais.

E sorriu, maliciosa.

-Os irmãos Becket tem o seu charme.

E foi minha vez de rir alto, levantando. Andei até ela, que segurou a respiração, quando me viu chegando perto. Quis dar um passo atrás, mas já estava com as costas escoradas na parede. Seus olhos me encararam, cheios de expectativa. Podia sentir o sangue pulsando com força pelo coração.

Myra me encarou profundamente, enquanto eu inclinava o rosto para ela, chegando tão próximo que sentia sua respiração misturada a minha. Era quente, tão quente que sentia o inferno em seus lábios, úmidos e feitos para um único propósito.  

-Vou levar como um elogio. – disse, mais rouco do que esperava.

E seu rosto se ergueu com petulância. Não eram precisas muitas palavras, seus olhos diziam tudo, e eu tinha certeza de que ela sentia o mesmo, essa sensação de cumplicidade, desde o momento em que acordei, ela estava em mim. E pareceu ler meus pensamentos, mordendo o lábio, enganchou os polegares em minha calça, puxando, fazendo com que nossos corpos se colassem. Engoli em seco, sentindo a pele fervendo.

Arfou, os olhos correndo de cima a baixo, perversos.

-Não foram para você. – sussurrou e dei por mim segurando-lhe a garganta, delicadamente, podendo sentir o coração bater com força ao escorrer a palma pela pele quente e macia.

Neguei, o sangue girando com força, a cabeça tonta, inebriada.

-Eu sinto que te conheço a vida inteira. – e ela suspirou, contorcendo vivamente.

-Talvez conheça. – murmurou, os olhos fechados, seu corpo parecia acompanhar os dedos que eu lhe tinha no pescoço, descendo devagar. – De outras vidas.

-Acredita mesmo nisso? – indaguei, inclinando até seu ouvido.

Gemeu baixinho, e esse gesto foi demais para mim, que já latejava impiedosamente, e cravei os dedos contra sua cintura, seu corpo tremia e correu as unhas até meus ombros antes de resmungar:

-E o que mais explicaria? – enrolei a mão em seus cabelos, expondo seus lábios para mim. – Não faça isso. – suspirou.

Mas ela estava ali, como nunca senti ninguém. Estava de corpo e alma, estava porque desejava, porque não podia sair. Ela inteira respondia a mim, como eu respondia a cada gesto corporal, a cada respiração.

Sentia o sangue queimar.

-Então ordene.

Antes que pudesse responder. Que pudesse ter a reação que sabia que teria, uma batida forte na porta fez com que nos separássemos, parecendo dois adolescentes pegos em flagrante.

Mako entrou, ansiada. Congelei ao ver seu rosto, o sorriso meigo que mantinha suas feições tão leves e infantis. Simplesmente a abracei. Sem mais delongas, eu a abracei como se abraça uma criança a muito tempo perdida.

-Que bom que você está bem. – a estreitei mais ainda nos braços. – Precisamos tanto conversar.

Mako simplesmente não soltava-me.

Myra encolheu os ombros, se dirigindo até a porta. Deu um aceno, indicando que iria se retirar. Desejei falar algo, mas não poderia nem que quisesse.

Afastei Mako, sorrindo largamente para ela. Sentamos na cama, olhando um para o outro. Não acredito que precisávamos dizer algo um para o outro, não depois do que passamos, de ter estado um na cabeça um do outro.

-Dormiu por sete dias. – disse. – Tive medo por você.

Apertei os lábios, apertando seu pequeno queixo.

-Está tudo bem, Mako. – segurei sua mão, apertando. – Quero que me diga se o que falaram é verdade.

Seu olhar ficou vago, olhando para as cobertas amarrotadas. Vi lágrimas acumularem em seus olhos puxados, e como tentou as controlar.

-Seja lá o que vá acontecer, nós vamos superar, fizemos isso até agora... – franzi o cenho para seu rosto abaixado. – Pentecoste, Chuck.... Nenhum deles morreu em vão. Mako, olhe para mim. – ergui seu queixo. – Pode não ter terminado, mas...

-Não posso mais pilotar, Raleigh.

Endireitei o tronco, embranquecendo vivamente.

-Do que está falando?

Deu de ombros, abrindo o casaco azul, mostrando o ombro enfaixado.

-O meu braço, eu rompi o ligamento, não sei quanto tempo vou precisar para recuperar as forças.

Fechou o casaco, apertando os pequenos lábios para minha expressão chocada.

-Mas vai se recuperar.

-Precisa de um novo copiloto, Raleigh. – respirou fundo. – Não é uma escolha.

Engoli em seco, afastando o olhar do seu.

-Não temos mais Jaegers. – disse cheio de petulância e ela encarou meu olhar. Deixei os ombros caírem. – Temos.

E ela sorriu, e eu conhecia aquele sorriso.


Notas Finais


Obrigada por ler :D


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