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História Páginas Criminais Galácticas - 1 (Reylo-Policial) - Capítulo 11


Escrita por:


Notas do Autor


E lá vamos nós para mais uma semana com o Investigador e a Policial!


Ótima leitura 😘

Capítulo 11 - Onze


Houve um ou dois momentos na madrugada que Ben teve um desligamento semelhante a um cochilo. Tudo estava calmo e quieto, a garota policial era silenciosa como uma pedra. Mas, quando relaxava pela terceira vez, de repente, algo o acordou.

Abriu os olhos na escuridão do AT-AT e suspendeu a respiração por um instante, ao mesmo tempo que apurava os ouvidos para escutar melhor.

Havia um som. Um rastejar ou farfalhar, alguma coisa se deslocando pelo chão e tomando cuidado para realizar movimentos mínimos.

Ele esticou o braço para trás, embaixo do colchonete, na direção da cabeça, e puxou lentamente a arma de raios de lá. Aprumando a arma com o dedo no gatilho, inclinou-se para se sentar.

Esperou um apreensivo instante para que os seus olhos se adaptassem a ausência de luz e então conseguiu distinguir algumas formas dentro do abrigo. Os capacetes de pilotagem, o móvel que apoiava o fogão, uma lamparina no varal e, próximo da escotilha, o corpo de Rey, debruçado sobre os cotovelos.  

― O que está havendo? ― Ben perguntou sussurrando.

― Tem alguém lá fora ― a garota, concentrada em algo diante da escotilha, disse.

― Droga… ― Ben saiu do colchão de fininho, ainda com a arma em mãos, e se uniu a moça. De perto, percebeu que ela espiava por uma frestinha da porta com óculos de visão noturna.

― O que está enxergando?

― Por enquanto só um happabore. Ele está indo e vindo pela areia, já tem uma meia hora.

― Faz meia hora que você está espiando? ― Na verdade era: faz meia hora que estou cochilando?!

― Eu não conseguia dormir. Mas, por enquanto, como dizia, é só um happabore.

― O que é um happabore mesmo? Lembro que você mencionou sobre isso, mas minha noite está sendo intensa. Pro caso de você querer me explicar...  

Rey se apoiou nos joelhos para ficar sentada e retirou os óculos de visão noturna. Então os ofertou para ele, que pegou de bom grado e tentou enfiar na cabeça. Estava apertado.

― Onde eu regulo isso?

― A fivela está quebrada, então tem um jeitinho ― os dedos dele se tocaram na penumbra e ela conseguiu afrouxar a mecanismo ― Deve caber agora.

Ben voltou a colocá-los, desta vez passando com facilidade, e se inclinou sobre a entrada da escotilha para ver. A enorme carne de massa babona se movia com curiosidade em torno do KORO-2.

― De novo esse bicho.

― É, eles são comuns em Jakku. Só o que não é nada comum é andarem sozinhos pelo deserto. Ainda mais um desse tamanho. São valiosos e os kyuzos ou qualquer outra espécie local, não perde tempo em os arrebanhar.

― Ele tem uma coisa solta no pescoço, você viu?

― Não ― Rey se inclinou para frente, ficando bem ao lado dele.

― Parece uma espécie de corda, mas…

― Deixe-me ver ― a policial pediu, o tocando no ombro. Ben havia percebido que ela estava perto, porque um cheiro suave e característico se desprendia da roupa dela, ou seria dos seus cabelos? Enfim, ele sentiu sua presença praticamente colada a dele, só não imaginou que fosse tão perto.

Nem a escuridão o impediu de ver os contornos do nariz e dos lábios da jovem, quando ele retirou os óculos de visão noturna.

― Vou ali pegar a minha jaqueta ― murmurou lhe entregando o objeto.

Rey o pegou de volta daquelas grandes mãos e ajeitou a fivela mais uma vez antes de colocar na cabeça.

― Não faça barulho.

― Claro que não ― ele andou às cegas pelo AT-AT, até onde achava que havia deixado a peça de roupa, e acabou chutando algo no chão ― Ai!

― Eu disse para não fazer barulho! _ ela ralhou.

― Esse lugar é muito pequeno para mim! ― Ele respondeu irritado, os dois numa sequência de sussurros ríspidos.

Cautelosa de que o som, que nem fora tão alto assim, pudesse assustar quem mais estivesse lá fora - se tivesse mais alguém -, apurou os olhos com mais afinco para a vigia.

O happabore permanecia na sua tediante tarefa de cavoucar a areia do deserto com o focinho avantajado. Apenas ele. Ele e aquela coisa em seu pescoço, que agora ela via nitidamente, porque brilhava na ponta quando ele virava na direção do Walker Imperial.

Enquanto isso, Ben havia achado a sua jaqueta e esperava a estar vestindo pelo lado certo, no breu, por cima da camiseta. Aproveitou para acoplar a arma de raios no coldre com o energipente ativado. Era uma arma reserva das mais mequetrefes, entretanto era tudo o que tinha depois de perder o blaster principal.

― Você tem razão. Há algo no pescoço dele. Parece ser um guizo Kyuzos, que eles usam para não perderem um bando se estão atravessando o deserto de noite. O que é muito estranho…. Esse objeto é feito de um cristal caro, sucateado diretamente dos vetores dos Star Destroyers abatidos. E esse animal, ele está sozinho, pelo que parece.

― Deve ter se perdido do dono.

― Eu já lhe disse, Investigador. Jakku não é tão parada como você pensa. Se o bicho estivesse integrando um rebanho, alguém ou algo, já teria dado conta dele.

― O dono dele pode ter se dado mal e quer saber? ― Ben se ajoelhou ao lado dela mais uma vez, debruçado sobre a escotilha ― Passei o dia todo desviando desse happa-não-sei-o-quê e não estou a fim de deixar que ele esmague o meu meio de transporte para fora daqui. Assim, estou indo lá fora para descobrir o que houve com o dono dessa coisa e para proteger meu airspeeder.

― Espere ― protestou Rey, quando ele abriu a portinhola com tudo ― Eles não atacam veículos. São bem inteligentes, se quer saber.

― Acontece que eu percebi que pode ser pior passar a noite dormindo. Preciso chegar ao espaçoporto de qualquer jeito e contatar a República. Quanto a senhorita…

― Policial.

―… pode descansar. Vou garantir para que saia do planeta em segurança ou ganhe uma recomendação para um posto mais seguro aqui mesmo. Já que me disse que ninguém conhece o seu endereço real, não vai correr perigo.

― É sério tudo isso?

― Obrigado pela ajuda com o Fallen mais cedo e passar bem.

E finalizou a súbita despedida, engatinhando para fora do AT-AT. Rey, vendo-o se afastar, ainda estava boquiaberta com a idiotice daquele homem.



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