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História Pacto de Sangue - Capítulo 21


Escrita por: e All_Jeremy


Notas do Autor


Oláaa meus amores kk. Eu sei eu sei. Eu tô mandando um atrás do outro kk voltei a ficar empolgado de novamente kk Espero que esse cap mantenha a expectativa de vcs alta kkk E acima de td, espero que gostem kk Ainda amo vcs em, e eu sei q vcs sabem kk

Capítulo 21 - A queda


Fanfic / Fanfiction Pacto de Sangue - Capítulo 21 - A queda

O sol já estava se deitando no horizonte quando o grupo de Asher chegava ao terreno da família Ni’ord. Brandom havia voltado com o grupo, conversando durante todo o caminho. O filho do cavaleiro era um pouco maior do que o pai, e seu manto de peles fazia parecer que era mais forte. Sua barba ruiva rala denunciava sua idade, ao passo que seu cabelo prese fora claramente inspirado no pai. Asher não conseguia retirar o sorriso de seu rosto durante o caminho de volta. Brandon era o único lugar no qual os olhos do cavaleiro pousavam. Ele tentava gravar cada detalhe de sua feição de seu filho enquanto ele falava e andava. Por vezes o cavaleiro se pegava divagando em pensamentos, imaginando seu filho crescer e caçar como sempre fora seu sonho. Asher sempre carregou uma culpa consigo. Ele achava que nunca foi um pai para seu filho, não o que ele precisava. Ele deixou sua família, e isso o assombrava. Contudo, ver Marta e Brandom sorrindo era um alívio momentâneo para seu peito e um luxo que ele julgava não merecer.

O fato de Brandom conhecer a floresta e seus caminhos foi de grande ajuda para o grupo de jovens acólitos e suas botas justas de couro negro. O jovem contava algumas histórias de suas caçadas e aventuras, sempre citando seu pai como referência de professor.

Marta já conhecia as histórias do filho, mas fitar o rosto de Asher enquanto ele ouvia os relatos era uma experiência totalmente nova. Os acólitos prestavam atenção no filho do cavaleiro, tanto em seu modo de falar quanto em sua fisionomia, ambas lembrando o cavaleiro. Ender, por incrível que pareça, não fez nenhuma pergunta. Ele estava mais concentrado em estudar o filho do cavaleiro e aprender com suas histórias e experiências. James e Elizabet aproveitavam o momento, se deleitando na felicidade do cavaleiro. Gabe, como sempre, não dizia nada, muito menos se expressava. Ele preferia ficar mais atrás, deixando-se levar pela beleza da relva e o cheiro de madeira nobre e terra.

Ao chegarem na cabana, marta ia até a porta e a abria. Todos entravam com relativa pressa, ansiosos para se livrarem dos cintos, capas e principalmente, botas. Brandom, já sendo de casa, andava ate uma cabeça de alce empalhada e retirava sua capa de peles, onde a pendurava no chifre do animal. Vendo o ato, Asher se virava para o filho e apontava.

—Este ainda é o alce que eu cacei?

Brandon se virava para o pai com um sorriso ainda maior.

—Não. Esse eu cacei a alguns invernos.

Asher ficava surpreso.

—O do senhor é aquele ali.—O jovem apontava para uma parede mais ao longe.

Asher direcionava o olhar para o local, e ao fazer isso, via a cabeça de um alce um pouco menor com chifres imaturos, possivelmente um filhote.

Marta ria da cena.

Contagiados pelo riso da mulher, os acólitos acompanhavam-na, rindo da situação.

Asher meneava, ainda rindo.

—Eu nunca fui um bom caçador. —Ele andava ate o filho e colocava a mão em seu ombro.—Mas parece que você se tornou o melhor.

Brandon ficava visivelmente envergonhado, corando seu rosto sardento.

—Mas nunca consegui cortar uma árvore como o senhor.— Ele tocava o ombro do pai.

Enquanto retirava a espada do cinto, Ender observava pai e filho trocando experiências, e após ficar mais leve, trajando suas roupas de lã, andava até os dois.

—Você já pensou em entrar pra Ordem? Alguém com sua experiência e habilidade seria bem útil. —Ele perguntava de forma alegre e esperançosa.

Todos paravam o que estavam fazendo e se calavam. Asher e brandom se entreolhavam, mas não diziam nada. O ar da casa ficava pesado, repleto de tensão. Ender não percebia que o assunto era delicado, e mesmo com todo seu conhecimento, ainda não tinha experiência o suficiente para saber o que não devia dizer. Marta ficava séria, passando a fitar o chão.

Elizabeth se levantava da cadeira na qual estava sentada, retirando um dos ferrolhos do cinto de sua perna e andava apressadamente até Ender. Ela puxava a orelha do jovem e fitava o cavaleiro e seu filho.

—Desculpe Sir Asher. —Ela dava um sorriso desconcertado.

Ender gemia um pouco, ainda com a mão da jovem castigando sua orelha.

—O que tem na cabeça? Tem tanta informação ai que esqueceu como se portar? —Ela sussurrava, mas com o silêncio agonizante do local, todos a ouviam.

A acólita guiava Ender para longe dos dois. Ao se afastarem o suficiente, ela tornava a fitá-lo nos olhos. —Não estrague o reencontro deles com suas perguntas inconvenientes. Eles não precisam de mais um motivo pra não se verem. Fui clara? —Ela soltava a orelha dele.

Ender torcia a boca enquanto tocava sua orelha quente. Ela ainda o fitava nos olhos, e com isso, o jovem sorria parcialmente.

—Não sou uma criança para que me repreenda, Elizabeth.

—Você tem certeza?— Ela enfatizava, visivelmente irritada.

Ender queria respondê-la, mas sabia que se o fizesse, lhe daria a razão. Ele se virava, estranhamente calmo e ia até onde suas roupas estavam. Elizabeth o acompanhava com os olhos, assegurando de que ele não estragaria mais nada.

 

 

Depois que todos ficaram à vontade, se recuperando do momento anterior, Marta começava a preparar a ceia, feita especialmente com alguns animais que Brandom caçara e havia trago consigo. Asher, como sempre fazia enquanto estava em grupo, tentava alegrar todos com suas histórias e encenações, trazendo-os à mesa. Os acólitos se esqueciam totalmente sobre seus deveres e funções, fazendo com que o cavaleiro do amor parecesse um simples homem, sentado a mesa com sua família. Elizabet e James haviam se acostumado com aquilo, talvez ate demais.

Já na hora da refeição, Asher agradecia a Imura pela comida. Enquanto todos se serviam, o cavaleiro fitava as mãos dos jovens, ávidas pela carne de cervo. Ele unia as mãos abaixo do queixo e exibia um sorriso singelo.

Marta conhecia o homem. Ao notar sua feição, ela pousava a faca no prato.

—Não está com fome?

Ele fitava os olhos verdes da mulher.

—Claro que estou. Ainda mais por um cervo caçado pelo meu filho.—Mantendo seu sorriso, ele abaixava as mãos. —Queria gravar o momento antes de ir.

Os acólitos ouviam as palavras e sentiam o peso das palavras do cavaleiro. James suspirava, mas ao ver Elizabeth a sua frente, ele se tranquilizava e tornava a comer. Ender não ligava muito. O pequeno acólito era desapegado a tais gestos. Brandom entendia o pai, e como estava sentado ao seu lado, lhe dava tapinhas nas costas, o confortando.

—Vamos partir amanha, antes do sol nascer. —O cavaleiro aproveitava o momento para explicar a causa de sua reflexão. —Edgar nos deu alguns dias para escoltar São Victor. Passar aqui não estava nos planos.—Ele fitava a mesa.

Brandon esboçava um sorriso.

—Mas você não pode resistir.—Ele colocava um pedaço de carne na boca.— Rebelde como sempre. —Ele começava a mastigar.

Seu filho o conhecia muito bem. Asher ouvia a palavra, o que trazia algumas atitudes do passado à memória.

Asher era conhecido em Vanilla, a cidade mais próxima ao círculo do sol, onde todos o amavam e odiavam ao mesmo tempo. Ele era carinhoso com todos, até com seus desafetos. Mas também era temido pela força militar da cidade, se recusando a andar segundo as leis e aos decretos reais. Fora necessário alguns ossos quebrados de soldados ate que o rei deixasse o futuro cavaleiro em paz.

Agora, sentado a mesa, Asher se sentia pequeno, pequeno como nunca antes. A sensação de seguir uma ordem era incomoda, mas ele sabia que era para um bem maior. Aquele Asher de antes se fora. Agora suas responsabilidades eram muito maiores.

—Você pode ficar mais alguns dias se quiser. —Falava Marta, chamando indiretamente a atenção daqueles sentados à mesa.

Todos tornavam a fitar o cavaleiro, curiosos quanto a resposta.

Asher sorria gentilmente.

—Infelizmente não podemos ficar mais. Vamos demorar três dias para voltar a catedral. E com certeza excedemos nosso limite.—Ele rebaixava o olhar, suspeitando dos pensamentos de todos a sua volta.

O cavaleiro, ainda de cabeça baixa, ouvia o som de uma das cadeiras sendo arrastada. Depois de alguns passos ecoarem pelo cômodo silencioso, ele sentia os braços confortáveis de Marta o envolverem. Ele levava sua mão ao braço dela e o acariciava. Sua pele macia e aveludada lhe trazia lembranças felizes, e com elas, um sorriso. Não havia nada a ser dito.

 

Ainda estava escuro quando todos estavam do lado de fora da casa, terminando de preparar os cavalos. Ender coçava os olhos, visivelmente cansado. Elizabeth ajudava James a colocar a sela corretamente no cavalo. Brandon acariciava Alva, o que chamava a atenção do cavaleiro. Asher se aproximava do filho compenetrado.

—O que você fez pra ela ficar tão calma assim?

Brandon se virava para seu pai, ainda com a mão no pelo macio da loba, e lançava um sorriso.

—Depois de tantos anos na floresta aprendi algumas coisas.—Ele acariciava a orelha do animal.—São animais inteligentes. Principalmente esses. Nunca vi um lobo grande assim.

—Eu também não.—Ele devolvia um sorriso. —Você devia ter visto ela quando a encontrei. Selvagem. Bem, ela não mudou muito.

Brandom fitava rapidamente o animal, duvidando das palavras do pai.

—Não se preocupe. Ela vai se acostumar com você. Não te matar de imediato foi um grande avanço. —Ele ficava de pé e se virava para o pai. —É como se eles conseguissem ver quem você realmente é ao olhar em seus olhos. Tenho certeza que ela vai ser uma boa parceira.

Asher encarava seu filho enquanto ele falava. Ele se alegrava. Ele havia amadurecido tanto. Nem parecia mais o jovem obcecado por roedores e plantas. Marta havia feito um ótimo trabalho. Em meio aos seus pensamentos ele sentia uma pitada de culpa por sua ausência, imaginando o que teria acontecido se ele tivesse ficado.

O cavaleiro se aproximava do filho e tocava seu rosto carinhosamente.

Brandon entendia o olhar de seu pai e devolvia o gesto.

—Tudo bem, pai.—Ele sorria.

Aquelas palavras amenizavam o aperto em seu peito. Ele não diria nada, e caso o fizesse, não voltaria a catedral. Ele se distanciava de seu filho, ao passo em que seus dedos deslizavam pela barba ruiva de Brandom. Ele se virava e andava ate Marta, esta que estava coberta pela capa de peles de seu filho, que era excessivamente grande para seu porte. Ao parar em frente a mulher, ele lhe lançava um olhar confuso, estranhando a peça que cobria a mulher.

A mulher cerrava os olhos em resposta.

—O que esta olhando, cavaleiro do amor? —Perguntava num tom cômico.

—Uma bela mulher coberta de lebres.

Ela ria.

—Se olhar demais pode querer compartilhar essa capa comigo. —Ela abria parcialmente a capa pesada, o convidando.

Asher sorria.

—É o que eu mais quero nesse momento. —Ele estendia a mão para o braço dela, e a cobria novamente, negando o convite.

Eles se entreolhavam por algum tempo, tendo uma conversa com seus corações. Os acólitos admiravam a cena. Elizabeth segurava o mindinho de James, disretamente. Era um gesto singelo, mas o acólito entendia. Ele segurava sua mão rapidamente em resposta. A mão de Elizabeth estava quente, contrastando com os dedos frios de James.

Com um suspiro por parte de Marta, Asher se dava conta de que quanto mais tempo ficasse ali, maior seria o desejo de ficar. Ele se abaixava e beijava delicadamente a testa da mulher. Ela, por sua vez, encostava sua cabeça no peito do grande homem.

—Adeus, meu amor.

Ele se segurava. Aquelas palavras eram como lâminas em seu coração. Ele não poderia responder.

Os acólitos percebiam a despedida, e se apressavam para montar em seus cavalos. Ender alternava o olhar entre todos os membros do grupo, fitando especialmente Gabe. Os jovens montavam em seus cavalos e o cavaleiro chamava a loba. Com o peito pesado, Asher se virava e seguia seu caminho, tentando não olhar para traz.

—As vezes seu remédio pode se tornar um veneno mortal.—Ender dizia para si mesmo enquanto guiava o cavalo para longe da casa de Marta.

 

A viagem seguia em silêncio. O grupo não queria interromper os pensamentos do cavaleiro, salvo Ender. O jovem parecia inquieto em seu cavalo, fitando o horizonte e as árvores a sua volta.

—O que foi Ender? Encontrou seu bom senso? —Elizabeth perguntava retoricamente.

Ele se virava rapidamente para a jovem.

—Pessoas com bom senso tem medo de perguntar o que todos querem saber. Já eu, não. Eu não tenho medo de perguntar ou mesmo dizer o que quero. Assim cresço em conhecimento.

Elizabeth revirava os olhos. Ela se perguntava como alguém tão jovem poderia ser tão irritante e tão maduro ao mesmo tempo. Ender era um enigma, um que ela não gostaria de resolver. James ouvia a tensão entre os dois e apenas achava engraçado, rindo contidamente. Nos dias em que passaram na casa de Marta, James aproveitou para conhecer melhor a acólita. Ele descobria seu apreço pelas histórias românticas, fascínio por flores do campo e uma enorme carência de contato, o que era bom para ele.

Uma leve brisa tocava os rostos dos acólitos, os fazendo desejá-la em seus corpos, contudo, os mantos negros que iam dos pés aos pescoços, os frustravam. O sol estava alto, mas não estava tão quente quanto dias atrás. E para ajudar, as copas das árvores se uniam para proteger os viajantes.

Ainda aproveitando parcialmente a brisa, todos ouviam um som característico, o roncar de uma barriga. Os acólitos se entreolhavam a fim de descobrir o dono do estômago desejoso. Ender erguia a cabeça, fitando as folhas dançantes, claramente disfarçando.

—Acho que ouvi uma águia. Vocês ouviram também?

James e Elizabeth riam da fala do jovem.

Asher se virava para o grupo ao ouvir as risadas. Ele se esforçando para sorrir.

—Acho que já está na hora de colocarmos o treinamento em prática. —Ele fitava James. —Talvez seja diferente desta vez, James.

O acolito acenava positivamente em resposta.

Ender descia do cavalo, ainda segurando suas rédeas.

—Será que Gabe poderia me acompanhar dessa vez?—Perguntava Ender.

Asher dava de ombros.

—Porque não? —Ele andava até o cavalo do jovem e pegava as rédeas de sua mão. —Só não demorem muito. Vou amarrar os cavalos e esperar aqui.

O resto do grupo descia dos cavalos. James pegava um arco, este que fora um presente de Brandom. Asher não reconhecia o instrumento, apenas franzia o cenho, curioso. Após um cumprimento, eles se separavam, adentrando na floresta.

Ender e Gabe seguiam para uma área mais densa. O jovem ia a frente, abrindo caminho para Gabe com sua espada. Gabe se lembrava da lição que Sir Asher ensinara, a de não fazer barulho para não entregar sua posição, e, percebendo a força que Ender fazia para contar os galhos, ele desconfiava.

—Se continuar assim acho que vai espantar os animais.

Ender não se virava, apenas continuava a golpear a relva com a lâmina.

—Não estamos procurando animais. — Dizia despreocupadamente

Gabe notava o tom da fala do jovem. Sua deficiência o forçara a desenvolver outras áreas de seu corpo que não fossem as físicas. Visando sobrepor sua falta de habilidade com a espada, o acolito investira grande parte de seu tempo lendo, aprendendo com aqueles que o rejeitaram, e com isso, ele virou um perito em comportamento, e aparentemente, ele reconhecia a intenção de Ender.

—O que você quer comigo?—Gabe perguntava calmamente.

—Ainda não. As árvores tem ouvidos aqui.

Gabe cerrava os olhos, desconfiado.

Os dois andavam por longos minutos até chegarem a uma enorme cachoeira. Ender estava com seu braço exausto, o fazendo pousar a lâmina na rocha úmida.

Vendo o jovem ofegante, Gabe segurava o cabo de sua espada, pronto para qualquer ação hostil por parte dele.

—É lindo aqui em cima.—Dizia Ender fitando a queda d'água que não devia ter menos do que trinta metros.

Gabe permanecia em silêncio, esperando o jovem retomar o fôlego.

Ender guardava a espada em sua bainha e se virava para Gabe, lhe lançando um olhar e sorriso confiantes.

—Não se preocupe, eu te trouxe aqui porque é mais seguro, longe do Sir Asher.

Gabe erguia uma sobrancelha.

—O som da cachoeira vai assegurar nosso sigilo. —Ender continuava.

—Como sabia que havia uma cachoeira aqui?

—Eu não sabia.—Ender coçava a cabeça. —Foi uma aposta. Enquanto estávamos vindo, eu percebi que essa área era mais alta em relação a estrada, e com uma vegetação mais densa e verde, eu tinha certeza que havia um rio, ou algo parecido. Acabou que era o que eu queria.

Gabe soltava o cabo da espada, mais tranquilo. Ele fitava a floresta que rodeava a cachoeira, internamente se perguntando em sua cabeça como aquilo estava escondido. Após o término da explicação do jovem acólito, Gabe se mantinha indiferente. Ele não se impressionava com o conhecimento do jovem, visto que seu palpite parecia ser algo bastante óbvio para alguém que estudou geografia.

—O que você quer? —Ele insistia.

Ender segurava o cinto com as duas mãos.

—Quero saber o que você tem contra James Ereborn.

Gabe lançava um sorriso de canto de boca.

—E porque algo assim lhe interessaria?

Ender se virava para a cachoeira.

—Eu não gosto dele. Não gosto do jeito dele. De como olha aquele diário especial dele. De como conversa com a Elizabeth sozinho. Eu sei que tem algo errado. —Havia certa raiva em sua voz.

—E por que você acha que eu teria algo contra ele?

Ender se virava novamente e o encarava com seus olhos verdes.

—Eu percebi como você o olha. O acusando. E todas as vezes que ele está perto de você, ele fica tenso. Tenso a ponto de não raciocinar direito. Pra mim, esse é o comportamento de alguém que carrega culpa. — Ele cerrava os olhos. —E o que quer que seja, não é algo normal, se não você teria contado para Sir Asher. Estou errado?

Gabe sorria desconfiadamente. Ele ouvia atentamente as palavras do jovem de menor estatura. Era intrigante ver alguém tão jovem saber de tanta coisa, ainda mais de coisas que não foram ditas.

—Não. Você está absolutamente certo. Mas não há motivos para compartilhar o que eu sei.

Gabe se virava em direção a floresta e começava a andar até o local pelo qual viera.

—Eu sei que pretende contar a Sir Edgar.

As palavras de Ender seguravam os pés de Gabe contra o solo.

—Você acha que Sir Asher tem um coração muito... Fraco. Que ele não resolveria o problema.

Gabe permanecia parado, atento as palavras de Ender.

—A questão é: Você quer alguém dando veracidade ao seu testemunho, ou alguém para confirmar que está vendo coisas? Você decide Gabe.—Terminava num tom desdenhoso.

Gabe se virava e se aproximava rapidamente do pequeno acólito, ignorando as pedras lisas sobre as quais estavam.

—Numa manhã eu presenciei James saindo da tenda de Elizabeth, Contrariando a ordem de São Victor. Eu tenho certeza que eles consumaram o pecado naquela tenda.

Ender erguia as sobrancelhas.

—Então era só isso? —Perguntava decepcionado.

Gabe franzia o cenho, irritado com a reação do jovem.

—Eu venho observando os dois a dias, inclusive dentro da catedral. Eles passam muito tempo juntos, as vezes em cômodos escondidos.

Ender mostrava-se interessado.

—Cômodos escondidos é?

—Em baixo da catedral, no local que só São Reginald, dentre os santos, pode ir. Tenho certeza que estão cometendo... —Ele cerrava o punho da única mão que tinha.

Ender percebia a frustração de Gabe e adotava uma feição gentil. Ele percebia tudo. O que estava acontecendo. Ender levava a mão à face de Gabe.

—Pobre Gabe. Você gosta dela.

Gabe retirava a mão de Ender abruptamente, estranhando o gesto.

—Não se preocupe. É perfeitamente normal. —Ender ressaltava.

—Do que esta falando?—Perguntava enquanto tentava disfarçar.

—Você deseja Elizabeth pra você. E fará tudo para que ela seja sua. Até condenar um homem a morte. Ou mesmo condená-la. Porque você não sabe se ela o aceitaria e romperia as leis para estar ao seu lado, como fez com James.— Ender sorria amavelmente.

Aquela afirmação era como uma verdade amarga. Ele sempre soube desse sentimento, mas lutou tanto para escondê-lo que se esqueceu de sua existência.

Ele ficava sem reação, estalando os olhos para o garoto a sua frente.

—Eu...—Uma pausa.—A amo.—Dizia para si mesmo, respondendo uma pergunta que se fizera a muito tempo enquanto a fitava na catedral, escondido.

—Não ama não.

A resposta de imediata e convicta de Ender o trazia ao momento presente.

—O que?

—Cadáveres não podem amar.

Aquelas eram as últimas coisas que Gabe escutava antes de sentir a mão de Ender em seu peito, o empurrando. Suas pernas não conseguiam o seguravam no topo da cachoeira, e somando as solas de couro com a pedra lisa, era inútil tentar. O som de tudo a sua volta era abafado e o tempo parecia correr lentamente.

Ender se inclinava um pouco para frente, tomando cuidado para não escorregar, e fitava o homem. Ele não queria perder o momento do choque do corpo de Gabe contra a água.

—Será que ele aprendeu a nadar sem um braço?

Gabe batia a cabeça numa pedra antes de cair na água, tingindo a rocha de vermelho vivo e pedaços brancos. Isso arrancava uma expressão dolorosa do rosto de Ender.

—Acho que ele nem vai ter a chance de tentar. Uma pena. —Ele se virava para a floresta e começava a correr pelo caminho que fizera. —Pra um plano improvisado, acho que deu certo. Contudo, se ele tivesse os dois braços, poderia me puxar, ou mesmo nadar. Eu tive sorte dessa vez. Maldita sorte...

 

Asher encarava os olhos da loba enquanto a acariciava. Ele estava determinado em entendê-la apenas com o contato visual. Contudo, ele era interrompido pelo jovem ofegante que surgia em meio as folhagens. Ender parecia assustado. Ele apontava desesperadamente para a floresta, balbuciando palavras de forma assustada. O cavaleiro percebia a urgência de sua expressão e corria até ele.

—Ender? O que aconteceu? Onde esta Gabe?

Lagrimas começavam a escorrer dos olhos do jovem.

—Ele...Ele... ele caiu da cachoeira...— Suas palavras saiam com dificuldade em meio aos soluços.

 

 


Notas Finais


Cof Cof. Intrigante, não? kk é, essa foi a intenção. kk Espero que tenham gostado. Fiquem ligados kk pq com certeza eu só vou parar quando essa história tiver terminado kk


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