História Pacto Secreto - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Criminal Minds
Personagens Aaron Hotchner, Derek Morgan, Dr. Spencer Reid, Elle Greenaway, Emily Prentiss, Jason Gideon, Jennifer "JJ" Jareau, Penelope Garcia, Personagens Originais
Tags Brie Larson, Hotchniss, Mary Elizabeth Winstead, Matthew Gray Gubler, Novela, Paget Brewster, Romance, Spendy, Thomas Gibson
Visualizações 136
Palavras 3.925
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, meus amores.

Desculpem não ter postado no dia combinado, mas é que eu reescrevi esse capítulo umas 4 vezes e não gostava do saia. Eu fiquei na dúvida se dois interrogatórios no mesmo dia seria interessante.
Eu havia prometido que 90% do mistério que envolvia o passado de Wendy, Hotch e Emily seria revelado hoje, mas não vai ser, eu mudei tudo. Achei que seria mais interessante descobrirem em outro momento da história que está prestes a acontecer.

Espero que não me matem e entendam!

Capítulo 4 - Capítulo 4


Fanfic / Fanfiction Pacto Secreto - Capítulo 4 - Capítulo 4

A sua mão tremia à medida que o celular vibrava. Por alguns segundos ele perdeu os sentidos e sem que pensasse bem no que fazia, atendeu a chamada.

— Alô, filha? — falou Emily ao ter o silêncio como resposta.

— Emily!

Foi a vez dos batimentos cardíacos dela acelerarem. Emily engasgou e não sabia bem o que dizer.

— Aconteceu alguma coisa com a minha filha? — perguntou Emily preocupando-se.

— Não, está tudo bem — ele respondeu calmamente.

— E por que você está atendendo o telefone da minha filha?

— Nossa filha, Emily... nossa filha.

— Desculpe — ela falou com a voz embargada. — Por que atendeu ao celular da nossa filha?

— Ela esqueceu comigo e quando vi que você estava ligando, não resisti. Tive que atender.

— Como você está?

— Acho que estou bem. E você, quando vai voltar para cá?

— Você sabe que eu não posso voltar.

— Eu queria te ver de novo.

— Eu também queria — respondeu Emily rápido e em seguida quis mudar de assunto. — O que você faz no apartamento da Wendy?

— Estamos trabalhando num caso juntos.

— E como meu bebê tem se saído?

— Bebê? Emily, nossa filha já é uma mulher... uma linda mulher, se parece muito com você.

— Ela tem seus olhos.

— Mas todo o resto é seu — Hotch falou sorrindo. — É tão estranho vê-la crescida, tanto tempo perdido.

— Mas não foi sua culpa.

— Eu sinto que não lutei o suficiente.

— Hotch, você não podia ter feito nada. Tudo seria inútil!

— Talvez, mas talvez minha filha não me rejeitasse tanto.

— Aaron, ela não te rejeita — falou Emily amorosamente. — Por mais que meu pai tenha tentado envenená-la contra você, ainda sinto que ela fica com intrigada com algumas coisas. Cedo ou tarde, ela vai perceber o pai amoroso que você é e que você só não foi presente porque te obrigaram a sair da vida dela.

— Você sente minha falta? — ele perguntou.

— Sinto.

— Mesmo depois de todos esses anos.

— Sim.

Hotch e Emily passaram a madrugada conversando, revivendo todos os momentos bons e ruins que passaram juntos. Todavia, em Londres já eram quase 9:00 horas da manhã e Emily precisava retornar ao trabalho. Ambos desligaram o telefone, sem prometerem se falarem depois. Conversarem naquele dia já havia sido um presente do acaso.  

***

Wendy chegou na sala ainda com seus trajes de dormir: uma camiseta branca e um short cor de rosa curto – e assustou-se quando viu o pai dormindo no sofá. A garota percebeu que seu celular estava sob a mesa de centro, então o pegou. A bateria já estava quase no fim. Quando foi olhar as chamadas perdidas, ele verificou que teve uma chamada atendida. Era de sua mãe. Logo imaginou que, pelo horário, seu pai havia atendido. Num primeiro momento seu sentimento foi irritação, afinal era sua privacidade sendo invadida, depois ponderou. Desde que se lembrava, seus pais mal conversavam e aquilo sempre a machucou muito. E saber que eles conversaram por a noite toda a alegrou.

— Agente — ela chamou para acordá-lo, tendo se sentado na mesa de centro.

Hotch sentou-se no sofá, desnorteado.

— Por que não me disse que iria dormir aqui? Tem outro quarto lá em cima.

— Eu não planejei isso — ele respondeu. — Acabei perdendo a noção do tempo...

— E quem te fez perder a noção do tempo? — Wendy perguntou com um sorriso malicioso.

Hotch logo percebeu que ela sabia que ele e Emily haviam passado a noite conversando. Ele somente riu de volta. Era a primeira que ela ria para ele em anos.

— Eu te acordei para avisar que tomo café na cafeteria em frente ao prédio — ela disse. — Você quer vir comigo?

— Claro — ele respondeu sem hesitar.

— Eu só vou trocar de roupa e já desço.

Wendy levantou-se e subiu as escadas correndo. Hotch ficou na sala e pela primeira vez sentiu que havia motivos para sorrir. Começou a observar cada centímetro da sala. Ele caminhou até a estante e viu uns doze porta-retratos, e destes, sete eram fotos com a mãe em viagens pelo mundo. Os outros eram fotos ou da Wendy sozinha ou com amigos.

Ao mesmo tempo em que ficou feliz ao ver as duas juntas em vários momentos, ele se sentiu infeliz por não ter estado com elas. Ver a filha e ter conversado com Emily, fez com que fosse despertado um sentimento que estava adormecido há anos: ter uma família. E aquilo fez com que ele se lembrasse das memórias mais doloridas que ele tinha.

~17 anos antes~

Wendy, tinha cinco anos e estava no parquinho da escola observando outras crianças brincarem. Hotch, que havia acabado de chegar, a procurava no meio de tantas crianças. Wendy que logo o viu, correu para seu encontro.

— Papai! — ela gritou.

Hotch ficou agachado com um joelho apoiado no chão e o outro dobrado. Eles se abraçaram forte. Então desfez o abraço e percebeu pelo olhar dela que a garota estava triste. Hotch acariciou o rosto da filha enquanto lágrimas desciam.

— O vovô disse que o senhor não vinha mais me ver — ela falou soluçando.

— O papai só se ausentou uns dias, pois estava viajando a trabalho, mas sempre que eu tiver aqui eu venho te ver e te encher de abraços e beijos — ele disse a abraçando e a beijando, enquanto ela ria. — Papai te ama, você sabe disso, não sabe?

— Aham — ela concordou balançando a cabeça.

— Deixa eu te contar a boa notícia: papai está de folga e vai ficar cinco dias com você.

— Cinco? — ela indagou mostrando a mãozinha para ele.

— Isso, meu amor — Hotch falou beijando a mão dela. — Agora vai brincar com seus amiguinhos, papai vai esperar acabar a aula para te levar para minha casa.

[...]

~1 semana depois~

Hotch entrou de supetão na sala de Emily Prentiss no FBI. Ele estava muito nervoso e parecia que ia explodir.

— O que está acontecendo, Emily?

Ela ficou calada, pois já sabia do que se tratava.

— Uma ordem de restrição? — ele perguntou ofendido. — Você não quer que eu veja a minha filha?

Emily abaixou a cabeça para não encarar o ex-marido.

— Ele está te chantageando, não é? — Hotch perguntou já sabendo a resposta. — O que ele inventou dessa vez?

— Hotch, vai embora — ela pediu sem olhá-lo.

— Emily por favor, fala comigo, o que ele fez? — Hotch a segurou pelo braço e sacudiu de leve.

— Tudo que faço é por você e pela Wendy, não me pergunta nada, eu te imploro, não me pergunte mais nada — ela pediu chorando.

Hotch a abraçou e ela chorou compulsivamente.

— Emily, não deixa ele te dominar.

— Agente, eu estou pronta — falou Wendy conseguindo a atenção de Hotch. — O senhor está bem?

— Sim, vamos.

Os dois saíram do tríplex e entraram no elevador. O tempo todo seguiram em silêncio, todavia o prédio tinha mais de 28 andares, então era um longo período sozinhos.

— Eu não disse aquilo para Daniel — Wendy falou querendo quebrar o silêncio.

— O quê?

— Que você havia morrido, não fui eu quem disse isso para ele.

— Foi seu avô? — ele perguntou.

— Sim, eu só não quis desmenti-lo para o Daniel e a família dele. Ele ficaria bem constrangido.

— Eu entendo — Hotch respondeu sentindo-se mais tranquilo. — Terminou com ele?

— O quê? — indagou Wendy confusa.

— Você terminou com esse rapaz?

— O que a mamãe te disse?

— Sua mãe não disse nada.

A garota o olhava intrigada quando eles saíram do elevador.. Os dois seguiram para o café sem dizer mais nada. Quando chegaram lá, sentaram-se na última mesa. Uma garçonete foi atendê-los.

— O que desejam? — a moça perguntou sorridente.

— Eu vou querer um copo de leite, cereais de aveia, ovos mexidos e um suco de laranja — respondeu Wendy.

— Eu vou querer o mesmo — disse Hotch.

A garçonete anotou o pedido e saiu.

— Como o senhor sabia? — perguntou Wendy, não aguentando segurar a curiosidade.

— Que você quer terminar com seu namorado e não consegue?

— Sim — ela admitiu constrangida

— A primeira coisa, ontem na porta do fórum, ele disse que vocês namoravam, mas você ficou nervosa e não confirmou. Depois vi que seu apartamento é cheio de porta-retratos e nenhuma foto do seu namorado, que garota que gosta tanto de fotografia não teria uma foto com o namorado na estante? E por último, a marca no seu dedo anelar é maior do que anel que usa atualmente, é sinal que usou um anel maior por muito tempo e pelo tamanho da marca era um anel de compromisso.

— O senhor é muito bom, agente! — disse Wendy sem graça. — Estou bem surpresa.

— Que desculpa você deu a ele para não usar mais o anel?

— Eu falei que estava guardando em casa. Medo de assalto, essa coisas.

— Devia ser um anel bem caro e pelos trajes que esse rapaz usava, ele é bem rico... o tipo que seu avô gosta. Para ele, as pessoas valem sua conta bancária.

— O Daniel é maravilhoso, a gente namora desde que eu tinha 16 anos e nossa relação ia muito bem até alguns meses, mas ele é filho de um ministro inglês e agora o pai dele quer que ele volte para Londres para seguir carreira política. E eu odeio política.

— Já ouvi isso antes — disse Hotch, lembrando-se que era a frase que sua ex-mulher mais dizia.

— Daniel quer que eu vá com ele, mas depois eu comecei a refletir e não sei se gosto dele o suficiente para entrar na vida política. Eu não quero isso para mim e eu não sei como dizer isso para o Daniel. E ele se dá  tão bem com meu avô...

— Imagino que sim — ironizou Hotch.

— O que quero dizer é que ele é tão perfeito, é muito mais do que qualquer garota podia pedir, mas eu não quero ficar com ele nessas condições que a vida nos colocou.

— Se você tem certeza que não quer ficar com ele, termine. Quanto mais demorar, ficará mais difícil tanto para você quanto para ele.

— O senhor tem razão — suspirou Wendy.

Logo a garçonete chegou com os pratos e os dois começaram a tomar café. . Para Wendy, o pai até o dia anterior parecia o completo estranho, agora estavam ali como se fossem melhores amigos.

— E a sua mãe? — perguntou Hotch enquanto comia.

— O que tem a minha mãe?

— Como ela viveu todos esses anos? Ela é feliz?

— Quer saber se ela tem algum namorado? — retrucou Wendy, fazendo seu pai se assustar e quase engasgar com o café.

Hotch não respondeu, simplesmente não tinha como negar que era isso o que ele queria saber.

— Pelo menos ela nunca me apresentou nenhum namorado. E quer saber? Eu acho que ela não é feliz. Eu tenho uma profunda admiração e respeito por ela, mas sinto que ela esconde algo, alguma coisa que a impede de ser feliz.

Wendy baixou a cabeça e ficou olhando para a tigela de cereais, enquanto Hotch permaneceu concentrado.

— E a sua namorada? A Beth? — perguntou Wendy. — Ainda estão juntos?

— Eu não estou mais com ela, mas como você sabe da Beth?

— Eu a conheci...

Antes que Wendy pudesse concluir, o celular de Hotch tocou. Ele pediu licença e atendeu, respondendo a tudo com palavras monossílabas. Por vezes, ele repetiu a palavra “não”. Ele olhava para Wendy preocupado, enquanto continuava negando, até que pareceu ter se convencido de algo.

Assim que desligou, Hotch fitou a filha que estava intrigada com a situação.

— Temos que ir para a delegacia agora, tenho umas instruções para te passar — ele falou sério, abrindo a carteira para pagar a conta.

— Não precisa — disse Wendy. — Ela vai colocar na minha conta e nós estamos com pressa, não estamos?

— Mas eu faço...

— Depois vemos isso, vamos logo.

Hotch estava apressado, por isso logo concordou e os dois saíram da lanchonete.

— Tudo bem, depois me acerto com você — ele disse entrando no carro, ao que ela o acompanhou.  — Você vai participar da entrevista com Mike Stanley.

— Eu? Por quê?

— Por que você se parece com as outras vítimas; tem o mesmo biótipo e a mesma idade. Precisamos disso para de alguma forma instigá-lo, precisamos provocá-lo para fazê-lo confessar. Gideon procurou uma policial com o mesmo biótipo, mas só encontrou duas, uma estava de folga e a outra fica numa delegacia há 4 horas daqui.

— Me incomoda ficar numa sala com um assassino, mesmo sendo numa delegacia.

— A mim também — respondeu Hotch enquanto dirigia. — Mas você vai precisar confiar em mim, acha que consegue?

Wendy ficou calada por alguns segundos de cabeça baixa.

— Okay. Acho que posso fazer isso.

— Eu vou te passar as instruções.

***

Assim que chegaram à delegacia, todos os agentes já aguardavam, inclusive o promotor e o Senador Baynes. Os agentes se reuniram a sós na sala que havia sido separada para eles.

— Consegui o resultado da análise pericial preliminar no apartamento de Christopher — falou JJ. — E vocês não vão acreditar no que foi encontrado nas panelas.

— Carne humana — respondeu Gideon.

— Como você sabe? — ela perguntou.

— Foi só um palpite — ele respondeu calmamente. — Eu vi que um pedaço da batata da perna de Larson havia sido cortada.

— No entanto, como a carne foi cozida, pode ser que eles não encontrem o DNA.

— Por que ele teve esse comportamento agora? — indagou Morgan. — Nenhuma outra vítima foi vítima de canibalismo.

— É uma forma de se conectar com ela — retrucou Reid.

— Quê? — perguntou Morgan confuso e todos olharam para Reid esperando que ele respondesse.

— Em algumas tribos canibais da Amazônia, o ato de comer a carne de um ente querido é um sacramento que almeja libertar a alma do indivíduo morto e com isso está conectado a ela por toda a eternidade. Christopher fez isso porque a amava.

— Reid, da forma como você fala até parece que ele não fez nada de errado com essa garota — falou Elle.

— Eu só acho que a Kaley Larson foi diferente para ele, talvez ela o tenha correspondido ou pelo menos fingido correspondê-lo para sobreviver.

Eles não se prolongaram muito, pois já estava quase na hora do interrogatório.

***

Reid saiu da sala incomodado. Ele chegara à conclusão de que tinha uma identificação com Christopher Stanley que superava até mesmo a que tinha com as vítimas. Seus pensamentos estavam à mil e lá fora, ele viu o rapaz. Stanley cabisbaixo e retraído, conversava com um advogado.

— Doutor Reid — falou Wendy vindo por trás do rapaz —, quer dizer, Spencer.

— Oi... — ele respondeu tímido.

— Eu queria agradecer o seu conselho — ela disse sem jeito. — Foi muito bom conversar com meu pai, apesar de que há ainda muita coisa pendente. Mas ele não parece ser a pessoa que eu cresci acreditando que ele fosse...

— Que bom para você — Reid falou sem muita emoção.

— Você está com algum problema? — perguntou Wendy, ao perceber que Reid tinha os olhos fixos em Christopher.

Assim que Wendy olhou para Stanley, o rapaz baixou a cabeça. Foi a vez de Reid fixar os olhos na garota.

— Ele tem vergonha de você — disse Reid.

— Já sei — respondeu Wendy —, ele me acha parecida com as outras vítimas.

— Mais do que isso, acho que ele gosta de você.

— Se for para ele fazer comigo o mesmo que fez com a Kaley Larson, não quero que ele goste de mim.

— Ele é tímido.

— Eu acho super sexy um rapaz ser tímido, porém não um que queira me matar.

Reid pela primeira vez a encarou com segurança, mas logo Hotch chegou e os interrompeu.

— Vamos Wendy, o interrogatório vai começar.

***

Na sala de interrogatório, Hotch e Wendy estavam sentados lado a lado e em frente estavam Mike Stanley e sua advogada, Melany Sancler.

— Meu cliente foi inocentado ontem e hoje ele já está aqui de novo? — indagou Sancler. — Vou incluir isso no processo que estou movendo contra o Estado.

— São só algumas perguntas — disse Hotch. — Podemos começar?

Sancler e Stanley consentiram com a cabeça. Este último sorriu para Wendy, que ficou enojada.

— Qual o nome da garota? — perguntou Stanley.

— Wendy — respondeu a garota. — Wendy Hotchner.

— Hotchner? — ele perguntou em tom de deboche olhando para Hotch —, ela é o que sua?

— Filha.

— Você trabalhou bem, hein — falou Stanley, voltando a olhar para a garota. — Linda, perfeita... eu posso te dar vários presentes se você for boazinha comigo.

Wendy olhava para ele ainda mais enojada.

— Por que você me olha assim? — ele indagou. — Está ofendida só porque sou eu falando, se fosse um homem rico, certamente você estaria babando, por que vocês mulheres são assim, interesseiras.

— Vamos para o interrogatório — disse Hotch bem sério.

— Contenha-se — pediu a advogada a Stanley falando ao pé do ouvido dele. — Não vê que essa garota está aqui somente para te provocar?

— Qual foi a última vez que viu Sophie Baynes? — perguntou Hotch.

— Um mês antes do desaparecimento dela, quando fiz o último trabalho em sua residência.

— E qual era seu grau de intimidade com ela? — Hotch fez a pergunta.

— Totalmente profissional.

— Com quantas pessoas já fez sexo? — perguntou Wendy.

— Humm... bem direta, gostei de você! — falou Stanley.

— Concentre-se na pergunta — retrucou Hotch, incomodado pela forma como Stanley se dirigia à filha, no entanto sabendo que tinha que manter o controle.

— Mais de duzentas — ele respondeu orgulhoso.

— Mulheres e homens? — perguntou Wendy.

— Só mulheres — Stanley falou irritado. — Eu nunca ficaria com homens.

— Qual a finalidade destas perguntas, mesmo? — quis saber a advogada. — Se vocês não fizerem as perguntas direito, eu vou embora com meu cliente.

— Tudo bem — respondeu Wendy. — Qual foi a última vez que viu Sophie Baynes?

— Oh, garotinha — falou Stanley irritado. — Essa pergunta já foi feita.

— Ah, é verdade.

— Na próxima vez, traz as perguntas numa lista e vai marcando as que forem feitas — retrucou Stanley.

O perfil de Mike Stanley revelava que ele era instável emocionalmente. Ora ele tratava Wendy bem, ora tratava mal.

— Senhor Stanley — disse Wendy —, como é seu desempenho sexual?

— Eu já falei para não fazerem...

— Eu quero responder — afirmou Stanley interrompendo a advogada. — Comigo é 100% de satisfação.

— Acredito que sua ex-esposa, Heather Taylor, não concorda muito, já que ela buscava satisfação fora de casa.

Stanley se levantou furioso.

— CALA A BOCA! — ele gritou, virando a mesa, fazendo com que os papéis que estavam sobre a mesa voassem pela sala. Wendy encolheu as pernas e levou às mãos aos ouvidos, virando o rosto. A advogada levantou-se rápido evitando que fosse atingida pela mesa. Hotch somente preocupou-se em proteger a filha, por isso colou seu corpo na frente dela impedindo que fosse atingida.

— Vamos embora, Stanley — falou Sancler.

— Sabia que estudos indicam que os impotentes sexuais alcançam o clímax torturando suas vítimas? — insinuou Wendy.

— SUA VAGABUNDA — disse Stanley. — Você deve ser igual àquela vadia que me traía com qualquer um, eu vou te...

Ele queria partir para cima de Wendy, mas Hotch colocou-se na frente da filha e também dois policiais chegaram e o seguraram.

— Stanley — falou a advogada, o contendo. — É tudo uma armação para te incriminar. Eu conheço esse joguinho do FBI. Eles não tem nada contra você. Vamos embora.

Mike Stanley ainda estava possesso, todavia a advogada o tirou de lá.

— Nós quase conseguimos — disse Wendy, triste, já de pé na sala.

— Não se preocupe com isso — afirmou Hotch, sério.

— É impressão minha ou você não está nenhum pouco preocupado? Eu perdi alguma coisa?

— Você se saiu bem, agora vamos acompanhar o depoimento de Christopher Stanley.

***

Reid ficava olhando através da janela de vidro Morgan e Elle interrogarem Christopher. Eles tentaram vários tipos de abordagens, mas nada fazia o rapaz falar. Hotch, Wendy, Gideon o promotor Berger e o Senador Baynes estavam do lado assistindo ao interrogatório.

— Quer tentar uma abordagem diferente, Reid? — perguntou Hotch.

O rapaz ficou calado.

— Se tem alguém que pode fazer ele falar, esse alguém é você, Spence — completou Gideon.

— Peça para eles saírem — falou o rapaz, convencido.

Assim foi feito. Morgan e Elle saíram. Reid entrou na sala segurando uma pasta. Ele sentou-se lentamente na cadeira e na sua frente estavam Christopher Stanley e o advogado, Gary Stearns.

— Christopher, eu estou aqui para te dar uma chance de fazer a coisa certa e confessar o que fez a Kaley Larson — falou Reid.

— Não se assuste, Stanley — retrucou Gary Stearns. — Se eles tivessem algo contra você, certamente não estaria aqui e você estaria em uma cela.

— Não confunda os motivos pelos quais eu ainda permaneço nessa sala — respondeu Reid para o advogado, em seguida virou-se para Christopher. — Eu sei que você fez coisas más, mas não é uma pessoa má.

Christopher abaixou a cabeça e abraçou o próprio corpo.

— Talvez ele esteja certo — continuou Reid fazendo o rapaz olhá-lo. Sua feição era confusa e triste ao mesmo tempo. — Talvez, você nem indiciado seja. Não temos nada conclusivo contra você. É tudo circunstancial — Reid fez uma pausa longa. — Sim, você pode sair um homem livre daqui hoje, mas você sabe que não será livre. Porque você não tem o que deseja: alguém que não vá embora, que fique com você. Uma pessoa que não irá te julgar. Alguém que te aceite do jeito que é — Reid novamente fez uma pausa enquanto o rapaz ainda o olhava confuso. — É muito difícil arrumar alguém que não fique assustado quando vê essas manchas no seu corpo. É tão difícil arrumar uma namorada. Mas nós sempre queremos uma, parece uma necessidade natural, uma busca incessante para satisfazer um vazio que sentimos dentro de nós mesmo. E você sabe que essa necessidade não vai parar. Você sabe disso, não sabe?

— Eu não... eu não... eu não sou assim — falou Christopher, engasgado pelo próprio choro.

— Não responda — retrucou Stearns.

— Stanley, sua solidão é tão profunda que você não pode ter controle dela. Você sabe que vai voltar a fazer isso de novo — continuou Reid. — Ferir outras mulheres. Cometer atos cada vez mais depravados.

— Vamos parar por aqui, agente — insistiu Stearns impaciente. — Eu vou denunciar o seu comportamento para seus superiores.

Reid não prestou atenção ao que ele dizia e continuou.

— Você comeu a carne de Kaley. Você cozinhou a carne dela e comeu. Porque você precisava estar conectado a ela, estar perto dela. É assim que sua vida sempre será. Você sempre vai procurar por essa conexão, cada dia será pior do que o anterior. Eu sei que você quer parar. Eu sei que você quer ser uma boa pessoa. Eu posso ver, porque você tem remorso. É por isso que você bebe. Christopher, isso não vai acabar, você tem que confessar para que você não volte a fazer isso com outra garota.

— Não responda, Stanley! — falou Stearns.

— Isso não vai parar até você confessar... — retrucou Reid.

— A entrevista terminou — falou Stearns levantando-se e dando o sinal para que Christopher também o fizesse.

— Ela está morta! — disse Reid abrindo a pasta e colocando a foto de Kaley Larson sobre a mesa. Ela estava sentada no banco de uma praça, o sol forte atrás fez com que a foto ficasse um pouco fora de foco, mas era uma bela foto. — Ela não vai mais voltar.

— Agente! — Stearns tentava controlar Reid.

Christopher olhava triste para a foto. Lágrimas caíram dos seus olhos. Ele queria tocá-la e acariciá-la, mas conteve-se.

— Quantas mais, Christopher? Quantas mais? — indagou Reid.

— Eu não sei porque eu fiz isso! — ele falou soluçando. — Eu quero saber por que, eu ... eu — sua voz quase não saía de tanto que ele chorava. — Oh, Deus, sinto muito! Eu só queria ... Desculpa. Me desculpa. Eu não queria! O que há de errado comigo? Meu Deus!

Ao ouvir a confissão, Reid levantou-se repentinamente deixando a pasta sobre a mesa. Ele entendia o que era se sentir sozinho e querer ter alguém para suprir o vazio. Ele passou por todos no corredor sem dizer uma palavra, foi direto ao banheiro e chorou sem que ninguém pudesse vê-lo.


Notas Finais


E ai meu povo? O que estão achando, no próximo capítulo, vou encerrar esse ciclo e começar o novo, o que todos aguardavam.
Espero contar com vocês.

Beijão e até sábado, se tudo der certo (acredito que vai dar)!


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